segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Variaçao sobre o tema da madrugadada

Você olha a luz do dia
E ela te faz sentir
Uma esperança
De alvorecer

Você olha o alvorecer
E ele te faz crer
No devir da roda
De viver e morrer

Então você olha a Vida a correr
Pelo vão dos dedos
E sente a morte gélida
Na brisa do luar

Porque pelas correntes
Tecidas no anoitecer
A alma cala
Como uma pausa

E essa pausa te oferece paz
Notívaga e soturna paz
Que o dia, cheio que está de brilhar,
Nao pode conceder

A quietude da paz que sinto na madrugadada
É beatitude de solidão interna
Interna como a bile

E todo seu corpo ama o silêncio
Ama a paz que inunda
Por profunda aparecer ee, sedutora,
Te obrigar a nela mergulhar

E mergulhando...
O oceano de saudavel nostalgia
Mareja os olhos de quem vai
Em busca do não-movimento
Que jamais poderemos encontrar


domingo, 29 de novembro de 2015

Da tragédia do silêncio como dynamus da Vontade

Posso calar minha voz
Meu coração e corpo
Mas nunca minha mente

Como fogo, consome
Como rio, deságua
Como vento, dissipa
Como Terra, pesa!

Posso calar minha voz
E até mesmo meus desejos
Mas nunca a Vontade

Como fogo, aquece
Como rio, transborda
Como vento, sussura
Como Terra, seduz

Como calar as forças
Que, inpensáveis, borbulham
Nas intemperies do tempo?
Como calar tal Força
Que, incomenssurável, ascende
Às alturas de violenta liberdade?

Violenta e dolorosa luta
das forças cósmicas
Do paradoxo em carne
Do oposto embate
E eterna seducão
Que secretamente habita
O âmago de tudo quanto é oceânico?

Não há como calar o silêncio
Este vago som de vazio
Que de todos os vazios
É o mais poderoso
Mais que o vento
Mais que o fogo
Mais que a água
Mais que o barro
Este sepulcral e mórbido silêncio
Cuja razão jamais se poderá achar
Posto que, calada, vela, distante,
Por todos os que a buscam,
Sem nunca, porém, se revelar!

O archè dos filósofos
A obstinada corrida por explicação
A inspiração sôfrega dos músicos
A dor lancinante dos poetas
A lágrima que dilacera em dúvida...
A Arte de que padecemos
E sem a qual morremos!

Oh eterno mistério do Não-Ser!
Por que Nada és,
Apenas Nada podemos encontrar..