quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Utopia I - projeto para concretização


Nossa Utopia! ParteI
por Daniel Alabarce, Quarta, 15 de Agosto de 2012 às 03:25 ·
                                                                                                                 
Ideologia, eu quero uma pra viver!                                                                                                                                                           Cazuza


O nosso problema talvez seja ter nascido numa sociedade como esta, em que não há individualidade, existe apenas uma carnificina mútua e escamoteada, onde todos mantém as regras do “bem viver”, mas que o fundamento essencial da sociedade é a competição, a guerra ao próximo, não o amor!
Sociedade falida, insalubre, medíocre! Vivendo uma vida inautêntica, porque não é nem isso nem aquilo, não há rótulos, não há direções, não existe aqui nem ali, existem apenas meios-termos, meias medidas, meio isso meio aquilo, é ali, mas não é.

E não acho que este seja o niilismo nietzschiano, não aquele niilismo positivo, que parte da constatação do nada para a constatação das oportunidades infinitas para criar direções, criar termos, criar!
Um niilismo que poderia nos curar era exatamente o que é realista: “Sim, nós não temos mais nenhum valor absoluto, não temos para onde fugir na modernidade, tudo é liquefeito, tudo é fugaz, tudo se nos apresentou como um imenso nadismo, a nadificação de todas as coisas devorou tudo o que tínhamos, todas as nossas estruturas de conhecimento, todas as bases do nosso saber, devorou a política, se transformou em sistema econômico e intensificou a esquizofrenia da roda de morte, mas é exatamente por causa disso que iremos nos levantar e fazer a coisa toda como quisermos e como bem entendermos, porque estamos, neste contexto, jogados completamente na nossa liberdade mais responsável e angustiante. É o momento perfeito para o surgimento dos fortes da natureza, os selvagens do pensamento e do corpo, é hora de levantarmos nossas armas e pincéis e tintas, e notas e lápis, e todo tipo de criação artística, intelectual, social e revolucionária para ditar um outro mundo, o mundo nosso, a nossa vez de construir essa droga de mundo. E se as gerações futuras rejeitarem isso, que façam elas a sua própria versão! Nós iremos criar essa! E vamos criá-la até o fim.

Respaldamos agora, depois de ter olhado para a história de nossas relações sociais, tendo olhado também que as próprias relações sociais nossas se transmutaram em relações puramente econômicas, que as relações existentes nesta nova sociedade será primeiramente individualista, construtivista no indivíduo, por que é o indivíduo a força motriz da criação de todas as coisas, é ele, pois, quem deve estar bem estruturado e centralizado primeiramente para fazer alguma coisa. É este indivíduo que deverá estudar até cair o último sangue todas as matérias humanas, porque somos humanos, exatas, biológicas etc, porque construiremos tudo, mas não de novo. Agora é a hora de modificar a pedra fundamental, não será a religião, nem o amor ao próximo, afinal o mais próximo sou eu mesmo. Inverteremos assim as palavras de Jesus e: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” será o seguinte: “Ama você, você mesmo, tudo que fizer, faça somente pra você.”  Como a ti mesmo será: Só depois que você amar a si mesmo e ter percebido que no mundo só importa você, pois você está em um determinado ponto de espaço/tempo, num contexto cultural, em que você uma matéria que ocupa apenas um espaço e tempo, portanto possui uma visão originalíssima do mundo e da vida, apenas depois dessa vivência é que você vai agora se dirigir ao outro (que também passou por todas essas tarefas, sem nenhum ponto de equivoco. E agora, tendo sido educados como seres individuais (que não podem ser divididos – mais importante: que não enxergam o mundo fragmentado, mas como uma teia de relações contínuas e totalizantes que acabam esbarrando sutilmente nas relações do próprio Kosmo, aí sim, esse indivíduo poderá se preocupar com as nuances existentes entre um e outro indivíduo, compartilhando aquela visão peculiar que cada pessoa tem durante todo percurso a que foi submetida para fazer e construir agora relações concretas, baseadas naquilo que aprenderam na vivência prática do Si Mesmo.

A base real, óbvia e o pivô formal de toda esta nossa sociedade é o indivíduo crítico, que só se torna crítico por estes caminhos que apresentamos. Reconhecer em si mesmo o valor e a capacidade e reconhecer no outro a impossibilidade de controle. Não é possível criar mecanismos de controle no pensamento alheio sobre um individuo nosso, então, nós geramos nossos indivíduos de tal forma que eles consigam lidar com o mundo cruel como ele é, mas sem destruir as pessoas, destruir o sistema, esta é a força oculta que nos move. Não existe amor uns pelos outros, apenas medo e interesse. Contornar esta questão é complicada se partirmos de um ponto de vista emotional, e principalmente se for de uma analise moral.
Foda-se, nossa análise não é de forma alguma moral, queremos apenas que os indivíduos sejam aquilo que eles já o são no nome, seres que não se dividem por nada, que mantém a consistência de sua afirmação, de seu ideal –já que não dá pra viver sem um mínimo de ideal

Prestem atenção senhores e senhoras, porque um novo modo de governo vai chegar, e é o jeito nietzschiano. Preparemos os caminhos para o Uber Mansh, o Ser que vai dar um Salto na história da humanidade, saltando a própria humanidade, desprezando o que nós chamamos de homem. Vejam ele está ali no topo daquela montanha vermelha, verde, azul e preta, é o Além-Homem.
Sim, porque precisamos de tudo novo. HOMEM é um conceito velho, será substituído por ALEM HOMEM,
Escola deverá ser chamado de ACADEMIA, quase ao modo grego pré-socrático, onde terão aulas de todas as coisas relevantes, física, matemática, biologia, filosofia, psicologia, arquitetura, música, dança, teatro, onde os professores vão se responsabilizar por no máximo 15 alunos por classe, cada classe vai ter todos os professores, professores e alunos vão se conhecendo e se tornando próximos, e vão criando linhas de pesquisas sobre o tema que iniciaram na pesquisa. Professores serão autônomos em suas aulas, em seus grupos, e daí sim professores poderão participar, caso queiram, do modo de pesquisa para acrescentar algum saber novo ou mesmo conflituoso, de onde possa surgir uma síntese e um novo ponto de estudo.

Temos que implodir as estruturas sociais e educacionais agora, aniquilá-las completamente sem um resquício de piedade, pois piedade é sinal de decadência! Destruição, Radicalização, Confronto, Enfrentamento, e se preciso até a morte deles ou nossas! Porque é nosso direito criar e instaurar outra forma de se fazer educação no Brasil e nós vamos fazer isso, queiram ou nãol
                                                                                                                                   
Esta é a lógica e a garantia da sobrevivência do sistema, que haja expansão, e no meio da expansão crie-se contradições e que destas contradições surjam novos campos de saber, e essas contradições surgem cada vez em maior número e quando se percebe estaremos suplantando toda a velha estrutura dominante, com tnts nas mãos, armas, facas e punhais... Foices para mim, katanas para meus amigos!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pesquisando e preparando a próxima postagem!


Galera, eu e o Felipe Tavares Justen estávamos conversando no MSN, e ele acabou tendo uma sacada muito interessante. Eu acabei me convencendo sobre o assunto e resolvi aprofundar os pensamentos. Estou pesquisando, refletindo bastante, analisando e observando as coisas, e espero conseguir escrever um artigo bem legal sobre o riso.

A pesquisa está sendo interessante, porque fiz questão de ir a fontes antropológicas, biológicas, psicológicas e, claro, filosóficas, né!

Consegui coletar vários elementos, e consegui chegar a algumas conclusões interessantes.

Estou relacionando também temas como censura do riso, a seriedade do trabalho nos modos de produção capitalista, que pelo que vejo influenciou até nessa questão.

enfim... espero que vcs gostem!

Assim que terminar, posto aqui!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Esboço para uma Teoria da aniquilação completa!


"Não há classes sociais, não há raça, não há sexo! Nada há que não seja sofrimento! Todo o resto são ilusões construídas pela nossa espécie para tentar diminuir nossa angústia, nosso desespero! Todo o resto são modos que encontramos e criamos para fugir da verdade que nos persegue: a morte!"
Daniel Alabarce


Independente da existência dos deuses ou não, fato é que nós existimos aqui, e, concretamente, visivelmente só temos uns aos outros. Esse meu desabafo é externalização dos sentimentos que tenho em relação ao mundo, minha visão de mundo, minha dor contínua, minha sede de justiça que nunca é saciada e que, pelo visto, jamais será. Por perceber que minhas ações em nada colaboram, já que nem mesmo a humanidade toda, com seus 7 bilhões de seres, conseguiria modificar a ordem natural, o que chamamos na filosofia de “estado de coisas”. Temos que concordar que mesmo 7 bilhões de pessoas são, diante da imensidão do Universo que nós muito mal conhecemos, um fervilhar de vermes rastejantes, um leve empecilho para a Natureza... Empecilho este que está muito próximo de ser completamente arrancado!

Tenho apenas 25 anos, mas já fui exposto a tantas nuances da realidade humana. Apesar desta parte da realidade a que tive acesso ser pequena em comparação ao todo existente, é possível conjecturar algumas possibilidades com base nestas experiências que tive.
Para tornar minha constatação um pouco mais forte, possuo ao meu lado a experiência das pessoas com quem me relacionei e me relaciono nestes 25 anos que vivi.
A grande parte das pessoas são otimistas, mas otimismo não garante absolutamente nada, apenas dá condições psicológicas às pessoas para que permaneçam existindo e vivendo com relativa tranqüilidade.
Se todos estes otimistas, aceitassem a realidade do jeito que é (e, no fundo, todos eles sabem da crueldade da existência humana – apenas fingem que não sentem isso, que desconhecem qualquer coisa que vá de encontro ao otimismo idealista que eles mantém a todo esforço); se eles, objetivamente, aprendessem a observar a vida humana, suas relações, suas ações sobre o planeta Terra, veriam com facilidade que fizemos muito mais mal do que bem, e que a grande parte das nossas relações (pra não dizer todas, já que não temos acesso a toda a realidade) estão fundamentadas em mentiras, interesses egoístas e inveja.

O problema não é o capitalismo, nem quaisquer sistemas filosóficos/políticos/sociais, o problema é o próprio ser humano, que, atuando o tempo todo no palco da sociedade demonstra ser aquilo que ele não é, nunca foi e nunca será! O ser humano é tal qual os demais animais. E tal qual as outras animálias, nós também somos controlados essencialmente pelos nossos instintos. Estes instintos são instintos básicos de sobrevivência que são encontrados em todos os seres viventes, inclusive no funcionamento do Cosmos, dos Planetas e das estrelas. Parece, portanto, que esta é uma verdade universal (parece, não podemos afirmar muita coisa, certo?).
Partindo dos dados que temos, aqueles que nos são oferecidos pelas relações humanas, podemos perceber que nossos instintos foram condicionados para além da nossa necessidade de sobrevivência, e isto foi feito socialmente e culturalmente num processo histórico muito lento, porém por demais eficaz!


Agora, não lutamos instintivamente apenas por nossa sobrevivência, mas lutamos também para obter mais coisas do que todos os demais. (querer ter mais, ser mais, obter mais, é também uma característica natural que também pode ser encontrada nos outros animais, só que no ser humano, esse caracter se sofisticou, assumiu uma condição anti-natural, já que não respeita, ao modo natural, os ciclos, as cadeias alimentares e leva o planeta terra – que é um planeta pertencente não apenas aos humanos, mas a milhares de espécies – ao completo esgotamento, à completa destruição).

Temos que reconhecer, paradoxalmente, que a auto-destruição também é um elemento muito presente na nossa dimensão. Todas as coisas, se olharmos de uma forma mais ampla, tendem à destruição exatamente a partir do momento em que começam a existir. Nada é eterno, a não ser o contínuo fluir de construção e desconstrução, nascimento e morte, existência e aniquilação.

O problema, de fato, é que nós não respeitamos a ordem natural de destruição das coisas, não respeitamos mais o tempo de perenidade a que estão sujeitos todas as coisas! Nós, não satisfeitos com toda a desordem e caos da Natureza, decidimos acelerar o processo de aniquilamento.

Não estou querendo fazer julgamentos morais em relação a esta atitude coletiva da humanidade, já que, a estas alturas e com estas considerações, não há mais espaço para qualquer moralismo. Entretanto, eu preciso constatar, mesmo que para efeito consolador interno do meu ego, que, em verdade, nada há de tão bom que não possua em si um germe de destruição, tédio e caos!

Não que isso me console (se tal constatação me consolasse, seria uma contradição, já que se acredita que consolo só pode ser fruto de bons sentimentos, ordem, estabilidade etc...), mas isso me dá um pouco de satisfação. De algum modo, não sei explicar bem como, constatar que nada pode ser feito me dá a sensação de que posso assistir toda a destruição sem me envolver. Quer dizer, eu estou incluído no processo de destruição de tudo, mas não me desespero, permaneço em meu lugar como um observador, como apreciador das catástofres. Talvez seja uma espécie de apreciação estética mórbida, mas qualquer pessoa terá de concordar comigo que este prazer mórbido também está presente em todos os humanos. Se não fosse assim o Coliseu não teria tanto sucesso, as torturas públicas não atrairiam tantas pessoas, programas de televisão como “Amazing Vídeos” não fariam tanto sucesso. Todos nós adoramos ver desastres, desde que eles não estejam acontecendo com a gente, nem com as pessoas que nós amamos ou com pessoas que, moralmente, acreditamos serem inocentes!

A cada dia tenho experimentado um conglomerado de sentimentos. A impressão que eu tenho é que de uns dois ou três anos para cá, eu tenho ficado extremamente aberto a quaisquer experiências, sensações e fenômenos. E não tenho me fechado para absolutamente nada, tenho deixado o fluir das coisas acontecerem, tento apenas manter a apreciação estética sempre alerta, para poder usufruir ao máximo de todos os prazeres que eu puder, pois já cheguei à conclusão (particular, mas é uma conclusão minha) de que a única coisa que me resta na vida é vivenciar todos os tipos de prazeres que eu puder, e isto se deve a esta constatação de tudo tende ao pior, nunca à evolução. (Não estou aqui falando de evolução/reencarnação, nem de coisas espirituais, pois é uma outra esfera, uma outra dimensão – me atenho apenas a esta realidade material a que estamos subjugados... Se existe outra dimensão, e eu até acredito que exista, temo que ela não siga exatamente a mesma lógica, e dizendo que não segue a mesma lógica também não estou dizendo que esta outra lógica é melhor do que esta, pois eu estaria me baseando apenas no meu desejo para afirmar isso, o que não seria muito interessante).

Vejo o sofrimento de meus amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos e até dos meus inimigos (o sofrimento dos meus inimigos me dá muito prazer...), e me sinto condoído, entristecido, quase que com as mãos amarradas, querendo fazer alguma coisa, mas impedido por força maior. Não há forças em mim para ajudá-los! Não há muito o que fazer para diminuir o sofrimento alheio, pois nem mesmo o meu sofrimento eu consigo diminuir. De certa forma, aprendi a lidar com o meu próprio sofrimento, transportando-o a um nível mais universal, porque tornando meu sofrimento universal, torno-o igualmente vazio e, portanto, desprezível, assim como Amor, Felicidade e outros universais!

Gostaria que meus amigos e familiares partilhassem da mesma maneira de encarar o mundo, pois acredito que, ao menos assim, seria mais fácil encarar o medo, os sofrimentos e as angústias da nossa vida. Acredito que pessoas que chegam a estas mesmas constatações ficam mais desinteressadas com seus próprios problemas, ficam mais sensíveis ao sofrimento alheio, pois acaba por enxergar que todos, impreterivelmente, estão no mesmo barco! Não há classes sociais, não há raça, não há sexo! Nada há que não seja sofrimento! Todo o resto são ilusões construídas pela nossa espécie para tentar diminuir nossa angústia, nosso desespero! Todo o resto são modos que encontramos e criamos para fugir da verdade que nos persegue: a morte! Desde que nascemos enfrentamos o nosso corpo ao invés de usufruir ao máximo dele. Desde que nascemos somos ensinados a odiar o nosso corpo, justamente porque é o corpo quem aponta nossa finitude. Consideramos mal o corpo que morre, o corpo que adoece, o corpo que se desfaz e apodrece. Não temos coragem de reconhecer que não há escapatória para a morte, queremos acreditar que podemos vencê-la! Mas para vencer a morte (e morte aqui está ligado ao conceito mais profundo de destruição e aniquilamento cósmico) precisamos abandonar aquilo que nos condiciona à morte, aquilo que nos torna aptos para morrer, ou seja, nosso corpo!

Algumas pessoas me questionam sobre toda esse meu pensamento, duvidam mesmo de que eu acredite piamente nisso, já que me vêem sempre a sorrir, brincar e me divertir. Dizem que este pensamento não combina comigo.
Na verdade, não acredito que não combine, acredito que, verdadeiramente, eles não querem acreditar que eu possa pensar desta forma, afinal, como pode uma pessoa aparentemente feliz acreditar na destruição de tudo! Não é possível! Mas esta sensação que as pessoas tem em relação a mim, só corrobora tudo o que eu disse: não somos capazes de usufruir de tudo, de todos os prazeres, não acreditamos que podemos ser felizes, o sofrimento que experimentamos nessa vida é tão grande que (junto com o maldito cristianismo) acabamos por acreditar que temos que sofrer aqui para lograr algum prazer em outra vida. Acreditamos piamente que neste lugar não é possível ser feliz diante de nossa triste situação! Ou seja, todos, como eu disse antes, sabem do extremo e infeliz infortúnio de existir, mas não aceitam isso, lutam o tempo todo para fingir que estão bem, e, paralelamente, acreditam que este sofrimento é a justificativa de que eles um dia merecerão algum tipo de alegria eterna, em troca de toda as mazelas terrestres. Quando na verdade seria muito mais saudável para nós fazer o que nossos psiquiatras e psicanalistas nos ensinaram a fazer em relação a nossas doença psicológicas, aceitando-as, e tentar usufruir de uma parcela de alegrias ainda em vida... Desta forma, poderíamos nos curar de uma boa parte de nossos hematomas existenciais.

Quer dizer... Não basta não pedir pra existir, nem nunca ter sido levado a corte alguma para defender nosso direito de não vir a este mundo... Nós precisamos sofrer ainda mais do que isso! Isso é um absurdo! Eu não aceito sofrimento deste tipo! Sofrimento maior que existir é um contrasenso! Daí que eu seja a favor de aceitar nosso sofrimento existencial (isso inclui a constatação do aniquilamento total das coisas), e a partir dessa aceitação construir um novo modo de encarar a própria existência, ou seja, um lugar de aproveitar desesperadamente de todos os tipos de prazeres que possam surgir! E digo “aproveitar desesperadamente”, pois é desespero mesmo! A nossa busca por prazer está entranhada de dor e sofrimento. Buscamos prazer justamente porque não o possuímos em nós mesmos. Não é constitutivo de nossa biologia humana o prazer![1] O prazer está sempre nas coisas que nos dão prazer, pois não possuímos, além do prazer sexual, nenhuma outra forma de prazer individual, todos os outros tipos de prazeres são originados daquilo que nos é externo![2]



[1] De fato, o prazer sexual é um tipo de prazer que nós possuímos em nós mesmos. Talvez um dos únicos! Daí que nós possamos, a partir disso, compreender o desespero sexual na modernidade! O sexo é (sempre foi, porém num grau muito maior agora), atualmente, a principal forma de entretenimento e lucratividade!
[2] Aqui precisamos reconhecer que podemos sentir prazer sozinhos de forma sexual, tanto homem quanto mulher, mas que o prazer sexual maior se dá por meio da relação com um outro que não nós mesmos. Sexo a dois, a três ou em grupo, não importa, sexo (masturbação ou outros meios de se dar prazer) a um nunca é tão prazeroso quanto o sexo feito com outro(s).

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sofos: LUZ mais luz!

Os deuses mostraram suas linhas mais belas, revelaram-me a perfeição do caos, a estética do fogo de devir que destrói todas coisas, o fogo que consome, o movimento frenético da roda...

Apresentaram, entretanto, os benefícios da luz, a luz de sófos, a luz que iluminou a sabedoria antiga.

Vejo com mais clareza. Mesmo deste lado mais escuro em que me encontro, consigo espreitar todas as coisas, pois meus olhos já se acostumaram com a penumbra mais densa.
E esta penumbra minha, particularmente agradável, possui uma tênue luz... A luz, porém, é luz apenas para mim, de modo que minha escuridão é clara como todo o universo. Mas apenas para mim. E apenas para mim ela se transmutou em minha recreação.; para todos os demais ela é apenas uma escuridão a mais.

É exatamente assim que deve ser: o descobrimento de minha gnose mais abismal que se apresenta lunarmente tão clara somente aos meus olhos.

Não se trata de egóismo, mas de impossibilidade de compartilhamento, dado que uma experiência tão ferozmente individual jamais poderá ser transmitida em palavras, gestos, sinais, jamais poderei decodificá-la verbalmente, já que diz respeito ao campo pragmático de minha vivência, de minha experiência.

Já que não posso expor, dar existência real (colocar tudo o que é em mim em um plano de ex-ternum(, também não é possível quaisquer julgamentos ex-ternos. Como julgar algo que não existe externamente?

As hipóteses, como em todas as demais questões incompreensíveis, são amplamente permitidas, mas nunca válidas e verdadeiras.
Essa luz interna que encontrei, ilumina apenas minhas próprias sombras; ambas estão unidas, fundidas e interconectadas, não há dualidade, luz e escuridão em mim são uma e mesma coisa!

E como estou pleno por captar luz e trevas dentro de mim!

Esses dias transformaram-se em dias e noites eternas de aprendizado.
O aprendizado e a acumulação de conhecimentos deste tipo é totalmente oculta, oculta para todos que não são eu.

Agora é que pude compreender a jocosa brincadeira da filosofia, do saber profundo: saber que se sabe e, ao mesmo tempo, ter consciência de que a matéria sutil e etérea deste conhecer é a única posse que tenho, minha única propriedade exclusiva.

Eu sou único, em um espaço-tempo que é encarado por mim apenas, portanto, um ponto de perspectiva original.

A luz da sabedoria é uma só, mas são inúmeras e infindáveis as várias espécies de escuridão. Cada um possui um poço negro diverso de todos os outros e a luz que a todos pode iluminar ilumina e esclarece as riquesas peculiares. E, assim, cada um é um poço de trevas densas e de riquezas ocultas. É o próprio indivíduo que, uma vez enegrecido no instante exato em que veio a existir, permite-se enraizar em suas próprias sombras internas...

Luz e trevas são apenas modos diferentes de encarar o cosmos. Tudo é um, mas nossas fragmentadas consciências individuais insistem no dois, no três...

Daí que a moral absoluta seja tão frágil, porque julga-se conhecedora invicta de todas as escuridões existentes, justamente porque acredita que sua forma-padrão pode enquadrar todas as importantes multiplicidades escuras no mundo...

Só quem pode me julgar é deus!
Eu sou este deus!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Percepção diluída!

A cada dia torno-me mais forte, porque enfrento tantas coisas que não me matam!

A cada dia, porém, torno-me também mais frio, mais descrente na raça humana, e mais apaixonado, contraditoriamente, pelas pessoas boas que encontro.

A cada dia aprendo que gosto mais da noite, da falta de luz solar direta.

A cada dia me apaixono pela luz indireta refletida na lua.

A cada dia a lua negra transmuta-se em estética perfeita, representação dos meus desejos mais sombrios e ocultos, dos meus medos mais fulminantes e da minha coragem mais imperecível.

A cada dia amo com mais intensidade.

A cada dia odeio com mais profundidade.

Meu amor e meu ódio se constituem de matéria cada vez mais grotesca, cada vez mais sofisticada, mais especializada na rude grosseria dos instintos.

E a cada dia torno-me mais indiferente, mais cauterizado, mais endurecido...

Mas a cada dia aprendo a beleza mais abismal de tudo o que se contradiz, de tudo o que é devir, de tudo o que não pode ser planejado, de tudo o que é crítico, imprevisível...

A cada dia aprendo a criar sentidos

A destruí-los

E a reconstruí-los novamente até que a morte me separe ou me dilua no nada!Até que a morte me mostre a imperceptível fragilidade de tudo o que é vivo!

Daniel Alabarce

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Karmaval II

A selvageria que ocorre nos carnavais modernos não é selvageria saudável,

natural, é uma selvageria que está totalmente relacionada com o desenvolvimento técnico,

com a fragmentação dos indivíduos, com a opressão moral e com o empreendimento

da separação crassa das classes sociais...

como disse Freud é a bárbarie marcada pelo mal estar na cultura.

A selvageria antiga, grega em particular, era a selvageria original e positiva,

a de homens e mulheres que são animais e seguem os ciclos da natureza.

A selvageria de hoje é depredação porque é totalmente anti-natural,

é anti-qualquer coisa. é negativa. O único contexto desta selvageria

é o ressentimento e a culpa que borbulha no inconsciente coletivo,

é a revolta dos escravos, do rebanho! portanto,

está também atrelada a toda a consciência instaurada pelo cristianismo,

de homens e mulheres subjugados totalmente a um deus moralista e opressor!

http://g1.globo.com/sao-paulo/carnaval/2012/noticia/2012/02/tumulto-interrompe-apuracao-em-sao-paulo.html

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Karmaval

Tenho plena consciência de que existem outros blogueiros que, como eu, estarão criticando e destilando todo o seu ódio a este feriado brasileiro que se transfigurou no ápice de todo o emburrecimento da massa sem identidade.

A impressão que tenho, a história também possui esta mesma sensação, é que o cristianismo inverteu todo o ensinamento do seu próprio fundador.

Jesus disse que o Diabo não veio senão para roubar, matar e destruir...

A história desses cristãos miseráveis só nos mostra que, de acordo com Jesus, sua própria igreja se transmutou no Diabo Institucionalizado.

O cristianismo conseguiu roubar todos os mistérios pagãos, mataram todos os que não concordaram com a verdade podre de seus ensinamentos e destruiram quaisquer provas escritas e oficiais de suas cagadas celestiais...

Ou seja: Roubam, matam e destroem durante estes 2012 anos e ainda o fazem, porém, de forma muito mais sutil e obscura - e não era pra ser diferente, pois uma religião que teve por ofício a enganação, a mentira e a manipulação durante tanto tempo, só poderiam, hoje, serem os mestres de todo o equívoco e ilusão.

O que isso tem a ver com o carnaval?

Bom... Diretamente, acho que não muita coisa...

Mas, pense bem... Donde surgiu o carnaval, a festa da carne? Não, não nasceu em Veneza!

Nasceu nos cultos de mistério a Dionísio, nasceu nos centros de orgia romana em honra a Saturno... Surgiu num ambiente pagão! A igreja condenou todas estas práticas durante toda a idade média... De repente, o povo começa a se revoltar com a igreja e, pecando deliberadamente por reducionismo - falo de mim mesmo ao escrever isso - , tendo se revoltado começaram a praticar festas carnais, orgiáticas tais como antigamente... só que desta vez para negar a força opressora do cristianismo!

Nunca mais houve festas pagãs como as de antigamente, com alucinações, fantasias, sexo ritualístico, mas apenas a festa carnal dos cristãos que precisavam se distanciar um pouco de seu deus maquiavélico para poder respirar um pouco e, feito assim, voltar aos seus pés com lágrimas nos olhos pedindo-lhe perdão.

Todos vivem aprisionados nesse mundo moderno de trabalho escravo, de tortura massacrante do sistema capitalista, sofrendo o tempo todo as acusações da moral esquizofrênica cristã, todos somos cristãos, estamos todos debaixo desse grande guarda chuva cinzento do deus cristão, da cultura ocidental cristã, infelizmente!

Chega o carnaval no Brasil, e todo mundo deixa de ser cristão, vira selvagem de novo... Ressurge do porão do inconsciente putrefato deles apenas a vontade de sexo, de vida, de anti-cristianismo, de liberdade!

Mas a liberdade que eles experimentam no carnaval é falsa! É apenas um dia de folga que seus deus miserável lhes deu pra descansar do trabalho divino de manter a sociedade funcionando.

Não é liberdade que escravo tem pra poder se comunicar com seu eu mais profundo, aquele que está sufocado pelas regras da sociedade e da moral bíblica que se cristalizou acima dos prédios... É uma condicional, apenas isso.

Por ser condicional, ou seja, condicionada (você está livre sobre tal condição: após esses dias de festa voltará para a prisão), exatamente por este motivo é que é falsa!

Em respeito aos meus amigos praticantes das religiões afro, devo acrescentar algumas observações importantes:

Esse carnaval de são paulo e rio de janeiro é a completa falta de respeito com os ritmos africanos, dos terreiros. O capitalismo brasileiro conseguiu digerir os ritmos tão respeitosamente dedicados às entidades, mas fez isso de uma forma infame. Usam um ritmo que é dito brasileiro sem apresentar todo o contexto real dele, transformaram tudo em forma-mercadoria.

Isso é o que me revolta mais ainda, porque o capitalismo só pode aceitar o cristianismo, não é lucrativamente bom, principalmente num país de maioria católica e com uma praga semelhante, porém, mais lúgubre ainda- os crentes -, se alastrando.

É triste isso, mas é fato!

Bom carnaval pra quem gosta...

Pra mim é sempre uma tortura! é sempre um karma!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre o destino do filósofo ou Sísifo.

Além de todas as outras sinas que carrega, ele ainda pode acordar um dia e não desejar fazer nada, ficar imóvel na cama sem vontade alguma de levantar, sem vontade de viver...

Não porque tem depressão, síndrome do pânico ou alguma doença patológica, mas porque, de repente, tudo pode perder o sentido de uma só vez... Não é tristeza que ele sente... É tédio!

E aí o filósofo precisa arregaçar mais uma vez as mangas e construir, tijolo por tijolo, novos sentidos para sua existência...

Tédio! Construir, destruir e novamente construir... ad infinitum!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sobre linguagem, ser, existência e liberdade.


Um texto que escrevi em 2010, quando tranquei a matrícula na faculdade dehoniana, onde estudei filosofia.
05/10/2010


Depois de ter trancado a matrícula na faculdade, li poucos livros de filosofia e não senti o declínio do exercício de filosofar, pois aproveitei de tudo o que estudei e pesquisei durante os últimos três anos como matéria prima para construir o meu próprio pensamento.
Devo reconhecer que muita coisa mudou nestes curtos e conturbados anos de faculdade; experimentei um pouco (às vezes muito) de tudo e isso somente acrescentou maturidade.
Infelizmente, esta maturidade apenas eu a percebo, pois a gravidade e seriedade de um adulto normal estão completamente enraizados nos poços obscuros da moral cristã.
Tenho para mim – e talvez, exatamente nesse aspecto, eu tenha descoberto minha liberdade e alegria – que um verdadeiro filósofo, amante da luz (sofos) e de tudo o que é vivo e ascendente, jamais poderia levar a vida tão a sério... De um camelo domesticado, carregador de fardos alheios, tornei-me leão dominante com vontade de destruição, sangue e caos; de leão orgulhoso passei a viver como criança, desapegado de moral, regras e deveres sociais.
Cheguei a um determinado momento em que não pude resistir o desejo de olhar o abismo; olhei e ele me devolveu o olhar de tal modo amedrontador e apavorante que tive de cerrar os olhos com esforço. As palavras que giram em torno do abismo são todas cruéis e terríveis: medo, morte, escuridão, desespero, angústia. E não é de se espantar, dado o número de pessoas caindo nele! De fato, grande é o poder do abismo, diria a “aranha”, e não há quem não o testifique.
Contudo, observei todas as pessoas caindo no abismo, gemiam e choravam sem saber o que fazer. É preciso, como diria o espírito zaratustriano, estender uma corda entre uma e outra margem do abismo, rindo de seu penetrante olhar.
Rir com sarcasmo, ironia e desdém, pois rir de felicidade é como nuvem afugentada pelo vento, logo some e não se lembra mais de novamente existir.
Todos os que nascem são humanos porque são inseridos em sua linguagem humana. E no final, tudo não passa apenas de proposições, argumentos e balbucias sem sentido causal.
Entretanto, se todos são humanos por participarem da mesma forma verbal de proferir o mundo, não deveríamos ser iguais? Mas há na própria linguagem as brechas necessárias para encontrar a resistência ou a oposição. Existem, desta forma, dois tipos de linguagem: uma da maioria, massificada e outra da que a resiste e que, por ser uma pequena parcela da coletividade, é colocada às margens. Daí que se possa compreender a diferença crassa entre as linguagens de uma determinada cultura, a massificada, inglesa por exemplo (em meados dos anos 70) e o modo verbal de pronunciamento do real dentro de uma subcultura, como o movimento punk britânico. Existem outros exemplos que poderiam ser adicionados aqui, mas basta olhar com mais atenção para a linguagem de uma cidade e para a linguagem marginal que foi construída para perceber facilmente essa variedade.
Pode ser que membros que estiveram uma vez embolados na massa tornem-se força de resistência em outras partes, mas nunca isso ocorre por vontade própria, o processo é lento e diz respeito ao próprio mal-estar cultural existente em paralelo ao desenvolvimento técnico. Foi o que Freud explicou em “Mal-estar na cultura”, provando que o aprimoramento da técnica cria automaticamente uma sensação de desconforto a nível de “inconsciente coletivo” (emprestando o termo jungiano).
Os que fogem das normas prontas e já estabelecidas no âmbito social, os anormais (que literalmente estão fora da norma), são jogados ou se isolam por perceberem que são diferentes demais. Existem várias formas de escapar num momento desses, como a música e a arte em geral, por exemplo, ou mesmo as drogas (ambas com a mesma função). Um fato curioso sobre este aspecto é a existência de mendigos na cidade. Na verdade, não se trata de uma existência mesmo, mas de uma falsa existência, já que ninguém se comunica com eles, eles estão privados de quaisquer relações (no sentido lógico, apesar de metafórico... Explico: Na lógica A pode se relacionar com todas as outras letras, menos ela mesma. A não pode se relacionar com A. Para que a existência de A seja afirmada é crucial sua relação com as demais letras, por exemplo: A-B. A identidade de A só é encontrada por causa da existência de B, ou seja, é uma identidade criada por meio da negação: “Eu não sou B, nem C, nem D... por isso, sou A, existo como A.” O caso dos mendigos é bem parecido. Eles não sabem que existem, pois estão privados de todas as relações possíveis. Eles não podem se reconhecer mutuamente, seria uma incoerência lógica, posto que A não pode se relacionar consigo mesmo. Isso se torna tanto mais verídico quando olhamos para o papel que os demais países possuem para a construção de uma “identidade brasileira”. Como seria possível construir uma identidade brasileira se não existisse nenhum outro país que lhe provocasse alguma cisão lógica com potencial de afirmação? Se somente eu existisse e nada mais... Se eu apenas existisse no meio de um Nada absoluto... Como eu saberia diferenciar Eu do Nada? De fato, eu estaria em um determinado lugar do Nada, pensando alguma coisa... então esta comparação seria inverossímil... Mas, apenas por suposição, pensemos que fosse possível apenas eu existir e mais ninguém, nenhuma outra criatura ou objeto, nenhum ente... Se assim fosse Eu seria o Nada, ou seja, eu não existiria, não há negação e é exatamente por meio da negação que se pode criar identidades!)
O que interessa, porém, é que ao encontrarmos a face do diferente poderemos sempre ter certeza de que algum acidente de percurso aconteceu. Em sã consciência ninguém quer se afastar da sociedade. Fora da sociedade há desequilíbrio, desordem e violência; em outras palavras: “fora do frágil castelo de areia que construímos há uma natureza e um cosmo imenso cuja preocupação não é nem de longe a comunidade planetária terráquea”.
Por isso mesmo nós, homens e mulheres, nos unimos para não ter de enfrentar, cada qual no seu devido galho, o tormento de existir.
Concluímos que, se conseguíssemos tal façanha, voltaríamos para a tranqüila normalidade, onde tudo já está pronto, onde tudo é estável... Mas uma vez que se experimenta este sentimento que convencionamos nomear como liberdade, nunca se consegue livrar do peso de ser estranho e bizarro... Se eles fossem em menor número, nós seríamos os normais, de acordo com este critério, e eles, os marginais.
Vemos, portanto, duas coisas bem distintas: a liberdade é, ao mesmo tempo, a melhor sensação dessa existência fugaz e a mais opressora, porquanto aqueles que são livres estão em número absurdamente pequeno; e que tanto faz estar deste ou daquele lado, pois o critério utilizado para estar ou não livre é relativo apenas ao grupo “geograficamente” localizado, ou seja, se você estiver aqui é livre, se ali, é parte da massa, mas se a ordem e o lugar invertessem seria o mesmo que nada, porque todos são humanos e estão destinados à podridão do túmulo.
A proposição final, penso, é: a linguagem é quem dá existência às coisas, aos objetos de conhecimento. Não há como o homem conhecer as coisas fora se ele não aplicar um raciocínio lógico para este intento, se ele não outorgar nome, se ele não delimitar objetivamente os entes então eles não existem. Não é que não existem fora do ser humano, mas não existem dentro da mente, dentro do humano, pois o humano só pode reconhecer as coisas que estão à altura de seu poder de conhecimento, o que só ocorre por causa da linguagem. Em outras palavras, a linguagem, como já disse Heidegger, dá Ser às coisas.
Existência, Ser e Linguagem também são palavras... Mais um dos joguinhos macabros da hermenêutica!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Discurso para ampliamento do Espaço Entretenimentório


Este texto eu escrevi a todos os meus amigos antes de vir pra Vinhedo, onde estou morando agora.
Sabendo que nós, humanos, somos seres simbólicos, decidi utilizar um mito grego para escrever este discurso que estou pronunciando aos meus amigos, irmãos e irmãs.
Trata-se de um mito que eu encontrei há um bocado de tempo, em torno do qual eu construí grande parte do que sou hoje, no qual me inspirei e identifiquei características minhas e características de cada um de meu círculo “social”.
Algumas partes do que escrevo foram retiradas da internet, já que meus livros estão todos encaixotados, outras partes eu retirei das sínteses que eu mesmo fiz do que aprendi de meu grande amigo Nietzsche e do velho Heráclito!
Zeus era um deus safado e vivia pulando a cerca. Hera, sua esposa, apesar dos inúmeros chifres, sempre encontra um modo de “dar o troco”.  Ela era bem cruel nisso, mas Zeus não ajudava muito.
Certa feita, Zeus se transformou em uma serpente para conseguir transar com Perséfone (Zeus tinha esse problema com animais... E para cada mulher ele se mostrava de alguma forma diferente, ganso, cobra, ave... Se eu fosse mulher... Bom... Eu preferiria Zeus com um corpo de homem mesmo... Serpente, ganso... Não sei como elas sentiam tesão com isso!). Enfim, Zeus se transformou em uma serpente, afogou o ganso em Perséfone e nasceu um tal de Zagreu (não, não era Zaqueu, era ZaGREU). Hera ficou revoltadíssima e incitou os Titãs para que matassem Zaqueu... ZAGREU. Os titãs mutilaram Zagreu, comeram todas as partes do seu corpo, menos o coração, coração que Atenas salvou e levou até Zeus. Zeus fez uma poção com o coração de Zagreu e deu a uma mulher chamada Sêmele, a qual engravidou de Zeus.
Em apenas um parágrafo Zeus traiu Hera duas vezes! Como diria a Michilene: “Ele é booom”.
Hera ficou putíssima! Foi até Sêmele e disse a ela pra provar se Zeus era mesmo Zeus. “Ai, amigui, não sei, não, viu... Acho que esse bofe que te engravidou não é Zeus coisíssima nenhuma... Pede pra ele te dar uma prova de que é mesmo Zeus, boba... Fala pra ele aparecer pra você em forma de gente mesmo, quer dizer, de deus... Credo, fica aí te visitando em forma de animal... Vai saber se um dia desses ele vem em forma de ornitorrinco... eu hein!”
E assim, Sêmele pediu a Zeus que mostrasse quem ele realmente era. Ele arrancou a roupa, mostrou todos os músculos, raios e trovôes! Poder, sedução e magia, amigui! ARRASOOO! Só que daí ela morreu queimada no plano espiritual, virou cinza!
Zeus conseguiu salvar o filho de Sêmele que estava ainda vivo e costurou ele em sua coxa. Depois disso, nasceu Dionísio.
Dionísio foi o único deus do Olimpo que foi filho de uma mortal. Surgiu do meio do fogo. E concebido com o sangue do coração de um homem que morreu por vingança.
Dionísio é filho do fogo. O fogo é mudança contínua. Ao mesmo tempo que transformou sua mãe em cinza, deu à luz um deus. O fogo consome o oxigênio para poder arder, consome tudo à sua volta. Mas é também o fogo que proporciona calor, luz e que foi o maior descobrimento que o ser humano já fez.
Dionísio é o deus do caos, porque nasceu em meio a um tormento de relações, ciúmes e expectativas. Foi um deus adotado por uma nação que considerava bárbaro todos os que não falassem sua língua. Dionísio não era um deus tipicamente grego, era um deus de qualquer outro lugar, menos da Grécia, era um deus bárbaro, fora do padrão. Não estava no padrão, mas acabou por seduzir toda a Grécia, e depois Roma. Mulheres alucinadas que gritavam possuídas pelo deus, homens que esquartejavam animais e comiam suas carnes cruas, cidadãos que participavam de uma grande orgia ao ar livre, gritando “Io, Io, Bromios (o deus que troveja e grita loucamente), Io, io, Dendrites (o deus das árvores e da fertilidade)”
Dionísio não é apenas o deus do vinho e da alegria, é o deus do caos e da fertilidade, o deus dos loucos, dos que não se deixam aprisionar por padrões e sistemas, é o deus que seduz com a liberdade. E a liberdade, tenho descoberto isso pragmaticamente nos últimos dias, é uma mistura de angústia e satisfação, é uma junção de rupturas e novas construções.
Todos vocês estão aqui hoje, na casa da minha querida Cidinha Bronzatto, não são normais. Cada um de nós sofreu amargamente por perceberem que não fazem parte de alguma coisa, de algum grupo... Nós todos padecemos a mesma angústia, a angústia de não ter sentimento de pertencimento, de não ser de ninguém que não nós mesmos. Como disse o Fábio, nós compartilhamos solidão.
Escrevi este texto, porque eu encontrei um grupo de pessoas que, como eu, não sabem exatamente o seu lugar no mundo, pessoas que, assim como eu, sentem-se jogadas no mundo. Como se viéssemos de um útero que se transformou em cinzas e tendo sido criado nas coxas de um deus. Sentimos, aos mesmo tempo, que somos cinza, mas que temos algo dentro que é superior. Sim, nós somos espíritos superiores!
E nós construímos juntos um culto, um culto de mistérios, um culto a um deus que nos é semelhante... Que também sofreu das mesmas angústias. Um deus exilado, amado e odiado. Falando assim, até parece que estou falando de um outro deus... um que ficou pregado... Mas isso é apenas cópia, né? Não, eu estou falando de Dionísio, não confundam!
Sem perceber, nós louvamos o deus do vinho o tempo todo. Sem perceber, nós construímos um grupo. Sem perceber, nós nos tornamos sátiros e ninfas.
Sou muito grato a todos vocês, porque nós construímos juntos um sentimento de pertencimento. Sem pertencer a lugar algum, acabamos por pertencer a nós todos. E espero que nosso sentimento de união e pertencimento continue como o fogo que arde até se consumir por inteiro.
A Michilene já disse que nós não estamos indo embora, mas ampliando nosso espaços de divertimento. Eu acrescento que não estamos nos despedindo, estamos ampliando nosso culto a Dionísio!
Ao Bryan, meu irmão e companheiro; à Cidinha, que me ensinou a ser artista; ao Fábio, que me mostrou quão valioso eu sou, e por quem eu tenho tanta satisfação em ter conhecido; à Michilene, que foi iniciada nos nossos mistérios e se tornou fiel escudeira;  e a todos que estão aqui presentes (cita o nome, fedaputa!) – e ainda tem tanta gente a quem eu tenho que agradecer – eu agradeço por tudo o que vocês me proporcionaram. Pode ser que não dê certo em Vinhedo, e caso isso aconteça, sei que ainda terei meu lugar entre vocês. E caso dê certo, eu nunca vou me esquecer de ninguém e nós vamos continuar sendo esta família que somos, este bando de gente anormal e repleto de divertimento.
Amo todos vocês!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Taubaté tem visgo, musgo e marmelada!


As eleições estão chegando e o circo já está pegando fogo faz tempo. Na verdade, o picadeiro foi armado, a palhaçada já aconteceu, o povo entrou em recesso e os políticos vão se aproveitar ainda do Carnaval e de todo tipo de mecanismos que encontrarem para ludibriar o povo nessa época tão importante. E ainda tem algodão doce ali na saída! Sinto muito pela pizza, mas ela acabou bem antes do circo!

E agora a mídia e a sociedade como um todo iniciam o processo de tortura ao cidadão. O coletivo oprime o indivíduo e cobra suas responsabilidades em relação à sua comunidade.
O deus do “tu deves” paira agora sobre cada indivíduo com trovões, raios e rajadas de vento que ecoam na consciência do sujeito. O artifício da culpa nunca é tão utilizado como em épocas de eleições.
“Vote consciente”, “vote em mim”, “vote nele”, “faça isso”, “faça aquilo”... “TU DEVES” aos milhares...

Diante da repulsiva atitude dos vereadores da cidade de Taubaté, diante de todas as falcatruas do querido ex-detento e prefeito Roberto Peixoto, diante de toda esta corja repugnante e parasitária, toda a responsabilidade por todos os erros cometidos são transferidos para o eleitor, afinal, foi ele quem escolheu a raça de aves de rapina nas eleições passadas! O povo é um rebanho de ovelhas o tempo todo, obedece, cala, consente, aplaude e se sujeita durante os anos posteriores à eleição, mas quando a época de fazer emergir das cinzas os nossos representantes chega, passamos de ovelhas obedientes a bodes expiatórios. A culpa é toda nossa!

O que é política, senão as relações econômicas existentes entre o Estado e as empresas privadas? O que é política, senão o desejo de lucro à custa dos servidores públicos? A política perdeu seu sentido primordial. Isso não aconteceu agora, é fruto de um processo lento como o câncer. E como um câncer, a política foi sendo corroída aos poucos e agora já não restam tantas pessoas que nela acreditem. O interesse não é mais o da pólis, muito menos, por consequência, o cidadão tem o mesmo papel que tinha. O papel do cidadão é de mero espectador do grande espetáculo capitalista!

Exigir, a essa altura do campeonato, que o cidadão exerça seu papel é exigir que continuemos a fingir que a máquina eleitoral democrática funciona, quando, de fato, o que funciona é este cassino de cartas marcadas. O papel do cidadão vai muito mais além do que apenas comparecer às urnas ao som dos bips esquizofrênicos! O papel do cidadão, realmente, é o de maior importância para a manutenção de uma cidade, de um estado, de um governo, de um país. Os deputados, vereadores, prefeitos, governadores é quem devem representar, não nós!

Infelizmente ainda há quem acredite que vivemos uma democracia, pior ainda é que existem inúmeros infelizes que defendem que esta “democracia” é participativa! E eu só consigo rir disso! Democracia é uma caricatura de um sonho que o capitalismo jamais permitirá acontecer da forma em que, inicialmente, foi concebida. E democracia participativa é um pleonasmo sarcástico demais para se defender com tanta seriedade... Se é a “cracia” do “povo”, logo o povo participa! Se é necessário instaurar “participativa” após “democracia” é porque alguma coisa já está fedendo, é uma indicação crassa de defunto putrefato, de coisa podre e repulsiva demais para ser ponderada.

O grande X da questão é que entre o voto de um cidadão e a posse de um determinado candidato existem coisas muito maiores que nosso vil conhecimento pode assimilar!
E aí eu ouço vários indivíduos condenando a atitude de uma mulher quando ela disse: “Eu prefiro pagar multa a ter que votar”.
Realmente, este também é um direito do cidadão. Ou ainda é democracia, a cracia que impõe ao sujeito o que ele deve ou não fazer em relação ao seu próprio papel de cidadão? Não seria isso uma forma velada de ditadura? Faz parte da decisão do cidadão o escolher não votar em ninguém, porque ele, em sua decisão livre e soberana, pode não compactuar com nenhum de todos os candidatos!

O voto, no Brasil, é obrigatório. Oras, não seria um direito do cidadão o não querer votar em ninguém? Afinal, escolher um candidato é o mesmo que escolher um escravo, que, teoricamente, irá representar as minhas vontades, as vontades da polis, a vontade do bem comum... Certo? Se eu não encontrar ninguém que esteja à altura de me representar, então eu tenho todo o direito de não votar, ou eu preciso escolher qualquer candidatozinho (o tiririca é um bom exemplo deste tipo) apenas para satisfazer a opinião alheia? Quer dizer que para que as pessoas não fiquem tristes comigo eu preciso, obrigatoriamente, votar em qualquer um?

Daí que eu seja contrário a esta obrigatoriedade no votar.

(Momento de divagação: Imagine se o voto no Brasil fosse não-obrigatório! Se assim fosse, quais tipos de cidadãos iriam às urnas? Aposentados? Idosos? Empresários? Professores? Estudantes? Quem? ... Quais tipos de candidatos estão realmente preparados para pensar e refletir sobre o que realmente precisam, sobre quem realmente deveria estar no poder?  Tenho um lapso de intuição! É um “achismo”, confesso, mas há muito fundamento nisso! ... Quantas pessoas são alfabetizadas, no Brasil? Dentre as não-alfabetizadas, quais as chances de que compreendam com maior clareza as propostas de um determinado partido? Quantos professores existem no Brasil? Dentre eles, quantos aprovam o sistema de educação brasileira? Afinal, se o voto não fosse obrigatório, quais áreas da sociedade estariam mais interessadas nas eleições? Tenho certeza de que perguntas como estas podem nos dar um feed-back mais coeso sobre o motivo de manter a obrigatoriedade do voto...)

O problema de Taubaté é que o buraco continua sendo sempre mais embaixo! Estamos numa democracia e, apesar de eu discordar deste regime político, escolher não votar também é uma forma de exercer sua cidadania, porque para escolher não votar é preciso escolher, isso não é também um "voto consciente"?

Votar no ”menos pior”(utilizando o jargão) realmente é uma atitude decadente. Quer dizer então que pra eu mostrar socialmente que eu sou um bom cidadão e me preocupo com o julgamento moral que podem fazer a meu respeito, caso eu não vote em nenhum candidato, eu preciso desesperadamente votar em alguém? Isso seria uma espécie de "voto não-consciente" certo? E inconsistente, reforço!

Agora, se pudéssemos colocar nas eleições um candidato do grupo de resistência, e se conseguíssemos mais do que apenas um, isso seria ótimo. E eu votaria nele conscientemente!

Mas como, pelo que temos visto no decorrer dos preparativos das eleições do fim do mundo, não haverão candidatos que resistam de alguma forma este poderio peixotiano (que já se tornou até um sinônimo para corrupção e banditismo), então eu também não irei votar, pois como cidadão eu possuo o direito de duvidar do processo eleitoral, o que aliás, acho uma grande parcela dos taubateanos duvidam!

Mesmo se conseguíssemos eleger um candidato que se posicione contrário a qualquer tipo de poder que prejudique o bem comum, mesmo assim, ele será apenas um num complexo emaranhado de jogo político, cujas cartas marcadas (Robson Lima, Luizinho da Farmácia, Chico Saad e outros da mesma estirpe -raça seria um termo mais plausível) fazem perdurar a ridicularidade taubateana.

Precisamos de movimentos sociais que pressionem, de mecanismos de resistência, tais como o “Transparência Taubaté”, iniciados no facebook.

E digo mais, grupos de resistência como este precisam sair da virtualidade e se reunir para discutir idéias, não apenas para protestar, mas para instaurar a prática da antiga ágora grega, de onde surgiu o conceito puro de democracia, que, posteriormente, foi deturpada e na qual nos encontramos algemados para sempre!
Eu, como cidadão taubateano, estou profundamente desapontado com minha cidade. Estou de malas prontas para migrar pra Vinhedo onde meu trabalho, como músico, é bem mais valorizado do que aqui.

Tenho que deixar meus parentes, amigos e conhecidos pra poder crescer, porque aqui isso não é possível a artista algum que se preze, que leve a sério seu talento.

Cito, apenas como exemplo microcósmico, a Escola Fêgo Camargo, que está abandonada nas mãos de pessoas como Ivo Salinas, que deixaram a qualidade da Escola cair a nível tartareano.

Uma escola onde os professores são expostos à exigências iguais às do ensino fundamental e médio, que se vêm obrigados a deixar que alunos que não tem o mínimo conhecimento musical passem de ano e peguem diplomas sem sequer ser dignos deles.
Cito também, como exemplo minúsculo, porém alarmante, o Teatro Metrópole, que cobra 2.000 reais para apresentações artísticas de seus próprios músicos, atores e dançarinos. Não há espaço público digno para se fazer boa música, bom teatro e boa dança. Temos que nos contentar com o Centro Cultural, com uma acústica péssima, com capacidade de apenas 150 pessoas sentadas.

Isso sem contar a manutenção do Teatro Metrópole, todos nós lembramos a quantidade de tempo que esperamos para que eles o reformassem. E, depois da reforma, ainda existiam trincas e rachaduras.
A Escola Fêgo Camargo tem professores excelentíssimos, alunos brilhantíssimos. Muitos de nós tivemos que deixar nossas casas e migrar para Barra Mansa (RJ), Belo Horizonte, Estados Unidos. E não tivemos apoio nenhum dessa prefeitura sem escrúpulos.

Todo ano os alunos de música almejam participar de festivais de música e, já que também não existe um festival de música em Taubaté (com mais 300 mil habitantes, renda gigantesca e uma escola como a Fêgo Camargo), juntamos nosso dinheiro e vamos a festivais de outros estados e cidades para aprender mais!

A prefeitura, quando ajuda, manda uma PERUA ou qualquer outro meio estapafúrdio de locomoção. Geralmente é um meio mesmo, termo do qual surge também a expressão "mediocridade"!
Dentro da Escola Fêgo Camargo, mais um exemplo (estou citando exemplos que fizeram parte da minha experiência durante mais de 13 anos de estudos nessa escola), o auditório é minúsculo, menor que o do Centro Cultural. O piano de 1/4 de calda já está arrebentado, devido à falta de manutenção (por acaso, o piano do teatro metrópole tem até arame pra evitar que a tampa caia durante as audições).

Como ia dizendo, de fato o que temos não é um auditório, mas um malditório.

No caso do piano, foi uma luta pra conseguir a compra dele. E com tantos anos de tradição na cidade, a Escola deveria ter pelo menos 2 deles. Na verdade tem 3! Um que está no teatro Metrópole, largado às traças; outro que está no auditório da escola Fêgo Camargo, em processo de deterioração; e mais um, também na escola Fêgo Camargo, que foi DOADO pelo honrado e falecido professor Alfredo Messina (outro músico de genialidade imensa - que, seguindo o padrão taubateano, não teve reconhecimento nenhum), mas que já é bem velho e mal cuidado! Ou seja, todos eles não fazem um piano digno!

Não falo isso apenas por que sou pianista, mas porque isso é apenas um símbolo da completa falta de respeito com o dinheiro público.
Concluo, pois, dizendo que citei exemplos pequenos que remetem a um problema muito maior.

Portanto, antes de me julgar pelos exemplos de microcosmo, peço que abstraiam e joguem essas minhas críticas a nível de macrocosmo, a nível de gestão do município de Taubaté, e analisem conjuntamente todas os outros inúmeros exemplos que bem conhecemos.
 E, finalmente, repensem o criticar alguém que expressa a total descrença na máquina eleitoral vigente, e que, por tais condições contextuais, se nega a votar no "menos pior"..
Eu vou estar em outra cidade ano que vem, bem longe disso tudo. Porque já estou enfadado de não ser reconhecido como artista que sou, e falo por inúmeros artistas que já saíram dessa cidade com a mesma intenção, com o mesmo desalento, dentre os quais conheço muitos.

Monteiro Lobato era um desses também. Taubaté perdeu! E continua perdendo!
É muito fácil jogar frases prontas no facebook para defender alguma coisa. "Quem não gosta de política é governado por quem gosta" e etc...

Isso é muito relativo! Porque eu gosto muito de política e não governo ninguém! E pode ser que quem não goste de política governe quem goste! Também é o nosso caso. Ou vocês irão me dizer que nossos deputados federais e estaduais gostam de polítca? Eles gostam é de dinheiro!

E isso se estende a vários políticos!

A verdade é que não existe mais política no Estado Moderno! Existe apenas Economia! E este é um ponto que nós ainda vamos demorar pra entender!

Aceitar isto no discurso é diferente de assimilar isso e, a partir desta assimilação, modificar a forma de encarar o sistema. Só assim conseguiremos novas estratégias de resistência.

Daí que eu seja favorável a que os grupos de resistência se reúnam e discutam novas idéias, novas propostas, procure pessoas que articulem as idéias com a prática e se misturem!
É preciso entender melhor não somente os movimentos dos trâmites políticos e burocráticos. É preciso aprofundar o conhecimento para melhorar ainda mais a prática!
Quem tem conhecimento, tem poder!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Bagagens, malas e lembranças...

Dedico este texto a todos os meus amigos e à minha família! 

 Lembro-me de quando me despedia de minha madrinha, na minha infância. Todas as vezes que eu a visitava em São Luiz do Paraitinga, nos sítios ou em sua casa nova, depois que ela machucou a perna e não pôde mais cuidar dos animais, da fazenda e das montanhas que haviam em sua antiga casa. Eu, ao entrar no carro, depois dos vários abraços, sentia um nó na garganta, como se nunca mais a fosse ver novamente. Como se todos os momentos com ela tivessem um ponto final, e de verdade, nunca tiveram... 

 Eu acordava cedo pra tirar leite das vacas, ou buscar o gado com ela em lugares distantes, que para mim era uma aventura! Acendi fogueiras nas montanhas, brinquei de voar nas alturas, corri por lugares secretos na mata e descobri a natureza. Na minha mentalidade infantil, tudo aquilo era magia, fantasia, e estes momentos me moldaram, me levaram a acreditar que a natureza é bela, que os homens é que são intrusos, que toda a natureza já existia antes mesmo de nós!

 Daí que eu me sentisse tão triste por deixar a casa de minha madrinha, porque lá eu descobri tantos mistérios, vivi tantas aventuras e desenvolvi minha imaginação infantil de uma maneira tão saudável! Viver uma vida simples, próximo da natureza, em contato com um ar tão puro que jamais respirarei novamente, cuidar dos animais e me divertir sozinho nas montanhas, ouvir os rios e cachoeiras seguindo seu curso foi um aprendizado incrível.

 Viver de forma simples me seria tão mais aprazível que desejar a fama, os aplausos e o reconhecimento. Infelizmente, nesta minha vida, meu desejo sempre foi maior que minha imaginação. E quanto mais desejo, mais sofrimento experimento. Não é possível domar o desejo que em mim queima intensamente, é como tentar domar o fogo... Nós, humanos, demoramos para aprender a manuseá-lo, e ainda temos tanto que aprender com o fogo! O desejo é algo destruidor, apesar de construir inúmeros prédios, é ele também o culpado pela destruição de tudo que se constrói.

 Hoje, vejo diante de mim uma nova oportunidade. Um momento de aventurar-me por outros caminhos. De fato, isto já se me havia apresentado há mais tempo do que posso perceber agora. O movimento interno já me mostrava que, apoditicamente, eu teria de encarar novas situações, enfrentar meus piores medos e buscar algo maior, a liberdade.

 Agora compreendo efetivamente o quão pesado é este fardo, o quanto de moedas de sangue são necessárias para ser livre. Vejo, empiricamente, a selvageria que subjaz a liberdade. Mas é necessário que eu enfrente o novo, o diferente, porque já me cansei do mesmo!

 Depois de tanto tempo, sinto aquelas mesmas sensações de saudade que eu sentia quando me distanciava daquele lugar de aventuras em São Luiz do Paraitinga... Agora, entretanto, o sofrimento é bem maior, posto que meu desejo já não é mais o de uma criança. Desde aquela época, meu desejo se tornou muito mais visceral... daí que o caminho que se me apresenta hoje não seja tão urgente, mas vem de longa data! Tudo não passa de símbolos que me remetem à minha busca por sentido na vida... E, talvez, eu jamais o encontre...

 Talvez eu tenha mesmo que me acostumar a este processo de criar e destruir, criar e destruir. Nunca o mito de Sísifo se tornou tão significativo para mim! Apesar do sofrimento constante que experimento por vislumbrar a eterna construção e destruição de meus próprios esforços, estou feliz por poder construir algo diferente (sabendo que um dia poderei estar sujeito a uma nova destruição também...).

 E o que me dói é este nó na garganta, porém, muito mais forte que o de outrora! Agora, este nó na garganta está todo embebido em uma teia gigante de relações que fiz, de inúmeras pessoas que me fizeram bem e mal (ou que nada me fizeram), de família, de amigos, de amores e dissabores...

 Diz respeito à minha cidade, ao lugar que eu encontrei e onde fui encontrado, um complexo de paixões e ódio, de alegrias e tristezas. Acumulei uma pesada bagagem, e esta bagagem, fruto de "eu+minha circunstância", é que colaborou para eu me tornar quem sou agora e quem estarei sendo daqui pra frente! Portanto, não são apenas as malas com roupas e livros, incensos e velas, caveiras e piano que eu estou levando para Vinhedo, são todas estas relações das quais fui me moldando e moldando minha realidade. Fui influenciado e influenciei a muitos!

 As bagagens, então, não serão carregadas somente por mim, pois eu compartilhei várias delas com outras pessoas. E estas pessoas estarão ligadas a mim, por meio deste acúmulo mútuo de bagagens, até o fim da minha vida.

 Vejo, de certa forma epifânica, um lapso do meu futuro. E já sinto tanta saudades de tanta gente, lugares e momentos! É uma tortura! Escrevo esse texto com a intenção de demonstrar a todos que se relacionaram comigo, para que saibam que são marcas que fizeram na minha memória para sempre, que jamais me esquecerei de minhas raízes como muitas pessoas fazem, pensando ser fruto de si mesmos! Eu não sou fruto apenas de mim mesmo, não posso transar comigo mesmo (e como queria poder!).

 Sou um resultado de tantos fatores, e estes fatores são sempre humanos. Agradeço, então, a todos os meus mais preciosos amigos que me proporcionaram os bons momentos para compartilharmos a solidão de quem existe; e agradeço a todos os meus amáveis inimigos, que só se constituíram inimigos porque são capazes disso, portanto terão sempre meu respeito!

 Estou indo, mas estarei ficando na mente de muitos... E na minha mente há um poço sem fundo, onde "jogo" todos os que amo, rsrsrs!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Postagem n° 100 -Minha desolação, minha angústia, minha guerra... minha vida!

"Comemorando" minha centésima postagem nesse blog, mais de 13.280 visitas, quero agradecer a todos os meus leitores, todos os que fizeram comentários, todos os que leram os textos que eu escrevi. E pra celebrar o 100° texto, eis aqui mais uma pérola minha, nascida e embebida no sangue de meus próprios sofrimentos (que são responsáveis por todo o meu desenvolvimento):

De que matéria é feita o artista, senão da angústia de sentir a inexistência de fundamento do real?
De que forma surge um guerreiro, senão desta vontade de querer criar um sentido para o mundo concreto, de melhorar a vida humana, de torná-la mais bela?
Ambos, o guerreiro e o artista, são uma mesma moeda.

Mas quem pode dizer do guerreiro que ele seja sempre forte? De fato, é porque ele enxerga seu destino de fracasso, sua própria morte, é que pode ousar ir para a guerra, ou no caso do artista criar sua arte, pois contempla que ele nada mais pode fazer, que está de mãos atadas, de que está jogado em sua própria solidão.
É daqui também que surge a alma de um herói ao estilo grego! Ele sabe que seu final será extremamente trágico, mas aceita seu destino, não foge dele, enfrenta-o até o fim, até que se derrame a sua última gota de sangue.

Hoje eu estou desolado pela minha própria solidão, mas que é isso senão um prenúncio da minha maior guerra, que é isso senão o vislumbre da criação da minha mais bela obra de arte, da música que será apenas minha, posto que foi criada durante o processo de minha solidão mais grave?

by Daniel Alabarce on Wednesday, December 14, 2011 at 9:53pm

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quem é meu próximo? PARTE II - Uma herança maldita

Em resposta ao comentário do Felipe, meu querido amigo, faço esta outra postagem, seguindo o mesmo tema do texto que escrevi um pouco antes, se você quiser ler, clique aqui

Falou corretamente, Felipe!E, tanto gostei de seu comentário, que quero acrescentar alguns pontos importantes, como desdobramento do que você escreveu!


De acordo com o desangelizador, Paulo de Tarso, os homens que não conhecem as leis de deus, morrerão e serão julgados de acordo com suas obras, independente do que diz as leis de deus (já que estes, neste contexto particular, não conhecem a lei, e se não conhecem, como serão julgados por não ter conhecido?)

Por outro lado, os que conhecem a lei, serão julgados de acordo com as leis de deus, dentre elas estão ordens das mais absurdas possíveis.

Supondo que estas leis sejam mesmo verdadeiras e existam em algum lugar do universo, não seria mais fácil que aqueles que não conhecem as leis de deus, que são inúmeras pormenorizadas em detalhes ridículos (as leis no Brasil foram criadas com base nesta forma de pormenorização da lei, vale lembrar...), enfim, não seria melhor que continuassem não conhecendo para ser julgado de forma justa, ou seja, pelas suas próprias ações e pelo poder da sua própria consciência, o que outorga, vale dizer também, uma noção de liberdade extrema e totalmente responsável?

Todavia, ainda permaneço na dúvida, pois sei que ela é mais eficaz no conhecer...

E, se, talvez, esse monte de leis consideradas divinas fossem um amontoado de leis criados num contexto histórico particular para um determinado povo particular, os judeus (ou hebreus, como quiserem)?

E se, talvez, essas leis não fossem realmente divinas, mas apenas humanas, dado o contexto histórico em que foram criadas, com a intenção de manipulação e controle de todo o grande rebanho existente, recém-saído do Egito antigo, uma terra cheia de conhecimento, saberes astrológicos incríveis e sabedoria que até hoje é fascinante?

Será que haveria outra forma de controlar um povo todo de hebreus (e de egípcios também que saíram juntamente com os hebreus "de balão") sem a criação de leis que tivessem sido dadas a um líder especial para manter a ordem dos indivíduos?

Será ainda que todo o Egito havia mesmo sido deixado para trás, ou teria permanecido marcado nas consciências dos hebreus, afinal eles ficaram no Egito mais de 400 anos, aprenderam muito com aquela sociedade, certo?

E por acaso isso não seria muito diferente do que acontece no Brasil, certo? Depois de uma ditadura militar, uma constituição foi criada para tornar o país democrático, mas, tendo sido criado no contexto de lutas e revoluções, também privilegiou os presos políticos... E também não é essa mesma lei, essa mesma constituição que, agora na atualidade presente, passa a privilegiar não os detentos políticos, revolucionários, mas os corruptos, os ladrões e os que se utilizam indevidamente do dinheiro público?

Ou seja, o povo hebreu não era um povo tão diferente do nosso. Apesar de se considerarem "os eleitos", com essa altivez imbecil, digna apenas de judeus mesmo, provocou uma calamidade histórica e cultural.

Porque, não satisfeitos em manterem leis que foram criadas apenas para eles e apenas para aquele devido contexto histórico, nos deixaram todas elas como uma herança maldita, da qual o cristianismo tomou para si como escudo e espada, matando todos os que discordassem delas!

Será ainda que podemos considerar o conceito de pecado que herdamos destes mesmos hebreus malditos e doentes?

Será mesmo que é pecado duvidar das leis "de deus", sendo que já conjecturamos que é possível que sejam mais humanas do que imaginamos...? Será mesmo que pecado existe? Será mesmo que todos os outros conceitos decadentes que nos sobrevieram desta raça maligna (e não estou fazendo distinção de raças de sangue, como um nazista, mas uma distinção de cultura, de pensamento)?

O Ocidente foi formado por três vertentes: uma romana, uma grega e uma judia...

Acho mesmo que todas as três só se uniram, porque todas as três aderiram também estes conceitos decadentes de pecado, culpa e juízo final...

Estes conceitos também foram bem oportunos para o capitalismo! Mas disto não convém tratar nesta postagem... Talvez uma próxima!

E tudo quanto é podre, nojento e repugnante no mundo moderno, pesquisem se tiverem dúvidas, é fruto de toda essa raíz hebréia, de gente doente e escravos revoltados contra aqueles que eram superiores a eles...

Fico imaginando um povozinho medíocre dentro de uma nação como o Egito antigo, esperando 400 anos por um libertador que nunca chegava... Os hebreus deviam mesmo odiar os egípcios, eles eram tão melhores que eles...

Daí a noção de santidade! Nós, os que sofremos, somos santos!

Daí também que para se tornar santo seja necessário tanto sofrimento, tanta humilhação, tanta... decadência!

Quer maior exemplo de escárnio e humilhação do que aquele que ficou exposto na cruz?

Ei-lo aí, o tempo todo, jaz na cultura ocidental um defunto!

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Sóbrio

Saí da taverna, de papo pro ar,
Mas senti o chão sob meus pés balançar...
O lado direito, o esquerdo, qual é?
Ó rua, estás bêbada, por minha fé!

Lua, que estranha imagem é a tua!
Olhas tão vesga para a minha rua...
Ó velha amiga, tu estás embriagada -
Isto não te fica bem, camarada!

E os lampiões, que visão deprimente!
Nenhum só está firme, ereto, decente!
Todos oscilam pra cá e pra lá -
Cada um deles bêbado qual um gambá!

Tudo balança, é a maior confusão!
Sóbrio só resto eu, meu irmão!
Graça não tem aqui bater perna:
Acho melhor eu voltar pra taverna!

BELINSKYM Tatiana. Um caldeirão de poemas. São Paulo: Companhia das letras, 2003. p 15.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quem é meu próximo?

Tenho por mim - aprendi muito bem essa lição - que a pior coisa a se fazer é ajudar o próximo, porque o próximo nunca é tão próximo quanto pensamos. Sou a favor de que cada próximo ajude a si mesmo, e só se estiver totalmente desapegado e capacitado de maneira adequada deverá ajudar um próximo que estiver por perto... E aqui sim sou favorável ao "dar sem esperar nada em troca" que o Jesus ensinou.

Próximo é quem está perto, ou seja, minha própria sombra! Quem decide tudo na minha vida sou eu mesmo, quem escolhe A ou B (ou C) sou sempre eu! Quem sofre a angústia de escolher C e experimentar a dor de não ter escolhido A ou B, também sou eu. Então o próximo mais próximo de mim, sou eu mesmo!


Fato é que o único cristão morreu numa cruz, todo o resto é apenas palha, ninguém é cristão! Ninguém oferece a cara a tapa, ninguém ama seu inimigo, ninguém quer o bem do outro... Ninguém morre pelo próximo... A história da nossa linda humanidade tem provado que o próximo é aquele que é colocado em fogueiras, torturas, acusado sem direito de defesa, invejado e excluído. O próximo de quem Jesus falou é sempre aquele que nós mais afastamos! Logo, já não é próximo, mas distante!

Mais uma vez aprendemos a lição. Jesus estava um tanto equivocado ao dizer que o próximo é quem está fora, o outro, as pessoas ao redor... (ou será que interpretaram errado o que ele disse? Bom, isso também é uma constante em nossa história: a deturpação de tudo o que dizem os sábios!)