quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Profecia Torpe sobre a Aniquilação deste Mundo



O perfume do incenso adentra minhas narinas com ardência de uma flama que desperta memórias soturnas em minha alma, o relógio antigo de meu avô, que agora está pendurado na parede da cozinha acaba de soar duas badaladas silenciosas, e o conjunto dos sons da madrugada somados a todos os barulhos destes dias longos e lentos dias que se passam sob a luz fulgurante de um verão que parece ser interminável aponta dentro do meu peito sensações e esperanças que nunca tive.
Diante dos véus que agora, um a um, se desvelam e caem, tal como as folhas que a nudez do adão kadmon cobria... ou como a torre de babel que espargiu os povos sobre este mundo de dor e sofrimento... ou como as águas do dilúvio que afogou na lama, agora petrificada nos fósseis de seres e criaturas monstruosas... ou, num futuro não tão distante os meteoros amargos e envenenados pelo altíssimo dos hebreus que irá matar uma quantidade imensa de almas viventes, dragões sendo lançados no geena, e profetas puritanos apregoado a volta, não do Cristo, mas de seu opositor...

Nesta noite calma como o coração de um psicopata, que bombeia sangue de frialdade pelas artérias de uma civilização que está beirando sua maior e mais apoteótica loucura, ou mesmo daqueles vermes rastejantes, que acreditam serem parte de uma classe inatingível – mesmo que os seja, em certo modo... Também estes estão fadados a uma destruição compulsiva e obstinada.
E todo o horror e crueldade deste fado que açoita a mente coletiva em seus sonhos tácitos e quietos, naquele instante em que dormitam um sono que julgam ser o dos justos, os irá fustigar parte por parte, até que todas as coisas que hoje se manifestam debaixo deste sol amarelo se tornem conglomerado de pó e cinza, e talvez qualquer outro elemento químico não mais valioso que latão!

Eis, amigos e inimigos, que não há sob a face desta terra nada que possa impedir o germe que habita as profundezas do mundo que conhecemos. E todo o amor que cultivamos hoje, é suficiente para nos preparar para um outro mundo. Mas neste atual, construído em estruturas podres... apenas a fétida maldição da morte que a tudo aniquila nos aguarda!