quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Discurso para ampliamento do Espaço Entretenimentório


Este texto eu escrevi a todos os meus amigos antes de vir pra Vinhedo, onde estou morando agora.
Sabendo que nós, humanos, somos seres simbólicos, decidi utilizar um mito grego para escrever este discurso que estou pronunciando aos meus amigos, irmãos e irmãs.
Trata-se de um mito que eu encontrei há um bocado de tempo, em torno do qual eu construí grande parte do que sou hoje, no qual me inspirei e identifiquei características minhas e características de cada um de meu círculo “social”.
Algumas partes do que escrevo foram retiradas da internet, já que meus livros estão todos encaixotados, outras partes eu retirei das sínteses que eu mesmo fiz do que aprendi de meu grande amigo Nietzsche e do velho Heráclito!
Zeus era um deus safado e vivia pulando a cerca. Hera, sua esposa, apesar dos inúmeros chifres, sempre encontra um modo de “dar o troco”.  Ela era bem cruel nisso, mas Zeus não ajudava muito.
Certa feita, Zeus se transformou em uma serpente para conseguir transar com Perséfone (Zeus tinha esse problema com animais... E para cada mulher ele se mostrava de alguma forma diferente, ganso, cobra, ave... Se eu fosse mulher... Bom... Eu preferiria Zeus com um corpo de homem mesmo... Serpente, ganso... Não sei como elas sentiam tesão com isso!). Enfim, Zeus se transformou em uma serpente, afogou o ganso em Perséfone e nasceu um tal de Zagreu (não, não era Zaqueu, era ZaGREU). Hera ficou revoltadíssima e incitou os Titãs para que matassem Zaqueu... ZAGREU. Os titãs mutilaram Zagreu, comeram todas as partes do seu corpo, menos o coração, coração que Atenas salvou e levou até Zeus. Zeus fez uma poção com o coração de Zagreu e deu a uma mulher chamada Sêmele, a qual engravidou de Zeus.
Em apenas um parágrafo Zeus traiu Hera duas vezes! Como diria a Michilene: “Ele é booom”.
Hera ficou putíssima! Foi até Sêmele e disse a ela pra provar se Zeus era mesmo Zeus. “Ai, amigui, não sei, não, viu... Acho que esse bofe que te engravidou não é Zeus coisíssima nenhuma... Pede pra ele te dar uma prova de que é mesmo Zeus, boba... Fala pra ele aparecer pra você em forma de gente mesmo, quer dizer, de deus... Credo, fica aí te visitando em forma de animal... Vai saber se um dia desses ele vem em forma de ornitorrinco... eu hein!”
E assim, Sêmele pediu a Zeus que mostrasse quem ele realmente era. Ele arrancou a roupa, mostrou todos os músculos, raios e trovôes! Poder, sedução e magia, amigui! ARRASOOO! Só que daí ela morreu queimada no plano espiritual, virou cinza!
Zeus conseguiu salvar o filho de Sêmele que estava ainda vivo e costurou ele em sua coxa. Depois disso, nasceu Dionísio.
Dionísio foi o único deus do Olimpo que foi filho de uma mortal. Surgiu do meio do fogo. E concebido com o sangue do coração de um homem que morreu por vingança.
Dionísio é filho do fogo. O fogo é mudança contínua. Ao mesmo tempo que transformou sua mãe em cinza, deu à luz um deus. O fogo consome o oxigênio para poder arder, consome tudo à sua volta. Mas é também o fogo que proporciona calor, luz e que foi o maior descobrimento que o ser humano já fez.
Dionísio é o deus do caos, porque nasceu em meio a um tormento de relações, ciúmes e expectativas. Foi um deus adotado por uma nação que considerava bárbaro todos os que não falassem sua língua. Dionísio não era um deus tipicamente grego, era um deus de qualquer outro lugar, menos da Grécia, era um deus bárbaro, fora do padrão. Não estava no padrão, mas acabou por seduzir toda a Grécia, e depois Roma. Mulheres alucinadas que gritavam possuídas pelo deus, homens que esquartejavam animais e comiam suas carnes cruas, cidadãos que participavam de uma grande orgia ao ar livre, gritando “Io, Io, Bromios (o deus que troveja e grita loucamente), Io, io, Dendrites (o deus das árvores e da fertilidade)”
Dionísio não é apenas o deus do vinho e da alegria, é o deus do caos e da fertilidade, o deus dos loucos, dos que não se deixam aprisionar por padrões e sistemas, é o deus que seduz com a liberdade. E a liberdade, tenho descoberto isso pragmaticamente nos últimos dias, é uma mistura de angústia e satisfação, é uma junção de rupturas e novas construções.
Todos vocês estão aqui hoje, na casa da minha querida Cidinha Bronzatto, não são normais. Cada um de nós sofreu amargamente por perceberem que não fazem parte de alguma coisa, de algum grupo... Nós todos padecemos a mesma angústia, a angústia de não ter sentimento de pertencimento, de não ser de ninguém que não nós mesmos. Como disse o Fábio, nós compartilhamos solidão.
Escrevi este texto, porque eu encontrei um grupo de pessoas que, como eu, não sabem exatamente o seu lugar no mundo, pessoas que, assim como eu, sentem-se jogadas no mundo. Como se viéssemos de um útero que se transformou em cinzas e tendo sido criado nas coxas de um deus. Sentimos, aos mesmo tempo, que somos cinza, mas que temos algo dentro que é superior. Sim, nós somos espíritos superiores!
E nós construímos juntos um culto, um culto de mistérios, um culto a um deus que nos é semelhante... Que também sofreu das mesmas angústias. Um deus exilado, amado e odiado. Falando assim, até parece que estou falando de um outro deus... um que ficou pregado... Mas isso é apenas cópia, né? Não, eu estou falando de Dionísio, não confundam!
Sem perceber, nós louvamos o deus do vinho o tempo todo. Sem perceber, nós construímos um grupo. Sem perceber, nós nos tornamos sátiros e ninfas.
Sou muito grato a todos vocês, porque nós construímos juntos um sentimento de pertencimento. Sem pertencer a lugar algum, acabamos por pertencer a nós todos. E espero que nosso sentimento de união e pertencimento continue como o fogo que arde até se consumir por inteiro.
A Michilene já disse que nós não estamos indo embora, mas ampliando nosso espaços de divertimento. Eu acrescento que não estamos nos despedindo, estamos ampliando nosso culto a Dionísio!
Ao Bryan, meu irmão e companheiro; à Cidinha, que me ensinou a ser artista; ao Fábio, que me mostrou quão valioso eu sou, e por quem eu tenho tanta satisfação em ter conhecido; à Michilene, que foi iniciada nos nossos mistérios e se tornou fiel escudeira;  e a todos que estão aqui presentes (cita o nome, fedaputa!) – e ainda tem tanta gente a quem eu tenho que agradecer – eu agradeço por tudo o que vocês me proporcionaram. Pode ser que não dê certo em Vinhedo, e caso isso aconteça, sei que ainda terei meu lugar entre vocês. E caso dê certo, eu nunca vou me esquecer de ninguém e nós vamos continuar sendo esta família que somos, este bando de gente anormal e repleto de divertimento.
Amo todos vocês!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Taubaté tem visgo, musgo e marmelada!


As eleições estão chegando e o circo já está pegando fogo faz tempo. Na verdade, o picadeiro foi armado, a palhaçada já aconteceu, o povo entrou em recesso e os políticos vão se aproveitar ainda do Carnaval e de todo tipo de mecanismos que encontrarem para ludibriar o povo nessa época tão importante. E ainda tem algodão doce ali na saída! Sinto muito pela pizza, mas ela acabou bem antes do circo!

E agora a mídia e a sociedade como um todo iniciam o processo de tortura ao cidadão. O coletivo oprime o indivíduo e cobra suas responsabilidades em relação à sua comunidade.
O deus do “tu deves” paira agora sobre cada indivíduo com trovões, raios e rajadas de vento que ecoam na consciência do sujeito. O artifício da culpa nunca é tão utilizado como em épocas de eleições.
“Vote consciente”, “vote em mim”, “vote nele”, “faça isso”, “faça aquilo”... “TU DEVES” aos milhares...

Diante da repulsiva atitude dos vereadores da cidade de Taubaté, diante de todas as falcatruas do querido ex-detento e prefeito Roberto Peixoto, diante de toda esta corja repugnante e parasitária, toda a responsabilidade por todos os erros cometidos são transferidos para o eleitor, afinal, foi ele quem escolheu a raça de aves de rapina nas eleições passadas! O povo é um rebanho de ovelhas o tempo todo, obedece, cala, consente, aplaude e se sujeita durante os anos posteriores à eleição, mas quando a época de fazer emergir das cinzas os nossos representantes chega, passamos de ovelhas obedientes a bodes expiatórios. A culpa é toda nossa!

O que é política, senão as relações econômicas existentes entre o Estado e as empresas privadas? O que é política, senão o desejo de lucro à custa dos servidores públicos? A política perdeu seu sentido primordial. Isso não aconteceu agora, é fruto de um processo lento como o câncer. E como um câncer, a política foi sendo corroída aos poucos e agora já não restam tantas pessoas que nela acreditem. O interesse não é mais o da pólis, muito menos, por consequência, o cidadão tem o mesmo papel que tinha. O papel do cidadão é de mero espectador do grande espetáculo capitalista!

Exigir, a essa altura do campeonato, que o cidadão exerça seu papel é exigir que continuemos a fingir que a máquina eleitoral democrática funciona, quando, de fato, o que funciona é este cassino de cartas marcadas. O papel do cidadão vai muito mais além do que apenas comparecer às urnas ao som dos bips esquizofrênicos! O papel do cidadão, realmente, é o de maior importância para a manutenção de uma cidade, de um estado, de um governo, de um país. Os deputados, vereadores, prefeitos, governadores é quem devem representar, não nós!

Infelizmente ainda há quem acredite que vivemos uma democracia, pior ainda é que existem inúmeros infelizes que defendem que esta “democracia” é participativa! E eu só consigo rir disso! Democracia é uma caricatura de um sonho que o capitalismo jamais permitirá acontecer da forma em que, inicialmente, foi concebida. E democracia participativa é um pleonasmo sarcástico demais para se defender com tanta seriedade... Se é a “cracia” do “povo”, logo o povo participa! Se é necessário instaurar “participativa” após “democracia” é porque alguma coisa já está fedendo, é uma indicação crassa de defunto putrefato, de coisa podre e repulsiva demais para ser ponderada.

O grande X da questão é que entre o voto de um cidadão e a posse de um determinado candidato existem coisas muito maiores que nosso vil conhecimento pode assimilar!
E aí eu ouço vários indivíduos condenando a atitude de uma mulher quando ela disse: “Eu prefiro pagar multa a ter que votar”.
Realmente, este também é um direito do cidadão. Ou ainda é democracia, a cracia que impõe ao sujeito o que ele deve ou não fazer em relação ao seu próprio papel de cidadão? Não seria isso uma forma velada de ditadura? Faz parte da decisão do cidadão o escolher não votar em ninguém, porque ele, em sua decisão livre e soberana, pode não compactuar com nenhum de todos os candidatos!

O voto, no Brasil, é obrigatório. Oras, não seria um direito do cidadão o não querer votar em ninguém? Afinal, escolher um candidato é o mesmo que escolher um escravo, que, teoricamente, irá representar as minhas vontades, as vontades da polis, a vontade do bem comum... Certo? Se eu não encontrar ninguém que esteja à altura de me representar, então eu tenho todo o direito de não votar, ou eu preciso escolher qualquer candidatozinho (o tiririca é um bom exemplo deste tipo) apenas para satisfazer a opinião alheia? Quer dizer que para que as pessoas não fiquem tristes comigo eu preciso, obrigatoriamente, votar em qualquer um?

Daí que eu seja contrário a esta obrigatoriedade no votar.

(Momento de divagação: Imagine se o voto no Brasil fosse não-obrigatório! Se assim fosse, quais tipos de cidadãos iriam às urnas? Aposentados? Idosos? Empresários? Professores? Estudantes? Quem? ... Quais tipos de candidatos estão realmente preparados para pensar e refletir sobre o que realmente precisam, sobre quem realmente deveria estar no poder?  Tenho um lapso de intuição! É um “achismo”, confesso, mas há muito fundamento nisso! ... Quantas pessoas são alfabetizadas, no Brasil? Dentre as não-alfabetizadas, quais as chances de que compreendam com maior clareza as propostas de um determinado partido? Quantos professores existem no Brasil? Dentre eles, quantos aprovam o sistema de educação brasileira? Afinal, se o voto não fosse obrigatório, quais áreas da sociedade estariam mais interessadas nas eleições? Tenho certeza de que perguntas como estas podem nos dar um feed-back mais coeso sobre o motivo de manter a obrigatoriedade do voto...)

O problema de Taubaté é que o buraco continua sendo sempre mais embaixo! Estamos numa democracia e, apesar de eu discordar deste regime político, escolher não votar também é uma forma de exercer sua cidadania, porque para escolher não votar é preciso escolher, isso não é também um "voto consciente"?

Votar no ”menos pior”(utilizando o jargão) realmente é uma atitude decadente. Quer dizer então que pra eu mostrar socialmente que eu sou um bom cidadão e me preocupo com o julgamento moral que podem fazer a meu respeito, caso eu não vote em nenhum candidato, eu preciso desesperadamente votar em alguém? Isso seria uma espécie de "voto não-consciente" certo? E inconsistente, reforço!

Agora, se pudéssemos colocar nas eleições um candidato do grupo de resistência, e se conseguíssemos mais do que apenas um, isso seria ótimo. E eu votaria nele conscientemente!

Mas como, pelo que temos visto no decorrer dos preparativos das eleições do fim do mundo, não haverão candidatos que resistam de alguma forma este poderio peixotiano (que já se tornou até um sinônimo para corrupção e banditismo), então eu também não irei votar, pois como cidadão eu possuo o direito de duvidar do processo eleitoral, o que aliás, acho uma grande parcela dos taubateanos duvidam!

Mesmo se conseguíssemos eleger um candidato que se posicione contrário a qualquer tipo de poder que prejudique o bem comum, mesmo assim, ele será apenas um num complexo emaranhado de jogo político, cujas cartas marcadas (Robson Lima, Luizinho da Farmácia, Chico Saad e outros da mesma estirpe -raça seria um termo mais plausível) fazem perdurar a ridicularidade taubateana.

Precisamos de movimentos sociais que pressionem, de mecanismos de resistência, tais como o “Transparência Taubaté”, iniciados no facebook.

E digo mais, grupos de resistência como este precisam sair da virtualidade e se reunir para discutir idéias, não apenas para protestar, mas para instaurar a prática da antiga ágora grega, de onde surgiu o conceito puro de democracia, que, posteriormente, foi deturpada e na qual nos encontramos algemados para sempre!
Eu, como cidadão taubateano, estou profundamente desapontado com minha cidade. Estou de malas prontas para migrar pra Vinhedo onde meu trabalho, como músico, é bem mais valorizado do que aqui.

Tenho que deixar meus parentes, amigos e conhecidos pra poder crescer, porque aqui isso não é possível a artista algum que se preze, que leve a sério seu talento.

Cito, apenas como exemplo microcósmico, a Escola Fêgo Camargo, que está abandonada nas mãos de pessoas como Ivo Salinas, que deixaram a qualidade da Escola cair a nível tartareano.

Uma escola onde os professores são expostos à exigências iguais às do ensino fundamental e médio, que se vêm obrigados a deixar que alunos que não tem o mínimo conhecimento musical passem de ano e peguem diplomas sem sequer ser dignos deles.
Cito também, como exemplo minúsculo, porém alarmante, o Teatro Metrópole, que cobra 2.000 reais para apresentações artísticas de seus próprios músicos, atores e dançarinos. Não há espaço público digno para se fazer boa música, bom teatro e boa dança. Temos que nos contentar com o Centro Cultural, com uma acústica péssima, com capacidade de apenas 150 pessoas sentadas.

Isso sem contar a manutenção do Teatro Metrópole, todos nós lembramos a quantidade de tempo que esperamos para que eles o reformassem. E, depois da reforma, ainda existiam trincas e rachaduras.
A Escola Fêgo Camargo tem professores excelentíssimos, alunos brilhantíssimos. Muitos de nós tivemos que deixar nossas casas e migrar para Barra Mansa (RJ), Belo Horizonte, Estados Unidos. E não tivemos apoio nenhum dessa prefeitura sem escrúpulos.

Todo ano os alunos de música almejam participar de festivais de música e, já que também não existe um festival de música em Taubaté (com mais 300 mil habitantes, renda gigantesca e uma escola como a Fêgo Camargo), juntamos nosso dinheiro e vamos a festivais de outros estados e cidades para aprender mais!

A prefeitura, quando ajuda, manda uma PERUA ou qualquer outro meio estapafúrdio de locomoção. Geralmente é um meio mesmo, termo do qual surge também a expressão "mediocridade"!
Dentro da Escola Fêgo Camargo, mais um exemplo (estou citando exemplos que fizeram parte da minha experiência durante mais de 13 anos de estudos nessa escola), o auditório é minúsculo, menor que o do Centro Cultural. O piano de 1/4 de calda já está arrebentado, devido à falta de manutenção (por acaso, o piano do teatro metrópole tem até arame pra evitar que a tampa caia durante as audições).

Como ia dizendo, de fato o que temos não é um auditório, mas um malditório.

No caso do piano, foi uma luta pra conseguir a compra dele. E com tantos anos de tradição na cidade, a Escola deveria ter pelo menos 2 deles. Na verdade tem 3! Um que está no teatro Metrópole, largado às traças; outro que está no auditório da escola Fêgo Camargo, em processo de deterioração; e mais um, também na escola Fêgo Camargo, que foi DOADO pelo honrado e falecido professor Alfredo Messina (outro músico de genialidade imensa - que, seguindo o padrão taubateano, não teve reconhecimento nenhum), mas que já é bem velho e mal cuidado! Ou seja, todos eles não fazem um piano digno!

Não falo isso apenas por que sou pianista, mas porque isso é apenas um símbolo da completa falta de respeito com o dinheiro público.
Concluo, pois, dizendo que citei exemplos pequenos que remetem a um problema muito maior.

Portanto, antes de me julgar pelos exemplos de microcosmo, peço que abstraiam e joguem essas minhas críticas a nível de macrocosmo, a nível de gestão do município de Taubaté, e analisem conjuntamente todas os outros inúmeros exemplos que bem conhecemos.
 E, finalmente, repensem o criticar alguém que expressa a total descrença na máquina eleitoral vigente, e que, por tais condições contextuais, se nega a votar no "menos pior"..
Eu vou estar em outra cidade ano que vem, bem longe disso tudo. Porque já estou enfadado de não ser reconhecido como artista que sou, e falo por inúmeros artistas que já saíram dessa cidade com a mesma intenção, com o mesmo desalento, dentre os quais conheço muitos.

Monteiro Lobato era um desses também. Taubaté perdeu! E continua perdendo!
É muito fácil jogar frases prontas no facebook para defender alguma coisa. "Quem não gosta de política é governado por quem gosta" e etc...

Isso é muito relativo! Porque eu gosto muito de política e não governo ninguém! E pode ser que quem não goste de política governe quem goste! Também é o nosso caso. Ou vocês irão me dizer que nossos deputados federais e estaduais gostam de polítca? Eles gostam é de dinheiro!

E isso se estende a vários políticos!

A verdade é que não existe mais política no Estado Moderno! Existe apenas Economia! E este é um ponto que nós ainda vamos demorar pra entender!

Aceitar isto no discurso é diferente de assimilar isso e, a partir desta assimilação, modificar a forma de encarar o sistema. Só assim conseguiremos novas estratégias de resistência.

Daí que eu seja favorável a que os grupos de resistência se reúnam e discutam novas idéias, novas propostas, procure pessoas que articulem as idéias com a prática e se misturem!
É preciso entender melhor não somente os movimentos dos trâmites políticos e burocráticos. É preciso aprofundar o conhecimento para melhorar ainda mais a prática!
Quem tem conhecimento, tem poder!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Bagagens, malas e lembranças...

Dedico este texto a todos os meus amigos e à minha família! 

 Lembro-me de quando me despedia de minha madrinha, na minha infância. Todas as vezes que eu a visitava em São Luiz do Paraitinga, nos sítios ou em sua casa nova, depois que ela machucou a perna e não pôde mais cuidar dos animais, da fazenda e das montanhas que haviam em sua antiga casa. Eu, ao entrar no carro, depois dos vários abraços, sentia um nó na garganta, como se nunca mais a fosse ver novamente. Como se todos os momentos com ela tivessem um ponto final, e de verdade, nunca tiveram... 

 Eu acordava cedo pra tirar leite das vacas, ou buscar o gado com ela em lugares distantes, que para mim era uma aventura! Acendi fogueiras nas montanhas, brinquei de voar nas alturas, corri por lugares secretos na mata e descobri a natureza. Na minha mentalidade infantil, tudo aquilo era magia, fantasia, e estes momentos me moldaram, me levaram a acreditar que a natureza é bela, que os homens é que são intrusos, que toda a natureza já existia antes mesmo de nós!

 Daí que eu me sentisse tão triste por deixar a casa de minha madrinha, porque lá eu descobri tantos mistérios, vivi tantas aventuras e desenvolvi minha imaginação infantil de uma maneira tão saudável! Viver uma vida simples, próximo da natureza, em contato com um ar tão puro que jamais respirarei novamente, cuidar dos animais e me divertir sozinho nas montanhas, ouvir os rios e cachoeiras seguindo seu curso foi um aprendizado incrível.

 Viver de forma simples me seria tão mais aprazível que desejar a fama, os aplausos e o reconhecimento. Infelizmente, nesta minha vida, meu desejo sempre foi maior que minha imaginação. E quanto mais desejo, mais sofrimento experimento. Não é possível domar o desejo que em mim queima intensamente, é como tentar domar o fogo... Nós, humanos, demoramos para aprender a manuseá-lo, e ainda temos tanto que aprender com o fogo! O desejo é algo destruidor, apesar de construir inúmeros prédios, é ele também o culpado pela destruição de tudo que se constrói.

 Hoje, vejo diante de mim uma nova oportunidade. Um momento de aventurar-me por outros caminhos. De fato, isto já se me havia apresentado há mais tempo do que posso perceber agora. O movimento interno já me mostrava que, apoditicamente, eu teria de encarar novas situações, enfrentar meus piores medos e buscar algo maior, a liberdade.

 Agora compreendo efetivamente o quão pesado é este fardo, o quanto de moedas de sangue são necessárias para ser livre. Vejo, empiricamente, a selvageria que subjaz a liberdade. Mas é necessário que eu enfrente o novo, o diferente, porque já me cansei do mesmo!

 Depois de tanto tempo, sinto aquelas mesmas sensações de saudade que eu sentia quando me distanciava daquele lugar de aventuras em São Luiz do Paraitinga... Agora, entretanto, o sofrimento é bem maior, posto que meu desejo já não é mais o de uma criança. Desde aquela época, meu desejo se tornou muito mais visceral... daí que o caminho que se me apresenta hoje não seja tão urgente, mas vem de longa data! Tudo não passa de símbolos que me remetem à minha busca por sentido na vida... E, talvez, eu jamais o encontre...

 Talvez eu tenha mesmo que me acostumar a este processo de criar e destruir, criar e destruir. Nunca o mito de Sísifo se tornou tão significativo para mim! Apesar do sofrimento constante que experimento por vislumbrar a eterna construção e destruição de meus próprios esforços, estou feliz por poder construir algo diferente (sabendo que um dia poderei estar sujeito a uma nova destruição também...).

 E o que me dói é este nó na garganta, porém, muito mais forte que o de outrora! Agora, este nó na garganta está todo embebido em uma teia gigante de relações que fiz, de inúmeras pessoas que me fizeram bem e mal (ou que nada me fizeram), de família, de amigos, de amores e dissabores...

 Diz respeito à minha cidade, ao lugar que eu encontrei e onde fui encontrado, um complexo de paixões e ódio, de alegrias e tristezas. Acumulei uma pesada bagagem, e esta bagagem, fruto de "eu+minha circunstância", é que colaborou para eu me tornar quem sou agora e quem estarei sendo daqui pra frente! Portanto, não são apenas as malas com roupas e livros, incensos e velas, caveiras e piano que eu estou levando para Vinhedo, são todas estas relações das quais fui me moldando e moldando minha realidade. Fui influenciado e influenciei a muitos!

 As bagagens, então, não serão carregadas somente por mim, pois eu compartilhei várias delas com outras pessoas. E estas pessoas estarão ligadas a mim, por meio deste acúmulo mútuo de bagagens, até o fim da minha vida.

 Vejo, de certa forma epifânica, um lapso do meu futuro. E já sinto tanta saudades de tanta gente, lugares e momentos! É uma tortura! Escrevo esse texto com a intenção de demonstrar a todos que se relacionaram comigo, para que saibam que são marcas que fizeram na minha memória para sempre, que jamais me esquecerei de minhas raízes como muitas pessoas fazem, pensando ser fruto de si mesmos! Eu não sou fruto apenas de mim mesmo, não posso transar comigo mesmo (e como queria poder!).

 Sou um resultado de tantos fatores, e estes fatores são sempre humanos. Agradeço, então, a todos os meus mais preciosos amigos que me proporcionaram os bons momentos para compartilharmos a solidão de quem existe; e agradeço a todos os meus amáveis inimigos, que só se constituíram inimigos porque são capazes disso, portanto terão sempre meu respeito!

 Estou indo, mas estarei ficando na mente de muitos... E na minha mente há um poço sem fundo, onde "jogo" todos os que amo, rsrsrs!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Postagem n° 100 -Minha desolação, minha angústia, minha guerra... minha vida!

"Comemorando" minha centésima postagem nesse blog, mais de 13.280 visitas, quero agradecer a todos os meus leitores, todos os que fizeram comentários, todos os que leram os textos que eu escrevi. E pra celebrar o 100° texto, eis aqui mais uma pérola minha, nascida e embebida no sangue de meus próprios sofrimentos (que são responsáveis por todo o meu desenvolvimento):

De que matéria é feita o artista, senão da angústia de sentir a inexistência de fundamento do real?
De que forma surge um guerreiro, senão desta vontade de querer criar um sentido para o mundo concreto, de melhorar a vida humana, de torná-la mais bela?
Ambos, o guerreiro e o artista, são uma mesma moeda.

Mas quem pode dizer do guerreiro que ele seja sempre forte? De fato, é porque ele enxerga seu destino de fracasso, sua própria morte, é que pode ousar ir para a guerra, ou no caso do artista criar sua arte, pois contempla que ele nada mais pode fazer, que está de mãos atadas, de que está jogado em sua própria solidão.
É daqui também que surge a alma de um herói ao estilo grego! Ele sabe que seu final será extremamente trágico, mas aceita seu destino, não foge dele, enfrenta-o até o fim, até que se derrame a sua última gota de sangue.

Hoje eu estou desolado pela minha própria solidão, mas que é isso senão um prenúncio da minha maior guerra, que é isso senão o vislumbre da criação da minha mais bela obra de arte, da música que será apenas minha, posto que foi criada durante o processo de minha solidão mais grave?

by Daniel Alabarce on Wednesday, December 14, 2011 at 9:53pm

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quem é meu próximo? PARTE II - Uma herança maldita

Em resposta ao comentário do Felipe, meu querido amigo, faço esta outra postagem, seguindo o mesmo tema do texto que escrevi um pouco antes, se você quiser ler, clique aqui

Falou corretamente, Felipe!E, tanto gostei de seu comentário, que quero acrescentar alguns pontos importantes, como desdobramento do que você escreveu!


De acordo com o desangelizador, Paulo de Tarso, os homens que não conhecem as leis de deus, morrerão e serão julgados de acordo com suas obras, independente do que diz as leis de deus (já que estes, neste contexto particular, não conhecem a lei, e se não conhecem, como serão julgados por não ter conhecido?)

Por outro lado, os que conhecem a lei, serão julgados de acordo com as leis de deus, dentre elas estão ordens das mais absurdas possíveis.

Supondo que estas leis sejam mesmo verdadeiras e existam em algum lugar do universo, não seria mais fácil que aqueles que não conhecem as leis de deus, que são inúmeras pormenorizadas em detalhes ridículos (as leis no Brasil foram criadas com base nesta forma de pormenorização da lei, vale lembrar...), enfim, não seria melhor que continuassem não conhecendo para ser julgado de forma justa, ou seja, pelas suas próprias ações e pelo poder da sua própria consciência, o que outorga, vale dizer também, uma noção de liberdade extrema e totalmente responsável?

Todavia, ainda permaneço na dúvida, pois sei que ela é mais eficaz no conhecer...

E, se, talvez, esse monte de leis consideradas divinas fossem um amontoado de leis criados num contexto histórico particular para um determinado povo particular, os judeus (ou hebreus, como quiserem)?

E se, talvez, essas leis não fossem realmente divinas, mas apenas humanas, dado o contexto histórico em que foram criadas, com a intenção de manipulação e controle de todo o grande rebanho existente, recém-saído do Egito antigo, uma terra cheia de conhecimento, saberes astrológicos incríveis e sabedoria que até hoje é fascinante?

Será que haveria outra forma de controlar um povo todo de hebreus (e de egípcios também que saíram juntamente com os hebreus "de balão") sem a criação de leis que tivessem sido dadas a um líder especial para manter a ordem dos indivíduos?

Será ainda que todo o Egito havia mesmo sido deixado para trás, ou teria permanecido marcado nas consciências dos hebreus, afinal eles ficaram no Egito mais de 400 anos, aprenderam muito com aquela sociedade, certo?

E por acaso isso não seria muito diferente do que acontece no Brasil, certo? Depois de uma ditadura militar, uma constituição foi criada para tornar o país democrático, mas, tendo sido criado no contexto de lutas e revoluções, também privilegiou os presos políticos... E também não é essa mesma lei, essa mesma constituição que, agora na atualidade presente, passa a privilegiar não os detentos políticos, revolucionários, mas os corruptos, os ladrões e os que se utilizam indevidamente do dinheiro público?

Ou seja, o povo hebreu não era um povo tão diferente do nosso. Apesar de se considerarem "os eleitos", com essa altivez imbecil, digna apenas de judeus mesmo, provocou uma calamidade histórica e cultural.

Porque, não satisfeitos em manterem leis que foram criadas apenas para eles e apenas para aquele devido contexto histórico, nos deixaram todas elas como uma herança maldita, da qual o cristianismo tomou para si como escudo e espada, matando todos os que discordassem delas!

Será ainda que podemos considerar o conceito de pecado que herdamos destes mesmos hebreus malditos e doentes?

Será mesmo que é pecado duvidar das leis "de deus", sendo que já conjecturamos que é possível que sejam mais humanas do que imaginamos...? Será mesmo que pecado existe? Será mesmo que todos os outros conceitos decadentes que nos sobrevieram desta raça maligna (e não estou fazendo distinção de raças de sangue, como um nazista, mas uma distinção de cultura, de pensamento)?

O Ocidente foi formado por três vertentes: uma romana, uma grega e uma judia...

Acho mesmo que todas as três só se uniram, porque todas as três aderiram também estes conceitos decadentes de pecado, culpa e juízo final...

Estes conceitos também foram bem oportunos para o capitalismo! Mas disto não convém tratar nesta postagem... Talvez uma próxima!

E tudo quanto é podre, nojento e repugnante no mundo moderno, pesquisem se tiverem dúvidas, é fruto de toda essa raíz hebréia, de gente doente e escravos revoltados contra aqueles que eram superiores a eles...

Fico imaginando um povozinho medíocre dentro de uma nação como o Egito antigo, esperando 400 anos por um libertador que nunca chegava... Os hebreus deviam mesmo odiar os egípcios, eles eram tão melhores que eles...

Daí a noção de santidade! Nós, os que sofremos, somos santos!

Daí também que para se tornar santo seja necessário tanto sofrimento, tanta humilhação, tanta... decadência!

Quer maior exemplo de escárnio e humilhação do que aquele que ficou exposto na cruz?

Ei-lo aí, o tempo todo, jaz na cultura ocidental um defunto!

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Sóbrio

Saí da taverna, de papo pro ar,
Mas senti o chão sob meus pés balançar...
O lado direito, o esquerdo, qual é?
Ó rua, estás bêbada, por minha fé!

Lua, que estranha imagem é a tua!
Olhas tão vesga para a minha rua...
Ó velha amiga, tu estás embriagada -
Isto não te fica bem, camarada!

E os lampiões, que visão deprimente!
Nenhum só está firme, ereto, decente!
Todos oscilam pra cá e pra lá -
Cada um deles bêbado qual um gambá!

Tudo balança, é a maior confusão!
Sóbrio só resto eu, meu irmão!
Graça não tem aqui bater perna:
Acho melhor eu voltar pra taverna!

BELINSKYM Tatiana. Um caldeirão de poemas. São Paulo: Companhia das letras, 2003. p 15.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quem é meu próximo?

Tenho por mim - aprendi muito bem essa lição - que a pior coisa a se fazer é ajudar o próximo, porque o próximo nunca é tão próximo quanto pensamos. Sou a favor de que cada próximo ajude a si mesmo, e só se estiver totalmente desapegado e capacitado de maneira adequada deverá ajudar um próximo que estiver por perto... E aqui sim sou favorável ao "dar sem esperar nada em troca" que o Jesus ensinou.

Próximo é quem está perto, ou seja, minha própria sombra! Quem decide tudo na minha vida sou eu mesmo, quem escolhe A ou B (ou C) sou sempre eu! Quem sofre a angústia de escolher C e experimentar a dor de não ter escolhido A ou B, também sou eu. Então o próximo mais próximo de mim, sou eu mesmo!


Fato é que o único cristão morreu numa cruz, todo o resto é apenas palha, ninguém é cristão! Ninguém oferece a cara a tapa, ninguém ama seu inimigo, ninguém quer o bem do outro... Ninguém morre pelo próximo... A história da nossa linda humanidade tem provado que o próximo é aquele que é colocado em fogueiras, torturas, acusado sem direito de defesa, invejado e excluído. O próximo de quem Jesus falou é sempre aquele que nós mais afastamos! Logo, já não é próximo, mas distante!

Mais uma vez aprendemos a lição. Jesus estava um tanto equivocado ao dizer que o próximo é quem está fora, o outro, as pessoas ao redor... (ou será que interpretaram errado o que ele disse? Bom, isso também é uma constante em nossa história: a deturpação de tudo o que dizem os sábios!)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ignorância: Modo ON!

Acabei de chegar em casa, com quatrocentas mil idéias sobre o que poderia escrever...
Mas não acho que vale a pena!

Pode ser meu complexo de deus falando mais alto hoje... cheguei a conclusões tão interessantes, vi tantos horizontes se escancarando diante de mim.

Mas... não acredito que eu deveria escrevê-los aqui, num ambiente virtual...

Talvez eu queira, no meu inconsciente, compartilhar estas idéias.

Mas o que são idéias, senão folhas que o vento leva para onde quiser?


Só sei que, neste caso,talvez somente eu seja merecedor de degustar este conhecimento, porque somente eu tenho essa percepção do mundo, hoje, agora.

Existem coisas que não podem ser compartilhadas, e as melhores riquezas são aquelas que estão veladas a todo o resto!

A ignorância é um santo remédio, por isso estou exercendo meu poder de ignorar o juízo de qualquer leitor...

Basta-me apenas que saibam isso: estou desfrutando deliciosamente de minhas próprias perspectivas! Tem sido ótimo!

Do it yourself!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre a Desordem Quártica

O caos do meu quarto é inteligível para mim, existe uma ordem subjacente e ontológica. Mas o concreto dos entes docilizados e esparramados impedem que eu encontre espaço para repousar meu Eu Absoluto.
Sofro as dores de antecipação, a pré-ocupação de mensurar o tempo que irei gastar re-organizando todas as coisas em lugares diversos, mas com linearidade racionalizada e cartesiana... Poderia aceitar o "ser sendo", o dionisíaco, mas teria que aceitar a consequência de dormir em um canto perto da mesa do computador.
Resta, pois, depositar cada ente na ausência absoluta do ser que se encontra ao lado do guarda-roupa e deixar que a gravidade me invoque para baixo.

domingo, 23 de outubro de 2011

Concerto Funerailles

Aos meus leitores, vai aqui o convite.

Estarei apresentando o Concerto Funerailles, um concerto musical com temática bem diferente, com integração de poesia, música e artes plásticas, tudo com a intenção de fazer o público refletir sobre a morte.

Desta vez, o concerto será apresentado no Centro Cultural de Taubaté, antigo Madre Cecília, no dia 4 de novembro, às 19h30m.

Os convites serão vendidos por 10 reais, e estudantes com carteirinha paga meia.

Depois posto mais informações!

abraços

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Máquinas Complicatórias

Fico olhando para tudo quanto sofri, quantos muros já encarei violentamente, quantas metades de castelo ergui e eu mesmo derrubei, quantas pessoas agreguei, quantas afastei, quantas aproximei. Tudo pode ser reduzido em pequenas ou grandes quantidades, qualidades boas ou ruins. Não importa, percebo que quanto mais fundo cavo, mais imenso se torna o vazio, e quanto maior o vazio mais amplo se torna o poder preenchê-lo com tudo que ali possa caber... Sinto que isso é infindável, ilimitado até que eu mesmo pare de procurar. Se procuro resposta encontro perguntas e o inverso é válido, a única coisa que, contraditoriamente, permanece é a própria mudança e quanto maior a mudança maiores são as chances de se chegar ao ponto de partida, ou seja, todos os meus conflitos parecem sempre encontrar solução nos lugares mais próximos, nos lugares mais simples, por caminhos mais fáceis... dentro de mim mesmo. (sinto muito se isso soa clichê...)

O grande problema é que tudo precisa ser intensamente imenso, vasto e amplo para ser realmente percebido; é, também, sempre as coisas grandiosas que assustam, espantam, engrandecem, causam admiração. As coisas simples são simples e, portanto, difíceis de serem vistas, reconhecidas. O fácil se transmuta em difícil, pois todos defendem que apenas o que é difícil pode ser nobre, apenas o difícil proporciona felicidade...

Mas tudo se encaminha diante do fácil e o caminho da natureza sempre foi o simples. Sempre somos nós os que perseguem o que é extremo, complicado, difícil.

Não se pode confundir simples com simplório. A diferença reside no fato seguinte: o simples é sempre belo, nobre, jocoso, leve, inteligente; o simplório é feio, razoável, superficial, medíocre, digno de pena.

Infelizmente todos confundimos simples com simplório, simplório com complicado, complicado com difícil etc...

Misturando todos estes elementos perdemos a noção de sentido, a percepção fica turva e começamos a degustar apenas do que é difícil. Com o corrompimento da visão, acabamos por escolher permanecer conquistando coisas pelos modos mais complicados, pois agora o simples atingiu status de complicação por uma confusão que nós mesmo fizemos.

Ou seja, o mundo todo, ou melhor, todo o mundo que nossos olhos podem enxergar (este é apenas uma ínfima parcela do mundo que realmente há, mas o único que vemos) torna-se massacrante e opressivo. O pessimismo que advém como consequência direta desta visão deturpada é de inteira responsabilidade de cada indivíduo que assim escolhe interpretar o mundo real.

Cria-se, assim, um "mundo real" particular que não corresponde com a realidade real. Cada indivíduo, portanto, cria, inventa um mundo novo que escamoteia o mundo já existente e, desta forma, existem, na fantasia individual e coletiva, mundos aos milhares, mundos diversos com diversas formas de complicações; mundos que se chocam, que se interferem e que geram complicações ainda maiores. Daí que podemos entender a causa da solidão e do afastamento social das pessoas, o motivo pelo qual ninguém consegue suportar seu próximo, a saber, que cada um é dono de um mundo próprio... O mundo do outro é invasivo, infernal, intolerável... Estes mundos não podem se comunicar, pois são alienados da própria realidade, isto é, são ilusórios, não existem de fato. Como relacionar duas coisas que não existem...? O que existe são meras entidades de razão, fantasias mentais... doenças psíquicas!

Resumindo, somos todos máquinas complicatórias totalmente abstraídas da realidade, sem vínculo concreto com a concretude da existência, vivendo cada qual em sua doce/amarga fantasia!

domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre Escolas, Prisões e Fábricas...

A escola funciona como uma prisão onde os alunos ficam encarcerados e subjugados à uma educação determinada pelo Estado.

Não podemos negar que toda educação, no Brasil (também em outros países), é uma educação para atingir uma única meta: preparar trabalhadores simples e especializados, isto é, manipular e controlar todos os saberes de forma que lhes sejam úteis apenas para o trabalho, para a produção de mercadorias, para gerar e manter o lucro. É utopia acreditar que existam finalidades emancipatórias, libertárias ou bondosas no atual sistema de educação.

A diferença existente entre uma e outra escola, em relação à exposição de determinados saberes, consiste em interesses específicos ao próprio Estado, à própria comunidade e às formas de produção existentes no contexto particular de cada cidade.
Na cidade de Taubaté e, em geral, no Vale do Paraíba, as fábricas falam mais alto que qualquer outra coisa. Somos um povo fabril (não seria febril?). A finalidade última da educação, portanto, é preparar novos peões de fábrica, engenheiros (que se multiplicam aos milhares por aqui) e trabalhadores de empresas terceirizadas.
Não há preocupação efetiva em preparar um aluno da periferia para entrar em uma faculdade de ensino superior, pois se sabe prontamente que as chances são mínimas nesse contexto. A função da escola é manter os filhos dentro da escola para que os pais continuem girando a roda monstruosa da economia e da produção.

A mente de uma criança moderna funciona de forma bem diferente do padrão de alguns séculos atrás. Os mecanismos e o avanço tecnológico dos instrumentos de produção capitalista acabaram por inserir, de forma misteriosa (a cultura...), informações específicas no corpo, na mentalidade de cada indivíduo. Creio que existe uma pré-disposição genética nos humanos modernos para assimilarem melhor a nova tecnologia, tanto que qualquer não estudioso ou pesquisador pode perceber a imensa facilidade das crianças para manipularem os produtos eletrônicos (como se já houvesse um hardware inserido biologicamente por meio de condicionamento psicológico através da qual fosse possível instalar os softwares que permitem o manuseio das novas mercadorias) – O livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley e “1984”, de George Orwell podem ser retirados da categoria “Ficção”...

O consumo desenfreado de mercadorias, a intensa e massiva propaganda que forma e modela o pensamento, todos os fatores confluem para que o corpo do ser humano se adeque, administre as informações e as internalize psicológico e biologicamente. É a assimilação biológica e psicológica que permitem esta reinvenção do ser humano... É uma reinvenção, reconheço, mas isso não significa reinvenção direcionada ao melhor, progresso, evolução. Não tenho certeza de que sejamos ainda homo sapiens. A impressão que fica estampada diante de mim é que estamos involuindo!

Há pouco tempo, de uns 10 anos para cá, o Estado deu início à manutenção de um tipo de ensino um pouco diverso dos anteriores (esse tipo de ensino já existia, mas passou a ser reforçado, daí que eu esteja falando sobre ele, pois trata-se de uma nova forma de encarar a educação, uma nova mentalidade que vai se cristalizando tanto entre os professores quanto entre os alunos), a saber, o ensino de período integral.
Quando mencionamos o termo ‘integral’ estamos expressando algo que é íntegro, que integra, que é totalizante; integrar, portanto, é unir, juntar o que está esparramado.

O ensino integral, então, surge como um meio de apresentar ao aluno uma nova perspectiva sobre o saber, um saber íntegro. Bom, isto é o que nós estamos ponderando aqui, no exato sentido do termo ‘integral’... Enfim... Hipoteticamente, ensino integral desvela saberes que integram: artes plásticas, música, recreação, dança, pintura entre outros. Pressupõe-se que a criança irá assimilar estes saberes e criar uma nova visão, aprender algo novo, um novo tipo de conhecimento.

Mas...

Se, por um lado, a escola funciona por meio de controle, manipulação do conhecimento e completa destruição das liberdades individuais; se, por um lado, a grade curricular do ensino fundamental e médio seguem cartesianamente a atomização e divisão dos alunos e professores, a especialização; o Integral, por sua vez, reflete exatamente o que ocorre nas estruturas da sociedade e em toda a periferia dos mecanismos de controle. Ou seja, o Integral é imagem e semelhança do que acontece na mentalidade moderna: indivíduos que se desintegraram por causa da atomização, tanto do trabalho quanto da educação, que não possuem uma unidade própria bem definida, por estarem esparramados em várias direções, mas que estão, agora, diante de uma nova situação, de um novo modo de saber, um saber que lhes é totalmente alheio, diverso, inverossímil com a realidade do cotidiano: o ensino integral. Quer dizer, o Ensino Integral, teoricamente, surgiria como uma oportunidade de costurar os saberes, de integrar, de unificar o conhecimento. Só que este objetivo é totalmente contraditório com a forma padrão de educação moderna, que não é a de integrar, mas separar e especializar.

A proposta subliminar do Estado com a implementação do ensino integral, entretanto, primeiramente é possibilitar a produção de mercadorias, ou seja, permitir aos pais dos alunos que permaneçam em seus trabalhos sem se preocupar com os filhos. A proposta de ensinar música, artes, dança, teatro, moda etc. é apenas secundário. Tanto que não há cobrança nenhuma nem dos alunos, nem dos professores, exige-se apenas que haja uma apresentação por semestre de alguma coisa... É suficiente!
Não é cabível exigir que os alunos se dediquem, por exemplo, ao estudo da música, ou mais particularmente da leitura musical, pois já existem outros saberes (os controlados, aqueles do ensino fundamental e médio, matemática, português, física, história etc) que ocupam o tempo deles.

Isto significa que não há, de fato, preocupação do estado em ensinar as artes, formar novos artistas, sensibilizar, criar uma mentalidade artística ou desenvolver uma sensibilidade estética. O Ensino Integral tem função de mero entretenimento, o fim último é manter as crianças dentro da escola para que os pais possam trabalhar.
Não há continuidade nenhuma. Não há ‘integralidade’...
É o mesmo que ocorre a nível universal, a nível coletivo: as pessoas, que foram domesticadas e acostumadas à divisão e à compartimentação de tudo, de modo contrário se sentem impelidas à liberdade, é o que acontece com o mosquito preso no copo que se debate lutando por seu instinto natural de sobrevivência.

O problema é que, estando acostumados à prisão, não sabem lidar com a liberdade e isso causa angústia e é esta angústia que desencadeia os ‘barulhos da alma’ (parafraseando Epicuro), ou seja, a falta de educação, as respostas ásperas, a irritabilidade geral dos alunos (a-lunos , aqueles que não tem luz)são formas e mecanismos de escamotear o problema real, fingir que não há o problema mesmo. De outra forma: intuitivamente sabe-se, sente-se que há um complexo emaranhado que as mantém controladas, presas, domesticadas, de que são corpos docilizados, e que existe neles, todavia, essa vontade intensa de ser livre, de respirar ares ainda não respirados, mas a realidade concreta lhes mostra o tempo todo quão presos e escravizados estão.

Tendo dito tudo isso, concluo: este é um assunto complicado demais pra se propor alguma ação efetiva, prática... Ainda é preciso aprofundar, buscar no abismo, mergulhar e se sujar de lama pra entender a sujeira toda que cobre, que esconde as reais intenções nos mecanismo de controle (um deles é a educação – e a mais eficiente) que o Estado possui.

É preciso primeiro esclarecer, iluminar, trazer para cima o que está embaixo, revelar o que está oculto, conscientizar, guiar os olhares para o problema, encarar a nudez explícita do caos, olhar o abismo para depois rir dele...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Contradição: Passe adiante!

Depois de tanto tempo encarando meus demônios interiores, desafiando meus limites e refletindo os bons, maus e neutros momentos cheguei mais uma vez à mesma conclusão de outrora. (ela é totalmente particular, mas talvez você possa encontrar alguma identificação)

Ei-la: "Não é possível assumir conclusões específicas sobre absolutamente nada. Um mesmo ponto está sujeito a tantos fatores externos e internos antes que se faça algum julgamento e nós, humanos, podemos interpretar e julgar um mesmo factum de inúmeras formas, sob perspectivas contraditórias, semelhantes, diversas, mas nunca iguais, que o próprio ponto pode sequer ser nomeado, torna-se uma coisa vazia de sentido, não há adjetivos e não há relação de coisas, não há nada...
Portanto, ninguém pode ter certeza sobre nada que lhe seja particular (assim como eu não alimento essa ilusão a respeito do que estou dizendo). A consequência maior que se aplaca sobre esta irracionalidade do particular é a irracionalidade daquilo que é universal. Se o que é particular não promove meios de encontrar sentido, é impossível dizer se o que é universal possui algum! Conceitos universais como Amor, Amizade, Bondade, Beleza, Ódio, Tristeza, Humanidade, Civilização, Hierarquia, Estado e outros milhares deste tipo tornam-se inexoravelmente ocos.

Cogito ergo sum (penso logo existo) transmuta-se em algo ridiculamente vexaminoso e contraditório.

Você pensa? Você existe? Grande bosta! O que isso significa?

Existir é um absurdo, é o cúmulo da contradição. Defender alguma idéia, causa, país, partido é simplesmente desnecessário, sob estes termos!

Você pode construir quantos castelos quiser, mas você tem que saber que nenhum deles permanecerá em pés! Você pode encontrar símbolos ou criá-los, pode criar sistemas, padrões e aperfeiçoar a linguagem (ou simplificá-la)... Mas tudo o que for construído está destinado à destruição, ao caos e ao tédio.

Construir implica, necessariamente, em ser desconstruido.

Não é preciso tomar decisões, ou escolher. A Vontade é Livre, no pior, melhor ou sentido neutro da palavra. E, se olharmos bem para a Natureza, é exatamente desta forma que ela age, irracionalmente! Planetas que se repelem e se atraem mutuamente, forças que interagem e se violentam todo o tempo, nada que possa ser encaixado e domado! A Natureza é indomável. E, felizmente ou infelizmente, nós participamos desta mesma natureza!

Neste completo abandono em que nos encontramos e, apesar de não ser obrigado a escolhar uma ou outra alternativa, eu escolhi, por livre e espontânea vontade (não há espaço para "arbítrio" neste contexto) entorpecer-me de saudáveis ilusões, utopias e sonhos, pois contraditoriamente eu enxergo na natureza caótica a pulsão de morte, mas também a vontade de vida.

Contento-me com isso, por agora, e não vejo problemas em assumir a contraditoriedade da existência, pois também encontrei grandiosidade, beleza e nobreza nas minhas ilusões!

Cada um que encontre as suas!!!

A grande diferença está em construir ilusões, não em assimilar ilusões prontas feitas pelos outros! Pois cada qual tem seu modo único de ver a vida...

(Tá! Concordo! A última frase soou meio auto-ajuda... Considerem o texto indigesto, pelo menos! rs!)

domingo, 17 de julho de 2011

Variações sobre um tema angustiante...

Voltei! E agora com muitos textos para postar! É bom digerir a realidade antes de fazer qualquer menção acerca dela, por pior que o estômago fique, por maior que seja a úlcera pulsante que ela possa causar.

Tenho me apercebido de que duas coisas jamais irão se afastar de mim: a angústia e a morte!

A morte não é um problema que deva ser tratado no presente, apesar de ser imprevisível, nós sempre a jogamos para o futuro, e em geral, somos felizes até que ela se aproxime sorrateiramente. Podemos mascarar a morte de várias formas (se quiser posso apresentar algumas em outra postagem, rs), mas sabemos que ela pode apertar a campainha a qualquer momento ou entrar pela porta dos fundos sem que você veja; de qualquer forma, a morte pode estar dormindo ao seu lado...
Entretanto, podemos viver sem pensar nela constantemente (exceto quando ela nos assusta apenas por entretenimento, por exemplo, um carro que você não viu e quase te atropelou, uma bala perdida que te encontrou por coincidência, ou um piano de cauda que cai bem do seu lado ao passar debaixo de um prédio!)

Em todo caso, não quero falar sobre a morte hoje, deixemos este assunto para outro dia! Basta esclarecer que ela é uma dessas duas coisas que nunca se afastam.

O x da questão é que, no caso da morte, podemos viver sem encará-la nos olhos (ou você fica conversando sobre a sua morte quando faz um piq-niq?).

O problema, de fato, é a angústia e não a morte, pois a morte é o fim de toda angústia, ou seja, até que a morte venha te encontrar, sua única companheira fiél até lá não é sua esposa, é a angústia (não muda muita coisa, né?)

A angústia não é uma espécie de tristeza, nem um modo, nem um estilo, não é parecido com saudade e também não pode ser comparada com muita coisa. Angústia é aquilo que está soando o tempo todo dentro de você, em todos os instantes, algo parecido com um mantra sendo entoado 24 horas por dia, 7 dias por semana, ininterruptamente. Podemos até nos destrair com afazeres, televisão ou qualquer outra coisa, mas a vibração do som dessa angústia pode ser sentida na pele. Esta música faz o ar em torno se movimentar, causa náusea e desconforto e nunca se estabiliza.

Algumas vezes ela soa com mais ou menos intensidade, mas ela está sempre ali, você sempre pode encontrá-la.

Negar a angústia (cada um tem a sua) é torná-la mais sofisticada, é permitir que ela desenvolva temas, variações e cadências. Aceitá-la, ao contrário do que nos dizem os escritores de auto-ajuda, não a deixa menor ou com menos poder. Ou seja, não há possibilidades que não seja a de aprender a conviver com este som amargo e entendiante que transforma tudo em cinzas, aquilo que não é branco, nem preto, aquilo que não possui especificação, que é geral, opressivo, torturante: Angustiante!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mudanças

Aos leitores do meu blog, desculpa por tanto tempo não escrever nada! Tive que mudar de casa, até arrumar toda a bagunça, não consegui postar meus textos aqui.

Essa semana "estarei postando" um texto muito legal que estou escrevendo. Aguardo vocês!


Abraços!

sábado, 21 de maio de 2011

O fim do mundo! Tentativa n° 3250973401982374123.42830471098512039487.172094871!!! Fail!

Nunca o fim do mundo esteve tão próximo! Faltam menos de 5 horas para ver a volta de Jesus! Será que ele conseguirá vir no horário marcado?
Não esqueça de fazer tudo o que você sempre quis, antes que seja tarde demais! Mas cuidado! Pode ser que nada aconteça hoje e você faça coisas das quais poderá se arrepender depois!

Harold Camping, um engenheiro de 89 anos, americano... que é dono de dois canais de TV e mais de 200 estações de radio, dentre elas a Family Radio, onde se divulgou arrebatamento acontecerá ainda hoje, dia 21 de maio de 2011 (calma, o dia ainda não acabou!) é o "irmão" que está por detrás destas profecias! Investimentos de 34 milhões de dólares, 56 milhões em espólios e 29 milhões em hipotecas são algumas das "provas irrefutáveis" sobre a segunda vinda de Jesus que os seguidores de Harold Camping não apresentam ao público!

OBS: Há boatos de que Harold Camping pedirá desculpas pela grande falha! (afinal, ele não entrou no twitter para confirmar se Deus estaria ou não disposto a dar início ao julgamento a partir de hoje? Não custava nada mandar um recadinho no facebook, não?)


Veja mais em

http://daily.bhaskar.com/article/BZR-judgement-day-2011-who-says-the-world-will-end-on-may-21-2123140.html

http://ac360.blogs.cnn.com/2011/05/20/tick-tock-goes-the-doomsday-clock/

http://newsfeed.time.com/2011/05/15/judgment-day-no-way-what%E2%80%99s-behind-the-may-21-2011-end-of-the-world-rumors/

http://newsfeed.time.com/2011/05/16/by-the-numbers-how-may-21-2011-was-calculated-to-be-judgment-day/

http://www.nytimes.com/2011/05/20/us/20bcjames.html?_r=1

deprimente:

sábado, 14 de maio de 2011

Um jeitinho taubateano de ser brasileiro II - Sobre como nadar contra a maré que vem pra cá e vai pra lá

Ser normal é uma coisa que cansa, mas juro que estou tentando bastante (e só faço isso porque preciso "ser social", não posso ficar girando em torno de mim mesmo...) E ser normal é estar de acordo com aquilo que já é previsto, andar como mandam as normas, dançar conforme a música tocada.

No nosso contexto, isso pode significar várias coisas previsíveis, tais como ser contra ou ser a favor, estar do lado do peixoto ou do lado do povo, fazer ou não fazer protesto, se envolver ou não se envolver.

O problema, entretanto, vai além deste antagonismo histórico, cansativo e esclerosado!

Explico, antes, que, no texto anterior, eu quis ser óbvio intencionalmente, pois acho necessário atingir a superfície para depois buscar o fundo das coisas. E creio ter conseguido fazer isso.

Geralmente os 98,87% do povo acredita piamente na luta entre o bem e o mal. Não vou discutir a existência personificada do BEM ou do MAL, nem sobre os conceitos universalizantes que giram ao redor deles. Nos joguinhos políticos/econômicos (não há como separar mais uma coisa da outra) não existe lugar apenas para dois lados! As perspectivas são inúmeras.

É que já está marcado na consciência coletiva este modo de pensar a realidade. Olhar a realidade como manifestação de duas forças opostas, como blocos divididos em pares que se contradizem sem nunca criar um terceiro elemento, um elemento ímpar que faça tencionar ambas as partes consta desde os nossos queridos Sócrates e Platão! Isso não é novidade!

Quando eu olho para todas as informações que recebo, seja virtual ou concretamente, fico pensando que, de fato, não tenho dever algum de concordar com nenhum dos lados e que, apesar de discordar das GRANDES FORÇAS ANTAGÔNICAS DO CONTRA OU A FAVOR, não deixo de ter uma opinião.

De fato, quando eu digo que não escolho um ou outro lado, estou escolhendo não escolher. Não escolher é uma escolha. Já nos tinha avisado Sartre: "Estamos condenados à liberdade!" É triste assumir que não temos escolha... A frase correta seria: "Não não temos escolha!!!!"

Preciso expor algumas coisas (que podem ser desagradáveis para uns, talvez 98,95% de quem irá ler esse post [percebam como os números mudam...]), mas o farei mesmo assim, pois não devo nada a ninguém, a não ser a honestidade para comigo mesmo!

1-O MAL (ou, no contexto taubateano, o PEIXOTO) age corretamente de acordo com a norma. Ou seja, o MAL é normal! A norma prescreve que o mal seja mal!!! Então, não há nada de errado em ser mal, posto que isso faz parte do curso NORMAL das coisas!

Ainda no número 1- O mal sempre é mal por completo, nunca em partes. Qualquer ser humano poderá observar empiricamente o que nos mostra a natureza de nossa existência. O mal tende a ocupar a maior parte do tempo; costuma acontecer em grande quantidade; geralmente um tipo de mal desencadeia uma outra espécie dele e este, outro e, assim, de modo sucessivo; na maioria das vezes é necessário uma quantidade dobrada de algum tipo de bem (triplicada, dependendo do caso) para se compensar um tipo de mal... E, também na maioria das vezes, nem mesmo isso é suficiente.

2-O BEM (no nosso contexto taubateano, o POVO), da mesma maneira como o mal, age corretamente conforme prescreve a normalidade de coisas: O BEM sempre deve resistir o MAL. A mesma lógica que usamos acima pode ser inferida aqui de forma invertida: o bem tende a ocupar a menor parte do tempo; costuma acontecer em pequena quantidade; não desencadeia outros tipos de bem; não ocorre de forma sucessiva... E qualquer mal é suficiente para destruir um tipo de bem.

Na ficção (ou seja, na mentira abstrata dos livros [os desejos interiores do ser humano escamoteado nas historinhas que inventamos]), o BEM sempre vence o MAL.
(...) Se você é honesto, sabe que esta não é uma verdade completa. Pode ser que o BEM vença o MAL, mas é algo raro de se acontecer.

Há outros elementos no BEM que precisamos analisar: O BEM é, geralmente, aquilo que o povo deseja, seu objetivo, ou o que manipulam e fazem com que o povo pense que é. Geralmente o BEM é o BEM de uma minoria, de uma partícula minúscula de todo o povo, mas todo o povo é levado a pensar que é exatamente o contrário!

Existem várias formas de fascismos que podem nos comprovar essa tese, o fascismo capitalista é um deles. Todos são levados a crer que estão trabalhando pelo desenvolvimento da comunidade, mas o que está "debaixo do tapete", escondido "atrás das cortinas" ou "debaixo do nosso nariz" é totalmente controverso e indesejado.

Poderíamos enumerar vários tópicos parecidos com esses ou não, mas na mesma linearidade e mesmo assim nunca será suficiente para "despertar" a consciência da grande massa, pois massa é homogênea e recebe o nome que merece...

Em partes, as revoltas e os movimentos sociais acontecem por que 97% das pessoas sente, mesmo que em um invólucro inconsciente, que "há algo estranho", que tem alguma coisa "cheirando mal". Freud chama isso de Mal Estar na Civilização. Ele explica, basicamente e no limiar de pecar por pedagogismo, que na medida em que a civilização se desenvolve ela gera, proporcionalmente, uma potência de barbárie e animalidade. (estou utilizando o termo potência e animalidade por conta própria.)

Seja como for, nós estamos tão desenvolvidos quanto entregues a um nível assaz preocupante de desespero, insatisfação e vazio! Não é a toa que haja tantos depressivos, transtornados entre outros doentes físicos e psíquicos por culpa desse modo moderno de se viver.

Tudo isso que eu escrevi está diretamente relacionado. Nada, no mundo humano, está des-ligado, nada está desconectado (falo a respeito das ações humanas, pois no âmbito das relações de um humano para outro o negócio é um pouco diferente: a solidão e o abandono nunca foram tão concretos, dado que nossas relações sejam tão liquefeitas, tão fúteis e artificiais).

Portanto, a reação do povo não é inesperada ou repentina. Como disse, em partes isso tem a ver com este mal-estar que sentimos.

Entretanto, isso também não torna o povo menos responsável ou mais bondoso que o outro lado. E é aqui que eu exponho a terceira via, muito mais óbvia e, por isto mesmo não é tão óbvia quanto parece, aquela que vai de encontro ao BEM e ao MAL. E não acho necessário explicar porque essa terceira via não é o mesmo que "ficar em cima do muro" como a cansativa e nauseante MASSA regurgita.

É a via do "E SE" !!! E se este negócio de BEM e MAL não existir? E se ambos os lados estiverem errados? E se ambos os lados estiverem corretos!? E se...

Pode ser que a expectativa dos leitores não tenha sido correspondida, mas não me importo, pois penso que "E se foi correspondida?" ...?

Importa que nós comecemos a pensar com um pouco mais de desconfiança de tudo, manter um pé atrás com o que as partes apresentam, porque nem tudo é o que parece ser, mas isso não significa que não exista a possibilidade de que as aparências revelem, de fato, o que nós precisamos saber... E existem tantas outras possibilidades que "E SE" se torna tão mais relevante quanto todo o resto!

(OBS: Não é minha intenção desmotivar os protestos. Penso que a reflexão pode lapidar a práxis. Outra coisa que a história humana nos mostra é que a Práxis é vazia na maior parte do tempo. Pensar não faz mal... ?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Um jeitinho taubateano de ser brasileiro!

Esse ano o povo de Taubaté resolveu se organizar para colocar seu atual prefeito "no olho da rua".

Não posso deixar isso passar em branco, pois estamos bem no final do mandato de Roberto Peixoto e as acusações contra ele constam desde o princípio (isso soou meio bíblico agora...).





Apesar das acusações (ao contrário do que diz o prefeito, com várias provas materiais), o próprio Tribunal de Contas do Estado de São Paulo deu o parecer favorável às contas da prefeitura de Taubaté no ano de 2007. O link do parecer AQUI e AQUI!!

A câmara de Taubaté, no dia 20 de abril deste ano de 2011, aprovou com 11 votos a 3, as contas da prefeitura no ano de 2007. O TCE rejeitou as contas, num primeiro momento, a prefeitura recorreu e conseguiu o parecer favorável. Reforço: 11 votos a 3!!! VEJA AQUI!

Já não é de agora que o TCE apresenta irregularidades... E todos nós (aproximadamente 0,03% de toda a população brasileira - pra não chutar menos...) sabemos bem as contradições internas do sistema!

Não vou citar outros nomes que não sejam o de Roberto Peixoto aqui, pra não cometer o equívoco de favorecer uma ou outra pessoa, quem pesquisar corretamente encontrará as pessoas que iniciaram os movimentos contra o prefeito. Estou postando neste texto vários arquivos de texto em pdf, sites oficiais, vídeos e links complementares. Quem ama o conhecimento que pesquise mais!

Mal se passou um mês do 11 a 3 do dia 20 de abril, aconteceu uma mudança miraculosa no coração dos vereadores desta cidade de Taubaté: A câmara aprova, por UNANIMIDADE (quase que espontânea!!! algo do tipo TANG, joga na água e vira suco!) , a comissão que poderá cassar Roberto Peixoto. Veja mais AQUI e AQUI











Não pude comparecer à camara nesta quarta-feira. Mas vi um vídeo que gravaram em que os vereadores todos dizem o tão aguardado "sim" (algo parecido com o "sim" de um casamento...) Tenho que confessar que, apesar de ter achado isso muito bom pra começo de conversa, fiquei profundamente consternado pela atitude covarde dos vereadores, hipocrisia lamentável.
Os vereadores se isolaram do povo por meio daquele vidro que grita o esvaziamento da política e total desmoronamento do interesse popular pelos problemas da cidade.

Estamos em uma espécie de ditadura velada. Somos observados na internet (e a maioria acredita que estamos todos seguros na rede), a mídia que seleciona o que irá mostrar e como irá mostrar a realidade para o povo, as escolas que reforçam a alienação das grandes massas e mantém o ideal de rebanho e marionetes.

E o povo foi quem elegeu todos os políticos que temos.

Reconheço, entretanto, que entre o voto dos cidadãos e toda a sujeira política existe muito mais do que nossa vã filosofia pode imaginar!
Devemos saber que o voto dos cidadãos, no contexto de Brasil que vivenciamos, não é toda a solução dos problemas (já que eu afirmei que estamos numa espécie de ditadura escamoteada, camuflada). Entre o nosso voto e o espaço político institucional existe todo um maquinário de poder político. E, querendo os críticos ou não, isso tem relação com empresas, economia e interesses dos próprios líderes políticos.

Felizmente, essa nossa reação de resistência a toda a parafernália do atual "prefeito" é um grande passo dado rumo à emancipação.

E como toda a história não-fictícia, esta nossa possui um "MAS".

MAS precisamos estar conscientes que tirar o PEIXOTO do poder não é suficiente. A Câmara e a Prefeitura (departamentos, secretarias e o diabo a quatro) ainda estão repletas de aves de rapina, de bactérias putrefatórias que também necessitam ser abolidas, pois em uma ferida aberta e podre que, por tanto tempo ficou sem cuidado, o tratamento é bem mais árduo do que nos mostra a superfície repleta de pus e sangue!

Nosso voto não é tão poderoso no Brasil como o nosso otimismo patriótico imaginou. Mas... Tomar consciência disso é um outro grande passo a ser dado. Eis a raiz de nossa emancipação! Desvelar, retirar esse véu de ignorância que o povo tem, enxergar que nosso problema exige muito mais "pé-no-chãosismo" que otimismo.


Alguns links complementares:

http://jornalcontato.blogspot.com/2008/09/roberto-peixoto-cassado.html

http://www.camarataubate.sp.gov.br/Arquivos/noticia2055.pdf
(Relatório final da CEI da ACERT Serviços Administrativos - ler sem pressa!)

http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=QLY5gnMpRzQC&oi=fnd&pg=PA7&dq=em+busca+da+pol%C3%ADtica&ots=tlrUxMkTPs&sig=2agSDnudPNpTZQ3jso9DgsEVIEA#v=onepage&q&f=false (Livro "Em busca da Política" de Zygmunt Baumann

http://www.fae.edu/pdf/biblioteca/O%20Principe.pdf (O Príncipe, de Maquiavel)

http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/boetie.pdf (Discurso da servidão voluntária, de La Boetie)

http://www.espacoacademico.com.br/022/22and_rousseau.htm

Divagações desarmônicas

Para acender um cigarro eu uso um isqueiro ou fósforo. Para comprar um isqueiro eu uso dinheiro. Para obter dinheiro eu vendo minha força de trabalho.

Eu não suporto ouvir pessoas daquele tipo que tem sempre uma frase pronta pra tudo quanto é problema. Não suporto pessoas com aquelas mensagenzinhas pseudo-intelectuais ou pseudo filosóficas. Por exemplo: "a sociedade só quer o ter, ninguém quer ser", ou: "a sociedade é individualista, precisamos nos preocupar com o amor ao próximo". Existem milhares de frases desta estirpe e milhares de pessoas que afirmam coisas das quais não possuem o mínimo entendimento.

Este tipo de gente nunca parou um segundo sequer para refletir, pensar, ficar em silêncio para entender, compreender, mastigar as informações obtidas para fazer um julgamento com bom senso, menos superficial. E, provavelmente, estas criaturas desconhecem totalmente o significado destas palavras que eu escrevi...

Enfim, eu estava pensando hoje sobre os 99,98% de pseudo-intelectuais que repousam sob a superfície do tietê metafórico de conhecimentos. É realmente desagradável saber que estas pessoas acreditam dogmaticamente nas merdas que pronunciam.

Mas, como dizem os sábios, nós nunca conseguiremos explicar toda a realidade, pois ela é imensa demais para nossa mísera consciência e aí tenho de concordar com Sócrates quando disse que "Só sei que nada sei". Mas apenas no sentido de que quanto mais conhecimento nós obtivermos, mais perguntas encontraremos. Portanto, vai que estes 98,98% de babacas estejam falando a verdade...

Em todo caso, eu prefiro acreditar que eu sou mais são em minhas anormalidades filosóficas! E para os demais, façam o mesmo! Acreditem no que quiserem. E se isso fizer ou não bem pra você... O problema sempre será seu!

Os 99,98% de pseudo-intelectuais dizem: "como sois egoístas", mas eu digo: todas as relações são utilitaristas, no bom e no mal sentido do termo! Então, sim, cada um no seu quadrado!

Para me sentir bem eu escolhi alguns poucos amigos (daqueles que contamos nos dedos), e meus amigos me possuem para o que precisarem, somos utilitários!

Você serve pra quê?

domingo, 24 de abril de 2011

Covarde, tira a trave do teu próprio olho...!

Tenho percebido que os estudos de piano, o trabalho e a correria de meus problemas pessoais e sociais acabam por interferir no exercício filosófico. Isso é péssimo para mim, confesso, mas infelizmente é um fato.

É difícil manter uma consciência crítica, um pensamento questionador... Mas vale a pena lutar por manter essa força dentro!

Como já faz um bom tempo que não escrevo textos que estejam relacionados propriamente à filosofia, decidi fazê-lo agora!

Apesar de ter praticado o exercício filosófico com menos intensidade do que ano passado, eu consigo retirar de todos estes momentos algumas reflexões que para mim são importantes.

A filosofia surge do espanto, daquilo que é um problema real, concreto, do phatos... Resumindo: filosofia só acontece com aquilo que nos incomoda. Se você é uma pessoa conformistinha, daquelas que se adequa ao padrão sem nada questionar... Se você não possui conceitos como: reflexão, revolta e outros termos que estão relacionados com "colocar um pé atrás antes de sair acreditando em tudo o que lhe dizem", peço a você que não continue lendo este post!

Eia, pois, o que me incomoda!

Ócio é aquele tempo gratuito que nós modernos não temos! É o tempo livre. Na sociedade capitalista não é possível o ócio, apenas o negócio (a negação do ócio).

Alguém pode se iludir, pensando que por trabalhar apenas 6 ou 8 horas, todo o resto das horas do seu dia se caracterizam como "tempo livre". Mas isso é um grande equívoco, pois este "tempo livre" é tempo relacionado ao tempo de trabalho, ao tempo do negócio. Todas as horas do dia, todos os dias da semana, todas as semanas do mês, todos os meses do ano, e todos os anos de nossa decadente modernidade são contabilizados de acordo com o tempo em que estamos trabalhando. Por este motivo é que não temos "tempo livre" ou ócio. Temos apenas o "tempo-vago", quer dizer, um tempo que sobra, o resto do tempo, as migalhas que nos jogaram no chão!!!

Se existe um mecanismo perfeito para emburrecimento geral das nações (todas, o Brasil em primeiro lugar e depois as outras...) é o mecanismo do trabalho, do tempo mecanizado, os horários rígidos dos modos de produção capitalista. O método mais fácil e hábil que o sistema encontrou para impedir o pensamento, a crítica e o questionamento é o trabalho (mais eficaz que a religião, pasmem!). O trabalho tem esse poder de sugar o tempo, sugar as oportunidades que poderíamos ter para estar em relação, em contato com amigos, parentes, inimigos.

O grande problema é que já chegamos a um nível de emburrecimento tão grande que passamos a condenar o ócio. Quem não se preocupa com o trabalho é preguiçoso e vagabundo. Tanto isso é verdade, que os músicos (eu sou um deles), os filósofos e artistas em geral são considerados como a raça mais vagabunda que pode existir. Talvez porque as pessoas acreditem que só porque somos músicos, filósofos ou artistas trabalhamos menos, temos menos problemas etc. A verdade é bem oposta. Estudamos quase que a vida toda para sermos o que somos, só que o tempo de estudo não é contabilizado como tempo de trabalho, logo, são horas que desperdiçamos com futilidades improdutivas e desnecessárias. [De fato, tudo o que não é contabilizado pelo mecanismo do trabalho é fútil e desnecessário. Conhecimento é uma dessas coisas fúteis, ou você vai discordar disso também?] (oh, não! você não pode dizer uma barbárie dessas! Não é bem assim! A educação por aqui é ótima!) ¬¬

Na verdade, ainda tem mais um grande problema: o nível de condicionamento e manipulação das mentalidades nestes últimos séculos ultrapassou os limites do que é concreto e real, beiram a loucura e a esquizofrenia. De tal forma o condicionamento do trabalho aconteceu que uma pessoa sem trabalho (desempregada) não sofre apenas com a falta de dinheiro. O pior sofrimento de uma pessoa desempregada é ser abandonada a si mesma! O indivíduo não sabe o que fazer consigo mesmo!!! É um absurdo, mas nós não estamos preparados para isso! Atualmente, encarar a si mesmo é um puta desafio desgraçado!

A sensação de estar frente a si mesmo, de ficar cara a cara com sua própria existência é simplesmente horrível, desumana e repugnante e condenatória!

Isso acontece porque, quando ficamos diante de nós mesmos é que enxergamos o que fizeram conosco! O que nós fizemos de nós mesmos, a decadência a que nos entregamos, a solidão a que fomos subjugados pela atomização do trabalho. Percebemos o quanto deixamos de ser humanos. O espelho não reflete um ser humano... O que vemos no espelho é uma mercadoria, é um produto da modernidade, uma coisa ambulante, um pedaço de carne que é empurrado para lá e para cá.

OU SEJA, ninguém quer ficar desempregado! E não, não é por causa do dinheiro! E você pode dizer o que quiser, mas terá de reconhecer que, apesar de dinheiro ser necessário, o nosso problema tem um buraco bem mais embaixo do que pensamos!

As pessoas não querem estar diante de si mesmas. Nós temos medo de quem somos, não queremos olhar nos nossos próprios olhos. O problema não é outro. O inferno, desta vez, não é outro!

Isso tudo é uma contradição, pois nunca estivemos tão interligados, tão conectados como hoje! Foda mesmo é que toda esta "teia" de conexões não são humanas, não são pessoais. Estamos conectados apenas por um ideal mercadológico, somos mercadorias que se relacionam com outras mercadorias. Um monte de coisas mortas dançando o espetáculo ridículo da modernidade. (Os moralistas me criticam por que eu frequento cemitérios, porque amo túmulos e o silêncio das necrópoles... Mas eles não percebem que são cadáveres ambulantes, defuntos putrefados - sim, você e eu também somos!)

Pra quê tempo-livre? Para ter depressão e desgaste emocional? Que nada! Vamos nos entupir de trabalho! Quanto mais melhor, assim é que vamos esquecer a realidade!

Me respondam agora os otimistas de plantão: Porque 90% dos mais de 7 bilhões de "humanos" que existem na face deste planeta estão desesperados, fugindo da realidade? É porque a realidade é boa??? VAI SE FODER NA CASA DO CARALHO RUMO AO INFERNO! A realidade é péssima! se fosse o contrário, não precisaríamos fugir! Maldito hipócrita! Tira a trave do teu próprio olho antes de querer me tirar um cisco!...

Alôôô! A realidade é péssima, por isso mesmo eu quero mudá-la! Mas já não quero mudar o mundo! Isso é tão ridículo quanto tudo o que acabei de criticar! Quero mudar a minha realidade!
EU ESTOU INCOMODADO com isso! Eu sinto falta de ócio! Eu quero mais conhecimento! Agora, se a maioria não quer pensar, não quer sair desta mesmice cotidiana, pouco me importa! (por isso mesmo pedi para os conformistinhas não continuarem a leitura...)

A vida me ensinou que o conhecimento realmente não foi feito para todos! (e isso não é preconceito, é factum!)

A cada dia que passa eu compreendo melhor porque o ócio é tão ofensivo. E cada vez mais tenho certeza que somente o ócio pode curar nossos problemas!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Heretique (indicação de música)

Um pouco de Tristania para alegrar os ouvidos!




Heretique


Let us be the ones
to put the thorn in thy eye
...let us be the ones
Squalid the weak stumbles
through all of life's obscurities
Lost in sacriliege
Revere the name
Accept the modesty
Falter through speres of the pain
Exhausted hours...Exhausted hours
Nothing from thy world will remain thine
except the very priviliege to die
Squalid the weak stumbles...
Orgasmic Mass Hysteria!
You're creeping for a charlatan god
Awake...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pós-tempestade

O vento que passou

De soslaio me deixou


Deixou no ar um rastro


Epiderme

f

r

a

g

m

e

n

t

a

d

a

n

o

a

r!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Saudade...

Sozinho no escuro sinto frio pela janela da pele
Repousa no poro aberto do quarto, imóvel e intacto,
o tempo

E ali no beco, que pulsa dentro do peito,
dói todo o sangue que me escorre

Uma alma sem vida que no centro do nada borbulha
Um vento que assopra uma palha intumescida na morte
Apenas um lampejo de força que se esvai como água
Um simples bocejo do adeus que cantamos na estrada

---Daniel Alabarce

domingo, 10 de abril de 2011

Isso é transcendental!

Aqui vai mais uma música para acalmar os nervos estressados, relaxar e transcender... rs

De F. Liszt, o Estudo Transcendental de n° 3.




Em junho eu irei executar essa peça, provavelmente, na livraria Nobel, em Taubaté. Já vão preparando a agenda!!!

abraços a todos os leitores do meu blog! (E não esqueçam de deixar seus comentários, bons ou ruins! rs)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cálice de música das esferas!

Há muito tempo atrás um amigo meu precisava fazer resumo de um livro de um autor árabe.
E como não gostasse muito de ler, ele me pediu para fazer o resumo.
Aceitei, porque vi oportunidade de conhecer algo diferente.
Agora não vou conseguir lembrar todo o enredo, toda a história, só me vem à memória uma frase (e não literal, pois minha memória não permite citar ipsis litteris): "O coração é um cálice e a tristeza o torna maior para que sempre caiba mais vinho, mais alegria."

Algo assim ou parecido! rs

Achei muito bonito esse texto, lembro que foi uma ótima leitura, e disse ao meu amigo: "cara, você não sabe o que está perdendo em deixar de ler esse livro". Enfim, escrevi um resuminho bem tosco pra ele, o que (na altura dele) seria algo genioso... Ele levou pra escola e tirou uma nota razoável. rsrsrs.

Hoje eu estou aumentando a profundidade do meu cálice, alargando suas bordas, mas não espero, sinceramente, que venha uma quantidade maior de vinho. Espero que venha alguma bebida, doce ou amarga. Desejo apenas que não falte bebida neste cálice! Seja vinho, cerveja, rum ou hidromel (metafóricos e/ou não), mas que nunca faltem bebidas!

Essa tristeza no coração, essa dor que machuca, esse "mal-estar", esta náusea... Parece que nunca cessa.

As pessoas me veem rindo de tudo, na verdade eu rio dos detalhes, nunca de tudo. O tudo me assombra! Por isso desfoco o olhar e reparo tanto nos detalhes, pois os detalhes são irônicos, engraçados e divertidos. São transitórios e passageiros, simples e tão óbvios, mas quase ninguém enxerga. Eu os enxergo, por isso me divirto!

Mas diversão é bem diferente de alegria. Eu me divirto: ponto! Carregar essa dissonância dentro, escutar este som semelhante a um diapasão desafinado continuamente, sentir essa chatice psicológica, esse cansaço e desânimo internos é a pior coisa que existe.

Como todo som repetitivo, este também tende a ser absorvido pela mente, de tal forma que não o ouço na maioria das vezes, mas dá pra sentir os efeitos dele.

É ruim quando eu saio do estado hipnótico das relações que tenho com as pessoas e com as coisas e volto a ouvir aquele sonzinho insuportável de tristeza dentro...

Talvez fosse isso que Pitágoras chamava de música das esferas... ???

A música está em tudo, e quando nós conseguimos captar o som universal, então sentimos quão pouco sentido tem tudo isso. E como esta música é desagradável e sem graça!

Decepcionante, não?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Axilas conglomeradas e higienização invernal

Olhei pela janela e vi a luz amarelada do poste na rua iluminando as gotas de orvalho sendo carregadas pelo vento ao chão. O ar fresco do outono traz consigo uma paz melancólica, uma nostalgia prazerosa.

Lembrei-me então que existe frio, apesar de todo o calor que passamos ultimamente querer provar o contrário. Fiquei feliz por descobrir novamente o prazer daquele friozinho da noite.

Havia, em frente da janela, no jardim, uma roseira somente com as folhas esverdeadas. Estavam carinhosamente molhadas pelo orvalho da madrugada. Este orvalho que há muito eu não via, este orvalho que as pessoas apenas veem nas plantas bem de manhã, mas que eu vejo caindo pela madrugada (ou pelo menos eu o via...)

Ainda espero ansioso por aquela fumaça que soltamos quando é bem frio, quando andamos pelas ruas com os músculos tencionados e com as mãos dentro dos bolsos de blusas ou calças.

O Outono é uma preparação para o frio. É fase de adaptação, de morte e de fertilidade, é tempo de se deixar levar pela nostalgia e pela saudade, pela dor de amores perdidos, de amigos que se foram, de parentes que faleceram, de folhas caídas na grama de um cemitério ou do quintal de sua casa. O Outono é um tempo maravilhoso, onde podemos vislumbrar um pouco mais ali na frente a nobreza do Inverno.

Talvez fôssemos mais inteligentes se vivêssemos em países mais frios, talvez não. Sei que aqui o frio não é forte o suficiente para tornar as pessoas um pouco mais sábias, como foram os russos ou os alemães, por exemplo...

O Brasil é tropical, é alegria, é festa, é diversão... E parece mesmo que é somente isso que se tem a oferecer: Pessoas hospitaleiras, de braços abertos e "felizes" todo o tempo! País abençoado por "deus", cheio de carnaval, funk, futebol e "música" sertaneja! É só felicidade!...

O Verão torna as pessoas molengas, preguiçosas, indolentes e, nas mais distantes consequências, burras...
O verão é bom, mas quando ele é protuberante demais, faz mal. Dá dor de cabeça, enche o saco, cansa, provoca câncer.

Quando eu penso em Verão lembro de uma multidão de pessoas na praia, muvuca, bactérias, fungos e vendedores com auto-falantes com seus camarões-lixo no espeto.

Adoro ir à praia, mas abomino muvuca! Conglomerados de pessoas pulantes, dançantes ou de quaisquer outro tipo sempre me desagradaram... E o verão é exatamente isso! Conglomerados sufocantes em um calor infernal que suam odores conjuntos!
E ai do brasileiro que não gostar de um perfume de sovaco! Todos os lugares aqui são formigueiros de axilas aglutinadas!

O Inverno é bem mais higiênico, bem mais limpo, bem mais saudável. E como eu sinto falta de um bom chocolate quente com canela na hora de dormir!

Onde estão os bolinhos de chuva pra eu assistir sessão da tarde?