A todos os meus leitores:
Tudo bem? Eu resolvi postar as anotações que estou fazendo para o seminário que estou apresentando na faculdade sobre Heidegger.
Esta postagem, eu sei, só irão gostar aqueles que já tem algum conhecimento sobre ontologia (o estudo e a busca do ser das coisas, o fundamento etc). Mas se alguém quiser se aventurar, seja bem vindo ao maravilhoso mundo do não-ser!
Apesar de não gostar muito de Platão, tenho que admitir que o modo que ele se utiliza para expor suas idéias é muito bom. Então eu fiz, em algumas partes das anotações, um diálogo ao modo platônico (um pouco mais divertido...Porque não tem hiperurânio!), entre Heidegger e uma entrevistadora.
Antes, porém, deixa eu dizer quem foi Heidegger rapidinho:
Martin Heidegger nasceu em uma pequena cidade alemã (Messkirch) em 26 de setembro de 1889 e faleceu em 26 de maio de 1976, na mesma cidade onde nasceu. Seu pai era sacristão e sua mãe era amiga da mãe do jovem Conrad Grober, que viria a se tornar arcebispo de Friburgo. Foi filósofo, escritor, professor universitário em Manburgo e em Friburgo, onde exerceu também o cargo de Reitor em 1933.
Em 1909, ingressou na Universidade de Friburgo e iniciou o curso de teologia. Paralelamente, continuou seus estudos sobre Aristóteles, e iniciou as primeiras leituras de Husserl, que o levariam ao método fenomenológico. Interessou-se também pela filosofia de Maurice Blondel e pelo pensamento de Kierkegaard, que o fez refletir sobre outro tipo de pensamento que não o católico.
A partir de 1911, influenciado pelo filósofo Heinrich Rickert , Heidegger estudou as obras de Hegel, Schelling, Kierkegaard e Nietzsche, Kant, Dostoievsky, Rilke, Trakl, e começou a redigir textos que resultariam em obras posteriores.
O pensamento de Heidegger gira em torno da existência humana, suas dificuldades, a linguagem humana e o velho problema filosófico que o Ocidente herdou dos gregos: o problema do Ser (ontologia).
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Heidegger pretende:
Constituir uma ontologia que permita compreender o Ser e interrogá-lo, mesmo que isso seja vago, mas de modo a conseguir uma determinação plena e completa do sentido (Sinn) do Ser.
Em qualquer pergunta pode se distinguir 3 coisas:
O que se pergunta;
Aquele a quem se pergunta, ou que é interrogado;
Aquele que pergunta.
1- Aquele que pergunta é o próprio ser
2- O que se encontra é o sentido do ser
3- Quem se interroga, porém, é um ente
Primeiro problema da ontologia:
Qual ente deve ser interrogado??? (what a hell!)
Ou seja: A qual ente deve-se dirigir especificamente a pergunta sobre o ser???
O ser interrogado pelo Ser é o Dasein (ser-aqui, ser-aí, ser-jogado, etc).
O homem é o Dasein, é o ente que foi interrogado pelo Ser, é o único que pode se perguntar. ---Primado ontológico.
Apenas interrogando o modo de ser do ser-aí (dasein) é que se pode descobrir o sentido do ser.
O modo de ser do ser-aqui (dasein) é a existência.
Por isso, a análise desse modo de ser será existencial.
Eu sou um Dasein, ele é um Dasein, tu és um Dasein. Nós, porém, não somos Dasein!!!
O Dasein é singular, nunca geral ou universal, é portanto, único.
Deste modo, a existência de cada Dasein constitui o fator mais importante da ontologia heideggeriana, pois aponta o número infinito de possibilidades de modos de ser do Dasein.
As possibilidades constituem o próprio ser do Dasein. Não são contingentes nem lógicas.
O Dasein pode escolher-se e conquistar-se ou pode perder-se (não se conquistar ou conquistar-se aparentemente).
A análise existencial cabe a cada Dasein singular, é condição de sua própria existência ser interrogado pelo ser, não há como fugir. Uma vez jogado... já era!
Cuidado: Esta análise deve ser feita pelo método fenomenológico. Em caso de hiperfraturação molímbica da consciência, chamar o Açougueiro!
Máxima da fenomenologia: “Apontar diretamente para as coisas.” O fenômeno de que fala a coisa não é aparência, mas uma manifestação, uma revelação daquilo que a coisa é no seu ser. É um abrir-se, é o manifestar-se do fenômeno da coisa, é a coisa própria! (ui!)
(quer dizer, para Kant, a coisa em si não pode ser conhecida... Kant não pode ver a coisa em si, apenas aquilo que lhe aparece da coisa, os dados da coisa -ou ele não quer ver a coisa em si? - Heidegger, porém, quer ver a coisa em si, ele afirma que a coisa se abriu totalmente para ele por meio do fenômeno, o que aparece para ele é a própria coisa, e ele está muito empolgado para descobrir seu gosto!)
Bate-rebate
1-Qual a estrutura fundamental da existência?
R: A Transcendência.
2-O que é Transcendência?
R: É superação, é ultrapassagem.
3-Qual é o fim para o qual o homem transcende?
R: O mundo.
4-Como poderíamos definir melhor a Transcendência?
R: Como um “estar-no-mundo”
5-O que é o mundo?
R: É a estrutura relacional que caracteriza a existência humana como transcendência
6-O que significa transcender para o mundo?
R: Fazer do próprio mundo o projeto das possíveis atitudes e ações do homem.
7-O que é liberdade?
R: É projetar, é o esboço que cada Dasein se propõe para transcender.
8-O homem é livre?
R: Sim e não!O homem é livre quando ultrapassa, quando supera, quando esboça seu mundo, sua existência, mas, fazendo isso, está já se limitando, pois tornar-se-á dependente deste esboço que fez.
9-O homem está condenado?
R: Não, pois ele está vivo (está jogado aí)
10- (irritado) Aí aonde?
Está jogado... Aí, no mundo das possibilidades, sempre ele poderá mais, ou seja, sempre haverá possibilidades diante dele.
11-O homem existe, isso eu entendi! O que é existir?
R: É estar aí, é ser Dasein.
12-O que é ser Dasein?
R: É estar obrigado a transcender, a estar jogado diante de possibilidades.
13-Qual é o modo de ser fundamental do próprio homem?
R: A compreensão de que ele está jogado diante destas possibilidades.
14- E os outros?
R: Que outros?
15-Ora, os outros daseins! Como fica a relação com os outros daseins, os outros homens jogados-aí?
Podemos dizer que a “substância” do homem é a sua existência, esta existência é constitutivamente uma abertura para o mundo e para os outros.
16- Isto significa que eu não posso viver sozinho no mundo ou ter um eu isolado?
R: Exatamente!
17- Se o homem está ligado constitutivamente aos outros, poderíamos dizer que ele é capaz de ser ético por si só?
R: Sim. Concluímos então que: não é possível um “sujeito sem mundo”, nem um “eu isolado”. Tudo está na relação. A morada do ser (ethos) é construída por meio da linguagem, que é própria do homem, do dasein.
A relação entre os homens (e também dos homens para com as coisas) é o de cuidar dos outros.
Existem duas formas de co-existir:
1- A co-existência inautêntica: em que um dasein tenta retirar os problemas do outro
2- A co-existência autêntica: em que um dasein abre ao outro a possibilidade de se encontrar e realizar seu próprio ser.
Existem também duas formas de compreensão existencial:
1- A autêntica: em que o homem parte de si mesmo para tanto;
2- A inautêntica: em que o homem depende dos demais, tudo o que os demais fazem, ele faz... “Maria vai com as outras”; nesta forma de compreensão existencial, o ser do dasein fica ocultado.
A Linguagem é, por natureza, a revelação do ser, por isso, um cara que tem uma existência inautêntica (Maria vai com as outras) se encaixa na frase: “Eu sou assim porque todos são assim”...
Um cara (dasein) desses é tão vazio que quer encher-se cada vez mais do novo, por isso a curiosidade é um outro caráter dominante dele, mas não a curiosidade sobre o ser das coisas, e sim sobre a aparência, por conseqüência, o equívoco.
Equívoco é a terceira distinção deste tipo de existência anônima (inautêntica).
-Heidegger, o que é dejecção?
R: É o movimento de um homem deixar de ser homem para ficar no nível das coisas no mundo, quando ele se transforma de homem em fato.
-Quando isso acontece?
R: Quando o homem vive de forma inautêntica, anônima.
-Isso é ruim? Quer dizer, isso é imoral?
R: Não se deve fazer juízos de valor. A existência inautêntica também faz parte do ser do homem. É como um movimento vertiginoso, um processo interno no homem. Mas que o homem deixa de ser homem pra ser apenas um fato, isso é verdadeiro mesmo... Conheço tantas pessoas assim...!
-O que fazemos com essas pessoas?
R: O mesmo que fazemos com as coisas, cuidamos delas para utilizá-las! (rsrsrs)
IMPORTANTE: Quando o homem vive uma existência inautêntica, ele vive diretamente em uma situação emotiva (Befindlichkeit). Sente-se abandonado a ser o que é de fato.
Ou seja, A situação emotiva diferencia-se da compreensão existencial na medida em que esta é um contínuo projetar-se para o futuro.
(A existência autêntica projeta-se, transcende / A existência inautência aceita a facticidade, contrai-se)
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O que Heidegger entende por:
A Existência Autêntica e o Viver Para a Morte
Para entender melhor, vamos por partes, cartesianamente, açougueiramente:
1- Há no homem a consciência.
2- Esta consciência não é clausura, é abertura
3- Esta consciência chama o homem para aquilo que ele é e não pode deixar de ser
4- Esta consciência pede a existência autêntica
Afinal: qual é o núcleo sólido, certo, insuperável para o qual a consciência chama o homem e no qual deve basear-se a sua existência autêntica?
Sem pressa!!!!
-A existência humana se constitui por possibilidades
-Nestas possibilidades projetamos e transcendemos
-Todo projetar-se ou transcender lança o homem ao mundo dos fatos novamente.
-O homem se projeta, transcende, mas depois cai e fica no nível de todos os demais entes do mundo (dejecção)
-(eterno retorno)
-Apesar de nossa existência ser constituída de inúmeras possibilidades, todas elas se nivelam, são indiferentes, posto que todo transcender joga o homem novamente no mundo (este mesmo é o fim da transcendência)
-Isso significa que na própria estrutura do ser está incluída uma “nulidade essencial”.
-Tudo o que o ser-aqui pode planejar a partir das suas possibilidades, reincidindo sobre o que já existe, é um projeto nulo ou um nada enquanto projeto.
"A nulidade existencial, afirma Heidegger, não tem de forma alguma o
carácter de privação ou de deficiência relativamente a um ideal que é proclamado mas que nunca se alcança. O que acontece é que o ser desta entidade é nulo anteriormente a tudo aquilo que pode planear ou alcançar, e já é nulo como mero planear"
-Quando a consciência chama o homem, chama para a forma última e mais radical do nada... A MORTE!
Entrevista com um nazista (rsrs.brincadeirinha!):
1-Heidegger, o que não é a morte?
R: A morte não é um ponto final, não é uma conclusão, não é o fim de sua existência. Não é um fato (pois se fosse estaríamos mortos).
2-O que é a morte?
R: É a possibilidade propriamente dita, porque diz respeito ao próprio ser do homem. É uma possibilidade incondicionada, porque pertence ao homem enquanto individualmente isolado.
3-Qual a diferença entre todas as possibilidades e esta possibilidade, a morte?
R: Todas as possibilidades jogam o homem diante de outras coisas, a morte joga o homem para si mesmo, torna-o uma possibilidade insuperável, é a extrema possibilidade de sua existência!
Apesar de não ser uma evidência necessária (apodítica), a morte se relaciona de uma maneira essencial com o aspecto autêntico da existência humana.
4-O que faz um homem diante da morte quando sua existência é inautêntica?
R: Foge... E considera a morte como um caso entre os muitos da vida de cada dia, oculta seu caráter de possibilidade imanente e procura esquecê-la, procura não pensar nela, entrega-se a preocupações quotidianas e corriqueiras.
5-O que faz um homem diante da morte para viver uma existência autêntica?
R:Ouve sua consciência.
6-O que sua consciência faz?
Sua consciência o chama para a morte, fá-lo sentir em dívida para com sua verdadeira natureza e o encaminha para uma decisão antecipadora que projeta a existência autêntica como um viver para a morte.
7-Devo praticar suicídio para ser autêntico?
R: Você, sim! Brincadeira, rsrsrs! Não!!! A morte deve ser entendida como uma pura ameaça suspensa sobre o homem.
8-Ah, entendi! Boa essa!(ri um pouco) A morte deve ser esperada?
R: Também não, a não ser que ela venha acompanhada de doces! rsrs! Outra brincadeirinha! Não deve ser esperada, pois quem espera a morte deseja que ela se realize, realizar a morte é o mesmo que um suicídio, ou seja, é a negação da morte como possibilidade de uma vida autêntica. (isso significa que vida e morte estão ligadas, para ter uma vida autêntica é preciso compreender que a morte é quem proporciona a autenticidade da vida)
9-Que diabos então significa “viver para a morte”?
R: Compreender a impossibilidade da existência!
10-O QUÊÊÊ?????!!! Quer dizer que existir é impossível????
R: ???!!! Nossa, pra que tudo isso?
11-Primeiro você diz uma coisa, depois você a refuta!
R: ... O que quero dizer é que a existência é essencialmente, radicalmente, impossível!!! O que é possível é a compreensão desta impossibilidade. Viver para a morte é exatamente esta compreensão da impossibilidade da existência, é precisamente isso o que torna a vida autêntica.
12-Vou fingir que entendi e te fazer outra pergunta: A angústia deve surgir neste momento, certo? (eu já estou angustiado só de pensar!)
R: rsrs. A angústia realmente surge desta “sacada”. Mas é ela quem “mantém aberta a contínua e radical ameaça que sai do ser mais íntimo e isolado do homem”. Com a angústia, o homem “sente-se em presença do nada, da impossibilidade de sua existência. Ela coloca o homem fundamentalmente cara-a-cara com o nada!
13-Cara, foda-se você. Acho que vou praticar suicídio e viver inautenticamente mesmo.
R: Não, espere um pouco! Deixe eu te explicar uma coisa.
14-Tudo bem, última chance!!
R: Na angústia, a totalidade da existência converte-se em algo transitório, acidental e fugidio, no qual o próprio nada revela também o significado autêntico da presença do homem no mundo: ESTA PRESENÇA SIGNIFICA MANTER-SE FIRME NO INTERIOR DO NADA! Entendeu?
15-Mais ou menos! Quer dizer, agora ficou melhor, mas ainda estou com uma ponta de
angústia, sabe? Por que vocês filósofos gostam tanto de provocar crises existenciais?
R: Por que, dizem, é mesmo esta a nossa única utilidade! hahahaha! De qualquer forma, você precisa saber que A REVELAÇÃO DO NADA NÃO É A NEGAÇÃO DO MUNDO.
16-UFA! Eu pensei que nada tivesse sentido algum. Pensei por um momento que é indiferente eu projetar algo para o futuro ou não, pois isto seria nulo.
R: Mas é indiferente mesmo, só que isso não é ruim, entende? Como já foi dito antes, não se deve fazer juízos de valor aqui.
Você foi jogada na existência, você está-aí na completa nulidade do ser, pois o nada é configuração estrutural do ser, mas é preciso superar isso, é preciso transcender e permanecer nesta mudança, neste devir, é preciso compreender esta impossibilidade e se manter firme no nada! E isto torna o homem autêntico em sua existência. Só isso!
Janelas são sedutoras Mas são apenas janelas A porta é a Morte.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Entretenimento!
Qual é a melhor forma de se divertir?
Para um tolo é fazer os outros rirem, mas para um espírito livre é fazer rir as suas próprias entranhas.
Por isso, na maior parte do tempo, estou rindo. Não é porque a vida é engraçada. A vida não é cômica! Rio, pois sei que a existência da humanidade é totalmente vazia de sentido, e que todos representamos papéis específicos na sociedade, mas que tudo é falso, tudo não passa de um grande divertimento.
Agora, minha atitude não é mais a de xingar o mundo, me revoltar contra a sociedade hipócrita e castrante ou arrancar meus cabelos.
Agora eu dou risada de tudo!
Quando vejo uma pessoa trabalhando duro, dando "ralo", obedecendo as normas da sociedade com tamanha dedicação... Não posso mais segurar o riso! É tão ridículo e cômico!
Todos nós estamos obrigados a seguir alguma norma para manter algum tipo de vínculo social... E só restou o riso e o entretenimento.
Pessoas sérias demais são cegas demais também. Observem os moralistas e verão quão sérios eles são!
Homens de idéias, de imaginação criativa e farta sempre se divertem.
Algumas pessoas (a grande maioria) afirma que eu sou louco porque rio sozinho.
E os psicólogos, como sempre, afirmam que rir é uma característica social do homem.
Eu discordo, pois rio o tempo todo. E minhas melhores gargalhadas ocorreram quando ninguém estava por perto!
O problema é: rir sozinho causa incômodo nos demais.
Se alguém vir você rindo sozinho enquanto anda na calçada... Nossa, que absurdo!
Se alguém vir você rindo com duas ou mais pessoas... Estão se divertindo!
Geralmente, alguma imagem absurdamente hilária e cômica passa na minha mente e eu começo a rir. Sempre aparece alguém que pergunta: "Do que você está rindo?"
Não adianta responder essa pergunta, porque a imagem se apresentou engraçada apenas para mim, e nisto consiste meu melhor entretenimento, quer dizer, quando uma coisa é engraçada apenas para mim e mais ninguém conseguirá decifrar o porquê!
Estou escrevendo isso porque gostaria que meus leitores descobrissem o prazer de rir de suas maiores ou piores maluquices; que riam de si mesmos da forma mais solitária possível, pois existem entretenimentos sociais maravilhosos, mas o entretenimento consigo mesmo é tão mais puro e refinado...
O prazer de saber coisas que ninguém poderá entender, porque só se manifestaram para você! O orgulho de ser único, de ser original, de criar e inventar o novo o tempo todo apenas com o intento de se dar um prazer!
Para um tolo é fazer os outros rirem, mas para um espírito livre é fazer rir as suas próprias entranhas.
Por isso, na maior parte do tempo, estou rindo. Não é porque a vida é engraçada. A vida não é cômica! Rio, pois sei que a existência da humanidade é totalmente vazia de sentido, e que todos representamos papéis específicos na sociedade, mas que tudo é falso, tudo não passa de um grande divertimento.
Agora, minha atitude não é mais a de xingar o mundo, me revoltar contra a sociedade hipócrita e castrante ou arrancar meus cabelos.
Agora eu dou risada de tudo!
Quando vejo uma pessoa trabalhando duro, dando "ralo", obedecendo as normas da sociedade com tamanha dedicação... Não posso mais segurar o riso! É tão ridículo e cômico!
Todos nós estamos obrigados a seguir alguma norma para manter algum tipo de vínculo social... E só restou o riso e o entretenimento.
Pessoas sérias demais são cegas demais também. Observem os moralistas e verão quão sérios eles são!
Homens de idéias, de imaginação criativa e farta sempre se divertem.
Algumas pessoas (a grande maioria) afirma que eu sou louco porque rio sozinho.
E os psicólogos, como sempre, afirmam que rir é uma característica social do homem.
Eu discordo, pois rio o tempo todo. E minhas melhores gargalhadas ocorreram quando ninguém estava por perto!
O problema é: rir sozinho causa incômodo nos demais.
Se alguém vir você rindo sozinho enquanto anda na calçada... Nossa, que absurdo!
Se alguém vir você rindo com duas ou mais pessoas... Estão se divertindo!
Geralmente, alguma imagem absurdamente hilária e cômica passa na minha mente e eu começo a rir. Sempre aparece alguém que pergunta: "Do que você está rindo?"
Não adianta responder essa pergunta, porque a imagem se apresentou engraçada apenas para mim, e nisto consiste meu melhor entretenimento, quer dizer, quando uma coisa é engraçada apenas para mim e mais ninguém conseguirá decifrar o porquê!
Estou escrevendo isso porque gostaria que meus leitores descobrissem o prazer de rir de suas maiores ou piores maluquices; que riam de si mesmos da forma mais solitária possível, pois existem entretenimentos sociais maravilhosos, mas o entretenimento consigo mesmo é tão mais puro e refinado...
O prazer de saber coisas que ninguém poderá entender, porque só se manifestaram para você! O orgulho de ser único, de ser original, de criar e inventar o novo o tempo todo apenas com o intento de se dar um prazer!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Um pouco de música diferente
O que vc acha de ouvir novos tipos de música?
Que tal ouvir Bartók? Conhece?
PARTE I:
PARTE II:
Béla Bartók (aos desavisados... era um homem, apesar de seu nome ser Bela!) nasceu em Nagyszentmiklós (Hungria), hoje Sannicolaul Mare (Romênia) em 25 de março de 1881. Aprendeu música e piano com a mãe, a partir dos cinco anos. Aos oito, perdeu o pai. Estabeleceu-se desde 1894 em Pozsony, atual Bratislava, centro cultural importante, onde fez estudos musicais regulares, embasamento técnico de sua atividade criativa.
Realizou, a partir de 1905, em companhia de seu amigo Zoltán Kodály, a pesquisa sistemática da música popular húngara, revelando-a completamente diversa da que se divulga como tal, ocidentalizada e desfigurada pelos músicos ciganos. Esse levantamento, sempre criterioso e objetivo, daria a matéria-prima fundamental de sua obra, particularmente de 1926 em diante, quando esta amadurece e adquire feição inteiramente original.
A sonoridade de sua música é bem diferente do que estamos acostumados, eu particularmente sou admirador fiel de Bartok. Conheci e toquei (e toco) algumas obras dele nas aulas com minha querida professora de piano, a Cidinha (que tb é fã dele)
Apreciem!
Mais informações, encontre em: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/bartok.htm
Que tal ouvir Bartók? Conhece?
PARTE I:
PARTE II:
Béla Bartók (aos desavisados... era um homem, apesar de seu nome ser Bela!) nasceu em Nagyszentmiklós (Hungria), hoje Sannicolaul Mare (Romênia) em 25 de março de 1881. Aprendeu música e piano com a mãe, a partir dos cinco anos. Aos oito, perdeu o pai. Estabeleceu-se desde 1894 em Pozsony, atual Bratislava, centro cultural importante, onde fez estudos musicais regulares, embasamento técnico de sua atividade criativa.
Realizou, a partir de 1905, em companhia de seu amigo Zoltán Kodály, a pesquisa sistemática da música popular húngara, revelando-a completamente diversa da que se divulga como tal, ocidentalizada e desfigurada pelos músicos ciganos. Esse levantamento, sempre criterioso e objetivo, daria a matéria-prima fundamental de sua obra, particularmente de 1926 em diante, quando esta amadurece e adquire feição inteiramente original.
A sonoridade de sua música é bem diferente do que estamos acostumados, eu particularmente sou admirador fiel de Bartok. Conheci e toquei (e toco) algumas obras dele nas aulas com minha querida professora de piano, a Cidinha (que tb é fã dele)
Apreciem!
Mais informações, encontre em: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/bartok.htm
Prelúdio para reflexões sobre ódio e indiferença...
(este texto é anterior àquele que publiquei sobre "reflexões sobre o ódio e a indiferença")
É engraçado o trajeto dos meus olhos quando estou em situações, no mínimo, constrangedoras. Pior é quando fico diante de algum ser que provoca azia.
Os olhos vão para cima, para baixo, vão para os lados e se encontram no centro, depois seguem perdidos em suas órbitas. Não é medo de encarar o sujeito. Seria compaixão inconsciente talvez?
Temo demonstrar com tal consistência o ódio crônico que se multiplica no fígado. Só que os olhos me denunciam todo o tempo.
Aí, o corpo todo começa a sofrer as consequências da lberação dos sucos gástricos e das substâncias que nos deixam alertas, prontos para socar a cara-de-cú-lavado de qualquer imbecil filho da puta.
Vez por outra, porém, um daqueles anjinhos renascentistas surgem na consciência pregando o amor: é, então, o momento clímax dos movimentos na alma. Um quase ataque epiléptico!
Os músculos se tencionam como ferro, estão preparados para apanhar... Mas também para tudo quebrar; a mão fica mais quente e a respiração ofegante.
Cerram-se os dentes e pratica-se bruxismo com tamanha força que quase se perfura a gengiva.
MAS... Quando se percebe que o inimigo é covarde, capaz de fugir a qualquer faísca de nossos punhos, melhor é sair e tomar um ar... Inimigos assim não valem a pena!
É engraçado o trajeto dos meus olhos quando estou em situações, no mínimo, constrangedoras. Pior é quando fico diante de algum ser que provoca azia.
Os olhos vão para cima, para baixo, vão para os lados e se encontram no centro, depois seguem perdidos em suas órbitas. Não é medo de encarar o sujeito. Seria compaixão inconsciente talvez?
Temo demonstrar com tal consistência o ódio crônico que se multiplica no fígado. Só que os olhos me denunciam todo o tempo.
Aí, o corpo todo começa a sofrer as consequências da lberação dos sucos gástricos e das substâncias que nos deixam alertas, prontos para socar a cara-de-cú-lavado de qualquer imbecil filho da puta.
Vez por outra, porém, um daqueles anjinhos renascentistas surgem na consciência pregando o amor: é, então, o momento clímax dos movimentos na alma. Um quase ataque epiléptico!
Os músculos se tencionam como ferro, estão preparados para apanhar... Mas também para tudo quebrar; a mão fica mais quente e a respiração ofegante.
Cerram-se os dentes e pratica-se bruxismo com tamanha força que quase se perfura a gengiva.
MAS... Quando se percebe que o inimigo é covarde, capaz de fugir a qualquer faísca de nossos punhos, melhor é sair e tomar um ar... Inimigos assim não valem a pena!
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Todo artista é hipócrita!
A música tem um pseudo-poder.
Tudo é aparência, seja verdadeiro, falso ou dialético.
E a aparência é. Ela simplesmente se apresenta diante de nós. O julgamento que fazemos sobre aquilo que nos aparece só acontece depois. O ser é aparência, a gente não conhece nada a não ser pela aparência.
Teve um episódio, no programa Fantástico, que várias pessoas foram entrevistadas e perguntaram: "O que importa mais pra você: aparência ou conteúdo?" Aí eu respondi bem alto na frente da televisão: "Não importa, tudo é aparência, quando aparecer o conteúdo de uma pessoa, isso não é aparência também?"
Essa discussão ridículo sobre aparência/conteúdo ou essência/aparência é um porre! Tudo o que é, tudo o que existe é muito semelhante a uma cebola cheia de casca em cima de outra casca. A gente chama conteúdo aquilo que ainda não se tornou aparência, mas uma hora o conteúdo aparece e deixa de ser conteúdo, agora é aparência, apareceu assim, na nossa cara!
Não entremos em pormenores, coisas deste tipo não merecem nosso desgaste ..
Hoje, como já faz parte da rotina, senti um desprezo tão grande pelas coisas - tédio.
Restou-me apenas a música.
Sentei ao piano, toquei uma música que pudesse me agradar... Senti uma leveza tão gostosa. Uma paz tranquila!
De fato, a arte, em geral, pode retirar o ser humano do tédio.
Mas apenas por um instante, e nisso constitui seu pseudo-poder. Nietzsche, o filósofo bigodudo, disse que: "
Nisto reside sua ação saudável . Ela nos retira da realidade por um momento, é um rapto, um arrebatamento sutil, uma violação apreciável. É uma forma de alienação, porém sem estragos consideráveis, pois a arte (no meu caso a música) logo que nos rapta, imediatamente nos abandona na existência concreta - pareça ela doce ou amarga aos olhos do sujeito.
É um conflito, um paradoxo e também uma solução, do mesmo modo que bebidas alcoólicas, já diria Homer Simpsom. Por raptar tão violentamente, e abandonar de modo semelhantemente abrupto, vicia!
E o vício da arte, da música, é bem pior que qualquer outra droga (sintética ou natural), exatamente porque seu efeito é curtíssimo. É necessário consumir com mais frequência, e em doses cada vez maiores. (talvez deste modo a gente consiga compreender o funk em volume máximo nos carros rebaixados, o sertanejo universitário que segue sempre os mesmos padrões musicais e outros estilos mais repetitivos... É! Isso explica várias coisas)
Por exemplo, se eu parar de tomar meus remédios contra insônia, o efeito colateral é uma insônia hiper-crônica!
Se eu começar a fumar dois cigarros por dia, daqui a uns dias meu organismo me pedirá quatro...
O livro judeu de provérbios "acerta o pulo" quando diz que a sanguessuga tem duas filhas: uma se chama Dá, a outra se chama Dá. (Provérbios 30:15)
É trágico, a música e a arte em geral constituem apenas um dos modos de lidar com o tédio, de superar a angústia de uma espécie que se auto-explora, que se auto-destrói e que não pode conhecer tudo.
Mas é nesse elemento trágico mesmo o lugar onde podemos encontrar a beleza, o Belo. E encarar a música dessa forma só me faz amá-la com mais intensidade.
NESTE ASPECTO, artistas são todos hipócritas (do grego: hupokrisis - que tem o sentido de atuar, de exercer um determinado papel, tem um significado artístico, entendam-me!) Nietzsche dizia que precisamos criar ilusões, porque ele sabia que o sentido da vida não é dado em forma de uma missão divina pessoal, o sentido da vida é algo modelável, precisa ser construído, mais precisamente precisa ser criado de forma artística. Não precisa ser músico, ator, pintor, bailarino ou seja lá o que for. Basta ser criativo, se permitir ser quem você é sem se preocupar com a opinião alheia, se lançar na vida de uma forma positiva, afirmativa, aceitando a tragédia, o drama, mas sem se abandonar em ausência de significado e niilismo.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Reflexões sobre o ódio e a indiferença...
(Eu considero este texto sério -mas pode ser que alguém não tenha as mesmas considerações -, entretanto, peço que leiam-no com cuidado e que se esforcem ao máximo para que não entendam coisas que não estão escritas aqui)
É incrível e extremamente impressionante a capacidade que o homem tem em desenvolver por diversas formas e graus os sentimentos mais pérfidos e insidiosos. Semelhantemente maravilhoso é o modo como podemos assimilar sentimentos alheios. Como somos influenciados pelas opiniões de outras pessoas.
Bom é que se ouça as opiniões, mas que se confira também a consistência delas. Quão interessante, então, pode ser confirmar a opinião de uma minoria (ou de uma maioria, isso não importa). Seria agradável se as opiniões sobre as quais se confirma a autenticidade fossem todas boas. Entretanto, na grande maioria das vezes é sempre ruim ou pior a constatação da realidade, e quando são boas não possuem verossimilhança.
Quando estas opiniões giram em torno de algum outro ser partícipe da espécie humana a surpresa é ainda maior, pois não há limites para o repulsivo, o ultrajante, o patético e o repugnante em descendentes de símios.
E, apesar de sermos todos humanos (animais apenas um pouco diferentes dos demais), deveríamos defender o direito natural ao ódio ou ao desprezo do nosso "próximo", pois ambos os sentimentos também podem ser encontrados facilmente na natureza.
A característica principal dos seres humanos é seu ser social, quer dizer, grande parte do que fazemos tem fundamento apenas por que estamos em sociedade, fazemos o que fazemos porque estamos diante do outro, poucas coisas são feitas por mera vontade individual. Neste sentido, a indiferença seria uma das poucas “atitudes” que poderiam ser consideradas, de certa forma, essencialmente individuais.
O ódio é um sentimento que necessita de um objeto odiável, ou seja, odiar implica ainda na existência do objeto que se odeia, isso pode ocorrer também, por exemplo, com um satanista que ainda pressupõe, apesar de odiá-lo, a existência de um cristo.
Já a indiferença/desprezo pressupõe um objeto apenas no início, pois é um sentimento de ação etérea, sutil, quase que uma inação em direção ao objeto desprezável (como filósofo, permito-me a invenção de palavras – ao menos encontrei uma utilidade em ser filósofo!) Depois da atitude indiferente estar completa, o objeto deixa de existir para o indiferente.
Infelizmente, quando não se consegue deixar de odiar, resta algumas opções não convencionais.
Se o ódio pressupõe a existência do objeto e o sentimento de indiferença o aniquila, o que seria mais indiferente do que a morte?
Portanto, se ainda o ódio domina o sujeito, bom seria dar cabo tanto do objeto material que se odeia(matéria...) quanto do sentimento ou objeto imaterial (forma... ).
Para um nórdico ou qualquer um que não foi contaminado pelo asceticismo do platonismo para o povo (quem lê e entende Nietzsche, entenda o que digo) – que nada mais é do que uma proliferação viral que contaminou todo o ocidente – poder-se-ia facilmente aniquilar ou eliminar o objeto odiável sem que surja culpa na consciência.
Parto da hipótese de que a culpa tenha sido inserida por domesticação asceta na consciência do sujeito. Por este motivo, não aconselharia tal atitude extrema a qualquer pessoa, e se alguém insistir na ação de desfazer-se de uma vez por todas do objeto que se odeia, bom é que se prepare com muita antecedência, pensando em todas as possibilidades, nas piores delas, pois já sabemos empiricamente que tudo tende ao pior... Principalmente quando se trata de ouvir a voz dos instintos mais baixos (e que são os mais fortes, por terem sido tão bem acorrentados pela moral decadente.)
Se se conseguir afastar toda a culpa, se se conseguir tripudiar a polícia e outros mecanismos de controle social, não haverá ninguém mais que condene o sujeito, pois matar é uma atitude inscrita em todas as espécies vivas no universo.
Depois de se mover de tal forma, a parte mais complicada será exterminar o objeto imaterial, isto é, livrar-se da presença eidética/mimética. Isto não será possível literalmente, pois outra característica humana é que nossa memória não é seletiva. Quando digo que se deve exterminar o objeto odiável, não quero dizer que o sujeito se livrará da imagem dele, mas que deverá adotar uma atitude de indiferença, deve-se mostrar tranqüilo quando ela se apresentar à mente, exatamente por que não existe mais materialmente, agora é apenas mais uma das várias ilusões que criamos, não pode mais exercer influência concreta. Isto se chama indiferença, não se movimenta mais por algo que não pode provocar influência concreta.
Sujeitos psicologicamente fracos e dependentes não podem e não possuem capacidade para tanto. E nisto se configura a consciência decadente de um seguidor do platonismo popular, a saber, que a simples imagem representativa, apenas a imagem mental das coisas já é suficiente para atormentar-lhe.
E é exatamente por este motivo que se torna tão dificultoso encontrar pessoas que tenham capacidade de livrar-se do ódio; pessoas que odeiam demais apenas estão dizendo que não podem livrar-se do daquilo que odeiam, que não têm força suficiente para tornarem-se indiferentes...
A indiferença é para humanos superiores, fortes, potencialmente fortes. Aqui se encontra, talvez, a raiz do ubermansch!
Entristeço-me, porém, de tal modo por ter de reconhecer que fui tão bem domesticado por esta sociedade, a ponto de perder a coragem de desfazer-me de objetos tão organicamente desprezíveis (sim, me refiro a humanos)
Isto explica muitas coisas!
É incrível e extremamente impressionante a capacidade que o homem tem em desenvolver por diversas formas e graus os sentimentos mais pérfidos e insidiosos. Semelhantemente maravilhoso é o modo como podemos assimilar sentimentos alheios. Como somos influenciados pelas opiniões de outras pessoas.
Bom é que se ouça as opiniões, mas que se confira também a consistência delas. Quão interessante, então, pode ser confirmar a opinião de uma minoria (ou de uma maioria, isso não importa). Seria agradável se as opiniões sobre as quais se confirma a autenticidade fossem todas boas. Entretanto, na grande maioria das vezes é sempre ruim ou pior a constatação da realidade, e quando são boas não possuem verossimilhança.
Quando estas opiniões giram em torno de algum outro ser partícipe da espécie humana a surpresa é ainda maior, pois não há limites para o repulsivo, o ultrajante, o patético e o repugnante em descendentes de símios.
E, apesar de sermos todos humanos (animais apenas um pouco diferentes dos demais), deveríamos defender o direito natural ao ódio ou ao desprezo do nosso "próximo", pois ambos os sentimentos também podem ser encontrados facilmente na natureza.
A característica principal dos seres humanos é seu ser social, quer dizer, grande parte do que fazemos tem fundamento apenas por que estamos em sociedade, fazemos o que fazemos porque estamos diante do outro, poucas coisas são feitas por mera vontade individual. Neste sentido, a indiferença seria uma das poucas “atitudes” que poderiam ser consideradas, de certa forma, essencialmente individuais.
O ódio é um sentimento que necessita de um objeto odiável, ou seja, odiar implica ainda na existência do objeto que se odeia, isso pode ocorrer também, por exemplo, com um satanista que ainda pressupõe, apesar de odiá-lo, a existência de um cristo.
Já a indiferença/desprezo pressupõe um objeto apenas no início, pois é um sentimento de ação etérea, sutil, quase que uma inação em direção ao objeto desprezável (como filósofo, permito-me a invenção de palavras – ao menos encontrei uma utilidade em ser filósofo!) Depois da atitude indiferente estar completa, o objeto deixa de existir para o indiferente.
Infelizmente, quando não se consegue deixar de odiar, resta algumas opções não convencionais.
Se o ódio pressupõe a existência do objeto e o sentimento de indiferença o aniquila, o que seria mais indiferente do que a morte?
Portanto, se ainda o ódio domina o sujeito, bom seria dar cabo tanto do objeto material que se odeia(matéria...) quanto do sentimento ou objeto imaterial (forma... ).
Para um nórdico ou qualquer um que não foi contaminado pelo asceticismo do platonismo para o povo (quem lê e entende Nietzsche, entenda o que digo) – que nada mais é do que uma proliferação viral que contaminou todo o ocidente – poder-se-ia facilmente aniquilar ou eliminar o objeto odiável sem que surja culpa na consciência.
Parto da hipótese de que a culpa tenha sido inserida por domesticação asceta na consciência do sujeito. Por este motivo, não aconselharia tal atitude extrema a qualquer pessoa, e se alguém insistir na ação de desfazer-se de uma vez por todas do objeto que se odeia, bom é que se prepare com muita antecedência, pensando em todas as possibilidades, nas piores delas, pois já sabemos empiricamente que tudo tende ao pior... Principalmente quando se trata de ouvir a voz dos instintos mais baixos (e que são os mais fortes, por terem sido tão bem acorrentados pela moral decadente.)
Se se conseguir afastar toda a culpa, se se conseguir tripudiar a polícia e outros mecanismos de controle social, não haverá ninguém mais que condene o sujeito, pois matar é uma atitude inscrita em todas as espécies vivas no universo.
Depois de se mover de tal forma, a parte mais complicada será exterminar o objeto imaterial, isto é, livrar-se da presença eidética/mimética. Isto não será possível literalmente, pois outra característica humana é que nossa memória não é seletiva. Quando digo que se deve exterminar o objeto odiável, não quero dizer que o sujeito se livrará da imagem dele, mas que deverá adotar uma atitude de indiferença, deve-se mostrar tranqüilo quando ela se apresentar à mente, exatamente por que não existe mais materialmente, agora é apenas mais uma das várias ilusões que criamos, não pode mais exercer influência concreta. Isto se chama indiferença, não se movimenta mais por algo que não pode provocar influência concreta.
Sujeitos psicologicamente fracos e dependentes não podem e não possuem capacidade para tanto. E nisto se configura a consciência decadente de um seguidor do platonismo popular, a saber, que a simples imagem representativa, apenas a imagem mental das coisas já é suficiente para atormentar-lhe.
E é exatamente por este motivo que se torna tão dificultoso encontrar pessoas que tenham capacidade de livrar-se do ódio; pessoas que odeiam demais apenas estão dizendo que não podem livrar-se do daquilo que odeiam, que não têm força suficiente para tornarem-se indiferentes...
A indiferença é para humanos superiores, fortes, potencialmente fortes. Aqui se encontra, talvez, a raiz do ubermansch!
Entristeço-me, porém, de tal modo por ter de reconhecer que fui tão bem domesticado por esta sociedade, a ponto de perder a coragem de desfazer-me de objetos tão organicamente desprezíveis (sim, me refiro a humanos)
Isto explica muitas coisas!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A humanidade faz caminhada?
A Humanidade está correndo pelas ruas e se depara com um filósofozinho:
-Bom Dia, Humanidade! Como vai?
-Com as pernas, panaca!
-Ah, sim! E como você está?
-Estou péssima!
-Sim, eu posso sentir sua dor!
-Pode? Como é possível você sentir minha dor?
-Oras, por que sou humano, faço parte de você!
-Quem te disse essa asneira, posso saber?
-Oras, todos! “Eu posso sentir as dores da humanidade” e coisas deste tipo... Sabe?
-(sorrindo sarcasticamente) Estou por dentro deste tipo de assunto!
-Você gosta de filosofia?
-Se eu gosto? Eu adoro! Aliás, devo tudo aos filósofos. Que seria eu, a Humanidade, se não fossem todos os filósofos? Diga!
-Não sei, diga-me você, estou começando a ficar confuso.
-Isso é normal quando se está diante de um universal.
-Um o quê?
-Um universal, seu burro! Humanidade, Amor, Sociedade... São todos ‘universais’.
-Ah, sim, claro! Entendi! São conceitos universais que unificam as partes semelhantes etc. Certo?
-De certa forma, sim!
-Me diga, Humanidade, você existe mesmo ou é apenas um conceito utilizado para que nós possamos obter conhecimento?
-Olha, eu estou fazendo caminhada agora... E essa pergunta tem sido discutida há muito tempo, talvez outra hora eu te responda. Por agora preciso cuidar de minha saúde.
-Tudo bem... Eu já estava meio decepcionado mesmo!
-Como assim? Decepcionado por qual motivo?
-Decepcionado com a Humanidade, com você. O caminho que você esta tomando, para onde você está indo, Humanidade? É deplorável o que está acontecendo com você! Guerras, fome, preconceito, ódio! O que você tem?
-Eu estou indo para a academia. Antes, porém, eu gosto de fazer uma caminhada para chegar lá aquecida. E que papo é esse de guerra, fome, morte? Eu não fiz nada!
-Como não? Você não ouviu nos noticiários? “A Humanidade está perdida!”; ou os pregadores: “A Humanidade está indo de mal a pior!” ...
-Nossa, que absurdo! Difamação! Falso testemunho! Eu não estou perdida coisíssima nenhuma! E não estou indo de mal a pior! Veja como eu sou saudável, forte e bem cuidada!
-Estranho, sua aparência é agradável mesmo!
-Pois, então! Vou jogar vocês todos “no pau”, vou processar por difamação e vou ganhar às vossas custas... Isso é perda por danos morais, viu?
-Fique calma, Humanidade! Não precisa se estressar! (...) Espera aí! Você estudou direito ou coisa assim?
-Oh! Como pode duvidar de minha inteligência!? Se eu sou “a” Humanidade, eu tenho conhecimento total d”a” humanidade, não é?
-Seria incoerente o contrário... Desculpe!
-Tudo bem, está desculpado!
-Bom, eu não vou mais te incomodar, você já tem problemas demais, não?
-Claro! Tenho que buscar minha filha na escola, fazer o almoço pro marido, lavar roupa. Sabe como é, né?
-Não! Você tem marido, filha? Lava, passa e cozinha?
-Cara, na boa... Você está começando a ser desagradável! O que você quer saber mais? Só falta você me perguntar qual minha idade!
-Sim, como não? Qual sua idade!?
A Humanidade enfezou-se, pegou uma arma e matou o humano questionador! Afinal... o que é a parte diante do todo?
(Ah, sim, só para que as pessoas que lerem este texto interpretem-no corretamente: eu tentei fazer uma ironia com a questão dos universais... um dos 'problemas' filosóficos mais antigos, que só perde para o dos dualismos: movimento-inércia; bem-mal;vômito-fezes...)
-Bom Dia, Humanidade! Como vai?
-Com as pernas, panaca!
-Ah, sim! E como você está?
-Estou péssima!
-Sim, eu posso sentir sua dor!
-Pode? Como é possível você sentir minha dor?
-Oras, por que sou humano, faço parte de você!
-Quem te disse essa asneira, posso saber?
-Oras, todos! “Eu posso sentir as dores da humanidade” e coisas deste tipo... Sabe?
-(sorrindo sarcasticamente) Estou por dentro deste tipo de assunto!
-Você gosta de filosofia?
-Se eu gosto? Eu adoro! Aliás, devo tudo aos filósofos. Que seria eu, a Humanidade, se não fossem todos os filósofos? Diga!
-Não sei, diga-me você, estou começando a ficar confuso.
-Isso é normal quando se está diante de um universal.
-Um o quê?
-Um universal, seu burro! Humanidade, Amor, Sociedade... São todos ‘universais’.
-Ah, sim, claro! Entendi! São conceitos universais que unificam as partes semelhantes etc. Certo?
-De certa forma, sim!
-Me diga, Humanidade, você existe mesmo ou é apenas um conceito utilizado para que nós possamos obter conhecimento?
-Olha, eu estou fazendo caminhada agora... E essa pergunta tem sido discutida há muito tempo, talvez outra hora eu te responda. Por agora preciso cuidar de minha saúde.
-Tudo bem... Eu já estava meio decepcionado mesmo!
-Como assim? Decepcionado por qual motivo?
-Decepcionado com a Humanidade, com você. O caminho que você esta tomando, para onde você está indo, Humanidade? É deplorável o que está acontecendo com você! Guerras, fome, preconceito, ódio! O que você tem?
-Eu estou indo para a academia. Antes, porém, eu gosto de fazer uma caminhada para chegar lá aquecida. E que papo é esse de guerra, fome, morte? Eu não fiz nada!
-Como não? Você não ouviu nos noticiários? “A Humanidade está perdida!”; ou os pregadores: “A Humanidade está indo de mal a pior!” ...
-Nossa, que absurdo! Difamação! Falso testemunho! Eu não estou perdida coisíssima nenhuma! E não estou indo de mal a pior! Veja como eu sou saudável, forte e bem cuidada!
-Estranho, sua aparência é agradável mesmo!
-Pois, então! Vou jogar vocês todos “no pau”, vou processar por difamação e vou ganhar às vossas custas... Isso é perda por danos morais, viu?
-Fique calma, Humanidade! Não precisa se estressar! (...) Espera aí! Você estudou direito ou coisa assim?
-Oh! Como pode duvidar de minha inteligência!? Se eu sou “a” Humanidade, eu tenho conhecimento total d”a” humanidade, não é?
-Seria incoerente o contrário... Desculpe!
-Tudo bem, está desculpado!
-Bom, eu não vou mais te incomodar, você já tem problemas demais, não?
-Claro! Tenho que buscar minha filha na escola, fazer o almoço pro marido, lavar roupa. Sabe como é, né?
-Não! Você tem marido, filha? Lava, passa e cozinha?
-Cara, na boa... Você está começando a ser desagradável! O que você quer saber mais? Só falta você me perguntar qual minha idade!
-Sim, como não? Qual sua idade!?
A Humanidade enfezou-se, pegou uma arma e matou o humano questionador! Afinal... o que é a parte diante do todo?
(Ah, sim, só para que as pessoas que lerem este texto interpretem-no corretamente: eu tentei fazer uma ironia com a questão dos universais... um dos 'problemas' filosóficos mais antigos, que só perde para o dos dualismos: movimento-inércia; bem-mal;vômito-fezes...)
sábado, 7 de agosto de 2010
Curtas reflexões sobre o tédio
06.08.2010
12h56m
Algumas horas de sono são suficientes para destruir todo o ânimo existente, e como é interessante o modo como nossas emoções se transformam quando comemos alimentos gordurosos, bebemos ou fumamos. Todo o corpo se modifica. Não quero dizer que se deve manter uma vida saudável sempre, o mal é bom e o bom é mal... Não há muito sentido em manter saudável um corpo que tem por destino a putrefação. Mas também não existe motivo para não se cuidar enquanto houver vida. Cada qual sabe bem o que faz consigo.
Dentro de mim agora se pode ouvir um barulho de violência digestiva e uma linha melódica hipnótica que está me deixando nauseado. É paz! Mas não é uma paz como todos estão acostumados a entender, é um sentimento que beira niilismo, mas que não é totalmente nadificante; uma sensação de onda: quando ela vem traz coisas do mar e leva coisas da areia e tudo é dialético!
O sol está bem forte hoje, irritantemente claro e o frio está arrogantemente grande. Mas talvez seja eu o irritado e o arrogante aqui. Talvez!
Eu fico tão transtornado com o fato de não poder conseguir dormir como pessoas normais... É tão monótono ser diferente! Por outro lado, é tão ridículo ser normal...
Hoje eu consegui experimentar e entender no âmago o que é desejar o nada, o não-ser, as coisas que não se almejam, pois eu quero o nada, quero Hipnos, irmão gêmeo de Tânatos! Luto por adquirir o esquecimento, quero longe de mim a memória e a lembrança. Ser um homo sapiens cansa, tudo o que você faz é pensar, ter sapiência, conhecer, descobrir, duvidar, responder e perguntar novamente. O movimento é intenso na roda da vida, e apesar de ser movimento é um movimento de rotação, de dançar ao redor de si mesmo, de girar feito carrossel, em torno de si mesmo... O que, no fundo, não deixa de ser uma estaticidade absurda, uma inércia completa e idiota. Uma perfeita tragicomédia!
Felicidade, alegria, paz, amor... Quem precisa disso quando se tem o tédio? E, no fim, felicidade demais, alegria demais, paz demais, amor demais são todas as criaturas geradas e geradoras do tédio!
Isso! Exatamente! Concordai entre vós! Realmente, o desejo, o sonho, o objetivo... Lutar por um objetivo nos retira do tédio! E vós ainda acreditais que é São Pedro quem envia as chuvas? Desejar sempre é tédio certeiro, conquistar é apenas um passo para se entediar. De resto, todo o resto é tédio, monotonia e morbidez apática!
Tudo é movimento, disse Heráclito! Hoje eu estou vendo de forma diferente: Tudo é tédio, até mesmo o movimento!
12h56m
Algumas horas de sono são suficientes para destruir todo o ânimo existente, e como é interessante o modo como nossas emoções se transformam quando comemos alimentos gordurosos, bebemos ou fumamos. Todo o corpo se modifica. Não quero dizer que se deve manter uma vida saudável sempre, o mal é bom e o bom é mal... Não há muito sentido em manter saudável um corpo que tem por destino a putrefação. Mas também não existe motivo para não se cuidar enquanto houver vida. Cada qual sabe bem o que faz consigo.
Dentro de mim agora se pode ouvir um barulho de violência digestiva e uma linha melódica hipnótica que está me deixando nauseado. É paz! Mas não é uma paz como todos estão acostumados a entender, é um sentimento que beira niilismo, mas que não é totalmente nadificante; uma sensação de onda: quando ela vem traz coisas do mar e leva coisas da areia e tudo é dialético!
O sol está bem forte hoje, irritantemente claro e o frio está arrogantemente grande. Mas talvez seja eu o irritado e o arrogante aqui. Talvez!
Eu fico tão transtornado com o fato de não poder conseguir dormir como pessoas normais... É tão monótono ser diferente! Por outro lado, é tão ridículo ser normal...
Hoje eu consegui experimentar e entender no âmago o que é desejar o nada, o não-ser, as coisas que não se almejam, pois eu quero o nada, quero Hipnos, irmão gêmeo de Tânatos! Luto por adquirir o esquecimento, quero longe de mim a memória e a lembrança. Ser um homo sapiens cansa, tudo o que você faz é pensar, ter sapiência, conhecer, descobrir, duvidar, responder e perguntar novamente. O movimento é intenso na roda da vida, e apesar de ser movimento é um movimento de rotação, de dançar ao redor de si mesmo, de girar feito carrossel, em torno de si mesmo... O que, no fundo, não deixa de ser uma estaticidade absurda, uma inércia completa e idiota. Uma perfeita tragicomédia!
Felicidade, alegria, paz, amor... Quem precisa disso quando se tem o tédio? E, no fim, felicidade demais, alegria demais, paz demais, amor demais são todas as criaturas geradas e geradoras do tédio!
Isso! Exatamente! Concordai entre vós! Realmente, o desejo, o sonho, o objetivo... Lutar por um objetivo nos retira do tédio! E vós ainda acreditais que é São Pedro quem envia as chuvas? Desejar sempre é tédio certeiro, conquistar é apenas um passo para se entediar. De resto, todo o resto é tédio, monotonia e morbidez apática!
Tudo é movimento, disse Heráclito! Hoje eu estou vendo de forma diferente: Tudo é tédio, até mesmo o movimento!
domingo, 25 de julho de 2010
Tendências...

Cheguei a uma conclusão. E apesar de estar em um mundo de tantas incertezas foram estas incertezas mesmo que me levaram a tal conclusão:
Tudo tende à destruição e ao caos.
Mesmo um feto, depois de se transformar em uma bela criança humana... Logo nasce e já está fadada a morrer.
Pode ser daqui a 70 anos ou um pouco mais, depois de quinze minutos ou antes mesmo de sair do ventre de sua mãe.
Lance uma pedra para qualquer lado que você quiser e certamente ela irá se chocar a algum vidro de janela. Cave um buraco e você mesmo cairá nele, construa uma ponte... o rio a destruirá.
Estamos todos jogados na existência, todos nós viajamos num percurso altamente perigoso do qual nunca se sobrevive.
Não, hoje não quero escrever para otimistas, pois sinceramente, nesta minha conclusão não há espaço para otimismo.
Pensando bem, talvez haja algo de belo, de otimismo não.
Assim como é bela uma tempestade, apesar de catastrófica; assim como é magnífico um tornado, meteoros, vulcões e toda espécie de fenômenos violentos da natureza... São coisas tão belas e muito pouco otimistas.

Algum moralista diz: “Mas a tempestade de ventos carregam sementes que irão germinar novas plantas; os vulcões foram responsáveis pela formação do nosso planeta; tudo o que ocorre tem um propósito.”

E eu concordo de modo diverso: “Sim, há propósito em todas estas coisas: a autodestruição, o caos e a morte!”
quarta-feira, 7 de julho de 2010
TANTO FAZ!
Saudações, terráquios!
Cada vez mais eu me convenço de que: tanto faz!
Deus existe ou não? Eu sou irracionalista, pessimista ou existencialista?
Você é evangélico, católico ou pagão?
Gosta de música clássica, rock, contemporânea ou funk?
Para cima ou para baixo? Azul ou vermelho?
TANTO FAZ! Dá tudo na mesma merda!
Eu nasço, eu vivo, eu morro!
Todos estão fadados a este tédio!
O que resta a cada um é fazer o que tem que ser feito... E aí tenho que concordar em gênero, número e grau com um dos poucos escritores da bíblia que leio e releio sempre:
"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol." Eclesiastes 2: 1-11
Eu, sinceramente, não acredito na Bíblia como se ela fosse um livro sagrado onde um Ser Poderoso pudesse se revelar (e essa é uma opinião minha, respeito o direito de cada um a terem suas próprias crenças), mas, depois de ter lido ela inteira por três vezes, e por sempre reler algumas coisas (assim como releio sempre que posso o livro Anticristo, de Friederich Nietzsche!), tenho que reconhecer que o livro de Eclesiastes é de uma sabedoria imensa!
A única coisa extramamente repulsiva que eu encontro neste belo livro é este ódio sacerdotal contra a vida (próprio de pessoas que vivem nos becos escuros)!
Concordamos todos com você, Salomão: "A vida não faz sentido algum, tudo é vaidade e aflição de espírito! Mas nem por isso a vida deixa de ser bela e digna de ser experimentada."
A vida passa a ser mais degustável ainda quanto menor é nossa expectativa de vida. Quanto mais próximos da morte, mais valor damos a ela. Quanto maior a futilidade da vida, quanto maior sua fugacidade, sua transitoriedade, maior é sua intensidade, mais bela fica!
E se não houver nada depois da morte (o que eu acho bem possível...), este é um motivo ainda maior para valorizar a vida, ao contrário do que os niilistas (Dostoievsky, infelizmente, também é um deles)dizem por aí!
Apesar do TANTO FAZ! Eu continuo gostando de viver esta vida, esta existência de TANTO FAZ, porque TANTO FAZ é um leque imenso de possibilidades de TANTOS FAZERES!
Cada vez mais eu me convenço de que: tanto faz!
Deus existe ou não? Eu sou irracionalista, pessimista ou existencialista?
Você é evangélico, católico ou pagão?
Gosta de música clássica, rock, contemporânea ou funk?
Para cima ou para baixo? Azul ou vermelho?
TANTO FAZ! Dá tudo na mesma merda!
Eu nasço, eu vivo, eu morro!
Todos estão fadados a este tédio!
O que resta a cada um é fazer o que tem que ser feito... E aí tenho que concordar em gênero, número e grau com um dos poucos escritores da bíblia que leio e releio sempre:
"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol." Eclesiastes 2: 1-11
Eu, sinceramente, não acredito na Bíblia como se ela fosse um livro sagrado onde um Ser Poderoso pudesse se revelar (e essa é uma opinião minha, respeito o direito de cada um a terem suas próprias crenças), mas, depois de ter lido ela inteira por três vezes, e por sempre reler algumas coisas (assim como releio sempre que posso o livro Anticristo, de Friederich Nietzsche!), tenho que reconhecer que o livro de Eclesiastes é de uma sabedoria imensa!
A única coisa extramamente repulsiva que eu encontro neste belo livro é este ódio sacerdotal contra a vida (próprio de pessoas que vivem nos becos escuros)!
Concordamos todos com você, Salomão: "A vida não faz sentido algum, tudo é vaidade e aflição de espírito! Mas nem por isso a vida deixa de ser bela e digna de ser experimentada."
A vida passa a ser mais degustável ainda quanto menor é nossa expectativa de vida. Quanto mais próximos da morte, mais valor damos a ela. Quanto maior a futilidade da vida, quanto maior sua fugacidade, sua transitoriedade, maior é sua intensidade, mais bela fica!
E se não houver nada depois da morte (o que eu acho bem possível...), este é um motivo ainda maior para valorizar a vida, ao contrário do que os niilistas (Dostoievsky, infelizmente, também é um deles)dizem por aí!
Apesar do TANTO FAZ! Eu continuo gostando de viver esta vida, esta existência de TANTO FAZ, porque TANTO FAZ é um leque imenso de possibilidades de TANTOS FAZERES!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Morre José Saramago!

O que podemos fazer a não ser lamentar a morte deste grandioso gênio da literatura. Esta criatura ousada que desafiou a podridão das religiões, que nos encantou com histórias tão bem escritas, que nos abriu os olhos para a beleza da língua portuguesa?
Hoje, dia 18 de junho de 2010, o mundo perde José Saramago. Um daqueles poucos escritores que conseguem unir pessimismo e bom humor.
Não teremos novos livros de Saramago, mas ainda temos Caim, o Evangelho de Jesus e As Intermitências da Morte...
Claro, quem leu o livro A Cabana, por exemplo, jamais deverá ler alguma obra de José Saramago, seria o mesmo que colocar ácido em ferida aberta!
Quem leu "O Segredo" ou "Crepúsculo", então, não deveria sequer tocar em algum livro dele... Seria muito perigoso! rs
Aos corajosos, porém, avante! Deliciem-se de Saramago em livros, pois agora já o não temos entre nós! A morte veio buscá-lo e só nos resta uma tristeza a mais!
OBS: Antes de dizer algo parecido com: "Vai com deus, Saramago", pense bem! Acho que deus não é digno de ir com ele!
domingo, 13 de junho de 2010
EU TENHO RAZÃO!? TENHO? NÃO! NÃO! NÃO?
Sabe quando você sente vontade de comer alguma coisa gostosa!? Sei lá, um bife, um chocolate ou um tomate geneticamente modificado? Então, hoje eu fiquei sem sono e tive um desejo tão grande por morder as unhas do dedinho do meu pé, que pensei seriamente na possibilidade de me torturar me obrigando a arrancar os pelos do meu axilas!
Não sei, é uma sensação de quase-morte... Parecido quando você toma cerveja aos litros!
Eu sei que você já passou por isso! Já né? Não!? Foda-se! Eu não estou interessado em saber mesmo.
Quando o Ser se revolve em si mesmo logo poderá se tornar outro por meio da negação da negação, ou seja, a televisão se ouve no rádio, e todas as estrelas do céu se jogam no mar vermelho!
E o cachorro? Bom, aí é diferente, pois ele não gosta de balançar o rabinho quando está triste! De fato, ele chora bem alto, tão alto quanto as maiores montanhas de Marte.
É interessante como, falando em planeta, a girafa cruza com as árvores nas religiões africanas do sul, muito mais ainda quando isso ocorre mais para o sul, perto dos jogos olímpicos da copa atlética.
Fico aqui pensando, então, será que eu posso fazer um gato cair de costas? Será possível assistir o Faustão sem cometer suicídio? Não, NÃO É POSSÍVEL! E isso é bem evidente quando nós estamos diante de um frango assado recheado de Chavez, sabe aquele que mora dentro de um barril? ... Passa sempre no SBT. Putz! Assaltaram meu vizinho! Será que quebraram a descarga do banheiro deles?
-Ei, você aí, me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí que eu vou comprar uma passagem para um exoplaneta!
Não sei, é uma sensação de quase-morte... Parecido quando você toma cerveja aos litros!
Eu sei que você já passou por isso! Já né? Não!? Foda-se! Eu não estou interessado em saber mesmo.
Quando o Ser se revolve em si mesmo logo poderá se tornar outro por meio da negação da negação, ou seja, a televisão se ouve no rádio, e todas as estrelas do céu se jogam no mar vermelho!
E o cachorro? Bom, aí é diferente, pois ele não gosta de balançar o rabinho quando está triste! De fato, ele chora bem alto, tão alto quanto as maiores montanhas de Marte.
É interessante como, falando em planeta, a girafa cruza com as árvores nas religiões africanas do sul, muito mais ainda quando isso ocorre mais para o sul, perto dos jogos olímpicos da copa atlética.
Fico aqui pensando, então, será que eu posso fazer um gato cair de costas? Será possível assistir o Faustão sem cometer suicídio? Não, NÃO É POSSÍVEL! E isso é bem evidente quando nós estamos diante de um frango assado recheado de Chavez, sabe aquele que mora dentro de um barril? ... Passa sempre no SBT. Putz! Assaltaram meu vizinho! Será que quebraram a descarga do banheiro deles?
-Ei, você aí, me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí que eu vou comprar uma passagem para um exoplaneta!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Antropologia: Ousar para reinventar a humanidade
Acabei de fazer a leitura de um livro que é muito bom como introdução à matéria de Antropologia Filosófica. E como o objetivo principal deste blog é que eu apresente minhas leituras etc, resolvi colocar aqui um dos textos que fiz sobre Antropologia Filosófica.
Pra quem tiver interesse em se introduzir a leituras filosóficas este livro é muito interessante.
Aqui está a citação:
ARDUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2009.
Fiz um breve comentário sobre a obra (com umas pequenas críticas apenas).
Préfacil:
Depois de ter lido o livro de Juvenal Arduini é bom tomar suco de limão sem açucar. Notavelmente é uma leitura agradável de se fazer, simples. Este simples é o simples que alguns alemães deveriam buscar (se bem que os alemães não estão nem aí pro leitor, se você não os entender... a impressão que fica é que eles dizem um "foda-se" escarrado!
Podemos sintetizar todo o livro em algumas noções básicas:
-A reflexão do autor gira em torno de uma luta constante em favor da abertura do pensar antropológico;
-A grande parte de suas críticas se direcionam aos opressores do homem: uma sociedade manipuladora, um sistema coisificante, modos de ver unidimensionais e fragmentários etc.;
-Quem lê o livro intui (deduz, antevê, use a palavra que quiser) uma inquietação na "medula" do autor, um inconformismo, um desprazer em relação ao presente, ou como ele mesmo fala: "um pessimismo otimista" (ARDUINI, 2009, p. 65-67).
-Este pessimismo otimista do autor é a mola propulsora de sua obra, aquilo que lhe dá audácia para dizer que: é preciso reinventar o humano.
Espero que tenha conseguido sugerir alguns dos principais elementos (os que mais se destacaram para mim durante a leitura) deste livro.
O modo como Juvenal Arduini apresenta os conceitos é perfeitamente compreensível, claro e distino! Dá auxílio a leitores que possuam certa dificuldade de abstração, mas não chega a pecar por didatismo ou pedagogismo.
Não posso omitir que pra quem acabou de ler um Hegel (Fenomenologia do espírito)um Kant (Crítica da Razão Pura) ou um Sartre (O Ser e o Nada) a sensação é de estar lendo qualquer boa obra de literatura. (Isso não é ruim, pois precisamos de leituras menos densas vez por outra). O pensamento deste autor se revela tão profundo quanto uma obra literária, há muito que se estudar nele.
O pessimismo otimista de arduini está mais para um impulso revolucionário que vocifera contra as opressões humanas que os próprios humanos criam.
Fácil:
Há desdobramentos, porém, que ele mesmo não explora e que cabe ao leitor pensá-los (já que a intenção é exatamente a abertura do pensar).
Arduini insiste em que o homem é "ser incompleto", com "mais semblante de madrugada do que de ocaso", "ser movediço", "identidade dançante" (ARDUINI, 2009, p. 21), deixa bem claro que não há uma essência que se possa dizer humana. Quer dizer, o homem nasce e a partir deste ponto é que ele passa a construir-se. Detalhe: Este construir-se não é contrução solitária, mas solidária, pois depende do outro para tal feito.
Entretanto, apesar de reconhecer que não haja uma essência, algo inato(se bem que ele mesmo utilizará o termo 'inato' um pouco depois) no homem, ou seja, ele é construção, projeto existencial ou processo, Arduini defende a preservação da "natureza humana": "Se devemos preservar a natureza ambiental, haveremos de preservar ainda mais a natureza humana"(ARDUINI, 2009, p. 29)
(Ouço a voz de Arendt soprando nos meus ouvidos: "Não sei se podemos falar em 'natureza humana'")
Por mais que Arduini defenda seu antropocentrismo como legítimo, não deixa de ser também um reducionista, mas de uma outra espécie. Vejamos o que ele nos diz acerca deste pequeníssimo "ismo": "O ser humano é a realidade fundamental em nosso cosmo. É universo ontológico. E deve ser visto e tratado como prioridade." (idem)
E também: "Ninguém tem o direito de anular a dignidade inata ao ser humano. Mais que espécie natural, o ser humano é espécie cultural." p. 27
Precisamos relembrar um comentário que Leonardo Boff fez: "O mundo começou sem o homem e vai terminar sem ele."
Concordamos com Juvenal quando ele fala acerca do Holismo (pensamento holístico - que vem do termo grego olos, que tem sentido de todo, unidade do todo), sobre todos estarem interligados: "O ser humano é parte do Todo cósmico." (ARDUINI, 2009, p. 29). Também devemos concordar quando ele diz que: "Para unificar o mundo, o holismo não precisa reduzir o ser humano a bactéria, nem promover o tronco florestal a cientista. Todos os seres têm seu lugar no cosmo." (idem)
Todos nós sabemos da dignidade da pessoa humana, da importância do homem. Mas também não devemos nos esquecer que "homem" é um conceito universal para designar indivíduos particulares que não são iguais. Ou seja, nunca saberemos o que é exatamente "o homem", por consequência, nunca saberemos quem somos nós, pois os discursos mudam com frequência, não são estáveis, não são absolutos. Cada época dirá quem é o homem de acordo o que se produz concretamente nas sociedades.
Citando o teólogo europeu Dietmar Mieth, Arduini escreve: "Homens sem mercados não têm futuro. Mercados sem homens têm" [...] "Não é a observação que é cínica, mas sim a situação." (ARDUINI, 2009, p.24)
Arduini critica o mercado, pois se apresenta como autosuficiente, como uma existência per-si. Quando cita este teólogo, mostra para nós que a sociedade moderna (pós-moderna como ele quer) acredita piamente que não pode viver sem o mercado, quando a realidade é o oposto disso.
Lembremos também o que a biologia diz sobre a função dos seres vivos: "Manter-se vivo". Algo tão básico. Ninguém acorda e pensa: "Hoje quero morrer". Por maior que sejam as dificuldades de uma pessoa, ela sempre procurará viver. E o próprio ato de suicídio, ao contrário do que se pensa, é um modo estranho de se dizer exatamente isso: "eu quero viver, mas (por algum motivo determinado) vou me matar..." Irônico, não? Não mesmo!
Pré-difícil:
Por que estou fazendo todo este caminho? Para demonstrar que toda esta defesa que Arduini faz em favor do ser humano, colocando-o como centro prioritário, pode ser também um reflexo desta nossa obsessão de viver. Isso, porém, não nos dá o direito de nos elevarmos orgulhosamente sobre todas as demais espécies!
Arduini se revela reducionista da natureza, do cosmos, pois diz que o homem é a prioridade em detrimento de todo o resto. Calma, vamos prosseguir comigo e depois de terem lido até o final vocês poderão criticar-me.
Sim, eu sei, ele diz que todos tem um lugarzinho no cosmos, mas enfatiza o lugar do humano de modo bem mais amplo, bem mais destacado...
E foi exatamente este o erro de todos nós desde as épocas antigas até aqui: considerar o homem como o centro de todas as atenções!
Oh, sim! Nós produzimos cultura, monumentos, livros, pensamento, arte! Oh, sim! Nós criamos nossos próprios meios de subsistência! E isso é suficiente para nos legitimar como a síntese do cosmos? Com o incrível poder de estar no centro de todo o Universo tendo todos os outros planetas, galáxias e estrelas ao nosso redor? Nos legitima a afirmar que somos "clave holística da orquestração planetária"?
Tudo isso é muito poético, mas não dá conta de descrever nossa real situação no aí (dazein de Heidegger), no mundo, a concretude de nossa fragilidade.
Nossa inteligência e cultura não serão suficientes, por exemplo, para lutar contra um quasar, ou contra uma erupção solar, ou contra o enfraquecimento do campo magnético de nosso planeta.
Devemos, sim, defender o ser humano, mas não podemos nos esquecer que:
O homem sem a natureza (esta concretude fundamental dos nossos meios de subsistência) não consegue existir, mas a natureza sem o homem continuará a existir. E se, numa visão mais apocalíptica, todo o Universo acabar ou qualquer coisa mais bizarra acontecer... Não haverá uma memória sequer sobre qualquer ação humana...
Ah sim, não podemos nos esquecer de deus, pois, como nos contam, ele é eterno... Numa hipótese irônica sobrará deus. Aí ele se sentirá solitário novamente e criará outros joguinhos pra se entreter!
Conseguimos encontrar meios de nos livrarmos do perigo de um meteoro chocar-se com a terra por intermédio da técnica, poderemos, com o desenvolvimento da ciência, controlar relativamente alguns tipos de tempestades, mas não somos capazes de controlar a natureza toda, nem nos livrarmos das catástrofes que nos aguardam no futuro: vulcões, terremotos, o processo de morte do Sol (que irá literalmente engolir o Planeta Terra, apagando todo e qualquer resquício de nossa explêndida civilização inteligente) ou o encerramento do movimento de rotação de nosso planeta (que a cada 100 mil anos diminui sua velocidade). Também não podemos fugir da morte.
Vivemos o tempo todo no risco de desaparecermos completamente, na expectativa de cessar com toda a memória humana em piscares de olhos... E mesmo que nosso Sol morra, a Terra pare, ou nossa galáxia se choque com outra galáxia próxima (e não nos esqueçamos de que nós mesmos estamos cavando o extermínio de nossa espécie), todas as demais galáxias, todos os outros possíveis planetas que, semelhante ao nosso, giram em torno de outros sóis (com possibilidades imensas de vida, mesmo que não inteligentes) continuarão no dazein!!! estarão jogados aí nesse existir! E todo o Cosmos que Arduini supõe se mostra completamente indiferente à nossa existência efêmera.
Difícil ou: The End!
Então, sim, continuemos a nossa luta de cada dia contra a opressão e os reducionismos, apesar da expectativa do desaparecimento total de nossa minúscula espécie... Sem jamais esquecer que NÃO SOMOS O CENTRO DO MUNDO, não somos o umbigo do Cosmos!
Pra quem tiver interesse em se introduzir a leituras filosóficas este livro é muito interessante.
Aqui está a citação:
ARDUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2009.
Fiz um breve comentário sobre a obra (com umas pequenas críticas apenas).
Préfacil:
Depois de ter lido o livro de Juvenal Arduini é bom tomar suco de limão sem açucar. Notavelmente é uma leitura agradável de se fazer, simples. Este simples é o simples que alguns alemães deveriam buscar (se bem que os alemães não estão nem aí pro leitor, se você não os entender... a impressão que fica é que eles dizem um "foda-se" escarrado!
Podemos sintetizar todo o livro em algumas noções básicas:
-A reflexão do autor gira em torno de uma luta constante em favor da abertura do pensar antropológico;
-A grande parte de suas críticas se direcionam aos opressores do homem: uma sociedade manipuladora, um sistema coisificante, modos de ver unidimensionais e fragmentários etc.;
-Quem lê o livro intui (deduz, antevê, use a palavra que quiser) uma inquietação na "medula" do autor, um inconformismo, um desprazer em relação ao presente, ou como ele mesmo fala: "um pessimismo otimista" (ARDUINI, 2009, p. 65-67).
-Este pessimismo otimista do autor é a mola propulsora de sua obra, aquilo que lhe dá audácia para dizer que: é preciso reinventar o humano.
Espero que tenha conseguido sugerir alguns dos principais elementos (os que mais se destacaram para mim durante a leitura) deste livro.
O modo como Juvenal Arduini apresenta os conceitos é perfeitamente compreensível, claro e distino! Dá auxílio a leitores que possuam certa dificuldade de abstração, mas não chega a pecar por didatismo ou pedagogismo.
Não posso omitir que pra quem acabou de ler um Hegel (Fenomenologia do espírito)um Kant (Crítica da Razão Pura) ou um Sartre (O Ser e o Nada) a sensação é de estar lendo qualquer boa obra de literatura. (Isso não é ruim, pois precisamos de leituras menos densas vez por outra). O pensamento deste autor se revela tão profundo quanto uma obra literária, há muito que se estudar nele.
O pessimismo otimista de arduini está mais para um impulso revolucionário que vocifera contra as opressões humanas que os próprios humanos criam.
Fácil:
Há desdobramentos, porém, que ele mesmo não explora e que cabe ao leitor pensá-los (já que a intenção é exatamente a abertura do pensar).
Arduini insiste em que o homem é "ser incompleto", com "mais semblante de madrugada do que de ocaso", "ser movediço", "identidade dançante" (ARDUINI, 2009, p. 21), deixa bem claro que não há uma essência que se possa dizer humana. Quer dizer, o homem nasce e a partir deste ponto é que ele passa a construir-se. Detalhe: Este construir-se não é contrução solitária, mas solidária, pois depende do outro para tal feito.
Entretanto, apesar de reconhecer que não haja uma essência, algo inato(se bem que ele mesmo utilizará o termo 'inato' um pouco depois) no homem, ou seja, ele é construção, projeto existencial ou processo, Arduini defende a preservação da "natureza humana": "Se devemos preservar a natureza ambiental, haveremos de preservar ainda mais a natureza humana"(ARDUINI, 2009, p. 29)
(Ouço a voz de Arendt soprando nos meus ouvidos: "Não sei se podemos falar em 'natureza humana'")
Por mais que Arduini defenda seu antropocentrismo como legítimo, não deixa de ser também um reducionista, mas de uma outra espécie. Vejamos o que ele nos diz acerca deste pequeníssimo "ismo": "O ser humano é a realidade fundamental em nosso cosmo. É universo ontológico. E deve ser visto e tratado como prioridade." (idem)
E também: "Ninguém tem o direito de anular a dignidade inata ao ser humano. Mais que espécie natural, o ser humano é espécie cultural." p. 27
Precisamos relembrar um comentário que Leonardo Boff fez: "O mundo começou sem o homem e vai terminar sem ele."
Concordamos com Juvenal quando ele fala acerca do Holismo (pensamento holístico - que vem do termo grego olos, que tem sentido de todo, unidade do todo), sobre todos estarem interligados: "O ser humano é parte do Todo cósmico." (ARDUINI, 2009, p. 29). Também devemos concordar quando ele diz que: "Para unificar o mundo, o holismo não precisa reduzir o ser humano a bactéria, nem promover o tronco florestal a cientista. Todos os seres têm seu lugar no cosmo." (idem)
Todos nós sabemos da dignidade da pessoa humana, da importância do homem. Mas também não devemos nos esquecer que "homem" é um conceito universal para designar indivíduos particulares que não são iguais. Ou seja, nunca saberemos o que é exatamente "o homem", por consequência, nunca saberemos quem somos nós, pois os discursos mudam com frequência, não são estáveis, não são absolutos. Cada época dirá quem é o homem de acordo o que se produz concretamente nas sociedades.
Citando o teólogo europeu Dietmar Mieth, Arduini escreve: "Homens sem mercados não têm futuro. Mercados sem homens têm" [...] "Não é a observação que é cínica, mas sim a situação." (ARDUINI, 2009, p.24)
Arduini critica o mercado, pois se apresenta como autosuficiente, como uma existência per-si. Quando cita este teólogo, mostra para nós que a sociedade moderna (pós-moderna como ele quer) acredita piamente que não pode viver sem o mercado, quando a realidade é o oposto disso.
Lembremos também o que a biologia diz sobre a função dos seres vivos: "Manter-se vivo". Algo tão básico. Ninguém acorda e pensa: "Hoje quero morrer". Por maior que sejam as dificuldades de uma pessoa, ela sempre procurará viver. E o próprio ato de suicídio, ao contrário do que se pensa, é um modo estranho de se dizer exatamente isso: "eu quero viver, mas (por algum motivo determinado) vou me matar..." Irônico, não? Não mesmo!
Pré-difícil:
Por que estou fazendo todo este caminho? Para demonstrar que toda esta defesa que Arduini faz em favor do ser humano, colocando-o como centro prioritário, pode ser também um reflexo desta nossa obsessão de viver. Isso, porém, não nos dá o direito de nos elevarmos orgulhosamente sobre todas as demais espécies!
Arduini se revela reducionista da natureza, do cosmos, pois diz que o homem é a prioridade em detrimento de todo o resto. Calma, vamos prosseguir comigo e depois de terem lido até o final vocês poderão criticar-me.
Sim, eu sei, ele diz que todos tem um lugarzinho no cosmos, mas enfatiza o lugar do humano de modo bem mais amplo, bem mais destacado...
E foi exatamente este o erro de todos nós desde as épocas antigas até aqui: considerar o homem como o centro de todas as atenções!
Oh, sim! Nós produzimos cultura, monumentos, livros, pensamento, arte! Oh, sim! Nós criamos nossos próprios meios de subsistência! E isso é suficiente para nos legitimar como a síntese do cosmos? Com o incrível poder de estar no centro de todo o Universo tendo todos os outros planetas, galáxias e estrelas ao nosso redor? Nos legitima a afirmar que somos "clave holística da orquestração planetária"?
Tudo isso é muito poético, mas não dá conta de descrever nossa real situação no aí (dazein de Heidegger), no mundo, a concretude de nossa fragilidade.
Nossa inteligência e cultura não serão suficientes, por exemplo, para lutar contra um quasar, ou contra uma erupção solar, ou contra o enfraquecimento do campo magnético de nosso planeta.
Devemos, sim, defender o ser humano, mas não podemos nos esquecer que:
O homem sem a natureza (esta concretude fundamental dos nossos meios de subsistência) não consegue existir, mas a natureza sem o homem continuará a existir. E se, numa visão mais apocalíptica, todo o Universo acabar ou qualquer coisa mais bizarra acontecer... Não haverá uma memória sequer sobre qualquer ação humana...
Ah sim, não podemos nos esquecer de deus, pois, como nos contam, ele é eterno... Numa hipótese irônica sobrará deus. Aí ele se sentirá solitário novamente e criará outros joguinhos pra se entreter!
Conseguimos encontrar meios de nos livrarmos do perigo de um meteoro chocar-se com a terra por intermédio da técnica, poderemos, com o desenvolvimento da ciência, controlar relativamente alguns tipos de tempestades, mas não somos capazes de controlar a natureza toda, nem nos livrarmos das catástrofes que nos aguardam no futuro: vulcões, terremotos, o processo de morte do Sol (que irá literalmente engolir o Planeta Terra, apagando todo e qualquer resquício de nossa explêndida civilização inteligente) ou o encerramento do movimento de rotação de nosso planeta (que a cada 100 mil anos diminui sua velocidade). Também não podemos fugir da morte.
Vivemos o tempo todo no risco de desaparecermos completamente, na expectativa de cessar com toda a memória humana em piscares de olhos... E mesmo que nosso Sol morra, a Terra pare, ou nossa galáxia se choque com outra galáxia próxima (e não nos esqueçamos de que nós mesmos estamos cavando o extermínio de nossa espécie), todas as demais galáxias, todos os outros possíveis planetas que, semelhante ao nosso, giram em torno de outros sóis (com possibilidades imensas de vida, mesmo que não inteligentes) continuarão no dazein!!! estarão jogados aí nesse existir! E todo o Cosmos que Arduini supõe se mostra completamente indiferente à nossa existência efêmera.
Difícil ou: The End!
Então, sim, continuemos a nossa luta de cada dia contra a opressão e os reducionismos, apesar da expectativa do desaparecimento total de nossa minúscula espécie... Sem jamais esquecer que NÃO SOMOS O CENTRO DO MUNDO, não somos o umbigo do Cosmos!
terça-feira, 8 de junho de 2010
Homenagem a outro amigo morto...
É morbidamente engraçado como eu sinto uma espécie de conforto nas coisas mais sombrias de nossa existência, na tristeza, nas lágrimas, no ódio, na cólera e em tudo o que participa das regiões mais baixas...
Entretanto, quando esta tristeza é fruto de momentos em que se perde alguém com quem se criou um vínculo, com quem se construiu memórias, com quem tivemos tantos momentos felizes e ruins juntos, a dor é QUASE insuportável...
E apesar de ser tão dolorosa a angústia desta separação eterna, a da morte, eu continuo querendo experimentá-la profundamente.
Hoje eu aprendi uma vez mais como se faz importante sofrer e experimentar o luto, e que só se chora por mortos quando estes tiveram algum significado. Não há como se chorar a morte de seres com quem não se criou vínculos. Não dá pra chorar a morte ou o extermínio da humanidade, apenas de indivíduos específicos... apenas com quem se tem afeto.
Minha avó e meu tio morreram em uma época que para mim, na minha cabeça, não havia a morte mesmo, havia um vazio que eu não sabia explicar, uma dor no peito e só. Eu ainda era bem criança.
Um de meus amigos daquela época mais distante morreu depois de levar um ou dois tiros e esta morte já começou a me modificar o entendimento.
Em maio de 2009 meu amável avô morreu, sr. Benedito Gomes Vieira. Esta foi uma morte que me marcou demais, pois vimos seu sofrimento até o fim, ele morreu em casa, foi bem doloroso.
Aqui neste blog fiz uma homenagem ao Reinaldo, outro amigo, que morreu num acidente absurdamente grave. Também esta morte mudou muita coisa no meu pensamento sobre a morte.
Tenho visto mais pessoas morrendo de uns tempos pra cá e confesso que isso não é lá tão agradável, mas não deixa de ter seu lado saudável... (mesmo que de forma bem bizarra).
Este meu outro amigo, que morreu hoje, é o Arthur. Ele não se encaixa no conceito de pessoa, nem em humano, mas ele (como vários outros amigos desta espécie que também vi morrer) fazia valer muito mais que alguns humanos por aí.
Ele me esperava no portão todos os dias, quando chegava em casa ele pulava, rodava, e demonstrava um afeto tão sincero, que somente animais "irracionais" podem expressar. Eu o abraçava e repousava minha cabeça nele enquanto dormia, às vezes ele não acordava, em outras lambia meu rosto.
Ele era carinhoso, medroso e brincalhão. Um cachorro perfeito.
Ele vinha na porta de casa pra comer ração e beber água, pois era um cachorro de rua, muito arisco, deve ter apanhado muito na rua, pois qualquer pessoa que se aproximasse dele era o suficiente pra ele se encolher todo e fechar os olhos.
Ele foi se acostumando a vir em casa comer e beber água. Daí eu pedi pra minha mãe deixar ele ficar com a gente. Então foi um sacrifício pra fazer ele entender que eu queria que ele morasse aqui em casa, rs. Mas ele gostou da idéia e ficou aqui.
Ele chegou bem magro, sujão mesmo. Depois que veio ficar aqui o pelo dele ficou macio, ele ficou mais corajoso e engordou bastante, ficou bonitão. Era todo preto com um pouco de pêlo branco no pescoço.
Às vezes o Arthur pulava no sofá (minha mãe fica brava com ele) e deitava o focinho no meu braço. Eu brincava com ele e com a Christie (outra cachorra minha - que felizmente continua viva) de pega-pega. Quando era minha vez, corria atrás dos dois, se eu o pegasse, então ele corria atrás de mim, me mordia, me arranhava. Era muito legal.
Hoje eu cheguei em casa e meu pai me falou que ele havia morrido.
Puta que pariu, me deu um gelo na barriga.
E hoje eu já estava passando mal, pois minha pressão estava baixa.
Puta merda, eu corri pro lugar onde meu pai o tinha colocado e o olhinho dele ainda estava aberto. Eu senti um dor tão grande no peito, um vazio (aquele que eu já sinto todo dia, mas que fica cada vez maior)... Sentei e chorei enquanto acariciava o pêlo macio dele.
A Christie ainda não tinha percebido, por que meu pai o deixou escondido num canto do quintal. De repente, a Christie aparece do meu lado e começa a passar a patinha dela no Arthur, desesperada, cheirava ele, mexia nele, e chorava daquele jeito que cachorro chora, sabe?... Foi uma cena cruel pra mim, e percebi que a Christie estava bem mal também. Aí abracei a Christie e tirei ela de lá, pois ela ficava mexendo no corpo do Arthur de um lado e de outro, chorando.
Para qualquer outra pessoa isso pode parecer exagero. Chorar e sentir tristeza pela morte de um cachorro? É apenas um cachorro!...
Mas só quem tem um vínculo desses é que sabe como um animal é importante pra quem tem um e o ama.
A diferença é bem pequena, o animal não fala e não produz sua própria subsistência, só isso. E às vezes eu não sinto nem um pouco de tristeza na morte de certas pessoas!
Não, não sou insensível, apenas choro por quem eu gosto.
Notei isto na reação da minha cachorra quando viu o Arthur. Ela não tem a maldição que nós temos de saber que vai morrer, de ter que conviver com a expectativa da morte, mas ela tem um sentimento instintivo, que pode não ser racional, mas que é tão intenso quanto o nosso. E penso que estes são os sentimentos mais verdadeiros de todos, porque no fim todos nós somos um bando de animais.
Se ele estivesse me ouvindo eu diria: Te amo, cachorro! Valeu por ter sido meu fiel amigo!
Pouco importa isso agora, mesmo porque eu dizia isso enquanto ele era vivo.
Mas na minha memória ele vai estar até o dia da minha morte, quando eu também tornar-me um nada, um fim de todas as possibilidades.
Importa agora que eu esgote esta tristeza em mim experimentando-a sem medo, degustando dela até a última gota. E com todos os mortos farei isso, todos aqueles com quem, enquanto vivos, criei vínculos.
Sinto que este sofrimento, esta tristeza é saudável.
O nome dele era Arthur Winchester (por causa de Arthur Schopenhauer e da série de tv Supernatural - sou viciado em ambos). Nunca gostei de colocar nomes com repetições silábicas nos meus cachorros, por exemplo, Tatá, Totó, Lulu, Xaxa etc. Mesmo por que eu sempre criei meus vários cachorros como amigos, e eu nunca chamei nenhum amigo meu por apelidos deste tipo!
Ironicamente o Arthur morreu um pouco depois do término da 5° temporada do Supernatural, rs.
Espero que ele não tenha problemas com anjos ou demônios se eles, na possibilidade mais remota, existirem!
- Arthur, se existir um "outro lado" depois da morte e algum ser reluzente por lá sentado em um trono ou qualquer coisa parecida: morda ele com força e não solte!!! E se este ser reluzente não gostar disso e te mandar pro inferno não se preocupe, pois lá nos encontraremos uma vez mais...
Entretanto, quando esta tristeza é fruto de momentos em que se perde alguém com quem se criou um vínculo, com quem se construiu memórias, com quem tivemos tantos momentos felizes e ruins juntos, a dor é QUASE insuportável...
E apesar de ser tão dolorosa a angústia desta separação eterna, a da morte, eu continuo querendo experimentá-la profundamente.
Hoje eu aprendi uma vez mais como se faz importante sofrer e experimentar o luto, e que só se chora por mortos quando estes tiveram algum significado. Não há como se chorar a morte de seres com quem não se criou vínculos. Não dá pra chorar a morte ou o extermínio da humanidade, apenas de indivíduos específicos... apenas com quem se tem afeto.
Minha avó e meu tio morreram em uma época que para mim, na minha cabeça, não havia a morte mesmo, havia um vazio que eu não sabia explicar, uma dor no peito e só. Eu ainda era bem criança.
Um de meus amigos daquela época mais distante morreu depois de levar um ou dois tiros e esta morte já começou a me modificar o entendimento.
Em maio de 2009 meu amável avô morreu, sr. Benedito Gomes Vieira. Esta foi uma morte que me marcou demais, pois vimos seu sofrimento até o fim, ele morreu em casa, foi bem doloroso.
Aqui neste blog fiz uma homenagem ao Reinaldo, outro amigo, que morreu num acidente absurdamente grave. Também esta morte mudou muita coisa no meu pensamento sobre a morte.
Tenho visto mais pessoas morrendo de uns tempos pra cá e confesso que isso não é lá tão agradável, mas não deixa de ter seu lado saudável... (mesmo que de forma bem bizarra).
Este meu outro amigo, que morreu hoje, é o Arthur. Ele não se encaixa no conceito de pessoa, nem em humano, mas ele (como vários outros amigos desta espécie que também vi morrer) fazia valer muito mais que alguns humanos por aí.
Ele me esperava no portão todos os dias, quando chegava em casa ele pulava, rodava, e demonstrava um afeto tão sincero, que somente animais "irracionais" podem expressar. Eu o abraçava e repousava minha cabeça nele enquanto dormia, às vezes ele não acordava, em outras lambia meu rosto.
Ele era carinhoso, medroso e brincalhão. Um cachorro perfeito.
Ele vinha na porta de casa pra comer ração e beber água, pois era um cachorro de rua, muito arisco, deve ter apanhado muito na rua, pois qualquer pessoa que se aproximasse dele era o suficiente pra ele se encolher todo e fechar os olhos.
Ele foi se acostumando a vir em casa comer e beber água. Daí eu pedi pra minha mãe deixar ele ficar com a gente. Então foi um sacrifício pra fazer ele entender que eu queria que ele morasse aqui em casa, rs. Mas ele gostou da idéia e ficou aqui.
Ele chegou bem magro, sujão mesmo. Depois que veio ficar aqui o pelo dele ficou macio, ele ficou mais corajoso e engordou bastante, ficou bonitão. Era todo preto com um pouco de pêlo branco no pescoço.
Às vezes o Arthur pulava no sofá (minha mãe fica brava com ele) e deitava o focinho no meu braço. Eu brincava com ele e com a Christie (outra cachorra minha - que felizmente continua viva) de pega-pega. Quando era minha vez, corria atrás dos dois, se eu o pegasse, então ele corria atrás de mim, me mordia, me arranhava. Era muito legal.
Hoje eu cheguei em casa e meu pai me falou que ele havia morrido.
Puta que pariu, me deu um gelo na barriga.
E hoje eu já estava passando mal, pois minha pressão estava baixa.
Puta merda, eu corri pro lugar onde meu pai o tinha colocado e o olhinho dele ainda estava aberto. Eu senti um dor tão grande no peito, um vazio (aquele que eu já sinto todo dia, mas que fica cada vez maior)... Sentei e chorei enquanto acariciava o pêlo macio dele.
A Christie ainda não tinha percebido, por que meu pai o deixou escondido num canto do quintal. De repente, a Christie aparece do meu lado e começa a passar a patinha dela no Arthur, desesperada, cheirava ele, mexia nele, e chorava daquele jeito que cachorro chora, sabe?... Foi uma cena cruel pra mim, e percebi que a Christie estava bem mal também. Aí abracei a Christie e tirei ela de lá, pois ela ficava mexendo no corpo do Arthur de um lado e de outro, chorando.
Para qualquer outra pessoa isso pode parecer exagero. Chorar e sentir tristeza pela morte de um cachorro? É apenas um cachorro!...
Mas só quem tem um vínculo desses é que sabe como um animal é importante pra quem tem um e o ama.
A diferença é bem pequena, o animal não fala e não produz sua própria subsistência, só isso. E às vezes eu não sinto nem um pouco de tristeza na morte de certas pessoas!
Não, não sou insensível, apenas choro por quem eu gosto.
Notei isto na reação da minha cachorra quando viu o Arthur. Ela não tem a maldição que nós temos de saber que vai morrer, de ter que conviver com a expectativa da morte, mas ela tem um sentimento instintivo, que pode não ser racional, mas que é tão intenso quanto o nosso. E penso que estes são os sentimentos mais verdadeiros de todos, porque no fim todos nós somos um bando de animais.
Se ele estivesse me ouvindo eu diria: Te amo, cachorro! Valeu por ter sido meu fiel amigo!
Pouco importa isso agora, mesmo porque eu dizia isso enquanto ele era vivo.
Mas na minha memória ele vai estar até o dia da minha morte, quando eu também tornar-me um nada, um fim de todas as possibilidades.
Importa agora que eu esgote esta tristeza em mim experimentando-a sem medo, degustando dela até a última gota. E com todos os mortos farei isso, todos aqueles com quem, enquanto vivos, criei vínculos.
Sinto que este sofrimento, esta tristeza é saudável.
O nome dele era Arthur Winchester (por causa de Arthur Schopenhauer e da série de tv Supernatural - sou viciado em ambos). Nunca gostei de colocar nomes com repetições silábicas nos meus cachorros, por exemplo, Tatá, Totó, Lulu, Xaxa etc. Mesmo por que eu sempre criei meus vários cachorros como amigos, e eu nunca chamei nenhum amigo meu por apelidos deste tipo!
Ironicamente o Arthur morreu um pouco depois do término da 5° temporada do Supernatural, rs.
Espero que ele não tenha problemas com anjos ou demônios se eles, na possibilidade mais remota, existirem!
- Arthur, se existir um "outro lado" depois da morte e algum ser reluzente por lá sentado em um trono ou qualquer coisa parecida: morda ele com força e não solte!!! E se este ser reluzente não gostar disso e te mandar pro inferno não se preocupe, pois lá nos encontraremos uma vez mais...
sábado, 22 de maio de 2010
No início...
Hoje, enquanto verificava uma de minhas trocentas contas de e-mail, encontrei uma relíquia minha, um texto que havia escrito para uma prova (uma das primeiras provas) de História da Filosofia Antiga, ministradas pelo digníssimo Mestre e Doutor Maurílio O. Camello - um dos melhores professores de filosofia que eu já tive.
Lembro que eu, assim que recebi a prova, a digitei e enviei à minha caixa de e-mail para não perdê-la, e acho que fiz muito bem. Todos os outros textos das primeiras aulas, das minhas primeiras impressões eu perdi por causa de um vírus no computador antigo!!! PQP!
O texto não está perfeito, reconheço, mas tenho que convir que ainda era meu primeiro ano de amor com a filosofia (ainda tenho muito que aprender - e essa mesma é a graça da filosofia, nunca se sabe tudo... Cada pergunta revela uma resposta que já possui em si nova pergunta!).
OBS: No texto eu não coloquei citação da autoria do fragmento comentado... Provavelmente, acredito eu, deva ser algum fragmento de Parmênides ou outro pré-socrático, vou ter que verificar os textos depois.
O legal é eu poder perceber como eu fui fazendo todo o trajeto do meu pensamento, os lugares onde pisei no passado que me trouxeram ao presente.
Pra quem interessar, ei-lo aí!
Texto da prova de história da filosofia antiga.
Data: 18/04/2008
Por: Daniel Vieira de Carvalho
Levando em consideração que as divindades têm o vislumbre completo de todas as coisas, eu concordaria totalmente que o saber humano é enganoso. No entanto, nada teríamos hoje em nossa sociedade se não fosse verdadeiro este saber humano.
O grande problema do nosso saber mortal é que ele está sujeito a questionamentos, e por isso sempre há alguém interpelando um ou outro conhecimento. Isso comprova que o saber do homem, apesar de grande e inegável, não é perfeito.
É fato que nosso saber é imperfeito, mas das Musas afirmarem que não somos mais do que ventres... Disso eu discordo totalmente.
Na página 139, no fragmento 18, lemos:
“Os deuses, certamente, não revelaram todas as coisas aos mortais desde o início – mas, procurando, os homens encontram, pouco a pouco o melhor.”
Nesta frase eu encontro a base do saber humano. Tirando os deuses desta frase (por que nem acrescentam, nem tiram nada) eu acredito piamente no melhor. Talvez se soubéssemos tudo de modo esférico, deixaríamos de ser humanos. E eu gosto muito de ser um.
Essa busca por um saber melhor nos torna mais humanos, não podemos negar esta condição. Os deuses já têm tudo à destra, não precisam de esforço, estão imóveis... Que graça isso tem?
Essa constante mudança no homem é isso que eu admiro!
Os gregos, me parece, enxergavam as divindades em detrimento do homem.
Vamos ser bem sinceros: Mesmo que Deus exista, nossa limitada palavra não pode falar dele; e se não existe, não é razoável gastar saliva para questionar sua existência. Portanto, olhando deste modo, seria uma loucura completa dizer que o todo do saber humano seja enganoso – se bem que eu já não tenho mais certeza de nada.
Estou parcialmente em acordo com o texto, não em que os deuses detenham o saber verdadeiro, pois não sei nada sobre eles, mas no sentido em que nosso conhecimento seja, em partes, aparente. E eu creio que nem por isso não tenhamos capacidade de chegar às essências.
O ser – humano, pensou eu, tem muito mais do que ele próprio sabe. Por isso fica difícil afirmar ou negar alguma coisa.
Lembro que eu, assim que recebi a prova, a digitei e enviei à minha caixa de e-mail para não perdê-la, e acho que fiz muito bem. Todos os outros textos das primeiras aulas, das minhas primeiras impressões eu perdi por causa de um vírus no computador antigo!!! PQP!
O texto não está perfeito, reconheço, mas tenho que convir que ainda era meu primeiro ano de amor com a filosofia (ainda tenho muito que aprender - e essa mesma é a graça da filosofia, nunca se sabe tudo... Cada pergunta revela uma resposta que já possui em si nova pergunta!).
OBS: No texto eu não coloquei citação da autoria do fragmento comentado... Provavelmente, acredito eu, deva ser algum fragmento de Parmênides ou outro pré-socrático, vou ter que verificar os textos depois.
O legal é eu poder perceber como eu fui fazendo todo o trajeto do meu pensamento, os lugares onde pisei no passado que me trouxeram ao presente.
Pra quem interessar, ei-lo aí!
Texto da prova de história da filosofia antiga.
Data: 18/04/2008
Por: Daniel Vieira de Carvalho
Levando em consideração que as divindades têm o vislumbre completo de todas as coisas, eu concordaria totalmente que o saber humano é enganoso. No entanto, nada teríamos hoje em nossa sociedade se não fosse verdadeiro este saber humano.
O grande problema do nosso saber mortal é que ele está sujeito a questionamentos, e por isso sempre há alguém interpelando um ou outro conhecimento. Isso comprova que o saber do homem, apesar de grande e inegável, não é perfeito.
É fato que nosso saber é imperfeito, mas das Musas afirmarem que não somos mais do que ventres... Disso eu discordo totalmente.
Na página 139, no fragmento 18, lemos:
“Os deuses, certamente, não revelaram todas as coisas aos mortais desde o início – mas, procurando, os homens encontram, pouco a pouco o melhor.”
Nesta frase eu encontro a base do saber humano. Tirando os deuses desta frase (por que nem acrescentam, nem tiram nada) eu acredito piamente no melhor. Talvez se soubéssemos tudo de modo esférico, deixaríamos de ser humanos. E eu gosto muito de ser um.
Essa busca por um saber melhor nos torna mais humanos, não podemos negar esta condição. Os deuses já têm tudo à destra, não precisam de esforço, estão imóveis... Que graça isso tem?
Essa constante mudança no homem é isso que eu admiro!
Os gregos, me parece, enxergavam as divindades em detrimento do homem.
Vamos ser bem sinceros: Mesmo que Deus exista, nossa limitada palavra não pode falar dele; e se não existe, não é razoável gastar saliva para questionar sua existência. Portanto, olhando deste modo, seria uma loucura completa dizer que o todo do saber humano seja enganoso – se bem que eu já não tenho mais certeza de nada.
Estou parcialmente em acordo com o texto, não em que os deuses detenham o saber verdadeiro, pois não sei nada sobre eles, mas no sentido em que nosso conhecimento seja, em partes, aparente. E eu creio que nem por isso não tenhamos capacidade de chegar às essências.
O ser – humano, pensou eu, tem muito mais do que ele próprio sabe. Por isso fica difícil afirmar ou negar alguma coisa.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Poeira acumulada!
Se você andar por aí sem muita atenção, poderá tropeçar no cadáver de alguém. Então, sempre olhe para o chão, pois numa ocasião deste tipo você poderá se desviar dele!
Outros cadáveres também foram postos sobre a crosta terrestre, já outros foram ocultados, mas não se preocupe... Sempre haverá espaço no nosso planeta para mais um cadáver.
Houve um cadáver, porém, que não foi nem ocultado, nem enterrado... E que acabou por contaminar todo o mundo. Os mares não ficaram imunes a ele, transformaram-se em sangue coagulado. Os liquidos cadavéricos não foram devidamente coletados e acabaram se espalhando por toda a extensão de todas as nações do planeta, de forma que o planeta inteiro se transmutou de Planeta Azul para Planeta Musgo e Esverdeado!
Enquanto estava vivo, o Grande Monstro pairava, flutuava sobre nossas cabeças... Imponente e Orgulhoso. Certa feita, algumas pessoas foram esmagando-lhe a cabeça com madeira oca (sua única vulnerabilidade). Ele morreu, mas fingiram que ainda permanecia vivo e lhe arrumaram o cadáver de modo que parecesse realmente que ainda estivesse em pleno esplendor.
Foi depois de uns dois ou três dias que os sucos internos daquele defunto começaram a verter.
Com o passar dos tempos, a carne putrefada foi totalmente comida por vermes rastejantes e seres voadores próprios de cemitérios, os líquidos macabros cessaram de escorrer, mas os ossos permaneceram ali, naquele mesmo local da morte.
As famílias que habitavam perto daquele lugar decidiram incendiar os ossos até que se tornassem cinzas. Apesar da extrema resistência ao fogo, os ossos se queimaram e as cinzas se foram com o vento, espalhando-se por todos os cantos do mundo.
Todos os homens e mulheres respiraram suas cinzas e sofreram com doenças gravíssimas e acabaram por contaminar todos os seus filhos, netos e, por fim, toda a espécie humana...
Essa história tem sido contada por séculos, mas somente hoje descobrimos suas reais consequências e outras verdades que foram escondidas de todos nós:
Aquela Grande Abominação deu à luz um filho que foi cuidado pelos seus antigos adoradores, foi alimentado com carne e sangue humanos até que se fortalecesse totalmente e pudesse fazer suas próprias vítimas.
Hoje em dia, esta Criatura tomou o lugar de seu antigo pai, conseguiu poder suficiente para imaterializar-se e está muito mais forte, pois cada ser humano que respirou as cinzas e a poeira de seu pai, agora está sob seu controle, sob o controle de seu filho.
Resta-nos, pois, aniquilar toda esta linhagem maldita. Mas para que isso aconteça de forma completa e segura, se faz necessário que se aniquile toda a espécie humana. A contaminação não é apenas a nível de pensamento, é orgânico!
Outros cadáveres também foram postos sobre a crosta terrestre, já outros foram ocultados, mas não se preocupe... Sempre haverá espaço no nosso planeta para mais um cadáver.
Houve um cadáver, porém, que não foi nem ocultado, nem enterrado... E que acabou por contaminar todo o mundo. Os mares não ficaram imunes a ele, transformaram-se em sangue coagulado. Os liquidos cadavéricos não foram devidamente coletados e acabaram se espalhando por toda a extensão de todas as nações do planeta, de forma que o planeta inteiro se transmutou de Planeta Azul para Planeta Musgo e Esverdeado!
Enquanto estava vivo, o Grande Monstro pairava, flutuava sobre nossas cabeças... Imponente e Orgulhoso. Certa feita, algumas pessoas foram esmagando-lhe a cabeça com madeira oca (sua única vulnerabilidade). Ele morreu, mas fingiram que ainda permanecia vivo e lhe arrumaram o cadáver de modo que parecesse realmente que ainda estivesse em pleno esplendor.
Foi depois de uns dois ou três dias que os sucos internos daquele defunto começaram a verter.
Com o passar dos tempos, a carne putrefada foi totalmente comida por vermes rastejantes e seres voadores próprios de cemitérios, os líquidos macabros cessaram de escorrer, mas os ossos permaneceram ali, naquele mesmo local da morte.
As famílias que habitavam perto daquele lugar decidiram incendiar os ossos até que se tornassem cinzas. Apesar da extrema resistência ao fogo, os ossos se queimaram e as cinzas se foram com o vento, espalhando-se por todos os cantos do mundo.
Todos os homens e mulheres respiraram suas cinzas e sofreram com doenças gravíssimas e acabaram por contaminar todos os seus filhos, netos e, por fim, toda a espécie humana...
Essa história tem sido contada por séculos, mas somente hoje descobrimos suas reais consequências e outras verdades que foram escondidas de todos nós:
Aquela Grande Abominação deu à luz um filho que foi cuidado pelos seus antigos adoradores, foi alimentado com carne e sangue humanos até que se fortalecesse totalmente e pudesse fazer suas próprias vítimas.
Hoje em dia, esta Criatura tomou o lugar de seu antigo pai, conseguiu poder suficiente para imaterializar-se e está muito mais forte, pois cada ser humano que respirou as cinzas e a poeira de seu pai, agora está sob seu controle, sob o controle de seu filho.
Resta-nos, pois, aniquilar toda esta linhagem maldita. Mas para que isso aconteça de forma completa e segura, se faz necessário que se aniquile toda a espécie humana. A contaminação não é apenas a nível de pensamento, é orgânico!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Amor Liquefeito
Um texto um pouco mais... romântico que eu fiz... Pra quem acha que odeio todo mundo!
Até que ponto a razão é um elemento totalmente desprovido de sentimento e paixão? Até quais limites o sentimento não possui racionalidade? Há limites entre sentimento, paixão e razão?
Não seriam eles coisas indistintas? Estariam eles em uma interconexão, em um movimento de entrecruzamento? O sentimento é só sentido ou ele, para se fazer significado, precisa ser racionalizado?
A razão poderia surgir como conseqüência da paixão, sendo assim apenas mais uma forma de se dizer sentimento?
E como racionalizar, ou transmutar em forma de conceito uma coisa que não tem forma, que esvai-se, que é fluido como a água, que não se pode reter? Como dar nome ao sentimento, se dar nome implica conhecer? Podemos conhecer, delimitar, objetivizar um sentimento? E delimitando-o, poderemos controlá-lo? E controlando-o, poderemos extirpá-lo quando provocar ânsia?
Essa palavra “amor”... É apenas uma palavra? Um termo que explica um sentimento de co-relação, de interação afetiva que ocorre entre duas ou mais pessoas? É um limite? Sim, é um limite. Limitaram este sentimento e tranformaram-no em conceito universal. Amor, Love, amoré, liebe... são todos termos que dizem basicamente a mesma coisa.
Mas amor brasileiro é igual a amor inglês, em francês, em alemão, em quaisquer outra linguagem, em quaisquer outro contexto semântico? Não! E para cada cultura, um novo significado!
Amor, como conceito, é então apenas uma forma (semelhante a formas de bolo), qualquer coisa encaixa nele.
É, portanto, extremamente cheio de significações e, ao mesmo tempo, vazio por completo, pois diz muito e acaba nada dizendo.
Eu posso chamar esta dor aguda no peito apenas de dor, mas posso dizer que é amor... E acabo por não dizer absolutamente nada ao mesmo tempo!
Posso dizer algo mais fértil, entretanto. Posso dizer que esta sensação (ou seja –lá-o-que-for) é por sua culpa! E que esta culpa não será absolvida, pois é fruto de um doce pecado: ter conhecido você.
Escrito em: 19 de abril de 2010
Até que ponto a razão é um elemento totalmente desprovido de sentimento e paixão? Até quais limites o sentimento não possui racionalidade? Há limites entre sentimento, paixão e razão?
Não seriam eles coisas indistintas? Estariam eles em uma interconexão, em um movimento de entrecruzamento? O sentimento é só sentido ou ele, para se fazer significado, precisa ser racionalizado?
A razão poderia surgir como conseqüência da paixão, sendo assim apenas mais uma forma de se dizer sentimento?
E como racionalizar, ou transmutar em forma de conceito uma coisa que não tem forma, que esvai-se, que é fluido como a água, que não se pode reter? Como dar nome ao sentimento, se dar nome implica conhecer? Podemos conhecer, delimitar, objetivizar um sentimento? E delimitando-o, poderemos controlá-lo? E controlando-o, poderemos extirpá-lo quando provocar ânsia?
Essa palavra “amor”... É apenas uma palavra? Um termo que explica um sentimento de co-relação, de interação afetiva que ocorre entre duas ou mais pessoas? É um limite? Sim, é um limite. Limitaram este sentimento e tranformaram-no em conceito universal. Amor, Love, amoré, liebe... são todos termos que dizem basicamente a mesma coisa.
Mas amor brasileiro é igual a amor inglês, em francês, em alemão, em quaisquer outra linguagem, em quaisquer outro contexto semântico? Não! E para cada cultura, um novo significado!
Amor, como conceito, é então apenas uma forma (semelhante a formas de bolo), qualquer coisa encaixa nele.
É, portanto, extremamente cheio de significações e, ao mesmo tempo, vazio por completo, pois diz muito e acaba nada dizendo.
Eu posso chamar esta dor aguda no peito apenas de dor, mas posso dizer que é amor... E acabo por não dizer absolutamente nada ao mesmo tempo!
Posso dizer algo mais fértil, entretanto. Posso dizer que esta sensação (ou seja –lá-o-que-for) é por sua culpa! E que esta culpa não será absolvida, pois é fruto de um doce pecado: ter conhecido você.
Escrito em: 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Pressupostos de uma Tragédia!



Tenho percebido ultimamente algumas coisas que me provocam náusea abundante. Não posso mais impedir meu corpo de tentar expulsar dele o que lhe causa o mal.
O vômito é a reação mais violenta do corpo humano, a meu ver... É, entretanto, a mais saudável!
Sim, isso tudo tem a ver com a filosofia mesmo! Bem aventurada esta filosofia que me abriu os olhos! E não somente a filosofia, mas todas as circunstâncias, todas as pessoas que me ocorreram, todas as coisas boas, más e aquelas que são indefiníveis. Tudo colaborou para que o meu copo interior fosse se enchendo cada vez mais de bolo alimentar mal digerido, suco biliático e outras enzimas!
Sim, eu mudei muito também, mas quem é que não sofre as mutações do tempo?
Errei demais, acertei muito também, e não tenho vergonha disso.
Confesso também que, de fato, o pensamento que os outros possuem de mim me atordoam, pois fazem juízos sobre mim, que eu mesmo não posso fazer. Eu vivo no meu corpo, mas ele me escapa o tempo todo. E apesar de eu ser eu, sendo também dono de mim e responsável por todas as cagadas que eu fiz ou fizer, infelizmente eu não posso controlar o que as pessoas pensam sobre mim, mesmo reconhecendo elas mesmas que não podem nada sobre meu corpo ou sobre quem eu sou.
Eu reconheço, entretanto, que sou influenciado por tudo e por todos de fora, e que meu mundo foi determinado antes por aquilo que me deram, tanto sobre o mundo quanto sobre as próprias pessoas. Eu só sei que meu mundo é humano, pois um humano me apresentou a linguagem humana, o mundo humano. Talvez eu fosse feliz se me tivesse criado em meio a lobos...
Dolorosamente eu tenho que aceitar que estou nesta sociedade, participo dela e vivo em comunidade. Tenho, portanto, que aceitar algumas dessas regras mais imbecis e escravizantes que ela me impõe para permanecer dentro dela.
Não deixo, porém, de sentir uma repulsa toda vez que me ponho a pensar sobre esta tragédia, pois eu carrego em mim as estigmas de minha espécie: preciso desta merda de sentimento de pertença!
E, para além de todos estes pedaços de pão revirados com suco gástrico, eu assumo que o mundo se apresenta para mim como algo totalmente incoerente, nadificante, solto no espaço oco! Não sei por que diabos estou nessa existência infeliz, não faço a menor questão de saber se há alguma droga de missão para mim, pois eu nunca pedi a deus qualquer (que exista ou não) que me desse uma ‘oportunidade’ de vir a ser alguma coisa!
Na verdade, eu não devo nada, não tenho que ser nada. O simples fato de existir não é pressuposto suficiente para que eu deva me tornar algo, “ser alguém na vida”.
Depois de tudo o que eu aprendi com a filosofia, notei o seguinte: o homem é um ser simbólico. Ele é simbólico, por que não pode ter um contato imediato com a realidade, ele é incapaz desta façanha! Ele precisa de representações que são imagens mentais que ele e sua cultura fazem para entender o mundo. Estas representações são apenas representações, nada mais, contudo, nós, humanos, defendemos que sejam providas de substância e essência, das quais não se pode duvidar nem sequer questionar.
Quer dizer, eles criam imagens sobre o mundo e acreditam piamente que estas imagens sejam reais! Não são! São apenas representações, abstrações bizarras de uma espécie que vive no completo desespero de existir, saber que existem, pensar sobre sua existência, mas sem encontrar porra nenhuma de sentido pra suas existências patéticas e ridículas.
Perdemos até mesmo para bactérias que são capazes de se auto-reproduzir! Mais ainda, nós não nascemos prontos! Se uma mãe humana deixar seu filho jogado-aí em qualquer lugar, essa criancinha amaldiçoada morrerá certamente a menos de 15 minutos depois de vir a esta luz infernal! Uma criança humana precisa ser pajeada o tempo todo, e, depois de crescido, ter atingido a vida adulta, esta miserável criatura já se acostumou a ser amada, cuidada e protegida... E passará a defender estes elementos e a ensiná-los a todas as outras criancinhas que nascerem!
Não, não acabou!
Esta minha reclamação, este meu vômito se constitui de palavras e linguagem que são todas elas fruto do ‘progresso’ de uma espécie que se pretende o centro de tudo, a razão medidora das colunas do Universo! E esta é mais uma angústia minha que se acrescenta às demais... Esta espécie humana nojenta e repugnante que não passa de um sonho intersticial entre seu nascimento e sua morte!
Eu me revolto, eu me debato como um inseto preso dentro de um copo de vidro que não sabe distinguir os limites do vidro, mas que percebe a solidez do copo por meio das violentas pancadas que dá com seu corpo tentando se livrar, procurando respirar ar livre!
Sabendo de tudo isso – e sabendo também que nem todos concordam com isso – o que mais transmuta meu humor em ácido sulfúrico é saber que existem algumas pessoas que partilham desta mesma alegria... É conhecer pessoas que partilham desta mesma felicidade, mas que vivem como qualquer outra pessoa! Quer dizer, teoricamente essas pessoas detestam a sociedade, suas normas e suas regras, procuram por liberdade, buscam-na arduamente, mas fazem isto apenas a nível teorético, ou seja, ficam apenas na punhetice descarada do discurso, mas não vivem o que pensam!
Não há diferença alguma entre uma pessoa que ama a sociedade e uma que a detesta, ambas participam da sociedade... O que me emputece é ver que também estas pessoas não são coerentes com o que pensam e se submetem às regras, às normas, aos tabus e a todas as prescrições higiênicas da comunidade apenas por que lhes interessa!
Foda-se! Cada um sabe o que faz de seu discurso e de sua vida... Mas uma coisa eu não aceito: não venha com moralismo pra cima de mim, seu filho de uma puta do inferno!
Coerência? Quem pode falar neste absurdo!? Não há coerência no mundo humano! Então... Não, você também não precisa ser coerente, certo? Coerência é coisa de louco!
Minha verdadeira vontade é isolar-me completamente, contrair-me em mim mesmo... Mas que posso eu fazer contra esta coisa biológica que há em mim? Esta coisa que grita por expansão, que grita por liberdade, que vocifera a ascendência?
Devo eu me afastar de todas estas pessoas repugnantes para tornar-me puro? Não! Isso é coisa de santo! Devo tentar abrir os olhos das pessoas? Não, cada um tem o direito de ir vir onde quiser, e isso é evangelização (uma outra coisa que me dá ânsia)! Nada me garante de que eu esteja realmente certo no que penso... O que eu posso fazer? NADA! Absolutamente nada!
E eu quero ver quem é capaz de confessar suas verdadeiras angústias, de olhar pra cara da assombração que fica embaixo da cama, atrás da porta, no corredor escuro ou em qualquer lugar e dizer bem na cara dela: vai tomar no seu cú!
Experimentar fazer isso antes de lançar alguma condenação contra esta porcaria deste texto que eu escrevi durante a minha angústia mais amável (e eu a amo, não é ironia! Amo este meu lado obscuro) Quero ver quem consegue olhar para o seu próprio abismo e rir! Quem mais ousa fazer isso? Fazer... Não, você não deve fazer nada!
Vamos dar as mãos e orar: Aceitemos nosso destino e amém.
Oi? Se eu sou pessimista? Não! São os seus olhos!...
Babaca!
terça-feira, 13 de abril de 2010
Para o entendimento de algumas palavras básicas femininas...
Eu encontrei isso na internet e acho que irá ajudar muito... apesar de ser muito engraçado, tem muita verdade neste texto.
OBS: Esta é uma postagem para fazer "o cérebro escorrer pelos ouvidos" (como diria meus amigos André e Sandra), então não queiram pensar muito sobre ele, leiam e se divirtam!
Algumas terminologias que as mulheres utilizam:
LEGAL - Esta é a palavra que as mulheres usam para terminar um argumento quando elas sentem que estão certas e você precisa calar sua boca estúpida. Nunca use "Legal" para descrever como uma mulher está - isto fará você ter que escolher e se debater entre outros mil argumentos.
CINCO MINUTOS - Significa meia-hora. É equivalente aos cinco minutos do seu jogo de futebol, quando ela manda você jogar o lixo fora, então estamos empatados.
NADA - Significa "alguma coisa", e você deve estar encrencado. "Nada" é geralmente usado para descrever o sentimento que a mulher tem de estraçalhar, girar e espancar você. "Nada" geralmente significa um argumento que durará "Cinco Minutos" e terminará com um "Legal".
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas sobre-erguidas) - Isso é uma ameaça/desafio. Significa que a mulher está ficando brava depois de um "Nada" e terminará com um "Legal"
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas normais) - Significa "eu desisto" ou "faça o que quiser porque eu não ligo". Você escutará um "Vá em Frente com as sobrancelhas sobre-erguidas" em questão de segundos, seguido de um "Nada" e um "Legal" e ela vai falar com você em cerca de "Cinco Minutos", quando ela se acalmar.
SUSPIRO ALTO - Na verdade, não é uma palavra, mas uma indicação não-verbal, geralmente não compreendida pelos homens. Um "Suspiro Alto" significa que ela pensa que você é um idiota naquele momento, e fica se perguntando porque ela está perdendo o tempo precioso dela, ficando ali, com você e argumentando com você, depois que se disse um "Nada".
SUSPIRO SUAVE - Novamente, outra indicação não-verbal. "Suspiro suave" significa que ela está contente. Sua melhor aposta é não se mover ou respirar, e ela continuará contente.
TUDO BEM - Esta é uma das frases mais perigosas que uma mulher pode dizer a um homem. "Tudo bem" significa que ela quer pensar mais e melhor antes de te devolver na mesma moeda o que você fez. "Tudo bem" é geralmente usado com a palavras "Legal" e em conjunção com uma "Vá em Frente com as sombrancelhas sobre-erguidas". Em algum ponto no futuro próximo, você vai estar em sérios problemas.
POR FAVOR, FAÇA - Não é uma frase, é uma oferta. Uma mulher está te dando a chance para vir com quaisquer desculpas ou razões por você ter feito o que quer que seja. Você tem uma chance satisfatória neste momento com a verdade, então tenha cuidado e você não deve levar um "Tudo bem", ou estará perdido para sempre.
OBRIGADA - Uma mulher está te agradecendo. Não desmaie !!! Apenas diga "de nada".
MUITO OBRIGADA - Isto é muito diferente de "Obrigada". Uma mulher irá dizer "Muito Obrigada" quando ela está fula da vida com você. Siginifica que você a ofendeu de um modo insensato, e será seguido de um "Suspiro Alto". Cuidado para não perguntar o que há de errado após um "Suspiro Alto", pois ela irá dizer (certamente) um "Nada"
OBS: Esta é uma postagem para fazer "o cérebro escorrer pelos ouvidos" (como diria meus amigos André e Sandra), então não queiram pensar muito sobre ele, leiam e se divirtam!
Algumas terminologias que as mulheres utilizam:
LEGAL - Esta é a palavra que as mulheres usam para terminar um argumento quando elas sentem que estão certas e você precisa calar sua boca estúpida. Nunca use "Legal" para descrever como uma mulher está - isto fará você ter que escolher e se debater entre outros mil argumentos.
CINCO MINUTOS - Significa meia-hora. É equivalente aos cinco minutos do seu jogo de futebol, quando ela manda você jogar o lixo fora, então estamos empatados.
NADA - Significa "alguma coisa", e você deve estar encrencado. "Nada" é geralmente usado para descrever o sentimento que a mulher tem de estraçalhar, girar e espancar você. "Nada" geralmente significa um argumento que durará "Cinco Minutos" e terminará com um "Legal".
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas sobre-erguidas) - Isso é uma ameaça/desafio. Significa que a mulher está ficando brava depois de um "Nada" e terminará com um "Legal"
VÁ EM FRENTE (Com as sobrancelhas normais) - Significa "eu desisto" ou "faça o que quiser porque eu não ligo". Você escutará um "Vá em Frente com as sobrancelhas sobre-erguidas" em questão de segundos, seguido de um "Nada" e um "Legal" e ela vai falar com você em cerca de "Cinco Minutos", quando ela se acalmar.
SUSPIRO ALTO - Na verdade, não é uma palavra, mas uma indicação não-verbal, geralmente não compreendida pelos homens. Um "Suspiro Alto" significa que ela pensa que você é um idiota naquele momento, e fica se perguntando porque ela está perdendo o tempo precioso dela, ficando ali, com você e argumentando com você, depois que se disse um "Nada".
SUSPIRO SUAVE - Novamente, outra indicação não-verbal. "Suspiro suave" significa que ela está contente. Sua melhor aposta é não se mover ou respirar, e ela continuará contente.
TUDO BEM - Esta é uma das frases mais perigosas que uma mulher pode dizer a um homem. "Tudo bem" significa que ela quer pensar mais e melhor antes de te devolver na mesma moeda o que você fez. "Tudo bem" é geralmente usado com a palavras "Legal" e em conjunção com uma "Vá em Frente com as sombrancelhas sobre-erguidas". Em algum ponto no futuro próximo, você vai estar em sérios problemas.
POR FAVOR, FAÇA - Não é uma frase, é uma oferta. Uma mulher está te dando a chance para vir com quaisquer desculpas ou razões por você ter feito o que quer que seja. Você tem uma chance satisfatória neste momento com a verdade, então tenha cuidado e você não deve levar um "Tudo bem", ou estará perdido para sempre.
OBRIGADA - Uma mulher está te agradecendo. Não desmaie !!! Apenas diga "de nada".
MUITO OBRIGADA - Isto é muito diferente de "Obrigada". Uma mulher irá dizer "Muito Obrigada" quando ela está fula da vida com você. Siginifica que você a ofendeu de um modo insensato, e será seguido de um "Suspiro Alto". Cuidado para não perguntar o que há de errado após um "Suspiro Alto", pois ela irá dizer (certamente) um "Nada"
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Me ajudem com o título do meu TCC, por favor?
Aqui estão algumas idéias para o título do meu TCC. (isso aqui tá mais pra zoação, mas quem sabe serve?) O tema é: O ocultamento da morte nas sociedades modernas...
Eu inventei alguns, aqui está a lista... Comentem e, se tiverem mais alguma idéia, me ajudem a aumentar a lista!
1. O paradigma da morte frente a angustia humana
2. A morte de Deus e a morte do homem moderno
3. A morte de Deus, do homem e da razão
4. Para além da passagem
5. Da inexistência ou: da finitude da existência
6. A adaga translúcida da morte
7. Morte e vida translúcidas
8. Morrimento
9. Morridade
10. Morreção
11. Coquetel com a morte
12. Drink com a morte
13. Sorvete com a morte
14. Genealogia da morte
15. Discursos da morte
16. Bate papo com a morte
17. Chat mortal
18. Morte
19. Todos morrem!
20. Já era...
21. Virgem Maria
22. Virge mãe
23. Vixi
24. Ixi.
25. Putz
26. Fudeu!
27. A morte da morte
28. A morte está morta!
29. A morte enforcada
30. A morte decapitada
31. A morte escondida
32. Dança Macabra
33. Nós, que aqui estamos, por vós esperamos!
34. Caixão filosófico
35. A morte da metafísica
36. Metafísica da morte
37. Meta a faca física nele!
38. Meta ele num caixão físico!
39. Mate o físico com a faca que está no caixão!
40. Atirei o pau no gato e ele morreu, eu, eu!
41. Morte e tragicidade: ou vermes lúgubres
42. Putrefação filosófica.
43. Encarando a morte nos olhos
44. Encarando a morte na cara
45. Cara a cara com a morte
46. Queda de braço com a morte
47. Bang-bang mortal
48. Mortal Kombat!
49. A morte acaba com a nossa vida!
50. A morte brigou com a vida debaixo de uma sacada...
51. Death, the dark nigh.
52. Eu sei o que vocês fizeram com a morte no verão passado!
53. Férias atrapalhadas no Hades
54. Quem vai ficar com a Morte?
55. Entrevista com a Morte
56. Lambada: a dança da morte.
57. M de morte
58. Mortrix
59. Código da morcci
60. A ilha da morte perdida
61. Jurassic mort
62. Esqueceram da morte 1
63. Esqueceram da morte 2
64. Esqueceram da morte 3
65. A morte sem fim
66. Ensaio sobre a morte
67. Evangelho da morte
68. A morte lhe cai bem
69. Morte no deserto
70. A paixão da morte
71. Morte no gelo
72. Corra, que a Morte vem aí!
73. Morte súbita
74. Dormindo com a morte.
75. 2012
76. O nada
77. O vazio
78. Zero
79. Fome
80. Fome zero
81. Morrer ou não morrer, eis a questão
82. Sorria, a morte está te filmando
83. Da morte ou: como as pessoas se fodem e tomam no cú.
Eu inventei alguns, aqui está a lista... Comentem e, se tiverem mais alguma idéia, me ajudem a aumentar a lista!
1. O paradigma da morte frente a angustia humana
2. A morte de Deus e a morte do homem moderno
3. A morte de Deus, do homem e da razão
4. Para além da passagem
5. Da inexistência ou: da finitude da existência
6. A adaga translúcida da morte
7. Morte e vida translúcidas
8. Morrimento
9. Morridade
10. Morreção
11. Coquetel com a morte
12. Drink com a morte
13. Sorvete com a morte
14. Genealogia da morte
15. Discursos da morte
16. Bate papo com a morte
17. Chat mortal
18. Morte
19. Todos morrem!
20. Já era...
21. Virgem Maria
22. Virge mãe
23. Vixi
24. Ixi.
25. Putz
26. Fudeu!
27. A morte da morte
28. A morte está morta!
29. A morte enforcada
30. A morte decapitada
31. A morte escondida
32. Dança Macabra
33. Nós, que aqui estamos, por vós esperamos!
34. Caixão filosófico
35. A morte da metafísica
36. Metafísica da morte
37. Meta a faca física nele!
38. Meta ele num caixão físico!
39. Mate o físico com a faca que está no caixão!
40. Atirei o pau no gato e ele morreu, eu, eu!
41. Morte e tragicidade: ou vermes lúgubres
42. Putrefação filosófica.
43. Encarando a morte nos olhos
44. Encarando a morte na cara
45. Cara a cara com a morte
46. Queda de braço com a morte
47. Bang-bang mortal
48. Mortal Kombat!
49. A morte acaba com a nossa vida!
50. A morte brigou com a vida debaixo de uma sacada...
51. Death, the dark nigh.
52. Eu sei o que vocês fizeram com a morte no verão passado!
53. Férias atrapalhadas no Hades
54. Quem vai ficar com a Morte?
55. Entrevista com a Morte
56. Lambada: a dança da morte.
57. M de morte
58. Mortrix
59. Código da morcci
60. A ilha da morte perdida
61. Jurassic mort
62. Esqueceram da morte 1
63. Esqueceram da morte 2
64. Esqueceram da morte 3
65. A morte sem fim
66. Ensaio sobre a morte
67. Evangelho da morte
68. A morte lhe cai bem
69. Morte no deserto
70. A paixão da morte
71. Morte no gelo
72. Corra, que a Morte vem aí!
73. Morte súbita
74. Dormindo com a morte.
75. 2012
76. O nada
77. O vazio
78. Zero
79. Fome
80. Fome zero
81. Morrer ou não morrer, eis a questão
82. Sorria, a morte está te filmando
83. Da morte ou: como as pessoas se fodem e tomam no cú.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Vamos sentir sua falta, Reinaldo!!!
Na madrugada do dia 28 de março de 2010, perdemos mais um de nossos amigos. Não era um amigo qualquer, era um daqueles amigos em quem se pode confiar extremamente, um daqueles que se encontra de repente, e nunca mais se acha igual, um tipo de amigo que a gente conta nos dedos de uma mão.
Ele era cristão, dedicado à igreja, principalmente à música e ao coral, dava “o sangue” por aquilo que ele fazia, mas não era fanático, nem fundamentalista, muito menos fazia julgamentos sem antes analisar bem os fatos. Sempre que conversamos sobre assuntos delicados e polêmicos se esforçava para me ouvir atentamente e só depois dar alguma opinião, mas sempre foi muito respeitador de idéias diferentes das que ele possuía.
Deus deveria estar muito satisfeito com ele, com suas obras, com sua dedicação...
Mas, enquanto regressava de uma viagem, o Reinaldo sofreu um acidente trágico e fatal.
No domingo, logo pela manhã, me avisaram do acidente, fiquei pasmo, mas como toda a reação inicial é a de negação, a minha não foi diferente. Não podia aceitar que ele tinha morrido de forma tão absurda. Um cara saudável, guerreiro como ele não podia ter uma morte assim, pensei. Organizaram uma caravana na igreja Assembléia de Deus do bairro Três Marias, pois o corpo (ou pelo menos o que restou do corpo) dele seria levado para São Paulo, onde seus familiares o aguardavam.
O Reinaldo morou em Taubaté grande parte do tempo, tinha 43 anos acho, era sargento do exército, trabalhava com helicópteros e era muito respeitado pela maioria das pessoas, uma grande maioria.
Quando chegamos em São Paulo, na igreja onde já estava o caixão lacrado com o corpo do Reinaldo, percebemos a quantidade de pessoas dentro e fora da igreja. Entrei na igreja e fiquei sem conseguir acreditar que era o velório de uma pessoa que há pouquíssimo tempo estava sorridente na casa da Eunice (grande amiga minha e regente do coral de uma igreja que eu freqüentava), contando seus próximos planos para a Cantata de Natal deste ano. No ano passado eu participei da Cantata que ele organizou, acompanhando o coral que ele regia ao piano.
Ele também sempre me chamava para gravar algum play back na igreja e me pagava pelos dias que eu fazia isto com o dinheiro do próprio bolso. Conversávamos sempre sobre educação, conhecimento, religiosidade, problemas administrativos da igreja, problemas de doutrinas e dogmas da igreja também. Uma vez fui na casa dele para editar o play back que havíamos feito, ele me ofereceu peixe pra comer, é uma lembrança boa que eu tenho deste dia. Lembro de entrar na sala e ficar observando os livros que estavam dispostos na estante. Ele tinha alguns livros da coleção “os pensadores”, alguns livros de poesia grega e outros de literatura que também eram muito bons. Percebi que ele não era nem um pouco ignorante, ele pesquisava, estudava, lia muito e era aberto a discussões.
Foi pouco o tempo que tive para conhecer o Reinaldo, mais ou menos um ano ou pouco mais. Só que neste pouco tempo eu tive o privilégio de tê-lo como amigo. Certa vez ele me levou pra tocar numa igreja em Caçapava, num coral que era 100 vezes melhor e mais afinado que o coral da Escola Fêgo Camargo. Depois do culto iriam fazer uma festa num sítio só para a turma daquela igreja. O Reinaldo, então, me levou junto, me apresentou a galerinha de lá, comi um churrasco super delicioso, me diverti à beça, dei muita risada com o povo de lá. Lembro também que fizeram um sorteio, pegamos os números do sorteio e ficamos torcendo. Eu fiquei reclamando que não tinha sorte, blábláblá – como sempre, né?... O Reinaldo ficou só rindo da minha cara. Aí, depois de muito tempo, ele já tinha perdido a esperança de ganhar alguma coisa. Eu ri da cara dele nessa parte! Hahaha. Já no finalzinho, porém, alguém fala o número que estava com ele. Foi só risada. Puxa, é muito triste saber que não vamos mais rir junto com ele, nem o ouvir cantando – e tinha um vozeirão que só, viu?! Tocava trompete que era uma beleza.
Lá dentro da igreja, no velório, eu e o Marcelo (filho da Eunice) estávamos “morrendo” de fome, então fomos procurar algo pra comer. Um irmão que era membro daquela igreja nos chamou para a os fundos e as irmãs da cozinha nos serviram uma deliciosa sopa. Foi então que uma delas me contou como foi exatamente o acidente. Disse que um caminhão o arrastou junto com sua moto por mais de 100 metros na Dutra. Somente os amigos dele do exército é que viram o corpo, e contaram que o corpo dele estava destruído completamente, deformado. Tanto que acharam por bem não deixar nem mesmo os familiares ver o corpo dele. Lacraram com parafusos o caixão e não pudemos ver nem o rosto dele.
Eu fico me perguntando se foi justo ou não, mas não há uma Justiça ou Ordem que controlem as coisas. Como diria Schopenhauer, a natureza é indiferente à nossa existência, vivemos no pior dos mundos possíveis, e nossa vida não passa de um sonho etéreo entre dois espaços vazios, o vazio antes de existirmos e o vazio que vem depois da morte.
E quanta tristeza eu sinto hoje por saber que o Reinaldo morreu, que eu vou morrer e que todos os meus amigos e amigas também vão morrer, e que também os que eu não gosto ou não conheço morrerão, e também meus familiares e todos quanto vivem e existem terão um fim. E chego à conclusão de que cada um carrega seu próprio destino desde que é concebido: a sua própria morte. É um destino, sim, uma angústia e um absurdo para nós humanos... Se ao menos pudéssemos ser como todos os outros animais que não pensam sua própria morte...
Temos um grande presente de deus, da seleção natural ou do possível demônio que a tudo criou: todos nós morremos como todos os outros animais, mas somos os únicos que podem sofrer por antecipação a nossa morte e a morte dos outros dos outros!
Se já não bastasse o vazio da nossa existência, o absurdo de ter vindo ao mundo sem mesmo ter pedido isso, acrescentado pela nossa capacidade de saber da nossa morte mesmo sem poder conhecer se morreremos hoje, amanhã ou daqui a dois anos, na medida em que vão morrendo os outros, os nossos amigos e familiares... O vazio se torna um ainda maior e não podemos fazer nada para preencher este vazio.
Por mais que os esforços da religião, da arte e de toda a ciência e sabedoria humana sejam direcionados para este propósito... Ao se deparar com a morte todos os esforços se desfazem, resta apenas aceitar nosso destino, nossa tragédia de existir!
Ele era cristão, dedicado à igreja, principalmente à música e ao coral, dava “o sangue” por aquilo que ele fazia, mas não era fanático, nem fundamentalista, muito menos fazia julgamentos sem antes analisar bem os fatos. Sempre que conversamos sobre assuntos delicados e polêmicos se esforçava para me ouvir atentamente e só depois dar alguma opinião, mas sempre foi muito respeitador de idéias diferentes das que ele possuía.
Deus deveria estar muito satisfeito com ele, com suas obras, com sua dedicação...
Mas, enquanto regressava de uma viagem, o Reinaldo sofreu um acidente trágico e fatal.
No domingo, logo pela manhã, me avisaram do acidente, fiquei pasmo, mas como toda a reação inicial é a de negação, a minha não foi diferente. Não podia aceitar que ele tinha morrido de forma tão absurda. Um cara saudável, guerreiro como ele não podia ter uma morte assim, pensei. Organizaram uma caravana na igreja Assembléia de Deus do bairro Três Marias, pois o corpo (ou pelo menos o que restou do corpo) dele seria levado para São Paulo, onde seus familiares o aguardavam.
O Reinaldo morou em Taubaté grande parte do tempo, tinha 43 anos acho, era sargento do exército, trabalhava com helicópteros e era muito respeitado pela maioria das pessoas, uma grande maioria.
Quando chegamos em São Paulo, na igreja onde já estava o caixão lacrado com o corpo do Reinaldo, percebemos a quantidade de pessoas dentro e fora da igreja. Entrei na igreja e fiquei sem conseguir acreditar que era o velório de uma pessoa que há pouquíssimo tempo estava sorridente na casa da Eunice (grande amiga minha e regente do coral de uma igreja que eu freqüentava), contando seus próximos planos para a Cantata de Natal deste ano. No ano passado eu participei da Cantata que ele organizou, acompanhando o coral que ele regia ao piano.
Ele também sempre me chamava para gravar algum play back na igreja e me pagava pelos dias que eu fazia isto com o dinheiro do próprio bolso. Conversávamos sempre sobre educação, conhecimento, religiosidade, problemas administrativos da igreja, problemas de doutrinas e dogmas da igreja também. Uma vez fui na casa dele para editar o play back que havíamos feito, ele me ofereceu peixe pra comer, é uma lembrança boa que eu tenho deste dia. Lembro de entrar na sala e ficar observando os livros que estavam dispostos na estante. Ele tinha alguns livros da coleção “os pensadores”, alguns livros de poesia grega e outros de literatura que também eram muito bons. Percebi que ele não era nem um pouco ignorante, ele pesquisava, estudava, lia muito e era aberto a discussões.
Foi pouco o tempo que tive para conhecer o Reinaldo, mais ou menos um ano ou pouco mais. Só que neste pouco tempo eu tive o privilégio de tê-lo como amigo. Certa vez ele me levou pra tocar numa igreja em Caçapava, num coral que era 100 vezes melhor e mais afinado que o coral da Escola Fêgo Camargo. Depois do culto iriam fazer uma festa num sítio só para a turma daquela igreja. O Reinaldo, então, me levou junto, me apresentou a galerinha de lá, comi um churrasco super delicioso, me diverti à beça, dei muita risada com o povo de lá. Lembro também que fizeram um sorteio, pegamos os números do sorteio e ficamos torcendo. Eu fiquei reclamando que não tinha sorte, blábláblá – como sempre, né?... O Reinaldo ficou só rindo da minha cara. Aí, depois de muito tempo, ele já tinha perdido a esperança de ganhar alguma coisa. Eu ri da cara dele nessa parte! Hahaha. Já no finalzinho, porém, alguém fala o número que estava com ele. Foi só risada. Puxa, é muito triste saber que não vamos mais rir junto com ele, nem o ouvir cantando – e tinha um vozeirão que só, viu?! Tocava trompete que era uma beleza.
Lá dentro da igreja, no velório, eu e o Marcelo (filho da Eunice) estávamos “morrendo” de fome, então fomos procurar algo pra comer. Um irmão que era membro daquela igreja nos chamou para a os fundos e as irmãs da cozinha nos serviram uma deliciosa sopa. Foi então que uma delas me contou como foi exatamente o acidente. Disse que um caminhão o arrastou junto com sua moto por mais de 100 metros na Dutra. Somente os amigos dele do exército é que viram o corpo, e contaram que o corpo dele estava destruído completamente, deformado. Tanto que acharam por bem não deixar nem mesmo os familiares ver o corpo dele. Lacraram com parafusos o caixão e não pudemos ver nem o rosto dele.
Eu fico me perguntando se foi justo ou não, mas não há uma Justiça ou Ordem que controlem as coisas. Como diria Schopenhauer, a natureza é indiferente à nossa existência, vivemos no pior dos mundos possíveis, e nossa vida não passa de um sonho etéreo entre dois espaços vazios, o vazio antes de existirmos e o vazio que vem depois da morte.
E quanta tristeza eu sinto hoje por saber que o Reinaldo morreu, que eu vou morrer e que todos os meus amigos e amigas também vão morrer, e que também os que eu não gosto ou não conheço morrerão, e também meus familiares e todos quanto vivem e existem terão um fim. E chego à conclusão de que cada um carrega seu próprio destino desde que é concebido: a sua própria morte. É um destino, sim, uma angústia e um absurdo para nós humanos... Se ao menos pudéssemos ser como todos os outros animais que não pensam sua própria morte...
Temos um grande presente de deus, da seleção natural ou do possível demônio que a tudo criou: todos nós morremos como todos os outros animais, mas somos os únicos que podem sofrer por antecipação a nossa morte e a morte dos outros dos outros!
Se já não bastasse o vazio da nossa existência, o absurdo de ter vindo ao mundo sem mesmo ter pedido isso, acrescentado pela nossa capacidade de saber da nossa morte mesmo sem poder conhecer se morreremos hoje, amanhã ou daqui a dois anos, na medida em que vão morrendo os outros, os nossos amigos e familiares... O vazio se torna um ainda maior e não podemos fazer nada para preencher este vazio.
Por mais que os esforços da religião, da arte e de toda a ciência e sabedoria humana sejam direcionados para este propósito... Ao se deparar com a morte todos os esforços se desfazem, resta apenas aceitar nosso destino, nossa tragédia de existir!
quinta-feira, 11 de março de 2010
Sonho de liberdade...

Hoje eu fui até Campos do Jordão com minha prima Mayara (ela iria fazer uma entrevista para conseguir um emprego).
Depois de esperarmos trocentas horas pela entrevista que não ocorreu, entramos no ônibus para voltarmos para casa.
Entrei no ônibus lotado, me sentei perto de um senhor. Ele estava de chapéu na cabeça, tinha as mãos bem calejadas de trabalho pesado certamente, a pele do rosto já um pouco enrugada, mas com uma aparência de gente forte, de gente que é calejada não só nas mãos.
Aquele senhor puxou conversa comigo. Ficamos conversando a viagem toda até Taubaté, ele seguiria até São José dos Campos.
Eu tive o privilégio de somente ouvir as experiências, aventuras e histórias daquele senhor de chapéu. Fiquei admirado com a coragem dele de enfrentar os obstáculos da vida e assumir toda a responsabilidade de suas ações, das consequências dela e do rumo que ele escolheu.
Ele contava para mim que havia se despedido mais uma vez de seu irmão. Era recente ainda a sensação da despedida, uma das piores sensações (seguida da saudade, coisa que vem logo depois). Me contou que ficara 90 dias na casa de seu irmão ali em Campos do Jordão. Mas ele sentiu que já era hora de ir embora.
Perguntei onde morava, mas ele respondeu sorrindo:
"Eu ponho meu chapéu na cabeça, entro num ônibus e vou para onde quero ir. Eu nasci em Minas Gerais, mas faz muito tempo que moro aqui e ali."
Fiquei embasbacado. O cara é um existencialista e um espírito livre... é em prática, não em teoria!
Perguntei, então, como ele fazia para se sustentar, já que nesta bosta de sistema capitalista, nada mais se faz sem dinheiro.
Ele respondeu que trabalha cortando madeira e em mais alguma coisa que não me lembro. Ele vai de cidade em cidade, trabalha ganha o que tem de ganhar para se sustentar e isso é o suficiente para ele ser feliz.
Contou que conheceu pessoas de vários estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas entre outros. Tem amigos em vários lugares, e na maioria ele não paga nada, pois as pessoas lhe oferecem estadia durante o tempo em que fica em tal ou tal cidade.
Me contava tabmém que passa fome às vezes, mas que não pede emprestado nada para ninguém (mesmo sabendo que há um monte de amigos que podem lhe ajudar), pois, dizia ele, "sou um cara orgulhoso..."
Eu pensei: "Putz, esse cara é um paradigma! Ele tem o brilho da vontade de liberdade nos olhos. Nenhum laço afetivo tão grande que possa prendê-lo, nenhuma dívida com ninguém, nenhum "tu deves" em forma de nuvem o perseguindo."
O nome dele, Benedito. Talvez nunca mais eu o veja, mas sempre me lembrarei desta rica conversa que tive com ele, e de como ele me influenciou, de como tudo o que ele disse foi o que eu sempre quis fazer, e que, talvez por comodismo, talvez por falta de coragem, eu, até agora, nunca fiz.
Vi que é possível viver "para além do capitalismo" mesmo estando no capitalismo. Quer dizer, ainda não é possivel estar fora deste sistema absurdamente paradoxal, mas é possível viver de forma mais digna, com atitudes de resistência, consumindo apenas o necessário para viver, diminuindo ao máximo o consumo... Mas é preciso ter coragem, não se pode ter medo nem frescuras nem medo.
Quem sabe um dia... Quem sabe um dia eu consiga me libertar de todas as regras e vá construir as minhas próprias? Não sei.
Pra quem assistiu o filme "Na Natureza Selvagem" (indico esse filme pra todo mundo, pois é um dos melhores filmes que já assisti), sabe como foi a vida do personagem principal e as escolhas que ele tomou... Quem sabe um dia eu tenha coragem suficiente para agir assim...
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