Hoje, enquanto verificava uma de minhas trocentas contas de e-mail, encontrei uma relíquia minha, um texto que havia escrito para uma prova (uma das primeiras provas) de História da Filosofia Antiga, ministradas pelo digníssimo Mestre e Doutor Maurílio O. Camello - um dos melhores professores de filosofia que eu já tive.
Lembro que eu, assim que recebi a prova, a digitei e enviei à minha caixa de e-mail para não perdê-la, e acho que fiz muito bem. Todos os outros textos das primeiras aulas, das minhas primeiras impressões eu perdi por causa de um vírus no computador antigo!!! PQP!
O texto não está perfeito, reconheço, mas tenho que convir que ainda era meu primeiro ano de amor com a filosofia (ainda tenho muito que aprender - e essa mesma é a graça da filosofia, nunca se sabe tudo... Cada pergunta revela uma resposta que já possui em si nova pergunta!).
OBS: No texto eu não coloquei citação da autoria do fragmento comentado... Provavelmente, acredito eu, deva ser algum fragmento de Parmênides ou outro pré-socrático, vou ter que verificar os textos depois.
O legal é eu poder perceber como eu fui fazendo todo o trajeto do meu pensamento, os lugares onde pisei no passado que me trouxeram ao presente.
Pra quem interessar, ei-lo aí!
Texto da prova de história da filosofia antiga.
Data: 18/04/2008
Por: Daniel Vieira de Carvalho
Levando em consideração que as divindades têm o vislumbre completo de todas as coisas, eu concordaria totalmente que o saber humano é enganoso. No entanto, nada teríamos hoje em nossa sociedade se não fosse verdadeiro este saber humano.
O grande problema do nosso saber mortal é que ele está sujeito a questionamentos, e por isso sempre há alguém interpelando um ou outro conhecimento. Isso comprova que o saber do homem, apesar de grande e inegável, não é perfeito.
É fato que nosso saber é imperfeito, mas das Musas afirmarem que não somos mais do que ventres... Disso eu discordo totalmente.
Na página 139, no fragmento 18, lemos:
“Os deuses, certamente, não revelaram todas as coisas aos mortais desde o início – mas, procurando, os homens encontram, pouco a pouco o melhor.”
Nesta frase eu encontro a base do saber humano. Tirando os deuses desta frase (por que nem acrescentam, nem tiram nada) eu acredito piamente no melhor. Talvez se soubéssemos tudo de modo esférico, deixaríamos de ser humanos. E eu gosto muito de ser um.
Essa busca por um saber melhor nos torna mais humanos, não podemos negar esta condição. Os deuses já têm tudo à destra, não precisam de esforço, estão imóveis... Que graça isso tem?
Essa constante mudança no homem é isso que eu admiro!
Os gregos, me parece, enxergavam as divindades em detrimento do homem.
Vamos ser bem sinceros: Mesmo que Deus exista, nossa limitada palavra não pode falar dele; e se não existe, não é razoável gastar saliva para questionar sua existência. Portanto, olhando deste modo, seria uma loucura completa dizer que o todo do saber humano seja enganoso – se bem que eu já não tenho mais certeza de nada.
Estou parcialmente em acordo com o texto, não em que os deuses detenham o saber verdadeiro, pois não sei nada sobre eles, mas no sentido em que nosso conhecimento seja, em partes, aparente. E eu creio que nem por isso não tenhamos capacidade de chegar às essências.
O ser – humano, pensou eu, tem muito mais do que ele próprio sabe. Por isso fica difícil afirmar ou negar alguma coisa.
Janelas são sedutoras Mas são apenas janelas A porta é a Morte.
sábado, 22 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Poeira acumulada!
Se você andar por aí sem muita atenção, poderá tropeçar no cadáver de alguém. Então, sempre olhe para o chão, pois numa ocasião deste tipo você poderá se desviar dele!
Outros cadáveres também foram postos sobre a crosta terrestre, já outros foram ocultados, mas não se preocupe... Sempre haverá espaço no nosso planeta para mais um cadáver.
Houve um cadáver, porém, que não foi nem ocultado, nem enterrado... E que acabou por contaminar todo o mundo. Os mares não ficaram imunes a ele, transformaram-se em sangue coagulado. Os liquidos cadavéricos não foram devidamente coletados e acabaram se espalhando por toda a extensão de todas as nações do planeta, de forma que o planeta inteiro se transmutou de Planeta Azul para Planeta Musgo e Esverdeado!
Enquanto estava vivo, o Grande Monstro pairava, flutuava sobre nossas cabeças... Imponente e Orgulhoso. Certa feita, algumas pessoas foram esmagando-lhe a cabeça com madeira oca (sua única vulnerabilidade). Ele morreu, mas fingiram que ainda permanecia vivo e lhe arrumaram o cadáver de modo que parecesse realmente que ainda estivesse em pleno esplendor.
Foi depois de uns dois ou três dias que os sucos internos daquele defunto começaram a verter.
Com o passar dos tempos, a carne putrefada foi totalmente comida por vermes rastejantes e seres voadores próprios de cemitérios, os líquidos macabros cessaram de escorrer, mas os ossos permaneceram ali, naquele mesmo local da morte.
As famílias que habitavam perto daquele lugar decidiram incendiar os ossos até que se tornassem cinzas. Apesar da extrema resistência ao fogo, os ossos se queimaram e as cinzas se foram com o vento, espalhando-se por todos os cantos do mundo.
Todos os homens e mulheres respiraram suas cinzas e sofreram com doenças gravíssimas e acabaram por contaminar todos os seus filhos, netos e, por fim, toda a espécie humana...
Essa história tem sido contada por séculos, mas somente hoje descobrimos suas reais consequências e outras verdades que foram escondidas de todos nós:
Aquela Grande Abominação deu à luz um filho que foi cuidado pelos seus antigos adoradores, foi alimentado com carne e sangue humanos até que se fortalecesse totalmente e pudesse fazer suas próprias vítimas.
Hoje em dia, esta Criatura tomou o lugar de seu antigo pai, conseguiu poder suficiente para imaterializar-se e está muito mais forte, pois cada ser humano que respirou as cinzas e a poeira de seu pai, agora está sob seu controle, sob o controle de seu filho.
Resta-nos, pois, aniquilar toda esta linhagem maldita. Mas para que isso aconteça de forma completa e segura, se faz necessário que se aniquile toda a espécie humana. A contaminação não é apenas a nível de pensamento, é orgânico!
Outros cadáveres também foram postos sobre a crosta terrestre, já outros foram ocultados, mas não se preocupe... Sempre haverá espaço no nosso planeta para mais um cadáver.
Houve um cadáver, porém, que não foi nem ocultado, nem enterrado... E que acabou por contaminar todo o mundo. Os mares não ficaram imunes a ele, transformaram-se em sangue coagulado. Os liquidos cadavéricos não foram devidamente coletados e acabaram se espalhando por toda a extensão de todas as nações do planeta, de forma que o planeta inteiro se transmutou de Planeta Azul para Planeta Musgo e Esverdeado!
Enquanto estava vivo, o Grande Monstro pairava, flutuava sobre nossas cabeças... Imponente e Orgulhoso. Certa feita, algumas pessoas foram esmagando-lhe a cabeça com madeira oca (sua única vulnerabilidade). Ele morreu, mas fingiram que ainda permanecia vivo e lhe arrumaram o cadáver de modo que parecesse realmente que ainda estivesse em pleno esplendor.
Foi depois de uns dois ou três dias que os sucos internos daquele defunto começaram a verter.
Com o passar dos tempos, a carne putrefada foi totalmente comida por vermes rastejantes e seres voadores próprios de cemitérios, os líquidos macabros cessaram de escorrer, mas os ossos permaneceram ali, naquele mesmo local da morte.
As famílias que habitavam perto daquele lugar decidiram incendiar os ossos até que se tornassem cinzas. Apesar da extrema resistência ao fogo, os ossos se queimaram e as cinzas se foram com o vento, espalhando-se por todos os cantos do mundo.
Todos os homens e mulheres respiraram suas cinzas e sofreram com doenças gravíssimas e acabaram por contaminar todos os seus filhos, netos e, por fim, toda a espécie humana...
Essa história tem sido contada por séculos, mas somente hoje descobrimos suas reais consequências e outras verdades que foram escondidas de todos nós:
Aquela Grande Abominação deu à luz um filho que foi cuidado pelos seus antigos adoradores, foi alimentado com carne e sangue humanos até que se fortalecesse totalmente e pudesse fazer suas próprias vítimas.
Hoje em dia, esta Criatura tomou o lugar de seu antigo pai, conseguiu poder suficiente para imaterializar-se e está muito mais forte, pois cada ser humano que respirou as cinzas e a poeira de seu pai, agora está sob seu controle, sob o controle de seu filho.
Resta-nos, pois, aniquilar toda esta linhagem maldita. Mas para que isso aconteça de forma completa e segura, se faz necessário que se aniquile toda a espécie humana. A contaminação não é apenas a nível de pensamento, é orgânico!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Amor Liquefeito
Um texto um pouco mais... romântico que eu fiz... Pra quem acha que odeio todo mundo!
Até que ponto a razão é um elemento totalmente desprovido de sentimento e paixão? Até quais limites o sentimento não possui racionalidade? Há limites entre sentimento, paixão e razão?
Não seriam eles coisas indistintas? Estariam eles em uma interconexão, em um movimento de entrecruzamento? O sentimento é só sentido ou ele, para se fazer significado, precisa ser racionalizado?
A razão poderia surgir como conseqüência da paixão, sendo assim apenas mais uma forma de se dizer sentimento?
E como racionalizar, ou transmutar em forma de conceito uma coisa que não tem forma, que esvai-se, que é fluido como a água, que não se pode reter? Como dar nome ao sentimento, se dar nome implica conhecer? Podemos conhecer, delimitar, objetivizar um sentimento? E delimitando-o, poderemos controlá-lo? E controlando-o, poderemos extirpá-lo quando provocar ânsia?
Essa palavra “amor”... É apenas uma palavra? Um termo que explica um sentimento de co-relação, de interação afetiva que ocorre entre duas ou mais pessoas? É um limite? Sim, é um limite. Limitaram este sentimento e tranformaram-no em conceito universal. Amor, Love, amoré, liebe... são todos termos que dizem basicamente a mesma coisa.
Mas amor brasileiro é igual a amor inglês, em francês, em alemão, em quaisquer outra linguagem, em quaisquer outro contexto semântico? Não! E para cada cultura, um novo significado!
Amor, como conceito, é então apenas uma forma (semelhante a formas de bolo), qualquer coisa encaixa nele.
É, portanto, extremamente cheio de significações e, ao mesmo tempo, vazio por completo, pois diz muito e acaba nada dizendo.
Eu posso chamar esta dor aguda no peito apenas de dor, mas posso dizer que é amor... E acabo por não dizer absolutamente nada ao mesmo tempo!
Posso dizer algo mais fértil, entretanto. Posso dizer que esta sensação (ou seja –lá-o-que-for) é por sua culpa! E que esta culpa não será absolvida, pois é fruto de um doce pecado: ter conhecido você.
Escrito em: 19 de abril de 2010
Até que ponto a razão é um elemento totalmente desprovido de sentimento e paixão? Até quais limites o sentimento não possui racionalidade? Há limites entre sentimento, paixão e razão?
Não seriam eles coisas indistintas? Estariam eles em uma interconexão, em um movimento de entrecruzamento? O sentimento é só sentido ou ele, para se fazer significado, precisa ser racionalizado?
A razão poderia surgir como conseqüência da paixão, sendo assim apenas mais uma forma de se dizer sentimento?
E como racionalizar, ou transmutar em forma de conceito uma coisa que não tem forma, que esvai-se, que é fluido como a água, que não se pode reter? Como dar nome ao sentimento, se dar nome implica conhecer? Podemos conhecer, delimitar, objetivizar um sentimento? E delimitando-o, poderemos controlá-lo? E controlando-o, poderemos extirpá-lo quando provocar ânsia?
Essa palavra “amor”... É apenas uma palavra? Um termo que explica um sentimento de co-relação, de interação afetiva que ocorre entre duas ou mais pessoas? É um limite? Sim, é um limite. Limitaram este sentimento e tranformaram-no em conceito universal. Amor, Love, amoré, liebe... são todos termos que dizem basicamente a mesma coisa.
Mas amor brasileiro é igual a amor inglês, em francês, em alemão, em quaisquer outra linguagem, em quaisquer outro contexto semântico? Não! E para cada cultura, um novo significado!
Amor, como conceito, é então apenas uma forma (semelhante a formas de bolo), qualquer coisa encaixa nele.
É, portanto, extremamente cheio de significações e, ao mesmo tempo, vazio por completo, pois diz muito e acaba nada dizendo.
Eu posso chamar esta dor aguda no peito apenas de dor, mas posso dizer que é amor... E acabo por não dizer absolutamente nada ao mesmo tempo!
Posso dizer algo mais fértil, entretanto. Posso dizer que esta sensação (ou seja –lá-o-que-for) é por sua culpa! E que esta culpa não será absolvida, pois é fruto de um doce pecado: ter conhecido você.
Escrito em: 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Pressupostos de uma Tragédia!



Tenho percebido ultimamente algumas coisas que me provocam náusea abundante. Não posso mais impedir meu corpo de tentar expulsar dele o que lhe causa o mal.
O vômito é a reação mais violenta do corpo humano, a meu ver... É, entretanto, a mais saudável!
Sim, isso tudo tem a ver com a filosofia mesmo! Bem aventurada esta filosofia que me abriu os olhos! E não somente a filosofia, mas todas as circunstâncias, todas as pessoas que me ocorreram, todas as coisas boas, más e aquelas que são indefiníveis. Tudo colaborou para que o meu copo interior fosse se enchendo cada vez mais de bolo alimentar mal digerido, suco biliático e outras enzimas!
Sim, eu mudei muito também, mas quem é que não sofre as mutações do tempo?
Errei demais, acertei muito também, e não tenho vergonha disso.
Confesso também que, de fato, o pensamento que os outros possuem de mim me atordoam, pois fazem juízos sobre mim, que eu mesmo não posso fazer. Eu vivo no meu corpo, mas ele me escapa o tempo todo. E apesar de eu ser eu, sendo também dono de mim e responsável por todas as cagadas que eu fiz ou fizer, infelizmente eu não posso controlar o que as pessoas pensam sobre mim, mesmo reconhecendo elas mesmas que não podem nada sobre meu corpo ou sobre quem eu sou.
Eu reconheço, entretanto, que sou influenciado por tudo e por todos de fora, e que meu mundo foi determinado antes por aquilo que me deram, tanto sobre o mundo quanto sobre as próprias pessoas. Eu só sei que meu mundo é humano, pois um humano me apresentou a linguagem humana, o mundo humano. Talvez eu fosse feliz se me tivesse criado em meio a lobos...
Dolorosamente eu tenho que aceitar que estou nesta sociedade, participo dela e vivo em comunidade. Tenho, portanto, que aceitar algumas dessas regras mais imbecis e escravizantes que ela me impõe para permanecer dentro dela.
Não deixo, porém, de sentir uma repulsa toda vez que me ponho a pensar sobre esta tragédia, pois eu carrego em mim as estigmas de minha espécie: preciso desta merda de sentimento de pertença!
E, para além de todos estes pedaços de pão revirados com suco gástrico, eu assumo que o mundo se apresenta para mim como algo totalmente incoerente, nadificante, solto no espaço oco! Não sei por que diabos estou nessa existência infeliz, não faço a menor questão de saber se há alguma droga de missão para mim, pois eu nunca pedi a deus qualquer (que exista ou não) que me desse uma ‘oportunidade’ de vir a ser alguma coisa!
Na verdade, eu não devo nada, não tenho que ser nada. O simples fato de existir não é pressuposto suficiente para que eu deva me tornar algo, “ser alguém na vida”.
Depois de tudo o que eu aprendi com a filosofia, notei o seguinte: o homem é um ser simbólico. Ele é simbólico, por que não pode ter um contato imediato com a realidade, ele é incapaz desta façanha! Ele precisa de representações que são imagens mentais que ele e sua cultura fazem para entender o mundo. Estas representações são apenas representações, nada mais, contudo, nós, humanos, defendemos que sejam providas de substância e essência, das quais não se pode duvidar nem sequer questionar.
Quer dizer, eles criam imagens sobre o mundo e acreditam piamente que estas imagens sejam reais! Não são! São apenas representações, abstrações bizarras de uma espécie que vive no completo desespero de existir, saber que existem, pensar sobre sua existência, mas sem encontrar porra nenhuma de sentido pra suas existências patéticas e ridículas.
Perdemos até mesmo para bactérias que são capazes de se auto-reproduzir! Mais ainda, nós não nascemos prontos! Se uma mãe humana deixar seu filho jogado-aí em qualquer lugar, essa criancinha amaldiçoada morrerá certamente a menos de 15 minutos depois de vir a esta luz infernal! Uma criança humana precisa ser pajeada o tempo todo, e, depois de crescido, ter atingido a vida adulta, esta miserável criatura já se acostumou a ser amada, cuidada e protegida... E passará a defender estes elementos e a ensiná-los a todas as outras criancinhas que nascerem!
Não, não acabou!
Esta minha reclamação, este meu vômito se constitui de palavras e linguagem que são todas elas fruto do ‘progresso’ de uma espécie que se pretende o centro de tudo, a razão medidora das colunas do Universo! E esta é mais uma angústia minha que se acrescenta às demais... Esta espécie humana nojenta e repugnante que não passa de um sonho intersticial entre seu nascimento e sua morte!
Eu me revolto, eu me debato como um inseto preso dentro de um copo de vidro que não sabe distinguir os limites do vidro, mas que percebe a solidez do copo por meio das violentas pancadas que dá com seu corpo tentando se livrar, procurando respirar ar livre!
Sabendo de tudo isso – e sabendo também que nem todos concordam com isso – o que mais transmuta meu humor em ácido sulfúrico é saber que existem algumas pessoas que partilham desta mesma alegria... É conhecer pessoas que partilham desta mesma felicidade, mas que vivem como qualquer outra pessoa! Quer dizer, teoricamente essas pessoas detestam a sociedade, suas normas e suas regras, procuram por liberdade, buscam-na arduamente, mas fazem isto apenas a nível teorético, ou seja, ficam apenas na punhetice descarada do discurso, mas não vivem o que pensam!
Não há diferença alguma entre uma pessoa que ama a sociedade e uma que a detesta, ambas participam da sociedade... O que me emputece é ver que também estas pessoas não são coerentes com o que pensam e se submetem às regras, às normas, aos tabus e a todas as prescrições higiênicas da comunidade apenas por que lhes interessa!
Foda-se! Cada um sabe o que faz de seu discurso e de sua vida... Mas uma coisa eu não aceito: não venha com moralismo pra cima de mim, seu filho de uma puta do inferno!
Coerência? Quem pode falar neste absurdo!? Não há coerência no mundo humano! Então... Não, você também não precisa ser coerente, certo? Coerência é coisa de louco!
Minha verdadeira vontade é isolar-me completamente, contrair-me em mim mesmo... Mas que posso eu fazer contra esta coisa biológica que há em mim? Esta coisa que grita por expansão, que grita por liberdade, que vocifera a ascendência?
Devo eu me afastar de todas estas pessoas repugnantes para tornar-me puro? Não! Isso é coisa de santo! Devo tentar abrir os olhos das pessoas? Não, cada um tem o direito de ir vir onde quiser, e isso é evangelização (uma outra coisa que me dá ânsia)! Nada me garante de que eu esteja realmente certo no que penso... O que eu posso fazer? NADA! Absolutamente nada!
E eu quero ver quem é capaz de confessar suas verdadeiras angústias, de olhar pra cara da assombração que fica embaixo da cama, atrás da porta, no corredor escuro ou em qualquer lugar e dizer bem na cara dela: vai tomar no seu cú!
Experimentar fazer isso antes de lançar alguma condenação contra esta porcaria deste texto que eu escrevi durante a minha angústia mais amável (e eu a amo, não é ironia! Amo este meu lado obscuro) Quero ver quem consegue olhar para o seu próprio abismo e rir! Quem mais ousa fazer isso? Fazer... Não, você não deve fazer nada!
Vamos dar as mãos e orar: Aceitemos nosso destino e amém.
Oi? Se eu sou pessimista? Não! São os seus olhos!...
Babaca!
terça-feira, 13 de abril de 2010
Para o entendimento de algumas palavras básicas femininas...
Eu encontrei isso na internet e acho que irá ajudar muito... apesar de ser muito engraçado, tem muita verdade neste texto.
OBS: Esta é uma postagem para fazer "o cérebro escorrer pelos ouvidos" (como diria meus amigos André e Sandra), então não queiram pensar muito sobre ele, leiam e se divirtam!
Algumas terminologias que as mulheres utilizam:
LEGAL - Esta é a palavra que as mulheres usam para terminar um argumento quando elas sentem que estão certas e você precisa calar sua boca estúpida. Nunca use "Legal" para descrever como uma mulher está - isto fará você ter que escolher e se debater entre outros mil argumentos.
CINCO MINUTOS - Significa meia-hora. É equivalente aos cinco minutos do seu jogo de futebol, quando ela manda você jogar o lixo fora, então estamos empatados.
NADA - Significa "alguma coisa", e você deve estar encrencado. "Nada" é geralmente usado para descrever o sentimento que a mulher tem de estraçalhar, girar e espancar você. "Nada" geralmente significa um argumento que durará "Cinco Minutos" e terminará com um "Legal".
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas sobre-erguidas) - Isso é uma ameaça/desafio. Significa que a mulher está ficando brava depois de um "Nada" e terminará com um "Legal"
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas normais) - Significa "eu desisto" ou "faça o que quiser porque eu não ligo". Você escutará um "Vá em Frente com as sobrancelhas sobre-erguidas" em questão de segundos, seguido de um "Nada" e um "Legal" e ela vai falar com você em cerca de "Cinco Minutos", quando ela se acalmar.
SUSPIRO ALTO - Na verdade, não é uma palavra, mas uma indicação não-verbal, geralmente não compreendida pelos homens. Um "Suspiro Alto" significa que ela pensa que você é um idiota naquele momento, e fica se perguntando porque ela está perdendo o tempo precioso dela, ficando ali, com você e argumentando com você, depois que se disse um "Nada".
SUSPIRO SUAVE - Novamente, outra indicação não-verbal. "Suspiro suave" significa que ela está contente. Sua melhor aposta é não se mover ou respirar, e ela continuará contente.
TUDO BEM - Esta é uma das frases mais perigosas que uma mulher pode dizer a um homem. "Tudo bem" significa que ela quer pensar mais e melhor antes de te devolver na mesma moeda o que você fez. "Tudo bem" é geralmente usado com a palavras "Legal" e em conjunção com uma "Vá em Frente com as sombrancelhas sobre-erguidas". Em algum ponto no futuro próximo, você vai estar em sérios problemas.
POR FAVOR, FAÇA - Não é uma frase, é uma oferta. Uma mulher está te dando a chance para vir com quaisquer desculpas ou razões por você ter feito o que quer que seja. Você tem uma chance satisfatória neste momento com a verdade, então tenha cuidado e você não deve levar um "Tudo bem", ou estará perdido para sempre.
OBRIGADA - Uma mulher está te agradecendo. Não desmaie !!! Apenas diga "de nada".
MUITO OBRIGADA - Isto é muito diferente de "Obrigada". Uma mulher irá dizer "Muito Obrigada" quando ela está fula da vida com você. Siginifica que você a ofendeu de um modo insensato, e será seguido de um "Suspiro Alto". Cuidado para não perguntar o que há de errado após um "Suspiro Alto", pois ela irá dizer (certamente) um "Nada"
OBS: Esta é uma postagem para fazer "o cérebro escorrer pelos ouvidos" (como diria meus amigos André e Sandra), então não queiram pensar muito sobre ele, leiam e se divirtam!
Algumas terminologias que as mulheres utilizam:
LEGAL - Esta é a palavra que as mulheres usam para terminar um argumento quando elas sentem que estão certas e você precisa calar sua boca estúpida. Nunca use "Legal" para descrever como uma mulher está - isto fará você ter que escolher e se debater entre outros mil argumentos.
CINCO MINUTOS - Significa meia-hora. É equivalente aos cinco minutos do seu jogo de futebol, quando ela manda você jogar o lixo fora, então estamos empatados.
NADA - Significa "alguma coisa", e você deve estar encrencado. "Nada" é geralmente usado para descrever o sentimento que a mulher tem de estraçalhar, girar e espancar você. "Nada" geralmente significa um argumento que durará "Cinco Minutos" e terminará com um "Legal".
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas sobre-erguidas) - Isso é uma ameaça/desafio. Significa que a mulher está ficando brava depois de um "Nada" e terminará com um "Legal"
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas normais) - Significa "eu desisto" ou "faça o que quiser porque eu não ligo". Você escutará um "Vá em Frente com as sobrancelhas sobre-erguidas" em questão de segundos, seguido de um "Nada" e um "Legal" e ela vai falar com você em cerca de "Cinco Minutos", quando ela se acalmar.
SUSPIRO ALTO - Na verdade, não é uma palavra, mas uma indicação não-verbal, geralmente não compreendida pelos homens. Um "Suspiro Alto" significa que ela pensa que você é um idiota naquele momento, e fica se perguntando porque ela está perdendo o tempo precioso dela, ficando ali, com você e argumentando com você, depois que se disse um "Nada".
SUSPIRO SUAVE - Novamente, outra indicação não-verbal. "Suspiro suave" significa que ela está contente. Sua melhor aposta é não se mover ou respirar, e ela continuará contente.
TUDO BEM - Esta é uma das frases mais perigosas que uma mulher pode dizer a um homem. "Tudo bem" significa que ela quer pensar mais e melhor antes de te devolver na mesma moeda o que você fez. "Tudo bem" é geralmente usado com a palavras "Legal" e em conjunção com uma "Vá em Frente com as sombrancelhas sobre-erguidas". Em algum ponto no futuro próximo, você vai estar em sérios problemas.
POR FAVOR, FAÇA - Não é uma frase, é uma oferta. Uma mulher está te dando a chance para vir com quaisquer desculpas ou razões por você ter feito o que quer que seja. Você tem uma chance satisfatória neste momento com a verdade, então tenha cuidado e você não deve levar um "Tudo bem", ou estará perdido para sempre.
OBRIGADA - Uma mulher está te agradecendo. Não desmaie !!! Apenas diga "de nada".
MUITO OBRIGADA - Isto é muito diferente de "Obrigada". Uma mulher irá dizer "Muito Obrigada" quando ela está fula da vida com você. Siginifica que você a ofendeu de um modo insensato, e será seguido de um "Suspiro Alto". Cuidado para não perguntar o que há de errado após um "Suspiro Alto", pois ela irá dizer (certamente) um "Nada"
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Me ajudem com o título do meu TCC, por favor?
Aqui estão algumas idéias para o título do meu TCC. (isso aqui tá mais pra zoação, mas quem sabe serve?) O tema é: O ocultamento da morte nas sociedades modernas...
Eu inventei alguns, aqui está a lista... Comentem e, se tiverem mais alguma idéia, me ajudem a aumentar a lista!
1. O paradigma da morte frente a angustia humana
2. A morte de Deus e a morte do homem moderno
3. A morte de Deus, do homem e da razão
4. Para além da passagem
5. Da inexistência ou: da finitude da existência
6. A adaga translúcida da morte
7. Morte e vida translúcidas
8. Morrimento
9. Morridade
10. Morreção
11. Coquetel com a morte
12. Drink com a morte
13. Sorvete com a morte
14. Genealogia da morte
15. Discursos da morte
16. Bate papo com a morte
17. Chat mortal
18. Morte
19. Todos morrem!
20. Já era...
21. Virgem Maria
22. Virge mãe
23. Vixi
24. Ixi.
25. Putz
26. Fudeu!
27. A morte da morte
28. A morte está morta!
29. A morte enforcada
30. A morte decapitada
31. A morte escondida
32. Dança Macabra
33. Nós, que aqui estamos, por vós esperamos!
34. Caixão filosófico
35. A morte da metafísica
36. Metafísica da morte
37. Meta a faca física nele!
38. Meta ele num caixão físico!
39. Mate o físico com a faca que está no caixão!
40. Atirei o pau no gato e ele morreu, eu, eu!
41. Morte e tragicidade: ou vermes lúgubres
42. Putrefação filosófica.
43. Encarando a morte nos olhos
44. Encarando a morte na cara
45. Cara a cara com a morte
46. Queda de braço com a morte
47. Bang-bang mortal
48. Mortal Kombat!
49. A morte acaba com a nossa vida!
50. A morte brigou com a vida debaixo de uma sacada...
51. Death, the dark nigh.
52. Eu sei o que vocês fizeram com a morte no verão passado!
53. Férias atrapalhadas no Hades
54. Quem vai ficar com a Morte?
55. Entrevista com a Morte
56. Lambada: a dança da morte.
57. M de morte
58. Mortrix
59. Código da morcci
60. A ilha da morte perdida
61. Jurassic mort
62. Esqueceram da morte 1
63. Esqueceram da morte 2
64. Esqueceram da morte 3
65. A morte sem fim
66. Ensaio sobre a morte
67. Evangelho da morte
68. A morte lhe cai bem
69. Morte no deserto
70. A paixão da morte
71. Morte no gelo
72. Corra, que a Morte vem aí!
73. Morte súbita
74. Dormindo com a morte.
75. 2012
76. O nada
77. O vazio
78. Zero
79. Fome
80. Fome zero
81. Morrer ou não morrer, eis a questão
82. Sorria, a morte está te filmando
83. Da morte ou: como as pessoas se fodem e tomam no cú.
Eu inventei alguns, aqui está a lista... Comentem e, se tiverem mais alguma idéia, me ajudem a aumentar a lista!
1. O paradigma da morte frente a angustia humana
2. A morte de Deus e a morte do homem moderno
3. A morte de Deus, do homem e da razão
4. Para além da passagem
5. Da inexistência ou: da finitude da existência
6. A adaga translúcida da morte
7. Morte e vida translúcidas
8. Morrimento
9. Morridade
10. Morreção
11. Coquetel com a morte
12. Drink com a morte
13. Sorvete com a morte
14. Genealogia da morte
15. Discursos da morte
16. Bate papo com a morte
17. Chat mortal
18. Morte
19. Todos morrem!
20. Já era...
21. Virgem Maria
22. Virge mãe
23. Vixi
24. Ixi.
25. Putz
26. Fudeu!
27. A morte da morte
28. A morte está morta!
29. A morte enforcada
30. A morte decapitada
31. A morte escondida
32. Dança Macabra
33. Nós, que aqui estamos, por vós esperamos!
34. Caixão filosófico
35. A morte da metafísica
36. Metafísica da morte
37. Meta a faca física nele!
38. Meta ele num caixão físico!
39. Mate o físico com a faca que está no caixão!
40. Atirei o pau no gato e ele morreu, eu, eu!
41. Morte e tragicidade: ou vermes lúgubres
42. Putrefação filosófica.
43. Encarando a morte nos olhos
44. Encarando a morte na cara
45. Cara a cara com a morte
46. Queda de braço com a morte
47. Bang-bang mortal
48. Mortal Kombat!
49. A morte acaba com a nossa vida!
50. A morte brigou com a vida debaixo de uma sacada...
51. Death, the dark nigh.
52. Eu sei o que vocês fizeram com a morte no verão passado!
53. Férias atrapalhadas no Hades
54. Quem vai ficar com a Morte?
55. Entrevista com a Morte
56. Lambada: a dança da morte.
57. M de morte
58. Mortrix
59. Código da morcci
60. A ilha da morte perdida
61. Jurassic mort
62. Esqueceram da morte 1
63. Esqueceram da morte 2
64. Esqueceram da morte 3
65. A morte sem fim
66. Ensaio sobre a morte
67. Evangelho da morte
68. A morte lhe cai bem
69. Morte no deserto
70. A paixão da morte
71. Morte no gelo
72. Corra, que a Morte vem aí!
73. Morte súbita
74. Dormindo com a morte.
75. 2012
76. O nada
77. O vazio
78. Zero
79. Fome
80. Fome zero
81. Morrer ou não morrer, eis a questão
82. Sorria, a morte está te filmando
83. Da morte ou: como as pessoas se fodem e tomam no cú.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Vamos sentir sua falta, Reinaldo!!!
Na madrugada do dia 28 de março de 2010, perdemos mais um de nossos amigos. Não era um amigo qualquer, era um daqueles amigos em quem se pode confiar extremamente, um daqueles que se encontra de repente, e nunca mais se acha igual, um tipo de amigo que a gente conta nos dedos de uma mão.
Ele era cristão, dedicado à igreja, principalmente à música e ao coral, dava “o sangue” por aquilo que ele fazia, mas não era fanático, nem fundamentalista, muito menos fazia julgamentos sem antes analisar bem os fatos. Sempre que conversamos sobre assuntos delicados e polêmicos se esforçava para me ouvir atentamente e só depois dar alguma opinião, mas sempre foi muito respeitador de idéias diferentes das que ele possuía.
Deus deveria estar muito satisfeito com ele, com suas obras, com sua dedicação...
Mas, enquanto regressava de uma viagem, o Reinaldo sofreu um acidente trágico e fatal.
No domingo, logo pela manhã, me avisaram do acidente, fiquei pasmo, mas como toda a reação inicial é a de negação, a minha não foi diferente. Não podia aceitar que ele tinha morrido de forma tão absurda. Um cara saudável, guerreiro como ele não podia ter uma morte assim, pensei. Organizaram uma caravana na igreja Assembléia de Deus do bairro Três Marias, pois o corpo (ou pelo menos o que restou do corpo) dele seria levado para São Paulo, onde seus familiares o aguardavam.
O Reinaldo morou em Taubaté grande parte do tempo, tinha 43 anos acho, era sargento do exército, trabalhava com helicópteros e era muito respeitado pela maioria das pessoas, uma grande maioria.
Quando chegamos em São Paulo, na igreja onde já estava o caixão lacrado com o corpo do Reinaldo, percebemos a quantidade de pessoas dentro e fora da igreja. Entrei na igreja e fiquei sem conseguir acreditar que era o velório de uma pessoa que há pouquíssimo tempo estava sorridente na casa da Eunice (grande amiga minha e regente do coral de uma igreja que eu freqüentava), contando seus próximos planos para a Cantata de Natal deste ano. No ano passado eu participei da Cantata que ele organizou, acompanhando o coral que ele regia ao piano.
Ele também sempre me chamava para gravar algum play back na igreja e me pagava pelos dias que eu fazia isto com o dinheiro do próprio bolso. Conversávamos sempre sobre educação, conhecimento, religiosidade, problemas administrativos da igreja, problemas de doutrinas e dogmas da igreja também. Uma vez fui na casa dele para editar o play back que havíamos feito, ele me ofereceu peixe pra comer, é uma lembrança boa que eu tenho deste dia. Lembro de entrar na sala e ficar observando os livros que estavam dispostos na estante. Ele tinha alguns livros da coleção “os pensadores”, alguns livros de poesia grega e outros de literatura que também eram muito bons. Percebi que ele não era nem um pouco ignorante, ele pesquisava, estudava, lia muito e era aberto a discussões.
Foi pouco o tempo que tive para conhecer o Reinaldo, mais ou menos um ano ou pouco mais. Só que neste pouco tempo eu tive o privilégio de tê-lo como amigo. Certa vez ele me levou pra tocar numa igreja em Caçapava, num coral que era 100 vezes melhor e mais afinado que o coral da Escola Fêgo Camargo. Depois do culto iriam fazer uma festa num sítio só para a turma daquela igreja. O Reinaldo, então, me levou junto, me apresentou a galerinha de lá, comi um churrasco super delicioso, me diverti à beça, dei muita risada com o povo de lá. Lembro também que fizeram um sorteio, pegamos os números do sorteio e ficamos torcendo. Eu fiquei reclamando que não tinha sorte, blábláblá – como sempre, né?... O Reinaldo ficou só rindo da minha cara. Aí, depois de muito tempo, ele já tinha perdido a esperança de ganhar alguma coisa. Eu ri da cara dele nessa parte! Hahaha. Já no finalzinho, porém, alguém fala o número que estava com ele. Foi só risada. Puxa, é muito triste saber que não vamos mais rir junto com ele, nem o ouvir cantando – e tinha um vozeirão que só, viu?! Tocava trompete que era uma beleza.
Lá dentro da igreja, no velório, eu e o Marcelo (filho da Eunice) estávamos “morrendo” de fome, então fomos procurar algo pra comer. Um irmão que era membro daquela igreja nos chamou para a os fundos e as irmãs da cozinha nos serviram uma deliciosa sopa. Foi então que uma delas me contou como foi exatamente o acidente. Disse que um caminhão o arrastou junto com sua moto por mais de 100 metros na Dutra. Somente os amigos dele do exército é que viram o corpo, e contaram que o corpo dele estava destruído completamente, deformado. Tanto que acharam por bem não deixar nem mesmo os familiares ver o corpo dele. Lacraram com parafusos o caixão e não pudemos ver nem o rosto dele.
Eu fico me perguntando se foi justo ou não, mas não há uma Justiça ou Ordem que controlem as coisas. Como diria Schopenhauer, a natureza é indiferente à nossa existência, vivemos no pior dos mundos possíveis, e nossa vida não passa de um sonho etéreo entre dois espaços vazios, o vazio antes de existirmos e o vazio que vem depois da morte.
E quanta tristeza eu sinto hoje por saber que o Reinaldo morreu, que eu vou morrer e que todos os meus amigos e amigas também vão morrer, e que também os que eu não gosto ou não conheço morrerão, e também meus familiares e todos quanto vivem e existem terão um fim. E chego à conclusão de que cada um carrega seu próprio destino desde que é concebido: a sua própria morte. É um destino, sim, uma angústia e um absurdo para nós humanos... Se ao menos pudéssemos ser como todos os outros animais que não pensam sua própria morte...
Temos um grande presente de deus, da seleção natural ou do possível demônio que a tudo criou: todos nós morremos como todos os outros animais, mas somos os únicos que podem sofrer por antecipação a nossa morte e a morte dos outros dos outros!
Se já não bastasse o vazio da nossa existência, o absurdo de ter vindo ao mundo sem mesmo ter pedido isso, acrescentado pela nossa capacidade de saber da nossa morte mesmo sem poder conhecer se morreremos hoje, amanhã ou daqui a dois anos, na medida em que vão morrendo os outros, os nossos amigos e familiares... O vazio se torna um ainda maior e não podemos fazer nada para preencher este vazio.
Por mais que os esforços da religião, da arte e de toda a ciência e sabedoria humana sejam direcionados para este propósito... Ao se deparar com a morte todos os esforços se desfazem, resta apenas aceitar nosso destino, nossa tragédia de existir!
Ele era cristão, dedicado à igreja, principalmente à música e ao coral, dava “o sangue” por aquilo que ele fazia, mas não era fanático, nem fundamentalista, muito menos fazia julgamentos sem antes analisar bem os fatos. Sempre que conversamos sobre assuntos delicados e polêmicos se esforçava para me ouvir atentamente e só depois dar alguma opinião, mas sempre foi muito respeitador de idéias diferentes das que ele possuía.
Deus deveria estar muito satisfeito com ele, com suas obras, com sua dedicação...
Mas, enquanto regressava de uma viagem, o Reinaldo sofreu um acidente trágico e fatal.
No domingo, logo pela manhã, me avisaram do acidente, fiquei pasmo, mas como toda a reação inicial é a de negação, a minha não foi diferente. Não podia aceitar que ele tinha morrido de forma tão absurda. Um cara saudável, guerreiro como ele não podia ter uma morte assim, pensei. Organizaram uma caravana na igreja Assembléia de Deus do bairro Três Marias, pois o corpo (ou pelo menos o que restou do corpo) dele seria levado para São Paulo, onde seus familiares o aguardavam.
O Reinaldo morou em Taubaté grande parte do tempo, tinha 43 anos acho, era sargento do exército, trabalhava com helicópteros e era muito respeitado pela maioria das pessoas, uma grande maioria.
Quando chegamos em São Paulo, na igreja onde já estava o caixão lacrado com o corpo do Reinaldo, percebemos a quantidade de pessoas dentro e fora da igreja. Entrei na igreja e fiquei sem conseguir acreditar que era o velório de uma pessoa que há pouquíssimo tempo estava sorridente na casa da Eunice (grande amiga minha e regente do coral de uma igreja que eu freqüentava), contando seus próximos planos para a Cantata de Natal deste ano. No ano passado eu participei da Cantata que ele organizou, acompanhando o coral que ele regia ao piano.
Ele também sempre me chamava para gravar algum play back na igreja e me pagava pelos dias que eu fazia isto com o dinheiro do próprio bolso. Conversávamos sempre sobre educação, conhecimento, religiosidade, problemas administrativos da igreja, problemas de doutrinas e dogmas da igreja também. Uma vez fui na casa dele para editar o play back que havíamos feito, ele me ofereceu peixe pra comer, é uma lembrança boa que eu tenho deste dia. Lembro de entrar na sala e ficar observando os livros que estavam dispostos na estante. Ele tinha alguns livros da coleção “os pensadores”, alguns livros de poesia grega e outros de literatura que também eram muito bons. Percebi que ele não era nem um pouco ignorante, ele pesquisava, estudava, lia muito e era aberto a discussões.
Foi pouco o tempo que tive para conhecer o Reinaldo, mais ou menos um ano ou pouco mais. Só que neste pouco tempo eu tive o privilégio de tê-lo como amigo. Certa vez ele me levou pra tocar numa igreja em Caçapava, num coral que era 100 vezes melhor e mais afinado que o coral da Escola Fêgo Camargo. Depois do culto iriam fazer uma festa num sítio só para a turma daquela igreja. O Reinaldo, então, me levou junto, me apresentou a galerinha de lá, comi um churrasco super delicioso, me diverti à beça, dei muita risada com o povo de lá. Lembro também que fizeram um sorteio, pegamos os números do sorteio e ficamos torcendo. Eu fiquei reclamando que não tinha sorte, blábláblá – como sempre, né?... O Reinaldo ficou só rindo da minha cara. Aí, depois de muito tempo, ele já tinha perdido a esperança de ganhar alguma coisa. Eu ri da cara dele nessa parte! Hahaha. Já no finalzinho, porém, alguém fala o número que estava com ele. Foi só risada. Puxa, é muito triste saber que não vamos mais rir junto com ele, nem o ouvir cantando – e tinha um vozeirão que só, viu?! Tocava trompete que era uma beleza.
Lá dentro da igreja, no velório, eu e o Marcelo (filho da Eunice) estávamos “morrendo” de fome, então fomos procurar algo pra comer. Um irmão que era membro daquela igreja nos chamou para a os fundos e as irmãs da cozinha nos serviram uma deliciosa sopa. Foi então que uma delas me contou como foi exatamente o acidente. Disse que um caminhão o arrastou junto com sua moto por mais de 100 metros na Dutra. Somente os amigos dele do exército é que viram o corpo, e contaram que o corpo dele estava destruído completamente, deformado. Tanto que acharam por bem não deixar nem mesmo os familiares ver o corpo dele. Lacraram com parafusos o caixão e não pudemos ver nem o rosto dele.
Eu fico me perguntando se foi justo ou não, mas não há uma Justiça ou Ordem que controlem as coisas. Como diria Schopenhauer, a natureza é indiferente à nossa existência, vivemos no pior dos mundos possíveis, e nossa vida não passa de um sonho etéreo entre dois espaços vazios, o vazio antes de existirmos e o vazio que vem depois da morte.
E quanta tristeza eu sinto hoje por saber que o Reinaldo morreu, que eu vou morrer e que todos os meus amigos e amigas também vão morrer, e que também os que eu não gosto ou não conheço morrerão, e também meus familiares e todos quanto vivem e existem terão um fim. E chego à conclusão de que cada um carrega seu próprio destino desde que é concebido: a sua própria morte. É um destino, sim, uma angústia e um absurdo para nós humanos... Se ao menos pudéssemos ser como todos os outros animais que não pensam sua própria morte...
Temos um grande presente de deus, da seleção natural ou do possível demônio que a tudo criou: todos nós morremos como todos os outros animais, mas somos os únicos que podem sofrer por antecipação a nossa morte e a morte dos outros dos outros!
Se já não bastasse o vazio da nossa existência, o absurdo de ter vindo ao mundo sem mesmo ter pedido isso, acrescentado pela nossa capacidade de saber da nossa morte mesmo sem poder conhecer se morreremos hoje, amanhã ou daqui a dois anos, na medida em que vão morrendo os outros, os nossos amigos e familiares... O vazio se torna um ainda maior e não podemos fazer nada para preencher este vazio.
Por mais que os esforços da religião, da arte e de toda a ciência e sabedoria humana sejam direcionados para este propósito... Ao se deparar com a morte todos os esforços se desfazem, resta apenas aceitar nosso destino, nossa tragédia de existir!
quinta-feira, 11 de março de 2010
Sonho de liberdade...

Hoje eu fui até Campos do Jordão com minha prima Mayara (ela iria fazer uma entrevista para conseguir um emprego).
Depois de esperarmos trocentas horas pela entrevista que não ocorreu, entramos no ônibus para voltarmos para casa.
Entrei no ônibus lotado, me sentei perto de um senhor. Ele estava de chapéu na cabeça, tinha as mãos bem calejadas de trabalho pesado certamente, a pele do rosto já um pouco enrugada, mas com uma aparência de gente forte, de gente que é calejada não só nas mãos.
Aquele senhor puxou conversa comigo. Ficamos conversando a viagem toda até Taubaté, ele seguiria até São José dos Campos.
Eu tive o privilégio de somente ouvir as experiências, aventuras e histórias daquele senhor de chapéu. Fiquei admirado com a coragem dele de enfrentar os obstáculos da vida e assumir toda a responsabilidade de suas ações, das consequências dela e do rumo que ele escolheu.
Ele contava para mim que havia se despedido mais uma vez de seu irmão. Era recente ainda a sensação da despedida, uma das piores sensações (seguida da saudade, coisa que vem logo depois). Me contou que ficara 90 dias na casa de seu irmão ali em Campos do Jordão. Mas ele sentiu que já era hora de ir embora.
Perguntei onde morava, mas ele respondeu sorrindo:
"Eu ponho meu chapéu na cabeça, entro num ônibus e vou para onde quero ir. Eu nasci em Minas Gerais, mas faz muito tempo que moro aqui e ali."
Fiquei embasbacado. O cara é um existencialista e um espírito livre... é em prática, não em teoria!
Perguntei, então, como ele fazia para se sustentar, já que nesta bosta de sistema capitalista, nada mais se faz sem dinheiro.
Ele respondeu que trabalha cortando madeira e em mais alguma coisa que não me lembro. Ele vai de cidade em cidade, trabalha ganha o que tem de ganhar para se sustentar e isso é o suficiente para ele ser feliz.
Contou que conheceu pessoas de vários estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas entre outros. Tem amigos em vários lugares, e na maioria ele não paga nada, pois as pessoas lhe oferecem estadia durante o tempo em que fica em tal ou tal cidade.
Me contava tabmém que passa fome às vezes, mas que não pede emprestado nada para ninguém (mesmo sabendo que há um monte de amigos que podem lhe ajudar), pois, dizia ele, "sou um cara orgulhoso..."
Eu pensei: "Putz, esse cara é um paradigma! Ele tem o brilho da vontade de liberdade nos olhos. Nenhum laço afetivo tão grande que possa prendê-lo, nenhuma dívida com ninguém, nenhum "tu deves" em forma de nuvem o perseguindo."
O nome dele, Benedito. Talvez nunca mais eu o veja, mas sempre me lembrarei desta rica conversa que tive com ele, e de como ele me influenciou, de como tudo o que ele disse foi o que eu sempre quis fazer, e que, talvez por comodismo, talvez por falta de coragem, eu, até agora, nunca fiz.
Vi que é possível viver "para além do capitalismo" mesmo estando no capitalismo. Quer dizer, ainda não é possivel estar fora deste sistema absurdamente paradoxal, mas é possível viver de forma mais digna, com atitudes de resistência, consumindo apenas o necessário para viver, diminuindo ao máximo o consumo... Mas é preciso ter coragem, não se pode ter medo nem frescuras nem medo.
Quem sabe um dia... Quem sabe um dia eu consiga me libertar de todas as regras e vá construir as minhas próprias? Não sei.
Pra quem assistiu o filme "Na Natureza Selvagem" (indico esse filme pra todo mundo, pois é um dos melhores filmes que já assisti), sabe como foi a vida do personagem principal e as escolhas que ele tomou... Quem sabe um dia eu tenha coragem suficiente para agir assim...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Somos agentes de nossa própria história!
Antes de refletir sobre quaisquer ações que possam sanar/minimizar a desvalorização do ser humano perante as socieades modernas, sinto necessidade de chamar Hobbes para me ajudar. Segundo Hobbes, a injustiça e a desigualdade entre os homens só aparece exatamente no momento em que os homens se unem para formar uma sociedade. Formando uma sociedade, com regras sociais e hierarquia é que surge também o elemento "poder".
Os seres humanos, então, na visão de Hobbes, se juntam em comunidade inicialmente por causa do medo da carnificina mútua, da violência constante da natureza e da total imprevisibilidade sob qualquer aspecto da vida.
A sociedade industrial afastou os indivíduos uns dos outros por meio da divisão do trabalho, da especialização e da técnica. Não há como separar, a forma de produção e de trabalho de cada sociedade influem diretamente nas relações sociais dos indivíduos.
As relações humanas estão totalmente embebidas dos ideais de mercado. Assim como as mercadorias não possuem mais uma história, também nós não temos direito a uma história. Somos também mercadorias nas prateleiras, temos rótulos e estamos expostos diante das empresas e/ou agências de emprego.
Uma mercadoria só se relaciona com a outra por meio de categorias de utilidade, preço e lucratividade. Também os homens são submetidos às mesmas normas. Já não somos indivíduos, somos "dividuos"...
Vivemos em comunidade, mas estamos todos afastados uns dos outros e nossas relações estão todas marcadas pela exploração do mercado.
Este afastamento mascarado nos desumaniza, pois é exatamente no contato com o outro que também podemos nos conhecer, conhecendo o outro conhecemo-nos a nós mesmos.
Parece, entretanto, que nossas mãos estão amarradas. E por mais que as aparências nos enganem, esta imagem não nos sai da mente, quer dizer, todas as ações realizadas, todas as práticas e atitudes direcionadas a tentativas de tornar o homem homem novamente, humano novamente, portador e sujeito de sua própria história... Parece que todas estas ações estão presas ao sistema de tal forma que não é possível pensar nada para além dele. Isto significa que por mais que nós odiemos o sistema, por mais que assumamos suas contradições e seus pontos negativos, ele está entranhado no nosso pensamento tão forte que não conseguimos pensar nada além do capitalismo ou fora dele. Isto é muito triste.
Resta, portanto, pensar ações dentro do capitalismo... É o mesmo que um escravo ter que reconhecer que jamais poderá ser livre e, por isso, deverá aceitar sua condição (condicionamento) de escravo e pensar modos de vida dentro de sua escravidão.
Que seja!
Nossas atitudes, então, deveriam ser canalizadas ao máximo para resgatar o contato direto com o outro, resgatar a alteridade, a interdependência dos sujeitos e suas histórias. Devemos buscar meios de tornar cada sujeito dono de sua própria história, providenciar os instrumentos corretos para que ele, com suas capacidades, possa transformar primeiramente seu próprio mundo e sua própria história. Quer dizer, devemos educar os individuos para que permaneçam como individuos, ou seja, não-reduzidos, não fragmentados, não-atomizados. E, penso eu (pensam também outros, acredito), a educação seja um dos poucos subterfúgios que temos ao alcance das mãos para mudar alguma ou pouca coisa na sociedade moderna. Mesmo que o resultado deste tipo de educação seja apenas o de fazer com que as pessoas se conscientizem de sua condição dentro do sistema. Apenas isso já é um grande passo.
Homens, hoje, são como elefantes presos a uma corrente. Os elefantes não sabem da força que possuem, por isso não arrebentam suas correntes...
Os seres humanos, então, na visão de Hobbes, se juntam em comunidade inicialmente por causa do medo da carnificina mútua, da violência constante da natureza e da total imprevisibilidade sob qualquer aspecto da vida.
A sociedade industrial afastou os indivíduos uns dos outros por meio da divisão do trabalho, da especialização e da técnica. Não há como separar, a forma de produção e de trabalho de cada sociedade influem diretamente nas relações sociais dos indivíduos.
As relações humanas estão totalmente embebidas dos ideais de mercado. Assim como as mercadorias não possuem mais uma história, também nós não temos direito a uma história. Somos também mercadorias nas prateleiras, temos rótulos e estamos expostos diante das empresas e/ou agências de emprego.
Uma mercadoria só se relaciona com a outra por meio de categorias de utilidade, preço e lucratividade. Também os homens são submetidos às mesmas normas. Já não somos indivíduos, somos "dividuos"...
Vivemos em comunidade, mas estamos todos afastados uns dos outros e nossas relações estão todas marcadas pela exploração do mercado.
Este afastamento mascarado nos desumaniza, pois é exatamente no contato com o outro que também podemos nos conhecer, conhecendo o outro conhecemo-nos a nós mesmos.
Parece, entretanto, que nossas mãos estão amarradas. E por mais que as aparências nos enganem, esta imagem não nos sai da mente, quer dizer, todas as ações realizadas, todas as práticas e atitudes direcionadas a tentativas de tornar o homem homem novamente, humano novamente, portador e sujeito de sua própria história... Parece que todas estas ações estão presas ao sistema de tal forma que não é possível pensar nada para além dele. Isto significa que por mais que nós odiemos o sistema, por mais que assumamos suas contradições e seus pontos negativos, ele está entranhado no nosso pensamento tão forte que não conseguimos pensar nada além do capitalismo ou fora dele. Isto é muito triste.
Resta, portanto, pensar ações dentro do capitalismo... É o mesmo que um escravo ter que reconhecer que jamais poderá ser livre e, por isso, deverá aceitar sua condição (condicionamento) de escravo e pensar modos de vida dentro de sua escravidão.
Que seja!
Nossas atitudes, então, deveriam ser canalizadas ao máximo para resgatar o contato direto com o outro, resgatar a alteridade, a interdependência dos sujeitos e suas histórias. Devemos buscar meios de tornar cada sujeito dono de sua própria história, providenciar os instrumentos corretos para que ele, com suas capacidades, possa transformar primeiramente seu próprio mundo e sua própria história. Quer dizer, devemos educar os individuos para que permaneçam como individuos, ou seja, não-reduzidos, não fragmentados, não-atomizados. E, penso eu (pensam também outros, acredito), a educação seja um dos poucos subterfúgios que temos ao alcance das mãos para mudar alguma ou pouca coisa na sociedade moderna. Mesmo que o resultado deste tipo de educação seja apenas o de fazer com que as pessoas se conscientizem de sua condição dentro do sistema. Apenas isso já é um grande passo.
Homens, hoje, são como elefantes presos a uma corrente. Os elefantes não sabem da força que possuem, por isso não arrebentam suas correntes...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Gira-gira, mundo!
Acabei de olhar para o céu e encontrei uma grande amiga, a quem já não via fazia um bom tempo: a lua!
Deitei meu corpo no chão e permaneci extasiado, admirando, contemplando a lua, as estrelas e o grande lençol azul escuro acima de todos nós.
Eu me senti saudável, me senti bem, me senti sublimado.
Desde que o homem é homem, os olhos dos homens sempre se focaram para cima.
Parece que quase mais ninguém olha para o céu - pelo menos não param para apenas admirá-lo, apenas experimentar as suas cores, nuances, sombras e mistérios...
E, nós, que olhamos daqui, nós, os humanos, olhamos o céu e temos a impressão que ele está se movendo, mas somos nós que giramos sem perceber. E de quantos ângulos, então, podemos olhar o céu... Mas nenhum deles nós aproveitamos, simplesmente preferimos viver como porquinhos de cabeça para baixo.
Ouse olhar para o céu hoje ou amanhã apenas para se surpreender com a beleza, com o espaço.
Deitei meu corpo no chão e permaneci extasiado, admirando, contemplando a lua, as estrelas e o grande lençol azul escuro acima de todos nós.
Eu me senti saudável, me senti bem, me senti sublimado.
Desde que o homem é homem, os olhos dos homens sempre se focaram para cima.
Parece que quase mais ninguém olha para o céu - pelo menos não param para apenas admirá-lo, apenas experimentar as suas cores, nuances, sombras e mistérios...
E, nós, que olhamos daqui, nós, os humanos, olhamos o céu e temos a impressão que ele está se movendo, mas somos nós que giramos sem perceber. E de quantos ângulos, então, podemos olhar o céu... Mas nenhum deles nós aproveitamos, simplesmente preferimos viver como porquinhos de cabeça para baixo.
Ouse olhar para o céu hoje ou amanhã apenas para se surpreender com a beleza, com o espaço.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Atitude Crítica e um negócico de nada de esperança!!!
Eu gosto desta palavra: CRISE.
“A origem filológica (etimológica, se preferir) dessa palavra provém do sânscrito, que é "KRI", e significa limpar, desembaraçar e purificar. Crisol e acrisolar guardam o sentido originário do sânscrito. De crise vem também "critério" que designa a medida pela qual dis-cri-minamos e separamos o autêntico do inautêntico”. (O que está entre aspas eu retirei de um texto que estudamos no 1° ano de filosofia, o autor é leonardo boff, mas perdi as referências do texto.)
As palavras criticar e crítica também estão relacionados a KRI. Por isso, uma pessoa que critica não é exatamente uma pessoa negativa, uma pessoa que se autodenomine crítica, deve ser alguém que saiba separar coisas, fazer cisões, possibilitar o questionamento. Criticar, seguindo neste contexto, não é “descer a lenha”. É óbvio que uma pessoa que age criticamente, na maioria das vezes, é considerada negativa, justamente por não concordar facilmente com tudo, por não aceitar qualquer tranqueira que empurrem “goela a baixo” Criticar é quase o mesmo que questionar, está mais para uma atitude semelhante a de um ourives mesmo, quer dizer, retirar de tal substância tais elementos para purificá-lo (não se interprete, porém “purificar” no sentido religioso.).
A crise, no seu sentido original tende a implicar mudança, ruptura, separação. Esse é seu significado mais acertado.
Podemos interpretar a crise de várias formas. Uma delas é a que está relacionada aos paradigmas construídos, quer dizer, os modelos, quando se tornam hegemônicos tendem sempre a entrar em crise, pois não dão conta de abarcar a mutação do tempo, não respondem mais às necessidades da época.
Crise, neste contexto, é um sinal de esgotamento de uma ordem (kosmos), de um conjunto de idéias, de um projeto social, de um conjunto de práticas, de um modo de ver, de um projeto existencial e até mesmo de uma ética, de valores morais aceitos até então.
As idéias, as teorias e as crenças são a base estrutural de um paradigma, logo, quando se entra em crise, o pensamento é a primeira estrutura a se romper, a sofrer a ruptura.
Falando em tempo estamos, por conseqüência, falando de crise, pois o tempo é um contínuo devir, um movimento de ser e deixar de ser. Quando se é, logo se deixa de ser, ou seja, o presente imediato é um instante absurdo que logo que surge também desaparece (e é exatamente neste presente imediato que a vida se configura).
A melhor comparação para o devir do tempo, da vida e também da nossa existência é o de Heráclito. Uma pessoa entra no rio em determinado lugar e molha seus pés na água, esta pessoa sai e volta depois para lavar os pés no rio de novo, mas ao entrar no rio, no mesmo lugar que antes, as águas já não são as mesmas. Tudo flui...
Todos nós seguimos um paradigma, um modelo que, querendo ou não, pode se tornar hegemônico. E logo que se torna hegemônico tende também a entrar em crise e precisa ser reformulado, às vezes destruído completamente para se criar coisa nova. A partir da crise que se experimenta, é que se pode tomar uma atitude, agir.
Chegamos à conclusão de que a crise em si mesma nunca é boa nem má, pois o que será bom ou mau é a ação que o sujeito tomará após a experimentação da crise. O que será julgado como bom ou mau são as suas escolhas.
Uma crise existencial é aquela que está ligada diretamente a questões básicas da existência humana, isto é, de onde viemos, por que viemos, para onde vamos ou se temos que ir mesmo pra algum lugar, se existe um sentido pronto (pré-dado) da vida, se somos nós os construtores do sentido da vida, da responsabilidade das nossas ações no mundo etc... (Aí vai uma lista imensa de coisas que se relacionam ao âmbito existencial)
Quando alguém entra em crise existencial, é por que ela se questionou, ou foi impelida a questionar-se sobre sua própria existência no mundo, seu significado no mundo.
Eu penso que este tipo de crise deveria ocorrer a todas as pessoas, pois somente através desta crise é que se conquista liberdade e autonomia de pensamento, é só assim que uma pessoa deixa de ser escrava das circunstâncias e começa a agir (práxis) com suas próprias ferramentas para mudar o ambiente ao seu redor e não apenas deixar-se entregue às suas influências.
Um homem ou mulher que sofreu a maravilhosa experiência de uma crise existencial consegue enxergar a vida de um modo mais saudável e não precisa apelar a subterfúgios exteriores para se ajudar ou para ser feliz.
Diante de uma crise nós também temos que fazê-la. Não é deus, nem sua mãe, pai, tio, tia, amigo, irmão, namorado ou namorada quem faz a escolha, todas as escolhas que dizem respeito à sua existência são apenas suas.
Por isso que se diz que existir é uma angústia, pois estamos entregues no abandono das nossas escolhas. Esta angústia, porém, não é uma angústia como entende o senso comum, é uma angústia que impele para o crescimento, é uma angústia apodítica, necessária para o desenvolvimento dos seres (se uma pessoa depois de viver uma crise não crescer, foi por que escolheu não crescer e a responsabilidade é toda sua, não há bodes expiatórios).
Não fosse assim, uma lagarta jamais se transformaria em borboleta, a não ser que ela superasse o momento daquela crise em seu casulo, apenas assim pode tornar-se nova criatura, novo ser.
Crise é algo inevitável para a perpetuação da vida, para a construção de novos conhecimentos, pois através da ruptura de um saber, de um conhecimento, de um paradigma é que se constroem novos saberes, novos conhecimentos, novos paradigmas.
Enfim, o grande desafio que temos na nossa existência é essa: "Torna-te naquilo que tu és!"
“A origem filológica (etimológica, se preferir) dessa palavra provém do sânscrito, que é "KRI", e significa limpar, desembaraçar e purificar. Crisol e acrisolar guardam o sentido originário do sânscrito. De crise vem também "critério" que designa a medida pela qual dis-cri-minamos e separamos o autêntico do inautêntico”. (O que está entre aspas eu retirei de um texto que estudamos no 1° ano de filosofia, o autor é leonardo boff, mas perdi as referências do texto.)
As palavras criticar e crítica também estão relacionados a KRI. Por isso, uma pessoa que critica não é exatamente uma pessoa negativa, uma pessoa que se autodenomine crítica, deve ser alguém que saiba separar coisas, fazer cisões, possibilitar o questionamento. Criticar, seguindo neste contexto, não é “descer a lenha”. É óbvio que uma pessoa que age criticamente, na maioria das vezes, é considerada negativa, justamente por não concordar facilmente com tudo, por não aceitar qualquer tranqueira que empurrem “goela a baixo” Criticar é quase o mesmo que questionar, está mais para uma atitude semelhante a de um ourives mesmo, quer dizer, retirar de tal substância tais elementos para purificá-lo (não se interprete, porém “purificar” no sentido religioso.).
A crise, no seu sentido original tende a implicar mudança, ruptura, separação. Esse é seu significado mais acertado.
Podemos interpretar a crise de várias formas. Uma delas é a que está relacionada aos paradigmas construídos, quer dizer, os modelos, quando se tornam hegemônicos tendem sempre a entrar em crise, pois não dão conta de abarcar a mutação do tempo, não respondem mais às necessidades da época.
Crise, neste contexto, é um sinal de esgotamento de uma ordem (kosmos), de um conjunto de idéias, de um projeto social, de um conjunto de práticas, de um modo de ver, de um projeto existencial e até mesmo de uma ética, de valores morais aceitos até então.
As idéias, as teorias e as crenças são a base estrutural de um paradigma, logo, quando se entra em crise, o pensamento é a primeira estrutura a se romper, a sofrer a ruptura.
Falando em tempo estamos, por conseqüência, falando de crise, pois o tempo é um contínuo devir, um movimento de ser e deixar de ser. Quando se é, logo se deixa de ser, ou seja, o presente imediato é um instante absurdo que logo que surge também desaparece (e é exatamente neste presente imediato que a vida se configura).
A melhor comparação para o devir do tempo, da vida e também da nossa existência é o de Heráclito. Uma pessoa entra no rio em determinado lugar e molha seus pés na água, esta pessoa sai e volta depois para lavar os pés no rio de novo, mas ao entrar no rio, no mesmo lugar que antes, as águas já não são as mesmas. Tudo flui...
Todos nós seguimos um paradigma, um modelo que, querendo ou não, pode se tornar hegemônico. E logo que se torna hegemônico tende também a entrar em crise e precisa ser reformulado, às vezes destruído completamente para se criar coisa nova. A partir da crise que se experimenta, é que se pode tomar uma atitude, agir.
Chegamos à conclusão de que a crise em si mesma nunca é boa nem má, pois o que será bom ou mau é a ação que o sujeito tomará após a experimentação da crise. O que será julgado como bom ou mau são as suas escolhas.
Uma crise existencial é aquela que está ligada diretamente a questões básicas da existência humana, isto é, de onde viemos, por que viemos, para onde vamos ou se temos que ir mesmo pra algum lugar, se existe um sentido pronto (pré-dado) da vida, se somos nós os construtores do sentido da vida, da responsabilidade das nossas ações no mundo etc... (Aí vai uma lista imensa de coisas que se relacionam ao âmbito existencial)
Quando alguém entra em crise existencial, é por que ela se questionou, ou foi impelida a questionar-se sobre sua própria existência no mundo, seu significado no mundo.
Eu penso que este tipo de crise deveria ocorrer a todas as pessoas, pois somente através desta crise é que se conquista liberdade e autonomia de pensamento, é só assim que uma pessoa deixa de ser escrava das circunstâncias e começa a agir (práxis) com suas próprias ferramentas para mudar o ambiente ao seu redor e não apenas deixar-se entregue às suas influências.
Um homem ou mulher que sofreu a maravilhosa experiência de uma crise existencial consegue enxergar a vida de um modo mais saudável e não precisa apelar a subterfúgios exteriores para se ajudar ou para ser feliz.
Diante de uma crise nós também temos que fazê-la. Não é deus, nem sua mãe, pai, tio, tia, amigo, irmão, namorado ou namorada quem faz a escolha, todas as escolhas que dizem respeito à sua existência são apenas suas.
Por isso que se diz que existir é uma angústia, pois estamos entregues no abandono das nossas escolhas. Esta angústia, porém, não é uma angústia como entende o senso comum, é uma angústia que impele para o crescimento, é uma angústia apodítica, necessária para o desenvolvimento dos seres (se uma pessoa depois de viver uma crise não crescer, foi por que escolheu não crescer e a responsabilidade é toda sua, não há bodes expiatórios).
Não fosse assim, uma lagarta jamais se transformaria em borboleta, a não ser que ela superasse o momento daquela crise em seu casulo, apenas assim pode tornar-se nova criatura, novo ser.
Crise é algo inevitável para a perpetuação da vida, para a construção de novos conhecimentos, pois através da ruptura de um saber, de um conhecimento, de um paradigma é que se constroem novos saberes, novos conhecimentos, novos paradigmas.
Enfim, o grande desafio que temos na nossa existência é essa: "Torna-te naquilo que tu és!"
Desgraçados passarinhos!
(agora uma poesia pra zombar um pouco da seriedade gravíssima da vida!)
Toda poesia tem amor
dor, rancor, furor
rimas idiotas
palavras retorcidas
e passarinhos a voar!
Toda poesia
fala de saudade,
de maldade,
sexo, paixão
e de passarinhos.
E toda poesia
pra ser poesia
tem que ter nuvens,
sol brilhando,
lua cintilando,
estrelas piscando
e... passarinhos.
Se fala de mulher,
fala-se do seu cabelo,
de suas pernas,
de seu perfume,
de seus seios,
E lá estão os passarinhos
no meio de suas pernas!
Se fala da vida,
fala-se da rotina.
E a rotina do carro
é a estrada
A rotina da pele
é o arrepio
a rotina do poeta:
os passarinhos!
Desgraçados os passarinhos
Papagaios de piratas,
permeiam o tempo
no ombro dos poetas
cantarolando
a canção personificada do Mal!
Desgraçados os passarinhos
de cores incontáveis
dançando nos pedregais
zombando do rei,
assoviam para a rainha,
flertando com a princesa,
comendo sua...
a comida de todo dia!
Passarinhos revoltantes
pateticamente otimistas
irritantes como ovelhas
semelhantes às aranhas
infestando os cantos da parede
e dos poetas.
Graciosos, belos,
admiráveis obras na natureza,
quando se não tem insônia!
Toda poesia tem amor
dor, rancor, furor
rimas idiotas
palavras retorcidas
e passarinhos a voar!
Toda poesia
fala de saudade,
de maldade,
sexo, paixão
e de passarinhos.
E toda poesia
pra ser poesia
tem que ter nuvens,
sol brilhando,
lua cintilando,
estrelas piscando
e... passarinhos.
Se fala de mulher,
fala-se do seu cabelo,
de suas pernas,
de seu perfume,
de seus seios,
E lá estão os passarinhos
no meio de suas pernas!
Se fala da vida,
fala-se da rotina.
E a rotina do carro
é a estrada
A rotina da pele
é o arrepio
a rotina do poeta:
os passarinhos!
Desgraçados os passarinhos
Papagaios de piratas,
permeiam o tempo
no ombro dos poetas
cantarolando
a canção personificada do Mal!
Desgraçados os passarinhos
de cores incontáveis
dançando nos pedregais
zombando do rei,
assoviam para a rainha,
flertando com a princesa,
comendo sua...
a comida de todo dia!
Passarinhos revoltantes
pateticamente otimistas
irritantes como ovelhas
semelhantes às aranhas
infestando os cantos da parede
e dos poetas.
Graciosos, belos,
admiráveis obras na natureza,
quando se não tem insônia!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
No Cemitério
O cemitério é uma cidade paralela, um lugar afastado, de certa forma, do movimento urbano, é um lugar ainda "sagrado" (talvez um dos últimos, talvez o único). No cemitério não se pode falar alto e, mesmo que eu não entenda isso (já que todos estão mortos!), mantenho o silêncio no cemitério.
Estando em silêncio, parece que me ligo aos demais presentes... Caminhando entre os túmulos, observando as faces das estátuas, as fotos dos falecidos, as flores dos familiares, as frases de saudade, só consigo ver uma coisa: Todos aqui, exceto eu e os coveiros, estão mortos!
Entre os mortos não há capitalismo, não há mercado, não há relações pessoais, não há romances, não há amizade.
Entre os vivos é que permanecem a memória dos que se foram, as amizades que deixaram, os romances que construiram.
E nós que estamos aqui, observando vocês, os mortos!? Demoraremos para participar do silêncio profundo?
É bem relativo...
Ninguém predeterminou os dias da nossa vida, podemos morrer com 60 anos, 100 anos, podemos morrer com 30 ou agora mesmo! Só quem irá somar os nossos dias são os que permanecerem vivos depois de mim, eles, sim, irão contar os meus dias.
Eu não escolho morrer, ninguém escolhe! Todos nós lutamos contra a morte, mas ela sempre vence no final, pois final é uma palavra diretamente ligada à morte!
Se depois do túmulo uma pessoa continua a viver, quer dizer, no céu, no inferno, numa outra dimensão, no paraíso da Alice ou seja lá onde for, então não se pode, sob aspecto algum falar em morte! Morte é mesmo um fim! Se alguém sobrevive depois do túmulo (ou, depois do corpo...) então significa que é imortal, ou seja, a-morte, in-morte, não-morte!
Sugiro que todos eles compareçam com mais frequência nos cemitérios, é tão simples... E tão assombroso ao mesmo tempo! Todos estão carregando o intenso fardo do destino, a saber, sua própria morte. E por mais que se recusem pensar este sombrio fato, não conseguem fugir da admirável força da velhice, da imprevisível tragicidade da natureza ou da atroz fúria de um acidente!
Não importa se vamos enxergar uma luz no fim do túnel, um trem, um avião, ou o nada! Até que se morra, todas as escolhas são nossas, todas as decisões são nossas, angústias, alegrias, tristezas ou prazeres somos nós quem experimentamos. O sentido da nossa vida está em nossas mãos, a responsabilidade de nos tornarmos o que quisermos é apenas nossa, não há como fugir da nossa liberdade!
E o mais interessante disso tudo é que toda vez que alguém morre a necessidade de encontrar uma causa ou uma razão para ela é uma lei. Quer dizer, ninguém pode morrer de "morte morrida", ou seja, ninguém pode morrer por morrer, ninguém deve apenas morrer. É preciso culpar alguém, é preciso justificar a morte, é preciso encontrar um porquê! Em um atestado de óbito (de vários que eu já li) raramente encontrará "morte natural". Não! 99% das mortes possuem uma justificativa!
No fundo, no fundo todos nós alimentamos ainda a desesperada idéia de imortalidade! Somos todos imorríveis! Tal pessoa só morreu por culpa de tal acidente! Fulano morreu por que fumou muito!
Qie DIABO! Fumando ou não, ela iria morrer; bebendo ou não, morreria também! De uma ou outra forma todos nós morreremos! E aí? O que faremos? Beberemos intensamente ou viveremos sobriamente? Quem decide isso é você exclusivamente! Ninguém pode decidir por você!
E é exatamente no momento das nossas escolhas é que vemos quão solitários somos, o quanto a existência humana é uma existência de abandono. Abandono, sim! Justamente por que nas suas escolhas, as escolhas são só suas, de mais ninguém! Encare os fatos, seja corajoso, fracos é que se resignam, fracos é que lamentam e se retraem!
Olhem os mortos! Eles estão tão... MORTOS! E você está tão vivo! E ainda reclama!? Viva! Escolha! Faça conforme seus princípios, assuma tua responsabilidade sobre tua própria vida! Seja forte!
"Morrer? Isso só acontece com o vizinho! Não, comigo não! Eu hein! Que absurdo!"
Morrer é quase que um crime! E de fato é, no caso de suicídio! Crime contra o Estado!!!
Ou seja, se você praticar suicídio, depois que terminar será culpado por isso! hahaha!
Seja como for, o cemitério é um dos lugares que apenas os que já perderam alguém visitam. O cemitério é um lugar que também só é visitado quando se tem um motivo. Caso contrário é um lugar detestável. E tanto é verdade que, por mais vagas que tenham, faltam pessoas para trabalharem no cemitério. É uma profissão vista com suspeita...
"Você trabalha no cemitério? Eu hein! O sangue de jesus tem poder!" - diz um crente.
"Você trabalha no cemitério? Eu hein! Cruz credo!" - diz um católico
"Você trabalha no cemitério? Eu hein! Cuidado com as energias negativas. - diz outro
Enfim, sou a favor de que as pessoas visitem o cemitério mais assiduamente, não apenas para "tomar café" com os seus mortos conhecidos, mas para refletir, para reconhecerem que são finitos, para aprenderem mais com os que já morreram, com os que podiam ser artistas, mas não foram; que podiam ser poetas, mas não foram; que podiam ser o que quisessem ser, mas não o foram!
Isso é tudo, pessoal!
Estando em silêncio, parece que me ligo aos demais presentes... Caminhando entre os túmulos, observando as faces das estátuas, as fotos dos falecidos, as flores dos familiares, as frases de saudade, só consigo ver uma coisa: Todos aqui, exceto eu e os coveiros, estão mortos!
Entre os mortos não há capitalismo, não há mercado, não há relações pessoais, não há romances, não há amizade.
Entre os vivos é que permanecem a memória dos que se foram, as amizades que deixaram, os romances que construiram.
E nós que estamos aqui, observando vocês, os mortos!? Demoraremos para participar do silêncio profundo?
É bem relativo...
Ninguém predeterminou os dias da nossa vida, podemos morrer com 60 anos, 100 anos, podemos morrer com 30 ou agora mesmo! Só quem irá somar os nossos dias são os que permanecerem vivos depois de mim, eles, sim, irão contar os meus dias.
Eu não escolho morrer, ninguém escolhe! Todos nós lutamos contra a morte, mas ela sempre vence no final, pois final é uma palavra diretamente ligada à morte!
Se depois do túmulo uma pessoa continua a viver, quer dizer, no céu, no inferno, numa outra dimensão, no paraíso da Alice ou seja lá onde for, então não se pode, sob aspecto algum falar em morte! Morte é mesmo um fim! Se alguém sobrevive depois do túmulo (ou, depois do corpo...) então significa que é imortal, ou seja, a-morte, in-morte, não-morte!
Sugiro que todos eles compareçam com mais frequência nos cemitérios, é tão simples... E tão assombroso ao mesmo tempo! Todos estão carregando o intenso fardo do destino, a saber, sua própria morte. E por mais que se recusem pensar este sombrio fato, não conseguem fugir da admirável força da velhice, da imprevisível tragicidade da natureza ou da atroz fúria de um acidente!
Não importa se vamos enxergar uma luz no fim do túnel, um trem, um avião, ou o nada! Até que se morra, todas as escolhas são nossas, todas as decisões são nossas, angústias, alegrias, tristezas ou prazeres somos nós quem experimentamos. O sentido da nossa vida está em nossas mãos, a responsabilidade de nos tornarmos o que quisermos é apenas nossa, não há como fugir da nossa liberdade!
E o mais interessante disso tudo é que toda vez que alguém morre a necessidade de encontrar uma causa ou uma razão para ela é uma lei. Quer dizer, ninguém pode morrer de "morte morrida", ou seja, ninguém pode morrer por morrer, ninguém deve apenas morrer. É preciso culpar alguém, é preciso justificar a morte, é preciso encontrar um porquê! Em um atestado de óbito (de vários que eu já li) raramente encontrará "morte natural". Não! 99% das mortes possuem uma justificativa!
No fundo, no fundo todos nós alimentamos ainda a desesperada idéia de imortalidade! Somos todos imorríveis! Tal pessoa só morreu por culpa de tal acidente! Fulano morreu por que fumou muito!
Qie DIABO! Fumando ou não, ela iria morrer; bebendo ou não, morreria também! De uma ou outra forma todos nós morreremos! E aí? O que faremos? Beberemos intensamente ou viveremos sobriamente? Quem decide isso é você exclusivamente! Ninguém pode decidir por você!
E é exatamente no momento das nossas escolhas é que vemos quão solitários somos, o quanto a existência humana é uma existência de abandono. Abandono, sim! Justamente por que nas suas escolhas, as escolhas são só suas, de mais ninguém! Encare os fatos, seja corajoso, fracos é que se resignam, fracos é que lamentam e se retraem!
Olhem os mortos! Eles estão tão... MORTOS! E você está tão vivo! E ainda reclama!? Viva! Escolha! Faça conforme seus princípios, assuma tua responsabilidade sobre tua própria vida! Seja forte!
"Morrer? Isso só acontece com o vizinho! Não, comigo não! Eu hein! Que absurdo!"
Morrer é quase que um crime! E de fato é, no caso de suicídio! Crime contra o Estado!!!
Ou seja, se você praticar suicídio, depois que terminar será culpado por isso! hahaha!
Seja como for, o cemitério é um dos lugares que apenas os que já perderam alguém visitam. O cemitério é um lugar que também só é visitado quando se tem um motivo. Caso contrário é um lugar detestável. E tanto é verdade que, por mais vagas que tenham, faltam pessoas para trabalharem no cemitério. É uma profissão vista com suspeita...
"Você trabalha no cemitério? Eu hein! O sangue de jesus tem poder!" - diz um crente.
"Você trabalha no cemitério? Eu hein! Cruz credo!" - diz um católico
"Você trabalha no cemitério? Eu hein! Cuidado com as energias negativas. - diz outro
Enfim, sou a favor de que as pessoas visitem o cemitério mais assiduamente, não apenas para "tomar café" com os seus mortos conhecidos, mas para refletir, para reconhecerem que são finitos, para aprenderem mais com os que já morreram, com os que podiam ser artistas, mas não foram; que podiam ser poetas, mas não foram; que podiam ser o que quisessem ser, mas não o foram!
Isso é tudo, pessoal!
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Os pianistas são solitários...
Mergulhei nos sons mais graves do piano para buscar neles uma identidade com a minha dor!
E à medida em que ressoavam os sons, me perdi numa espécie de vazio imenso e sem fim.
E me afoguei naquele sentimento, sem saber se era bom ou mau. E que importa se fosse bom ou mau? Importava apenas que fosse intenso.
E quanta intensidade naqueles sons tão sombrios que produzem os primeiros bordões, as primeiras cordas… os sustentáculos da minha alma tremiam!
Não quero pensar em nada agora…
Mesmo não sendo possível, ao menos quero tentar.
Quero tentar sentir somente e nada mais!
E se penso naquele instante, se reflito aquele momento meu, somente meu… Aquela magia acaba, esvai.
Por agora não quero refletir, não quero pensar, não quero questionar… Quero apenas sentir o som, esta materia que se torna imateria em mim!
Foda-se o sistema! Foda-se quem não concorda com minhas críticas! Foda-se a religião, que vive impondo o que devo ou não fazer! Foda-se você! Foda-se eu!
Deixe que esse momento seja só meu. Essa experiência é só minha!
Por um breve lapso de tempo… Eu imploro ao mundo e ao deus em quem não creio: Deixem-me sentir-me, deixem-me ser eu(mesmo sem saber que seja esse "eu" que eu mesmo desconheço), deixem-me ser livre, deixem-me em paz!
Estou repleto de Dionísio, quero o acaso, o não previsto, o ser-aí… e só!
E à medida em que ressoavam os sons, me perdi numa espécie de vazio imenso e sem fim.
E me afoguei naquele sentimento, sem saber se era bom ou mau. E que importa se fosse bom ou mau? Importava apenas que fosse intenso.
E quanta intensidade naqueles sons tão sombrios que produzem os primeiros bordões, as primeiras cordas… os sustentáculos da minha alma tremiam!
Não quero pensar em nada agora…
Mesmo não sendo possível, ao menos quero tentar.
Quero tentar sentir somente e nada mais!
E se penso naquele instante, se reflito aquele momento meu, somente meu… Aquela magia acaba, esvai.
Por agora não quero refletir, não quero pensar, não quero questionar… Quero apenas sentir o som, esta materia que se torna imateria em mim!
Foda-se o sistema! Foda-se quem não concorda com minhas críticas! Foda-se a religião, que vive impondo o que devo ou não fazer! Foda-se você! Foda-se eu!
Deixe que esse momento seja só meu. Essa experiência é só minha!
Por um breve lapso de tempo… Eu imploro ao mundo e ao deus em quem não creio: Deixem-me sentir-me, deixem-me ser eu(mesmo sem saber que seja esse "eu" que eu mesmo desconheço), deixem-me ser livre, deixem-me em paz!
Estou repleto de Dionísio, quero o acaso, o não previsto, o ser-aí… e só!
Sutil e Soturno
Veio uma corda amordaçar-me…
Convergiu o sangue dos meus lábios
Na direção dos nove círculos infernais
Meu jardim tornou-se frio deserto noturno.
Galopando, então, no escuro vale
Como vento impetuoso o medo veio
E eu, trôpego de formol, caí do tempo.
Adaga maldita que dilacera a alma dos viventes!
Oh, gélida morte que tonteia,
Estou bêbado de teu cálice:
Vinho e narcóticos do além.
Nada aqui mais há
Que não seja cemiterial:
Fétidos perfumes
Carnes apodrecidas
Túmulos, lápides,
Corvos, aves de rapina
E todo verme rastejante…
No Hades, nada mais há
Que não seja sombra
Que não seja treva
Que não seja vazio de existência…
Aqui, apenas há um Nada… Eternamente!
Daniel Alabarce
Escrito para o Concerto Funerailles em: 18/05/2009
Convergiu o sangue dos meus lábios
Na direção dos nove círculos infernais
Meu jardim tornou-se frio deserto noturno.
Galopando, então, no escuro vale
Como vento impetuoso o medo veio
E eu, trôpego de formol, caí do tempo.
Adaga maldita que dilacera a alma dos viventes!
Oh, gélida morte que tonteia,
Estou bêbado de teu cálice:
Vinho e narcóticos do além.
Nada aqui mais há
Que não seja cemiterial:
Fétidos perfumes
Carnes apodrecidas
Túmulos, lápides,
Corvos, aves de rapina
E todo verme rastejante…
No Hades, nada mais há
Que não seja sombra
Que não seja treva
Que não seja vazio de existência…
Aqui, apenas há um Nada… Eternamente!
Daniel Alabarce
Escrito para o Concerto Funerailles em: 18/05/2009
AMÉM!
Minha cabeça dói, meu estômago está todo revirado. Sinto os nós no intestino delgado, parecem cadarços de um tênis all-star - amarram e desamarram.
Minha língua seca na boca e meus olhos apodrecem em suas órbitas. Vagueiam vagabundos no nada, como os planetas sem direção!
Sim, meu estado já não é mais estado, agora é apenas mudança, nada há estável em mim!
E mesmo assim estou feliz! E tudo isso é uma grande contradição! Paradoxo de todos os paradoxos!
Como posso estar satisfeito e ao mesmo tempo sentir essa tão imensa angústia de existir?
Foda-se a moral da sociedade, eu sou mesmo um louco, um desvairado, um humano em busca de mais humanidade!
Pouco restou dos antigos costumes, da antiga moral… e sei que, a partir daqui, nada mais restará… senão lembranças mórbidas de saudades gélidas caindo como neve no Alasca!
Amém
Minha língua seca na boca e meus olhos apodrecem em suas órbitas. Vagueiam vagabundos no nada, como os planetas sem direção!
Sim, meu estado já não é mais estado, agora é apenas mudança, nada há estável em mim!
E mesmo assim estou feliz! E tudo isso é uma grande contradição! Paradoxo de todos os paradoxos!
Como posso estar satisfeito e ao mesmo tempo sentir essa tão imensa angústia de existir?
Foda-se a moral da sociedade, eu sou mesmo um louco, um desvairado, um humano em busca de mais humanidade!
Pouco restou dos antigos costumes, da antiga moral… e sei que, a partir daqui, nada mais restará… senão lembranças mórbidas de saudades gélidas caindo como neve no Alasca!
Amém
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O Copo Sempre Meio Cheio!
A modernidade sofre uma crise profunda de sentidos, de ética, de solidez de costumes. Os indivíduos não acreditam mais em nenhuma instituição, nem no Estado e muito menos no outro.
Com o advento da ciência moderna, inúmeros dogmas, diversas afirmações cosmológicas, vários conhecimentos sobre a natureza, sobre o homem e sobre o Universo foram totalmente aniquiladas e destituídas de legitimidade.
Descobrir a imensidão do Universo, encontrar o poço do inconsciente no próprio homem, saber que se pode manipular os genes do homem, mudá-lo... São traumas bem grandes para a humanidade. As grandes guerras são apenas poeira perto de todos os "choques" pelos quais passamos...
E não está oculto a nenhum olho a conseqüência que estas desconstruções do conhecimento provocou.
Os indivíduos, atordoados, sentem agora que não há mais lugares metafísicos onde se segurarem, não há chão sólido na modernidade, ou como diz Zygmunt Bauman: a vida na modernidade é líquida.
Ninguém consegue mais ver a vida com as lentes embaçadas de antigamente, e por mais que se escondam (ou tentem fazer isso desesperadamente) atrás da religião, da própria filosofia ou do entretenimento no mundo capitalista... lá no fundo todos sentem o vazio da existência.
É bem provável que na Idade Média não existisse lugar para o vazio que sentimos atualmente, pois as pessoas viviam de forma muito diferente da nossa. (há possibilidade também que o vazio que eles sentissem fosse totalmente diferente do nosso )
Precisamos considerar que naquele tempo ainda havia um encantamento nas pessoas a respeito do planeta, das florestas, dos mares, do céu...(duendes, dragões, seres mágicos, fantasias e lendas) Tudo isso, até então, estava envolto de misticismos, de crenças religiosas. Na medida em que foram descobrindo novas terras, novos povos, novos costumes, se depararam com o diferente, com crenças totalmente estranhas. Agora era necessário um tipo de conhecimento mais sofisticado, mais amplo. A terra, o planeta, os mares, o céu aos poucos foram sendo dessacralizados, perderam seu encantamento, ficaram menores.
O próprio corpo do ser humano, envolto de tabus e preconceitos, agora começou a ser estudado pela ciência. (Homem máquina; quantificação da natureza; Descartes...) Todos estes acontecimentos históricos foram colaborando para que o niilismo se tornasse cada vez mais palpável. (e eu nem falei de Sócrates ou Platão... para não causar polêmica)...
Toda a humanidade está sentindo o poder do nada, a imensa influência que o nada pode causar nos indivíduos. Sejam filósofos ou não, o niilismo é uma realidade atual.
Todos constroem máscaras para esconder não só o que sentem e o que pensam, mas o que são mesmo. Esta máscara, produto de uma construção sócio-cultural, que todos denominam personalidade!
Não há como alguém não ver esta realidade concreta se se afastar um pouco da luz do cenário para olhar o todo, o grande “show” da humanidade. Qualquer pessoa verá este grande ridículo da sociedade, basta abrir bem os olhos.
Todos vivem como se Deus ainda fosse aquele refúgio eterno na hora da angústia; todos vivem demonstrado que são fortes quando não são, felizes quando são tristes, vivem uma contínua contradição. E quando alguém, de súbito, ousa demonstrar o que realmente sente e pensa, o que realmente é, é considerado louco, anti-ético, anti-social etc.
Na modernidade, todos estão vivendo uma grande farsa, uma enorme mentira, um grande teatro – se bem que os teatros costumam ser muito mais verossímeis. A vida, o agir, a ação do homem não condizem em nenhum aspecto com a realidade. Nosso teatrinho não “cola” mais, porém ninguém tem coragem de abandona-lo, pois sem esse teatrinho a vida não tem... SENTIDO!
E esse sentido é o único que sobrou, a saber, que representemos bem nossos papéis, cada um conforme o que mandam aqueles grandes edifícios ontológico-metafísicos : As Teias de aranhas...
O primeiro passo a se dar seria o de reconhecer esta condição em que vivemos, assumir que a vida, tal como foi se construindo, está totalmente vazia, caída no “nada”, no nihil. Somente com este primeiro passo seria possível pensar e construir novos sentidos.
Estes novos sentidos precisariam se construir fundamentados, de certa forma, em ideais mais flexíveis, posto que, após o niilismo, todas as noções de absoluto definharam. É preciso construir uma ética mutável, uma ética que não seja rígida e que possa se transformar de acordo com a realidade. Até agora tentamos encaixar os princípios éticos antigos na atualidade (coisa tal embebida de absurdidade infinita). Precisamos construir uma nova ética, uma ética que esteja em relação positiva com o devir...
De modo que o copo sempre esteja MEIO-CHEIO!................
Daniel Alabarce
Com o advento da ciência moderna, inúmeros dogmas, diversas afirmações cosmológicas, vários conhecimentos sobre a natureza, sobre o homem e sobre o Universo foram totalmente aniquiladas e destituídas de legitimidade.
Descobrir a imensidão do Universo, encontrar o poço do inconsciente no próprio homem, saber que se pode manipular os genes do homem, mudá-lo... São traumas bem grandes para a humanidade. As grandes guerras são apenas poeira perto de todos os "choques" pelos quais passamos...
E não está oculto a nenhum olho a conseqüência que estas desconstruções do conhecimento provocou.
Os indivíduos, atordoados, sentem agora que não há mais lugares metafísicos onde se segurarem, não há chão sólido na modernidade, ou como diz Zygmunt Bauman: a vida na modernidade é líquida.
Ninguém consegue mais ver a vida com as lentes embaçadas de antigamente, e por mais que se escondam (ou tentem fazer isso desesperadamente) atrás da religião, da própria filosofia ou do entretenimento no mundo capitalista... lá no fundo todos sentem o vazio da existência.
É bem provável que na Idade Média não existisse lugar para o vazio que sentimos atualmente, pois as pessoas viviam de forma muito diferente da nossa. (há possibilidade também que o vazio que eles sentissem fosse totalmente diferente do nosso )
Precisamos considerar que naquele tempo ainda havia um encantamento nas pessoas a respeito do planeta, das florestas, dos mares, do céu...(duendes, dragões, seres mágicos, fantasias e lendas) Tudo isso, até então, estava envolto de misticismos, de crenças religiosas. Na medida em que foram descobrindo novas terras, novos povos, novos costumes, se depararam com o diferente, com crenças totalmente estranhas. Agora era necessário um tipo de conhecimento mais sofisticado, mais amplo. A terra, o planeta, os mares, o céu aos poucos foram sendo dessacralizados, perderam seu encantamento, ficaram menores.
O próprio corpo do ser humano, envolto de tabus e preconceitos, agora começou a ser estudado pela ciência. (Homem máquina; quantificação da natureza; Descartes...) Todos estes acontecimentos históricos foram colaborando para que o niilismo se tornasse cada vez mais palpável. (e eu nem falei de Sócrates ou Platão... para não causar polêmica)...
Toda a humanidade está sentindo o poder do nada, a imensa influência que o nada pode causar nos indivíduos. Sejam filósofos ou não, o niilismo é uma realidade atual.
Todos constroem máscaras para esconder não só o que sentem e o que pensam, mas o que são mesmo. Esta máscara, produto de uma construção sócio-cultural, que todos denominam personalidade!
Não há como alguém não ver esta realidade concreta se se afastar um pouco da luz do cenário para olhar o todo, o grande “show” da humanidade. Qualquer pessoa verá este grande ridículo da sociedade, basta abrir bem os olhos.
Todos vivem como se Deus ainda fosse aquele refúgio eterno na hora da angústia; todos vivem demonstrado que são fortes quando não são, felizes quando são tristes, vivem uma contínua contradição. E quando alguém, de súbito, ousa demonstrar o que realmente sente e pensa, o que realmente é, é considerado louco, anti-ético, anti-social etc.
Na modernidade, todos estão vivendo uma grande farsa, uma enorme mentira, um grande teatro – se bem que os teatros costumam ser muito mais verossímeis. A vida, o agir, a ação do homem não condizem em nenhum aspecto com a realidade. Nosso teatrinho não “cola” mais, porém ninguém tem coragem de abandona-lo, pois sem esse teatrinho a vida não tem... SENTIDO!
E esse sentido é o único que sobrou, a saber, que representemos bem nossos papéis, cada um conforme o que mandam aqueles grandes edifícios ontológico-metafísicos : As Teias de aranhas...
O primeiro passo a se dar seria o de reconhecer esta condição em que vivemos, assumir que a vida, tal como foi se construindo, está totalmente vazia, caída no “nada”, no nihil. Somente com este primeiro passo seria possível pensar e construir novos sentidos.
Estes novos sentidos precisariam se construir fundamentados, de certa forma, em ideais mais flexíveis, posto que, após o niilismo, todas as noções de absoluto definharam. É preciso construir uma ética mutável, uma ética que não seja rígida e que possa se transformar de acordo com a realidade. Até agora tentamos encaixar os princípios éticos antigos na atualidade (coisa tal embebida de absurdidade infinita). Precisamos construir uma nova ética, uma ética que esteja em relação positiva com o devir...
De modo que o copo sempre esteja MEIO-CHEIO!................
Daniel Alabarce
sábado, 23 de janeiro de 2010
Fungos... Bactérias... Liberdade... Terra, demasiadamente terra!
Esses dias eu estava pensando nesta palavra. HUMANO!
Por que raios nós - estes seres tão arrogantemente colocados acima das outras animálias - nos nomeamos como HUMANOS?
A raiz de tudo (ou ao menos desta palavra) está ligada a HUMOS! Humos é uma palavra que está relacionada à terra, ao que provém da terra.
Assim é que passamos a ser chamados de humanos, ou: os que provém da terra, do humos. Ou: os que são feitos de terra!
Se contradizem, então, todos estes que afirmam que somos seres que devem povoar o céu, pois não somos seres do céu, somos seres "húmidos", somos seres da terra, somos SERES HUMANOS!
E eles deveriam saber disso, pois até na sua mitologia se diz que homem é ADÃO, que, na raiz hebraica, é terra!!!
No fim, somos todos fungos bacterianos úmidos e pensantes feitos de terra ! há há há!
A palavra HUMILDADE também tem a mesma fonte... HUMOS!!! E, ao contrário do que pregam os negadores da vida, a virtude da humildade nada tem que ver com aquela figura macabra de sofrimento, de decadência, de... rebaixamento. A terra é o único lugar que, até onde sabemos, possui vida! E vida é ascendência, a vida é um jogo de forças querendo viver, querendo dançar...
Humildade então deve estar relacionada, neste contexto, com a virtude de um guerreiro e não com a de um escravo, servo ou beato qualquer!
Tá bom, já vou explicar por quê!
Se um guerreiro tiver que escolher entre lutar até à morte ou se tornar escravo, escolherá lutar até morrer, pois não se afeiçoa à escravidão. Ser livre é uma questão de vida, jamais de morte. Enquanto há vida, há possibilidades de ascendência, de liberdade, de criação...
É assim também que morre a mosca que eu prendo dentro de um copo, que se desespera toda dentro do copo, que não se CONFORMA, que não aceita a forma do copo, que não aceita a limitação do copo, que não aceita ser presa.
Também os pássaros selvagens nas gaiolas que morrem debatendo-se. Esta é a virtude da vida, que é a virtude da terra, que é ascendência, que é vontade de viver, que é VONTADE DE POTÊNCIA! Que é Humildade e HUMOS!
Por que diabos o homem, chamado HUMANO, se deixa escravizar, se entrega ao carrasco, se dispõe à servidão? Mesmo que seja aprisionado e permaneça aprisionado... Não deveria ele se debater como as outras animálias - sobre as quais se diz superior - mesmo que isso lhe causasse a morte? Não pareceria ao verdadeiro HUMANO que apenas a expectativa de não ser livre lhe causaria tanto medo quanto a própria morte?
Para que haja a vida é necessário que haja um jogo de forças, uma luta contínua. Viver é a função de todo ser vivo, é o desejo de todo o ser que vive, viver é pulsão!
E todos os seres vivos da Terra vieram da terra!!
(tudo bem, alguns vieram da água! Ah, deixa de ser tesoura, vai? ... Você tem que considerar que a água também está na terra e que é elemento principal do humos, se não fosse assim também não conheceríamos a palavra UMIDADE! Há!)[pequena divagação]
Agora é que podemos dizer e pensar numa ética mais humana. Esta ética humana só pode estar relacionada à terra, às coisas terrenas (que para os rebanhos ovelhosos são coisas baixas possuidas de mal! - Claro, pois acreditam serem celestes, mesmo sendo fungos como nós. E não podemos esquecer que também a árvore cresce para o mal, quer dizer, para baixo...)
Aí é que eu desisto de todos estes congressos filosóficos sobre ética e teologia, ou de ética "teologal" que ficam propondo éticas espirituais, que mascaram esta idéia de que somos seres hierarquicamente dispostos acima dos demais seres, de que somos potencialmente maiores e melhores que eles, que somos o centro do universo, o umbigo do cosmos e que fomos criados para um propósito maior, e que o objetivo do humano é o céu, o além, o porvir!
NÃO!!! O destino do HUMANO é o HUMOS! O destino do humano é a terra.
Os braços da terra nos aguardam, é o destino de todos os que dela sairam!
Resta que cada um de nós decidamos agora se queremos aceitar nossa condição: este humano, demasiado humano... terra, demasiada terra!
(Apesar que... Uma pessoa pode alimentar a ilusão de que é um extraterrestre durante toda a sua existência. No final ela vai morrer e vai habitar a terra de onde todos nós viemos e para onde todos nós voltaremos!)
Há! Se fudeu!
Por que raios nós - estes seres tão arrogantemente colocados acima das outras animálias - nos nomeamos como HUMANOS?
A raiz de tudo (ou ao menos desta palavra) está ligada a HUMOS! Humos é uma palavra que está relacionada à terra, ao que provém da terra.
Assim é que passamos a ser chamados de humanos, ou: os que provém da terra, do humos. Ou: os que são feitos de terra!
Se contradizem, então, todos estes que afirmam que somos seres que devem povoar o céu, pois não somos seres do céu, somos seres "húmidos", somos seres da terra, somos SERES HUMANOS!
E eles deveriam saber disso, pois até na sua mitologia se diz que homem é ADÃO, que, na raiz hebraica, é terra!!!
No fim, somos todos fungos bacterianos úmidos e pensantes feitos de terra ! há há há!
A palavra HUMILDADE também tem a mesma fonte... HUMOS!!! E, ao contrário do que pregam os negadores da vida, a virtude da humildade nada tem que ver com aquela figura macabra de sofrimento, de decadência, de... rebaixamento. A terra é o único lugar que, até onde sabemos, possui vida! E vida é ascendência, a vida é um jogo de forças querendo viver, querendo dançar...
Humildade então deve estar relacionada, neste contexto, com a virtude de um guerreiro e não com a de um escravo, servo ou beato qualquer!
Tá bom, já vou explicar por quê!
Se um guerreiro tiver que escolher entre lutar até à morte ou se tornar escravo, escolherá lutar até morrer, pois não se afeiçoa à escravidão. Ser livre é uma questão de vida, jamais de morte. Enquanto há vida, há possibilidades de ascendência, de liberdade, de criação...
É assim também que morre a mosca que eu prendo dentro de um copo, que se desespera toda dentro do copo, que não se CONFORMA, que não aceita a forma do copo, que não aceita a limitação do copo, que não aceita ser presa.
Também os pássaros selvagens nas gaiolas que morrem debatendo-se. Esta é a virtude da vida, que é a virtude da terra, que é ascendência, que é vontade de viver, que é VONTADE DE POTÊNCIA! Que é Humildade e HUMOS!
Por que diabos o homem, chamado HUMANO, se deixa escravizar, se entrega ao carrasco, se dispõe à servidão? Mesmo que seja aprisionado e permaneça aprisionado... Não deveria ele se debater como as outras animálias - sobre as quais se diz superior - mesmo que isso lhe causasse a morte? Não pareceria ao verdadeiro HUMANO que apenas a expectativa de não ser livre lhe causaria tanto medo quanto a própria morte?
Para que haja a vida é necessário que haja um jogo de forças, uma luta contínua. Viver é a função de todo ser vivo, é o desejo de todo o ser que vive, viver é pulsão!
E todos os seres vivos da Terra vieram da terra!!
(tudo bem, alguns vieram da água! Ah, deixa de ser tesoura, vai? ... Você tem que considerar que a água também está na terra e que é elemento principal do humos, se não fosse assim também não conheceríamos a palavra UMIDADE! Há!)[pequena divagação]
Agora é que podemos dizer e pensar numa ética mais humana. Esta ética humana só pode estar relacionada à terra, às coisas terrenas (que para os rebanhos ovelhosos são coisas baixas possuidas de mal! - Claro, pois acreditam serem celestes, mesmo sendo fungos como nós. E não podemos esquecer que também a árvore cresce para o mal, quer dizer, para baixo...)
Aí é que eu desisto de todos estes congressos filosóficos sobre ética e teologia, ou de ética "teologal" que ficam propondo éticas espirituais, que mascaram esta idéia de que somos seres hierarquicamente dispostos acima dos demais seres, de que somos potencialmente maiores e melhores que eles, que somos o centro do universo, o umbigo do cosmos e que fomos criados para um propósito maior, e que o objetivo do humano é o céu, o além, o porvir!
NÃO!!! O destino do HUMANO é o HUMOS! O destino do humano é a terra.
Os braços da terra nos aguardam, é o destino de todos os que dela sairam!
Resta que cada um de nós decidamos agora se queremos aceitar nossa condição: este humano, demasiado humano... terra, demasiada terra!
(Apesar que... Uma pessoa pode alimentar a ilusão de que é um extraterrestre durante toda a sua existência. No final ela vai morrer e vai habitar a terra de onde todos nós viemos e para onde todos nós voltaremos!)
Há! Se fudeu!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Nihil
Vontades, desejos, paixões, sentimentos, instintos, emoções e a falta de controle, a incapacidade minha de organizar o mundo ao meu redor; a intensa e pesada tarefa de tomar decisões todo o tempo, essa liberdade, condição, algemas de paradoxo; a fugacidade da vida, a fragilidade do corpo, a liquidez das relações, a invencível angústia da existência num mundo construído por pessoas fantasmas, uma sociedade cercada pelos nãos do sistema; a moral de rebanho, a mediocridade do som produzido pelas ovelhas daquele pasto...
Isso tudo me afoga, corrói o meu intestino e sinto minhas mãos atadas, amordaçado e vulnerável à máquina.
Meus atos? Pensamentos? Questionamentos? Memória? Recordação? Passar uma segunda e terceira vez no coração – eis o que é recordação! E eu revivo as dores do que se foi, encontro desespero no que há e espero, com a certeza da finitude, o sofrimento que poderá surgir.
Eu perdi o ânimo, perdi a alma; estou destroçado, desanimado, desalmado. Arrancaram de mim o meu equilíbrio e me deixaram pendurado como num filme de suspense; sim, estou suspenso, com os pés no chão, mas furtado do meu presente, este belo e gratuito presente imediato!
Não há reconstrução por enquanto. Há tragédia diante dos olhos. E eles enxergam a tragicidade do problema, um problema que se tornou monstro, fetiche e depois deus – um cadáver posto acima de todas as cabeças, um corpo-morto que, mesmo morto, fala demais.
Uma árvore cresce tanto para cima quanto para baixo. É pedido agora que se cresça, mas na direção dos pés, enraizando-se na terra, no humos (no humano)... crescendo, como diria Zaratustra, para baixo, para o mal... a região onde todos os nossos cães selvagens estão latindo e rindo do nosso desejo de abrir todas as prisões... Estes cães que se nomeiam "instintos".
Eu quero dormir, acordar, comer e beber, pois estas são as funções fundamentais da vida, simplesmente! Nada de existência curiosa, racionalidade ou pensamento! Quero ser consumido pelo vazio e rir-me dele, zombar do abismo e atirar uma corda frágil ao outro lado... Quero atingir o outro lado, mas é necessário que eu passe pelo vazio, pela ausência da luz e do BEM. Antes de transvalorar, antes de transformar todas as maldições do destino em ouro, é preciso passar pelo NADA: nihil!
Daniel Alabarce – 18/09/2009, às 22h59m (vento frio)
Isso tudo me afoga, corrói o meu intestino e sinto minhas mãos atadas, amordaçado e vulnerável à máquina.
Meus atos? Pensamentos? Questionamentos? Memória? Recordação? Passar uma segunda e terceira vez no coração – eis o que é recordação! E eu revivo as dores do que se foi, encontro desespero no que há e espero, com a certeza da finitude, o sofrimento que poderá surgir.
Eu perdi o ânimo, perdi a alma; estou destroçado, desanimado, desalmado. Arrancaram de mim o meu equilíbrio e me deixaram pendurado como num filme de suspense; sim, estou suspenso, com os pés no chão, mas furtado do meu presente, este belo e gratuito presente imediato!
Não há reconstrução por enquanto. Há tragédia diante dos olhos. E eles enxergam a tragicidade do problema, um problema que se tornou monstro, fetiche e depois deus – um cadáver posto acima de todas as cabeças, um corpo-morto que, mesmo morto, fala demais.
Uma árvore cresce tanto para cima quanto para baixo. É pedido agora que se cresça, mas na direção dos pés, enraizando-se na terra, no humos (no humano)... crescendo, como diria Zaratustra, para baixo, para o mal... a região onde todos os nossos cães selvagens estão latindo e rindo do nosso desejo de abrir todas as prisões... Estes cães que se nomeiam "instintos".
Eu quero dormir, acordar, comer e beber, pois estas são as funções fundamentais da vida, simplesmente! Nada de existência curiosa, racionalidade ou pensamento! Quero ser consumido pelo vazio e rir-me dele, zombar do abismo e atirar uma corda frágil ao outro lado... Quero atingir o outro lado, mas é necessário que eu passe pelo vazio, pela ausência da luz e do BEM. Antes de transvalorar, antes de transformar todas as maldições do destino em ouro, é preciso passar pelo NADA: nihil!
Daniel Alabarce – 18/09/2009, às 22h59m (vento frio)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
As Intermitências da Morte
Estou terminando de ler o livro "Intermitências da morte" de José Saramago.
É um livro absurdamente incrível, hilário e, ao mesmo tempo, profundo, intelectual e filosófico.
Saramago conta a história de um país que entra em choque, em colapso quando um dos personagens mais temíveis da história deixa de trabalhar: a Morte.
Na virada do ano, a Morte simplesmente decidi não trabalhar mais, não levar nem conduzir os moribundos até seu respectivo fim.
Por mais velhos, doentes ou acidentados que as pessoas possam estar... Elas continuam vivas, não morrem.
Saramago tem um jeito interessante de contar seu romance: ele começa com uma pequena pedrinha no alto de uma montanha, faz esta pedrinha rolar e rolar... Ela se transforma, aos poucos, em uma gigantesca bola de neve! Saramago explora todas as possíveis consequências de o que pode acontecer sem a presença da morte.
Realmente, a sociedade humana sem a morte entra em crise, passa por um desequilíbrio estratosférico.
Indico o livro a todos, é uma leitura viciante.
até mais!
É um livro absurdamente incrível, hilário e, ao mesmo tempo, profundo, intelectual e filosófico.
Saramago conta a história de um país que entra em choque, em colapso quando um dos personagens mais temíveis da história deixa de trabalhar: a Morte.
Na virada do ano, a Morte simplesmente decidi não trabalhar mais, não levar nem conduzir os moribundos até seu respectivo fim.
Por mais velhos, doentes ou acidentados que as pessoas possam estar... Elas continuam vivas, não morrem.
Saramago tem um jeito interessante de contar seu romance: ele começa com uma pequena pedrinha no alto de uma montanha, faz esta pedrinha rolar e rolar... Ela se transforma, aos poucos, em uma gigantesca bola de neve! Saramago explora todas as possíveis consequências de o que pode acontecer sem a presença da morte.
Realmente, a sociedade humana sem a morte entra em crise, passa por um desequilíbrio estratosférico.
Indico o livro a todos, é uma leitura viciante.
até mais!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Pedaços de bolacha no chão...
Não consegui dormir ainda, e nem quero. Pretendo continuar acordado um pouco mais!
Senti um sabor de melancolia no sol que brilhou hoje na janela, mas uma melancolia doce, agradável ao paladar.
Senti prazer em poder acordar, tomar café com meu tio à mesa, desejar um bom dia à minha família e ficar só por um tempo olhando minha mão que segurava uma bolacha com maionese.
Olhei tudo ao redor: As panelas, os copos, a mesa, o bule, as paredes, os vidros das janelas refletindo e deixando a luz solar atravessá-los...
Olhei tudo ao redor: As tragédias e desastres causados pelas chuvas, os desabrigados e mortos.
Olhei tudo ao redor: Meus amigos e inimigos, meus sonhos e os sonhos dos meus amigos... e também os sonhos dos inimigos.
E a melancolia doce/amarga se constituia em mim como a síntese de tudo isso aliado ao conhecimento de que tudo isso possa estar totalmente desprovido de um sentido, desprovido de finalidade.
A melancolia tornou-se silêncio, que tornou-se admiração e se transformou em espanto!
Olhando tudo ao redor: os pássaros cantando, meu cachorro me observando, os pedreiros barulhentos ao lado de casa trabalhando, a televisão ligada, o bule na mesa... e os pedacinhos de bolacha que eu havia deixado cair no chão.
Só por que não haja finalidade, não se pode concluir que nada deva ser feito.
Só por que não haja sentido, não se pode concluir que nada deve ser valorado.
Só por que não haja valores absolutos... Não significa que não possamos valorar coisas.
E só por que as moscas e ovelhas lutam desesperadamente para não abandonar as ilusões da régua ilusória transcendente... Isso não significa que nós não devamos criar e construir novas medidas, novas réguas, novos modos de ver, novas lentes, novos olhos!
E a boca fala... do que o coração está cheio!! E o mundo humano nasce e morre na boca do próprio humano!!
No caso do rebanho contra os espíritos livres, a sentença é: CULPADO!
Senti um sabor de melancolia no sol que brilhou hoje na janela, mas uma melancolia doce, agradável ao paladar.
Senti prazer em poder acordar, tomar café com meu tio à mesa, desejar um bom dia à minha família e ficar só por um tempo olhando minha mão que segurava uma bolacha com maionese.
Olhei tudo ao redor: As panelas, os copos, a mesa, o bule, as paredes, os vidros das janelas refletindo e deixando a luz solar atravessá-los...
Olhei tudo ao redor: As tragédias e desastres causados pelas chuvas, os desabrigados e mortos.
Olhei tudo ao redor: Meus amigos e inimigos, meus sonhos e os sonhos dos meus amigos... e também os sonhos dos inimigos.
E a melancolia doce/amarga se constituia em mim como a síntese de tudo isso aliado ao conhecimento de que tudo isso possa estar totalmente desprovido de um sentido, desprovido de finalidade.
A melancolia tornou-se silêncio, que tornou-se admiração e se transformou em espanto!
Olhando tudo ao redor: os pássaros cantando, meu cachorro me observando, os pedreiros barulhentos ao lado de casa trabalhando, a televisão ligada, o bule na mesa... e os pedacinhos de bolacha que eu havia deixado cair no chão.
Só por que não haja finalidade, não se pode concluir que nada deva ser feito.
Só por que não haja sentido, não se pode concluir que nada deve ser valorado.
Só por que não haja valores absolutos... Não significa que não possamos valorar coisas.
E só por que as moscas e ovelhas lutam desesperadamente para não abandonar as ilusões da régua ilusória transcendente... Isso não significa que nós não devamos criar e construir novas medidas, novas réguas, novos modos de ver, novas lentes, novos olhos!
E a boca fala... do que o coração está cheio!! E o mundo humano nasce e morre na boca do próprio humano!!
No caso do rebanho contra os espíritos livres, a sentença é: CULPADO!
domingo, 3 de janeiro de 2010
Olha a chuvaaaaa! NÃO É MENTIRAAA!
Segundo o site do VNews, 18 cidades da região do vale do paraíba sofreram por causa das chuvas. (http://www.vnews.com.br/video.php?id=4303)
De acordo com o g1, , mais de 12 mil pessoas estão desabrigadas por causa das chuvas e suas consequências (http://g1.globo.com).
Em Angra dos Reis, segundo o site da folha (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u674091.shtml), os mortos já passam de 44.
São tragédias, são catástrofes a que todos nós estamos sujeitos, não somente alguns.
A maior parte das mensagens de conforto dizem: "Só deus para ajudar", "que deus conforte os que estão desabrigados" ou "tal pessoa sobreviveu por um milagre", e ainda: "a casa de fulano não foi atingida por causa de um milagre"
E todos os outros que não tiveram acesso a esta "seleção de milagres"? Deus, então, estaria poupando alguns escolhidos (uma minoria incrível) em detrimento de uma maioria imensa?
Quem perdeu tudo não diz exatamente isso! É fácil para quem está de fora desta tragédia dizer que deus poupou alguns e aos outros restou a violência da natureza!
Por que ninguém ousa pensar na possibilidade de que deus também tenha causado esta catástrofe, já que ele pôde também "salvar" a alguns por "milagre"?
Sinceramente? Não há espaço para discutir questões em torno deste assunto! Resta apenas que uns ajudem os outros! Resta apenas a solidariedade! Deus simplesmente é questão para dentro das igrejas. A realidade testifica uma coisa bem mais urgente, bem mais importante: são humanos que estão sofrendo e que precisam de ajuda humana!
Se Deus realmente estivesse preocupado com alguma coisa, seria muito mais conveniente poupar a todos estes que estão sofrendo. Se ele pode fazer milagres, então por que não impedir que tudo isso acontecesse? Isso, porém, é tão banal, pois olhando toda a tragédia em sua totalidade, não há deus! Há, nesta visão aterradora, apenas a força da natureza! E cabe aos que estão bem ajudar os que perderam tudo!
A responsabilidade do que ocorre aqui não é de deus, é dos homens!
O problema é bem mais embaixo!
Diz respeito ao Estado, que não promoveu nem assegurou moradia digna para muitos; diz respeito também à pavimentação dos centros urbanos; diz respeito ao lixo; diz respeito ao aquecimento global que a própria sociedade provocou; diz respeito ao modo como subjulgamos a natureza aos nossos próprios interesses!
Não podemos ser hipócritas e tentar amenizar nossa culpa! Há, sim, o elemento de imprevisibilidade dos fenômenos naturais, mas não explica tudo! Há o elemento que diz respeito às consequências das ações humanas no planeta em que vivem!
Num momento como esse, a reflexão a ser feita é exatamente neste sentido, ou seja, até que ponto queremos continuar agimos como agimos em relação à natureza, tratando-a como coisa hierarquicamente abaixo de nós, podendo ser dominada e explorada? Ela testifica contra nós que não temos controle sobre ela!!
Até que ponto podemos defender um Estado corrupto que não cumpre com suas obrigações de defender e promover os direitos de seus cidadãos? E até que ponto vamos utilizar desculpas como "deus" para analisarmos catástofres naturais (e com fundo de culpa humana)?
Ou realmente achamos que este tipo de fenômeno é totalmente normal? Por que então já não ocorre com frequência há mais tempo? Por que está ocorrendo com mais frequência a poucos anos do que há anos atrás!?
Então, é isso! Quem pode ajudar com doações, ajude! Quem pode ser voluntário, seja voluntário! Mas rezar ou orar não vai resolver absolutamente NADA!
Uma mão trabalhando é mais eficaz do que duas orando!
De acordo com o g1, , mais de 12 mil pessoas estão desabrigadas por causa das chuvas e suas consequências (http://g1.globo.com).
Em Angra dos Reis, segundo o site da folha (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u674091.shtml), os mortos já passam de 44.
São tragédias, são catástrofes a que todos nós estamos sujeitos, não somente alguns.
A maior parte das mensagens de conforto dizem: "Só deus para ajudar", "que deus conforte os que estão desabrigados" ou "tal pessoa sobreviveu por um milagre", e ainda: "a casa de fulano não foi atingida por causa de um milagre"
E todos os outros que não tiveram acesso a esta "seleção de milagres"? Deus, então, estaria poupando alguns escolhidos (uma minoria incrível) em detrimento de uma maioria imensa?
Quem perdeu tudo não diz exatamente isso! É fácil para quem está de fora desta tragédia dizer que deus poupou alguns e aos outros restou a violência da natureza!
Por que ninguém ousa pensar na possibilidade de que deus também tenha causado esta catástrofe, já que ele pôde também "salvar" a alguns por "milagre"?
Sinceramente? Não há espaço para discutir questões em torno deste assunto! Resta apenas que uns ajudem os outros! Resta apenas a solidariedade! Deus simplesmente é questão para dentro das igrejas. A realidade testifica uma coisa bem mais urgente, bem mais importante: são humanos que estão sofrendo e que precisam de ajuda humana!
Se Deus realmente estivesse preocupado com alguma coisa, seria muito mais conveniente poupar a todos estes que estão sofrendo. Se ele pode fazer milagres, então por que não impedir que tudo isso acontecesse? Isso, porém, é tão banal, pois olhando toda a tragédia em sua totalidade, não há deus! Há, nesta visão aterradora, apenas a força da natureza! E cabe aos que estão bem ajudar os que perderam tudo!
A responsabilidade do que ocorre aqui não é de deus, é dos homens!
O problema é bem mais embaixo!
Diz respeito ao Estado, que não promoveu nem assegurou moradia digna para muitos; diz respeito também à pavimentação dos centros urbanos; diz respeito ao lixo; diz respeito ao aquecimento global que a própria sociedade provocou; diz respeito ao modo como subjulgamos a natureza aos nossos próprios interesses!
Não podemos ser hipócritas e tentar amenizar nossa culpa! Há, sim, o elemento de imprevisibilidade dos fenômenos naturais, mas não explica tudo! Há o elemento que diz respeito às consequências das ações humanas no planeta em que vivem!
Num momento como esse, a reflexão a ser feita é exatamente neste sentido, ou seja, até que ponto queremos continuar agimos como agimos em relação à natureza, tratando-a como coisa hierarquicamente abaixo de nós, podendo ser dominada e explorada? Ela testifica contra nós que não temos controle sobre ela!!
Até que ponto podemos defender um Estado corrupto que não cumpre com suas obrigações de defender e promover os direitos de seus cidadãos? E até que ponto vamos utilizar desculpas como "deus" para analisarmos catástofres naturais (e com fundo de culpa humana)?
Ou realmente achamos que este tipo de fenômeno é totalmente normal? Por que então já não ocorre com frequência há mais tempo? Por que está ocorrendo com mais frequência a poucos anos do que há anos atrás!?
Então, é isso! Quem pode ajudar com doações, ajude! Quem pode ser voluntário, seja voluntário! Mas rezar ou orar não vai resolver absolutamente NADA!
Uma mão trabalhando é mais eficaz do que duas orando!
E o capital? Capital que nada!!!
Quem? O capital!?
Existem problemas bem maiores que isso, meus caros!
-Tipo o quê?
Sei lá, meio ambiente, enchentes, desastres ecológicos!!!
-Mas... Não é exatamente por que o homem tratou a natureza apenas como um meio de produção social que agora ela está entregue ao seu próprio colapso? Quer dizer... A culpa de que haja uma mudança climática tão brusca e um desequilíbrio da natureza não é nossa?
Sim... quer dizer, não! Não sei como explicar isso, mas nós temos que pensar em meios de salvar o nosso meio ambiente, reduzindo a taxa de carbono liberada no ar, definindo metas pelas quais os países se obriguem mutamente a produzir menos para poluir menos, ou ao menos encontrar formas de produzir sem poluir!
-Há! Mas se para poluir menos é necessário produzir menos... Acho que não vai resolver nada definir meta alguma. Ninguém vai querer sair perdendo, ou vai?
Olha, é preciso respeito com a natureza, e já temos muitas fábricas que cuidam do meio ambiente, que investem neste sentido... sabe?
-Hum, sei! Mas por que é que ninguém questiona esse sistema? Por que sempre ficam tentando tapar os buracos das vestes com remendas e trapos ridículos, não seria mais fácil trocar as vestes?
-O quê? Você é louco? Isso é um absurdo!
Existem problemas bem maiores que isso, meus caros!
-Tipo o quê?
Sei lá, meio ambiente, enchentes, desastres ecológicos!!!
-Mas... Não é exatamente por que o homem tratou a natureza apenas como um meio de produção social que agora ela está entregue ao seu próprio colapso? Quer dizer... A culpa de que haja uma mudança climática tão brusca e um desequilíbrio da natureza não é nossa?
Sim... quer dizer, não! Não sei como explicar isso, mas nós temos que pensar em meios de salvar o nosso meio ambiente, reduzindo a taxa de carbono liberada no ar, definindo metas pelas quais os países se obriguem mutamente a produzir menos para poluir menos, ou ao menos encontrar formas de produzir sem poluir!
-Há! Mas se para poluir menos é necessário produzir menos... Acho que não vai resolver nada definir meta alguma. Ninguém vai querer sair perdendo, ou vai?
Olha, é preciso respeito com a natureza, e já temos muitas fábricas que cuidam do meio ambiente, que investem neste sentido... sabe?
-Hum, sei! Mas por que é que ninguém questiona esse sistema? Por que sempre ficam tentando tapar os buracos das vestes com remendas e trapos ridículos, não seria mais fácil trocar as vestes?
-O quê? Você é louco? Isso é um absurdo!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Sobre a morte ou: ixi, fudeu!
Estou pesquisando o máximo que posso para poder fazer o famosíssimo TCC (trabalho de conclusão de curso - podemos chamar também de TGC: Tomando gostoso no cú! rsrsr).
Desde que eu entrei no admirável mundo acadêmico (não é grande coisa...) eu já me preocupava com este TCC. Não tanto por ser um TCC, por meio do qual posso adquirir (depois de ter pago muita grana também) um diploma de bacharel. Isso não é tão importante assim. Mais importante era eu conseguir adentrar o mundo da filosofia com o pé esquerdo (marxista nenhum gostaria de entrar com o pé direito...)
Eu, antes mesmo da faculdade, já lia algumas coisas sobre filosofia, psicologia (o que não ajudou muito). Eu queria, então, pensar de forma original, com conteúdo e de forma correta. Queria (e quero) fazer minha história na filosofia. Queria que o tema que eu escolhesse para pesquisar no TCC fosse uma porta para que eu pudesse dar continuidade a um pensamento filosófico... Parece que eu consegui este tema.
A morte tem sido, em toda a história da filosofia, tratada apenas como coadjuvante... Mesmo que Sócrates tenha dito que o filósofo se prepara para a morte, sempre a morte é encarada como uma passagem, uma ponte para outra vida.
O pouco que se fala na morte, fala-se apenas nos aspectos mais espirituais. Não se considera que esta é apenas uma das hipóteses, não a única, não a correta.
Quis, então, me afastar de toda a espiritualização da morte. Quis encará-la como a natureza nos mostra. Schopenhauer diz que a natureza nos tem mostrado a morte sempre como um fim, um fim mesmo, não um outro começo.
Eu decidi encarar a morte, portanto, como sendo um dado final da existência dos que vivem.
Sei também que esta é também uma outra hipótese, outra conjectura! Mas... e daí? Vivemos sob a hipótese de que há vida após a morte desde que nos conhecemos por humanos... Qual o problema de olhar outros aspectos? Absolutamente nenhum! Muito pelo contrário, é saudável termos outros pontos de vista, pensarmos as possibilidades, posto que o ser humano tem lá poucas certezas... Mesmo a ciência moderna não pode ter tantas certezas. A mecânica quântica é um destes elementos que vieram para mostrar que no mundo atômico, no mundo dos prótons e dos neutrôns não há previsibilidade. E, sim, se deus existir, ele é chegado num joguinho de dados! ¬¬
A ciência é, como disse Nietzsche, embebida de decadência, pois pressupõe a existência de uma verdade. Recorta a realidade segundo seus métodos afiados e determinam sobre a realidade uma fórmula X, mas isso não significa que a realidade é toda controlável, nem que poderemos ter o conhecimento total das coisas.
Partindo, então, deste pressuposto de que a morte seja exatamente aquilo que todos temem que ela seja, o fim, eu iniciei minhas leituras, minhas observações e conversas com o pensamento de outras pessoas ( o que eu acho imprescindível para um bom pesquisador e filósofo).
E durante todo este tempo de observação, pesquisa, leitura e diálogos, tenho notado algumas coisas importantes para meu trabalho (como detesto a palavra trabalho...)
Num primeiro momento, o que ocorre com mais frequência é as pessoas se afastarem do assunto, tentarem mudar o tema da conversa, encontrar meios para fugir de falar na morte. A maior parte das pessoas, cada uma com suas próprias justificativas, dizem que este assunto é muito pesado e que não deveria ser discutido.
É claro que ninguém vai ficar falando sobre a morte num pique-nique. O problema, porém, não é esse, mas se trata de não falar sobre a morte nunca sob quaisquer aspectos que sejam!
E aí eu me perguntei, para problematizar a pesquisa, por quais motivos as pessoas se posturam de tal forma diante de um assunto tão certo, tão possível, tão iminente como a nossa morte?
E as conclusões foram muitas, várias, inúmeras. Tradição, superstição, medo, preguiça... e outros.
O que me interessou em tudo isso foi que, realmente, somos uma raça (a única) de seres vivos que sabem que vão morrer, mas que jamais se permitem pensar mais profundamente sobre isto.
Quer dizer, somos os únicos animais que sabemos que vamos morrer, mas fingimos que não sabemos de nada! Mascaramos nossos medos e pensamentos sobre a nossa morte, criamos subterfúgios aos milhares para escapar da iminência do fim; vivemos como se fossêmos imortais... e as religiões dão bastantes argumentos para que este sentimento de imortalidade permaneça.
O fato é que nenhum de nós sabemos se há ou não vida após a morte, não podemos ter certeza sobre isso. Os vivos só sabem que estão vivos, apenas os mortos conhecem a morte, ou seja, nenhum vivo pode experimentar a morte de forma total e completa!! Se isso acontecer deixará de ser vivo para tornar-se morto, oras!
Recorrendo à mitologia grega, podemos até ter algumas vivências parecidas com a morte, como o sono, por exemplo.
Na mitologia grega, Tânatos (a morte) era irmão gêmeo de Hipnos (o sono). O sono é semelhante à morte, também o é o desmaio e o esquecimento. E sob estes aspectos, todos nós sabemos algumas poucas coisas sobre como a morte poderia ser.
Schopenhauer ainda propõe outro elemento, a saber, a eternidade que passamos antes do nascimento. Isso é o mesmo que chamar a atenção de todos para pensar também naquele tempo em que ainda não existíamos, do qual não temos medo algum, no qual nem ousamos pensar. Ele propõe que esse desinteresse que sentimos em relação a este nosso tempo de inexistência antes do nascimento seja também dirigido em relação ao que pode ou não vir depois da morte, pois, segundo ele, o não-ser post mortem(após a morte) não pode ser tão diferente do não-ser antes do nascimento.
Sobre o sono e o desmaio, e também sobre o tempo antes do nascimento, há um elemento em comum entre eles com a morte que é o adormecimento da consciência. No sono profundo, no desmaio, no tempo antes do nascimento e também na morte não há resquício de consciência!
Nos primeiros elementos (sono, desmaio, tempo antes do nascimento) não sentimos dor, não sentimos tristeza, nem alegria, nem amor, nem ódio. Então, pergunta Schopenhauer... o que é que nos faz temer a morte de forma tão irracional?
O que nos faz temer a morte é exatamente o que nos faz lutar para viver, é o medo de perder o corpo, é o medo de que morra o nosso organismo. A mesma vontade de viver é também o medo de morrer, são duas faces da mesma moeda.
Para Schopenhauer, porém, o consolo que nós podemos ter em relação ao medo da morte é que do mesmo modo que saimos do seio da natureza (no caso, do seio da vontade que move o mundo e a natureza), por meio da morte retornamos a ela, é como se nos dissolvêssemos nela. Para a natureza, que é indiferente ao indivíduo, nós não significamos nada, o que permanece é esta vontade.
Já para Nietzsche, esta experiência da morte é vivenciada o tempo todo.
O homem não é dualismo como quer Platão (alma/corpo), ou trigonomia (como quer o cristianismo (corpo/alma/espirito), o homem só pode ser multiplicidade, pois nele há milhões de organismos vivos, de células, de forças que lutam entre si para que nós possamos continuar existindo. Ou seja, para que uma célula do meu corpo sobreviva, é necessário que outra morra, e isso ocorre continuamente. É o mesmo que dizer que morremos continuamente. Desta forma, a morte não é um fato distante, mas um fantasma totalmente presente, é uma sombra que jamais se afasta.
A morte, portanto, como a entendemos (num caixão, e sendo enterrado) é apenas mais uma de nossas mortes, porém uma que é completa e total, ou como disse Heiddeger: "o fim de todas as possibilidades".
Independente se nos dissolvemos na natureza ou não, como quis Shcopenhauer, o que importa é que quando um indivíduo morre, se desfaz também sua consciência! E para a consciência a morte se constitui um dos piores terrores.
A consciência funciona, como disse Feurbach, com tendência ao infinito (que isso não sirva de argumento para tentar provar a existência do infinito - só por que ela tenda ao infinito, não signifique que exista) Para entendermos melhor, sem confusão, basta pensar que o conhecimento, para que exista, necessita de uma consciência capaz de avançar, de se superar, ou seja, não há limite para o conhecer. SE vivêssemos imortalmente, sempre estaríamos conhecendo, cada vez mais! Só não podemos conhecer mais por que somos finitos, morremos.
Se a consciência tende ao infinito, nestas condições que consideramos acima, ela não pode, ela não é capaz de conceber a finitude, ou seja, a morte é um disparate, é um paradoxo dos mais absurdos para a consciência. E, tenho por mim, que esta é a melhor explicação para o por que de criarmos tantos subterfúgios, tantas máscaras para a morte. No fundo, tudo está relacionado a este absurdo que é a morte para a consciência humana.
O ser humano é o único que pensa, é o único que pode conhecer, que tem natureza cogniscitiva, que tem capacidade de acumular conhecimento, transformar e modificar o conhecimento adquirido. E nisto consiste o paradoxo, ou seja, que sua consciência, por causas de estrutura cognitiva, tende ao infinito, mas que seu organismo seja finito. Aqui também "jaz" a explicação do surgimento da dualidade corpo/alma e também da dualidade mundo sensível/mundo suprasensível! Já desde muito que o homem percebeu este paradoxo. O problema é que por mais paradoxal que seja, finito e infinito são elementos que, no homem, são... dialéticos. Não há como separá-los, a não ser por meio da morte, quando a consciência, junto com o corpo, cessa de existir. O corpo, na verdade, deixa de funcionar, ele permanece existindo ainda por um tempo, mas logo também, por causa da putrefação, deixará de existir. Quando digo que corpo e consciência deixam de existir, estou querendo dizer que corpo e consciência são uma e a mesma coisa, não há distinção, pois só há consciência enquanto há corpo. Até agora, pela experiência, o que sucede é que a consciência só existe, por que há todo o funcionamento do corpo, não se tem ainda nenhuma prova pela qual se possa dizer que a consciência possa funcionar sem o corpo. Concluo, assim, que consciência é parte do corpo, é também organismo partícipe do corpo, tal como é um rim, um coração ou o pâncreas. De fato, todo o conhecimento que temos é fruto de conexões neurais, que podem, inclusive ser modificado por estímulos elétricos em determinadas partes do cérebro. Quando, em casos de doenças mentais, parte do cérebro é afetado, é afetado também tal ou tal capacidade cognitiva, como o raciocínio lógico, a percepção tátil, a visão ou qualquer outro sentido pelos quais nós acessamos o mundo.
Qualquer hora dessas eu venho escrever mais!
Desde que eu entrei no admirável mundo acadêmico (não é grande coisa...) eu já me preocupava com este TCC. Não tanto por ser um TCC, por meio do qual posso adquirir (depois de ter pago muita grana também) um diploma de bacharel. Isso não é tão importante assim. Mais importante era eu conseguir adentrar o mundo da filosofia com o pé esquerdo (marxista nenhum gostaria de entrar com o pé direito...)
Eu, antes mesmo da faculdade, já lia algumas coisas sobre filosofia, psicologia (o que não ajudou muito). Eu queria, então, pensar de forma original, com conteúdo e de forma correta. Queria (e quero) fazer minha história na filosofia. Queria que o tema que eu escolhesse para pesquisar no TCC fosse uma porta para que eu pudesse dar continuidade a um pensamento filosófico... Parece que eu consegui este tema.
A morte tem sido, em toda a história da filosofia, tratada apenas como coadjuvante... Mesmo que Sócrates tenha dito que o filósofo se prepara para a morte, sempre a morte é encarada como uma passagem, uma ponte para outra vida.
O pouco que se fala na morte, fala-se apenas nos aspectos mais espirituais. Não se considera que esta é apenas uma das hipóteses, não a única, não a correta.
Quis, então, me afastar de toda a espiritualização da morte. Quis encará-la como a natureza nos mostra. Schopenhauer diz que a natureza nos tem mostrado a morte sempre como um fim, um fim mesmo, não um outro começo.
Eu decidi encarar a morte, portanto, como sendo um dado final da existência dos que vivem.
Sei também que esta é também uma outra hipótese, outra conjectura! Mas... e daí? Vivemos sob a hipótese de que há vida após a morte desde que nos conhecemos por humanos... Qual o problema de olhar outros aspectos? Absolutamente nenhum! Muito pelo contrário, é saudável termos outros pontos de vista, pensarmos as possibilidades, posto que o ser humano tem lá poucas certezas... Mesmo a ciência moderna não pode ter tantas certezas. A mecânica quântica é um destes elementos que vieram para mostrar que no mundo atômico, no mundo dos prótons e dos neutrôns não há previsibilidade. E, sim, se deus existir, ele é chegado num joguinho de dados! ¬¬
A ciência é, como disse Nietzsche, embebida de decadência, pois pressupõe a existência de uma verdade. Recorta a realidade segundo seus métodos afiados e determinam sobre a realidade uma fórmula X, mas isso não significa que a realidade é toda controlável, nem que poderemos ter o conhecimento total das coisas.
Partindo, então, deste pressuposto de que a morte seja exatamente aquilo que todos temem que ela seja, o fim, eu iniciei minhas leituras, minhas observações e conversas com o pensamento de outras pessoas ( o que eu acho imprescindível para um bom pesquisador e filósofo).
E durante todo este tempo de observação, pesquisa, leitura e diálogos, tenho notado algumas coisas importantes para meu trabalho (como detesto a palavra trabalho...)
Num primeiro momento, o que ocorre com mais frequência é as pessoas se afastarem do assunto, tentarem mudar o tema da conversa, encontrar meios para fugir de falar na morte. A maior parte das pessoas, cada uma com suas próprias justificativas, dizem que este assunto é muito pesado e que não deveria ser discutido.
É claro que ninguém vai ficar falando sobre a morte num pique-nique. O problema, porém, não é esse, mas se trata de não falar sobre a morte nunca sob quaisquer aspectos que sejam!
E aí eu me perguntei, para problematizar a pesquisa, por quais motivos as pessoas se posturam de tal forma diante de um assunto tão certo, tão possível, tão iminente como a nossa morte?
E as conclusões foram muitas, várias, inúmeras. Tradição, superstição, medo, preguiça... e outros.
O que me interessou em tudo isso foi que, realmente, somos uma raça (a única) de seres vivos que sabem que vão morrer, mas que jamais se permitem pensar mais profundamente sobre isto.
Quer dizer, somos os únicos animais que sabemos que vamos morrer, mas fingimos que não sabemos de nada! Mascaramos nossos medos e pensamentos sobre a nossa morte, criamos subterfúgios aos milhares para escapar da iminência do fim; vivemos como se fossêmos imortais... e as religiões dão bastantes argumentos para que este sentimento de imortalidade permaneça.
O fato é que nenhum de nós sabemos se há ou não vida após a morte, não podemos ter certeza sobre isso. Os vivos só sabem que estão vivos, apenas os mortos conhecem a morte, ou seja, nenhum vivo pode experimentar a morte de forma total e completa!! Se isso acontecer deixará de ser vivo para tornar-se morto, oras!
Recorrendo à mitologia grega, podemos até ter algumas vivências parecidas com a morte, como o sono, por exemplo.
Na mitologia grega, Tânatos (a morte) era irmão gêmeo de Hipnos (o sono). O sono é semelhante à morte, também o é o desmaio e o esquecimento. E sob estes aspectos, todos nós sabemos algumas poucas coisas sobre como a morte poderia ser.
Schopenhauer ainda propõe outro elemento, a saber, a eternidade que passamos antes do nascimento. Isso é o mesmo que chamar a atenção de todos para pensar também naquele tempo em que ainda não existíamos, do qual não temos medo algum, no qual nem ousamos pensar. Ele propõe que esse desinteresse que sentimos em relação a este nosso tempo de inexistência antes do nascimento seja também dirigido em relação ao que pode ou não vir depois da morte, pois, segundo ele, o não-ser post mortem(após a morte) não pode ser tão diferente do não-ser antes do nascimento.
Sobre o sono e o desmaio, e também sobre o tempo antes do nascimento, há um elemento em comum entre eles com a morte que é o adormecimento da consciência. No sono profundo, no desmaio, no tempo antes do nascimento e também na morte não há resquício de consciência!
Nos primeiros elementos (sono, desmaio, tempo antes do nascimento) não sentimos dor, não sentimos tristeza, nem alegria, nem amor, nem ódio. Então, pergunta Schopenhauer... o que é que nos faz temer a morte de forma tão irracional?
O que nos faz temer a morte é exatamente o que nos faz lutar para viver, é o medo de perder o corpo, é o medo de que morra o nosso organismo. A mesma vontade de viver é também o medo de morrer, são duas faces da mesma moeda.
Para Schopenhauer, porém, o consolo que nós podemos ter em relação ao medo da morte é que do mesmo modo que saimos do seio da natureza (no caso, do seio da vontade que move o mundo e a natureza), por meio da morte retornamos a ela, é como se nos dissolvêssemos nela. Para a natureza, que é indiferente ao indivíduo, nós não significamos nada, o que permanece é esta vontade.
Já para Nietzsche, esta experiência da morte é vivenciada o tempo todo.
O homem não é dualismo como quer Platão (alma/corpo), ou trigonomia (como quer o cristianismo (corpo/alma/espirito), o homem só pode ser multiplicidade, pois nele há milhões de organismos vivos, de células, de forças que lutam entre si para que nós possamos continuar existindo. Ou seja, para que uma célula do meu corpo sobreviva, é necessário que outra morra, e isso ocorre continuamente. É o mesmo que dizer que morremos continuamente. Desta forma, a morte não é um fato distante, mas um fantasma totalmente presente, é uma sombra que jamais se afasta.
A morte, portanto, como a entendemos (num caixão, e sendo enterrado) é apenas mais uma de nossas mortes, porém uma que é completa e total, ou como disse Heiddeger: "o fim de todas as possibilidades".
Independente se nos dissolvemos na natureza ou não, como quis Shcopenhauer, o que importa é que quando um indivíduo morre, se desfaz também sua consciência! E para a consciência a morte se constitui um dos piores terrores.
A consciência funciona, como disse Feurbach, com tendência ao infinito (que isso não sirva de argumento para tentar provar a existência do infinito - só por que ela tenda ao infinito, não signifique que exista) Para entendermos melhor, sem confusão, basta pensar que o conhecimento, para que exista, necessita de uma consciência capaz de avançar, de se superar, ou seja, não há limite para o conhecer. SE vivêssemos imortalmente, sempre estaríamos conhecendo, cada vez mais! Só não podemos conhecer mais por que somos finitos, morremos.
Se a consciência tende ao infinito, nestas condições que consideramos acima, ela não pode, ela não é capaz de conceber a finitude, ou seja, a morte é um disparate, é um paradoxo dos mais absurdos para a consciência. E, tenho por mim, que esta é a melhor explicação para o por que de criarmos tantos subterfúgios, tantas máscaras para a morte. No fundo, tudo está relacionado a este absurdo que é a morte para a consciência humana.
O ser humano é o único que pensa, é o único que pode conhecer, que tem natureza cogniscitiva, que tem capacidade de acumular conhecimento, transformar e modificar o conhecimento adquirido. E nisto consiste o paradoxo, ou seja, que sua consciência, por causas de estrutura cognitiva, tende ao infinito, mas que seu organismo seja finito. Aqui também "jaz" a explicação do surgimento da dualidade corpo/alma e também da dualidade mundo sensível/mundo suprasensível! Já desde muito que o homem percebeu este paradoxo. O problema é que por mais paradoxal que seja, finito e infinito são elementos que, no homem, são... dialéticos. Não há como separá-los, a não ser por meio da morte, quando a consciência, junto com o corpo, cessa de existir. O corpo, na verdade, deixa de funcionar, ele permanece existindo ainda por um tempo, mas logo também, por causa da putrefação, deixará de existir. Quando digo que corpo e consciência deixam de existir, estou querendo dizer que corpo e consciência são uma e a mesma coisa, não há distinção, pois só há consciência enquanto há corpo. Até agora, pela experiência, o que sucede é que a consciência só existe, por que há todo o funcionamento do corpo, não se tem ainda nenhuma prova pela qual se possa dizer que a consciência possa funcionar sem o corpo. Concluo, assim, que consciência é parte do corpo, é também organismo partícipe do corpo, tal como é um rim, um coração ou o pâncreas. De fato, todo o conhecimento que temos é fruto de conexões neurais, que podem, inclusive ser modificado por estímulos elétricos em determinadas partes do cérebro. Quando, em casos de doenças mentais, parte do cérebro é afetado, é afetado também tal ou tal capacidade cognitiva, como o raciocínio lógico, a percepção tátil, a visão ou qualquer outro sentido pelos quais nós acessamos o mundo.
Qualquer hora dessas eu venho escrever mais!
Uma Carta...
A Carta:
Sonho, morte ou realidade?
“Para quem interessar”:
Não sei que dia é hoje, nem que horas devem ser ao certo. Sei que estou aqui, que estou respirando, vendo pessoas ao meu redor, ouvindo diversos timbres de vários instrumentos, e percebendo diferenças entre os sons musicais e o som das diversas vozes a conversar. Sei isto, por que meus sentidos enviam isto ao meu cérebro. Por alguma razão que desconheço eu acredito piamente que tudo é verdade. Talvez por tudo ter sido exatamente desta maneira desde que me recordo, desde que me conheço por gente: sinto, portanto existo!
Hoje, penso, parece um dia como qualquer outro: as gotas de chuva caem com leveza delicada sobre a terra, e esta exala um odor úmido e único. Mas há uma exceção, há uma fagulha de desconfiança que paira sobre a mente… E é justo a minha, a minha mente, como sempre, claro!
Não sei… Todavia… algo dentro de mim persiste em repetir uma mensagem, pelo menos é o que eu creio ser: uma mensagem. Como se em mim vivesse outro “eu”, um outro ser dentro de mim. Pode ser uma frase, um ideal, um conceito ou simplesmente… Uma mensagem. Pra ser sincero eu mesmo não consigo discernir, mas com freqüência estas estranhezas me ocorrem.
Este “outro eu” me desvendou um outro lado de tudo, um detalhe que eu ainda não percebera: “Porventura… Se… Será… que todos nós não estamos vivendo numa eterna e contínua utopia? Será que a vida, a morte… nós mesmos… não passamos de um breve sonho e na pior das hipóteses: um pesadelo?”.
Quando eu ainda era muito pequeno (apesar de que ainda o sou na estatura física), sempre, ao olhar o céu estrelado durante a noite, ficava imaginando se tinha possibilidade de existir outro ser, idêntico a mim, tanto na personalidade, quanto no temperamento, mas que reagisse de outra forma diante das mesmas circunstâncias que eu enfrentei aqui.
Talvez em um dos muitos planetas, universos ou galáxias o meu “eu verdadeiro” estivesse vivendo.
Fico observando como minha mente viaja tão longe, e perscruta idéias tão absurdas!
Se bem que agora, crescido e adulto, posso dizer que, na realidade, nada é mais absurdo do que a própria vida (e se este termo será levado para o bom ou o mal sentido, vai de cada um). Tanto as ilusões nas quais acredita uma criança, quanto as inúmeras idiotices gigantescas e grosseiramente loucas que nós, adultos, defendemos são um completo absurdo.
O problema é que… Se estes meus pensamentos são verdadeiros, (e temo extremamente por isso): que tudo e todos são apenas sonho…
Ponho-me em um divã (em verdade coloco este “eu” no divã) e pergunto a mim mesmo: se tudo é um sonho (ou um pesadelo), é certo que em algum lugar eu, no caso o meu “eu verdadeiro” esteja dormindo, ou talvez em coma, ou ainda esteja passando por uma experiência de “quase-morte”.Caso seja assim… Todos os meus vinte e cinco anos, minhas lembranças boas e más, meus amigos e inimigos não passam de montagens abstratas e randômicas do cérebro deste “eu verdadeiro” sobre a realidade verdadeira (já que a minha realidade é o sonho) enfrentada por ele, e que no momento está dormindo.
Uma coisa pelo menos me consola se estas loucuras forem verdade: posso confiar que nada deste sonho foi inventado, apenas modificado sem uma ordem prévia.
É complicado explicar isso pra você, pois eu nem sei quem você é e como está reagindo a esta carta. No entanto, eu escolhi você. Vai que eu tenha morrido e você esta lendo esta carta por que o destino quer que você me ajude a encontrar a luz? (…) Estou brincando, seu idiota!
Minhas pálpebras não se unem, e quando, vez por outra, isso acontece, logo os pulmões gritam e perdem o ar. Quando o pulmão está tranqüilo, o coração entra na era contemporânea musical, e sai do ritmo, sai do compasso, quebra o padrão. Vou me esvaindo, caindo em nenhuma direção.
Pense bem: como é que os homens podem afirmar que em um ponto determinado da Terra é o Norte, e em outro é o Sul (que uma parte é o alto, e outro é o baixo) se a Terra é redonda, e a uma circunferência não se encontra lado algum? E ainda: Como eles podem ter certeza que o Norte é para cima, se não sabemos onde é o teto do Universo? É exatamente por este motivo que eu caio indo pra lugar nenhum, por que eu não sei qual é o lugar de algo, ou se há mesmo um lugar!
Você está me compreendendo? (…) Não, né?
Bom, minha cabeça está estourando, não por estas questões complicadas, mas por sono mesmo. Estou com medo de dormir! E se na verdade o meu “eu verdadeiro” é quem está dormindo, e em seu sonho eu aqui estou sentindo sono só por que no sonho dele ele quer que seja desta forma? Concluo que todas as minhas necessidades não passam puramente de um sonho, e por isso são irreais. Posso, então, ficar sem dormir? Certamente que não, pois se eu agir assim vou adoecer. E adoecer também é um sonho! E morrer? Morrer? Morrer também é um sonho, oras! Só que se eu morrer no sonho do meu “eu verdadeiro”, nem por isso meu “eu verdadeiro” terá deixado de viver! Então ele tornará a me trazer à vida (mesmo que esta também seja um sonho) para me fazer viver novamente todas estas maravilhas (no pior sentido da palavra).
Apesar de não ter certeza de tudo (o que é muito anormal) disto eu não duvido: em algum lugar, sonhando ou não, eu, ou o meu “eu verdadeiro” estou (á) vivo.
Isso não muda nada. Não me afeta em nada.
Hã? Se afeta meu “eu verdadeiro”? Aí eu não sei. Você teria que perguntar para ele!
-Pode falar… Sim… Entendo…
Pois, que seja… Se tudo isso for realidade… A conclusão pode seguir dois caminhos,
primeira: eu estou realmente sem nada para fazer de proveitoso. Ou,
segundo: Eu estou realmente lesado e desequilibrado.
Mas o que importa? Eu duvido que exista alguém no mundo, vivo ou não, que possa afirmar alguma coisa acerca desta vida de interrogações.
Então… Qualquer tese, qualquer hipótese e teoria devem ser consideradas dignas de algum aprofundamento, inclusive esta minha tese absurda!
Tchau!
Daniel Vieira de Carvalho
09/04/2008
Sonho, morte ou realidade?
“Para quem interessar”:
Não sei que dia é hoje, nem que horas devem ser ao certo. Sei que estou aqui, que estou respirando, vendo pessoas ao meu redor, ouvindo diversos timbres de vários instrumentos, e percebendo diferenças entre os sons musicais e o som das diversas vozes a conversar. Sei isto, por que meus sentidos enviam isto ao meu cérebro. Por alguma razão que desconheço eu acredito piamente que tudo é verdade. Talvez por tudo ter sido exatamente desta maneira desde que me recordo, desde que me conheço por gente: sinto, portanto existo!
Hoje, penso, parece um dia como qualquer outro: as gotas de chuva caem com leveza delicada sobre a terra, e esta exala um odor úmido e único. Mas há uma exceção, há uma fagulha de desconfiança que paira sobre a mente… E é justo a minha, a minha mente, como sempre, claro!
Não sei… Todavia… algo dentro de mim persiste em repetir uma mensagem, pelo menos é o que eu creio ser: uma mensagem. Como se em mim vivesse outro “eu”, um outro ser dentro de mim. Pode ser uma frase, um ideal, um conceito ou simplesmente… Uma mensagem. Pra ser sincero eu mesmo não consigo discernir, mas com freqüência estas estranhezas me ocorrem.
Este “outro eu” me desvendou um outro lado de tudo, um detalhe que eu ainda não percebera: “Porventura… Se… Será… que todos nós não estamos vivendo numa eterna e contínua utopia? Será que a vida, a morte… nós mesmos… não passamos de um breve sonho e na pior das hipóteses: um pesadelo?”.
Quando eu ainda era muito pequeno (apesar de que ainda o sou na estatura física), sempre, ao olhar o céu estrelado durante a noite, ficava imaginando se tinha possibilidade de existir outro ser, idêntico a mim, tanto na personalidade, quanto no temperamento, mas que reagisse de outra forma diante das mesmas circunstâncias que eu enfrentei aqui.
Talvez em um dos muitos planetas, universos ou galáxias o meu “eu verdadeiro” estivesse vivendo.
Fico observando como minha mente viaja tão longe, e perscruta idéias tão absurdas!
Se bem que agora, crescido e adulto, posso dizer que, na realidade, nada é mais absurdo do que a própria vida (e se este termo será levado para o bom ou o mal sentido, vai de cada um). Tanto as ilusões nas quais acredita uma criança, quanto as inúmeras idiotices gigantescas e grosseiramente loucas que nós, adultos, defendemos são um completo absurdo.
O problema é que… Se estes meus pensamentos são verdadeiros, (e temo extremamente por isso): que tudo e todos são apenas sonho…
Ponho-me em um divã (em verdade coloco este “eu” no divã) e pergunto a mim mesmo: se tudo é um sonho (ou um pesadelo), é certo que em algum lugar eu, no caso o meu “eu verdadeiro” esteja dormindo, ou talvez em coma, ou ainda esteja passando por uma experiência de “quase-morte”.Caso seja assim… Todos os meus vinte e cinco anos, minhas lembranças boas e más, meus amigos e inimigos não passam de montagens abstratas e randômicas do cérebro deste “eu verdadeiro” sobre a realidade verdadeira (já que a minha realidade é o sonho) enfrentada por ele, e que no momento está dormindo.
Uma coisa pelo menos me consola se estas loucuras forem verdade: posso confiar que nada deste sonho foi inventado, apenas modificado sem uma ordem prévia.
É complicado explicar isso pra você, pois eu nem sei quem você é e como está reagindo a esta carta. No entanto, eu escolhi você. Vai que eu tenha morrido e você esta lendo esta carta por que o destino quer que você me ajude a encontrar a luz? (…) Estou brincando, seu idiota!
Minhas pálpebras não se unem, e quando, vez por outra, isso acontece, logo os pulmões gritam e perdem o ar. Quando o pulmão está tranqüilo, o coração entra na era contemporânea musical, e sai do ritmo, sai do compasso, quebra o padrão. Vou me esvaindo, caindo em nenhuma direção.
Pense bem: como é que os homens podem afirmar que em um ponto determinado da Terra é o Norte, e em outro é o Sul (que uma parte é o alto, e outro é o baixo) se a Terra é redonda, e a uma circunferência não se encontra lado algum? E ainda: Como eles podem ter certeza que o Norte é para cima, se não sabemos onde é o teto do Universo? É exatamente por este motivo que eu caio indo pra lugar nenhum, por que eu não sei qual é o lugar de algo, ou se há mesmo um lugar!
Você está me compreendendo? (…) Não, né?
Bom, minha cabeça está estourando, não por estas questões complicadas, mas por sono mesmo. Estou com medo de dormir! E se na verdade o meu “eu verdadeiro” é quem está dormindo, e em seu sonho eu aqui estou sentindo sono só por que no sonho dele ele quer que seja desta forma? Concluo que todas as minhas necessidades não passam puramente de um sonho, e por isso são irreais. Posso, então, ficar sem dormir? Certamente que não, pois se eu agir assim vou adoecer. E adoecer também é um sonho! E morrer? Morrer? Morrer também é um sonho, oras! Só que se eu morrer no sonho do meu “eu verdadeiro”, nem por isso meu “eu verdadeiro” terá deixado de viver! Então ele tornará a me trazer à vida (mesmo que esta também seja um sonho) para me fazer viver novamente todas estas maravilhas (no pior sentido da palavra).
Apesar de não ter certeza de tudo (o que é muito anormal) disto eu não duvido: em algum lugar, sonhando ou não, eu, ou o meu “eu verdadeiro” estou (á) vivo.
Isso não muda nada. Não me afeta em nada.
Hã? Se afeta meu “eu verdadeiro”? Aí eu não sei. Você teria que perguntar para ele!
-Pode falar… Sim… Entendo…
Pois, que seja… Se tudo isso for realidade… A conclusão pode seguir dois caminhos,
primeira: eu estou realmente sem nada para fazer de proveitoso. Ou,
segundo: Eu estou realmente lesado e desequilibrado.
Mas o que importa? Eu duvido que exista alguém no mundo, vivo ou não, que possa afirmar alguma coisa acerca desta vida de interrogações.
Então… Qualquer tese, qualquer hipótese e teoria devem ser consideradas dignas de algum aprofundamento, inclusive esta minha tese absurda!
Tchau!
Daniel Vieira de Carvalho
09/04/2008
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Resenha do livro: Genealogia da Moral. Nietzsche, Fredrich. Col. Grandes Obras do Pensamento Universal – n°20. Ed. Escala. SP – SP.--
Em quais condições o homem inventou os juízos de valor expressos nas palavras bem e mal e que valor possuem tais juízos? Estimularam ou barraram o desenvolvimento até hoje? São signos de indigência, de empobrecimento, de degeneração da vida? Estas são as perguntas que norteiam todo livro deste pensador, considerado como um dos mestres das suspeitas, acompanhado por Freud e Marx.
Todos os conceitos são construídos socialmente num processo histórico. Sendo desta forma, Nietzsche procura em quais lugares históricos do pensamento da humanidade a moral e ética nasceram. Analisa a criação de conceitos fundamentais para a eticidade atual dentro do contexto em que foram criados.
A noção de conceitos criados humanamente é já, em si mesma, uma crítica à filosofia platônico-socrática, a qual ensina que os conceitos e idéias não podem pertencer ao mundo sensível, posto que os sentidos são enganosos, e por isso ficam “flutuando” no mundo das idéias...
Nietzsche não está preocupado em descobrir se foi alguma divindade que ordenou ou não quais preceitos morais deverá seguir a humanidade, pois já chegou à conclusão de que os preceitos morais dizem respeito aos homens e mulheres apenas, logo não são transcendentes, porém, imanentes à natureza.
O livro se divide em tratados, a saber:
1. A origem de “bem e mal” e “bom e mau”;
2. Falta, má consciência e fenômenos;
3. O que significam ideais ascéticos?
Não há como negar que Nietzsche seja polêmico, dada a forma como ele escreve seus textos, que sempre estão acompanhados de uma boa “pitada” de crítica apimentada. Entretanto, não se pode desprezar o pensamento de uma pessoa só por contrariar o pensamento de uma maioria, pois nem sempre a maioria fala a verdade. Em verdade, temos grandes exemplos de grandes maiorias cometendo graves equívocos.
Escreve em forma de aforismos, que segundo o próprio Nietzsche, requer uma arte de interpretar, isto é, aforismos são pedras a serem lapidadas com calma. Para compreender bem seus aforismos é preciso ser quase vaca, é preciso ruminar.
No primeiro tratado, o filósofo separa moral em duas espécies: a moral de escravos e a moral de senhores.
Ele entende por nobre aquele em quem há uma afirmação positiva de si-mesmo, aqueles que eram os dominadores, os poderosos, os senhores; nobre é aquele que age positivamente na construção de seu si-mesmo por meio de si-mesmo. Difere-se do ressentido na medida em que para sentir-se feliz e bom precisa partir de si mesmo para tal, não de outrem.
O ressentido, por sua vez, é aquele que para construir sua felicidade, precisa comparar-se a um outro que lhe é diferente, um não-mesmo (um que não seja si-mesmo); este outro a quem se compara lhe é superior. Desta comparação nasce a inversão de valor “bom” e “mau”: “Bom sou eu, que sou inferior ao nobre (aquele que age) e mau é o nobre que, por ser superior a mim, me inferioriza”. Note-se que o ressentido sofre nesta comparação que ele mesmo faz, sente-se retraído, ofende-se. Ao comparar-se culpa o nobre (que lhe é superior) como causador de sua inferioridade. O ressentido, portanto, é aquele que sofre uma ação, e apenas por meio desta ação sofrida é que age, isto é, reage.
Essa moral ressentida é a moral de escravos que cria valores negativos em relação ao outro e ao próprio sujeito ressentido.
O sim que o nobre diz, diz a si-mesmo; o não que o fraco (ressentido) diz, não diz a si-mesmo, mas a um que não é si-mesmo, a um não-mesmo, negativiza o superior e o diferente de si. É exatamente sob este aspecto que surge o niilismo, que nada mais é do que todo este processo do ressentimento em negar, em dizer não à vida, à vontade de potência que é inerente à vida e à natureza.
No segundo tratado, o autor descreve a origem da má consciência, que é exposta como os instintos reprimidos que não se exteriorizaram e então se voltam para dentro, contra o homem mesmo que possui esses instintos; e da noção de dívida, proveniente das relações entre credor e devedor, é que surge a idéia de culpa.
No último tratado, sobre o ideal ascético, o filósofo batalha contra os negadores compulsivos, ou seja, aqueles que negam a vida, a natureza, os princípios básicos de vida.
Para resumir de forma simples, porém, contundente o que significam os ideais ascéticos para este homem, que eu considero, um dos mais ousados filósofos, podemos usar uma frase do próprio livro:
“O ideal ascético tem sua origem no instinto de proteção e de salvação própria a uma vida em degenerescência.”
Há muito o que se aprofundar nesta pequena frase e podemos seguir os mesmos caminhos de Nietzsche para entende-la.
O ideal ascético professa, direta ou indiretamente (mais indiretamente do que diretamente – os leitores de Nietzsche entenderão bem se eu falar em becos, valados e lugares escuros), que a vida não é um fim em si mesmo, porém apenas um meio para se chegar a uma outra vida que estaria no além. Explicando de outra forma, a vida é enxergada como uma ponte, um teste, uma passagem... A vida ascética é vida post-mortem.
Nas palavras de Friedrich:
“Um modo monstruoso de apreciar a vida não é um caso excepcional na história humana; constitui um dos estados, de fato, dos mais gerais e mais duradouros”.
Este ideal, portanto, foi visto pela sociedade como o único ideal possível de ser vivido. Não houve nenhum outro ideal que lhe servisse de oposição (pelo menos os que tentaram não conseguiram).
Nietzsche também critica os cientistas modernos como aqueles que possuem em seu interior a força propulsora do ideal ascético, pois acreditam ainda na existência da verdade, são seus defensores.
A gênese do ideal ascético se encontra justamente no ponto em que o homem sentiu necessidade de dar sentido para o sofrimento, como vemos:
“O homem, o animal mais corajoso e mais acostumado ao sofrimento não diz não ao sofrimento em si; ele quer, ele até o procura, supondo que lhe seja indicado, um sentido de que seja portador, um para além do sofrimento. É o vazio de sentido do sofrimento, não o sofrimento, que constituía a maldição que pesava sobre a humanidade até hoje – e o ideal ascético lhe oferecia um sentido!”
Traduzamos isso: Contra a falta de sentido, contra a falta de certeza, contra a natureza da mudança, presente na vida, nasce o asceticismo, dando um sentido ao “por quê” do sofrimento, retirando do homem o perigo do niilismo. Entretanto, as conseqüências são bem piores do que se imaginava, criou-se um homem ressentido em relação à vida... Poderia parecer melo-dramático, mas podemos usar até a palavra mágoa neste contexto. Esta mágoa, porém, é reativa, pois se trata de estar magoado profundamente com a vida, de tal maneira que a ação do homem agora converge para nega-la, e, tendo reagido assim, construir todo um ideal pós-morte, onde exista uma outra vida, mais digna, mais aceitável e sem... Sofrimento!
Concluindo a resenha, sinto necessidade de acender uma lamparina nesta escuridão e trazer para mim os olhares de todos os que criticam Nietzsche (os que leram comentários sobre ele e não suas obras mesmo). Por meio do perspectivismo proposto pelo autor, devemos levar em consideração todos os pontos de vista... Entretanto, quais seriam os pontos de vista mais aceitáveis? Respondo: Aqueles que não denigrem, nem pretendem destruir a beleza da natureza e da vida no aqui e no agora!
Todos os conceitos são construídos socialmente num processo histórico. Sendo desta forma, Nietzsche procura em quais lugares históricos do pensamento da humanidade a moral e ética nasceram. Analisa a criação de conceitos fundamentais para a eticidade atual dentro do contexto em que foram criados.
A noção de conceitos criados humanamente é já, em si mesma, uma crítica à filosofia platônico-socrática, a qual ensina que os conceitos e idéias não podem pertencer ao mundo sensível, posto que os sentidos são enganosos, e por isso ficam “flutuando” no mundo das idéias...
Nietzsche não está preocupado em descobrir se foi alguma divindade que ordenou ou não quais preceitos morais deverá seguir a humanidade, pois já chegou à conclusão de que os preceitos morais dizem respeito aos homens e mulheres apenas, logo não são transcendentes, porém, imanentes à natureza.
O livro se divide em tratados, a saber:
1. A origem de “bem e mal” e “bom e mau”;
2. Falta, má consciência e fenômenos;
3. O que significam ideais ascéticos?
Não há como negar que Nietzsche seja polêmico, dada a forma como ele escreve seus textos, que sempre estão acompanhados de uma boa “pitada” de crítica apimentada. Entretanto, não se pode desprezar o pensamento de uma pessoa só por contrariar o pensamento de uma maioria, pois nem sempre a maioria fala a verdade. Em verdade, temos grandes exemplos de grandes maiorias cometendo graves equívocos.
Escreve em forma de aforismos, que segundo o próprio Nietzsche, requer uma arte de interpretar, isto é, aforismos são pedras a serem lapidadas com calma. Para compreender bem seus aforismos é preciso ser quase vaca, é preciso ruminar.
No primeiro tratado, o filósofo separa moral em duas espécies: a moral de escravos e a moral de senhores.
Ele entende por nobre aquele em quem há uma afirmação positiva de si-mesmo, aqueles que eram os dominadores, os poderosos, os senhores; nobre é aquele que age positivamente na construção de seu si-mesmo por meio de si-mesmo. Difere-se do ressentido na medida em que para sentir-se feliz e bom precisa partir de si mesmo para tal, não de outrem.
O ressentido, por sua vez, é aquele que para construir sua felicidade, precisa comparar-se a um outro que lhe é diferente, um não-mesmo (um que não seja si-mesmo); este outro a quem se compara lhe é superior. Desta comparação nasce a inversão de valor “bom” e “mau”: “Bom sou eu, que sou inferior ao nobre (aquele que age) e mau é o nobre que, por ser superior a mim, me inferioriza”. Note-se que o ressentido sofre nesta comparação que ele mesmo faz, sente-se retraído, ofende-se. Ao comparar-se culpa o nobre (que lhe é superior) como causador de sua inferioridade. O ressentido, portanto, é aquele que sofre uma ação, e apenas por meio desta ação sofrida é que age, isto é, reage.
Essa moral ressentida é a moral de escravos que cria valores negativos em relação ao outro e ao próprio sujeito ressentido.
O sim que o nobre diz, diz a si-mesmo; o não que o fraco (ressentido) diz, não diz a si-mesmo, mas a um que não é si-mesmo, a um não-mesmo, negativiza o superior e o diferente de si. É exatamente sob este aspecto que surge o niilismo, que nada mais é do que todo este processo do ressentimento em negar, em dizer não à vida, à vontade de potência que é inerente à vida e à natureza.
No segundo tratado, o autor descreve a origem da má consciência, que é exposta como os instintos reprimidos que não se exteriorizaram e então se voltam para dentro, contra o homem mesmo que possui esses instintos; e da noção de dívida, proveniente das relações entre credor e devedor, é que surge a idéia de culpa.
No último tratado, sobre o ideal ascético, o filósofo batalha contra os negadores compulsivos, ou seja, aqueles que negam a vida, a natureza, os princípios básicos de vida.
Para resumir de forma simples, porém, contundente o que significam os ideais ascéticos para este homem, que eu considero, um dos mais ousados filósofos, podemos usar uma frase do próprio livro:
“O ideal ascético tem sua origem no instinto de proteção e de salvação própria a uma vida em degenerescência.”
Há muito o que se aprofundar nesta pequena frase e podemos seguir os mesmos caminhos de Nietzsche para entende-la.
O ideal ascético professa, direta ou indiretamente (mais indiretamente do que diretamente – os leitores de Nietzsche entenderão bem se eu falar em becos, valados e lugares escuros), que a vida não é um fim em si mesmo, porém apenas um meio para se chegar a uma outra vida que estaria no além. Explicando de outra forma, a vida é enxergada como uma ponte, um teste, uma passagem... A vida ascética é vida post-mortem.
Nas palavras de Friedrich:
“Um modo monstruoso de apreciar a vida não é um caso excepcional na história humana; constitui um dos estados, de fato, dos mais gerais e mais duradouros”.
Este ideal, portanto, foi visto pela sociedade como o único ideal possível de ser vivido. Não houve nenhum outro ideal que lhe servisse de oposição (pelo menos os que tentaram não conseguiram).
Nietzsche também critica os cientistas modernos como aqueles que possuem em seu interior a força propulsora do ideal ascético, pois acreditam ainda na existência da verdade, são seus defensores.
A gênese do ideal ascético se encontra justamente no ponto em que o homem sentiu necessidade de dar sentido para o sofrimento, como vemos:
“O homem, o animal mais corajoso e mais acostumado ao sofrimento não diz não ao sofrimento em si; ele quer, ele até o procura, supondo que lhe seja indicado, um sentido de que seja portador, um para além do sofrimento. É o vazio de sentido do sofrimento, não o sofrimento, que constituía a maldição que pesava sobre a humanidade até hoje – e o ideal ascético lhe oferecia um sentido!”
Traduzamos isso: Contra a falta de sentido, contra a falta de certeza, contra a natureza da mudança, presente na vida, nasce o asceticismo, dando um sentido ao “por quê” do sofrimento, retirando do homem o perigo do niilismo. Entretanto, as conseqüências são bem piores do que se imaginava, criou-se um homem ressentido em relação à vida... Poderia parecer melo-dramático, mas podemos usar até a palavra mágoa neste contexto. Esta mágoa, porém, é reativa, pois se trata de estar magoado profundamente com a vida, de tal maneira que a ação do homem agora converge para nega-la, e, tendo reagido assim, construir todo um ideal pós-morte, onde exista uma outra vida, mais digna, mais aceitável e sem... Sofrimento!
Concluindo a resenha, sinto necessidade de acender uma lamparina nesta escuridão e trazer para mim os olhares de todos os que criticam Nietzsche (os que leram comentários sobre ele e não suas obras mesmo). Por meio do perspectivismo proposto pelo autor, devemos levar em consideração todos os pontos de vista... Entretanto, quais seriam os pontos de vista mais aceitáveis? Respondo: Aqueles que não denigrem, nem pretendem destruir a beleza da natureza e da vida no aqui e no agora!
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