quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Angústia de um peregrino de sófos

Quando as esperanças se confundem com o desespero e a angústia
No exato instante que o Ser e o Nada se interpelam
Definitivamente o confronto não pode ser evitado
E o caos se instala entre as costelas, na medula,
nas lacunas e nos espaços da coluna vertebral

A sensação da morte próxima
E a vida manifestando sua face sombria
Porque viver é saber morrer todo dia
Viver é viver a morte sem deixá-la vencer
sem morrer completamente
Porque o que não mata fortalece!

No limbo terrestre não há espaço para super-homens
Ao menos, não por enquanto!
Os que se alegam força além-humana
Não passam dos mais famigerados escravos
Que na auto-afirmação de sua intrépida arrogância
Decretam estruturalmente sua própria queda.

Tudo o que sobe, cai
Mas nem tudo o que cai torna a subir!

Eu estou caído na cadeira,
como entre o céu e a terra
quase como um crucificado
Sofrendo os algozes elementos
dos quadrantes da matéria densa

Mas há de chegar a hora da transmutação
A luz que surge de ninguém mais que eu mesmo
Para alumiar meu próprio caminho
com a doce finalidade de descobrir
dentro da morte o germe da vida
dentro das minhas mais densas trevas
a minha expansão luciferiana mais completa

Nos caminhos tortuosos do labirinto iniciático
ou nos becos e ruas sem saída que nos leva
Hécate nos testa com as dores e os terrores
os assombros mais secretos, ocultados aos berros
com nossa mais tenra covardia...

E assim, quem vencer as provas no fogo,
não se queimará
Na água, não se afogará
no ar, conseguirá voar
na terra, superará a própria tumba

E só poderá compreender o grande mistério final
Após ter consciência de que aqui, enquanto vivos,
as forças negativas serão sempre mais intensas
Estamos jogados no mundo para fazer o que não fizemos
o que recusamos por tanto tempo:
assumir nossas responsabilidades existenciais
Amar primeiro a mim, porque eu sou o meu mais próximo
E amar aos demais somente se eu estiver em lua de mel comigo mesmo
Porque não há amor fora, se não houver amor dentro!

Dói-me a cabeça, os dentes, os olhos em sua órbita
Mas nenhuma dor é tão forte quanto a morte
E até agora ela não me enviou convite!
Porque ter medo!?

Sentirei medo ao som da trombeta desafinada do além
ecoando no espaço vazio da existência fragmentada
o sonido do anjo com foice com o arcano 13 na mão?

Não, certamente eu morrerei e só.
Mas até lá, lutarei contra ela,
pois esta é a sina de todo herói,
e também sua tragédia:
lutar contra seu inimigo mais forte
tendo consciência da derrota iminente,
e mesmo assim;. LUTAR.


E o herói morre! Morre como guerreiro!
E se fazem canções ao herói, e saúdam seu túmulo,
E os bardos cantam enquanto se embriagam
e as mulheres dançam e transam sob o túmulo
no respeito natural mais puro e sagrado do sexo
o sexo que irá permitir que a morte complete o círculo
e que outra vida desabroche da terra.... e assim até o infinito!

estou triste, pois quando morrer
gostaria de não ter de voltar mais
neste mundo de lágrimas
e por outro lado...
certamente vou sentir profunda saudade
das energias de Gaia, de seus filhos, meus irmãos
e principalmente de suas atitudes defeituosas
de suas maldades, de seus mais estéticos erros...
porque se tem algo riquíssimo que configura nossa dimensão
é o poder do riso, o sarcasmo, a ironia, a leviandade de zombar
de tudo quanto é corretinho demais...


Talvez eu reencarne aqui de novo, pra matar a saudade...

Apesar do meu desejo inconfessável ser o de me fundir com a fonte e aniquilar qualquer resquício de consciência
servindo apenas com a bagagem que tive até aqui.

Mas quem sabe a qual dimensão nos levarão, quais surpresas nos aguardam, e quais novos prazeres e sofrimentos nos estão destinados?

É como eu sempre digo: quero mudar de círculo social, porque se a próxima etapa revelar mais mediocridade, ao menos ela será de um tipo diverso e completamente novo. E quanto maior o número de mediocridades que eu puder obter, mais fácil será a conhecer profundamente o que é, de fato, medíocre ou o que se apresenta como mediocridade e esconde, volitivamente, a alma de toda genialidade... eis o segredo de todo bobo da corte: parecer medíocre, fazer as entranhas alheias rirem de suas próprias desgraças - deixe que a massa pense que riem de quem lhes conta a piada, pois esta é nossa mais doce diversão, ter convicção da seriedade da vida, da seriedade de nossas piadas... Os que foram iluminados certamente não se confundirão e reconhecerão o perfume.

Oh, Sofos, que fizeste tu a mim como troca de minha completa dedicação a ti? Porque, oh Sófos, me fazes sorver fel a noite e amargura nas manhãs!?

É muito desgastante a vida do corpo, e também do astral, pois tem alguma densidade sutil em mim
Algo que brada e que clama por coisas mais altas,
por coisas inacessíveis, que na sua inacessibilidade
lançam um olhar sedutor aos meus plexos
e me convidam a visitá-los... mas não me oferecem asas!
Oh paradoxo do conhecimento!

Minhas forças estão acabando
Sinto-me como um no meio do zero
Mas quem sabe eu não possa dividir-me
cabalisticamente no 2, depois no 3
e assim por diante, até que eu consiga
alcançar a deus no infinito dos números mágikos?

Seja como for! Eu já estou convicto que
por mais que eu ande e me projete
no fim, o caminho distante que fizer
me trará exatamente para mim mesmo!

E, deste modo, portanto, o simples é a configuração da Fonte e nós teimamos em complica-la apenas para aumentar nossa arrogância estúpida, nosso orgulho infantilizado pedindo poderes!
O poder é mal e corrompe, não quero poder!

Eu quero Luz, não quero nada mais que Luz!



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Fixa no Sol!

Não é só isso.
O mundo é muito grande
Posso viajar até as pontas da via lactea
Dobrar a luz no túnel da minhoca
E visitar as constelações distantes

Olhe aquela estrela no céu, linda nao?
Ah. Bonita... Então, eu não aguento mais
Fulano falou isso pra ciclano,
depois armou pra cima de não sei quem...

Sim, mas você viu que bonita a lua hoje
Após chuva forte por quase uma semana inteira
Ela está perfeita, como se estivesse sorrindo

Ah, mas ta osso, olhar pra estrela...
Eu to é preocupado com meu emprego

Tudo bem, e deve ficar mesmo,
mas não abra mão dessa oportunidade
De olhar as coisas simples e as complexas
e não pensar nelas, apenas admirá-las
Como se admira um por do sol
Ou o suave correr da névoa.

Não sei, não consigo ficar parado
Não vejo sentido em ficar olhando pro céu

Será que não é por você não ver sentido na sua vida?
às vezes isso atrapalha um pouco, sabe?

Para de pensar por um tempinho
relaxa e curte isto
Isto que nos é oferecido gratuitamente
A gratuidade do belo, do prazer
da admiração da maravilha do mundo

Porque o mundo humano é podre
não significa que você deve se assemelhar
Foge do humano, existe mais do que isso
Mais que essa futilidade cotidiana, meu caro
Foge e voa para acima, para o alto, além até das nuvens
e respira ar puro, sozinho por um tempo
e fixa na paisagem tonteante que se revelará a você
como nunca vistes nenhuma outra vez em sua vida!


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lúcifer andando de fusca!

O cotidiano oprime e desvela a frivolidade das relações virtuais
O cotidiano pode levar à loucura daquele que sorver sua taça de vinho superficial
A membrana que segura e prende a todos é frágil demais
Mas ninguém há que queira rompê-la
Pelo contrário, a sociedade inteira luta continuamente
Para tornar a membrana algo mais pesado, denso, resistente
De modo que todos fiquem presos, pois esta é a vontade dos pobres
(o feitiço que se voltou contra o feiticeiro)
Afinal, escravos não sabem viver sem senhores,
já que por toda a vida foi somente esta vida que tiveram

Condenam, no entanto, os que os interpelam com a luz
Pois luz é um incômodo inaceitável para quem mora na caverna
Matam e escondem o corpo de quem quis se libertar

A esperança reside, assim,
exatamente na ação de matar o libertário
porque seu corpo irá apodrecer
causará náuseas torrenciais
mal estar geral e completo

Eles vão ter que tirar o defunto da caverna
E ali, enfim, ele terá a paz que desejou.

Paz profunda após ter conseguido morrer para uma sociedade que, em verdade, já se putrefazia em vermes e larvas cemiteriais...
Paz profunda, pois conseguiu se libertar de um peso da ignorância cega e absurda, conseguiu enxergar Sofos na cara!

Dóem-se-lhe os olhos por causa da luz
Mas isso não importa
pois a Luz me revela um mundo totalmente aberto
Sem fronteiras, sem delimitações...

Sem moralismos irritantes como um violino desafinado e sem técnica!

Sim, somente é possível a liberdade dessa futilidade social moderna
Bebericando aos goles o cianeto proibido aos incultos
Cianeto para matar de dentro para fora do filósofo
Veneno para morrer, pois morrendo para esta podre e estúpida, tediosa e vexamosa existência humana moderna de mercadorias que conversam sobre as economias de mercado!!!!

Nããããooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!

Não é este o meu caminho
Meu caminho é o caminho que devo seguir
E que vem do alvorecer daquela luz mais forte,
não me refiro ao Sol, seus imbecis!
Mas a Vênus! A Lúcifer! E a todos os meus irmãos e irmãs que de lá surgem!
Arte, Música e Dança!
E vinho sempre em vossa companhia
E de lá do alto (do alto que encontramos em nós mesmos)
Rimos de todos os que nunca riram de si mesmos


Oh, Lucifer! Eu quero luz!
Mais Luz!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Dionysus

Um poema que foi publicado no facebook, no grupo Sinto, logo existo (https://www.facebook.com/groups/305655482863264/), pelo Bruno Sanctus (https://www.facebook.com/sophisticus), que eu li e achei perfeito! Degustem essa deliciosa loucura dionisíaca!

Dionysus

Fui Dioniso,
de sentimentos mastigados
e cuspidos.
De pedaços enrolados
em boatos e pelo mundo
espalhados.
De amores impudicos
amarrados aos cadarços.

Fui Dioniso,
educado em prostíbulos
por ninfas e sátiros.
Personificação da líbido
e alguns desejos
embriagados.
De ritos em motéis
cultuados.

Fui Dioniso,
Amante dos prazeres,
apreciador de um bom vinho.
Das vestes feitas da pele
de um inimigo.
Pai de Priapo,
de dotes descomunais
que invejavam os felinos.

Fui Dioniso,
deitado em lençóis
de cetim noturno.
E a insanidade
dentro dos cachos
de uva soturno.
Amaldiçoado, andarilho
de armadura com furo.
De pactos com beijos
selados.
E de orgasmos redigidos
em contratos.

Fui Dioniso,
nas noites boêmias
em guardanapos de boteco
escrevendo poemas.
Filosofias hedonistas,
nos meus teatros
que imitam a vida.
Ou após a bebida,
nas conversas que viravam
monólogos aos quais ninguém
entendia.


Fui Dioniso,
de intertextualidade subliminar.
Cheio de erros,
para arte me tornar perfeito
em seu limiar.
Contrastado com nuances
fertilizantes.
Num quadro de risos elegante,
à falar:

É... eu fui Dioniso!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Zero Caótico Absoluto (ou Utopia II - projeto para concretização)

Tenho me permitido experimentar todos os meus pensamentos tal como uma experimentação de minhas melhores e mais nobres riquezas, sem direcionamento, sem procurar enquadrá-los em um objetivo específico, tentando ao máximo não submetê-los, nem subjugá-los a algum recorte maior ou a algum juízo moral decepante, porque suspeito que apenas por meio desta atitude poderei chegar a algum lugar (ou, o que parece ser mais coerente, uma meta que esteja além - utopia - e que seja capaz de determinar mais ou menos minhas pesquisas e aprofundamentos posteriores) se eu  puder ser influenciado e perpassado por tantas experiências e perspectivas que estiverem e se apresentarem ao meu alcance - sem reduzir, nem definir ou engessar - aceitar fluidicamente o Devir e o contínuo acontecer ígneo de minha própria vida/pensamento.

Tendo agido desta forma, pude descobrir coisas realmente interessantes. O mais importante, entretanto, foi conseguir encontrar em mim potencialidades e capacidades que jamais teria noção  a não ser por meio desse intenso borbulhar de sofrimento e infernalidade; perceber que a infinitude ocorre tanto para fora quanto para dentro e apreender que as medidas e proporções se desenvolvem para cima, para baixo, para os lados, em direções tortuosas, lineares, circulares, ondulantes e espiralares com uma flexibilidade e maleabilidade peculiares de uma espécie etérea do próprio Ser, que, no entanto, revelando-se como tal e com tais características, só posso dizê-lo (assumindo inclusive a própria contradição do discurso) como o Não-Ser, o Nada, o Vazio.

Esta vacuidade, mostra-se, porém, não como uma ausência completa, não como o nihil cristão/moderno propriamente dito, muito menos com o termo encontrado em Gênesis  "Bereshit bara Elohim et hashamaim veet haarets" (bara - com o significado parecido com o que grande parte da teologia chama de creatio ex nihilo - o que já é suficientemente capaz de revelar o caráter dissociativo e descompensado de um deus fora e distante de sua própria criação, ou seja, com uma separação primordial e um distanciamento próprio de um deus patologizado); revela-se, antes, como um elo, uma teia, uma infinita multiplicidade que não pode ser separada por que intrinsecamente é uma totalidade, um caos de diversas formas, e cores, e nuances, e trilhas e qualquer coisa imaginável e inimaginável, ou seja, é o o Vazio que se perfaz e que perpassa todas as coisas, o éter que dá condições tanto de surgimento quanto de manutenção, como aquilo que os antigos chamavam de Princípio Impricipiado, como o elemento que dá homogeneidade e que propicia sustentação à própria História...

Não se trata tanto de uma fonte, mas também como um perpétuo movimentar-se, um eterno penetrar, interpenetrar e transpenetrar. De fato, não consegui encontrar nenhum termo, símbolo ou conceito que dê conta de ex-pressar esta minha intuição (que não deixa de ser uma usufruição) e que não poderia desconectar sequer dos processos racionais e não-racionais.

É-TUDO-O-QUE-É
É-TUDO-O-QUE-ESTÁ
É-TUDO-O-QUE-ESTÁ-SENDO-AQUI-ALI-AQUÉM-E-ALÉM

Daí que eu tenha necessitado desbravar áreas do conhecimento tão diversas e considerar todos os caminhos viáveis, degustando tudo quanto pude degustar, algumas coisas aparentemente distantes umas das outras, sem nexo ou sentido, pois se tornou urgente desvelar mais...

Luz, mais luz!

A impressão que me marcou e que, como uma cicatriz, aparece e incomoda todo o tempo é que esta Luz, o Sóphos que evoquei deliberadamente, apresenta-se como uma amplitude assaz oceânica (por vezes assustadora) de lugares escuros, obscuros e ocultos que existem na inexistência superficial do saber instituído e dado em livros, escolas, tradições, culturas etc.. É como se agora, nos dizeres crísticos, eu fosse livre, verdadeiramente livre.

Esta liberdade não me foi concedida por uma entidade fora de mim, não foi outorgada, doada, mas encontrada com um esforço e uma angústia que quase me levaram à insanidade completa, uma conquista que ainda se dá e me joga diante dos meus limiares abismais, mostrando-me uma sabedoria trágica e ao mesmo tempo vivificante. A Luz a que me refiro (aquela que permite ver as coisas que outrora não se viam), não exclui, no entanto, de modo algum e sob quaisquer perspectivas, a própria escuridão, o lado sombrio e oculto. Pelo contrário, apenas agora é que consigo enxergar mais nitidamente que a Luz mais forte é tão densa e escura quanto a noite mais tenebrosa; que o branco cega tanto quanto o preto; e que a realidade é, na verdade, a mistura daquilo que nós separamos por diversos motivos; que nossos 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 são o 1, e que o 1 é apenas uma manifestação, a primeira, do Zero, de algo que é tanto muito maior quanto muito menor; que dificilmente poderemos um dia tornarmo-nos completos sob os signos da razão humana, justamente porque qualquer linguagem se desfaria dentro do Zero Caótico Absoluto!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pensamento agonizante

Escrever antes de dormir tem sido meu antídoto de sanidade, sem o qual estaria totalmente abandonado à solidão do meu próprio pensamento, pois tem sido extremamente difícil encontrar pessoas que estejam dispostas a especular e refletir mais profundamente os grandes temas, a existência, a sociedade, o mundo, o ser humano e outras questões que se relacionam com coisas que estão para além do discutir se o vizinho do facebook postou alguma imagem de um cãozinho dando indiretas imbecis ou piadinhas tortas. Questões que tratem não apenas de temas do cotidiano, porque já estou farto de discutir elementos que em nada irão contribuir para um pensamento que seja capaz de gerar uma mudança grandiosa, a longo ou médio prazo (o cotidiano é um ponto de partida, precisamos ir além disso, caso contrário ficaremos patinando nessa mesmice ridícula e entediante!)

Não se trata de um mero idealismo ou utopia individual, mas de relações integrais, de enxergar esta geração que agora envelhece e crianças que agora crescem em um mundo borbulhante e escorregadio, sem nenhuma perspectiva de projeto, destituídas totalmente de fundamentação ou valores nobres e grandes; entristeço-me o tempo todo por dialogar apenas comigo mesmo assuntos que muita gente considera secundariamente, como se refletir ou pensar fosse uma atitude não-humana, desprezível ou, convenientemente patológica!

Estes temas são secundários, sim, se cristalizarmos a mentalidade de que só o que temos é essa nossa rotina mesmídica e frívola, essa bolha diária que se perfaz de forma grotesca e se postura eterna e jovialmente nova como as mercadorias que não possuem, ao estilo melquisedequiano, nem origem, nem fim.

Reconheço que exercitar as regiões da mente que podem nos ajudar a evoluir como seres humanos (e, acredito, além-humanos) é extremamente incômodo, pois nessa viajem não há nada de muito estável, nada tão sólido que não possa sofrer mutações e, entretanto, reside nesse próprio elemento de mutação, mais precisamente de transmutação, a característica peculiar do movimento que o conhecimento pode promover, o caos a partir do qual é possível tudo, o caldeirão de onde todas as coisas podem surgir, nossas infinitas possibilidades, ou mais precisamente, nossa maior e mais brilhante nobreza.

A despeito de toda essa amplitude que temos à nossa disposição diante do contínuo movimentar das estruturas do conhecimento, historicamente a grande massa, a maior parte de todos os homens e mulheres prefere aprisionar-se, acomodar-se a tudo o que já foi padronizado, ao establishment, ao que já foi dado, às trilhas que já foram batidas pelos pés de outras pessoas.
Existem várias gratificações em andar o caminho que já está feito, não devemos desprezar isso de maneira alguma. Há segurança nestes velhos caminhos, algumas coisas e algumas consequências já são adequadamente previstas, há uma certa invariabilidade de reações e efeitos.
Por outro lado, a doença da modernidade é como uma grande inflamação que ocorreu por meio dessa incapacidade de dialogar com a realidade, com o movimento da história, ou da pretensão de acreditar que podemos colocar toda a realidade dentro de uma forma, quase como se fizéssemos dela uma massa modelável e controlável, tal como a de um grande bolo...

Aventurar-se em fazer e desbravar novos caminhos, conhecer e ter acesso a novos espaços, a novas perspectivas, ter a sensação de espreitar lugares (materiais ou não) completamente diversos daqueles que todos já sabem... Isso, definitivamente, não é para todos.

Isso não é para todos, não por pre-destinação, ou por que os outros não sejam capazes, pois se um é capaz, todos são, fazemos parte de uma mesma espécie, todos tem dedo opositor, todos andam eretos, todos pensam. Trata-se de um elemento de necessidade, de utilidade e também de gosto.
As pessoas não querem trilhar outros caminhos, porque já estão incluídos, já tem sentimento de pertencer a um grupo que também percorre nas mesmas direções; não é rentável; não é transitável e desgastaria muita energia, é mais fácil acumular energia (sim, porque o capitalismo não é apenas uma acumulação de dinheiro, mais do que isso, é uma acumulação dentro dos próprios trabalhadores com a intenção de focar a utilização de suas energias apenas para a produção de valor/capital); é gostoso estar em lugares conhecidos, é prazeroso o conforto da permanência.

O conhecimento traz um prazer que é fruto de persistência diante do movimento, ou seja, existe um atrito entre o sujeito que conhece e o próprio conhecimento, é um prazer que advém necessariamente da luta, do embate criador, das forças que vão se interpelando. Daí que possamos compreender porque motivos mais claros o conhecimento causa tanto sofrimento, pois surge das contradições, da luz que atinge os olhos que antes estavam acostumados à escuridão, ou da escuridão que aparece como o contrário da iluminação total, da luz extrema que também pode cegar. De uma ou de outra forma, o conhecimento é fruto de guerra, de jogos, de dunamis (aquilo que é dinâmico, dinamite, força), de agon (combate, luta, de onde surge também agonia, antagonico, protagonista, proto-agonista - primeiro combatente -, antagonista, anti-agonista -  o combatente contrário).

O pensador, ou aquele que assume a postura de pensar, se constitui de forma diversa de todos os outros tipos, porque não pode fugir da agonia de sua intensa vontade de conhecer, muito pelo contrário, ele sabe que é a própria agonia que pode propiciar o conhecimento, é a agonia que lhe dará capacidade para avistar novas direções e os instrumentos necessários para construir um novo caminho!

Sinto-me angustiado diante de tudo isso! Na verdade, sinto-me agoniado! Entretanto, não dá para enquadrar essa sensação em termos de bom ou ruim, necessariamente porque é ambas as coisas, e aqui está o grande mistério de um pensamento agonizante.




sábado, 1 de dezembro de 2012

Vazio e sem forma

Olho o papel branco e só após as curvas que vou delineando começo a preencher com riscos de caneta, tornando a folha cheia de palavras e significados, rasos ou profundos, mas que se encontram precisamente na ponta aguda da culminância e no ápice do meu desejo mais secreto que se constitui em dessacralizar o próprio segredo.

Sozinho na noite, debruçado sobre o caderno, ouvindo a cidade turbilhar num movimento de vira e desvira nas camas, percebendo que agora as ações são todas inofensivas e que refletem a extrema fragilidade urbana de uma província sob a turva claridade noturna e lunar... Sinto-me forte agora, sinto-me criador, sinto-me filósofo, sinto-me deus.

Como agora já o papel branco não é, também eu, a partir do Vazio que encontrei, vislumbro os clarins de minha maior angústia! E é somente deste complexo ribombar de vozes mudas, dentro de um âmago de paradoxo do não-existente vejo a maravilhosa força do Nada e do Não-Ser, posto que do Nada Caótico Original é que descobri meu mistério primeiro:

Todo artista é um deus que cria não apenas a partir da matéria-prima do mundo, mas de sua própria profundeza mais escura e labiríntica; que apenas os artistas, verdadeiramente artistas, podem ser deuses, pois só nós sabemos o poder de transformar e remodelar nosso mundo.

O artista é um deus que dança o caos primário do Kosmos!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ode aos meus infernos

Escrito dia 11.11.2012

Gratidão e tristeza se misturam em mim todo o tempo, sem que exista ao menos um interstício de silêncio na mente. É assombroso o modo como lembranças de saudades já tão remotas conseguem aprisionar expectativas longínquas.

O meu presente é um fato, é um fado, é uma sina. Uma sina voluptuosa das moiras que traçam as linhas do meu irônico e gracioso destino, moiras que se unem a deuses e deusas da lua minguante, conduzindo-me no caronte do meu próprio inferno para desnudar minha lua negra de lilith com seu deus de chifres... e eles dançam sobre mim, rindo e entoando cantos maravilhosos da contradição interna da minha própria natureza cínica.

Baco espiralar da minha mais doce e íntima tragédia, teus sátiros e tuas ninfas nuas se encontram selvagemente no meu plexo solar, riem e choram aos gritos de um desespero embriagado da hybris alegre-triste que corrói por fora e germina dentro de mim uma semente sagrada de tua loucura mais densa e labiríntica!

Gratidão e tristeza são as duas forças que, entre tapas e beijos, ejaculam e cospem no meu pâncreas... O som mais enigmático da dança macabramente divina dos deuses do meu próprio olimpo, indo e vindo, do céu ao hades mais recôndito,

minha festa de sofrimento e disparates de euforia no acasalamento com a antiga serpente luciferiana,
meu inferno particular, saturnália, ditirambos orgiásticos que me jogam continuamente no meu eterno devir!

domingo, 25 de novembro de 2012

Música como degustação

Assisti, agora há pouco, o programa Clássicos, da TV Cultura, com Andras Schiff interpretando J. S. Bach.
http://tvcultura.cmais.com.br/classicos/andras-schiff-interpreta-j-s-bach

Um toque perfeito, com um som límpido, aveludado, frases claríssimas, enfim... uma interpretação emocionante.

E, para além da música de Bach, fiquei me questionando sobre aquela grande dificuldade em dizer que existe uma música boa e uma música ruim, assim como no âmbito moral existe o bem e o mal e a dificuldade em se caminhar em direção a um entendimento mais mutável e relativo (do caráter relacional dos preceitos da moral).

Ouvindo Bach, só o que eu consigo pensar é que sua música é capaz de provocar em mim uma sensação de prazer visceral, um arrebatamento que não ouso nomear para evitar que se perca alguma impressão sensível que capto na música e naquele instante em que meu corpo assimila os sons.

Ouvir música é mais que utilizar apenas a audição, é preciso degustar integralmente cada elemento musical como se estivesse experimentando um sorvete num dia de verão infernal, ou um vinho delicioso no frio áspero do inverno.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Reflexões sobre bife parmenediano no fogão a lenha heraclitiano

Historicamente, vivemos num estado de luta desesperada constante. Essa luta, em geral, é reduzida a dois elementos, aquelas duas grandes questões filosóficas que giram em torno do Repouso parmenediano (não, não confundam com bife a parmegiano) e do Movimento heraclitiano.
A liberdade e a igualdade, no âmbito político; o bem e o mal, no âmbito moral; o sofrimento e a satisfação, o homem e a natureza, o feminino e o masculino, o claro e o escuro, acima e abaixo... São os desdobramentos do Ser.

O Ser-É? ou o Ser-Não-É?

Não-sei!

Como um dos leitores do blog (Vitríolo de Marte comentou no meu texto, não se trata de um isto Ou aquilo, mas de um isto E um aquilo!

Não há antagonismo nessa dualidade de ser e não-ser, de repouso e movimento.
Platão, na sua definição do ser, acabou por conseguir unir estes dois processos, e apesar das cristalizações e engessamentos próprios de seu sistema, precisamos reconhecer que ele foi o primeiro a pensar o Ser abarcando estes dois momentos, sem que um negasse o outro, sem que houvesse a exclusão de um ou de outro, ou seja, o Ser é movimento E repouso.

Esta é uma das formas universais de encarar Aquilo-Que-Tudo-Perpassa, o Ser.

O problema é: como agir quando um confronto destas alturas (níveis) se aproxima tanto que precisamos, no âmago de nossa perspectiva imediatamente solitária, encarar esse enigma emblemático?
Quando o absurdo da conciliação dos vários opostos existentes surgem, aparecem diante de nós no meio da realidade concreta do nosso cotidiano, como se o verbo tivesse abruptamente decidido se encarnar embaixo do nosso nariz?
Como solucionar um problema de tal complexidade macrocósmica a nível de microcosmos?
Tudo o que é acima é também abaixo...
E nos níveis superiores... esse problema não encontrou uma solução...

Mas agora penso se a solução é mesmo um ponto final. Questiono se a solução é realmente a necessidade da definição, pois a solução de um problema surge sempre como a definição dele, isto é, de dar um fim ao problema. E é justamente nesse momento em que vários filósofos se equivocaram.

Diante da luta universal dos grandes temas, das grandes forças titânicas, só a ação possível é o assumir contínuamente as contra-adições, sem as quais não haveria movimento.

Temos de ser corajosos o suficiente para praticar o amor facti nietzscheano! O agon grego! Não se nega nem o repouso, nem o movimento! Assumimos ambos como dois elementos necessários que se interpenetram, que se degladiam, mas que se necessitam mutuamente.

Os grandes problemas da humanidade às vezes acabam surgindo na vida das partes, dos entes que existem... E é exatamente aqui que começam as crises existenciais, pois estamos lutando uma guerra que nos remete a um duelo muito mais antigo, o da humanidade com a realidade, da humanidade com a natureza.

É preciso aceitar a decadência da vida e o seu porvir na morte, e mesmo assim encarar a morte com orgulho e lutar contra ela! O herói sabe que vai morrer, mas nem por isso se afasta da luta contra a morte, pois sabe que é essa luta que o mantém vivo, vivo por causa da morte!

A morte e a vida também são reflexos dos dois grandes problemas do Ser, e dizem respeito a tudo e a todos.

Viver é um viver para a morte, todos os dias, sem exceção. E este é, exatamente, o escopo da nossa existência...

Mas devo confessar... Essa luta é também a luta do Si conSigo mesmo... e quando chega essa parte...
O calo aperta mais dolorosamente!

E dói!


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Alquimia de um Idoso




O acúmulo incerto, mais ou menos ordenado, mais ou menos caótico, mais ou menos intenso ou mais ou menos doloroso de memórias fica estampado no definhamento do rosto, no pestanejar dos olhos, na descoloração ou na queda dos cabelos de um idoso.

O presente é a contínua manifestação de mortes: morre o padeiro que era tio do pai do meu irmão, a conhecida antiga da família, o coveiro que enterrou fulano de tal e o tal que enterrou uma faca naquele rapaz que era filho da senhora que morava na rua de cima.

Não há ouvidos para ouvir, e o coração que vai envelhecendo caminha a trilha de um silêncio abafado, mais ou menos reprimido ou mais ou menos orgulhoso... Um silêncio incômodo parecido com uma mosca, mais ou menos sorrateiro ou abrupto como a morte.

Ao encontrar alguém mais velho que eu, com mais de setenta, oitenta anos, vejo sempre um lapso de faísca profunda que flui como uma pequena nascente, mais ou menos igual à calmaria que borbulha nas montanhas solitárias e distantes, mais ou menos indecifrável como uma estrela cadente ou como o sol poente no horizonte...

Nada, entretanto, é tão certo quanto a sábia corrente de sabedoria de vários anos, e luas, e estações, e virações do dia que sempre nos revelam o eterno vir a ser de todas as coisas, mais ou menos violento, mais ou menos pacífico sem jamais assimilar um ponto final; sem aceitar sequer alguma origem...

É um movimento eterno do mais ou menos isso, mais ou menos aquilo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Utopia I - projeto para concretização


Nossa Utopia! ParteI
por Daniel Alabarce, Quarta, 15 de Agosto de 2012 às 03:25 ·
                                                                                                                 
Ideologia, eu quero uma pra viver!                                                                                                                                                           Cazuza


O nosso problema talvez seja ter nascido numa sociedade como esta, em que não há individualidade, existe apenas uma carnificina mútua e escamoteada, onde todos mantém as regras do “bem viver”, mas que o fundamento essencial da sociedade é a competição, a guerra ao próximo, não o amor!
Sociedade falida, insalubre, medíocre! Vivendo uma vida inautêntica, porque não é nem isso nem aquilo, não há rótulos, não há direções, não existe aqui nem ali, existem apenas meios-termos, meias medidas, meio isso meio aquilo, é ali, mas não é.

E não acho que este seja o niilismo nietzschiano, não aquele niilismo positivo, que parte da constatação do nada para a constatação das oportunidades infinitas para criar direções, criar termos, criar!
Um niilismo que poderia nos curar era exatamente o que é realista: “Sim, nós não temos mais nenhum valor absoluto, não temos para onde fugir na modernidade, tudo é liquefeito, tudo é fugaz, tudo se nos apresentou como um imenso nadismo, a nadificação de todas as coisas devorou tudo o que tínhamos, todas as nossas estruturas de conhecimento, todas as bases do nosso saber, devorou a política, se transformou em sistema econômico e intensificou a esquizofrenia da roda de morte, mas é exatamente por causa disso que iremos nos levantar e fazer a coisa toda como quisermos e como bem entendermos, porque estamos, neste contexto, jogados completamente na nossa liberdade mais responsável e angustiante. É o momento perfeito para o surgimento dos fortes da natureza, os selvagens do pensamento e do corpo, é hora de levantarmos nossas armas e pincéis e tintas, e notas e lápis, e todo tipo de criação artística, intelectual, social e revolucionária para ditar um outro mundo, o mundo nosso, a nossa vez de construir essa droga de mundo. E se as gerações futuras rejeitarem isso, que façam elas a sua própria versão! Nós iremos criar essa! E vamos criá-la até o fim.

Respaldamos agora, depois de ter olhado para a história de nossas relações sociais, tendo olhado também que as próprias relações sociais nossas se transmutaram em relações puramente econômicas, que as relações existentes nesta nova sociedade será primeiramente individualista, construtivista no indivíduo, por que é o indivíduo a força motriz da criação de todas as coisas, é ele, pois, quem deve estar bem estruturado e centralizado primeiramente para fazer alguma coisa. É este indivíduo que deverá estudar até cair o último sangue todas as matérias humanas, porque somos humanos, exatas, biológicas etc, porque construiremos tudo, mas não de novo. Agora é a hora de modificar a pedra fundamental, não será a religião, nem o amor ao próximo, afinal o mais próximo sou eu mesmo. Inverteremos assim as palavras de Jesus e: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” será o seguinte: “Ama você, você mesmo, tudo que fizer, faça somente pra você.”  Como a ti mesmo será: Só depois que você amar a si mesmo e ter percebido que no mundo só importa você, pois você está em um determinado ponto de espaço/tempo, num contexto cultural, em que você uma matéria que ocupa apenas um espaço e tempo, portanto possui uma visão originalíssima do mundo e da vida, apenas depois dessa vivência é que você vai agora se dirigir ao outro (que também passou por todas essas tarefas, sem nenhum ponto de equivoco. E agora, tendo sido educados como seres individuais (que não podem ser divididos – mais importante: que não enxergam o mundo fragmentado, mas como uma teia de relações contínuas e totalizantes que acabam esbarrando sutilmente nas relações do próprio Kosmo, aí sim, esse indivíduo poderá se preocupar com as nuances existentes entre um e outro indivíduo, compartilhando aquela visão peculiar que cada pessoa tem durante todo percurso a que foi submetida para fazer e construir agora relações concretas, baseadas naquilo que aprenderam na vivência prática do Si Mesmo.

A base real, óbvia e o pivô formal de toda esta nossa sociedade é o indivíduo crítico, que só se torna crítico por estes caminhos que apresentamos. Reconhecer em si mesmo o valor e a capacidade e reconhecer no outro a impossibilidade de controle. Não é possível criar mecanismos de controle no pensamento alheio sobre um individuo nosso, então, nós geramos nossos indivíduos de tal forma que eles consigam lidar com o mundo cruel como ele é, mas sem destruir as pessoas, destruir o sistema, esta é a força oculta que nos move. Não existe amor uns pelos outros, apenas medo e interesse. Contornar esta questão é complicada se partirmos de um ponto de vista emotional, e principalmente se for de uma analise moral.
Foda-se, nossa análise não é de forma alguma moral, queremos apenas que os indivíduos sejam aquilo que eles já o são no nome, seres que não se dividem por nada, que mantém a consistência de sua afirmação, de seu ideal –já que não dá pra viver sem um mínimo de ideal

Prestem atenção senhores e senhoras, porque um novo modo de governo vai chegar, e é o jeito nietzschiano. Preparemos os caminhos para o Uber Mansh, o Ser que vai dar um Salto na história da humanidade, saltando a própria humanidade, desprezando o que nós chamamos de homem. Vejam ele está ali no topo daquela montanha vermelha, verde, azul e preta, é o Além-Homem.
Sim, porque precisamos de tudo novo. HOMEM é um conceito velho, será substituído por ALEM HOMEM,
Escola deverá ser chamado de ACADEMIA, quase ao modo grego pré-socrático, onde terão aulas de todas as coisas relevantes, física, matemática, biologia, filosofia, psicologia, arquitetura, música, dança, teatro, onde os professores vão se responsabilizar por no máximo 15 alunos por classe, cada classe vai ter todos os professores, professores e alunos vão se conhecendo e se tornando próximos, e vão criando linhas de pesquisas sobre o tema que iniciaram na pesquisa. Professores serão autônomos em suas aulas, em seus grupos, e daí sim professores poderão participar, caso queiram, do modo de pesquisa para acrescentar algum saber novo ou mesmo conflituoso, de onde possa surgir uma síntese e um novo ponto de estudo.

Temos que implodir as estruturas sociais e educacionais agora, aniquilá-las completamente sem um resquício de piedade, pois piedade é sinal de decadência! Destruição, Radicalização, Confronto, Enfrentamento, e se preciso até a morte deles ou nossas! Porque é nosso direito criar e instaurar outra forma de se fazer educação no Brasil e nós vamos fazer isso, queiram ou nãol
                                                                                                                                   
Esta é a lógica e a garantia da sobrevivência do sistema, que haja expansão, e no meio da expansão crie-se contradições e que destas contradições surjam novos campos de saber, e essas contradições surgem cada vez em maior número e quando se percebe estaremos suplantando toda a velha estrutura dominante, com tnts nas mãos, armas, facas e punhais... Foices para mim, katanas para meus amigos!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pesquisando e preparando a próxima postagem!


Galera, eu e o Felipe Tavares Justen estávamos conversando no MSN, e ele acabou tendo uma sacada muito interessante. Eu acabei me convencendo sobre o assunto e resolvi aprofundar os pensamentos. Estou pesquisando, refletindo bastante, analisando e observando as coisas, e espero conseguir escrever um artigo bem legal sobre o riso.

A pesquisa está sendo interessante, porque fiz questão de ir a fontes antropológicas, biológicas, psicológicas e, claro, filosóficas, né!

Consegui coletar vários elementos, e consegui chegar a algumas conclusões interessantes.

Estou relacionando também temas como censura do riso, a seriedade do trabalho nos modos de produção capitalista, que pelo que vejo influenciou até nessa questão.

enfim... espero que vcs gostem!

Assim que terminar, posto aqui!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Esboço para uma Teoria da aniquilação completa!


"Não há classes sociais, não há raça, não há sexo! Nada há que não seja sofrimento! Todo o resto são ilusões construídas pela nossa espécie para tentar diminuir nossa angústia, nosso desespero! Todo o resto são modos que encontramos e criamos para fugir da verdade que nos persegue: a morte!"
Daniel Alabarce


Independente da existência dos deuses ou não, fato é que nós existimos aqui, e, concretamente, visivelmente só temos uns aos outros. Esse meu desabafo é externalização dos sentimentos que tenho em relação ao mundo, minha visão de mundo, minha dor contínua, minha sede de justiça que nunca é saciada e que, pelo visto, jamais será. Por perceber que minhas ações em nada colaboram, já que nem mesmo a humanidade toda, com seus 7 bilhões de seres, conseguiria modificar a ordem natural, o que chamamos na filosofia de “estado de coisas”. Temos que concordar que mesmo 7 bilhões de pessoas são, diante da imensidão do Universo que nós muito mal conhecemos, um fervilhar de vermes rastejantes, um leve empecilho para a Natureza... Empecilho este que está muito próximo de ser completamente arrancado!

Tenho apenas 25 anos, mas já fui exposto a tantas nuances da realidade humana. Apesar desta parte da realidade a que tive acesso ser pequena em comparação ao todo existente, é possível conjecturar algumas possibilidades com base nestas experiências que tive.
Para tornar minha constatação um pouco mais forte, possuo ao meu lado a experiência das pessoas com quem me relacionei e me relaciono nestes 25 anos que vivi.
A grande parte das pessoas são otimistas, mas otimismo não garante absolutamente nada, apenas dá condições psicológicas às pessoas para que permaneçam existindo e vivendo com relativa tranqüilidade.
Se todos estes otimistas, aceitassem a realidade do jeito que é (e, no fundo, todos eles sabem da crueldade da existência humana – apenas fingem que não sentem isso, que desconhecem qualquer coisa que vá de encontro ao otimismo idealista que eles mantém a todo esforço); se eles, objetivamente, aprendessem a observar a vida humana, suas relações, suas ações sobre o planeta Terra, veriam com facilidade que fizemos muito mais mal do que bem, e que a grande parte das nossas relações (pra não dizer todas, já que não temos acesso a toda a realidade) estão fundamentadas em mentiras, interesses egoístas e inveja.

O problema não é o capitalismo, nem quaisquer sistemas filosóficos/políticos/sociais, o problema é o próprio ser humano, que, atuando o tempo todo no palco da sociedade demonstra ser aquilo que ele não é, nunca foi e nunca será! O ser humano é tal qual os demais animais. E tal qual as outras animálias, nós também somos controlados essencialmente pelos nossos instintos. Estes instintos são instintos básicos de sobrevivência que são encontrados em todos os seres viventes, inclusive no funcionamento do Cosmos, dos Planetas e das estrelas. Parece, portanto, que esta é uma verdade universal (parece, não podemos afirmar muita coisa, certo?).
Partindo dos dados que temos, aqueles que nos são oferecidos pelas relações humanas, podemos perceber que nossos instintos foram condicionados para além da nossa necessidade de sobrevivência, e isto foi feito socialmente e culturalmente num processo histórico muito lento, porém por demais eficaz!


Agora, não lutamos instintivamente apenas por nossa sobrevivência, mas lutamos também para obter mais coisas do que todos os demais. (querer ter mais, ser mais, obter mais, é também uma característica natural que também pode ser encontrada nos outros animais, só que no ser humano, esse caracter se sofisticou, assumiu uma condição anti-natural, já que não respeita, ao modo natural, os ciclos, as cadeias alimentares e leva o planeta terra – que é um planeta pertencente não apenas aos humanos, mas a milhares de espécies – ao completo esgotamento, à completa destruição).

Temos que reconhecer, paradoxalmente, que a auto-destruição também é um elemento muito presente na nossa dimensão. Todas as coisas, se olharmos de uma forma mais ampla, tendem à destruição exatamente a partir do momento em que começam a existir. Nada é eterno, a não ser o contínuo fluir de construção e desconstrução, nascimento e morte, existência e aniquilação.

O problema, de fato, é que nós não respeitamos a ordem natural de destruição das coisas, não respeitamos mais o tempo de perenidade a que estão sujeitos todas as coisas! Nós, não satisfeitos com toda a desordem e caos da Natureza, decidimos acelerar o processo de aniquilamento.

Não estou querendo fazer julgamentos morais em relação a esta atitude coletiva da humanidade, já que, a estas alturas e com estas considerações, não há mais espaço para qualquer moralismo. Entretanto, eu preciso constatar, mesmo que para efeito consolador interno do meu ego, que, em verdade, nada há de tão bom que não possua em si um germe de destruição, tédio e caos!

Não que isso me console (se tal constatação me consolasse, seria uma contradição, já que se acredita que consolo só pode ser fruto de bons sentimentos, ordem, estabilidade etc...), mas isso me dá um pouco de satisfação. De algum modo, não sei explicar bem como, constatar que nada pode ser feito me dá a sensação de que posso assistir toda a destruição sem me envolver. Quer dizer, eu estou incluído no processo de destruição de tudo, mas não me desespero, permaneço em meu lugar como um observador, como apreciador das catástofres. Talvez seja uma espécie de apreciação estética mórbida, mas qualquer pessoa terá de concordar comigo que este prazer mórbido também está presente em todos os humanos. Se não fosse assim o Coliseu não teria tanto sucesso, as torturas públicas não atrairiam tantas pessoas, programas de televisão como “Amazing Vídeos” não fariam tanto sucesso. Todos nós adoramos ver desastres, desde que eles não estejam acontecendo com a gente, nem com as pessoas que nós amamos ou com pessoas que, moralmente, acreditamos serem inocentes!

A cada dia tenho experimentado um conglomerado de sentimentos. A impressão que eu tenho é que de uns dois ou três anos para cá, eu tenho ficado extremamente aberto a quaisquer experiências, sensações e fenômenos. E não tenho me fechado para absolutamente nada, tenho deixado o fluir das coisas acontecerem, tento apenas manter a apreciação estética sempre alerta, para poder usufruir ao máximo de todos os prazeres que eu puder, pois já cheguei à conclusão (particular, mas é uma conclusão minha) de que a única coisa que me resta na vida é vivenciar todos os tipos de prazeres que eu puder, e isto se deve a esta constatação de tudo tende ao pior, nunca à evolução. (Não estou aqui falando de evolução/reencarnação, nem de coisas espirituais, pois é uma outra esfera, uma outra dimensão – me atenho apenas a esta realidade material a que estamos subjugados... Se existe outra dimensão, e eu até acredito que exista, temo que ela não siga exatamente a mesma lógica, e dizendo que não segue a mesma lógica também não estou dizendo que esta outra lógica é melhor do que esta, pois eu estaria me baseando apenas no meu desejo para afirmar isso, o que não seria muito interessante).

Vejo o sofrimento de meus amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos e até dos meus inimigos (o sofrimento dos meus inimigos me dá muito prazer...), e me sinto condoído, entristecido, quase que com as mãos amarradas, querendo fazer alguma coisa, mas impedido por força maior. Não há forças em mim para ajudá-los! Não há muito o que fazer para diminuir o sofrimento alheio, pois nem mesmo o meu sofrimento eu consigo diminuir. De certa forma, aprendi a lidar com o meu próprio sofrimento, transportando-o a um nível mais universal, porque tornando meu sofrimento universal, torno-o igualmente vazio e, portanto, desprezível, assim como Amor, Felicidade e outros universais!

Gostaria que meus amigos e familiares partilhassem da mesma maneira de encarar o mundo, pois acredito que, ao menos assim, seria mais fácil encarar o medo, os sofrimentos e as angústias da nossa vida. Acredito que pessoas que chegam a estas mesmas constatações ficam mais desinteressadas com seus próprios problemas, ficam mais sensíveis ao sofrimento alheio, pois acaba por enxergar que todos, impreterivelmente, estão no mesmo barco! Não há classes sociais, não há raça, não há sexo! Nada há que não seja sofrimento! Todo o resto são ilusões construídas pela nossa espécie para tentar diminuir nossa angústia, nosso desespero! Todo o resto são modos que encontramos e criamos para fugir da verdade que nos persegue: a morte! Desde que nascemos enfrentamos o nosso corpo ao invés de usufruir ao máximo dele. Desde que nascemos somos ensinados a odiar o nosso corpo, justamente porque é o corpo quem aponta nossa finitude. Consideramos mal o corpo que morre, o corpo que adoece, o corpo que se desfaz e apodrece. Não temos coragem de reconhecer que não há escapatória para a morte, queremos acreditar que podemos vencê-la! Mas para vencer a morte (e morte aqui está ligado ao conceito mais profundo de destruição e aniquilamento cósmico) precisamos abandonar aquilo que nos condiciona à morte, aquilo que nos torna aptos para morrer, ou seja, nosso corpo!

Algumas pessoas me questionam sobre toda esse meu pensamento, duvidam mesmo de que eu acredite piamente nisso, já que me vêem sempre a sorrir, brincar e me divertir. Dizem que este pensamento não combina comigo.
Na verdade, não acredito que não combine, acredito que, verdadeiramente, eles não querem acreditar que eu possa pensar desta forma, afinal, como pode uma pessoa aparentemente feliz acreditar na destruição de tudo! Não é possível! Mas esta sensação que as pessoas tem em relação a mim, só corrobora tudo o que eu disse: não somos capazes de usufruir de tudo, de todos os prazeres, não acreditamos que podemos ser felizes, o sofrimento que experimentamos nessa vida é tão grande que (junto com o maldito cristianismo) acabamos por acreditar que temos que sofrer aqui para lograr algum prazer em outra vida. Acreditamos piamente que neste lugar não é possível ser feliz diante de nossa triste situação! Ou seja, todos, como eu disse antes, sabem do extremo e infeliz infortúnio de existir, mas não aceitam isso, lutam o tempo todo para fingir que estão bem, e, paralelamente, acreditam que este sofrimento é a justificativa de que eles um dia merecerão algum tipo de alegria eterna, em troca de toda as mazelas terrestres. Quando na verdade seria muito mais saudável para nós fazer o que nossos psiquiatras e psicanalistas nos ensinaram a fazer em relação a nossas doença psicológicas, aceitando-as, e tentar usufruir de uma parcela de alegrias ainda em vida... Desta forma, poderíamos nos curar de uma boa parte de nossos hematomas existenciais.

Quer dizer... Não basta não pedir pra existir, nem nunca ter sido levado a corte alguma para defender nosso direito de não vir a este mundo... Nós precisamos sofrer ainda mais do que isso! Isso é um absurdo! Eu não aceito sofrimento deste tipo! Sofrimento maior que existir é um contrasenso! Daí que eu seja a favor de aceitar nosso sofrimento existencial (isso inclui a constatação do aniquilamento total das coisas), e a partir dessa aceitação construir um novo modo de encarar a própria existência, ou seja, um lugar de aproveitar desesperadamente de todos os tipos de prazeres que possam surgir! E digo “aproveitar desesperadamente”, pois é desespero mesmo! A nossa busca por prazer está entranhada de dor e sofrimento. Buscamos prazer justamente porque não o possuímos em nós mesmos. Não é constitutivo de nossa biologia humana o prazer![1] O prazer está sempre nas coisas que nos dão prazer, pois não possuímos, além do prazer sexual, nenhuma outra forma de prazer individual, todos os outros tipos de prazeres são originados daquilo que nos é externo![2]



[1] De fato, o prazer sexual é um tipo de prazer que nós possuímos em nós mesmos. Talvez um dos únicos! Daí que nós possamos, a partir disso, compreender o desespero sexual na modernidade! O sexo é (sempre foi, porém num grau muito maior agora), atualmente, a principal forma de entretenimento e lucratividade!
[2] Aqui precisamos reconhecer que podemos sentir prazer sozinhos de forma sexual, tanto homem quanto mulher, mas que o prazer sexual maior se dá por meio da relação com um outro que não nós mesmos. Sexo a dois, a três ou em grupo, não importa, sexo (masturbação ou outros meios de se dar prazer) a um nunca é tão prazeroso quanto o sexo feito com outro(s).

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sofos: LUZ mais luz!

Os deuses mostraram suas linhas mais belas, revelaram-me a perfeição do caos, a estética do fogo de devir que destrói todas coisas, o fogo que consome, o movimento frenético da roda...

Apresentaram, entretanto, os benefícios da luz, a luz de sófos, a luz que iluminou a sabedoria antiga.

Vejo com mais clareza. Mesmo deste lado mais escuro em que me encontro, consigo espreitar todas as coisas, pois meus olhos já se acostumaram com a penumbra mais densa.
E esta penumbra minha, particularmente agradável, possui uma tênue luz... A luz, porém, é luz apenas para mim, de modo que minha escuridão é clara como todo o universo. Mas apenas para mim. E apenas para mim ela se transmutou em minha recreação.; para todos os demais ela é apenas uma escuridão a mais.

É exatamente assim que deve ser: o descobrimento de minha gnose mais abismal que se apresenta lunarmente tão clara somente aos meus olhos.

Não se trata de egóismo, mas de impossibilidade de compartilhamento, dado que uma experiência tão ferozmente individual jamais poderá ser transmitida em palavras, gestos, sinais, jamais poderei decodificá-la verbalmente, já que diz respeito ao campo pragmático de minha vivência, de minha experiência.

Já que não posso expor, dar existência real (colocar tudo o que é em mim em um plano de ex-ternum(, também não é possível quaisquer julgamentos ex-ternos. Como julgar algo que não existe externamente?

As hipóteses, como em todas as demais questões incompreensíveis, são amplamente permitidas, mas nunca válidas e verdadeiras.
Essa luz interna que encontrei, ilumina apenas minhas próprias sombras; ambas estão unidas, fundidas e interconectadas, não há dualidade, luz e escuridão em mim são uma e mesma coisa!

E como estou pleno por captar luz e trevas dentro de mim!

Esses dias transformaram-se em dias e noites eternas de aprendizado.
O aprendizado e a acumulação de conhecimentos deste tipo é totalmente oculta, oculta para todos que não são eu.

Agora é que pude compreender a jocosa brincadeira da filosofia, do saber profundo: saber que se sabe e, ao mesmo tempo, ter consciência de que a matéria sutil e etérea deste conhecer é a única posse que tenho, minha única propriedade exclusiva.

Eu sou único, em um espaço-tempo que é encarado por mim apenas, portanto, um ponto de perspectiva original.

A luz da sabedoria é uma só, mas são inúmeras e infindáveis as várias espécies de escuridão. Cada um possui um poço negro diverso de todos os outros e a luz que a todos pode iluminar ilumina e esclarece as riquesas peculiares. E, assim, cada um é um poço de trevas densas e de riquezas ocultas. É o próprio indivíduo que, uma vez enegrecido no instante exato em que veio a existir, permite-se enraizar em suas próprias sombras internas...

Luz e trevas são apenas modos diferentes de encarar o cosmos. Tudo é um, mas nossas fragmentadas consciências individuais insistem no dois, no três...

Daí que a moral absoluta seja tão frágil, porque julga-se conhecedora invicta de todas as escuridões existentes, justamente porque acredita que sua forma-padrão pode enquadrar todas as importantes multiplicidades escuras no mundo...

Só quem pode me julgar é deus!
Eu sou este deus!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Percepção diluída!

A cada dia torno-me mais forte, porque enfrento tantas coisas que não me matam!

A cada dia, porém, torno-me também mais frio, mais descrente na raça humana, e mais apaixonado, contraditoriamente, pelas pessoas boas que encontro.

A cada dia aprendo que gosto mais da noite, da falta de luz solar direta.

A cada dia me apaixono pela luz indireta refletida na lua.

A cada dia a lua negra transmuta-se em estética perfeita, representação dos meus desejos mais sombrios e ocultos, dos meus medos mais fulminantes e da minha coragem mais imperecível.

A cada dia amo com mais intensidade.

A cada dia odeio com mais profundidade.

Meu amor e meu ódio se constituem de matéria cada vez mais grotesca, cada vez mais sofisticada, mais especializada na rude grosseria dos instintos.

E a cada dia torno-me mais indiferente, mais cauterizado, mais endurecido...

Mas a cada dia aprendo a beleza mais abismal de tudo o que se contradiz, de tudo o que é devir, de tudo o que não pode ser planejado, de tudo o que é crítico, imprevisível...

A cada dia aprendo a criar sentidos

A destruí-los

E a reconstruí-los novamente até que a morte me separe ou me dilua no nada!Até que a morte me mostre a imperceptível fragilidade de tudo o que é vivo!

Daniel Alabarce

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Karmaval II

A selvageria que ocorre nos carnavais modernos não é selvageria saudável,

natural, é uma selvageria que está totalmente relacionada com o desenvolvimento técnico,

com a fragmentação dos indivíduos, com a opressão moral e com o empreendimento

da separação crassa das classes sociais...

como disse Freud é a bárbarie marcada pelo mal estar na cultura.

A selvageria antiga, grega em particular, era a selvageria original e positiva,

a de homens e mulheres que são animais e seguem os ciclos da natureza.

A selvageria de hoje é depredação porque é totalmente anti-natural,

é anti-qualquer coisa. é negativa. O único contexto desta selvageria

é o ressentimento e a culpa que borbulha no inconsciente coletivo,

é a revolta dos escravos, do rebanho! portanto,

está também atrelada a toda a consciência instaurada pelo cristianismo,

de homens e mulheres subjugados totalmente a um deus moralista e opressor!

http://g1.globo.com/sao-paulo/carnaval/2012/noticia/2012/02/tumulto-interrompe-apuracao-em-sao-paulo.html

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Karmaval

Tenho plena consciência de que existem outros blogueiros que, como eu, estarão criticando e destilando todo o seu ódio a este feriado brasileiro que se transfigurou no ápice de todo o emburrecimento da massa sem identidade.

A impressão que tenho, a história também possui esta mesma sensação, é que o cristianismo inverteu todo o ensinamento do seu próprio fundador.

Jesus disse que o Diabo não veio senão para roubar, matar e destruir...

A história desses cristãos miseráveis só nos mostra que, de acordo com Jesus, sua própria igreja se transmutou no Diabo Institucionalizado.

O cristianismo conseguiu roubar todos os mistérios pagãos, mataram todos os que não concordaram com a verdade podre de seus ensinamentos e destruiram quaisquer provas escritas e oficiais de suas cagadas celestiais...

Ou seja: Roubam, matam e destroem durante estes 2012 anos e ainda o fazem, porém, de forma muito mais sutil e obscura - e não era pra ser diferente, pois uma religião que teve por ofício a enganação, a mentira e a manipulação durante tanto tempo, só poderiam, hoje, serem os mestres de todo o equívoco e ilusão.

O que isso tem a ver com o carnaval?

Bom... Diretamente, acho que não muita coisa...

Mas, pense bem... Donde surgiu o carnaval, a festa da carne? Não, não nasceu em Veneza!

Nasceu nos cultos de mistério a Dionísio, nasceu nos centros de orgia romana em honra a Saturno... Surgiu num ambiente pagão! A igreja condenou todas estas práticas durante toda a idade média... De repente, o povo começa a se revoltar com a igreja e, pecando deliberadamente por reducionismo - falo de mim mesmo ao escrever isso - , tendo se revoltado começaram a praticar festas carnais, orgiáticas tais como antigamente... só que desta vez para negar a força opressora do cristianismo!

Nunca mais houve festas pagãs como as de antigamente, com alucinações, fantasias, sexo ritualístico, mas apenas a festa carnal dos cristãos que precisavam se distanciar um pouco de seu deus maquiavélico para poder respirar um pouco e, feito assim, voltar aos seus pés com lágrimas nos olhos pedindo-lhe perdão.

Todos vivem aprisionados nesse mundo moderno de trabalho escravo, de tortura massacrante do sistema capitalista, sofrendo o tempo todo as acusações da moral esquizofrênica cristã, todos somos cristãos, estamos todos debaixo desse grande guarda chuva cinzento do deus cristão, da cultura ocidental cristã, infelizmente!

Chega o carnaval no Brasil, e todo mundo deixa de ser cristão, vira selvagem de novo... Ressurge do porão do inconsciente putrefato deles apenas a vontade de sexo, de vida, de anti-cristianismo, de liberdade!

Mas a liberdade que eles experimentam no carnaval é falsa! É apenas um dia de folga que seus deus miserável lhes deu pra descansar do trabalho divino de manter a sociedade funcionando.

Não é liberdade que escravo tem pra poder se comunicar com seu eu mais profundo, aquele que está sufocado pelas regras da sociedade e da moral bíblica que se cristalizou acima dos prédios... É uma condicional, apenas isso.

Por ser condicional, ou seja, condicionada (você está livre sobre tal condição: após esses dias de festa voltará para a prisão), exatamente por este motivo é que é falsa!

Em respeito aos meus amigos praticantes das religiões afro, devo acrescentar algumas observações importantes:

Esse carnaval de são paulo e rio de janeiro é a completa falta de respeito com os ritmos africanos, dos terreiros. O capitalismo brasileiro conseguiu digerir os ritmos tão respeitosamente dedicados às entidades, mas fez isso de uma forma infame. Usam um ritmo que é dito brasileiro sem apresentar todo o contexto real dele, transformaram tudo em forma-mercadoria.

Isso é o que me revolta mais ainda, porque o capitalismo só pode aceitar o cristianismo, não é lucrativamente bom, principalmente num país de maioria católica e com uma praga semelhante, porém, mais lúgubre ainda- os crentes -, se alastrando.

É triste isso, mas é fato!

Bom carnaval pra quem gosta...

Pra mim é sempre uma tortura! é sempre um karma!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre o destino do filósofo ou Sísifo.

Além de todas as outras sinas que carrega, ele ainda pode acordar um dia e não desejar fazer nada, ficar imóvel na cama sem vontade alguma de levantar, sem vontade de viver...

Não porque tem depressão, síndrome do pânico ou alguma doença patológica, mas porque, de repente, tudo pode perder o sentido de uma só vez... Não é tristeza que ele sente... É tédio!

E aí o filósofo precisa arregaçar mais uma vez as mangas e construir, tijolo por tijolo, novos sentidos para sua existência...

Tédio! Construir, destruir e novamente construir... ad infinitum!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sobre linguagem, ser, existência e liberdade.


Um texto que escrevi em 2010, quando tranquei a matrícula na faculdade dehoniana, onde estudei filosofia.
05/10/2010


Depois de ter trancado a matrícula na faculdade, li poucos livros de filosofia e não senti o declínio do exercício de filosofar, pois aproveitei de tudo o que estudei e pesquisei durante os últimos três anos como matéria prima para construir o meu próprio pensamento.
Devo reconhecer que muita coisa mudou nestes curtos e conturbados anos de faculdade; experimentei um pouco (às vezes muito) de tudo e isso somente acrescentou maturidade.
Infelizmente, esta maturidade apenas eu a percebo, pois a gravidade e seriedade de um adulto normal estão completamente enraizados nos poços obscuros da moral cristã.
Tenho para mim – e talvez, exatamente nesse aspecto, eu tenha descoberto minha liberdade e alegria – que um verdadeiro filósofo, amante da luz (sofos) e de tudo o que é vivo e ascendente, jamais poderia levar a vida tão a sério... De um camelo domesticado, carregador de fardos alheios, tornei-me leão dominante com vontade de destruição, sangue e caos; de leão orgulhoso passei a viver como criança, desapegado de moral, regras e deveres sociais.
Cheguei a um determinado momento em que não pude resistir o desejo de olhar o abismo; olhei e ele me devolveu o olhar de tal modo amedrontador e apavorante que tive de cerrar os olhos com esforço. As palavras que giram em torno do abismo são todas cruéis e terríveis: medo, morte, escuridão, desespero, angústia. E não é de se espantar, dado o número de pessoas caindo nele! De fato, grande é o poder do abismo, diria a “aranha”, e não há quem não o testifique.
Contudo, observei todas as pessoas caindo no abismo, gemiam e choravam sem saber o que fazer. É preciso, como diria o espírito zaratustriano, estender uma corda entre uma e outra margem do abismo, rindo de seu penetrante olhar.
Rir com sarcasmo, ironia e desdém, pois rir de felicidade é como nuvem afugentada pelo vento, logo some e não se lembra mais de novamente existir.
Todos os que nascem são humanos porque são inseridos em sua linguagem humana. E no final, tudo não passa apenas de proposições, argumentos e balbucias sem sentido causal.
Entretanto, se todos são humanos por participarem da mesma forma verbal de proferir o mundo, não deveríamos ser iguais? Mas há na própria linguagem as brechas necessárias para encontrar a resistência ou a oposição. Existem, desta forma, dois tipos de linguagem: uma da maioria, massificada e outra da que a resiste e que, por ser uma pequena parcela da coletividade, é colocada às margens. Daí que se possa compreender a diferença crassa entre as linguagens de uma determinada cultura, a massificada, inglesa por exemplo (em meados dos anos 70) e o modo verbal de pronunciamento do real dentro de uma subcultura, como o movimento punk britânico. Existem outros exemplos que poderiam ser adicionados aqui, mas basta olhar com mais atenção para a linguagem de uma cidade e para a linguagem marginal que foi construída para perceber facilmente essa variedade.
Pode ser que membros que estiveram uma vez embolados na massa tornem-se força de resistência em outras partes, mas nunca isso ocorre por vontade própria, o processo é lento e diz respeito ao próprio mal-estar cultural existente em paralelo ao desenvolvimento técnico. Foi o que Freud explicou em “Mal-estar na cultura”, provando que o aprimoramento da técnica cria automaticamente uma sensação de desconforto a nível de “inconsciente coletivo” (emprestando o termo jungiano).
Os que fogem das normas prontas e já estabelecidas no âmbito social, os anormais (que literalmente estão fora da norma), são jogados ou se isolam por perceberem que são diferentes demais. Existem várias formas de escapar num momento desses, como a música e a arte em geral, por exemplo, ou mesmo as drogas (ambas com a mesma função). Um fato curioso sobre este aspecto é a existência de mendigos na cidade. Na verdade, não se trata de uma existência mesmo, mas de uma falsa existência, já que ninguém se comunica com eles, eles estão privados de quaisquer relações (no sentido lógico, apesar de metafórico... Explico: Na lógica A pode se relacionar com todas as outras letras, menos ela mesma. A não pode se relacionar com A. Para que a existência de A seja afirmada é crucial sua relação com as demais letras, por exemplo: A-B. A identidade de A só é encontrada por causa da existência de B, ou seja, é uma identidade criada por meio da negação: “Eu não sou B, nem C, nem D... por isso, sou A, existo como A.” O caso dos mendigos é bem parecido. Eles não sabem que existem, pois estão privados de todas as relações possíveis. Eles não podem se reconhecer mutuamente, seria uma incoerência lógica, posto que A não pode se relacionar consigo mesmo. Isso se torna tanto mais verídico quando olhamos para o papel que os demais países possuem para a construção de uma “identidade brasileira”. Como seria possível construir uma identidade brasileira se não existisse nenhum outro país que lhe provocasse alguma cisão lógica com potencial de afirmação? Se somente eu existisse e nada mais... Se eu apenas existisse no meio de um Nada absoluto... Como eu saberia diferenciar Eu do Nada? De fato, eu estaria em um determinado lugar do Nada, pensando alguma coisa... então esta comparação seria inverossímil... Mas, apenas por suposição, pensemos que fosse possível apenas eu existir e mais ninguém, nenhuma outra criatura ou objeto, nenhum ente... Se assim fosse Eu seria o Nada, ou seja, eu não existiria, não há negação e é exatamente por meio da negação que se pode criar identidades!)
O que interessa, porém, é que ao encontrarmos a face do diferente poderemos sempre ter certeza de que algum acidente de percurso aconteceu. Em sã consciência ninguém quer se afastar da sociedade. Fora da sociedade há desequilíbrio, desordem e violência; em outras palavras: “fora do frágil castelo de areia que construímos há uma natureza e um cosmo imenso cuja preocupação não é nem de longe a comunidade planetária terráquea”.
Por isso mesmo nós, homens e mulheres, nos unimos para não ter de enfrentar, cada qual no seu devido galho, o tormento de existir.
Concluímos que, se conseguíssemos tal façanha, voltaríamos para a tranqüila normalidade, onde tudo já está pronto, onde tudo é estável... Mas uma vez que se experimenta este sentimento que convencionamos nomear como liberdade, nunca se consegue livrar do peso de ser estranho e bizarro... Se eles fossem em menor número, nós seríamos os normais, de acordo com este critério, e eles, os marginais.
Vemos, portanto, duas coisas bem distintas: a liberdade é, ao mesmo tempo, a melhor sensação dessa existência fugaz e a mais opressora, porquanto aqueles que são livres estão em número absurdamente pequeno; e que tanto faz estar deste ou daquele lado, pois o critério utilizado para estar ou não livre é relativo apenas ao grupo “geograficamente” localizado, ou seja, se você estiver aqui é livre, se ali, é parte da massa, mas se a ordem e o lugar invertessem seria o mesmo que nada, porque todos são humanos e estão destinados à podridão do túmulo.
A proposição final, penso, é: a linguagem é quem dá existência às coisas, aos objetos de conhecimento. Não há como o homem conhecer as coisas fora se ele não aplicar um raciocínio lógico para este intento, se ele não outorgar nome, se ele não delimitar objetivamente os entes então eles não existem. Não é que não existem fora do ser humano, mas não existem dentro da mente, dentro do humano, pois o humano só pode reconhecer as coisas que estão à altura de seu poder de conhecimento, o que só ocorre por causa da linguagem. Em outras palavras, a linguagem, como já disse Heidegger, dá Ser às coisas.
Existência, Ser e Linguagem também são palavras... Mais um dos joguinhos macabros da hermenêutica!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Discurso para ampliamento do Espaço Entretenimentório


Este texto eu escrevi a todos os meus amigos antes de vir pra Vinhedo, onde estou morando agora.
Sabendo que nós, humanos, somos seres simbólicos, decidi utilizar um mito grego para escrever este discurso que estou pronunciando aos meus amigos, irmãos e irmãs.
Trata-se de um mito que eu encontrei há um bocado de tempo, em torno do qual eu construí grande parte do que sou hoje, no qual me inspirei e identifiquei características minhas e características de cada um de meu círculo “social”.
Algumas partes do que escrevo foram retiradas da internet, já que meus livros estão todos encaixotados, outras partes eu retirei das sínteses que eu mesmo fiz do que aprendi de meu grande amigo Nietzsche e do velho Heráclito!
Zeus era um deus safado e vivia pulando a cerca. Hera, sua esposa, apesar dos inúmeros chifres, sempre encontra um modo de “dar o troco”.  Ela era bem cruel nisso, mas Zeus não ajudava muito.
Certa feita, Zeus se transformou em uma serpente para conseguir transar com Perséfone (Zeus tinha esse problema com animais... E para cada mulher ele se mostrava de alguma forma diferente, ganso, cobra, ave... Se eu fosse mulher... Bom... Eu preferiria Zeus com um corpo de homem mesmo... Serpente, ganso... Não sei como elas sentiam tesão com isso!). Enfim, Zeus se transformou em uma serpente, afogou o ganso em Perséfone e nasceu um tal de Zagreu (não, não era Zaqueu, era ZaGREU). Hera ficou revoltadíssima e incitou os Titãs para que matassem Zaqueu... ZAGREU. Os titãs mutilaram Zagreu, comeram todas as partes do seu corpo, menos o coração, coração que Atenas salvou e levou até Zeus. Zeus fez uma poção com o coração de Zagreu e deu a uma mulher chamada Sêmele, a qual engravidou de Zeus.
Em apenas um parágrafo Zeus traiu Hera duas vezes! Como diria a Michilene: “Ele é booom”.
Hera ficou putíssima! Foi até Sêmele e disse a ela pra provar se Zeus era mesmo Zeus. “Ai, amigui, não sei, não, viu... Acho que esse bofe que te engravidou não é Zeus coisíssima nenhuma... Pede pra ele te dar uma prova de que é mesmo Zeus, boba... Fala pra ele aparecer pra você em forma de gente mesmo, quer dizer, de deus... Credo, fica aí te visitando em forma de animal... Vai saber se um dia desses ele vem em forma de ornitorrinco... eu hein!”
E assim, Sêmele pediu a Zeus que mostrasse quem ele realmente era. Ele arrancou a roupa, mostrou todos os músculos, raios e trovôes! Poder, sedução e magia, amigui! ARRASOOO! Só que daí ela morreu queimada no plano espiritual, virou cinza!
Zeus conseguiu salvar o filho de Sêmele que estava ainda vivo e costurou ele em sua coxa. Depois disso, nasceu Dionísio.
Dionísio foi o único deus do Olimpo que foi filho de uma mortal. Surgiu do meio do fogo. E concebido com o sangue do coração de um homem que morreu por vingança.
Dionísio é filho do fogo. O fogo é mudança contínua. Ao mesmo tempo que transformou sua mãe em cinza, deu à luz um deus. O fogo consome o oxigênio para poder arder, consome tudo à sua volta. Mas é também o fogo que proporciona calor, luz e que foi o maior descobrimento que o ser humano já fez.
Dionísio é o deus do caos, porque nasceu em meio a um tormento de relações, ciúmes e expectativas. Foi um deus adotado por uma nação que considerava bárbaro todos os que não falassem sua língua. Dionísio não era um deus tipicamente grego, era um deus de qualquer outro lugar, menos da Grécia, era um deus bárbaro, fora do padrão. Não estava no padrão, mas acabou por seduzir toda a Grécia, e depois Roma. Mulheres alucinadas que gritavam possuídas pelo deus, homens que esquartejavam animais e comiam suas carnes cruas, cidadãos que participavam de uma grande orgia ao ar livre, gritando “Io, Io, Bromios (o deus que troveja e grita loucamente), Io, io, Dendrites (o deus das árvores e da fertilidade)”
Dionísio não é apenas o deus do vinho e da alegria, é o deus do caos e da fertilidade, o deus dos loucos, dos que não se deixam aprisionar por padrões e sistemas, é o deus que seduz com a liberdade. E a liberdade, tenho descoberto isso pragmaticamente nos últimos dias, é uma mistura de angústia e satisfação, é uma junção de rupturas e novas construções.
Todos vocês estão aqui hoje, na casa da minha querida Cidinha Bronzatto, não são normais. Cada um de nós sofreu amargamente por perceberem que não fazem parte de alguma coisa, de algum grupo... Nós todos padecemos a mesma angústia, a angústia de não ter sentimento de pertencimento, de não ser de ninguém que não nós mesmos. Como disse o Fábio, nós compartilhamos solidão.
Escrevi este texto, porque eu encontrei um grupo de pessoas que, como eu, não sabem exatamente o seu lugar no mundo, pessoas que, assim como eu, sentem-se jogadas no mundo. Como se viéssemos de um útero que se transformou em cinzas e tendo sido criado nas coxas de um deus. Sentimos, aos mesmo tempo, que somos cinza, mas que temos algo dentro que é superior. Sim, nós somos espíritos superiores!
E nós construímos juntos um culto, um culto de mistérios, um culto a um deus que nos é semelhante... Que também sofreu das mesmas angústias. Um deus exilado, amado e odiado. Falando assim, até parece que estou falando de um outro deus... um que ficou pregado... Mas isso é apenas cópia, né? Não, eu estou falando de Dionísio, não confundam!
Sem perceber, nós louvamos o deus do vinho o tempo todo. Sem perceber, nós construímos um grupo. Sem perceber, nós nos tornamos sátiros e ninfas.
Sou muito grato a todos vocês, porque nós construímos juntos um sentimento de pertencimento. Sem pertencer a lugar algum, acabamos por pertencer a nós todos. E espero que nosso sentimento de união e pertencimento continue como o fogo que arde até se consumir por inteiro.
A Michilene já disse que nós não estamos indo embora, mas ampliando nosso espaços de divertimento. Eu acrescento que não estamos nos despedindo, estamos ampliando nosso culto a Dionísio!
Ao Bryan, meu irmão e companheiro; à Cidinha, que me ensinou a ser artista; ao Fábio, que me mostrou quão valioso eu sou, e por quem eu tenho tanta satisfação em ter conhecido; à Michilene, que foi iniciada nos nossos mistérios e se tornou fiel escudeira;  e a todos que estão aqui presentes (cita o nome, fedaputa!) – e ainda tem tanta gente a quem eu tenho que agradecer – eu agradeço por tudo o que vocês me proporcionaram. Pode ser que não dê certo em Vinhedo, e caso isso aconteça, sei que ainda terei meu lugar entre vocês. E caso dê certo, eu nunca vou me esquecer de ninguém e nós vamos continuar sendo esta família que somos, este bando de gente anormal e repleto de divertimento.
Amo todos vocês!