Um sorriso e um aperto de mão foram o início de um amor proibido, de uma história sem final, sem clímax, sem resolução. Um acorde dissonante, o sétimo grau insolúvel, um trítono de amor platônico.
Um presente, uma dádiva e uma maldição...
Foi como uma droga que experimentei uma, duas vezes, e depois de algum tempo me viciou completamente. Já não consigo mais ficar longe, meu organismo pede sua presença, seu cheiro e aquele sorriso que me faz derreter.
E agora vejo quanto de amor há, quanto de carinho e amizade existe. O problema é que, por ser proibido, não pode ser consumado jamais.
Meu coração tem sofrido amargamente cada momento que seu cheiro se aproxima, e sofre também quando o vento o dissipa, justamente porque jamais poderei verbalizar, pronunciar, dar existência real ao meu pensamento, ao meu amor, por isso, com tristeza abismal, assumo que será platônico até o fim.
E meus olhos correm na direção de vários amores platônicos, e como abomino isso: Amar pessoas que eu mergulhei na solidão das minhas conexões neurais. É um amor egoísta e destrutivo, que se faz real para mim apenas, não para quem é amado. Mas não tenho controle sobre minhas vontades, meus desejos mais secretos são os que me dirigem. Não existe razão que seja forte suficiente para resistir o instinto, pois o instinto e a vontade são como cães presos por muito tempo, que ao serem libertados avançam ferozmente contra o primeiro que lhes cruzar o caminho.
Será - diabos do inferno -, então, que terei de me acostumar mais uma vez a amar na caverna da ausência? Talvez esta seja minha sina. As moiras se mostram sete vezes mais aterrorizadoras que o normal! Os deuses traçaram uma linha fina e podre para rirem desta triste comédia, para se embebedarem e se alegrarem em minha condição miserável.
Já não tenho força pra agir fisicamente contra este mal que me oprime, e minha mente já desistiu de resistir a este tormento feito de sentimentos etéreos... Por isso eu prefiro aceitar o destino, amar os fatos e reconhecer que, neste canto do meu corpo, nesta parte da minha mente haverá trevas intensas eternamente. Declaro, pois, que amo esta escuridão, que a transmutei em parte biológica minha, um novo órgão, necrosado desde que surgiu. E cada vez que olhar para esta penumbra sombria e medonha, redescobrirei força e coragem para viver, para amar ainda mais...
Um dia, penso eu, os deuses me abençoarão com a Luz mais bela que se me apresentou.
Este que transporta o brilho do sol e, contraditoriamente me afoga em sombras, um anjo irá destruir minhas trevas interiores! Este anjo lindo, que sorri carinhosamente para mim. Este anjo caído que roubou uma das luzes de minha existência...
Janelas são sedutoras Mas são apenas janelas A porta é a Morte.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Ensaio sobre o cocô!
(Para ler esse texto deve-se "mastigar" as palavras, pronunciar cada palavra com perfeita dicção, sentindo os odores, sabores e fedores de cada uma delas)
Bosta, merda, cocô, troço
Caca, fezes, escremento
Co-li-for-mes Fe-cais
Evacuação, defecação...
CAGAR!
Cagou? Defecou? Evacuou?
FEZ O NÚMERO DOIS?
Boca, alimento e saliva
Bolo alimentar, língua e movimento
Traquéia, esôfago, estômago
Bile, sucos gástricos, meleca líquida
Digestão... EN DU RE CI MENTO! (CIMENTO... (eco))
Caminho delgado
Método intestinal
Ânus, cú, rego, anel, botão,
SAÍDA DE EMERGÊNCIA (ou entrada...) RETO!
Privada, água sanitária,
Sanitário, vaso, trono, descarga!
E LÁ SE FOI O COCÔ
PARA SEU DESTINO FINAL
O RIO...
Bosta, merda, cocô, troço
Caca, fezes, escremento
Co-li-for-mes Fe-cais
Evacuação, defecação...
CAGAR!
Cagou? Defecou? Evacuou?
FEZ O NÚMERO DOIS?
Boca, alimento e saliva
Bolo alimentar, língua e movimento
Traquéia, esôfago, estômago
Bile, sucos gástricos, meleca líquida
Digestão... EN DU RE CI MENTO! (CIMENTO... (eco))
Caminho delgado
Método intestinal
Ânus, cú, rego, anel, botão,
SAÍDA DE EMERGÊNCIA (ou entrada...) RETO!
Privada, água sanitária,
Sanitário, vaso, trono, descarga!
E LÁ SE FOI O COCÔ
PARA SEU DESTINO FINAL
O RIO...
Ensaio sobre a meia cinza (sem rimas, detesto rimas)
Minha meia é cinza
Como a nuvem no céu
Que gosto ela poderia ter? (a nuvem...)
Gosto de carvão.
O carvão é preto,
Suja as minhas mãos
Mas ao morrer o carvão
Tranforma-se em cinza,
a cor da minha meia!
O carvão é masculino
Por isso utilizamos o artigo "o"
Se fosse feminina, usaríamos "a"
Seria pretA a carvÃ
E, depois de morta, também viraria cinza,
Da cor da minha meia!
Seria Meia! Meia preta e meia cinza!
Quase um par!
Descobri, assim, a essência deste par de meia.
-O odor?
-Não! Cale-se!
Encontrei a essência,
o algodão interior meial.
A meia é meia por que é metade,
ou porque está no meio?
Quando se compra duas meias,
seriam uma só inteira?
Dois mais dois... IGUAL CINCO!
Sim! Cinco! Pois Deus pode agir irracionalmente! (...)
Deus usa um par de meias,
uma cinza e outra carvão!
Como a nuvem no céu
Que gosto ela poderia ter? (a nuvem...)
Gosto de carvão.
O carvão é preto,
Suja as minhas mãos
Mas ao morrer o carvão
Tranforma-se em cinza,
a cor da minha meia!
O carvão é masculino
Por isso utilizamos o artigo "o"
Se fosse feminina, usaríamos "a"
Seria pretA a carvÃ
E, depois de morta, também viraria cinza,
Da cor da minha meia!
Seria Meia! Meia preta e meia cinza!
Quase um par!
Descobri, assim, a essência deste par de meia.
-O odor?
-Não! Cale-se!
Encontrei a essência,
o algodão interior meial.
A meia é meia por que é metade,
ou porque está no meio?
Quando se compra duas meias,
seriam uma só inteira?
Dois mais dois... IGUAL CINCO!
Sim! Cinco! Pois Deus pode agir irracionalmente! (...)
Deus usa um par de meias,
uma cinza e outra carvão!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O QUE DER NA TEIA
Tem coisa melhor do que fazer tudo aquilo que te dá na teia?
Os maiores prazeres que existem são exatamente aqueles que são momentâneos, passageiros e intensos. E são os melhores, porque, apesar de durarem tão pouco na "flor da pele", ficam gravados eternamente na memória e, ultimamente, nas fotos digitais, rs!
Digo que os prazeres melhores são os momentâneos, mas acredito que não exista prazer algum sobre a face do planeta Terra que dure dois ou três dias seguidos e ininterruptos!
Concluo, por minha conta e risco, que os prazeres que um ser humano-humano* pode sentir e experimentar, sempre são transitórios e, igualmente, inesquecíveis.
Vamos dar alguns exemplos:
-Um churrasco no ano novo com os amigos e a família (os que não enchem o saco, claro), dura no máximo um dia inteiro, às vezes umas 5 ou 6 horas.
-Ficar bem bêbado com a galera e perceber o movimento de translação e rotação da terra, umas 6 horas (dependendo do tempo que se bebe, e da qualidade do etanol. rs)
-Uma visita a um parque de diversões, 3 ou 4 horas
-Um sexo bem feito com direito a três ou quatro gozadas, umas 5 ou 6 horas (dependendo da libido pode-se ir um pouco mais), contando os intervalos... rs!
-Um passeio na praia, como o que eu fiz essa semana com meus irmãos Bryan e Felipe, com direito a rum, cerveja, cigarros, carrinho de bate-bate e queimaduras vermelhas na pele, dura dois ou tres dias!
Enfim, existem vários exemplos que podemos dar pra demonstrar que ALEGRIA SEMPRE É PASSAGEIRA , ninguém consegue ser feliz o tempo todo (qualquer pessoa que você encontrar feliz demais o tempo todo, provavelmente estará em um hospital psiquiátrico)! Na verdade, não existe felicidade absoluta!! Isso é invencionice platônica pra domesticação de gente.
O que existe são estes doces, ternos, momentâneos e inesquecíveis momentos que devemos preservar na memória, nas fotos, nas "lembrancinhas" que compramos e damos de presente, nas gargalhadas amigas, nos drinks alheios, nas bundas balançantes das praias, nos abraços, nos sorrisos...
*Existem seres humanos que não são daqui, sabem? São extraterrestres, dizem que vão morar em outro lugar, que sua terra não é aqui. É complicado, mas este tipo de gente existe! Por isso digo que existem seres humanos-humanos, que são aqueles que nasceram e morreram, ou irão morrer aqui neste planeta mesmo, e permanecerão aqui, porque aqui é o lugar deles! Os seres humanos extraterrestres vão tocar harpa em outro "planeta".
Ah, sim, estes humanos-extraterrestres dizem que existe felicidade absoluta no planeta deles! (acho que o planeta deles é uma nau dos loucos intergalática)
Os maiores prazeres que existem são exatamente aqueles que são momentâneos, passageiros e intensos. E são os melhores, porque, apesar de durarem tão pouco na "flor da pele", ficam gravados eternamente na memória e, ultimamente, nas fotos digitais, rs!
Digo que os prazeres melhores são os momentâneos, mas acredito que não exista prazer algum sobre a face do planeta Terra que dure dois ou três dias seguidos e ininterruptos!
Concluo, por minha conta e risco, que os prazeres que um ser humano-humano* pode sentir e experimentar, sempre são transitórios e, igualmente, inesquecíveis.
Vamos dar alguns exemplos:
-Um churrasco no ano novo com os amigos e a família (os que não enchem o saco, claro), dura no máximo um dia inteiro, às vezes umas 5 ou 6 horas.
-Ficar bem bêbado com a galera e perceber o movimento de translação e rotação da terra, umas 6 horas (dependendo do tempo que se bebe, e da qualidade do etanol. rs)
-Uma visita a um parque de diversões, 3 ou 4 horas
-Um sexo bem feito com direito a três ou quatro gozadas, umas 5 ou 6 horas (dependendo da libido pode-se ir um pouco mais), contando os intervalos... rs!
-Um passeio na praia, como o que eu fiz essa semana com meus irmãos Bryan e Felipe, com direito a rum, cerveja, cigarros, carrinho de bate-bate e queimaduras vermelhas na pele, dura dois ou tres dias!
Enfim, existem vários exemplos que podemos dar pra demonstrar que ALEGRIA SEMPRE É PASSAGEIRA , ninguém consegue ser feliz o tempo todo (qualquer pessoa que você encontrar feliz demais o tempo todo, provavelmente estará em um hospital psiquiátrico)! Na verdade, não existe felicidade absoluta!! Isso é invencionice platônica pra domesticação de gente.
O que existe são estes doces, ternos, momentâneos e inesquecíveis momentos que devemos preservar na memória, nas fotos, nas "lembrancinhas" que compramos e damos de presente, nas gargalhadas amigas, nos drinks alheios, nas bundas balançantes das praias, nos abraços, nos sorrisos...
*Existem seres humanos que não são daqui, sabem? São extraterrestres, dizem que vão morar em outro lugar, que sua terra não é aqui. É complicado, mas este tipo de gente existe! Por isso digo que existem seres humanos-humanos, que são aqueles que nasceram e morreram, ou irão morrer aqui neste planeta mesmo, e permanecerão aqui, porque aqui é o lugar deles! Os seres humanos extraterrestres vão tocar harpa em outro "planeta".
Ah, sim, estes humanos-extraterrestres dizem que existe felicidade absoluta no planeta deles! (acho que o planeta deles é uma nau dos loucos intergalática)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Os fios pretos dos postes de luz são..... PATÉTICOS!
Tudo isso me soa tão...
É semelhante à existência das formigas trabalhadoras.
AVISO IMPORTANTE:(Ah, sim, já ia me esquecendo: não leia a última frase deste texto antes de completar a leitura do post completo, certo?)
As pessoas mantém essa rotina homogênea e estável; e os fios que conduzem eletricidade às casas dos prisioneiros apresentam-se, hoje, insuportavelmente mórbidos, venenosos, tonteantes.
São insensíveis estes fios pretos, são frios e calculistas, não demonstram afeto, nem preocupação com a minha dor. (E é óbvio para mim que vocês não irão entender isso, os fios pretos de eletricidade se apresentaram apenas para mim desta forma! Me perdoem por isso)
Minha dor é mais aguda e, talvez (sinto isso) existam outros que sintam algo parecido... É mais forte, exatamente porque sei o ponto específico da dor, o local exposto da ferida aberta, constantemente gritando diante dos meus olhos sem que haja remédio/droga que cure/amenize.
Estou certo - e aqui não existe espaço para um talvez - de que muitas pessoas (muitas, eu insisto) possuem esta dor cravada n'algum lugar obscuro, que têm lapsos de que ela seja cruel/libertadora ou libertadora/cruel, mas que, com olhos e sentidos escamados, não consigam descobrir onde dói, nem porque... E, talvez (talvez somente) lhes seja melhor assim, a sobrevivência de uma espécie forte depende da resistência de apenas alguns, jamais de todos - assim nos vocifera a natureza!
Saber ou não saber do local ou da causa desta dor, entretanto (e contraditoriamente)pode ser indiferente, dependendo do SEU ponto de vista... Lembre-se: DO SEU PONTO DE VISTA!!! Há quem prefira saber esses detalhes, eu sou um deles!
Ironicamente, todos possuem essa dor e, conscientes ou não, a experimentam por toda sua efêmera vida.
Qual é, pois, a diferença? Pouca, pra não dizer inexistente, reconheço! Apenas que uns poucos humanos conseguiram entender a grande ironia (o termo "filha da putagem" também cabe neste contexto) do Universo. Uns poucos de nós perceberam a grande farsa da existência; uma minoria enxergou o pano azul de fundo dos efeitos especiais, as máscaras de plástico, as linhas finas e frágeis e as madeiras podres que sustentam esse teatro dos horrores. E é neste ponto que se perde a graça!!! Entendem?
Nós, que sabemos a causa e o local da dor humana, ouvimos a mesma piada repetidas vezes. Sim, nós mesmos exercemos o mais imbecil papel de explicar a piadinha!
E assim é que paramos de rir dessa comédia idiota e patética que é a civilização e de tudo o que ela construiu (acho que agora dá pra entender um pouco "os fios pretos dos postes de luz"... acho...rs).
Paramos de rir, entretanto, apenas porque essa piada ficou "sem sal", por que "não cola mais". Queremos uma piada nova. (Quando ouvirmos uma nova piada, apesar de saber agora que será apenas mais outra piada que também perderá a graça, riremos novamente com muito prazer, não tem importância)!
Parece simples quando expomos desta forma, não é?
Então me responda!!! SÃO AS FORMAS QUE NOS ENGANAM? TEM UMA VERDADE MILAGROSA E DIGNA DE SER OUVIDA OU DESCOBERTA POR DETRÁS DE TODAS AS APARÊNCIAS?
NÃO! NÃO RESPONDA! Deixe que eu mesmo o faça, já que este é o momento em que você apenas lê (rsrs)
NÃO ESTAMOS SENDO ENGANADOS, as formas são o que são, apenas formas que ocultam o vazio. E todos (a maioria de que falei anteriormente) acreditam piamente que as aparências enganam, pois desejam desesperadamente que exista um conteúdo que lhes acalme e amenize aquela dor desconhecida, aquela "coisa chata" que sempre quer sair à tona... E aí as aparências se transformam em vilãs, as grandes culpadas da nossa completa insatisfação, a causa de sermos imagem e semelhança de sanguessugas, querendo sempre mais!
Estou consciente de que alguns críticos superficiais (pensaram que me esqueceria de vocês, oh antíteses esquizofrênicas?) gostarão de confrontar-me, alegando que: "se as aparências escondem o vazio, LOGO... escondem alguma coisa. Portanto, pegamos você!"
hahaha! E eu me rio de todos estes pseudo-aristotélicos/platônicos. Porque estes superficiais mal desconfiam de que esta mesma é a ironia, pois o Vazio (ooh, que medo do vazio) é também uma forma! E que, no fim, este grande Universo não passa de formas que ocultam outras formas! Talvez os russos sejam os que melhor podem entender a Sagrada Ironia da Grande Matrioshka do Universo! (deprimente isso)
Os gregos disseram assim: "Olha, o átomo é indivisível". Daí vieram uns filhos da puta, destruidores de castelinhos, e contestaram: "Não, tem um negócinho dentro do átomo, por isso vocês estão equivocados". Aparecem outros palhações e zombam: "haha, existe um mundo subatômico" E daqui a pouco vão alegar que as cordinhas que vibram no universo (teoria das cordas) são apenas um esconderijo de violinos irritantes minusculos feitos de matéria escura!!!!! (essa é a hora que você fica espantado)
Já me esqueci porque estou publicando isso neste blog! Alguém lembra? O mesmo motivo pelo qual o personagem do filme "O náufrago" conversa com uma bola de volei?... Tanto faz!
Os fios pretos dos postes de luz são... Não são patéticos! Complete com outra palavra pra variar! Credo!
Sim, eu estou de férias! Sim, minha insônia hoje tomou anabolizantes! Sim, eu chamo isso de ócio produtivo! Sim, foda-se se não for produtivo pra você, porque é produtivo pra mim! rs
AQUI, ÚLTIMA FRASE DO POST!
Parabéns, você é curioso e leu a última frase antes de todo o texto! Já é um passo dado rumo à destruição de outras regras! rsrs (mensagem especial para quem não cumpriu a ordem da primeira frase deste texto)se você disse: que idiota! diga isso mais uma vez... PARA VOCÊ!
É semelhante à existência das formigas trabalhadoras.
AVISO IMPORTANTE:(Ah, sim, já ia me esquecendo: não leia a última frase deste texto antes de completar a leitura do post completo, certo?)
As pessoas mantém essa rotina homogênea e estável; e os fios que conduzem eletricidade às casas dos prisioneiros apresentam-se, hoje, insuportavelmente mórbidos, venenosos, tonteantes.
São insensíveis estes fios pretos, são frios e calculistas, não demonstram afeto, nem preocupação com a minha dor. (E é óbvio para mim que vocês não irão entender isso, os fios pretos de eletricidade se apresentaram apenas para mim desta forma! Me perdoem por isso)
Minha dor é mais aguda e, talvez (sinto isso) existam outros que sintam algo parecido... É mais forte, exatamente porque sei o ponto específico da dor, o local exposto da ferida aberta, constantemente gritando diante dos meus olhos sem que haja remédio/droga que cure/amenize.
Estou certo - e aqui não existe espaço para um talvez - de que muitas pessoas (muitas, eu insisto) possuem esta dor cravada n'algum lugar obscuro, que têm lapsos de que ela seja cruel/libertadora ou libertadora/cruel, mas que, com olhos e sentidos escamados, não consigam descobrir onde dói, nem porque... E, talvez (talvez somente) lhes seja melhor assim, a sobrevivência de uma espécie forte depende da resistência de apenas alguns, jamais de todos - assim nos vocifera a natureza!
Saber ou não saber do local ou da causa desta dor, entretanto (e contraditoriamente)pode ser indiferente, dependendo do SEU ponto de vista... Lembre-se: DO SEU PONTO DE VISTA!!! Há quem prefira saber esses detalhes, eu sou um deles!
Ironicamente, todos possuem essa dor e, conscientes ou não, a experimentam por toda sua efêmera vida.
Qual é, pois, a diferença? Pouca, pra não dizer inexistente, reconheço! Apenas que uns poucos humanos conseguiram entender a grande ironia (o termo "filha da putagem" também cabe neste contexto) do Universo. Uns poucos de nós perceberam a grande farsa da existência; uma minoria enxergou o pano azul de fundo dos efeitos especiais, as máscaras de plástico, as linhas finas e frágeis e as madeiras podres que sustentam esse teatro dos horrores. E é neste ponto que se perde a graça!!! Entendem?
Nós, que sabemos a causa e o local da dor humana, ouvimos a mesma piada repetidas vezes. Sim, nós mesmos exercemos o mais imbecil papel de explicar a piadinha!
E assim é que paramos de rir dessa comédia idiota e patética que é a civilização e de tudo o que ela construiu (acho que agora dá pra entender um pouco "os fios pretos dos postes de luz"... acho...rs).
Paramos de rir, entretanto, apenas porque essa piada ficou "sem sal", por que "não cola mais". Queremos uma piada nova. (Quando ouvirmos uma nova piada, apesar de saber agora que será apenas mais outra piada que também perderá a graça, riremos novamente com muito prazer, não tem importância)!
Parece simples quando expomos desta forma, não é?
Então me responda!!! SÃO AS FORMAS QUE NOS ENGANAM? TEM UMA VERDADE MILAGROSA E DIGNA DE SER OUVIDA OU DESCOBERTA POR DETRÁS DE TODAS AS APARÊNCIAS?
NÃO! NÃO RESPONDA! Deixe que eu mesmo o faça, já que este é o momento em que você apenas lê (rsrs)
NÃO ESTAMOS SENDO ENGANADOS, as formas são o que são, apenas formas que ocultam o vazio. E todos (a maioria de que falei anteriormente) acreditam piamente que as aparências enganam, pois desejam desesperadamente que exista um conteúdo que lhes acalme e amenize aquela dor desconhecida, aquela "coisa chata" que sempre quer sair à tona... E aí as aparências se transformam em vilãs, as grandes culpadas da nossa completa insatisfação, a causa de sermos imagem e semelhança de sanguessugas, querendo sempre mais!
Estou consciente de que alguns críticos superficiais (pensaram que me esqueceria de vocês, oh antíteses esquizofrênicas?) gostarão de confrontar-me, alegando que: "se as aparências escondem o vazio, LOGO... escondem alguma coisa. Portanto, pegamos você!"
hahaha! E eu me rio de todos estes pseudo-aristotélicos/platônicos. Porque estes superficiais mal desconfiam de que esta mesma é a ironia, pois o Vazio (ooh, que medo do vazio) é também uma forma! E que, no fim, este grande Universo não passa de formas que ocultam outras formas! Talvez os russos sejam os que melhor podem entender a Sagrada Ironia da Grande Matrioshka do Universo! (deprimente isso)
Os gregos disseram assim: "Olha, o átomo é indivisível". Daí vieram uns filhos da puta, destruidores de castelinhos, e contestaram: "Não, tem um negócinho dentro do átomo, por isso vocês estão equivocados". Aparecem outros palhações e zombam: "haha, existe um mundo subatômico" E daqui a pouco vão alegar que as cordinhas que vibram no universo (teoria das cordas) são apenas um esconderijo de violinos irritantes minusculos feitos de matéria escura!!!!! (essa é a hora que você fica espantado)
Já me esqueci porque estou publicando isso neste blog! Alguém lembra? O mesmo motivo pelo qual o personagem do filme "O náufrago" conversa com uma bola de volei?... Tanto faz!
Os fios pretos dos postes de luz são... Não são patéticos! Complete com outra palavra pra variar! Credo!
Sim, eu estou de férias! Sim, minha insônia hoje tomou anabolizantes! Sim, eu chamo isso de ócio produtivo! Sim, foda-se se não for produtivo pra você, porque é produtivo pra mim! rs
AQUI, ÚLTIMA FRASE DO POST!
Parabéns, você é curioso e leu a última frase antes de todo o texto! Já é um passo dado rumo à destruição de outras regras! rsrs (mensagem especial para quem não cumpriu a ordem da primeira frase deste texto)se você disse: que idiota! diga isso mais uma vez... PARA VOCÊ!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Ano Novo, Relógios e RUM!
5
4
3
2
1... e meio!
É à meia noite que os mortos surgem? É exatamente às 00h00m o horário em que as bruxas ficam soltas e os espíritos nos incomodam? Os espíritos tem pontualidade inglesa, né? Ah, Fala sério!
Só no exato 00h00m é que a cinderela se transforma numa escrava porralheira? E o horário de verão? E o fuso horário!?
E A TEORIA DA RELATIVIDADE? Se eu estiver numa velocidade que ultrapasse a da luz, minha meia noite ainda estará correta?
O que há de diferente entre o dia 31 de dezembro e o dia 1° de janeiro?
Qual calendário está correto, o ocidental cristão, o dos chineses, ou o dos judeus?
Qual ANO NOVO é novo mesmo!?
E por que prometemos tantas coisas, se, no fim, sabemos que não iremos cumprir?
Esperança? Porque tanta esperança somente na virada do ano? Tem um EXU do Ano Novo que faz um monte de coisa acontecer repentinamente exatamente à meia noite? Na virada! (vira, vira, vira de ladinho, isso delicia!...)
E se o meu relógio quebrar às 23h59m? Quer dizer que eu ainda vou estar no Ano Velho?
Qual é, então, a razão pra gente comemorar tanto a "virada" do ano (ele gosta de ladinho)?
É porque nós todos gostamos de beber, de encher a cara, de diversão, de sexo, de felicidade, de alegria e dos prazeres transitórios, só por causa disso. Todas as outras razões só servem pra mascarar estas primeiras. As outras razões são sub-razões. Pode até ser que alguém dê, de verdade, valor a estas coisas clichês de ano novo: amor, paz, prosperidade, sucesso e blablalba...
E mesmo essa pessoa adora as comemorações de ano novo, porque quer estar junto com seus amigos, quer se divertir, quer celebrar o ócio que não tem o ano todo! Querem dormir apenas quando o sol aparecer, porque, afinal, o sol é um chato, ele só aparece pra avisar que precisamos trabalhar...
Já a noite, a noite é que deve ser aproveitada, é o lugar dos vagabundos, dos boêmios, dos músicos, dos loucos, de todos quanto divergem da normalidade, dos padrões normativos da sociedade... CARPE NOCTEM!
No fim, o que eu curto no ano novo não é exatamente o ano novo, pois eu vou estar no dia 1° de janeiro apenas, não posso jamais viver o ano novo como um todo, pois são 365 dias!!!! Só posso viver cada dia... e cada noite! O que curto no ano novo é minha família, meus amigos e amigas, e o meu Rum!
4
3
2
1... e meio!
É à meia noite que os mortos surgem? É exatamente às 00h00m o horário em que as bruxas ficam soltas e os espíritos nos incomodam? Os espíritos tem pontualidade inglesa, né? Ah, Fala sério!
Só no exato 00h00m é que a cinderela se transforma numa escrava porralheira? E o horário de verão? E o fuso horário!?
E A TEORIA DA RELATIVIDADE? Se eu estiver numa velocidade que ultrapasse a da luz, minha meia noite ainda estará correta?
O que há de diferente entre o dia 31 de dezembro e o dia 1° de janeiro?
Qual calendário está correto, o ocidental cristão, o dos chineses, ou o dos judeus?
Qual ANO NOVO é novo mesmo!?
E por que prometemos tantas coisas, se, no fim, sabemos que não iremos cumprir?
Esperança? Porque tanta esperança somente na virada do ano? Tem um EXU do Ano Novo que faz um monte de coisa acontecer repentinamente exatamente à meia noite? Na virada! (vira, vira, vira de ladinho, isso delicia!...)
E se o meu relógio quebrar às 23h59m? Quer dizer que eu ainda vou estar no Ano Velho?
Qual é, então, a razão pra gente comemorar tanto a "virada" do ano (ele gosta de ladinho)?
É porque nós todos gostamos de beber, de encher a cara, de diversão, de sexo, de felicidade, de alegria e dos prazeres transitórios, só por causa disso. Todas as outras razões só servem pra mascarar estas primeiras. As outras razões são sub-razões. Pode até ser que alguém dê, de verdade, valor a estas coisas clichês de ano novo: amor, paz, prosperidade, sucesso e blablalba...
E mesmo essa pessoa adora as comemorações de ano novo, porque quer estar junto com seus amigos, quer se divertir, quer celebrar o ócio que não tem o ano todo! Querem dormir apenas quando o sol aparecer, porque, afinal, o sol é um chato, ele só aparece pra avisar que precisamos trabalhar...
Já a noite, a noite é que deve ser aproveitada, é o lugar dos vagabundos, dos boêmios, dos músicos, dos loucos, de todos quanto divergem da normalidade, dos padrões normativos da sociedade... CARPE NOCTEM!
No fim, o que eu curto no ano novo não é exatamente o ano novo, pois eu vou estar no dia 1° de janeiro apenas, não posso jamais viver o ano novo como um todo, pois são 365 dias!!!! Só posso viver cada dia... e cada noite! O que curto no ano novo é minha família, meus amigos e amigas, e o meu Rum!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Read-me!
Faz um tempão que não escrevo nada neste blog!
E não senti nenhuma falta disso! rs
Vou escrever um pouco sobre as férias!
É tão maravilhoso quando não se precisa trabalhar, acordar cedo pra faculdade (no meu caso, ir pra faculdade sem dormir).
Somos tão estranhos. Ninguém, em sã consciência, gosta de trabalho. Não é de se espantar que "trabalho" venha da palavra "tripalium" (algo parecido com que o Drácula fazia com suas vítimas...) Arrancar as tripas pelo ânus! Sim, é exatamente esse o significado dessa palavra! Tripalium era o que os romanos faziam com os maus escravos...
Com o tempo, "tripalium" se tornou "trabalho", que se transformou em empreendimento, e agora somos incitados à tortura desde nossa concepção e chegada ao admirável mundo velho dos homens!
E aí, o que acontece nas férias!?
Acontece aquilo que deveria acontecer todo o tempo da nossa vil existência: Excesso, embriaguez, diversão, discussões familiares e de relacionamentos, festa, sexo etc!
Quando chega as férias do final de ano, todo mundo quer fazer tudo o que, durante o ano todo, não puderam fazer por culpa do trabalho!
Não, não sou vagabundo! Luto pelo meu direito ao ócio! Por que negócio (negação do ócio) é a coisa mais desumana que inventaram! E não falo apenas por mim, falo por todos, porque, no fundo, no fundo, ninguém gosta de trabalhar, exatamente por que ninguém gosta de ser torturado!
Ninguém gosta da dor, mesmo os cristãos (peritos no sofrimento e na piedade).
Só o que gostamos é do prazer! Mas precisamos sentir prazer às escuras, nos becos... Ninguém pode saber que sentimos prazer! O prazer é feio socialmente... E isso é tão hipócrita, porque todos querem desesperadamente o prazer, mas proferem maldições contra ele!
E por hoje é só pessoal! abraços!
E não senti nenhuma falta disso! rs
Vou escrever um pouco sobre as férias!
É tão maravilhoso quando não se precisa trabalhar, acordar cedo pra faculdade (no meu caso, ir pra faculdade sem dormir).
Somos tão estranhos. Ninguém, em sã consciência, gosta de trabalho. Não é de se espantar que "trabalho" venha da palavra "tripalium" (algo parecido com que o Drácula fazia com suas vítimas...) Arrancar as tripas pelo ânus! Sim, é exatamente esse o significado dessa palavra! Tripalium era o que os romanos faziam com os maus escravos...
Com o tempo, "tripalium" se tornou "trabalho", que se transformou em empreendimento, e agora somos incitados à tortura desde nossa concepção e chegada ao admirável mundo velho dos homens!
E aí, o que acontece nas férias!?
Acontece aquilo que deveria acontecer todo o tempo da nossa vil existência: Excesso, embriaguez, diversão, discussões familiares e de relacionamentos, festa, sexo etc!
Quando chega as férias do final de ano, todo mundo quer fazer tudo o que, durante o ano todo, não puderam fazer por culpa do trabalho!
Não, não sou vagabundo! Luto pelo meu direito ao ócio! Por que negócio (negação do ócio) é a coisa mais desumana que inventaram! E não falo apenas por mim, falo por todos, porque, no fundo, no fundo, ninguém gosta de trabalhar, exatamente por que ninguém gosta de ser torturado!
Ninguém gosta da dor, mesmo os cristãos (peritos no sofrimento e na piedade).
Só o que gostamos é do prazer! Mas precisamos sentir prazer às escuras, nos becos... Ninguém pode saber que sentimos prazer! O prazer é feio socialmente... E isso é tão hipócrita, porque todos querem desesperadamente o prazer, mas proferem maldições contra ele!
E por hoje é só pessoal! abraços!
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Louvor a Dionísio!
Desde que te conheci não pude mais me controlar, não pude mais esconder-me de mim mesmo, nem fugir de quem sou.
Você abriu meus olhos, me fez enxergar as cores da natureza, as formas sensuais do caos, do abismo e da morte.
Me fez ver força e coragem na tristeza e paz no desespero. Tudo se transmutou, se modificou. O mal tornou-se bem, e o bem, mal! E percebi que ser feliz é coisa que se desfruta no prazer da carne, na sensualidade da pele, no toque dos lábios, no cálice de tontear, em tudo o que não tem regras, limites ou impedimentos.
Desci às profundezas de meu animal interior, minha besta oculta, a selvageria que a todos desagrada ficou-me descoberta.
E a todos não fiz questão alguma de esconder que amo minhas profundezas e que não me envergonho das minhas podridões mais fétidas, dos vômitos mais nauseantes, das palavras mais torpes.
Por que, de fato, quanto mais regredi ao meu original humano, ao instinto mais baixo e vil... Quanto mais soltei os cães que em mim gritavam, mais cheguei perto do ar puro, da respiração sem vício, longe da massa, longe do povo decadente, longe do berro atordoante das ovelhas...
Oh, Dionísio, que em tudo me guias: nas sendas de heroismo e tragédia! Oh Dionísio, deus da desgraça e do amor, do ódio e da ascendência... Amo-te com ódio em carne viva!
Levanto minha taça e brindo tua loucura!
Você abriu meus olhos, me fez enxergar as cores da natureza, as formas sensuais do caos, do abismo e da morte.
Me fez ver força e coragem na tristeza e paz no desespero. Tudo se transmutou, se modificou. O mal tornou-se bem, e o bem, mal! E percebi que ser feliz é coisa que se desfruta no prazer da carne, na sensualidade da pele, no toque dos lábios, no cálice de tontear, em tudo o que não tem regras, limites ou impedimentos.
Desci às profundezas de meu animal interior, minha besta oculta, a selvageria que a todos desagrada ficou-me descoberta.
E a todos não fiz questão alguma de esconder que amo minhas profundezas e que não me envergonho das minhas podridões mais fétidas, dos vômitos mais nauseantes, das palavras mais torpes.
Por que, de fato, quanto mais regredi ao meu original humano, ao instinto mais baixo e vil... Quanto mais soltei os cães que em mim gritavam, mais cheguei perto do ar puro, da respiração sem vício, longe da massa, longe do povo decadente, longe do berro atordoante das ovelhas...
Oh, Dionísio, que em tudo me guias: nas sendas de heroismo e tragédia! Oh Dionísio, deus da desgraça e do amor, do ódio e da ascendência... Amo-te com ódio em carne viva!
Levanto minha taça e brindo tua loucura!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Qual será o futuro das religiões???
O discurso a respeito do conceito de passado, em geral é o de superação ou de esquecimento, tanto é assim que demos-lhe este nome "passado". No cristianismo, uma das religiões que moldaram nossa cultura ocidental, o passado de alguém que "nasceu de novo", que se tornou cristão, é altamente perigoso, deve ser banido, importa apenas quem ele é agora como discípulo de Cristo.
A nível de mentalidade social (o inconsciente coletivo), o futuro se apresenta como progresso, avanço, esperança no melhor.
Por fim, geralmente o presente fica boiando no nada, pois ora estamos jogados no amanhã, esperançando utopias, ora estamos presos no passado, revivendo dores ou momentos agradáveis que não voltam mais.
De uma ou de outra forma, querendo ou não, estas operações mentais são realizadas no presente, quer dizer, eu e você, como cérebros pensantes, fazemos a síntese de passado e futuro no aqui e agora; futuro e passado, portanto, se transformam em cinzas em nossas mentes, justamente porque ocorrem no presente que, para nós, não tem valor algum.
A religião, como fator social, sempre existiu e existirá enquanto houver uma sociedade; e ela pode "aparecer" (fenômeno)também de formas não convencionais. Para que surja uma religião basta que haja crença, um sistema rígido que prescreva uma moral e defensores que a preserve das opiniões contrárias (heresias).
Deste modo, não necessariamente precisa-se existir um deus ou seres espirituais para que uma religião apareça.
Foi o que aconteceu com a economia dos modos de produção capitalista, que se transformou em uma grande religião social. Há todo um panteão, paraíso, bençãos e imortalidade na doutrina capitalista.
Não é somente a economia que pode se tornar religião, também os mecanismos de controle do Estado e as Instituições estão sujeitas a isso. E aí o perigo sempre é grande.
Quando falamos em "futuro das religiões" pensamos em novidade, em coisas diferentes, misteriosas e desconhecidas e que possam trazer respostas às perguntas mais complexas da nossa existência. Mas os homens são sempre homens (coisificados ou não) e os problemas que afligem os homens serão sempre problemas de homens. E os homens nunca querem resolver seus problemas...
O futuro das religiões está conectado ao futuro do homem, mas o homem não é tão importante para o Universo e é altamente descartável diante do funcionamento do cosmos.
Como disse Schopenhauer em seu livro "A arte de insultar":
Quase sempre, os chamados seres humanos não passam de uma sopa rala com um
pouco de arsênico.
Se o planeta Terra sofrer um "tilt", o homem some e some também tudo o que é do homem e que está conectado à sua existência: linguagem, história e religiões.
O que eu invejo nos animais é a memória seletiva. Nós damos importância a tantas coisas desnecessárias e investimos nelas tanta força, e se olharmos com um pouco menos de encantamento, nossa existência (que é singular e única) é tão efêmera pra se preocupar com questões igualmente vulneráveis. O problema é que temos apenas isso pra fazer aqui.
Por isso temos tanta necessidade de nos agarrar à história, ao universal coletivo que nos mantém vivos no giro frenético da Roda. A natureza toda, porém, permanece indiferente aos nossos sons desesperados.
Enfim, tudo muda, tudo é movimento e, como diria meu amigo Fábio: "quanto mais muda mais igual fica". E a história da humanidade pode nos mostrar que onde há humanos conglomerados há sempre as mesmas histórinhas, os mesmos probleminhas, tudo igual, com pouquíssimas diferenças.
O fato é que NÓS NÃO QUEREMOS MUDAR! Mudar é muito cansativo! Queremos a ORDEM! Queremos o conforto! Por isso é que as religiões prometem toda esta Ordem no Universo, todo este conforto da estabilidade. E também o ESTADO promete esta ORDEM E ESTABILIDADE. A impressão que eu tenho é que todos nós estamos sufocados, com fome e sede de ORDEM e ESTABILIDADE. Chega a ser esquizofrênica nossa ânsia por isso.
Não nos parece, portanto, que sofreremos modificações importantes e radicais, talvez aconteçam modificações apenas para manter toda esta civilização que já está pronta, apenas para manter a "ordem no universo".
Então, a resposta à pergunta: Qual é o futuro das religiões? torna-se fácil de ser respondida: O futuro das religiões é o futuro dos homens.
Qual é o futuro dos homens? O mesmo de sempre com 0,001% de modificações.
A nível de mentalidade social (o inconsciente coletivo), o futuro se apresenta como progresso, avanço, esperança no melhor.
Por fim, geralmente o presente fica boiando no nada, pois ora estamos jogados no amanhã, esperançando utopias, ora estamos presos no passado, revivendo dores ou momentos agradáveis que não voltam mais.
De uma ou de outra forma, querendo ou não, estas operações mentais são realizadas no presente, quer dizer, eu e você, como cérebros pensantes, fazemos a síntese de passado e futuro no aqui e agora; futuro e passado, portanto, se transformam em cinzas em nossas mentes, justamente porque ocorrem no presente que, para nós, não tem valor algum.
A religião, como fator social, sempre existiu e existirá enquanto houver uma sociedade; e ela pode "aparecer" (fenômeno)também de formas não convencionais. Para que surja uma religião basta que haja crença, um sistema rígido que prescreva uma moral e defensores que a preserve das opiniões contrárias (heresias).
Deste modo, não necessariamente precisa-se existir um deus ou seres espirituais para que uma religião apareça.
Foi o que aconteceu com a economia dos modos de produção capitalista, que se transformou em uma grande religião social. Há todo um panteão, paraíso, bençãos e imortalidade na doutrina capitalista.
Não é somente a economia que pode se tornar religião, também os mecanismos de controle do Estado e as Instituições estão sujeitas a isso. E aí o perigo sempre é grande.
Quando falamos em "futuro das religiões" pensamos em novidade, em coisas diferentes, misteriosas e desconhecidas e que possam trazer respostas às perguntas mais complexas da nossa existência. Mas os homens são sempre homens (coisificados ou não) e os problemas que afligem os homens serão sempre problemas de homens. E os homens nunca querem resolver seus problemas...
O futuro das religiões está conectado ao futuro do homem, mas o homem não é tão importante para o Universo e é altamente descartável diante do funcionamento do cosmos.
Como disse Schopenhauer em seu livro "A arte de insultar":
Quase sempre, os chamados seres humanos não passam de uma sopa rala com um
pouco de arsênico.
Se o planeta Terra sofrer um "tilt", o homem some e some também tudo o que é do homem e que está conectado à sua existência: linguagem, história e religiões.
O que eu invejo nos animais é a memória seletiva. Nós damos importância a tantas coisas desnecessárias e investimos nelas tanta força, e se olharmos com um pouco menos de encantamento, nossa existência (que é singular e única) é tão efêmera pra se preocupar com questões igualmente vulneráveis. O problema é que temos apenas isso pra fazer aqui.
Por isso temos tanta necessidade de nos agarrar à história, ao universal coletivo que nos mantém vivos no giro frenético da Roda. A natureza toda, porém, permanece indiferente aos nossos sons desesperados.
Enfim, tudo muda, tudo é movimento e, como diria meu amigo Fábio: "quanto mais muda mais igual fica". E a história da humanidade pode nos mostrar que onde há humanos conglomerados há sempre as mesmas histórinhas, os mesmos probleminhas, tudo igual, com pouquíssimas diferenças.
O fato é que NÓS NÃO QUEREMOS MUDAR! Mudar é muito cansativo! Queremos a ORDEM! Queremos o conforto! Por isso é que as religiões prometem toda esta Ordem no Universo, todo este conforto da estabilidade. E também o ESTADO promete esta ORDEM E ESTABILIDADE. A impressão que eu tenho é que todos nós estamos sufocados, com fome e sede de ORDEM e ESTABILIDADE. Chega a ser esquizofrênica nossa ânsia por isso.
Não nos parece, portanto, que sofreremos modificações importantes e radicais, talvez aconteçam modificações apenas para manter toda esta civilização que já está pronta, apenas para manter a "ordem no universo".
Então, a resposta à pergunta: Qual é o futuro das religiões? torna-se fácil de ser respondida: O futuro das religiões é o futuro dos homens.
Qual é o futuro dos homens? O mesmo de sempre com 0,001% de modificações.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Indicação de Filme: Die Welle (A onda)
O assunto do filme: fascismo, ditadura, ideologia e adesão cega a totalitarismos.
"A Onda" é um filme intrigante e sedutor. É um tema atual, pois, mostra a outra face das ditaduras: aquelas que nós acreditamos e defendemos, uma que está debaixo dos nossos olhos, mas que fingimos não ver.
Um professor é convidado a lecionar história e política em uma escola na Alemanha.
Rainer Wenger, pretende mostrar como são os mecanismos do fascismo dentro de sala de aula, como um experimento em grupo. (algo parecido com uma experiência feita em Stanford.
Os alunos começam a viver como se estivessem realmente em um regime fascista, mas apenas para fins de ensino...
O problema é que eles passam a acreditar no "regime"... Ao qual colocam o nome de "A onda"
No filme, a adesão dos alunos à ideologia ditatorial (embora experimental) ocorre de forma urgente e impensada. Não foi o professor, entretanto, em sua experiência solitária, que conseguiu seduzi-los, subjugá-los. Os alunos já se encontravam em situação caótica, por isso qualquer aparência de liderança que surgisse teria adesão com igual intensidade.
Coisa parecida ocorreu com o nazismo e outros regimes (e o filme tenta levantar esta discussão). "Pintamos"(trocadilho...) Hitler em toda a sua monstruosidade como se ele fosse sozinho responsável por todo o genocídio nazista. Esquecemos de que todo o povo aderiu suas idéias, já tinham uma mentalidade parecida com a de seu líder, houve uma sinergia entre ambos, povo e liderança. Hitler apenas representava, apenas atuava, exercia o papel que o povo queria exercer, ou seja, quem praticou toda a barbárie nazista não foi Hitler apenas, mas todo o povo em conjunto.
Israel e alguns judeus também incorrem no mesmo erro se olharmos as barbaridades que praticam contra a Palestina! (O oprimido que agora oprime a outros - o círculo vicioso)
Também a igreja católica já possuia, bem antes de Hitler, campos de concentração anti-semitas, e leprosários onde eram depositados e esquecidos os doentes... (Mas disso é proibido falar!)
Nossos hospitais (como lugar de afastamento dos doentes da vida social) e nossos sistemas penitenciários também são exemplos próximos a este assunto...
Em épocas de eleições, em que alguns dos candidatos à presidência do Brasil promovem o discurso amigável das grandes empresas e escondem nas entrelinhas o totalitarismo da classe dominante, este filme é um bom aperitivo de discussões e possíveis mudanças de atitudes.
Quem quiser assistir (tenho 3 links pra baixar):
Clique aqui
Aqui
Ou Aqui
"A Onda" é um filme intrigante e sedutor. É um tema atual, pois, mostra a outra face das ditaduras: aquelas que nós acreditamos e defendemos, uma que está debaixo dos nossos olhos, mas que fingimos não ver.
Um professor é convidado a lecionar história e política em uma escola na Alemanha.
Rainer Wenger, pretende mostrar como são os mecanismos do fascismo dentro de sala de aula, como um experimento em grupo. (algo parecido com uma experiência feita em Stanford.
Os alunos começam a viver como se estivessem realmente em um regime fascista, mas apenas para fins de ensino...
O problema é que eles passam a acreditar no "regime"... Ao qual colocam o nome de "A onda"
No filme, a adesão dos alunos à ideologia ditatorial (embora experimental) ocorre de forma urgente e impensada. Não foi o professor, entretanto, em sua experiência solitária, que conseguiu seduzi-los, subjugá-los. Os alunos já se encontravam em situação caótica, por isso qualquer aparência de liderança que surgisse teria adesão com igual intensidade.
Coisa parecida ocorreu com o nazismo e outros regimes (e o filme tenta levantar esta discussão). "Pintamos"(trocadilho...) Hitler em toda a sua monstruosidade como se ele fosse sozinho responsável por todo o genocídio nazista. Esquecemos de que todo o povo aderiu suas idéias, já tinham uma mentalidade parecida com a de seu líder, houve uma sinergia entre ambos, povo e liderança. Hitler apenas representava, apenas atuava, exercia o papel que o povo queria exercer, ou seja, quem praticou toda a barbárie nazista não foi Hitler apenas, mas todo o povo em conjunto.
Israel e alguns judeus também incorrem no mesmo erro se olharmos as barbaridades que praticam contra a Palestina! (O oprimido que agora oprime a outros - o círculo vicioso)
Também a igreja católica já possuia, bem antes de Hitler, campos de concentração anti-semitas, e leprosários onde eram depositados e esquecidos os doentes... (Mas disso é proibido falar!)
Nossos hospitais (como lugar de afastamento dos doentes da vida social) e nossos sistemas penitenciários também são exemplos próximos a este assunto...
Em épocas de eleições, em que alguns dos candidatos à presidência do Brasil promovem o discurso amigável das grandes empresas e escondem nas entrelinhas o totalitarismo da classe dominante, este filme é um bom aperitivo de discussões e possíveis mudanças de atitudes.
Quem quiser assistir (tenho 3 links pra baixar):
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Ou Aqui
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Entrevista com Heidegger...
A todos os meus leitores:
Tudo bem? Eu resolvi postar as anotações que estou fazendo para o seminário que estou apresentando na faculdade sobre Heidegger.
Esta postagem, eu sei, só irão gostar aqueles que já tem algum conhecimento sobre ontologia (o estudo e a busca do ser das coisas, o fundamento etc). Mas se alguém quiser se aventurar, seja bem vindo ao maravilhoso mundo do não-ser!
Apesar de não gostar muito de Platão, tenho que admitir que o modo que ele se utiliza para expor suas idéias é muito bom. Então eu fiz, em algumas partes das anotações, um diálogo ao modo platônico (um pouco mais divertido...Porque não tem hiperurânio!), entre Heidegger e uma entrevistadora.
Antes, porém, deixa eu dizer quem foi Heidegger rapidinho:
Martin Heidegger nasceu em uma pequena cidade alemã (Messkirch) em 26 de setembro de 1889 e faleceu em 26 de maio de 1976, na mesma cidade onde nasceu. Seu pai era sacristão e sua mãe era amiga da mãe do jovem Conrad Grober, que viria a se tornar arcebispo de Friburgo. Foi filósofo, escritor, professor universitário em Manburgo e em Friburgo, onde exerceu também o cargo de Reitor em 1933.
Em 1909, ingressou na Universidade de Friburgo e iniciou o curso de teologia. Paralelamente, continuou seus estudos sobre Aristóteles, e iniciou as primeiras leituras de Husserl, que o levariam ao método fenomenológico. Interessou-se também pela filosofia de Maurice Blondel e pelo pensamento de Kierkegaard, que o fez refletir sobre outro tipo de pensamento que não o católico.
A partir de 1911, influenciado pelo filósofo Heinrich Rickert , Heidegger estudou as obras de Hegel, Schelling, Kierkegaard e Nietzsche, Kant, Dostoievsky, Rilke, Trakl, e começou a redigir textos que resultariam em obras posteriores.
O pensamento de Heidegger gira em torno da existência humana, suas dificuldades, a linguagem humana e o velho problema filosófico que o Ocidente herdou dos gregos: o problema do Ser (ontologia).
---------------
Heidegger pretende:
Constituir uma ontologia que permita compreender o Ser e interrogá-lo, mesmo que isso seja vago, mas de modo a conseguir uma determinação plena e completa do sentido (Sinn) do Ser.
Em qualquer pergunta pode se distinguir 3 coisas:
O que se pergunta;
Aquele a quem se pergunta, ou que é interrogado;
Aquele que pergunta.
1- Aquele que pergunta é o próprio ser
2- O que se encontra é o sentido do ser
3- Quem se interroga, porém, é um ente
Primeiro problema da ontologia:
Qual ente deve ser interrogado??? (what a hell!)
Ou seja: A qual ente deve-se dirigir especificamente a pergunta sobre o ser???
O ser interrogado pelo Ser é o Dasein (ser-aqui, ser-aí, ser-jogado, etc).
O homem é o Dasein, é o ente que foi interrogado pelo Ser, é o único que pode se perguntar. ---Primado ontológico.
Apenas interrogando o modo de ser do ser-aí (dasein) é que se pode descobrir o sentido do ser.
O modo de ser do ser-aqui (dasein) é a existência.
Por isso, a análise desse modo de ser será existencial.
Eu sou um Dasein, ele é um Dasein, tu és um Dasein. Nós, porém, não somos Dasein!!!
O Dasein é singular, nunca geral ou universal, é portanto, único.
Deste modo, a existência de cada Dasein constitui o fator mais importante da ontologia heideggeriana, pois aponta o número infinito de possibilidades de modos de ser do Dasein.
As possibilidades constituem o próprio ser do Dasein. Não são contingentes nem lógicas.
O Dasein pode escolher-se e conquistar-se ou pode perder-se (não se conquistar ou conquistar-se aparentemente).
A análise existencial cabe a cada Dasein singular, é condição de sua própria existência ser interrogado pelo ser, não há como fugir. Uma vez jogado... já era!
Cuidado: Esta análise deve ser feita pelo método fenomenológico. Em caso de hiperfraturação molímbica da consciência, chamar o Açougueiro!
Máxima da fenomenologia: “Apontar diretamente para as coisas.” O fenômeno de que fala a coisa não é aparência, mas uma manifestação, uma revelação daquilo que a coisa é no seu ser. É um abrir-se, é o manifestar-se do fenômeno da coisa, é a coisa própria! (ui!)
(quer dizer, para Kant, a coisa em si não pode ser conhecida... Kant não pode ver a coisa em si, apenas aquilo que lhe aparece da coisa, os dados da coisa -ou ele não quer ver a coisa em si? - Heidegger, porém, quer ver a coisa em si, ele afirma que a coisa se abriu totalmente para ele por meio do fenômeno, o que aparece para ele é a própria coisa, e ele está muito empolgado para descobrir seu gosto!)
Bate-rebate
1-Qual a estrutura fundamental da existência?
R: A Transcendência.
2-O que é Transcendência?
R: É superação, é ultrapassagem.
3-Qual é o fim para o qual o homem transcende?
R: O mundo.
4-Como poderíamos definir melhor a Transcendência?
R: Como um “estar-no-mundo”
5-O que é o mundo?
R: É a estrutura relacional que caracteriza a existência humana como transcendência
6-O que significa transcender para o mundo?
R: Fazer do próprio mundo o projeto das possíveis atitudes e ações do homem.
7-O que é liberdade?
R: É projetar, é o esboço que cada Dasein se propõe para transcender.
8-O homem é livre?
R: Sim e não!O homem é livre quando ultrapassa, quando supera, quando esboça seu mundo, sua existência, mas, fazendo isso, está já se limitando, pois tornar-se-á dependente deste esboço que fez.
9-O homem está condenado?
R: Não, pois ele está vivo (está jogado aí)
10- (irritado) Aí aonde?
Está jogado... Aí, no mundo das possibilidades, sempre ele poderá mais, ou seja, sempre haverá possibilidades diante dele.
11-O homem existe, isso eu entendi! O que é existir?
R: É estar aí, é ser Dasein.
12-O que é ser Dasein?
R: É estar obrigado a transcender, a estar jogado diante de possibilidades.
13-Qual é o modo de ser fundamental do próprio homem?
R: A compreensão de que ele está jogado diante destas possibilidades.
14- E os outros?
R: Que outros?
15-Ora, os outros daseins! Como fica a relação com os outros daseins, os outros homens jogados-aí?
Podemos dizer que a “substância” do homem é a sua existência, esta existência é constitutivamente uma abertura para o mundo e para os outros.
16- Isto significa que eu não posso viver sozinho no mundo ou ter um eu isolado?
R: Exatamente!
17- Se o homem está ligado constitutivamente aos outros, poderíamos dizer que ele é capaz de ser ético por si só?
R: Sim. Concluímos então que: não é possível um “sujeito sem mundo”, nem um “eu isolado”. Tudo está na relação. A morada do ser (ethos) é construída por meio da linguagem, que é própria do homem, do dasein.
A relação entre os homens (e também dos homens para com as coisas) é o de cuidar dos outros.
Existem duas formas de co-existir:
1- A co-existência inautêntica: em que um dasein tenta retirar os problemas do outro
2- A co-existência autêntica: em que um dasein abre ao outro a possibilidade de se encontrar e realizar seu próprio ser.
Existem também duas formas de compreensão existencial:
1- A autêntica: em que o homem parte de si mesmo para tanto;
2- A inautêntica: em que o homem depende dos demais, tudo o que os demais fazem, ele faz... “Maria vai com as outras”; nesta forma de compreensão existencial, o ser do dasein fica ocultado.
A Linguagem é, por natureza, a revelação do ser, por isso, um cara que tem uma existência inautêntica (Maria vai com as outras) se encaixa na frase: “Eu sou assim porque todos são assim”...
Um cara (dasein) desses é tão vazio que quer encher-se cada vez mais do novo, por isso a curiosidade é um outro caráter dominante dele, mas não a curiosidade sobre o ser das coisas, e sim sobre a aparência, por conseqüência, o equívoco.
Equívoco é a terceira distinção deste tipo de existência anônima (inautêntica).
-Heidegger, o que é dejecção?
R: É o movimento de um homem deixar de ser homem para ficar no nível das coisas no mundo, quando ele se transforma de homem em fato.
-Quando isso acontece?
R: Quando o homem vive de forma inautêntica, anônima.
-Isso é ruim? Quer dizer, isso é imoral?
R: Não se deve fazer juízos de valor. A existência inautêntica também faz parte do ser do homem. É como um movimento vertiginoso, um processo interno no homem. Mas que o homem deixa de ser homem pra ser apenas um fato, isso é verdadeiro mesmo... Conheço tantas pessoas assim...!
-O que fazemos com essas pessoas?
R: O mesmo que fazemos com as coisas, cuidamos delas para utilizá-las! (rsrsrs)
IMPORTANTE: Quando o homem vive uma existência inautêntica, ele vive diretamente em uma situação emotiva (Befindlichkeit). Sente-se abandonado a ser o que é de fato.
Ou seja, A situação emotiva diferencia-se da compreensão existencial na medida em que esta é um contínuo projetar-se para o futuro.
(A existência autêntica projeta-se, transcende / A existência inautência aceita a facticidade, contrai-se)
--------
O que Heidegger entende por:
A Existência Autêntica e o Viver Para a Morte
Para entender melhor, vamos por partes, cartesianamente, açougueiramente:
1- Há no homem a consciência.
2- Esta consciência não é clausura, é abertura
3- Esta consciência chama o homem para aquilo que ele é e não pode deixar de ser
4- Esta consciência pede a existência autêntica
Afinal: qual é o núcleo sólido, certo, insuperável para o qual a consciência chama o homem e no qual deve basear-se a sua existência autêntica?
Sem pressa!!!!
-A existência humana se constitui por possibilidades
-Nestas possibilidades projetamos e transcendemos
-Todo projetar-se ou transcender lança o homem ao mundo dos fatos novamente.
-O homem se projeta, transcende, mas depois cai e fica no nível de todos os demais entes do mundo (dejecção)
-(eterno retorno)
-Apesar de nossa existência ser constituída de inúmeras possibilidades, todas elas se nivelam, são indiferentes, posto que todo transcender joga o homem novamente no mundo (este mesmo é o fim da transcendência)
-Isso significa que na própria estrutura do ser está incluída uma “nulidade essencial”.
-Tudo o que o ser-aqui pode planejar a partir das suas possibilidades, reincidindo sobre o que já existe, é um projeto nulo ou um nada enquanto projeto.
"A nulidade existencial, afirma Heidegger, não tem de forma alguma o
carácter de privação ou de deficiência relativamente a um ideal que é proclamado mas que nunca se alcança. O que acontece é que o ser desta entidade é nulo anteriormente a tudo aquilo que pode planear ou alcançar, e já é nulo como mero planear"
-Quando a consciência chama o homem, chama para a forma última e mais radical do nada... A MORTE!
Entrevista com um nazista (rsrs.brincadeirinha!):
1-Heidegger, o que não é a morte?
R: A morte não é um ponto final, não é uma conclusão, não é o fim de sua existência. Não é um fato (pois se fosse estaríamos mortos).
2-O que é a morte?
R: É a possibilidade propriamente dita, porque diz respeito ao próprio ser do homem. É uma possibilidade incondicionada, porque pertence ao homem enquanto individualmente isolado.
3-Qual a diferença entre todas as possibilidades e esta possibilidade, a morte?
R: Todas as possibilidades jogam o homem diante de outras coisas, a morte joga o homem para si mesmo, torna-o uma possibilidade insuperável, é a extrema possibilidade de sua existência!
Apesar de não ser uma evidência necessária (apodítica), a morte se relaciona de uma maneira essencial com o aspecto autêntico da existência humana.
4-O que faz um homem diante da morte quando sua existência é inautêntica?
R: Foge... E considera a morte como um caso entre os muitos da vida de cada dia, oculta seu caráter de possibilidade imanente e procura esquecê-la, procura não pensar nela, entrega-se a preocupações quotidianas e corriqueiras.
5-O que faz um homem diante da morte para viver uma existência autêntica?
R:Ouve sua consciência.
6-O que sua consciência faz?
Sua consciência o chama para a morte, fá-lo sentir em dívida para com sua verdadeira natureza e o encaminha para uma decisão antecipadora que projeta a existência autêntica como um viver para a morte.
7-Devo praticar suicídio para ser autêntico?
R: Você, sim! Brincadeira, rsrsrs! Não!!! A morte deve ser entendida como uma pura ameaça suspensa sobre o homem.
8-Ah, entendi! Boa essa!(ri um pouco) A morte deve ser esperada?
R: Também não, a não ser que ela venha acompanhada de doces! rsrs! Outra brincadeirinha! Não deve ser esperada, pois quem espera a morte deseja que ela se realize, realizar a morte é o mesmo que um suicídio, ou seja, é a negação da morte como possibilidade de uma vida autêntica. (isso significa que vida e morte estão ligadas, para ter uma vida autêntica é preciso compreender que a morte é quem proporciona a autenticidade da vida)
9-Que diabos então significa “viver para a morte”?
R: Compreender a impossibilidade da existência!
10-O QUÊÊÊ?????!!! Quer dizer que existir é impossível????
R: ???!!! Nossa, pra que tudo isso?
11-Primeiro você diz uma coisa, depois você a refuta!
R: ... O que quero dizer é que a existência é essencialmente, radicalmente, impossível!!! O que é possível é a compreensão desta impossibilidade. Viver para a morte é exatamente esta compreensão da impossibilidade da existência, é precisamente isso o que torna a vida autêntica.
12-Vou fingir que entendi e te fazer outra pergunta: A angústia deve surgir neste momento, certo? (eu já estou angustiado só de pensar!)
R: rsrs. A angústia realmente surge desta “sacada”. Mas é ela quem “mantém aberta a contínua e radical ameaça que sai do ser mais íntimo e isolado do homem”. Com a angústia, o homem “sente-se em presença do nada, da impossibilidade de sua existência. Ela coloca o homem fundamentalmente cara-a-cara com o nada!
13-Cara, foda-se você. Acho que vou praticar suicídio e viver inautenticamente mesmo.
R: Não, espere um pouco! Deixe eu te explicar uma coisa.
14-Tudo bem, última chance!!
R: Na angústia, a totalidade da existência converte-se em algo transitório, acidental e fugidio, no qual o próprio nada revela também o significado autêntico da presença do homem no mundo: ESTA PRESENÇA SIGNIFICA MANTER-SE FIRME NO INTERIOR DO NADA! Entendeu?
15-Mais ou menos! Quer dizer, agora ficou melhor, mas ainda estou com uma ponta de
angústia, sabe? Por que vocês filósofos gostam tanto de provocar crises existenciais?
R: Por que, dizem, é mesmo esta a nossa única utilidade! hahahaha! De qualquer forma, você precisa saber que A REVELAÇÃO DO NADA NÃO É A NEGAÇÃO DO MUNDO.
16-UFA! Eu pensei que nada tivesse sentido algum. Pensei por um momento que é indiferente eu projetar algo para o futuro ou não, pois isto seria nulo.
R: Mas é indiferente mesmo, só que isso não é ruim, entende? Como já foi dito antes, não se deve fazer juízos de valor aqui.
Você foi jogada na existência, você está-aí na completa nulidade do ser, pois o nada é configuração estrutural do ser, mas é preciso superar isso, é preciso transcender e permanecer nesta mudança, neste devir, é preciso compreender esta impossibilidade e se manter firme no nada! E isto torna o homem autêntico em sua existência. Só isso!
Tudo bem? Eu resolvi postar as anotações que estou fazendo para o seminário que estou apresentando na faculdade sobre Heidegger.
Esta postagem, eu sei, só irão gostar aqueles que já tem algum conhecimento sobre ontologia (o estudo e a busca do ser das coisas, o fundamento etc). Mas se alguém quiser se aventurar, seja bem vindo ao maravilhoso mundo do não-ser!
Apesar de não gostar muito de Platão, tenho que admitir que o modo que ele se utiliza para expor suas idéias é muito bom. Então eu fiz, em algumas partes das anotações, um diálogo ao modo platônico (um pouco mais divertido...Porque não tem hiperurânio!), entre Heidegger e uma entrevistadora.
Antes, porém, deixa eu dizer quem foi Heidegger rapidinho:
Martin Heidegger nasceu em uma pequena cidade alemã (Messkirch) em 26 de setembro de 1889 e faleceu em 26 de maio de 1976, na mesma cidade onde nasceu. Seu pai era sacristão e sua mãe era amiga da mãe do jovem Conrad Grober, que viria a se tornar arcebispo de Friburgo. Foi filósofo, escritor, professor universitário em Manburgo e em Friburgo, onde exerceu também o cargo de Reitor em 1933.
Em 1909, ingressou na Universidade de Friburgo e iniciou o curso de teologia. Paralelamente, continuou seus estudos sobre Aristóteles, e iniciou as primeiras leituras de Husserl, que o levariam ao método fenomenológico. Interessou-se também pela filosofia de Maurice Blondel e pelo pensamento de Kierkegaard, que o fez refletir sobre outro tipo de pensamento que não o católico.
A partir de 1911, influenciado pelo filósofo Heinrich Rickert , Heidegger estudou as obras de Hegel, Schelling, Kierkegaard e Nietzsche, Kant, Dostoievsky, Rilke, Trakl, e começou a redigir textos que resultariam em obras posteriores.
O pensamento de Heidegger gira em torno da existência humana, suas dificuldades, a linguagem humana e o velho problema filosófico que o Ocidente herdou dos gregos: o problema do Ser (ontologia).
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Heidegger pretende:
Constituir uma ontologia que permita compreender o Ser e interrogá-lo, mesmo que isso seja vago, mas de modo a conseguir uma determinação plena e completa do sentido (Sinn) do Ser.
Em qualquer pergunta pode se distinguir 3 coisas:
O que se pergunta;
Aquele a quem se pergunta, ou que é interrogado;
Aquele que pergunta.
1- Aquele que pergunta é o próprio ser
2- O que se encontra é o sentido do ser
3- Quem se interroga, porém, é um ente
Primeiro problema da ontologia:
Qual ente deve ser interrogado??? (what a hell!)
Ou seja: A qual ente deve-se dirigir especificamente a pergunta sobre o ser???
O ser interrogado pelo Ser é o Dasein (ser-aqui, ser-aí, ser-jogado, etc).
O homem é o Dasein, é o ente que foi interrogado pelo Ser, é o único que pode se perguntar. ---Primado ontológico.
Apenas interrogando o modo de ser do ser-aí (dasein) é que se pode descobrir o sentido do ser.
O modo de ser do ser-aqui (dasein) é a existência.
Por isso, a análise desse modo de ser será existencial.
Eu sou um Dasein, ele é um Dasein, tu és um Dasein. Nós, porém, não somos Dasein!!!
O Dasein é singular, nunca geral ou universal, é portanto, único.
Deste modo, a existência de cada Dasein constitui o fator mais importante da ontologia heideggeriana, pois aponta o número infinito de possibilidades de modos de ser do Dasein.
As possibilidades constituem o próprio ser do Dasein. Não são contingentes nem lógicas.
O Dasein pode escolher-se e conquistar-se ou pode perder-se (não se conquistar ou conquistar-se aparentemente).
A análise existencial cabe a cada Dasein singular, é condição de sua própria existência ser interrogado pelo ser, não há como fugir. Uma vez jogado... já era!
Cuidado: Esta análise deve ser feita pelo método fenomenológico. Em caso de hiperfraturação molímbica da consciência, chamar o Açougueiro!
Máxima da fenomenologia: “Apontar diretamente para as coisas.” O fenômeno de que fala a coisa não é aparência, mas uma manifestação, uma revelação daquilo que a coisa é no seu ser. É um abrir-se, é o manifestar-se do fenômeno da coisa, é a coisa própria! (ui!)
(quer dizer, para Kant, a coisa em si não pode ser conhecida... Kant não pode ver a coisa em si, apenas aquilo que lhe aparece da coisa, os dados da coisa -ou ele não quer ver a coisa em si? - Heidegger, porém, quer ver a coisa em si, ele afirma que a coisa se abriu totalmente para ele por meio do fenômeno, o que aparece para ele é a própria coisa, e ele está muito empolgado para descobrir seu gosto!)
Bate-rebate
1-Qual a estrutura fundamental da existência?
R: A Transcendência.
2-O que é Transcendência?
R: É superação, é ultrapassagem.
3-Qual é o fim para o qual o homem transcende?
R: O mundo.
4-Como poderíamos definir melhor a Transcendência?
R: Como um “estar-no-mundo”
5-O que é o mundo?
R: É a estrutura relacional que caracteriza a existência humana como transcendência
6-O que significa transcender para o mundo?
R: Fazer do próprio mundo o projeto das possíveis atitudes e ações do homem.
7-O que é liberdade?
R: É projetar, é o esboço que cada Dasein se propõe para transcender.
8-O homem é livre?
R: Sim e não!O homem é livre quando ultrapassa, quando supera, quando esboça seu mundo, sua existência, mas, fazendo isso, está já se limitando, pois tornar-se-á dependente deste esboço que fez.
9-O homem está condenado?
R: Não, pois ele está vivo (está jogado aí)
10- (irritado) Aí aonde?
Está jogado... Aí, no mundo das possibilidades, sempre ele poderá mais, ou seja, sempre haverá possibilidades diante dele.
11-O homem existe, isso eu entendi! O que é existir?
R: É estar aí, é ser Dasein.
12-O que é ser Dasein?
R: É estar obrigado a transcender, a estar jogado diante de possibilidades.
13-Qual é o modo de ser fundamental do próprio homem?
R: A compreensão de que ele está jogado diante destas possibilidades.
14- E os outros?
R: Que outros?
15-Ora, os outros daseins! Como fica a relação com os outros daseins, os outros homens jogados-aí?
Podemos dizer que a “substância” do homem é a sua existência, esta existência é constitutivamente uma abertura para o mundo e para os outros.
16- Isto significa que eu não posso viver sozinho no mundo ou ter um eu isolado?
R: Exatamente!
17- Se o homem está ligado constitutivamente aos outros, poderíamos dizer que ele é capaz de ser ético por si só?
R: Sim. Concluímos então que: não é possível um “sujeito sem mundo”, nem um “eu isolado”. Tudo está na relação. A morada do ser (ethos) é construída por meio da linguagem, que é própria do homem, do dasein.
A relação entre os homens (e também dos homens para com as coisas) é o de cuidar dos outros.
Existem duas formas de co-existir:
1- A co-existência inautêntica: em que um dasein tenta retirar os problemas do outro
2- A co-existência autêntica: em que um dasein abre ao outro a possibilidade de se encontrar e realizar seu próprio ser.
Existem também duas formas de compreensão existencial:
1- A autêntica: em que o homem parte de si mesmo para tanto;
2- A inautêntica: em que o homem depende dos demais, tudo o que os demais fazem, ele faz... “Maria vai com as outras”; nesta forma de compreensão existencial, o ser do dasein fica ocultado.
A Linguagem é, por natureza, a revelação do ser, por isso, um cara que tem uma existência inautêntica (Maria vai com as outras) se encaixa na frase: “Eu sou assim porque todos são assim”...
Um cara (dasein) desses é tão vazio que quer encher-se cada vez mais do novo, por isso a curiosidade é um outro caráter dominante dele, mas não a curiosidade sobre o ser das coisas, e sim sobre a aparência, por conseqüência, o equívoco.
Equívoco é a terceira distinção deste tipo de existência anônima (inautêntica).
-Heidegger, o que é dejecção?
R: É o movimento de um homem deixar de ser homem para ficar no nível das coisas no mundo, quando ele se transforma de homem em fato.
-Quando isso acontece?
R: Quando o homem vive de forma inautêntica, anônima.
-Isso é ruim? Quer dizer, isso é imoral?
R: Não se deve fazer juízos de valor. A existência inautêntica também faz parte do ser do homem. É como um movimento vertiginoso, um processo interno no homem. Mas que o homem deixa de ser homem pra ser apenas um fato, isso é verdadeiro mesmo... Conheço tantas pessoas assim...!
-O que fazemos com essas pessoas?
R: O mesmo que fazemos com as coisas, cuidamos delas para utilizá-las! (rsrsrs)
IMPORTANTE: Quando o homem vive uma existência inautêntica, ele vive diretamente em uma situação emotiva (Befindlichkeit). Sente-se abandonado a ser o que é de fato.
Ou seja, A situação emotiva diferencia-se da compreensão existencial na medida em que esta é um contínuo projetar-se para o futuro.
(A existência autêntica projeta-se, transcende / A existência inautência aceita a facticidade, contrai-se)
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O que Heidegger entende por:
A Existência Autêntica e o Viver Para a Morte
Para entender melhor, vamos por partes, cartesianamente, açougueiramente:
1- Há no homem a consciência.
2- Esta consciência não é clausura, é abertura
3- Esta consciência chama o homem para aquilo que ele é e não pode deixar de ser
4- Esta consciência pede a existência autêntica
Afinal: qual é o núcleo sólido, certo, insuperável para o qual a consciência chama o homem e no qual deve basear-se a sua existência autêntica?
Sem pressa!!!!
-A existência humana se constitui por possibilidades
-Nestas possibilidades projetamos e transcendemos
-Todo projetar-se ou transcender lança o homem ao mundo dos fatos novamente.
-O homem se projeta, transcende, mas depois cai e fica no nível de todos os demais entes do mundo (dejecção)
-(eterno retorno)
-Apesar de nossa existência ser constituída de inúmeras possibilidades, todas elas se nivelam, são indiferentes, posto que todo transcender joga o homem novamente no mundo (este mesmo é o fim da transcendência)
-Isso significa que na própria estrutura do ser está incluída uma “nulidade essencial”.
-Tudo o que o ser-aqui pode planejar a partir das suas possibilidades, reincidindo sobre o que já existe, é um projeto nulo ou um nada enquanto projeto.
"A nulidade existencial, afirma Heidegger, não tem de forma alguma o
carácter de privação ou de deficiência relativamente a um ideal que é proclamado mas que nunca se alcança. O que acontece é que o ser desta entidade é nulo anteriormente a tudo aquilo que pode planear ou alcançar, e já é nulo como mero planear"
-Quando a consciência chama o homem, chama para a forma última e mais radical do nada... A MORTE!
Entrevista com um nazista (rsrs.brincadeirinha!):
1-Heidegger, o que não é a morte?
R: A morte não é um ponto final, não é uma conclusão, não é o fim de sua existência. Não é um fato (pois se fosse estaríamos mortos).
2-O que é a morte?
R: É a possibilidade propriamente dita, porque diz respeito ao próprio ser do homem. É uma possibilidade incondicionada, porque pertence ao homem enquanto individualmente isolado.
3-Qual a diferença entre todas as possibilidades e esta possibilidade, a morte?
R: Todas as possibilidades jogam o homem diante de outras coisas, a morte joga o homem para si mesmo, torna-o uma possibilidade insuperável, é a extrema possibilidade de sua existência!
Apesar de não ser uma evidência necessária (apodítica), a morte se relaciona de uma maneira essencial com o aspecto autêntico da existência humana.
4-O que faz um homem diante da morte quando sua existência é inautêntica?
R: Foge... E considera a morte como um caso entre os muitos da vida de cada dia, oculta seu caráter de possibilidade imanente e procura esquecê-la, procura não pensar nela, entrega-se a preocupações quotidianas e corriqueiras.
5-O que faz um homem diante da morte para viver uma existência autêntica?
R:Ouve sua consciência.
6-O que sua consciência faz?
Sua consciência o chama para a morte, fá-lo sentir em dívida para com sua verdadeira natureza e o encaminha para uma decisão antecipadora que projeta a existência autêntica como um viver para a morte.
7-Devo praticar suicídio para ser autêntico?
R: Você, sim! Brincadeira, rsrsrs! Não!!! A morte deve ser entendida como uma pura ameaça suspensa sobre o homem.
8-Ah, entendi! Boa essa!(ri um pouco) A morte deve ser esperada?
R: Também não, a não ser que ela venha acompanhada de doces! rsrs! Outra brincadeirinha! Não deve ser esperada, pois quem espera a morte deseja que ela se realize, realizar a morte é o mesmo que um suicídio, ou seja, é a negação da morte como possibilidade de uma vida autêntica. (isso significa que vida e morte estão ligadas, para ter uma vida autêntica é preciso compreender que a morte é quem proporciona a autenticidade da vida)
9-Que diabos então significa “viver para a morte”?
R: Compreender a impossibilidade da existência!
10-O QUÊÊÊ?????!!! Quer dizer que existir é impossível????
R: ???!!! Nossa, pra que tudo isso?
11-Primeiro você diz uma coisa, depois você a refuta!
R: ... O que quero dizer é que a existência é essencialmente, radicalmente, impossível!!! O que é possível é a compreensão desta impossibilidade. Viver para a morte é exatamente esta compreensão da impossibilidade da existência, é precisamente isso o que torna a vida autêntica.
12-Vou fingir que entendi e te fazer outra pergunta: A angústia deve surgir neste momento, certo? (eu já estou angustiado só de pensar!)
R: rsrs. A angústia realmente surge desta “sacada”. Mas é ela quem “mantém aberta a contínua e radical ameaça que sai do ser mais íntimo e isolado do homem”. Com a angústia, o homem “sente-se em presença do nada, da impossibilidade de sua existência. Ela coloca o homem fundamentalmente cara-a-cara com o nada!
13-Cara, foda-se você. Acho que vou praticar suicídio e viver inautenticamente mesmo.
R: Não, espere um pouco! Deixe eu te explicar uma coisa.
14-Tudo bem, última chance!!
R: Na angústia, a totalidade da existência converte-se em algo transitório, acidental e fugidio, no qual o próprio nada revela também o significado autêntico da presença do homem no mundo: ESTA PRESENÇA SIGNIFICA MANTER-SE FIRME NO INTERIOR DO NADA! Entendeu?
15-Mais ou menos! Quer dizer, agora ficou melhor, mas ainda estou com uma ponta de
angústia, sabe? Por que vocês filósofos gostam tanto de provocar crises existenciais?
R: Por que, dizem, é mesmo esta a nossa única utilidade! hahahaha! De qualquer forma, você precisa saber que A REVELAÇÃO DO NADA NÃO É A NEGAÇÃO DO MUNDO.
16-UFA! Eu pensei que nada tivesse sentido algum. Pensei por um momento que é indiferente eu projetar algo para o futuro ou não, pois isto seria nulo.
R: Mas é indiferente mesmo, só que isso não é ruim, entende? Como já foi dito antes, não se deve fazer juízos de valor aqui.
Você foi jogada na existência, você está-aí na completa nulidade do ser, pois o nada é configuração estrutural do ser, mas é preciso superar isso, é preciso transcender e permanecer nesta mudança, neste devir, é preciso compreender esta impossibilidade e se manter firme no nada! E isto torna o homem autêntico em sua existência. Só isso!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Entretenimento!
Qual é a melhor forma de se divertir?
Para um tolo é fazer os outros rirem, mas para um espírito livre é fazer rir as suas próprias entranhas.
Por isso, na maior parte do tempo, estou rindo. Não é porque a vida é engraçada. A vida não é cômica! Rio, pois sei que a existência da humanidade é totalmente vazia de sentido, e que todos representamos papéis específicos na sociedade, mas que tudo é falso, tudo não passa de um grande divertimento.
Agora, minha atitude não é mais a de xingar o mundo, me revoltar contra a sociedade hipócrita e castrante ou arrancar meus cabelos.
Agora eu dou risada de tudo!
Quando vejo uma pessoa trabalhando duro, dando "ralo", obedecendo as normas da sociedade com tamanha dedicação... Não posso mais segurar o riso! É tão ridículo e cômico!
Todos nós estamos obrigados a seguir alguma norma para manter algum tipo de vínculo social... E só restou o riso e o entretenimento.
Pessoas sérias demais são cegas demais também. Observem os moralistas e verão quão sérios eles são!
Homens de idéias, de imaginação criativa e farta sempre se divertem.
Algumas pessoas (a grande maioria) afirma que eu sou louco porque rio sozinho.
E os psicólogos, como sempre, afirmam que rir é uma característica social do homem.
Eu discordo, pois rio o tempo todo. E minhas melhores gargalhadas ocorreram quando ninguém estava por perto!
O problema é: rir sozinho causa incômodo nos demais.
Se alguém vir você rindo sozinho enquanto anda na calçada... Nossa, que absurdo!
Se alguém vir você rindo com duas ou mais pessoas... Estão se divertindo!
Geralmente, alguma imagem absurdamente hilária e cômica passa na minha mente e eu começo a rir. Sempre aparece alguém que pergunta: "Do que você está rindo?"
Não adianta responder essa pergunta, porque a imagem se apresentou engraçada apenas para mim, e nisto consiste meu melhor entretenimento, quer dizer, quando uma coisa é engraçada apenas para mim e mais ninguém conseguirá decifrar o porquê!
Estou escrevendo isso porque gostaria que meus leitores descobrissem o prazer de rir de suas maiores ou piores maluquices; que riam de si mesmos da forma mais solitária possível, pois existem entretenimentos sociais maravilhosos, mas o entretenimento consigo mesmo é tão mais puro e refinado...
O prazer de saber coisas que ninguém poderá entender, porque só se manifestaram para você! O orgulho de ser único, de ser original, de criar e inventar o novo o tempo todo apenas com o intento de se dar um prazer!
Para um tolo é fazer os outros rirem, mas para um espírito livre é fazer rir as suas próprias entranhas.
Por isso, na maior parte do tempo, estou rindo. Não é porque a vida é engraçada. A vida não é cômica! Rio, pois sei que a existência da humanidade é totalmente vazia de sentido, e que todos representamos papéis específicos na sociedade, mas que tudo é falso, tudo não passa de um grande divertimento.
Agora, minha atitude não é mais a de xingar o mundo, me revoltar contra a sociedade hipócrita e castrante ou arrancar meus cabelos.
Agora eu dou risada de tudo!
Quando vejo uma pessoa trabalhando duro, dando "ralo", obedecendo as normas da sociedade com tamanha dedicação... Não posso mais segurar o riso! É tão ridículo e cômico!
Todos nós estamos obrigados a seguir alguma norma para manter algum tipo de vínculo social... E só restou o riso e o entretenimento.
Pessoas sérias demais são cegas demais também. Observem os moralistas e verão quão sérios eles são!
Homens de idéias, de imaginação criativa e farta sempre se divertem.
Algumas pessoas (a grande maioria) afirma que eu sou louco porque rio sozinho.
E os psicólogos, como sempre, afirmam que rir é uma característica social do homem.
Eu discordo, pois rio o tempo todo. E minhas melhores gargalhadas ocorreram quando ninguém estava por perto!
O problema é: rir sozinho causa incômodo nos demais.
Se alguém vir você rindo sozinho enquanto anda na calçada... Nossa, que absurdo!
Se alguém vir você rindo com duas ou mais pessoas... Estão se divertindo!
Geralmente, alguma imagem absurdamente hilária e cômica passa na minha mente e eu começo a rir. Sempre aparece alguém que pergunta: "Do que você está rindo?"
Não adianta responder essa pergunta, porque a imagem se apresentou engraçada apenas para mim, e nisto consiste meu melhor entretenimento, quer dizer, quando uma coisa é engraçada apenas para mim e mais ninguém conseguirá decifrar o porquê!
Estou escrevendo isso porque gostaria que meus leitores descobrissem o prazer de rir de suas maiores ou piores maluquices; que riam de si mesmos da forma mais solitária possível, pois existem entretenimentos sociais maravilhosos, mas o entretenimento consigo mesmo é tão mais puro e refinado...
O prazer de saber coisas que ninguém poderá entender, porque só se manifestaram para você! O orgulho de ser único, de ser original, de criar e inventar o novo o tempo todo apenas com o intento de se dar um prazer!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Um pouco de música diferente
O que vc acha de ouvir novos tipos de música?
Que tal ouvir Bartók? Conhece?
PARTE I:
PARTE II:
Béla Bartók (aos desavisados... era um homem, apesar de seu nome ser Bela!) nasceu em Nagyszentmiklós (Hungria), hoje Sannicolaul Mare (Romênia) em 25 de março de 1881. Aprendeu música e piano com a mãe, a partir dos cinco anos. Aos oito, perdeu o pai. Estabeleceu-se desde 1894 em Pozsony, atual Bratislava, centro cultural importante, onde fez estudos musicais regulares, embasamento técnico de sua atividade criativa.
Realizou, a partir de 1905, em companhia de seu amigo Zoltán Kodály, a pesquisa sistemática da música popular húngara, revelando-a completamente diversa da que se divulga como tal, ocidentalizada e desfigurada pelos músicos ciganos. Esse levantamento, sempre criterioso e objetivo, daria a matéria-prima fundamental de sua obra, particularmente de 1926 em diante, quando esta amadurece e adquire feição inteiramente original.
A sonoridade de sua música é bem diferente do que estamos acostumados, eu particularmente sou admirador fiel de Bartok. Conheci e toquei (e toco) algumas obras dele nas aulas com minha querida professora de piano, a Cidinha (que tb é fã dele)
Apreciem!
Mais informações, encontre em: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/bartok.htm
Que tal ouvir Bartók? Conhece?
PARTE I:
PARTE II:
Béla Bartók (aos desavisados... era um homem, apesar de seu nome ser Bela!) nasceu em Nagyszentmiklós (Hungria), hoje Sannicolaul Mare (Romênia) em 25 de março de 1881. Aprendeu música e piano com a mãe, a partir dos cinco anos. Aos oito, perdeu o pai. Estabeleceu-se desde 1894 em Pozsony, atual Bratislava, centro cultural importante, onde fez estudos musicais regulares, embasamento técnico de sua atividade criativa.
Realizou, a partir de 1905, em companhia de seu amigo Zoltán Kodály, a pesquisa sistemática da música popular húngara, revelando-a completamente diversa da que se divulga como tal, ocidentalizada e desfigurada pelos músicos ciganos. Esse levantamento, sempre criterioso e objetivo, daria a matéria-prima fundamental de sua obra, particularmente de 1926 em diante, quando esta amadurece e adquire feição inteiramente original.
A sonoridade de sua música é bem diferente do que estamos acostumados, eu particularmente sou admirador fiel de Bartok. Conheci e toquei (e toco) algumas obras dele nas aulas com minha querida professora de piano, a Cidinha (que tb é fã dele)
Apreciem!
Mais informações, encontre em: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/bartok.htm
Prelúdio para reflexões sobre ódio e indiferença...
(este texto é anterior àquele que publiquei sobre "reflexões sobre o ódio e a indiferença")
É engraçado o trajeto dos meus olhos quando estou em situações, no mínimo, constrangedoras. Pior é quando fico diante de algum ser que provoca azia.
Os olhos vão para cima, para baixo, vão para os lados e se encontram no centro, depois seguem perdidos em suas órbitas. Não é medo de encarar o sujeito. Seria compaixão inconsciente talvez?
Temo demonstrar com tal consistência o ódio crônico que se multiplica no fígado. Só que os olhos me denunciam todo o tempo.
Aí, o corpo todo começa a sofrer as consequências da lberação dos sucos gástricos e das substâncias que nos deixam alertas, prontos para socar a cara-de-cú-lavado de qualquer imbecil filho da puta.
Vez por outra, porém, um daqueles anjinhos renascentistas surgem na consciência pregando o amor: é, então, o momento clímax dos movimentos na alma. Um quase ataque epiléptico!
Os músculos se tencionam como ferro, estão preparados para apanhar... Mas também para tudo quebrar; a mão fica mais quente e a respiração ofegante.
Cerram-se os dentes e pratica-se bruxismo com tamanha força que quase se perfura a gengiva.
MAS... Quando se percebe que o inimigo é covarde, capaz de fugir a qualquer faísca de nossos punhos, melhor é sair e tomar um ar... Inimigos assim não valem a pena!
É engraçado o trajeto dos meus olhos quando estou em situações, no mínimo, constrangedoras. Pior é quando fico diante de algum ser que provoca azia.
Os olhos vão para cima, para baixo, vão para os lados e se encontram no centro, depois seguem perdidos em suas órbitas. Não é medo de encarar o sujeito. Seria compaixão inconsciente talvez?
Temo demonstrar com tal consistência o ódio crônico que se multiplica no fígado. Só que os olhos me denunciam todo o tempo.
Aí, o corpo todo começa a sofrer as consequências da lberação dos sucos gástricos e das substâncias que nos deixam alertas, prontos para socar a cara-de-cú-lavado de qualquer imbecil filho da puta.
Vez por outra, porém, um daqueles anjinhos renascentistas surgem na consciência pregando o amor: é, então, o momento clímax dos movimentos na alma. Um quase ataque epiléptico!
Os músculos se tencionam como ferro, estão preparados para apanhar... Mas também para tudo quebrar; a mão fica mais quente e a respiração ofegante.
Cerram-se os dentes e pratica-se bruxismo com tamanha força que quase se perfura a gengiva.
MAS... Quando se percebe que o inimigo é covarde, capaz de fugir a qualquer faísca de nossos punhos, melhor é sair e tomar um ar... Inimigos assim não valem a pena!
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Todo artista é hipócrita!
A música tem um pseudo-poder.
Tudo é aparência, seja verdadeiro, falso ou dialético.
E a aparência é. Ela simplesmente se apresenta diante de nós. O julgamento que fazemos sobre aquilo que nos aparece só acontece depois. O ser é aparência, a gente não conhece nada a não ser pela aparência.
Teve um episódio, no programa Fantástico, que várias pessoas foram entrevistadas e perguntaram: "O que importa mais pra você: aparência ou conteúdo?" Aí eu respondi bem alto na frente da televisão: "Não importa, tudo é aparência, quando aparecer o conteúdo de uma pessoa, isso não é aparência também?"
Essa discussão ridículo sobre aparência/conteúdo ou essência/aparência é um porre! Tudo o que é, tudo o que existe é muito semelhante a uma cebola cheia de casca em cima de outra casca. A gente chama conteúdo aquilo que ainda não se tornou aparência, mas uma hora o conteúdo aparece e deixa de ser conteúdo, agora é aparência, apareceu assim, na nossa cara!
Não entremos em pormenores, coisas deste tipo não merecem nosso desgaste ..
Hoje, como já faz parte da rotina, senti um desprezo tão grande pelas coisas - tédio.
Restou-me apenas a música.
Sentei ao piano, toquei uma música que pudesse me agradar... Senti uma leveza tão gostosa. Uma paz tranquila!
De fato, a arte, em geral, pode retirar o ser humano do tédio.
Mas apenas por um instante, e nisso constitui seu pseudo-poder. Nietzsche, o filósofo bigodudo, disse que: "
Nisto reside sua ação saudável . Ela nos retira da realidade por um momento, é um rapto, um arrebatamento sutil, uma violação apreciável. É uma forma de alienação, porém sem estragos consideráveis, pois a arte (no meu caso a música) logo que nos rapta, imediatamente nos abandona na existência concreta - pareça ela doce ou amarga aos olhos do sujeito.
É um conflito, um paradoxo e também uma solução, do mesmo modo que bebidas alcoólicas, já diria Homer Simpsom. Por raptar tão violentamente, e abandonar de modo semelhantemente abrupto, vicia!
E o vício da arte, da música, é bem pior que qualquer outra droga (sintética ou natural), exatamente porque seu efeito é curtíssimo. É necessário consumir com mais frequência, e em doses cada vez maiores. (talvez deste modo a gente consiga compreender o funk em volume máximo nos carros rebaixados, o sertanejo universitário que segue sempre os mesmos padrões musicais e outros estilos mais repetitivos... É! Isso explica várias coisas)
Por exemplo, se eu parar de tomar meus remédios contra insônia, o efeito colateral é uma insônia hiper-crônica!
Se eu começar a fumar dois cigarros por dia, daqui a uns dias meu organismo me pedirá quatro...
O livro judeu de provérbios "acerta o pulo" quando diz que a sanguessuga tem duas filhas: uma se chama Dá, a outra se chama Dá. (Provérbios 30:15)
É trágico, a música e a arte em geral constituem apenas um dos modos de lidar com o tédio, de superar a angústia de uma espécie que se auto-explora, que se auto-destrói e que não pode conhecer tudo.
Mas é nesse elemento trágico mesmo o lugar onde podemos encontrar a beleza, o Belo. E encarar a música dessa forma só me faz amá-la com mais intensidade.
NESTE ASPECTO, artistas são todos hipócritas (do grego: hupokrisis - que tem o sentido de atuar, de exercer um determinado papel, tem um significado artístico, entendam-me!) Nietzsche dizia que precisamos criar ilusões, porque ele sabia que o sentido da vida não é dado em forma de uma missão divina pessoal, o sentido da vida é algo modelável, precisa ser construído, mais precisamente precisa ser criado de forma artística. Não precisa ser músico, ator, pintor, bailarino ou seja lá o que for. Basta ser criativo, se permitir ser quem você é sem se preocupar com a opinião alheia, se lançar na vida de uma forma positiva, afirmativa, aceitando a tragédia, o drama, mas sem se abandonar em ausência de significado e niilismo.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Reflexões sobre o ódio e a indiferença...
(Eu considero este texto sério -mas pode ser que alguém não tenha as mesmas considerações -, entretanto, peço que leiam-no com cuidado e que se esforcem ao máximo para que não entendam coisas que não estão escritas aqui)
É incrível e extremamente impressionante a capacidade que o homem tem em desenvolver por diversas formas e graus os sentimentos mais pérfidos e insidiosos. Semelhantemente maravilhoso é o modo como podemos assimilar sentimentos alheios. Como somos influenciados pelas opiniões de outras pessoas.
Bom é que se ouça as opiniões, mas que se confira também a consistência delas. Quão interessante, então, pode ser confirmar a opinião de uma minoria (ou de uma maioria, isso não importa). Seria agradável se as opiniões sobre as quais se confirma a autenticidade fossem todas boas. Entretanto, na grande maioria das vezes é sempre ruim ou pior a constatação da realidade, e quando são boas não possuem verossimilhança.
Quando estas opiniões giram em torno de algum outro ser partícipe da espécie humana a surpresa é ainda maior, pois não há limites para o repulsivo, o ultrajante, o patético e o repugnante em descendentes de símios.
E, apesar de sermos todos humanos (animais apenas um pouco diferentes dos demais), deveríamos defender o direito natural ao ódio ou ao desprezo do nosso "próximo", pois ambos os sentimentos também podem ser encontrados facilmente na natureza.
A característica principal dos seres humanos é seu ser social, quer dizer, grande parte do que fazemos tem fundamento apenas por que estamos em sociedade, fazemos o que fazemos porque estamos diante do outro, poucas coisas são feitas por mera vontade individual. Neste sentido, a indiferença seria uma das poucas “atitudes” que poderiam ser consideradas, de certa forma, essencialmente individuais.
O ódio é um sentimento que necessita de um objeto odiável, ou seja, odiar implica ainda na existência do objeto que se odeia, isso pode ocorrer também, por exemplo, com um satanista que ainda pressupõe, apesar de odiá-lo, a existência de um cristo.
Já a indiferença/desprezo pressupõe um objeto apenas no início, pois é um sentimento de ação etérea, sutil, quase que uma inação em direção ao objeto desprezável (como filósofo, permito-me a invenção de palavras – ao menos encontrei uma utilidade em ser filósofo!) Depois da atitude indiferente estar completa, o objeto deixa de existir para o indiferente.
Infelizmente, quando não se consegue deixar de odiar, resta algumas opções não convencionais.
Se o ódio pressupõe a existência do objeto e o sentimento de indiferença o aniquila, o que seria mais indiferente do que a morte?
Portanto, se ainda o ódio domina o sujeito, bom seria dar cabo tanto do objeto material que se odeia(matéria...) quanto do sentimento ou objeto imaterial (forma... ).
Para um nórdico ou qualquer um que não foi contaminado pelo asceticismo do platonismo para o povo (quem lê e entende Nietzsche, entenda o que digo) – que nada mais é do que uma proliferação viral que contaminou todo o ocidente – poder-se-ia facilmente aniquilar ou eliminar o objeto odiável sem que surja culpa na consciência.
Parto da hipótese de que a culpa tenha sido inserida por domesticação asceta na consciência do sujeito. Por este motivo, não aconselharia tal atitude extrema a qualquer pessoa, e se alguém insistir na ação de desfazer-se de uma vez por todas do objeto que se odeia, bom é que se prepare com muita antecedência, pensando em todas as possibilidades, nas piores delas, pois já sabemos empiricamente que tudo tende ao pior... Principalmente quando se trata de ouvir a voz dos instintos mais baixos (e que são os mais fortes, por terem sido tão bem acorrentados pela moral decadente.)
Se se conseguir afastar toda a culpa, se se conseguir tripudiar a polícia e outros mecanismos de controle social, não haverá ninguém mais que condene o sujeito, pois matar é uma atitude inscrita em todas as espécies vivas no universo.
Depois de se mover de tal forma, a parte mais complicada será exterminar o objeto imaterial, isto é, livrar-se da presença eidética/mimética. Isto não será possível literalmente, pois outra característica humana é que nossa memória não é seletiva. Quando digo que se deve exterminar o objeto odiável, não quero dizer que o sujeito se livrará da imagem dele, mas que deverá adotar uma atitude de indiferença, deve-se mostrar tranqüilo quando ela se apresentar à mente, exatamente por que não existe mais materialmente, agora é apenas mais uma das várias ilusões que criamos, não pode mais exercer influência concreta. Isto se chama indiferença, não se movimenta mais por algo que não pode provocar influência concreta.
Sujeitos psicologicamente fracos e dependentes não podem e não possuem capacidade para tanto. E nisto se configura a consciência decadente de um seguidor do platonismo popular, a saber, que a simples imagem representativa, apenas a imagem mental das coisas já é suficiente para atormentar-lhe.
E é exatamente por este motivo que se torna tão dificultoso encontrar pessoas que tenham capacidade de livrar-se do ódio; pessoas que odeiam demais apenas estão dizendo que não podem livrar-se do daquilo que odeiam, que não têm força suficiente para tornarem-se indiferentes...
A indiferença é para humanos superiores, fortes, potencialmente fortes. Aqui se encontra, talvez, a raiz do ubermansch!
Entristeço-me, porém, de tal modo por ter de reconhecer que fui tão bem domesticado por esta sociedade, a ponto de perder a coragem de desfazer-me de objetos tão organicamente desprezíveis (sim, me refiro a humanos)
Isto explica muitas coisas!
É incrível e extremamente impressionante a capacidade que o homem tem em desenvolver por diversas formas e graus os sentimentos mais pérfidos e insidiosos. Semelhantemente maravilhoso é o modo como podemos assimilar sentimentos alheios. Como somos influenciados pelas opiniões de outras pessoas.
Bom é que se ouça as opiniões, mas que se confira também a consistência delas. Quão interessante, então, pode ser confirmar a opinião de uma minoria (ou de uma maioria, isso não importa). Seria agradável se as opiniões sobre as quais se confirma a autenticidade fossem todas boas. Entretanto, na grande maioria das vezes é sempre ruim ou pior a constatação da realidade, e quando são boas não possuem verossimilhança.
Quando estas opiniões giram em torno de algum outro ser partícipe da espécie humana a surpresa é ainda maior, pois não há limites para o repulsivo, o ultrajante, o patético e o repugnante em descendentes de símios.
E, apesar de sermos todos humanos (animais apenas um pouco diferentes dos demais), deveríamos defender o direito natural ao ódio ou ao desprezo do nosso "próximo", pois ambos os sentimentos também podem ser encontrados facilmente na natureza.
A característica principal dos seres humanos é seu ser social, quer dizer, grande parte do que fazemos tem fundamento apenas por que estamos em sociedade, fazemos o que fazemos porque estamos diante do outro, poucas coisas são feitas por mera vontade individual. Neste sentido, a indiferença seria uma das poucas “atitudes” que poderiam ser consideradas, de certa forma, essencialmente individuais.
O ódio é um sentimento que necessita de um objeto odiável, ou seja, odiar implica ainda na existência do objeto que se odeia, isso pode ocorrer também, por exemplo, com um satanista que ainda pressupõe, apesar de odiá-lo, a existência de um cristo.
Já a indiferença/desprezo pressupõe um objeto apenas no início, pois é um sentimento de ação etérea, sutil, quase que uma inação em direção ao objeto desprezável (como filósofo, permito-me a invenção de palavras – ao menos encontrei uma utilidade em ser filósofo!) Depois da atitude indiferente estar completa, o objeto deixa de existir para o indiferente.
Infelizmente, quando não se consegue deixar de odiar, resta algumas opções não convencionais.
Se o ódio pressupõe a existência do objeto e o sentimento de indiferença o aniquila, o que seria mais indiferente do que a morte?
Portanto, se ainda o ódio domina o sujeito, bom seria dar cabo tanto do objeto material que se odeia(matéria...) quanto do sentimento ou objeto imaterial (forma... ).
Para um nórdico ou qualquer um que não foi contaminado pelo asceticismo do platonismo para o povo (quem lê e entende Nietzsche, entenda o que digo) – que nada mais é do que uma proliferação viral que contaminou todo o ocidente – poder-se-ia facilmente aniquilar ou eliminar o objeto odiável sem que surja culpa na consciência.
Parto da hipótese de que a culpa tenha sido inserida por domesticação asceta na consciência do sujeito. Por este motivo, não aconselharia tal atitude extrema a qualquer pessoa, e se alguém insistir na ação de desfazer-se de uma vez por todas do objeto que se odeia, bom é que se prepare com muita antecedência, pensando em todas as possibilidades, nas piores delas, pois já sabemos empiricamente que tudo tende ao pior... Principalmente quando se trata de ouvir a voz dos instintos mais baixos (e que são os mais fortes, por terem sido tão bem acorrentados pela moral decadente.)
Se se conseguir afastar toda a culpa, se se conseguir tripudiar a polícia e outros mecanismos de controle social, não haverá ninguém mais que condene o sujeito, pois matar é uma atitude inscrita em todas as espécies vivas no universo.
Depois de se mover de tal forma, a parte mais complicada será exterminar o objeto imaterial, isto é, livrar-se da presença eidética/mimética. Isto não será possível literalmente, pois outra característica humana é que nossa memória não é seletiva. Quando digo que se deve exterminar o objeto odiável, não quero dizer que o sujeito se livrará da imagem dele, mas que deverá adotar uma atitude de indiferença, deve-se mostrar tranqüilo quando ela se apresentar à mente, exatamente por que não existe mais materialmente, agora é apenas mais uma das várias ilusões que criamos, não pode mais exercer influência concreta. Isto se chama indiferença, não se movimenta mais por algo que não pode provocar influência concreta.
Sujeitos psicologicamente fracos e dependentes não podem e não possuem capacidade para tanto. E nisto se configura a consciência decadente de um seguidor do platonismo popular, a saber, que a simples imagem representativa, apenas a imagem mental das coisas já é suficiente para atormentar-lhe.
E é exatamente por este motivo que se torna tão dificultoso encontrar pessoas que tenham capacidade de livrar-se do ódio; pessoas que odeiam demais apenas estão dizendo que não podem livrar-se do daquilo que odeiam, que não têm força suficiente para tornarem-se indiferentes...
A indiferença é para humanos superiores, fortes, potencialmente fortes. Aqui se encontra, talvez, a raiz do ubermansch!
Entristeço-me, porém, de tal modo por ter de reconhecer que fui tão bem domesticado por esta sociedade, a ponto de perder a coragem de desfazer-me de objetos tão organicamente desprezíveis (sim, me refiro a humanos)
Isto explica muitas coisas!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A humanidade faz caminhada?
A Humanidade está correndo pelas ruas e se depara com um filósofozinho:
-Bom Dia, Humanidade! Como vai?
-Com as pernas, panaca!
-Ah, sim! E como você está?
-Estou péssima!
-Sim, eu posso sentir sua dor!
-Pode? Como é possível você sentir minha dor?
-Oras, por que sou humano, faço parte de você!
-Quem te disse essa asneira, posso saber?
-Oras, todos! “Eu posso sentir as dores da humanidade” e coisas deste tipo... Sabe?
-(sorrindo sarcasticamente) Estou por dentro deste tipo de assunto!
-Você gosta de filosofia?
-Se eu gosto? Eu adoro! Aliás, devo tudo aos filósofos. Que seria eu, a Humanidade, se não fossem todos os filósofos? Diga!
-Não sei, diga-me você, estou começando a ficar confuso.
-Isso é normal quando se está diante de um universal.
-Um o quê?
-Um universal, seu burro! Humanidade, Amor, Sociedade... São todos ‘universais’.
-Ah, sim, claro! Entendi! São conceitos universais que unificam as partes semelhantes etc. Certo?
-De certa forma, sim!
-Me diga, Humanidade, você existe mesmo ou é apenas um conceito utilizado para que nós possamos obter conhecimento?
-Olha, eu estou fazendo caminhada agora... E essa pergunta tem sido discutida há muito tempo, talvez outra hora eu te responda. Por agora preciso cuidar de minha saúde.
-Tudo bem... Eu já estava meio decepcionado mesmo!
-Como assim? Decepcionado por qual motivo?
-Decepcionado com a Humanidade, com você. O caminho que você esta tomando, para onde você está indo, Humanidade? É deplorável o que está acontecendo com você! Guerras, fome, preconceito, ódio! O que você tem?
-Eu estou indo para a academia. Antes, porém, eu gosto de fazer uma caminhada para chegar lá aquecida. E que papo é esse de guerra, fome, morte? Eu não fiz nada!
-Como não? Você não ouviu nos noticiários? “A Humanidade está perdida!”; ou os pregadores: “A Humanidade está indo de mal a pior!” ...
-Nossa, que absurdo! Difamação! Falso testemunho! Eu não estou perdida coisíssima nenhuma! E não estou indo de mal a pior! Veja como eu sou saudável, forte e bem cuidada!
-Estranho, sua aparência é agradável mesmo!
-Pois, então! Vou jogar vocês todos “no pau”, vou processar por difamação e vou ganhar às vossas custas... Isso é perda por danos morais, viu?
-Fique calma, Humanidade! Não precisa se estressar! (...) Espera aí! Você estudou direito ou coisa assim?
-Oh! Como pode duvidar de minha inteligência!? Se eu sou “a” Humanidade, eu tenho conhecimento total d”a” humanidade, não é?
-Seria incoerente o contrário... Desculpe!
-Tudo bem, está desculpado!
-Bom, eu não vou mais te incomodar, você já tem problemas demais, não?
-Claro! Tenho que buscar minha filha na escola, fazer o almoço pro marido, lavar roupa. Sabe como é, né?
-Não! Você tem marido, filha? Lava, passa e cozinha?
-Cara, na boa... Você está começando a ser desagradável! O que você quer saber mais? Só falta você me perguntar qual minha idade!
-Sim, como não? Qual sua idade!?
A Humanidade enfezou-se, pegou uma arma e matou o humano questionador! Afinal... o que é a parte diante do todo?
(Ah, sim, só para que as pessoas que lerem este texto interpretem-no corretamente: eu tentei fazer uma ironia com a questão dos universais... um dos 'problemas' filosóficos mais antigos, que só perde para o dos dualismos: movimento-inércia; bem-mal;vômito-fezes...)
-Bom Dia, Humanidade! Como vai?
-Com as pernas, panaca!
-Ah, sim! E como você está?
-Estou péssima!
-Sim, eu posso sentir sua dor!
-Pode? Como é possível você sentir minha dor?
-Oras, por que sou humano, faço parte de você!
-Quem te disse essa asneira, posso saber?
-Oras, todos! “Eu posso sentir as dores da humanidade” e coisas deste tipo... Sabe?
-(sorrindo sarcasticamente) Estou por dentro deste tipo de assunto!
-Você gosta de filosofia?
-Se eu gosto? Eu adoro! Aliás, devo tudo aos filósofos. Que seria eu, a Humanidade, se não fossem todos os filósofos? Diga!
-Não sei, diga-me você, estou começando a ficar confuso.
-Isso é normal quando se está diante de um universal.
-Um o quê?
-Um universal, seu burro! Humanidade, Amor, Sociedade... São todos ‘universais’.
-Ah, sim, claro! Entendi! São conceitos universais que unificam as partes semelhantes etc. Certo?
-De certa forma, sim!
-Me diga, Humanidade, você existe mesmo ou é apenas um conceito utilizado para que nós possamos obter conhecimento?
-Olha, eu estou fazendo caminhada agora... E essa pergunta tem sido discutida há muito tempo, talvez outra hora eu te responda. Por agora preciso cuidar de minha saúde.
-Tudo bem... Eu já estava meio decepcionado mesmo!
-Como assim? Decepcionado por qual motivo?
-Decepcionado com a Humanidade, com você. O caminho que você esta tomando, para onde você está indo, Humanidade? É deplorável o que está acontecendo com você! Guerras, fome, preconceito, ódio! O que você tem?
-Eu estou indo para a academia. Antes, porém, eu gosto de fazer uma caminhada para chegar lá aquecida. E que papo é esse de guerra, fome, morte? Eu não fiz nada!
-Como não? Você não ouviu nos noticiários? “A Humanidade está perdida!”; ou os pregadores: “A Humanidade está indo de mal a pior!” ...
-Nossa, que absurdo! Difamação! Falso testemunho! Eu não estou perdida coisíssima nenhuma! E não estou indo de mal a pior! Veja como eu sou saudável, forte e bem cuidada!
-Estranho, sua aparência é agradável mesmo!
-Pois, então! Vou jogar vocês todos “no pau”, vou processar por difamação e vou ganhar às vossas custas... Isso é perda por danos morais, viu?
-Fique calma, Humanidade! Não precisa se estressar! (...) Espera aí! Você estudou direito ou coisa assim?
-Oh! Como pode duvidar de minha inteligência!? Se eu sou “a” Humanidade, eu tenho conhecimento total d”a” humanidade, não é?
-Seria incoerente o contrário... Desculpe!
-Tudo bem, está desculpado!
-Bom, eu não vou mais te incomodar, você já tem problemas demais, não?
-Claro! Tenho que buscar minha filha na escola, fazer o almoço pro marido, lavar roupa. Sabe como é, né?
-Não! Você tem marido, filha? Lava, passa e cozinha?
-Cara, na boa... Você está começando a ser desagradável! O que você quer saber mais? Só falta você me perguntar qual minha idade!
-Sim, como não? Qual sua idade!?
A Humanidade enfezou-se, pegou uma arma e matou o humano questionador! Afinal... o que é a parte diante do todo?
(Ah, sim, só para que as pessoas que lerem este texto interpretem-no corretamente: eu tentei fazer uma ironia com a questão dos universais... um dos 'problemas' filosóficos mais antigos, que só perde para o dos dualismos: movimento-inércia; bem-mal;vômito-fezes...)
sábado, 7 de agosto de 2010
Curtas reflexões sobre o tédio
06.08.2010
12h56m
Algumas horas de sono são suficientes para destruir todo o ânimo existente, e como é interessante o modo como nossas emoções se transformam quando comemos alimentos gordurosos, bebemos ou fumamos. Todo o corpo se modifica. Não quero dizer que se deve manter uma vida saudável sempre, o mal é bom e o bom é mal... Não há muito sentido em manter saudável um corpo que tem por destino a putrefação. Mas também não existe motivo para não se cuidar enquanto houver vida. Cada qual sabe bem o que faz consigo.
Dentro de mim agora se pode ouvir um barulho de violência digestiva e uma linha melódica hipnótica que está me deixando nauseado. É paz! Mas não é uma paz como todos estão acostumados a entender, é um sentimento que beira niilismo, mas que não é totalmente nadificante; uma sensação de onda: quando ela vem traz coisas do mar e leva coisas da areia e tudo é dialético!
O sol está bem forte hoje, irritantemente claro e o frio está arrogantemente grande. Mas talvez seja eu o irritado e o arrogante aqui. Talvez!
Eu fico tão transtornado com o fato de não poder conseguir dormir como pessoas normais... É tão monótono ser diferente! Por outro lado, é tão ridículo ser normal...
Hoje eu consegui experimentar e entender no âmago o que é desejar o nada, o não-ser, as coisas que não se almejam, pois eu quero o nada, quero Hipnos, irmão gêmeo de Tânatos! Luto por adquirir o esquecimento, quero longe de mim a memória e a lembrança. Ser um homo sapiens cansa, tudo o que você faz é pensar, ter sapiência, conhecer, descobrir, duvidar, responder e perguntar novamente. O movimento é intenso na roda da vida, e apesar de ser movimento é um movimento de rotação, de dançar ao redor de si mesmo, de girar feito carrossel, em torno de si mesmo... O que, no fundo, não deixa de ser uma estaticidade absurda, uma inércia completa e idiota. Uma perfeita tragicomédia!
Felicidade, alegria, paz, amor... Quem precisa disso quando se tem o tédio? E, no fim, felicidade demais, alegria demais, paz demais, amor demais são todas as criaturas geradas e geradoras do tédio!
Isso! Exatamente! Concordai entre vós! Realmente, o desejo, o sonho, o objetivo... Lutar por um objetivo nos retira do tédio! E vós ainda acreditais que é São Pedro quem envia as chuvas? Desejar sempre é tédio certeiro, conquistar é apenas um passo para se entediar. De resto, todo o resto é tédio, monotonia e morbidez apática!
Tudo é movimento, disse Heráclito! Hoje eu estou vendo de forma diferente: Tudo é tédio, até mesmo o movimento!
12h56m
Algumas horas de sono são suficientes para destruir todo o ânimo existente, e como é interessante o modo como nossas emoções se transformam quando comemos alimentos gordurosos, bebemos ou fumamos. Todo o corpo se modifica. Não quero dizer que se deve manter uma vida saudável sempre, o mal é bom e o bom é mal... Não há muito sentido em manter saudável um corpo que tem por destino a putrefação. Mas também não existe motivo para não se cuidar enquanto houver vida. Cada qual sabe bem o que faz consigo.
Dentro de mim agora se pode ouvir um barulho de violência digestiva e uma linha melódica hipnótica que está me deixando nauseado. É paz! Mas não é uma paz como todos estão acostumados a entender, é um sentimento que beira niilismo, mas que não é totalmente nadificante; uma sensação de onda: quando ela vem traz coisas do mar e leva coisas da areia e tudo é dialético!
O sol está bem forte hoje, irritantemente claro e o frio está arrogantemente grande. Mas talvez seja eu o irritado e o arrogante aqui. Talvez!
Eu fico tão transtornado com o fato de não poder conseguir dormir como pessoas normais... É tão monótono ser diferente! Por outro lado, é tão ridículo ser normal...
Hoje eu consegui experimentar e entender no âmago o que é desejar o nada, o não-ser, as coisas que não se almejam, pois eu quero o nada, quero Hipnos, irmão gêmeo de Tânatos! Luto por adquirir o esquecimento, quero longe de mim a memória e a lembrança. Ser um homo sapiens cansa, tudo o que você faz é pensar, ter sapiência, conhecer, descobrir, duvidar, responder e perguntar novamente. O movimento é intenso na roda da vida, e apesar de ser movimento é um movimento de rotação, de dançar ao redor de si mesmo, de girar feito carrossel, em torno de si mesmo... O que, no fundo, não deixa de ser uma estaticidade absurda, uma inércia completa e idiota. Uma perfeita tragicomédia!
Felicidade, alegria, paz, amor... Quem precisa disso quando se tem o tédio? E, no fim, felicidade demais, alegria demais, paz demais, amor demais são todas as criaturas geradas e geradoras do tédio!
Isso! Exatamente! Concordai entre vós! Realmente, o desejo, o sonho, o objetivo... Lutar por um objetivo nos retira do tédio! E vós ainda acreditais que é São Pedro quem envia as chuvas? Desejar sempre é tédio certeiro, conquistar é apenas um passo para se entediar. De resto, todo o resto é tédio, monotonia e morbidez apática!
Tudo é movimento, disse Heráclito! Hoje eu estou vendo de forma diferente: Tudo é tédio, até mesmo o movimento!
domingo, 25 de julho de 2010
Tendências...

Cheguei a uma conclusão. E apesar de estar em um mundo de tantas incertezas foram estas incertezas mesmo que me levaram a tal conclusão:
Tudo tende à destruição e ao caos.
Mesmo um feto, depois de se transformar em uma bela criança humana... Logo nasce e já está fadada a morrer.
Pode ser daqui a 70 anos ou um pouco mais, depois de quinze minutos ou antes mesmo de sair do ventre de sua mãe.
Lance uma pedra para qualquer lado que você quiser e certamente ela irá se chocar a algum vidro de janela. Cave um buraco e você mesmo cairá nele, construa uma ponte... o rio a destruirá.
Estamos todos jogados na existência, todos nós viajamos num percurso altamente perigoso do qual nunca se sobrevive.
Não, hoje não quero escrever para otimistas, pois sinceramente, nesta minha conclusão não há espaço para otimismo.
Pensando bem, talvez haja algo de belo, de otimismo não.
Assim como é bela uma tempestade, apesar de catastrófica; assim como é magnífico um tornado, meteoros, vulcões e toda espécie de fenômenos violentos da natureza... São coisas tão belas e muito pouco otimistas.

Algum moralista diz: “Mas a tempestade de ventos carregam sementes que irão germinar novas plantas; os vulcões foram responsáveis pela formação do nosso planeta; tudo o que ocorre tem um propósito.”

E eu concordo de modo diverso: “Sim, há propósito em todas estas coisas: a autodestruição, o caos e a morte!”
quarta-feira, 7 de julho de 2010
TANTO FAZ!
Saudações, terráquios!
Cada vez mais eu me convenço de que: tanto faz!
Deus existe ou não? Eu sou irracionalista, pessimista ou existencialista?
Você é evangélico, católico ou pagão?
Gosta de música clássica, rock, contemporânea ou funk?
Para cima ou para baixo? Azul ou vermelho?
TANTO FAZ! Dá tudo na mesma merda!
Eu nasço, eu vivo, eu morro!
Todos estão fadados a este tédio!
O que resta a cada um é fazer o que tem que ser feito... E aí tenho que concordar em gênero, número e grau com um dos poucos escritores da bíblia que leio e releio sempre:
"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol." Eclesiastes 2: 1-11
Eu, sinceramente, não acredito na Bíblia como se ela fosse um livro sagrado onde um Ser Poderoso pudesse se revelar (e essa é uma opinião minha, respeito o direito de cada um a terem suas próprias crenças), mas, depois de ter lido ela inteira por três vezes, e por sempre reler algumas coisas (assim como releio sempre que posso o livro Anticristo, de Friederich Nietzsche!), tenho que reconhecer que o livro de Eclesiastes é de uma sabedoria imensa!
A única coisa extramamente repulsiva que eu encontro neste belo livro é este ódio sacerdotal contra a vida (próprio de pessoas que vivem nos becos escuros)!
Concordamos todos com você, Salomão: "A vida não faz sentido algum, tudo é vaidade e aflição de espírito! Mas nem por isso a vida deixa de ser bela e digna de ser experimentada."
A vida passa a ser mais degustável ainda quanto menor é nossa expectativa de vida. Quanto mais próximos da morte, mais valor damos a ela. Quanto maior a futilidade da vida, quanto maior sua fugacidade, sua transitoriedade, maior é sua intensidade, mais bela fica!
E se não houver nada depois da morte (o que eu acho bem possível...), este é um motivo ainda maior para valorizar a vida, ao contrário do que os niilistas (Dostoievsky, infelizmente, também é um deles)dizem por aí!
Apesar do TANTO FAZ! Eu continuo gostando de viver esta vida, esta existência de TANTO FAZ, porque TANTO FAZ é um leque imenso de possibilidades de TANTOS FAZERES!
Cada vez mais eu me convenço de que: tanto faz!
Deus existe ou não? Eu sou irracionalista, pessimista ou existencialista?
Você é evangélico, católico ou pagão?
Gosta de música clássica, rock, contemporânea ou funk?
Para cima ou para baixo? Azul ou vermelho?
TANTO FAZ! Dá tudo na mesma merda!
Eu nasço, eu vivo, eu morro!
Todos estão fadados a este tédio!
O que resta a cada um é fazer o que tem que ser feito... E aí tenho que concordar em gênero, número e grau com um dos poucos escritores da bíblia que leio e releio sempre:
"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol." Eclesiastes 2: 1-11
Eu, sinceramente, não acredito na Bíblia como se ela fosse um livro sagrado onde um Ser Poderoso pudesse se revelar (e essa é uma opinião minha, respeito o direito de cada um a terem suas próprias crenças), mas, depois de ter lido ela inteira por três vezes, e por sempre reler algumas coisas (assim como releio sempre que posso o livro Anticristo, de Friederich Nietzsche!), tenho que reconhecer que o livro de Eclesiastes é de uma sabedoria imensa!
A única coisa extramamente repulsiva que eu encontro neste belo livro é este ódio sacerdotal contra a vida (próprio de pessoas que vivem nos becos escuros)!
Concordamos todos com você, Salomão: "A vida não faz sentido algum, tudo é vaidade e aflição de espírito! Mas nem por isso a vida deixa de ser bela e digna de ser experimentada."
A vida passa a ser mais degustável ainda quanto menor é nossa expectativa de vida. Quanto mais próximos da morte, mais valor damos a ela. Quanto maior a futilidade da vida, quanto maior sua fugacidade, sua transitoriedade, maior é sua intensidade, mais bela fica!
E se não houver nada depois da morte (o que eu acho bem possível...), este é um motivo ainda maior para valorizar a vida, ao contrário do que os niilistas (Dostoievsky, infelizmente, também é um deles)dizem por aí!
Apesar do TANTO FAZ! Eu continuo gostando de viver esta vida, esta existência de TANTO FAZ, porque TANTO FAZ é um leque imenso de possibilidades de TANTOS FAZERES!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Morre José Saramago!

O que podemos fazer a não ser lamentar a morte deste grandioso gênio da literatura. Esta criatura ousada que desafiou a podridão das religiões, que nos encantou com histórias tão bem escritas, que nos abriu os olhos para a beleza da língua portuguesa?
Hoje, dia 18 de junho de 2010, o mundo perde José Saramago. Um daqueles poucos escritores que conseguem unir pessimismo e bom humor.
Não teremos novos livros de Saramago, mas ainda temos Caim, o Evangelho de Jesus e As Intermitências da Morte...
Claro, quem leu o livro A Cabana, por exemplo, jamais deverá ler alguma obra de José Saramago, seria o mesmo que colocar ácido em ferida aberta!
Quem leu "O Segredo" ou "Crepúsculo", então, não deveria sequer tocar em algum livro dele... Seria muito perigoso! rs
Aos corajosos, porém, avante! Deliciem-se de Saramago em livros, pois agora já o não temos entre nós! A morte veio buscá-lo e só nos resta uma tristeza a mais!
OBS: Antes de dizer algo parecido com: "Vai com deus, Saramago", pense bem! Acho que deus não é digno de ir com ele!
domingo, 13 de junho de 2010
EU TENHO RAZÃO!? TENHO? NÃO! NÃO! NÃO?
Sabe quando você sente vontade de comer alguma coisa gostosa!? Sei lá, um bife, um chocolate ou um tomate geneticamente modificado? Então, hoje eu fiquei sem sono e tive um desejo tão grande por morder as unhas do dedinho do meu pé, que pensei seriamente na possibilidade de me torturar me obrigando a arrancar os pelos do meu axilas!
Não sei, é uma sensação de quase-morte... Parecido quando você toma cerveja aos litros!
Eu sei que você já passou por isso! Já né? Não!? Foda-se! Eu não estou interessado em saber mesmo.
Quando o Ser se revolve em si mesmo logo poderá se tornar outro por meio da negação da negação, ou seja, a televisão se ouve no rádio, e todas as estrelas do céu se jogam no mar vermelho!
E o cachorro? Bom, aí é diferente, pois ele não gosta de balançar o rabinho quando está triste! De fato, ele chora bem alto, tão alto quanto as maiores montanhas de Marte.
É interessante como, falando em planeta, a girafa cruza com as árvores nas religiões africanas do sul, muito mais ainda quando isso ocorre mais para o sul, perto dos jogos olímpicos da copa atlética.
Fico aqui pensando, então, será que eu posso fazer um gato cair de costas? Será possível assistir o Faustão sem cometer suicídio? Não, NÃO É POSSÍVEL! E isso é bem evidente quando nós estamos diante de um frango assado recheado de Chavez, sabe aquele que mora dentro de um barril? ... Passa sempre no SBT. Putz! Assaltaram meu vizinho! Será que quebraram a descarga do banheiro deles?
-Ei, você aí, me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí que eu vou comprar uma passagem para um exoplaneta!
Não sei, é uma sensação de quase-morte... Parecido quando você toma cerveja aos litros!
Eu sei que você já passou por isso! Já né? Não!? Foda-se! Eu não estou interessado em saber mesmo.
Quando o Ser se revolve em si mesmo logo poderá se tornar outro por meio da negação da negação, ou seja, a televisão se ouve no rádio, e todas as estrelas do céu se jogam no mar vermelho!
E o cachorro? Bom, aí é diferente, pois ele não gosta de balançar o rabinho quando está triste! De fato, ele chora bem alto, tão alto quanto as maiores montanhas de Marte.
É interessante como, falando em planeta, a girafa cruza com as árvores nas religiões africanas do sul, muito mais ainda quando isso ocorre mais para o sul, perto dos jogos olímpicos da copa atlética.
Fico aqui pensando, então, será que eu posso fazer um gato cair de costas? Será possível assistir o Faustão sem cometer suicídio? Não, NÃO É POSSÍVEL! E isso é bem evidente quando nós estamos diante de um frango assado recheado de Chavez, sabe aquele que mora dentro de um barril? ... Passa sempre no SBT. Putz! Assaltaram meu vizinho! Será que quebraram a descarga do banheiro deles?
-Ei, você aí, me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí que eu vou comprar uma passagem para um exoplaneta!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Antropologia: Ousar para reinventar a humanidade
Acabei de fazer a leitura de um livro que é muito bom como introdução à matéria de Antropologia Filosófica. E como o objetivo principal deste blog é que eu apresente minhas leituras etc, resolvi colocar aqui um dos textos que fiz sobre Antropologia Filosófica.
Pra quem tiver interesse em se introduzir a leituras filosóficas este livro é muito interessante.
Aqui está a citação:
ARDUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2009.
Fiz um breve comentário sobre a obra (com umas pequenas críticas apenas).
Préfacil:
Depois de ter lido o livro de Juvenal Arduini é bom tomar suco de limão sem açucar. Notavelmente é uma leitura agradável de se fazer, simples. Este simples é o simples que alguns alemães deveriam buscar (se bem que os alemães não estão nem aí pro leitor, se você não os entender... a impressão que fica é que eles dizem um "foda-se" escarrado!
Podemos sintetizar todo o livro em algumas noções básicas:
-A reflexão do autor gira em torno de uma luta constante em favor da abertura do pensar antropológico;
-A grande parte de suas críticas se direcionam aos opressores do homem: uma sociedade manipuladora, um sistema coisificante, modos de ver unidimensionais e fragmentários etc.;
-Quem lê o livro intui (deduz, antevê, use a palavra que quiser) uma inquietação na "medula" do autor, um inconformismo, um desprazer em relação ao presente, ou como ele mesmo fala: "um pessimismo otimista" (ARDUINI, 2009, p. 65-67).
-Este pessimismo otimista do autor é a mola propulsora de sua obra, aquilo que lhe dá audácia para dizer que: é preciso reinventar o humano.
Espero que tenha conseguido sugerir alguns dos principais elementos (os que mais se destacaram para mim durante a leitura) deste livro.
O modo como Juvenal Arduini apresenta os conceitos é perfeitamente compreensível, claro e distino! Dá auxílio a leitores que possuam certa dificuldade de abstração, mas não chega a pecar por didatismo ou pedagogismo.
Não posso omitir que pra quem acabou de ler um Hegel (Fenomenologia do espírito)um Kant (Crítica da Razão Pura) ou um Sartre (O Ser e o Nada) a sensação é de estar lendo qualquer boa obra de literatura. (Isso não é ruim, pois precisamos de leituras menos densas vez por outra). O pensamento deste autor se revela tão profundo quanto uma obra literária, há muito que se estudar nele.
O pessimismo otimista de arduini está mais para um impulso revolucionário que vocifera contra as opressões humanas que os próprios humanos criam.
Fácil:
Há desdobramentos, porém, que ele mesmo não explora e que cabe ao leitor pensá-los (já que a intenção é exatamente a abertura do pensar).
Arduini insiste em que o homem é "ser incompleto", com "mais semblante de madrugada do que de ocaso", "ser movediço", "identidade dançante" (ARDUINI, 2009, p. 21), deixa bem claro que não há uma essência que se possa dizer humana. Quer dizer, o homem nasce e a partir deste ponto é que ele passa a construir-se. Detalhe: Este construir-se não é contrução solitária, mas solidária, pois depende do outro para tal feito.
Entretanto, apesar de reconhecer que não haja uma essência, algo inato(se bem que ele mesmo utilizará o termo 'inato' um pouco depois) no homem, ou seja, ele é construção, projeto existencial ou processo, Arduini defende a preservação da "natureza humana": "Se devemos preservar a natureza ambiental, haveremos de preservar ainda mais a natureza humana"(ARDUINI, 2009, p. 29)
(Ouço a voz de Arendt soprando nos meus ouvidos: "Não sei se podemos falar em 'natureza humana'")
Por mais que Arduini defenda seu antropocentrismo como legítimo, não deixa de ser também um reducionista, mas de uma outra espécie. Vejamos o que ele nos diz acerca deste pequeníssimo "ismo": "O ser humano é a realidade fundamental em nosso cosmo. É universo ontológico. E deve ser visto e tratado como prioridade." (idem)
E também: "Ninguém tem o direito de anular a dignidade inata ao ser humano. Mais que espécie natural, o ser humano é espécie cultural." p. 27
Precisamos relembrar um comentário que Leonardo Boff fez: "O mundo começou sem o homem e vai terminar sem ele."
Concordamos com Juvenal quando ele fala acerca do Holismo (pensamento holístico - que vem do termo grego olos, que tem sentido de todo, unidade do todo), sobre todos estarem interligados: "O ser humano é parte do Todo cósmico." (ARDUINI, 2009, p. 29). Também devemos concordar quando ele diz que: "Para unificar o mundo, o holismo não precisa reduzir o ser humano a bactéria, nem promover o tronco florestal a cientista. Todos os seres têm seu lugar no cosmo." (idem)
Todos nós sabemos da dignidade da pessoa humana, da importância do homem. Mas também não devemos nos esquecer que "homem" é um conceito universal para designar indivíduos particulares que não são iguais. Ou seja, nunca saberemos o que é exatamente "o homem", por consequência, nunca saberemos quem somos nós, pois os discursos mudam com frequência, não são estáveis, não são absolutos. Cada época dirá quem é o homem de acordo o que se produz concretamente nas sociedades.
Citando o teólogo europeu Dietmar Mieth, Arduini escreve: "Homens sem mercados não têm futuro. Mercados sem homens têm" [...] "Não é a observação que é cínica, mas sim a situação." (ARDUINI, 2009, p.24)
Arduini critica o mercado, pois se apresenta como autosuficiente, como uma existência per-si. Quando cita este teólogo, mostra para nós que a sociedade moderna (pós-moderna como ele quer) acredita piamente que não pode viver sem o mercado, quando a realidade é o oposto disso.
Lembremos também o que a biologia diz sobre a função dos seres vivos: "Manter-se vivo". Algo tão básico. Ninguém acorda e pensa: "Hoje quero morrer". Por maior que sejam as dificuldades de uma pessoa, ela sempre procurará viver. E o próprio ato de suicídio, ao contrário do que se pensa, é um modo estranho de se dizer exatamente isso: "eu quero viver, mas (por algum motivo determinado) vou me matar..." Irônico, não? Não mesmo!
Pré-difícil:
Por que estou fazendo todo este caminho? Para demonstrar que toda esta defesa que Arduini faz em favor do ser humano, colocando-o como centro prioritário, pode ser também um reflexo desta nossa obsessão de viver. Isso, porém, não nos dá o direito de nos elevarmos orgulhosamente sobre todas as demais espécies!
Arduini se revela reducionista da natureza, do cosmos, pois diz que o homem é a prioridade em detrimento de todo o resto. Calma, vamos prosseguir comigo e depois de terem lido até o final vocês poderão criticar-me.
Sim, eu sei, ele diz que todos tem um lugarzinho no cosmos, mas enfatiza o lugar do humano de modo bem mais amplo, bem mais destacado...
E foi exatamente este o erro de todos nós desde as épocas antigas até aqui: considerar o homem como o centro de todas as atenções!
Oh, sim! Nós produzimos cultura, monumentos, livros, pensamento, arte! Oh, sim! Nós criamos nossos próprios meios de subsistência! E isso é suficiente para nos legitimar como a síntese do cosmos? Com o incrível poder de estar no centro de todo o Universo tendo todos os outros planetas, galáxias e estrelas ao nosso redor? Nos legitima a afirmar que somos "clave holística da orquestração planetária"?
Tudo isso é muito poético, mas não dá conta de descrever nossa real situação no aí (dazein de Heidegger), no mundo, a concretude de nossa fragilidade.
Nossa inteligência e cultura não serão suficientes, por exemplo, para lutar contra um quasar, ou contra uma erupção solar, ou contra o enfraquecimento do campo magnético de nosso planeta.
Devemos, sim, defender o ser humano, mas não podemos nos esquecer que:
O homem sem a natureza (esta concretude fundamental dos nossos meios de subsistência) não consegue existir, mas a natureza sem o homem continuará a existir. E se, numa visão mais apocalíptica, todo o Universo acabar ou qualquer coisa mais bizarra acontecer... Não haverá uma memória sequer sobre qualquer ação humana...
Ah sim, não podemos nos esquecer de deus, pois, como nos contam, ele é eterno... Numa hipótese irônica sobrará deus. Aí ele se sentirá solitário novamente e criará outros joguinhos pra se entreter!
Conseguimos encontrar meios de nos livrarmos do perigo de um meteoro chocar-se com a terra por intermédio da técnica, poderemos, com o desenvolvimento da ciência, controlar relativamente alguns tipos de tempestades, mas não somos capazes de controlar a natureza toda, nem nos livrarmos das catástrofes que nos aguardam no futuro: vulcões, terremotos, o processo de morte do Sol (que irá literalmente engolir o Planeta Terra, apagando todo e qualquer resquício de nossa explêndida civilização inteligente) ou o encerramento do movimento de rotação de nosso planeta (que a cada 100 mil anos diminui sua velocidade). Também não podemos fugir da morte.
Vivemos o tempo todo no risco de desaparecermos completamente, na expectativa de cessar com toda a memória humana em piscares de olhos... E mesmo que nosso Sol morra, a Terra pare, ou nossa galáxia se choque com outra galáxia próxima (e não nos esqueçamos de que nós mesmos estamos cavando o extermínio de nossa espécie), todas as demais galáxias, todos os outros possíveis planetas que, semelhante ao nosso, giram em torno de outros sóis (com possibilidades imensas de vida, mesmo que não inteligentes) continuarão no dazein!!! estarão jogados aí nesse existir! E todo o Cosmos que Arduini supõe se mostra completamente indiferente à nossa existência efêmera.
Difícil ou: The End!
Então, sim, continuemos a nossa luta de cada dia contra a opressão e os reducionismos, apesar da expectativa do desaparecimento total de nossa minúscula espécie... Sem jamais esquecer que NÃO SOMOS O CENTRO DO MUNDO, não somos o umbigo do Cosmos!
Pra quem tiver interesse em se introduzir a leituras filosóficas este livro é muito interessante.
Aqui está a citação:
ARDUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2009.
Fiz um breve comentário sobre a obra (com umas pequenas críticas apenas).
Préfacil:
Depois de ter lido o livro de Juvenal Arduini é bom tomar suco de limão sem açucar. Notavelmente é uma leitura agradável de se fazer, simples. Este simples é o simples que alguns alemães deveriam buscar (se bem que os alemães não estão nem aí pro leitor, se você não os entender... a impressão que fica é que eles dizem um "foda-se" escarrado!
Podemos sintetizar todo o livro em algumas noções básicas:
-A reflexão do autor gira em torno de uma luta constante em favor da abertura do pensar antropológico;
-A grande parte de suas críticas se direcionam aos opressores do homem: uma sociedade manipuladora, um sistema coisificante, modos de ver unidimensionais e fragmentários etc.;
-Quem lê o livro intui (deduz, antevê, use a palavra que quiser) uma inquietação na "medula" do autor, um inconformismo, um desprazer em relação ao presente, ou como ele mesmo fala: "um pessimismo otimista" (ARDUINI, 2009, p. 65-67).
-Este pessimismo otimista do autor é a mola propulsora de sua obra, aquilo que lhe dá audácia para dizer que: é preciso reinventar o humano.
Espero que tenha conseguido sugerir alguns dos principais elementos (os que mais se destacaram para mim durante a leitura) deste livro.
O modo como Juvenal Arduini apresenta os conceitos é perfeitamente compreensível, claro e distino! Dá auxílio a leitores que possuam certa dificuldade de abstração, mas não chega a pecar por didatismo ou pedagogismo.
Não posso omitir que pra quem acabou de ler um Hegel (Fenomenologia do espírito)um Kant (Crítica da Razão Pura) ou um Sartre (O Ser e o Nada) a sensação é de estar lendo qualquer boa obra de literatura. (Isso não é ruim, pois precisamos de leituras menos densas vez por outra). O pensamento deste autor se revela tão profundo quanto uma obra literária, há muito que se estudar nele.
O pessimismo otimista de arduini está mais para um impulso revolucionário que vocifera contra as opressões humanas que os próprios humanos criam.
Fácil:
Há desdobramentos, porém, que ele mesmo não explora e que cabe ao leitor pensá-los (já que a intenção é exatamente a abertura do pensar).
Arduini insiste em que o homem é "ser incompleto", com "mais semblante de madrugada do que de ocaso", "ser movediço", "identidade dançante" (ARDUINI, 2009, p. 21), deixa bem claro que não há uma essência que se possa dizer humana. Quer dizer, o homem nasce e a partir deste ponto é que ele passa a construir-se. Detalhe: Este construir-se não é contrução solitária, mas solidária, pois depende do outro para tal feito.
Entretanto, apesar de reconhecer que não haja uma essência, algo inato(se bem que ele mesmo utilizará o termo 'inato' um pouco depois) no homem, ou seja, ele é construção, projeto existencial ou processo, Arduini defende a preservação da "natureza humana": "Se devemos preservar a natureza ambiental, haveremos de preservar ainda mais a natureza humana"(ARDUINI, 2009, p. 29)
(Ouço a voz de Arendt soprando nos meus ouvidos: "Não sei se podemos falar em 'natureza humana'")
Por mais que Arduini defenda seu antropocentrismo como legítimo, não deixa de ser também um reducionista, mas de uma outra espécie. Vejamos o que ele nos diz acerca deste pequeníssimo "ismo": "O ser humano é a realidade fundamental em nosso cosmo. É universo ontológico. E deve ser visto e tratado como prioridade." (idem)
E também: "Ninguém tem o direito de anular a dignidade inata ao ser humano. Mais que espécie natural, o ser humano é espécie cultural." p. 27
Precisamos relembrar um comentário que Leonardo Boff fez: "O mundo começou sem o homem e vai terminar sem ele."
Concordamos com Juvenal quando ele fala acerca do Holismo (pensamento holístico - que vem do termo grego olos, que tem sentido de todo, unidade do todo), sobre todos estarem interligados: "O ser humano é parte do Todo cósmico." (ARDUINI, 2009, p. 29). Também devemos concordar quando ele diz que: "Para unificar o mundo, o holismo não precisa reduzir o ser humano a bactéria, nem promover o tronco florestal a cientista. Todos os seres têm seu lugar no cosmo." (idem)
Todos nós sabemos da dignidade da pessoa humana, da importância do homem. Mas também não devemos nos esquecer que "homem" é um conceito universal para designar indivíduos particulares que não são iguais. Ou seja, nunca saberemos o que é exatamente "o homem", por consequência, nunca saberemos quem somos nós, pois os discursos mudam com frequência, não são estáveis, não são absolutos. Cada época dirá quem é o homem de acordo o que se produz concretamente nas sociedades.
Citando o teólogo europeu Dietmar Mieth, Arduini escreve: "Homens sem mercados não têm futuro. Mercados sem homens têm" [...] "Não é a observação que é cínica, mas sim a situação." (ARDUINI, 2009, p.24)
Arduini critica o mercado, pois se apresenta como autosuficiente, como uma existência per-si. Quando cita este teólogo, mostra para nós que a sociedade moderna (pós-moderna como ele quer) acredita piamente que não pode viver sem o mercado, quando a realidade é o oposto disso.
Lembremos também o que a biologia diz sobre a função dos seres vivos: "Manter-se vivo". Algo tão básico. Ninguém acorda e pensa: "Hoje quero morrer". Por maior que sejam as dificuldades de uma pessoa, ela sempre procurará viver. E o próprio ato de suicídio, ao contrário do que se pensa, é um modo estranho de se dizer exatamente isso: "eu quero viver, mas (por algum motivo determinado) vou me matar..." Irônico, não? Não mesmo!
Pré-difícil:
Por que estou fazendo todo este caminho? Para demonstrar que toda esta defesa que Arduini faz em favor do ser humano, colocando-o como centro prioritário, pode ser também um reflexo desta nossa obsessão de viver. Isso, porém, não nos dá o direito de nos elevarmos orgulhosamente sobre todas as demais espécies!
Arduini se revela reducionista da natureza, do cosmos, pois diz que o homem é a prioridade em detrimento de todo o resto. Calma, vamos prosseguir comigo e depois de terem lido até o final vocês poderão criticar-me.
Sim, eu sei, ele diz que todos tem um lugarzinho no cosmos, mas enfatiza o lugar do humano de modo bem mais amplo, bem mais destacado...
E foi exatamente este o erro de todos nós desde as épocas antigas até aqui: considerar o homem como o centro de todas as atenções!
Oh, sim! Nós produzimos cultura, monumentos, livros, pensamento, arte! Oh, sim! Nós criamos nossos próprios meios de subsistência! E isso é suficiente para nos legitimar como a síntese do cosmos? Com o incrível poder de estar no centro de todo o Universo tendo todos os outros planetas, galáxias e estrelas ao nosso redor? Nos legitima a afirmar que somos "clave holística da orquestração planetária"?
Tudo isso é muito poético, mas não dá conta de descrever nossa real situação no aí (dazein de Heidegger), no mundo, a concretude de nossa fragilidade.
Nossa inteligência e cultura não serão suficientes, por exemplo, para lutar contra um quasar, ou contra uma erupção solar, ou contra o enfraquecimento do campo magnético de nosso planeta.
Devemos, sim, defender o ser humano, mas não podemos nos esquecer que:
O homem sem a natureza (esta concretude fundamental dos nossos meios de subsistência) não consegue existir, mas a natureza sem o homem continuará a existir. E se, numa visão mais apocalíptica, todo o Universo acabar ou qualquer coisa mais bizarra acontecer... Não haverá uma memória sequer sobre qualquer ação humana...
Ah sim, não podemos nos esquecer de deus, pois, como nos contam, ele é eterno... Numa hipótese irônica sobrará deus. Aí ele se sentirá solitário novamente e criará outros joguinhos pra se entreter!
Conseguimos encontrar meios de nos livrarmos do perigo de um meteoro chocar-se com a terra por intermédio da técnica, poderemos, com o desenvolvimento da ciência, controlar relativamente alguns tipos de tempestades, mas não somos capazes de controlar a natureza toda, nem nos livrarmos das catástrofes que nos aguardam no futuro: vulcões, terremotos, o processo de morte do Sol (que irá literalmente engolir o Planeta Terra, apagando todo e qualquer resquício de nossa explêndida civilização inteligente) ou o encerramento do movimento de rotação de nosso planeta (que a cada 100 mil anos diminui sua velocidade). Também não podemos fugir da morte.
Vivemos o tempo todo no risco de desaparecermos completamente, na expectativa de cessar com toda a memória humana em piscares de olhos... E mesmo que nosso Sol morra, a Terra pare, ou nossa galáxia se choque com outra galáxia próxima (e não nos esqueçamos de que nós mesmos estamos cavando o extermínio de nossa espécie), todas as demais galáxias, todos os outros possíveis planetas que, semelhante ao nosso, giram em torno de outros sóis (com possibilidades imensas de vida, mesmo que não inteligentes) continuarão no dazein!!! estarão jogados aí nesse existir! E todo o Cosmos que Arduini supõe se mostra completamente indiferente à nossa existência efêmera.
Difícil ou: The End!
Então, sim, continuemos a nossa luta de cada dia contra a opressão e os reducionismos, apesar da expectativa do desaparecimento total de nossa minúscula espécie... Sem jamais esquecer que NÃO SOMOS O CENTRO DO MUNDO, não somos o umbigo do Cosmos!
terça-feira, 8 de junho de 2010
Homenagem a outro amigo morto...
É morbidamente engraçado como eu sinto uma espécie de conforto nas coisas mais sombrias de nossa existência, na tristeza, nas lágrimas, no ódio, na cólera e em tudo o que participa das regiões mais baixas...
Entretanto, quando esta tristeza é fruto de momentos em que se perde alguém com quem se criou um vínculo, com quem se construiu memórias, com quem tivemos tantos momentos felizes e ruins juntos, a dor é QUASE insuportável...
E apesar de ser tão dolorosa a angústia desta separação eterna, a da morte, eu continuo querendo experimentá-la profundamente.
Hoje eu aprendi uma vez mais como se faz importante sofrer e experimentar o luto, e que só se chora por mortos quando estes tiveram algum significado. Não há como se chorar a morte de seres com quem não se criou vínculos. Não dá pra chorar a morte ou o extermínio da humanidade, apenas de indivíduos específicos... apenas com quem se tem afeto.
Minha avó e meu tio morreram em uma época que para mim, na minha cabeça, não havia a morte mesmo, havia um vazio que eu não sabia explicar, uma dor no peito e só. Eu ainda era bem criança.
Um de meus amigos daquela época mais distante morreu depois de levar um ou dois tiros e esta morte já começou a me modificar o entendimento.
Em maio de 2009 meu amável avô morreu, sr. Benedito Gomes Vieira. Esta foi uma morte que me marcou demais, pois vimos seu sofrimento até o fim, ele morreu em casa, foi bem doloroso.
Aqui neste blog fiz uma homenagem ao Reinaldo, outro amigo, que morreu num acidente absurdamente grave. Também esta morte mudou muita coisa no meu pensamento sobre a morte.
Tenho visto mais pessoas morrendo de uns tempos pra cá e confesso que isso não é lá tão agradável, mas não deixa de ter seu lado saudável... (mesmo que de forma bem bizarra).
Este meu outro amigo, que morreu hoje, é o Arthur. Ele não se encaixa no conceito de pessoa, nem em humano, mas ele (como vários outros amigos desta espécie que também vi morrer) fazia valer muito mais que alguns humanos por aí.
Ele me esperava no portão todos os dias, quando chegava em casa ele pulava, rodava, e demonstrava um afeto tão sincero, que somente animais "irracionais" podem expressar. Eu o abraçava e repousava minha cabeça nele enquanto dormia, às vezes ele não acordava, em outras lambia meu rosto.
Ele era carinhoso, medroso e brincalhão. Um cachorro perfeito.
Ele vinha na porta de casa pra comer ração e beber água, pois era um cachorro de rua, muito arisco, deve ter apanhado muito na rua, pois qualquer pessoa que se aproximasse dele era o suficiente pra ele se encolher todo e fechar os olhos.
Ele foi se acostumando a vir em casa comer e beber água. Daí eu pedi pra minha mãe deixar ele ficar com a gente. Então foi um sacrifício pra fazer ele entender que eu queria que ele morasse aqui em casa, rs. Mas ele gostou da idéia e ficou aqui.
Ele chegou bem magro, sujão mesmo. Depois que veio ficar aqui o pelo dele ficou macio, ele ficou mais corajoso e engordou bastante, ficou bonitão. Era todo preto com um pouco de pêlo branco no pescoço.
Às vezes o Arthur pulava no sofá (minha mãe fica brava com ele) e deitava o focinho no meu braço. Eu brincava com ele e com a Christie (outra cachorra minha - que felizmente continua viva) de pega-pega. Quando era minha vez, corria atrás dos dois, se eu o pegasse, então ele corria atrás de mim, me mordia, me arranhava. Era muito legal.
Hoje eu cheguei em casa e meu pai me falou que ele havia morrido.
Puta que pariu, me deu um gelo na barriga.
E hoje eu já estava passando mal, pois minha pressão estava baixa.
Puta merda, eu corri pro lugar onde meu pai o tinha colocado e o olhinho dele ainda estava aberto. Eu senti um dor tão grande no peito, um vazio (aquele que eu já sinto todo dia, mas que fica cada vez maior)... Sentei e chorei enquanto acariciava o pêlo macio dele.
A Christie ainda não tinha percebido, por que meu pai o deixou escondido num canto do quintal. De repente, a Christie aparece do meu lado e começa a passar a patinha dela no Arthur, desesperada, cheirava ele, mexia nele, e chorava daquele jeito que cachorro chora, sabe?... Foi uma cena cruel pra mim, e percebi que a Christie estava bem mal também. Aí abracei a Christie e tirei ela de lá, pois ela ficava mexendo no corpo do Arthur de um lado e de outro, chorando.
Para qualquer outra pessoa isso pode parecer exagero. Chorar e sentir tristeza pela morte de um cachorro? É apenas um cachorro!...
Mas só quem tem um vínculo desses é que sabe como um animal é importante pra quem tem um e o ama.
A diferença é bem pequena, o animal não fala e não produz sua própria subsistência, só isso. E às vezes eu não sinto nem um pouco de tristeza na morte de certas pessoas!
Não, não sou insensível, apenas choro por quem eu gosto.
Notei isto na reação da minha cachorra quando viu o Arthur. Ela não tem a maldição que nós temos de saber que vai morrer, de ter que conviver com a expectativa da morte, mas ela tem um sentimento instintivo, que pode não ser racional, mas que é tão intenso quanto o nosso. E penso que estes são os sentimentos mais verdadeiros de todos, porque no fim todos nós somos um bando de animais.
Se ele estivesse me ouvindo eu diria: Te amo, cachorro! Valeu por ter sido meu fiel amigo!
Pouco importa isso agora, mesmo porque eu dizia isso enquanto ele era vivo.
Mas na minha memória ele vai estar até o dia da minha morte, quando eu também tornar-me um nada, um fim de todas as possibilidades.
Importa agora que eu esgote esta tristeza em mim experimentando-a sem medo, degustando dela até a última gota. E com todos os mortos farei isso, todos aqueles com quem, enquanto vivos, criei vínculos.
Sinto que este sofrimento, esta tristeza é saudável.
O nome dele era Arthur Winchester (por causa de Arthur Schopenhauer e da série de tv Supernatural - sou viciado em ambos). Nunca gostei de colocar nomes com repetições silábicas nos meus cachorros, por exemplo, Tatá, Totó, Lulu, Xaxa etc. Mesmo por que eu sempre criei meus vários cachorros como amigos, e eu nunca chamei nenhum amigo meu por apelidos deste tipo!
Ironicamente o Arthur morreu um pouco depois do término da 5° temporada do Supernatural, rs.
Espero que ele não tenha problemas com anjos ou demônios se eles, na possibilidade mais remota, existirem!
- Arthur, se existir um "outro lado" depois da morte e algum ser reluzente por lá sentado em um trono ou qualquer coisa parecida: morda ele com força e não solte!!! E se este ser reluzente não gostar disso e te mandar pro inferno não se preocupe, pois lá nos encontraremos uma vez mais...
Entretanto, quando esta tristeza é fruto de momentos em que se perde alguém com quem se criou um vínculo, com quem se construiu memórias, com quem tivemos tantos momentos felizes e ruins juntos, a dor é QUASE insuportável...
E apesar de ser tão dolorosa a angústia desta separação eterna, a da morte, eu continuo querendo experimentá-la profundamente.
Hoje eu aprendi uma vez mais como se faz importante sofrer e experimentar o luto, e que só se chora por mortos quando estes tiveram algum significado. Não há como se chorar a morte de seres com quem não se criou vínculos. Não dá pra chorar a morte ou o extermínio da humanidade, apenas de indivíduos específicos... apenas com quem se tem afeto.
Minha avó e meu tio morreram em uma época que para mim, na minha cabeça, não havia a morte mesmo, havia um vazio que eu não sabia explicar, uma dor no peito e só. Eu ainda era bem criança.
Um de meus amigos daquela época mais distante morreu depois de levar um ou dois tiros e esta morte já começou a me modificar o entendimento.
Em maio de 2009 meu amável avô morreu, sr. Benedito Gomes Vieira. Esta foi uma morte que me marcou demais, pois vimos seu sofrimento até o fim, ele morreu em casa, foi bem doloroso.
Aqui neste blog fiz uma homenagem ao Reinaldo, outro amigo, que morreu num acidente absurdamente grave. Também esta morte mudou muita coisa no meu pensamento sobre a morte.
Tenho visto mais pessoas morrendo de uns tempos pra cá e confesso que isso não é lá tão agradável, mas não deixa de ter seu lado saudável... (mesmo que de forma bem bizarra).
Este meu outro amigo, que morreu hoje, é o Arthur. Ele não se encaixa no conceito de pessoa, nem em humano, mas ele (como vários outros amigos desta espécie que também vi morrer) fazia valer muito mais que alguns humanos por aí.
Ele me esperava no portão todos os dias, quando chegava em casa ele pulava, rodava, e demonstrava um afeto tão sincero, que somente animais "irracionais" podem expressar. Eu o abraçava e repousava minha cabeça nele enquanto dormia, às vezes ele não acordava, em outras lambia meu rosto.
Ele era carinhoso, medroso e brincalhão. Um cachorro perfeito.
Ele vinha na porta de casa pra comer ração e beber água, pois era um cachorro de rua, muito arisco, deve ter apanhado muito na rua, pois qualquer pessoa que se aproximasse dele era o suficiente pra ele se encolher todo e fechar os olhos.
Ele foi se acostumando a vir em casa comer e beber água. Daí eu pedi pra minha mãe deixar ele ficar com a gente. Então foi um sacrifício pra fazer ele entender que eu queria que ele morasse aqui em casa, rs. Mas ele gostou da idéia e ficou aqui.
Ele chegou bem magro, sujão mesmo. Depois que veio ficar aqui o pelo dele ficou macio, ele ficou mais corajoso e engordou bastante, ficou bonitão. Era todo preto com um pouco de pêlo branco no pescoço.
Às vezes o Arthur pulava no sofá (minha mãe fica brava com ele) e deitava o focinho no meu braço. Eu brincava com ele e com a Christie (outra cachorra minha - que felizmente continua viva) de pega-pega. Quando era minha vez, corria atrás dos dois, se eu o pegasse, então ele corria atrás de mim, me mordia, me arranhava. Era muito legal.
Hoje eu cheguei em casa e meu pai me falou que ele havia morrido.
Puta que pariu, me deu um gelo na barriga.
E hoje eu já estava passando mal, pois minha pressão estava baixa.
Puta merda, eu corri pro lugar onde meu pai o tinha colocado e o olhinho dele ainda estava aberto. Eu senti um dor tão grande no peito, um vazio (aquele que eu já sinto todo dia, mas que fica cada vez maior)... Sentei e chorei enquanto acariciava o pêlo macio dele.
A Christie ainda não tinha percebido, por que meu pai o deixou escondido num canto do quintal. De repente, a Christie aparece do meu lado e começa a passar a patinha dela no Arthur, desesperada, cheirava ele, mexia nele, e chorava daquele jeito que cachorro chora, sabe?... Foi uma cena cruel pra mim, e percebi que a Christie estava bem mal também. Aí abracei a Christie e tirei ela de lá, pois ela ficava mexendo no corpo do Arthur de um lado e de outro, chorando.
Para qualquer outra pessoa isso pode parecer exagero. Chorar e sentir tristeza pela morte de um cachorro? É apenas um cachorro!...
Mas só quem tem um vínculo desses é que sabe como um animal é importante pra quem tem um e o ama.
A diferença é bem pequena, o animal não fala e não produz sua própria subsistência, só isso. E às vezes eu não sinto nem um pouco de tristeza na morte de certas pessoas!
Não, não sou insensível, apenas choro por quem eu gosto.
Notei isto na reação da minha cachorra quando viu o Arthur. Ela não tem a maldição que nós temos de saber que vai morrer, de ter que conviver com a expectativa da morte, mas ela tem um sentimento instintivo, que pode não ser racional, mas que é tão intenso quanto o nosso. E penso que estes são os sentimentos mais verdadeiros de todos, porque no fim todos nós somos um bando de animais.
Se ele estivesse me ouvindo eu diria: Te amo, cachorro! Valeu por ter sido meu fiel amigo!
Pouco importa isso agora, mesmo porque eu dizia isso enquanto ele era vivo.
Mas na minha memória ele vai estar até o dia da minha morte, quando eu também tornar-me um nada, um fim de todas as possibilidades.
Importa agora que eu esgote esta tristeza em mim experimentando-a sem medo, degustando dela até a última gota. E com todos os mortos farei isso, todos aqueles com quem, enquanto vivos, criei vínculos.
Sinto que este sofrimento, esta tristeza é saudável.
O nome dele era Arthur Winchester (por causa de Arthur Schopenhauer e da série de tv Supernatural - sou viciado em ambos). Nunca gostei de colocar nomes com repetições silábicas nos meus cachorros, por exemplo, Tatá, Totó, Lulu, Xaxa etc. Mesmo por que eu sempre criei meus vários cachorros como amigos, e eu nunca chamei nenhum amigo meu por apelidos deste tipo!
Ironicamente o Arthur morreu um pouco depois do término da 5° temporada do Supernatural, rs.
Espero que ele não tenha problemas com anjos ou demônios se eles, na possibilidade mais remota, existirem!
- Arthur, se existir um "outro lado" depois da morte e algum ser reluzente por lá sentado em um trono ou qualquer coisa parecida: morda ele com força e não solte!!! E se este ser reluzente não gostar disso e te mandar pro inferno não se preocupe, pois lá nos encontraremos uma vez mais...
sábado, 22 de maio de 2010
No início...
Hoje, enquanto verificava uma de minhas trocentas contas de e-mail, encontrei uma relíquia minha, um texto que havia escrito para uma prova (uma das primeiras provas) de História da Filosofia Antiga, ministradas pelo digníssimo Mestre e Doutor Maurílio O. Camello - um dos melhores professores de filosofia que eu já tive.
Lembro que eu, assim que recebi a prova, a digitei e enviei à minha caixa de e-mail para não perdê-la, e acho que fiz muito bem. Todos os outros textos das primeiras aulas, das minhas primeiras impressões eu perdi por causa de um vírus no computador antigo!!! PQP!
O texto não está perfeito, reconheço, mas tenho que convir que ainda era meu primeiro ano de amor com a filosofia (ainda tenho muito que aprender - e essa mesma é a graça da filosofia, nunca se sabe tudo... Cada pergunta revela uma resposta que já possui em si nova pergunta!).
OBS: No texto eu não coloquei citação da autoria do fragmento comentado... Provavelmente, acredito eu, deva ser algum fragmento de Parmênides ou outro pré-socrático, vou ter que verificar os textos depois.
O legal é eu poder perceber como eu fui fazendo todo o trajeto do meu pensamento, os lugares onde pisei no passado que me trouxeram ao presente.
Pra quem interessar, ei-lo aí!
Texto da prova de história da filosofia antiga.
Data: 18/04/2008
Por: Daniel Vieira de Carvalho
Levando em consideração que as divindades têm o vislumbre completo de todas as coisas, eu concordaria totalmente que o saber humano é enganoso. No entanto, nada teríamos hoje em nossa sociedade se não fosse verdadeiro este saber humano.
O grande problema do nosso saber mortal é que ele está sujeito a questionamentos, e por isso sempre há alguém interpelando um ou outro conhecimento. Isso comprova que o saber do homem, apesar de grande e inegável, não é perfeito.
É fato que nosso saber é imperfeito, mas das Musas afirmarem que não somos mais do que ventres... Disso eu discordo totalmente.
Na página 139, no fragmento 18, lemos:
“Os deuses, certamente, não revelaram todas as coisas aos mortais desde o início – mas, procurando, os homens encontram, pouco a pouco o melhor.”
Nesta frase eu encontro a base do saber humano. Tirando os deuses desta frase (por que nem acrescentam, nem tiram nada) eu acredito piamente no melhor. Talvez se soubéssemos tudo de modo esférico, deixaríamos de ser humanos. E eu gosto muito de ser um.
Essa busca por um saber melhor nos torna mais humanos, não podemos negar esta condição. Os deuses já têm tudo à destra, não precisam de esforço, estão imóveis... Que graça isso tem?
Essa constante mudança no homem é isso que eu admiro!
Os gregos, me parece, enxergavam as divindades em detrimento do homem.
Vamos ser bem sinceros: Mesmo que Deus exista, nossa limitada palavra não pode falar dele; e se não existe, não é razoável gastar saliva para questionar sua existência. Portanto, olhando deste modo, seria uma loucura completa dizer que o todo do saber humano seja enganoso – se bem que eu já não tenho mais certeza de nada.
Estou parcialmente em acordo com o texto, não em que os deuses detenham o saber verdadeiro, pois não sei nada sobre eles, mas no sentido em que nosso conhecimento seja, em partes, aparente. E eu creio que nem por isso não tenhamos capacidade de chegar às essências.
O ser – humano, pensou eu, tem muito mais do que ele próprio sabe. Por isso fica difícil afirmar ou negar alguma coisa.
Lembro que eu, assim que recebi a prova, a digitei e enviei à minha caixa de e-mail para não perdê-la, e acho que fiz muito bem. Todos os outros textos das primeiras aulas, das minhas primeiras impressões eu perdi por causa de um vírus no computador antigo!!! PQP!
O texto não está perfeito, reconheço, mas tenho que convir que ainda era meu primeiro ano de amor com a filosofia (ainda tenho muito que aprender - e essa mesma é a graça da filosofia, nunca se sabe tudo... Cada pergunta revela uma resposta que já possui em si nova pergunta!).
OBS: No texto eu não coloquei citação da autoria do fragmento comentado... Provavelmente, acredito eu, deva ser algum fragmento de Parmênides ou outro pré-socrático, vou ter que verificar os textos depois.
O legal é eu poder perceber como eu fui fazendo todo o trajeto do meu pensamento, os lugares onde pisei no passado que me trouxeram ao presente.
Pra quem interessar, ei-lo aí!
Texto da prova de história da filosofia antiga.
Data: 18/04/2008
Por: Daniel Vieira de Carvalho
Levando em consideração que as divindades têm o vislumbre completo de todas as coisas, eu concordaria totalmente que o saber humano é enganoso. No entanto, nada teríamos hoje em nossa sociedade se não fosse verdadeiro este saber humano.
O grande problema do nosso saber mortal é que ele está sujeito a questionamentos, e por isso sempre há alguém interpelando um ou outro conhecimento. Isso comprova que o saber do homem, apesar de grande e inegável, não é perfeito.
É fato que nosso saber é imperfeito, mas das Musas afirmarem que não somos mais do que ventres... Disso eu discordo totalmente.
Na página 139, no fragmento 18, lemos:
“Os deuses, certamente, não revelaram todas as coisas aos mortais desde o início – mas, procurando, os homens encontram, pouco a pouco o melhor.”
Nesta frase eu encontro a base do saber humano. Tirando os deuses desta frase (por que nem acrescentam, nem tiram nada) eu acredito piamente no melhor. Talvez se soubéssemos tudo de modo esférico, deixaríamos de ser humanos. E eu gosto muito de ser um.
Essa busca por um saber melhor nos torna mais humanos, não podemos negar esta condição. Os deuses já têm tudo à destra, não precisam de esforço, estão imóveis... Que graça isso tem?
Essa constante mudança no homem é isso que eu admiro!
Os gregos, me parece, enxergavam as divindades em detrimento do homem.
Vamos ser bem sinceros: Mesmo que Deus exista, nossa limitada palavra não pode falar dele; e se não existe, não é razoável gastar saliva para questionar sua existência. Portanto, olhando deste modo, seria uma loucura completa dizer que o todo do saber humano seja enganoso – se bem que eu já não tenho mais certeza de nada.
Estou parcialmente em acordo com o texto, não em que os deuses detenham o saber verdadeiro, pois não sei nada sobre eles, mas no sentido em que nosso conhecimento seja, em partes, aparente. E eu creio que nem por isso não tenhamos capacidade de chegar às essências.
O ser – humano, pensou eu, tem muito mais do que ele próprio sabe. Por isso fica difícil afirmar ou negar alguma coisa.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Poeira acumulada!
Se você andar por aí sem muita atenção, poderá tropeçar no cadáver de alguém. Então, sempre olhe para o chão, pois numa ocasião deste tipo você poderá se desviar dele!
Outros cadáveres também foram postos sobre a crosta terrestre, já outros foram ocultados, mas não se preocupe... Sempre haverá espaço no nosso planeta para mais um cadáver.
Houve um cadáver, porém, que não foi nem ocultado, nem enterrado... E que acabou por contaminar todo o mundo. Os mares não ficaram imunes a ele, transformaram-se em sangue coagulado. Os liquidos cadavéricos não foram devidamente coletados e acabaram se espalhando por toda a extensão de todas as nações do planeta, de forma que o planeta inteiro se transmutou de Planeta Azul para Planeta Musgo e Esverdeado!
Enquanto estava vivo, o Grande Monstro pairava, flutuava sobre nossas cabeças... Imponente e Orgulhoso. Certa feita, algumas pessoas foram esmagando-lhe a cabeça com madeira oca (sua única vulnerabilidade). Ele morreu, mas fingiram que ainda permanecia vivo e lhe arrumaram o cadáver de modo que parecesse realmente que ainda estivesse em pleno esplendor.
Foi depois de uns dois ou três dias que os sucos internos daquele defunto começaram a verter.
Com o passar dos tempos, a carne putrefada foi totalmente comida por vermes rastejantes e seres voadores próprios de cemitérios, os líquidos macabros cessaram de escorrer, mas os ossos permaneceram ali, naquele mesmo local da morte.
As famílias que habitavam perto daquele lugar decidiram incendiar os ossos até que se tornassem cinzas. Apesar da extrema resistência ao fogo, os ossos se queimaram e as cinzas se foram com o vento, espalhando-se por todos os cantos do mundo.
Todos os homens e mulheres respiraram suas cinzas e sofreram com doenças gravíssimas e acabaram por contaminar todos os seus filhos, netos e, por fim, toda a espécie humana...
Essa história tem sido contada por séculos, mas somente hoje descobrimos suas reais consequências e outras verdades que foram escondidas de todos nós:
Aquela Grande Abominação deu à luz um filho que foi cuidado pelos seus antigos adoradores, foi alimentado com carne e sangue humanos até que se fortalecesse totalmente e pudesse fazer suas próprias vítimas.
Hoje em dia, esta Criatura tomou o lugar de seu antigo pai, conseguiu poder suficiente para imaterializar-se e está muito mais forte, pois cada ser humano que respirou as cinzas e a poeira de seu pai, agora está sob seu controle, sob o controle de seu filho.
Resta-nos, pois, aniquilar toda esta linhagem maldita. Mas para que isso aconteça de forma completa e segura, se faz necessário que se aniquile toda a espécie humana. A contaminação não é apenas a nível de pensamento, é orgânico!
Outros cadáveres também foram postos sobre a crosta terrestre, já outros foram ocultados, mas não se preocupe... Sempre haverá espaço no nosso planeta para mais um cadáver.
Houve um cadáver, porém, que não foi nem ocultado, nem enterrado... E que acabou por contaminar todo o mundo. Os mares não ficaram imunes a ele, transformaram-se em sangue coagulado. Os liquidos cadavéricos não foram devidamente coletados e acabaram se espalhando por toda a extensão de todas as nações do planeta, de forma que o planeta inteiro se transmutou de Planeta Azul para Planeta Musgo e Esverdeado!
Enquanto estava vivo, o Grande Monstro pairava, flutuava sobre nossas cabeças... Imponente e Orgulhoso. Certa feita, algumas pessoas foram esmagando-lhe a cabeça com madeira oca (sua única vulnerabilidade). Ele morreu, mas fingiram que ainda permanecia vivo e lhe arrumaram o cadáver de modo que parecesse realmente que ainda estivesse em pleno esplendor.
Foi depois de uns dois ou três dias que os sucos internos daquele defunto começaram a verter.
Com o passar dos tempos, a carne putrefada foi totalmente comida por vermes rastejantes e seres voadores próprios de cemitérios, os líquidos macabros cessaram de escorrer, mas os ossos permaneceram ali, naquele mesmo local da morte.
As famílias que habitavam perto daquele lugar decidiram incendiar os ossos até que se tornassem cinzas. Apesar da extrema resistência ao fogo, os ossos se queimaram e as cinzas se foram com o vento, espalhando-se por todos os cantos do mundo.
Todos os homens e mulheres respiraram suas cinzas e sofreram com doenças gravíssimas e acabaram por contaminar todos os seus filhos, netos e, por fim, toda a espécie humana...
Essa história tem sido contada por séculos, mas somente hoje descobrimos suas reais consequências e outras verdades que foram escondidas de todos nós:
Aquela Grande Abominação deu à luz um filho que foi cuidado pelos seus antigos adoradores, foi alimentado com carne e sangue humanos até que se fortalecesse totalmente e pudesse fazer suas próprias vítimas.
Hoje em dia, esta Criatura tomou o lugar de seu antigo pai, conseguiu poder suficiente para imaterializar-se e está muito mais forte, pois cada ser humano que respirou as cinzas e a poeira de seu pai, agora está sob seu controle, sob o controle de seu filho.
Resta-nos, pois, aniquilar toda esta linhagem maldita. Mas para que isso aconteça de forma completa e segura, se faz necessário que se aniquile toda a espécie humana. A contaminação não é apenas a nível de pensamento, é orgânico!
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