sábado, 26 de fevereiro de 2011

Música boa para os ouvidos (indicação)



A mummers dance é uma das minhas músicas preferidas.



Tradução da música:

Na época de primavera
Quando as árvores estao coroadas com folhas
Quando os freixos e carvalhos, e os vidoeiros e yews
Estão todos vestidos com fitas

Quando corujas chamam a lua descoberta
No azul véu da noite
As sombras das árvores aparecem
Por entre as luzes dos lampeões

Nós estivemos perambulando a noite inteira
E uma parte deste dia
E agora novamente retornando
Nós trazemos um garland gay*

Quem irá descer para os escuros bosques
E intimar as sombras de lá
E amarrar uma fita naqueles braços protegidos
No tempo de primavera do ano

As canções dos pássaros parecem preencher o bosque
Que quando o violonista toca
Todas as suas vozes podem ser ouvidas
Através de seus dias passados na floresta

E então eles juntaram suas mãos e dançaram
Rodando em circulos e em fileiras
E então a jornada da noite se acaba
Quando todas as sombras se forem

Um garland gay nós te trazemos aqui
E em sua porta nós ficamos
Ele é um broto bem como um botão
O trabalho das mãos de nosso Senhor


*Garland Gay é uma oferenda a um Deus, normalmente um
ramo de flor ou algo do gênero, usado em rituais
pagãos.


Loreena Mckennitt é uma das cantoras que eu mais admiro. Banda perfeita, cantora perfeita!

A música Mistic Dreams é tocada na abertura do filme "As brumas de Avalon".




Uma música diferente para sair do padrão sempre é bom!

(aqui está um trecho inicial do filme "as brumas de avalon" pra atiçar o desejo dos leitores)




(ah, sim, detalhe para a violoncelista linda que está tocando)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Indicação de Filme: "A excêntrica família de Antônia"

Assisti ontem, pela segunda vez, ao filme "A excêntrica família de Antônia".

É um daqueles tipos de filme que depois de ter acabado continua exercendo influência na nossa cabeça.
Cheio de tragédia e comédia, tal como é nossa vida, o filme mostra como uma família pode ter tantas nuances, tantas diferenças e mesmo assim conseguir conviver bem. Fala sobre escolhas, estética, alegria e tristeza... e morte! kkk
Realmente, os personagens que compõe a família de Antônia são extremamente excêntricos, anormais, fora do padrão: um filósofo pessimista, a netinha superdotada, a filha lésbica, a avó louca, o padre herege, a amiga que adora procriar, a vizinha que sofre abusos sexuais entre outros divertidíssimos, alguns odiáveis!

Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. E, cai entre nós, é foda pra cacete! Fotografia perfeita, música perfeita, de uma inteligência e humor ácido absurdos.


Vai aqui a ficha técnica:

Diretor: Marleen Gorris
Elenco: Wileque Van Ammel Rooy, Marina De Graa, Dova Van Der Groe.
Roteiro: Marleen Gorris
Duração: 102 min.
Ano: 1995
País: Holanda/Bélgica, Ing
Gênero: Drama



Quem tiver interesse, assista este filme com os amigos que é muito interessante. Uma cervejinha do lado, uns aperitivos e bom gosto combinam com ele.

(foi meio difícil encontrar o filme pra baixar, infelizmente não salvei o link, mas é só procurar, pois se não está no google, logo não existe, rs)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Apenas uma brasa...

Esta tragédia que nossa espécie nomeia VIDA...


Este desejo de revolução, de mudança, de movimento é um grito desesperado de tédio, de ódio e repúdio a tudo que é fixo, morto e estático demais!

Mas é apenas uma faísca, uma brasa que quer se tornar chama. Há tantas camadas que necessitam da força de um martelo para que se quebrem, e há tão pouca força para que o martelo seja utilizado!

Irei contentar-me, por enquanto (e talvez para sempre), apenas com este pequeno fogo dentro, esta pequena chama particular... Quereria, entretanto, que houvesse um incêndio, um caos nas estruturas do sistema... Mas um incêndio só pode acontecer se existir oxigênio...

O sistema sufocou todo o ar que existe... Apenas uma brasa não é o suficiente!

O meu irmão e amigo Bryan me indicou esse vídeo, eu assisti, fiquei pasmo, e depois de recobrar o fôlego, decidi postar aqui, junto deste texto.
A realidade política brasileira, penso, é bem mais complexa. Desconhecemos os joguetes políticos por trás das cortinas. Uma coisa, porém, é certa: esta mulher exerce a corretíssima atitude de incomodar (brasas costumam agir assim)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O poder está na mão do povo!!!



Acompanhei por jornais e sites de notícias a manifestação popular no Egito contra a ditadura de Hosni Mubarak. E desde o início meu coração pulsava mais forte todas as vezes que via aquela multidão lutando contra o que eles consideravam esgotado, contra um paradigma que não lhes cabia mais.



Eu estou consciente de todo o trabalho que eles terão pela frente, tenho certeza também de que o fim da ditadura de Mubarak no Egito só irá promover ainda mais o comércio, a troca de mercadorias e o acúmulo do Capital. Também sei que há intenções e poderes diversos que ficam por detrás das cortinas dessa revolução, que só ocorreu depois de 30 anos!!

Não estou escrevendo sobre esses detalhes (detalhes que são importantíssimos), mas apenas sobre a força que o povo possui para transformar o seu próprio mundo.

O que houve no Egito foi uma cisão, mas uma cisão que ocorreu e se alastrou em todo o povo, houve uma força motriz que impulsionou todo o povo a se unir contra seu ditador. O povo inteiro se organizou, se dispôs a lutar, a sofrer as perdas necessárias para atingir seus objetivos, e conseguiram isso.

Houve muitas mortes (e não saberemos jamais o número exato de mortos, pois isso não é interessante ao governo, né?), muitos que se feriram gravemente nas manifestações.

O ataque, por parte da polícia, foi intenso e cruel, e o governo tomou medidas estratégicas para cortar a comunicação via internet e celulares, justamente para tentar desestruturar a união do povo egípcio.

Mas a principal arma do povo contra o governo não foram as manifestações, foi a paralização de todas as atividades de produção. Eles fizeram o mercado parar, eles deixaram inerte a produção de mercadorias, e foi isso que preocupou os líderes, não só do Egito, mas dos Estados Unidos (que, como assistimos, estavam com os olhos todos voltados para aquela região)...

E, hoje, quando eu vi que o povo conseguiu atingir seu objetivo (e volto a dizer que não estou pensando nas consequências nem na trama obscura que envolve esse acontecimento histórico no Egito), eu chorei de alegria, e já fazia tempo que não chorava de alegria.

E fiquei pensando: Realmente, a força, o poder está entre nós. Sim, todo o aparelho de Estado, todo os mecanismos de controle do Capitalismo e do Estado (ambos são uma e mesma coisa) só estão onde estão porque o povo quer que assim seja.

É aí que brilhou novamente uma esperança (ainda que longínqua e ofuscada) em mim: há possibilidades e há meios reais, não abstratos, de vencer o capitalismo, de modificar as estruturas e as super estruturas deste sistema escravizante e desumano. E essas possibilidades estão todas em nossas mãos.

Escrevo isso com um pesar imenso, pois, como disse em outros textos, nós fomos todos domesticados e nossos corpos foram docilizados (utilizando o termo de Michel Foucault). Como ensinou um velho filósofo, Fredrich Nietzsche, a moral moderna construiu um carrasco interior em cada indivíduo, e este carrasco é responsável por fazer a manutenção de toda a manipulação externa que recebemos por parte tanto da religião quando do Estado ( e no nosso caso, também a manipulação da mídia).

Quer dizer, todos estes fatores foram consolidando uma consciência falsa, uma consciência que não é a nossa própria, mas a das grandes empresas, uma consciência de escravos, de consumidores, de animais domesticados. E esta consciência artificial que nós adquirimos ao decorrer destes vários anos de capitalismo modificaram também nosso comportamento, nosso pensamento e nossas relações sociais.

A luta dos egípcios foi uma luta válida, mas ainda não é o tipo de luta que necessitamos para libertar todo o povo dos modos de produção capitalista. E essa luta é bem mais complexa, pois envolve, como disse, dar um fim a esta consciência artificial que nos colocaram por meio da cultura, da educação e das propagandas.

Mesmo assim, por menores que sejam estas possibilidades, é possível lutar contra o capitalismo, sim. Mas isso não pode ser feito apenas por uma minoria, deveríamos tomar o exemplo do povo egípcio, que se uniu contra um inimigo em comum. Deveríamos nos unir contra este inimigo que nos é comum e que parece ser um ditador invencível. ESTE DITADOR QUE CONTROLA TODO O OCIDENTE E TODO O ORIENTE, QUE SE CHAMA CAPITALISMO, NÃO É INVENCÍVEL!!! Ele é mortal como todos nós somos!

Chamaram de luta branca, revolução branca, a revolução no Egito, porque foi uma manifestação sem tanta violência, por parte do povo, claro.

Nossa luta contra o capitalismo será de cores bem fúnebres, pois para vencer teremos de modificar a educação (os professores possuem papel importantíssimo nisso), modificar nossos hábitos de consumo, e ir à luta... E esta luta, talvez, exija mesmo que se derrame sangue... muito sangue!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Declarações semi-otimistas

Escrever é, para mim, uma forma de libertar-me de minhas angústias, saber que existem pessoas que leem o que eu escrevo é um conforto... Se alguém irá me entender eu ficaria ainda mais satisfeito, por ter encontrado um igual, um que compartilhasse das mesmas dores e das mesmas alegrias; mas se não houver quem me entenda, contento-me apenas em saber que minhas angústias são amenizadas quando escrevo, mesmo se ninguém ler.

Não estou preocupado em agradar ou desagradar o leitor desse blog, estou interessado apenas em tornar público algo que me é tão particular quanto os órgãos que me mantém vivo. Porque o pensamento é também aquilo que diferencia pessoas de animais... Por isso eu acredito que os animais tem mais dignidade do que certas "pessoas", pois se assemelham mais ao ideal de humano que tenho em mente.

Por certo, animais não fazem conexões lógicas tão elaboradas quanto os humanos, mas são muito mais sensíveis, agradáveis e carinhosos. São muito mais sinceros que homens. Por este motivo, todos os meus cães possuem nome de gente, não nomes caninos, tais como: Totó, Lála, Bobó, Xixi, etc.

A infantilização mental não pertence propriamente às crianças com idade menor que 7 anos, mas a quase toda a civilização humana domesticada pelas mercadorias, pelas multidões de informações vazias, pelo Estado e pela mídia massificante.

Mas o assunto que me inspirou a escrever esse texto é bem mais complicado que isso, tem a ver com angústia, solidão e encarceramento.



Chorei longos momentos até que o sol raiasse hoje, até que a noite se dissipasse na janela. Minha cabeça estava sobremaneira atordoada com imagens e pensamentos.

Tudo isso é uma tragédia, eu pensava. Tudo isso é uma tragédia, tudo isso é uma tragédia... E isso se repetia irritavelmente na minha mente, nos meus rins, no meu coração e nos meus ossos.



Tudo isso? Tudo isso o quê? Tudo! Os prédios, as casas, as ruas vazias na madrugada, todas as pessoas dormindo, a sociedade toda é uma tragédia! Por quê? Porque estamos todos sozinhos! Não, não estamos sozinhos no Universo, o problema é bem mais cruel e apavorante! Estamos todos sozinhos entre nós mesmos, perdidos na nossa própria raça humana!



Estamos todos interligados pela internet, pelas avenidas, pelos corredores, trombamos aos solavancos com inúmeras pessoas. Mais de 6,5 bilhões de pessoas se entrecruzam todos os dias, todas as noites, todas as horas. Mas nunca estivemos tão solitários, tão abandonados, tão jogados quanto hoje!


E essa faísca de pensamento em mim se tornou uma grande queimada, um fogo que me consumiu, e todas as minhas angústias se aglomeraram em torno deste único foco: Estamos todos sozinhos e isolados uns dos outros.
A modernidade conseguiu aprimorar a técnica de isolar cada um em seu quadrado!




Não, não estou dizendo que não se pode lutar pela individualidade! Mesmo porque, defender a individualidade é reconhecer que eu tenho direito à liberdade, e reconhecer que todos à minha volta também possuem o mesmo direito.

O que eu detesto com todo o meu sistema biológico nesta sociedade é que não existe individualidade, só existe prisões individuais onde cada um deve ficar trancafiado sem contato algum com seus semelhantes.
As relações existentes não são naturais, são todas frutos da artificialidade de um mundo regado por livre competição, grupos, facções, raças etc.

Não, também não estou promovendo um tipo de amor cristão que é obrigado a amar a todos incondicionalmente. Eu amo quem eu amo, eu gosto de quem eu gosto, ninguém tem gostos e desejos iguais, cada qual deve amar e gostar de quem ou daquilo que lhe apraz.

Eu só sei que me soou tão falsa a estrutura das cidades, daquilo que chamamos urbano, de todas as metrópolis. Os carros respeitando os sinais, os semáforos, as faixas. Os pedestres atravessando quando se acende uma luz vermelha para os carros, os alarmes, a polícia... É tanta ordem, tanta ordem! Todos gritando por ordem, tudo deve estar no seu exato lugar na cidade! NÃO PISE NA GRAMA! NÃO FUME AQUI! NÃO ATRAVESSE ESSA PROPRIEDADE! ENTRADA PROIBIDA! NÃO TOQUE! NÃO CHEIRE! NÃO, NÃO, NÃO!


A cidade grita NÃO o tempo todo! As cidades querem controle e ordem, nada pode estar fora do lugar! É esquizofrênico, é doente, é anti-natural!

Isso tudo é uma tragédia, é uma tragédia!

E porquê é uma tragédia? É uma tragédia exatamente porque não temos outra estrutura, não conseguimos ir além disso, não podemos pensar em outra estrutura, em outra forma de resolver nossos problemas! É pecado, é crime... É LOUCURA! Tudo já está no seu lugar, tudo já está feito, tudo "já está consumado"!





E, nós, que não nos conformamos com essa estrutura maligna, cruel e atroz que criamos... E, nós, que desejamos ser libertos dessas grades... E, nós, que queremos aparecer sem máscaras, sem negar os instintos, os pensamentos, os ideais, sem negar nosso próprio corpo... Nós somos obrigados a olhar tudo isso e fingir que estamos bem, que está tudo correto.

Nâo podemos reclamar o tempo todo para que nossa angústia não seja banalizada!
Não podemos lutar contra isso, pois somos uma minoria ínfima!
Não podemos renunciar este sistema, porque ele domina todo este nosso planeta!
Não podemos fugir para a selva, porque já esquecemos o que os "primitivos" aprenderam com a Natureza!

Estamos castrados, amputados, amarrados, acorrentados, presos ao dia-a-dia trágico de um mundo que não é o que gostaríamos de viver.

E eles nos dizem: "São pessimistas! São anormais!"

Não é que não amemos a vida! Amamos tanto a vida que rejeitamos essa morte!
Amamos tanto a Natureza que nos entristecemos até a medula por não estarmos tão próximos dela quanto necessitamos.
Amamos tanto a vida que abominamos a sociedade modernamente primitiva!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sim, eu fumo!

Um cigarro é um pedaço de papel forrado com uma porrada de substâncias químicas. Você acende ele, traga, e deixa a fumaça entrar e depois solta no ar para poluir o meio ambiente!

Sim, eu fumo! Muito obrigado!

Eu lanço mesmo uns 0,0002% de carbono na atmosfera!
E sim, tenho possibilidade de morrer com câncer!

E você! Você também! Fumando ou não, um trem pode passar por cima da sua garganta, ou um avião pode cair bem no centro do seu globo ocular, ou você pode pisar em um escorpião e ele te picar com raiva!

Podem acontecer coisas simples também, por exemplo, uma vaca voadora derrubar leite na sua boca e você morrer afogado! Ou você pode engasgar com sua própria saliva e dar um adeus pro mundo! Esse mundo cheio de carbono!

Pode ser que, amanhã, você leve um tiro, ou sofra um acidente de moto. Pode ser que você desenvolva câncer de próstata, ou nos seios... Pode ser que eu morra apenas de velhice.

NO FINAL, TODOS MORREREMOS! Apenas o modo como se morre é diferente!

Então: Não me venha com sermãos sobre: Fumar pode dar câncer (todos temos células que podem se tornar cancerígenas), fumar causa impotência (10% dos homens entre 40 e 50 anos tem impotência, nem todos são fumantes)*, fumar causa sofrimento (todos os que vivem sabem que viver é sofrimento!)...

Eu não fumo porque sou viciado, fumo porque gosto, porque tenho vontade. É o mesmo que ocorre com o vinho, com o absinto, com o rum, com a cerveja. Bebo porque gosto de beber, aprecio uma boa bebida, sozinho ou acompanhado... Desde que eu queira e isso me dê prazer. E me dá prazer! Se vou morrer por causa dos prazeres, bom, ao menos morrerei tendo experimentado todos os tipos de prazeres. Cigarro, bebidas, os amores, o sexo, o sol nascendo, a lua, os amigos, a família, não importa o quê, tudo isso me dá prazer!


*http://www.abathon.com.br/Disfun%C3%A7%C3%A3o+Er%C3%A9til++(+Impot%C3%AAncia+Masculina+)/textos/48

Esta que me seduz...

Ela está ali, me observando, quieta, sombria e atraente...

Estou deitado na cama, mas ela permanece a me trespassar com o olhar. Ao seu redor permanece o mistério e dentro de mim a vontade de mergulhar nesses segredos. Nela está a luz que me seduz com fogo, em mim está um desejo que arde como o gelo por agarrá-la.

Ela é inalcansável, porém... Seria eu privilegiado de tocá-la, ao menos uma vez em minha vida? Não! Tenho para mim que só morto, talvez, poderei ficar mais próximo, o suficiente para olhar dentro dela, no fundo de seus olhos metafóricos.

Por que motivos esta pálida Lua me causa tanto fascínio? Quem habita esta que me chama nas noites estreladas? Uma deusa nua ou um dragão? Tanto faz. Importa que estou completamente apaixonado por ela, e é a única que me faz companhia nas noites de olhos abertos...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Luciferianismo" ou: "Ensaio sobre Amor Platônico"

Um sorriso e um aperto de mão foram o início de um amor proibido, de uma história sem final, sem clímax, sem resolução. Um acorde dissonante, o sétimo grau insolúvel, um trítono de amor platônico.
Um presente, uma dádiva e uma maldição...
Foi como uma droga que experimentei uma, duas vezes, e depois de algum tempo me viciou completamente. Já não consigo mais ficar longe, meu organismo pede sua presença, seu cheiro e aquele sorriso que me faz derreter.
E agora vejo quanto de amor há, quanto de carinho e amizade existe. O problema é que, por ser proibido, não pode ser consumado jamais.

Meu coração tem sofrido amargamente cada momento que seu cheiro se aproxima, e sofre também quando o vento o dissipa, justamente porque jamais poderei verbalizar, pronunciar, dar existência real ao meu pensamento, ao meu amor, por isso, com tristeza abismal, assumo que será platônico até o fim.
E meus olhos correm na direção de vários amores platônicos, e como abomino isso: Amar pessoas que eu mergulhei na solidão das minhas conexões neurais. É um amor egoísta e destrutivo, que se faz real para mim apenas, não para quem é amado. Mas não tenho controle sobre minhas vontades, meus desejos mais secretos são os que me dirigem. Não existe razão que seja forte suficiente para resistir o instinto, pois o instinto e a vontade são como cães presos por muito tempo, que ao serem libertados avançam ferozmente contra o primeiro que lhes cruzar o caminho.

Será - diabos do inferno -, então, que terei de me acostumar mais uma vez a amar na caverna da ausência? Talvez esta seja minha sina. As moiras se mostram sete vezes mais aterrorizadoras que o normal! Os deuses traçaram uma linha fina e podre para rirem desta triste comédia, para se embebedarem e se alegrarem em minha condição miserável.
Já não tenho força pra agir fisicamente contra este mal que me oprime, e minha mente já desistiu de resistir a este tormento feito de sentimentos etéreos... Por isso eu prefiro aceitar o destino, amar os fatos e reconhecer que, neste canto do meu corpo, nesta parte da minha mente haverá trevas intensas eternamente. Declaro, pois, que amo esta escuridão, que a transmutei em parte biológica minha, um novo órgão, necrosado desde que surgiu. E cada vez que olhar para esta penumbra sombria e medonha, redescobrirei força e coragem para viver, para amar ainda mais...

Um dia, penso eu, os deuses me abençoarão com a Luz mais bela que se me apresentou.

Este que transporta o brilho do sol e, contraditoriamente me afoga em sombras, um anjo irá destruir minhas trevas interiores! Este anjo lindo, que sorri carinhosamente para mim. Este anjo caído que roubou uma das luzes de minha existência...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ensaio sobre o cocô!

(Para ler esse texto deve-se "mastigar" as palavras, pronunciar cada palavra com perfeita dicção, sentindo os odores, sabores e fedores de cada uma delas)

Bosta, merda, cocô, troço
Caca, fezes, escremento
Co-li-for-mes Fe-cais
Evacuação, defecação...
CAGAR!
Cagou? Defecou? Evacuou?
FEZ O NÚMERO DOIS?

Boca, alimento e saliva
Bolo alimentar, língua e movimento
Traquéia, esôfago, estômago
Bile, sucos gástricos, meleca líquida
Digestão... EN DU RE CI MENTO! (CIMENTO... (eco))

Caminho delgado
Método intestinal

Ânus, cú, rego, anel, botão,
SAÍDA DE EMERGÊNCIA (ou entrada...) RETO!

Privada, água sanitária,
Sanitário, vaso, trono, descarga!

E LÁ SE FOI O COCÔ
PARA SEU DESTINO FINAL
O RIO...

Ensaio sobre a meia cinza (sem rimas, detesto rimas)

Minha meia é cinza
Como a nuvem no céu
Que gosto ela poderia ter? (a nuvem...)
Gosto de carvão.
O carvão é preto,
Suja as minhas mãos
Mas ao morrer o carvão
Tranforma-se em cinza,
a cor da minha meia!

O carvão é masculino
Por isso utilizamos o artigo "o"
Se fosse feminina, usaríamos "a"
Seria pretA a carvÃ
E, depois de morta, também viraria cinza,
Da cor da minha meia!

Seria Meia! Meia preta e meia cinza!
Quase um par!
Descobri, assim, a essência deste par de meia.

-O odor?
-Não! Cale-se!

Encontrei a essência,
o algodão interior meial.

A meia é meia por que é metade,
ou porque está no meio?

Quando se compra duas meias,
seriam uma só inteira?

Dois mais dois... IGUAL CINCO!
Sim! Cinco! Pois Deus pode agir irracionalmente! (...)
Deus usa um par de meias,
uma cinza e outra carvão!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O QUE DER NA TEIA

Tem coisa melhor do que fazer tudo aquilo que te dá na teia?

Os maiores prazeres que existem são exatamente aqueles que são momentâneos, passageiros e intensos. E são os melhores, porque, apesar de durarem tão pouco na "flor da pele", ficam gravados eternamente na memória e, ultimamente, nas fotos digitais, rs!

Digo que os prazeres melhores são os momentâneos, mas acredito que não exista prazer algum sobre a face do planeta Terra que dure dois ou três dias seguidos e ininterruptos!
Concluo, por minha conta e risco, que os prazeres que um ser humano-humano* pode sentir e experimentar, sempre são transitórios e, igualmente, inesquecíveis.

Vamos dar alguns exemplos:

-Um churrasco no ano novo com os amigos e a família (os que não enchem o saco, claro), dura no máximo um dia inteiro, às vezes umas 5 ou 6 horas.

-Ficar bem bêbado com a galera e perceber o movimento de translação e rotação da terra, umas 6 horas (dependendo do tempo que se bebe, e da qualidade do etanol. rs)

-Uma visita a um parque de diversões, 3 ou 4 horas

-Um sexo bem feito com direito a três ou quatro gozadas, umas 5 ou 6 horas (dependendo da libido pode-se ir um pouco mais), contando os intervalos... rs!

-Um passeio na praia, como o que eu fiz essa semana com meus irmãos Bryan e Felipe, com direito a rum, cerveja, cigarros, carrinho de bate-bate e queimaduras vermelhas na pele, dura dois ou tres dias!

Enfim, existem vários exemplos que podemos dar pra demonstrar que ALEGRIA SEMPRE É PASSAGEIRA , ninguém consegue ser feliz o tempo todo (qualquer pessoa que você encontrar feliz demais o tempo todo, provavelmente estará em um hospital psiquiátrico)! Na verdade, não existe felicidade absoluta!! Isso é invencionice platônica pra domesticação de gente.

O que existe são estes doces, ternos, momentâneos e inesquecíveis momentos que devemos preservar na memória, nas fotos, nas "lembrancinhas" que compramos e damos de presente, nas gargalhadas amigas, nos drinks alheios, nas bundas balançantes das praias, nos abraços, nos sorrisos...



*Existem seres humanos que não são daqui, sabem? São extraterrestres, dizem que vão morar em outro lugar, que sua terra não é aqui. É complicado, mas este tipo de gente existe! Por isso digo que existem seres humanos-humanos, que são aqueles que nasceram e morreram, ou irão morrer aqui neste planeta mesmo, e permanecerão aqui, porque aqui é o lugar deles! Os seres humanos extraterrestres vão tocar harpa em outro "planeta".
Ah, sim, estes humanos-extraterrestres dizem que existe felicidade absoluta no planeta deles! (acho que o planeta deles é uma nau dos loucos intergalática)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os fios pretos dos postes de luz são..... PATÉTICOS!

Tudo isso me soa tão...
É semelhante à existência das formigas trabalhadoras.

AVISO IMPORTANTE:(Ah, sim, já ia me esquecendo: não leia a última frase deste texto antes de completar a leitura do post completo, certo?)

As pessoas mantém essa rotina homogênea e estável; e os fios que conduzem eletricidade às casas dos prisioneiros apresentam-se, hoje, insuportavelmente mórbidos, venenosos, tonteantes.
São insensíveis estes fios pretos, são frios e calculistas, não demonstram afeto, nem preocupação com a minha dor. (E é óbvio para mim que vocês não irão entender isso, os fios pretos de eletricidade se apresentaram apenas para mim desta forma! Me perdoem por isso)

Minha dor é mais aguda e, talvez (sinto isso) existam outros que sintam algo parecido... É mais forte, exatamente porque sei o ponto específico da dor, o local exposto da ferida aberta, constantemente gritando diante dos meus olhos sem que haja remédio/droga que cure/amenize.

Estou certo - e aqui não existe espaço para um talvez - de que muitas pessoas (muitas, eu insisto) possuem esta dor cravada n'algum lugar obscuro, que têm lapsos de que ela seja cruel/libertadora ou libertadora/cruel, mas que, com olhos e sentidos escamados, não consigam descobrir onde dói, nem porque... E, talvez (talvez somente) lhes seja melhor assim, a sobrevivência de uma espécie forte depende da resistência de apenas alguns, jamais de todos - assim nos vocifera a natureza!

Saber ou não saber do local ou da causa desta dor, entretanto (e contraditoriamente)pode ser indiferente, dependendo do SEU ponto de vista... Lembre-se: DO SEU PONTO DE VISTA!!! Há quem prefira saber esses detalhes, eu sou um deles!
Ironicamente, todos possuem essa dor e, conscientes ou não, a experimentam por toda sua efêmera vida.

Qual é, pois, a diferença? Pouca, pra não dizer inexistente, reconheço! Apenas que uns poucos humanos conseguiram entender a grande ironia (o termo "filha da putagem" também cabe neste contexto) do Universo. Uns poucos de nós perceberam a grande farsa da existência; uma minoria enxergou o pano azul de fundo dos efeitos especiais, as máscaras de plástico, as linhas finas e frágeis e as madeiras podres que sustentam esse teatro dos horrores. E é neste ponto que se perde a graça!!! Entendem?

Nós, que sabemos a causa e o local da dor humana, ouvimos a mesma piada repetidas vezes. Sim, nós mesmos exercemos o mais imbecil papel de explicar a piadinha!
E assim é que paramos de rir dessa comédia idiota e patética que é a civilização e de tudo o que ela construiu (acho que agora dá pra entender um pouco "os fios pretos dos postes de luz"... acho...rs).
Paramos de rir, entretanto, apenas porque essa piada ficou "sem sal", por que "não cola mais". Queremos uma piada nova. (Quando ouvirmos uma nova piada, apesar de saber agora que será apenas mais outra piada que também perderá a graça, riremos novamente com muito prazer, não tem importância)!

Parece simples quando expomos desta forma, não é?

Então me responda!!! SÃO AS FORMAS QUE NOS ENGANAM? TEM UMA VERDADE MILAGROSA E DIGNA DE SER OUVIDA OU DESCOBERTA POR DETRÁS DE TODAS AS APARÊNCIAS?

NÃO! NÃO RESPONDA! Deixe que eu mesmo o faça, já que este é o momento em que você apenas lê (rsrs)

NÃO ESTAMOS SENDO ENGANADOS, as formas são o que são, apenas formas que ocultam o vazio. E todos (a maioria de que falei anteriormente) acreditam piamente que as aparências enganam, pois desejam desesperadamente que exista um conteúdo que lhes acalme e amenize aquela dor desconhecida, aquela "coisa chata" que sempre quer sair à tona... E aí as aparências se transformam em vilãs, as grandes culpadas da nossa completa insatisfação, a causa de sermos imagem e semelhança de sanguessugas, querendo sempre mais!

Estou consciente de que alguns críticos superficiais (pensaram que me esqueceria de vocês, oh antíteses esquizofrênicas?) gostarão de confrontar-me, alegando que: "se as aparências escondem o vazio, LOGO... escondem alguma coisa. Portanto, pegamos você!"
hahaha! E eu me rio de todos estes pseudo-aristotélicos/platônicos. Porque estes superficiais mal desconfiam de que esta mesma é a ironia, pois o Vazio (ooh, que medo do vazio) é também uma forma! E que, no fim, este grande Universo não passa de formas que ocultam outras formas! Talvez os russos sejam os que melhor podem entender a Sagrada Ironia da Grande Matrioshka do Universo! (deprimente isso)

Os gregos disseram assim: "Olha, o átomo é indivisível". Daí vieram uns filhos da puta, destruidores de castelinhos, e contestaram: "Não, tem um negócinho dentro do átomo, por isso vocês estão equivocados". Aparecem outros palhações e zombam: "haha, existe um mundo subatômico" E daqui a pouco vão alegar que as cordinhas que vibram no universo (teoria das cordas) são apenas um esconderijo de violinos irritantes minusculos feitos de matéria escura!!!!! (essa é a hora que você fica espantado)
Já me esqueci porque estou publicando isso neste blog! Alguém lembra? O mesmo motivo pelo qual o personagem do filme "O náufrago" conversa com uma bola de volei?... Tanto faz!
Os fios pretos dos postes de luz são... Não são patéticos! Complete com outra palavra pra variar! Credo!
Sim, eu estou de férias! Sim, minha insônia hoje tomou anabolizantes! Sim, eu chamo isso de ócio produtivo! Sim, foda-se se não for produtivo pra você, porque é produtivo pra mim! rs

AQUI, ÚLTIMA FRASE DO POST!
Parabéns, você é curioso e leu a última frase antes de todo o texto! Já é um passo dado rumo à destruição de outras regras! rsrs (mensagem especial para quem não cumpriu a ordem da primeira frase deste texto)se você disse: que idiota! diga isso mais uma vez... PARA VOCÊ!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano Novo, Relógios e RUM!

5

4

3

2

1... e meio!

É à meia noite que os mortos surgem? É exatamente às 00h00m o horário em que as bruxas ficam soltas e os espíritos nos incomodam? Os espíritos tem pontualidade inglesa, né? Ah, Fala sério!

Só no exato 00h00m é que a cinderela se transforma numa escrava porralheira? E o horário de verão? E o fuso horário!?

E A TEORIA DA RELATIVIDADE? Se eu estiver numa velocidade que ultrapasse a da luz, minha meia noite ainda estará correta?

O que há de diferente entre o dia 31 de dezembro e o dia 1° de janeiro?

Qual calendário está correto, o ocidental cristão, o dos chineses, ou o dos judeus?
Qual ANO NOVO é novo mesmo!?

E por que prometemos tantas coisas, se, no fim, sabemos que não iremos cumprir?
Esperança? Porque tanta esperança somente na virada do ano? Tem um EXU do Ano Novo que faz um monte de coisa acontecer repentinamente exatamente à meia noite? Na virada! (vira, vira, vira de ladinho, isso delicia!...)

E se o meu relógio quebrar às 23h59m? Quer dizer que eu ainda vou estar no Ano Velho?

Qual é, então, a razão pra gente comemorar tanto a "virada" do ano (ele gosta de ladinho)?

É porque nós todos gostamos de beber, de encher a cara, de diversão, de sexo, de felicidade, de alegria e dos prazeres transitórios, só por causa disso. Todas as outras razões só servem pra mascarar estas primeiras. As outras razões são sub-razões. Pode até ser que alguém dê, de verdade, valor a estas coisas clichês de ano novo: amor, paz, prosperidade, sucesso e blablalba...

E mesmo essa pessoa adora as comemorações de ano novo, porque quer estar junto com seus amigos, quer se divertir, quer celebrar o ócio que não tem o ano todo! Querem dormir apenas quando o sol aparecer, porque, afinal, o sol é um chato, ele só aparece pra avisar que precisamos trabalhar...

Já a noite, a noite é que deve ser aproveitada, é o lugar dos vagabundos, dos boêmios, dos músicos, dos loucos, de todos quanto divergem da normalidade, dos padrões normativos da sociedade... CARPE NOCTEM!

No fim, o que eu curto no ano novo não é exatamente o ano novo, pois eu vou estar no dia 1° de janeiro apenas, não posso jamais viver o ano novo como um todo, pois são 365 dias!!!! Só posso viver cada dia... e cada noite! O que curto no ano novo é minha família, meus amigos e amigas, e o meu Rum!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Read-me!

Faz um tempão que não escrevo nada neste blog!

E não senti nenhuma falta disso! rs

Vou escrever um pouco sobre as férias!

É tão maravilhoso quando não se precisa trabalhar, acordar cedo pra faculdade (no meu caso, ir pra faculdade sem dormir).

Somos tão estranhos. Ninguém, em sã consciência, gosta de trabalho. Não é de se espantar que "trabalho" venha da palavra "tripalium" (algo parecido com que o Drácula fazia com suas vítimas...) Arrancar as tripas pelo ânus! Sim, é exatamente esse o significado dessa palavra! Tripalium era o que os romanos faziam com os maus escravos...

Com o tempo, "tripalium" se tornou "trabalho", que se transformou em empreendimento, e agora somos incitados à tortura desde nossa concepção e chegada ao admirável mundo velho dos homens!


E aí, o que acontece nas férias!?

Acontece aquilo que deveria acontecer todo o tempo da nossa vil existência: Excesso, embriaguez, diversão, discussões familiares e de relacionamentos, festa, sexo etc!

Quando chega as férias do final de ano, todo mundo quer fazer tudo o que, durante o ano todo, não puderam fazer por culpa do trabalho!


Não, não sou vagabundo! Luto pelo meu direito ao ócio! Por que negócio (negação do ócio) é a coisa mais desumana que inventaram! E não falo apenas por mim, falo por todos, porque, no fundo, no fundo, ninguém gosta de trabalhar, exatamente por que ninguém gosta de ser torturado!

Ninguém gosta da dor, mesmo os cristãos (peritos no sofrimento e na piedade).

Só o que gostamos é do prazer! Mas precisamos sentir prazer às escuras, nos becos... Ninguém pode saber que sentimos prazer! O prazer é feio socialmente... E isso é tão hipócrita, porque todos querem desesperadamente o prazer, mas proferem maldições contra ele!

E por hoje é só pessoal! abraços!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Louvor a Dionísio!

Desde que te conheci não pude mais me controlar, não pude mais esconder-me de mim mesmo, nem fugir de quem sou.

Você abriu meus olhos, me fez enxergar as cores da natureza, as formas sensuais do caos, do abismo e da morte.
Me fez ver força e coragem na tristeza e paz no desespero. Tudo se transmutou, se modificou. O mal tornou-se bem, e o bem, mal! E percebi que ser feliz é coisa que se desfruta no prazer da carne, na sensualidade da pele, no toque dos lábios, no cálice de tontear, em tudo o que não tem regras, limites ou impedimentos.

Desci às profundezas de meu animal interior, minha besta oculta, a selvageria que a todos desagrada ficou-me descoberta.

E a todos não fiz questão alguma de esconder que amo minhas profundezas e que não me envergonho das minhas podridões mais fétidas, dos vômitos mais nauseantes, das palavras mais torpes.

Por que, de fato, quanto mais regredi ao meu original humano, ao instinto mais baixo e vil... Quanto mais soltei os cães que em mim gritavam, mais cheguei perto do ar puro, da respiração sem vício, longe da massa, longe do povo decadente, longe do berro atordoante das ovelhas...

Oh, Dionísio, que em tudo me guias: nas sendas de heroismo e tragédia! Oh Dionísio, deus da desgraça e do amor, do ódio e da ascendência... Amo-te com ódio em carne viva!

Levanto minha taça e brindo tua loucura!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Qual será o futuro das religiões???

O discurso a respeito do conceito de passado, em geral é o de superação ou de esquecimento, tanto é assim que demos-lhe este nome "passado". No cristianismo, uma das religiões que moldaram nossa cultura ocidental, o passado de alguém que "nasceu de novo", que se tornou cristão, é altamente perigoso, deve ser banido, importa apenas quem ele é agora como discípulo de Cristo.

A nível de mentalidade social (o inconsciente coletivo), o futuro se apresenta como progresso, avanço, esperança no melhor.

Por fim, geralmente o presente fica boiando no nada, pois ora estamos jogados no amanhã, esperançando utopias, ora estamos presos no passado, revivendo dores ou momentos agradáveis que não voltam mais.

De uma ou de outra forma, querendo ou não, estas operações mentais são realizadas no presente, quer dizer, eu e você, como cérebros pensantes, fazemos a síntese de passado e futuro no aqui e agora; futuro e passado, portanto, se transformam em cinzas em nossas mentes, justamente porque ocorrem no presente que, para nós, não tem valor algum.

A religião, como fator social, sempre existiu e existirá enquanto houver uma sociedade; e ela pode "aparecer" (fenômeno)também de formas não convencionais. Para que surja uma religião basta que haja crença, um sistema rígido que prescreva uma moral e defensores que a preserve das opiniões contrárias (heresias).

Deste modo, não necessariamente precisa-se existir um deus ou seres espirituais para que uma religião apareça.

Foi o que aconteceu com a economia dos modos de produção capitalista, que se transformou em uma grande religião social. Há todo um panteão, paraíso, bençãos e imortalidade na doutrina capitalista.

Não é somente a economia que pode se tornar religião, também os mecanismos de controle do Estado e as Instituições estão sujeitas a isso. E aí o perigo sempre é grande.

Quando falamos em "futuro das religiões" pensamos em novidade, em coisas diferentes, misteriosas e desconhecidas e que possam trazer respostas às perguntas mais complexas da nossa existência. Mas os homens são sempre homens (coisificados ou não) e os problemas que afligem os homens serão sempre problemas de homens. E os homens nunca querem resolver seus problemas...

O futuro das religiões está conectado ao futuro do homem, mas o homem não é tão importante para o Universo e é altamente descartável diante do funcionamento do cosmos.
Como disse Schopenhauer em seu livro "A arte de insultar":

Quase sempre, os chamados seres humanos não passam de uma sopa rala com um
pouco de arsênico.


Se o planeta Terra sofrer um "tilt", o homem some e some também tudo o que é do homem e que está conectado à sua existência: linguagem, história e religiões.


O que eu invejo nos animais é a memória seletiva. Nós damos importância a tantas coisas desnecessárias e investimos nelas tanta força, e se olharmos com um pouco menos de encantamento, nossa existência (que é singular e única) é tão efêmera pra se preocupar com questões igualmente vulneráveis. O problema é que temos apenas isso pra fazer aqui.

Por isso temos tanta necessidade de nos agarrar à história, ao universal coletivo que nos mantém vivos no giro frenético da Roda. A natureza toda, porém, permanece indiferente aos nossos sons desesperados.

Enfim, tudo muda, tudo é movimento e, como diria meu amigo Fábio: "quanto mais muda mais igual fica". E a história da humanidade pode nos mostrar que onde há humanos conglomerados há sempre as mesmas histórinhas, os mesmos probleminhas, tudo igual, com pouquíssimas diferenças.

O fato é que NÓS NÃO QUEREMOS MUDAR! Mudar é muito cansativo! Queremos a ORDEM! Queremos o conforto! Por isso é que as religiões prometem toda esta Ordem no Universo, todo este conforto da estabilidade. E também o ESTADO promete esta ORDEM E ESTABILIDADE. A impressão que eu tenho é que todos nós estamos sufocados, com fome e sede de ORDEM e ESTABILIDADE. Chega a ser esquizofrênica nossa ânsia por isso.

Não nos parece, portanto, que sofreremos modificações importantes e radicais, talvez aconteçam modificações apenas para manter toda esta civilização que já está pronta, apenas para manter a "ordem no universo".

Então, a resposta à pergunta: Qual é o futuro das religiões? torna-se fácil de ser respondida: O futuro das religiões é o futuro dos homens.

Qual é o futuro dos homens? O mesmo de sempre com 0,001% de modificações.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Indicação de Filme: Die Welle (A onda)

O assunto do filme: fascismo, ditadura, ideologia e adesão cega a totalitarismos.

"A Onda" é um filme intrigante e sedutor. É um tema atual, pois, mostra a outra face das ditaduras: aquelas que nós acreditamos e defendemos, uma que está debaixo dos nossos olhos, mas que fingimos não ver.

Um professor é convidado a lecionar história e política em uma escola na Alemanha.
Rainer Wenger, pretende mostrar como são os mecanismos do fascismo dentro de sala de aula, como um experimento em grupo. (algo parecido com uma experiência feita em Stanford.

Os alunos começam a viver como se estivessem realmente em um regime fascista, mas apenas para fins de ensino...
O problema é que eles passam a acreditar no "regime"... Ao qual colocam o nome de "A onda"

No filme, a adesão dos alunos à ideologia ditatorial (embora experimental) ocorre de forma urgente e impensada. Não foi o professor, entretanto, em sua experiência solitária, que conseguiu seduzi-los, subjugá-los. Os alunos já se encontravam em situação caótica, por isso qualquer aparência de liderança que surgisse teria adesão com igual intensidade.

Coisa parecida ocorreu com o nazismo e outros regimes (e o filme tenta levantar esta discussão). "Pintamos"(trocadilho...) Hitler em toda a sua monstruosidade como se ele fosse sozinho responsável por todo o genocídio nazista. Esquecemos de que todo o povo aderiu suas idéias, já tinham uma mentalidade parecida com a de seu líder, houve uma sinergia entre ambos, povo e liderança. Hitler apenas representava, apenas atuava, exercia o papel que o povo queria exercer, ou seja, quem praticou toda a barbárie nazista não foi Hitler apenas, mas todo o povo em conjunto.

Israel e alguns judeus também incorrem no mesmo erro se olharmos as barbaridades que praticam contra a Palestina! (O oprimido que agora oprime a outros - o círculo vicioso)

Também a igreja católica já possuia, bem antes de Hitler, campos de concentração anti-semitas, e leprosários onde eram depositados e esquecidos os doentes... (Mas disso é proibido falar!)

Nossos hospitais (como lugar de afastamento dos doentes da vida social) e nossos sistemas penitenciários também são exemplos próximos a este assunto...

Em épocas de eleições, em que alguns dos candidatos à presidência do Brasil promovem o discurso amigável das grandes empresas e escondem nas entrelinhas o totalitarismo da classe dominante, este filme é um bom aperitivo de discussões e possíveis mudanças de atitudes.

Quem quiser assistir (tenho 3 links pra baixar):

Clique aqui

Aqui

Ou Aqui

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Entrevista com Heidegger...

A todos os meus leitores:

Tudo bem? Eu resolvi postar as anotações que estou fazendo para o seminário que estou apresentando na faculdade sobre Heidegger.

Esta postagem, eu sei, só irão gostar aqueles que já tem algum conhecimento sobre ontologia (o estudo e a busca do ser das coisas, o fundamento etc). Mas se alguém quiser se aventurar, seja bem vindo ao maravilhoso mundo do não-ser!

Apesar de não gostar muito de Platão, tenho que admitir que o modo que ele se utiliza para expor suas idéias é muito bom. Então eu fiz, em algumas partes das anotações, um diálogo ao modo platônico (um pouco mais divertido...Porque não tem hiperurânio!), entre Heidegger e uma entrevistadora.

Antes, porém, deixa eu dizer quem foi Heidegger rapidinho:

Martin Heidegger nasceu em uma pequena cidade alemã (Messkirch) em 26 de setembro de 1889 e faleceu em 26 de maio de 1976, na mesma cidade onde nasceu. Seu pai era sacristão e sua mãe era amiga da mãe do jovem Conrad Grober, que viria a se tornar arcebispo de Friburgo. Foi filósofo, escritor, professor universitário em Manburgo e em Friburgo, onde exerceu também o cargo de Reitor em 1933.

Em 1909, ingressou na Universidade de Friburgo e iniciou o curso de teologia. Paralelamente, continuou seus estudos sobre Aristóteles, e iniciou as primeiras leituras de Husserl, que o levariam ao método fenomenológico. Interessou-se também pela filosofia de Maurice Blondel e pelo pensamento de Kierkegaard, que o fez refletir sobre outro tipo de pensamento que não o católico.

A partir de 1911, influenciado pelo filósofo Heinrich Rickert , Heidegger estudou as obras de Hegel, Schelling, Kierkegaard e Nietzsche, Kant, Dostoievsky, Rilke, Trakl, e começou a redigir textos que resultariam em obras posteriores.

O pensamento de Heidegger gira em torno da existência humana, suas dificuldades, a linguagem humana e o velho problema filosófico que o Ocidente herdou dos gregos: o problema do Ser (ontologia).

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Heidegger pretende:

Constituir uma ontologia que permita compreender o Ser e interrogá-lo, mesmo que isso seja vago, mas de modo a conseguir uma determinação plena e completa do sentido (Sinn) do Ser.

Em qualquer pergunta pode se distinguir 3 coisas:

 O que se pergunta;
 Aquele a quem se pergunta, ou que é interrogado;
 Aquele que pergunta.

1- Aquele que pergunta é o próprio ser
2- O que se encontra é o sentido do ser
3- Quem se interroga, porém, é um ente

Primeiro problema da ontologia:

 Qual ente deve ser interrogado??? (what a hell!)
Ou seja: A qual ente deve-se dirigir especificamente a pergunta sobre o ser???

O ser interrogado pelo Ser é o Dasein (ser-aqui, ser-aí, ser-jogado, etc).

O homem é o Dasein, é o ente que foi interrogado pelo Ser, é o único que pode se perguntar. ---Primado ontológico.

Apenas interrogando o modo de ser do ser-aí (dasein) é que se pode descobrir o sentido do ser.

O modo de ser do ser-aqui (dasein) é a existência.

Por isso, a análise desse modo de ser será existencial.


Eu sou um Dasein, ele é um Dasein, tu és um Dasein. Nós, porém, não somos Dasein!!!

O Dasein é singular, nunca geral ou universal, é portanto, único.

Deste modo, a existência de cada Dasein constitui o fator mais importante da ontologia heideggeriana, pois aponta o número infinito de possibilidades de modos de ser do Dasein.
As possibilidades constituem o próprio ser do Dasein. Não são contingentes nem lógicas.

O Dasein pode escolher-se e conquistar-se ou pode perder-se (não se conquistar ou conquistar-se aparentemente).

A análise existencial cabe a cada Dasein singular, é condição de sua própria existência ser interrogado pelo ser, não há como fugir. Uma vez jogado... já era!

Cuidado: Esta análise deve ser feita pelo método fenomenológico. Em caso de hiperfraturação molímbica da consciência, chamar o Açougueiro!

Máxima da fenomenologia: “Apontar diretamente para as coisas.” O fenômeno de que fala a coisa não é aparência, mas uma manifestação, uma revelação daquilo que a coisa é no seu ser. É um abrir-se, é o manifestar-se do fenômeno da coisa, é a coisa própria! (ui!)

(quer dizer, para Kant, a coisa em si não pode ser conhecida... Kant não pode ver a coisa em si, apenas aquilo que lhe aparece da coisa, os dados da coisa -ou ele não quer ver a coisa em si? - Heidegger, porém, quer ver a coisa em si, ele afirma que a coisa se abriu totalmente para ele por meio do fenômeno, o que aparece para ele é a própria coisa, e ele está muito empolgado para descobrir seu gosto!)


Bate-rebate

1-Qual a estrutura fundamental da existência?
R: A Transcendência.

2-O que é Transcendência?
R: É superação, é ultrapassagem.

3-Qual é o fim para o qual o homem transcende?
R: O mundo.

4-Como poderíamos definir melhor a Transcendência?
R: Como um “estar-no-mundo”

5-O que é o mundo?
R: É a estrutura relacional que caracteriza a existência humana como transcendência


6-O que significa transcender para o mundo?
R: Fazer do próprio mundo o projeto das possíveis atitudes e ações do homem.

7-O que é liberdade?
R: É projetar, é o esboço que cada Dasein se propõe para transcender.

8-O homem é livre?
R: Sim e não!O homem é livre quando ultrapassa, quando supera, quando esboça seu mundo, sua existência, mas, fazendo isso, está já se limitando, pois tornar-se-á dependente deste esboço que fez.

9-O homem está condenado?
R: Não, pois ele está vivo (está jogado aí)

10- (irritado) Aí aonde?
Está jogado... Aí, no mundo das possibilidades, sempre ele poderá mais, ou seja, sempre haverá possibilidades diante dele.

11-O homem existe, isso eu entendi! O que é existir?
R: É estar aí, é ser Dasein.

12-O que é ser Dasein?
R: É estar obrigado a transcender, a estar jogado diante de possibilidades.

13-Qual é o modo de ser fundamental do próprio homem?
R: A compreensão de que ele está jogado diante destas possibilidades.

14- E os outros?
R: Que outros?

15-Ora, os outros daseins! Como fica a relação com os outros daseins, os outros homens jogados-aí?
Podemos dizer que a “substância” do homem é a sua existência, esta existência é constitutivamente uma abertura para o mundo e para os outros.

16- Isto significa que eu não posso viver sozinho no mundo ou ter um eu isolado?
R: Exatamente!

17- Se o homem está ligado constitutivamente aos outros, poderíamos dizer que ele é capaz de ser ético por si só?
R: Sim. Concluímos então que: não é possível um “sujeito sem mundo”, nem um “eu isolado”. Tudo está na relação. A morada do ser (ethos) é construída por meio da linguagem, que é própria do homem, do dasein.

A relação entre os homens (e também dos homens para com as coisas) é o de cuidar dos outros.

Existem duas formas de co-existir:

1- A co-existência inautêntica: em que um dasein tenta retirar os problemas do outro
2- A co-existência autêntica: em que um dasein abre ao outro a possibilidade de se encontrar e realizar seu próprio ser.

Existem também duas formas de compreensão existencial:

1- A autêntica: em que o homem parte de si mesmo para tanto;
2- A inautêntica: em que o homem depende dos demais, tudo o que os demais fazem, ele faz... “Maria vai com as outras”; nesta forma de compreensão existencial, o ser do dasein fica ocultado.

A Linguagem é, por natureza, a revelação do ser, por isso, um cara que tem uma existência inautêntica (Maria vai com as outras) se encaixa na frase: “Eu sou assim porque todos são assim”...

Um cara (dasein) desses é tão vazio que quer encher-se cada vez mais do novo, por isso a curiosidade é um outro caráter dominante dele, mas não a curiosidade sobre o ser das coisas, e sim sobre a aparência, por conseqüência, o equívoco.

Equívoco é a terceira distinção deste tipo de existência anônima (inautêntica).

-Heidegger, o que é dejecção?
R: É o movimento de um homem deixar de ser homem para ficar no nível das coisas no mundo, quando ele se transforma de homem em fato.

-Quando isso acontece?
R: Quando o homem vive de forma inautêntica, anônima.

-Isso é ruim? Quer dizer, isso é imoral?
R: Não se deve fazer juízos de valor. A existência inautêntica também faz parte do ser do homem. É como um movimento vertiginoso, um processo interno no homem. Mas que o homem deixa de ser homem pra ser apenas um fato, isso é verdadeiro mesmo... Conheço tantas pessoas assim...!

-O que fazemos com essas pessoas?
R: O mesmo que fazemos com as coisas, cuidamos delas para utilizá-las! (rsrsrs)

IMPORTANTE: Quando o homem vive uma existência inautêntica, ele vive diretamente em uma situação emotiva (Befindlichkeit). Sente-se abandonado a ser o que é de fato.
Ou seja, A situação emotiva diferencia-se da compreensão existencial na medida em que esta é um contínuo projetar-se para o futuro.

(A existência autêntica projeta-se, transcende / A existência inautência aceita a facticidade, contrai-se)
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O que Heidegger entende por:
A Existência Autêntica e o Viver Para a Morte

Para entender melhor, vamos por partes, cartesianamente, açougueiramente:

1- Há no homem a consciência.
2- Esta consciência não é clausura, é abertura
3- Esta consciência chama o homem para aquilo que ele é e não pode deixar de ser
4- Esta consciência pede a existência autêntica

Afinal: qual é o núcleo sólido, certo, insuperável para o qual a consciência chama o homem e no qual deve basear-se a sua existência autêntica?

Sem pressa!!!!

-A existência humana se constitui por possibilidades
-Nestas possibilidades projetamos e transcendemos
-Todo projetar-se ou transcender lança o homem ao mundo dos fatos novamente.
-O homem se projeta, transcende, mas depois cai e fica no nível de todos os demais entes do mundo (dejecção)
-(eterno retorno)
-Apesar de nossa existência ser constituída de inúmeras possibilidades, todas elas se nivelam, são indiferentes, posto que todo transcender joga o homem novamente no mundo (este mesmo é o fim da transcendência)
-Isso significa que na própria estrutura do ser está incluída uma “nulidade essencial”.
-Tudo o que o ser-aqui pode planejar a partir das suas possibilidades, reincidindo sobre o que já existe, é um projeto nulo ou um nada enquanto projeto.

"A nulidade existencial, afirma Heidegger, não tem de forma alguma o
carácter de privação ou de deficiência relativamente a um ideal que é proclamado mas que nunca se alcança. O que acontece é que o ser desta entidade é nulo anteriormente a tudo aquilo que pode planear ou alcançar, e já é nulo como mero planear"

-Quando a consciência chama o homem, chama para a forma última e mais radical do nada... A MORTE!

Entrevista com um nazista (rsrs.brincadeirinha!):

1-Heidegger, o que não é a morte?

R: A morte não é um ponto final, não é uma conclusão, não é o fim de sua existência. Não é um fato (pois se fosse estaríamos mortos).



2-O que é a morte?

R: É a possibilidade propriamente dita, porque diz respeito ao próprio ser do homem. É uma possibilidade incondicionada, porque pertence ao homem enquanto individualmente isolado.



3-Qual a diferença entre todas as possibilidades e esta possibilidade, a morte?

R: Todas as possibilidades jogam o homem diante de outras coisas, a morte joga o homem para si mesmo, torna-o uma possibilidade insuperável, é a extrema possibilidade de sua existência!
Apesar de não ser uma evidência necessária (apodítica), a morte se relaciona de uma maneira essencial com o aspecto autêntico da existência humana.



4-O que faz um homem diante da morte quando sua existência é inautêntica?

R: Foge... E considera a morte como um caso entre os muitos da vida de cada dia, oculta seu caráter de possibilidade imanente e procura esquecê-la, procura não pensar nela, entrega-se a preocupações quotidianas e corriqueiras.



5-O que faz um homem diante da morte para viver uma existência autêntica?

R:Ouve sua consciência.



6-O que sua consciência faz?

Sua consciência o chama para a morte, fá-lo sentir em dívida para com sua verdadeira natureza e o encaminha para uma decisão antecipadora que projeta a existência autêntica como um viver para a morte.



7-Devo praticar suicídio para ser autêntico?

R: Você, sim! Brincadeira, rsrsrs! Não!!! A morte deve ser entendida como uma pura ameaça suspensa sobre o homem.



8-Ah, entendi! Boa essa!(ri um pouco) A morte deve ser esperada?

R: Também não, a não ser que ela venha acompanhada de doces! rsrs! Outra brincadeirinha! Não deve ser esperada, pois quem espera a morte deseja que ela se realize, realizar a morte é o mesmo que um suicídio, ou seja, é a negação da morte como possibilidade de uma vida autêntica. (isso significa que vida e morte estão ligadas, para ter uma vida autêntica é preciso compreender que a morte é quem proporciona a autenticidade da vida)



9-Que diabos então significa “viver para a morte”?

R: Compreender a impossibilidade da existência!



10-O QUÊÊÊ?????!!! Quer dizer que existir é impossível????

R: ???!!! Nossa, pra que tudo isso?



11-Primeiro você diz uma coisa, depois você a refuta!

R: ... O que quero dizer é que a existência é essencialmente, radicalmente, impossível!!! O que é possível é a compreensão desta impossibilidade. Viver para a morte é exatamente esta compreensão da impossibilidade da existência, é precisamente isso o que torna a vida autêntica.



12-Vou fingir que entendi e te fazer outra pergunta: A angústia deve surgir neste momento, certo? (eu já estou angustiado só de pensar!)

R: rsrs. A angústia realmente surge desta “sacada”. Mas é ela quem “mantém aberta a contínua e radical ameaça que sai do ser mais íntimo e isolado do homem”. Com a angústia, o homem “sente-se em presença do nada, da impossibilidade de sua existência. Ela coloca o homem fundamentalmente cara-a-cara com o nada!



13-Cara, foda-se você. Acho que vou praticar suicídio e viver inautenticamente mesmo.

R: Não, espere um pouco! Deixe eu te explicar uma coisa.



14-Tudo bem, última chance!!

R: Na angústia, a totalidade da existência converte-se em algo transitório, acidental e fugidio, no qual o próprio nada revela também o significado autêntico da presença do homem no mundo: ESTA PRESENÇA SIGNIFICA MANTER-SE FIRME NO INTERIOR DO NADA! Entendeu?



15-Mais ou menos! Quer dizer, agora ficou melhor, mas ainda estou com uma ponta de
angústia, sabe? Por que vocês filósofos gostam tanto de provocar crises existenciais?

R: Por que, dizem, é mesmo esta a nossa única utilidade! hahahaha! De qualquer forma, você precisa saber que A REVELAÇÃO DO NADA NÃO É A NEGAÇÃO DO MUNDO.



16-UFA! Eu pensei que nada tivesse sentido algum. Pensei por um momento que é indiferente eu projetar algo para o futuro ou não, pois isto seria nulo.

R: Mas é indiferente mesmo, só que isso não é ruim, entende? Como já foi dito antes, não se deve fazer juízos de valor aqui.
Você foi jogada na existência, você está-aí na completa nulidade do ser, pois o nada é configuração estrutural do ser, mas é preciso superar isso, é preciso transcender e permanecer nesta mudança, neste devir, é preciso compreender esta impossibilidade e se manter firme no nada! E isto torna o homem autêntico em sua existência. Só isso!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Entretenimento!

Qual é a melhor forma de se divertir?

Para um tolo é fazer os outros rirem, mas para um espírito livre é fazer rir as suas próprias entranhas.

Por isso, na maior parte do tempo, estou rindo. Não é porque a vida é engraçada. A vida não é cômica! Rio, pois sei que a existência da humanidade é totalmente vazia de sentido, e que todos representamos papéis específicos na sociedade, mas que tudo é falso, tudo não passa de um grande divertimento.

Agora, minha atitude não é mais a de xingar o mundo, me revoltar contra a sociedade hipócrita e castrante ou arrancar meus cabelos.
Agora eu dou risada de tudo!

Quando vejo uma pessoa trabalhando duro, dando "ralo", obedecendo as normas da sociedade com tamanha dedicação... Não posso mais segurar o riso! É tão ridículo e cômico!

Todos nós estamos obrigados a seguir alguma norma para manter algum tipo de vínculo social... E só restou o riso e o entretenimento.

Pessoas sérias demais são cegas demais também. Observem os moralistas e verão quão sérios eles são!

Homens de idéias, de imaginação criativa e farta sempre se divertem.

Algumas pessoas (a grande maioria) afirma que eu sou louco porque rio sozinho.
E os psicólogos, como sempre, afirmam que rir é uma característica social do homem.
Eu discordo, pois rio o tempo todo. E minhas melhores gargalhadas ocorreram quando ninguém estava por perto!

O problema é: rir sozinho causa incômodo nos demais.

Se alguém vir você rindo sozinho enquanto anda na calçada... Nossa, que absurdo!
Se alguém vir você rindo com duas ou mais pessoas... Estão se divertindo!

Geralmente, alguma imagem absurdamente hilária e cômica passa na minha mente e eu começo a rir. Sempre aparece alguém que pergunta: "Do que você está rindo?"

Não adianta responder essa pergunta, porque a imagem se apresentou engraçada apenas para mim, e nisto consiste meu melhor entretenimento, quer dizer, quando uma coisa é engraçada apenas para mim e mais ninguém conseguirá decifrar o porquê!

Estou escrevendo isso porque gostaria que meus leitores descobrissem o prazer de rir de suas maiores ou piores maluquices; que riam de si mesmos da forma mais solitária possível, pois existem entretenimentos sociais maravilhosos, mas o entretenimento consigo mesmo é tão mais puro e refinado...

O prazer de saber coisas que ninguém poderá entender, porque só se manifestaram para você! O orgulho de ser único, de ser original, de criar e inventar o novo o tempo todo apenas com o intento de se dar um prazer!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um pouco de música diferente

O que vc acha de ouvir novos tipos de música?

Que tal ouvir Bartók? Conhece?



PARTE I:


PARTE II:



Béla Bartók (aos desavisados... era um homem, apesar de seu nome ser Bela!) nasceu em Nagyszentmiklós (Hungria), hoje Sannicolaul Mare (Romênia) em 25 de março de 1881. Aprendeu música e piano com a mãe, a partir dos cinco anos. Aos oito, perdeu o pai. Estabeleceu-se desde 1894 em Pozsony, atual Bratislava, centro cultural importante, onde fez estudos musicais regulares, embasamento técnico de sua atividade criativa.

Realizou, a partir de 1905, em companhia de seu amigo Zoltán Kodály, a pesquisa sistemática da música popular húngara, revelando-a completamente diversa da que se divulga como tal, ocidentalizada e desfigurada pelos músicos ciganos. Esse levantamento, sempre criterioso e objetivo, daria a matéria-prima fundamental de sua obra, particularmente de 1926 em diante, quando esta amadurece e adquire feição inteiramente original.

A sonoridade de sua música é bem diferente do que estamos acostumados, eu particularmente sou admirador fiel de Bartok. Conheci e toquei (e toco) algumas obras dele nas aulas com minha querida professora de piano, a Cidinha (que tb é fã dele)

Apreciem!

Mais informações, encontre em: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/bartok.htm

Prelúdio para reflexões sobre ódio e indiferença...

(este texto é anterior àquele que publiquei sobre "reflexões sobre o ódio e a indiferença")

É engraçado o trajeto dos meus olhos quando estou em situações, no mínimo, constrangedoras. Pior é quando fico diante de algum ser que provoca azia.

Os olhos vão para cima, para baixo, vão para os lados e se encontram no centro, depois seguem perdidos em suas órbitas. Não é medo de encarar o sujeito. Seria compaixão inconsciente talvez?

Temo demonstrar com tal consistência o ódio crônico que se multiplica no fígado. Só que os olhos me denunciam todo o tempo.

Aí, o corpo todo começa a sofrer as consequências da lberação dos sucos gástricos e das substâncias que nos deixam alertas, prontos para socar a cara-de-cú-lavado de qualquer imbecil filho da puta.

Vez por outra, porém, um daqueles anjinhos renascentistas surgem na consciência pregando o amor: é, então, o momento clímax dos movimentos na alma. Um quase ataque epiléptico!

Os músculos se tencionam como ferro, estão preparados para apanhar... Mas também para tudo quebrar; a mão fica mais quente e a respiração ofegante.
Cerram-se os dentes e pratica-se bruxismo com tamanha força que quase se perfura a gengiva.

MAS... Quando se percebe que o inimigo é covarde, capaz de fugir a qualquer faísca de nossos punhos, melhor é sair e tomar um ar... Inimigos assim não valem a pena!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Todo artista é hipócrita!

 A música tem um pseudo-poder. 

Tudo é aparência, seja verdadeiro, falso ou dialético. 
E a aparência é. Ela simplesmente se apresenta diante de nós. O julgamento que fazemos sobre aquilo que nos aparece só acontece depois. O ser é aparência, a gente não conhece nada a não ser pela aparência. 

Teve um episódio, no programa Fantástico,  que várias pessoas foram entrevistadas e perguntaram: "O que importa mais pra você: aparência ou conteúdo?" Aí eu respondi bem alto na frente da televisão: "Não importa, tudo é aparência, quando aparecer o conteúdo de uma pessoa, isso não é aparência também?" 

Essa discussão ridículo sobre aparência/conteúdo ou essência/aparência é um porre! Tudo o que é, tudo o que existe é muito semelhante a uma cebola cheia de casca em cima de outra casca. A gente chama conteúdo aquilo que ainda não se tornou aparência, mas uma hora o conteúdo aparece e deixa de ser conteúdo, agora é aparência, apareceu assim, na nossa cara!

Não entremos em pormenores, coisas deste tipo não merecem nosso desgaste .. 

Hoje, como já faz parte da rotina, senti um desprezo tão grande pelas coisas -  tédio. Restou-me apenas a música. Sentei ao piano, toquei uma música que pudesse me agradar... Senti uma leveza tão gostosa. Uma paz tranquila! 

De fato, a arte, em geral, pode retirar o ser humano do tédio. Mas apenas por um instante, e nisso constitui seu pseudo-poder. Nietzsche, o filósofo bigodudo, disse que: "

Nisto reside sua ação saudável . Ela nos retira da realidade por um momento, é um rapto, um arrebatamento sutil, uma violação apreciável. É uma forma de alienação, porém sem estragos consideráveis, pois a arte (no meu caso a música) logo que nos rapta, imediatamente nos abandona na existência concreta - pareça ela doce ou amarga aos olhos do sujeito. 
 
É um conflito, um paradoxo e também uma solução, do mesmo modo que bebidas alcoólicas, já diria Homer Simpsom.  Por raptar tão violentamente, e abandonar de modo semelhantemente abrupto, vicia! E o vício da arte, da música, é bem pior que qualquer outra droga (sintética ou natural), exatamente porque seu efeito é curtíssimo. É necessário consumir com mais frequência, e em doses cada vez maiores. (talvez deste modo a gente consiga compreender o funk em volume máximo nos carros rebaixados, o sertanejo universitário que segue sempre os mesmos padrões musicais e outros estilos mais repetitivos... É! Isso explica várias coisas) 

Por exemplo, se eu parar de tomar meus remédios contra insônia, o efeito colateral é uma insônia hiper-crônica! Se eu começar a fumar dois cigarros por dia, daqui a uns dias meu organismo me pedirá quatro... 

O livro judeu de provérbios "acerta o pulo" quando diz que a sanguessuga tem duas filhas: uma se chama Dá, a outra se chama Dá. (Provérbios 30:15) 

É trágico, a música e a arte em geral constituem apenas um dos modos de lidar com o tédio, de superar a angústia de uma espécie que se auto-explora, que se auto-destrói e que não pode conhecer tudo. 

Mas é nesse elemento trágico mesmo o lugar onde podemos encontrar a beleza, o Belo. E encarar a música dessa forma só me faz amá-la com mais intensidade. NESTE ASPECTO, artistas são todos hipócritas (do grego: hupokrisis - que tem o sentido de atuar, de exercer um determinado papel, tem um significado artístico, entendam-me!)  Nietzsche dizia que precisamos criar ilusões, porque ele sabia que o sentido da vida não é dado em forma de uma missão divina pessoal, o sentido da vida é algo modelável, precisa ser construído, mais precisamente precisa ser criado de forma artística. Não precisa ser músico, ator, pintor, bailarino ou seja lá o que for. Basta ser criativo, se permitir ser quem você é sem se preocupar com a opinião alheia, se lançar na vida de uma forma positiva, afirmativa, aceitando a tragédia, o drama, mas sem se abandonar em ausência de significado e niilismo.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Reflexões sobre o ódio e a indiferença...

(Eu considero este texto sério -mas pode ser que alguém não tenha as mesmas considerações -, entretanto, peço que leiam-no com cuidado e que se esforcem ao máximo para que não entendam coisas que não estão escritas aqui)

É incrível e extremamente impressionante a capacidade que o homem tem em desenvolver por diversas formas e graus os sentimentos mais pérfidos e insidiosos. Semelhantemente maravilhoso é o modo como podemos assimilar sentimentos alheios. Como somos influenciados pelas opiniões de outras pessoas.
Bom é que se ouça as opiniões, mas que se confira também a consistência delas. Quão interessante, então, pode ser confirmar a opinião de uma minoria (ou de uma maioria, isso não importa). Seria agradável se as opiniões sobre as quais se confirma a autenticidade fossem todas boas. Entretanto, na grande maioria das vezes é sempre ruim ou pior a constatação da realidade, e quando são boas não possuem verossimilhança.

Quando estas opiniões giram em torno de algum outro ser partícipe da espécie humana a surpresa é ainda maior, pois não há limites para o repulsivo, o ultrajante, o patético e o repugnante em descendentes de símios.
E, apesar de sermos todos humanos (animais apenas um pouco diferentes dos demais), deveríamos defender o direito natural ao ódio ou ao desprezo do nosso "próximo", pois ambos os sentimentos também podem ser encontrados facilmente na natureza.

A característica principal dos seres humanos é seu ser social, quer dizer, grande parte do que fazemos tem fundamento apenas por que estamos em sociedade, fazemos o que fazemos porque estamos diante do outro, poucas coisas são feitas por mera vontade individual. Neste sentido, a indiferença seria uma das poucas “atitudes” que poderiam ser consideradas, de certa forma, essencialmente individuais.
O ódio é um sentimento que necessita de um objeto odiável, ou seja, odiar implica ainda na existência do objeto que se odeia, isso pode ocorrer também, por exemplo, com um satanista que ainda pressupõe, apesar de odiá-lo, a existência de um cristo.
Já a indiferença/desprezo pressupõe um objeto apenas no início, pois é um sentimento de ação etérea, sutil, quase que uma inação em direção ao objeto desprezável (como filósofo, permito-me a invenção de palavras – ao menos encontrei uma utilidade em ser filósofo!) Depois da atitude indiferente estar completa, o objeto deixa de existir para o indiferente.
Infelizmente, quando não se consegue deixar de odiar, resta algumas opções não convencionais.
Se o ódio pressupõe a existência do objeto e o sentimento de indiferença o aniquila, o que seria mais indiferente do que a morte?
Portanto, se ainda o ódio domina o sujeito, bom seria dar cabo tanto do objeto material que se odeia(matéria...) quanto do sentimento ou objeto imaterial (forma... ).

Para um nórdico ou qualquer um que não foi contaminado pelo asceticismo do platonismo para o povo (quem lê e entende Nietzsche, entenda o que digo) – que nada mais é do que uma proliferação viral que contaminou todo o ocidente – poder-se-ia facilmente aniquilar ou eliminar o objeto odiável sem que surja culpa na consciência.
Parto da hipótese de que a culpa tenha sido inserida por domesticação asceta na consciência do sujeito. Por este motivo, não aconselharia tal atitude extrema a qualquer pessoa, e se alguém insistir na ação de desfazer-se de uma vez por todas do objeto que se odeia, bom é que se prepare com muita antecedência, pensando em todas as possibilidades, nas piores delas, pois já sabemos empiricamente que tudo tende ao pior... Principalmente quando se trata de ouvir a voz dos instintos mais baixos (e que são os mais fortes, por terem sido tão bem acorrentados pela moral decadente.)
Se se conseguir afastar toda a culpa, se se conseguir tripudiar a polícia e outros mecanismos de controle social, não haverá ninguém mais que condene o sujeito, pois matar é uma atitude inscrita em todas as espécies vivas no universo.

Depois de se mover de tal forma, a parte mais complicada será exterminar o objeto imaterial, isto é, livrar-se da presença eidética/mimética. Isto não será possível literalmente, pois outra característica humana é que nossa memória não é seletiva. Quando digo que se deve exterminar o objeto odiável, não quero dizer que o sujeito se livrará da imagem dele, mas que deverá adotar uma atitude de indiferença, deve-se mostrar tranqüilo quando ela se apresentar à mente, exatamente por que não existe mais materialmente, agora é apenas mais uma das várias ilusões que criamos, não pode mais exercer influência concreta. Isto se chama indiferença, não se movimenta mais por algo que não pode provocar influência concreta.

Sujeitos psicologicamente fracos e dependentes não podem e não possuem capacidade para tanto. E nisto se configura a consciência decadente de um seguidor do platonismo popular, a saber, que a simples imagem representativa, apenas a imagem mental das coisas já é suficiente para atormentar-lhe.
E é exatamente por este motivo que se torna tão dificultoso encontrar pessoas que tenham capacidade de livrar-se do ódio; pessoas que odeiam demais apenas estão dizendo que não podem livrar-se do daquilo que odeiam, que não têm força suficiente para tornarem-se indiferentes...

A indiferença é para humanos superiores, fortes, potencialmente fortes. Aqui se encontra, talvez, a raiz do ubermansch!

Entristeço-me, porém, de tal modo por ter de reconhecer que fui tão bem domesticado por esta sociedade, a ponto de perder a coragem de desfazer-me de objetos tão organicamente desprezíveis (sim, me refiro a humanos)

Isto explica muitas coisas!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A humanidade faz caminhada?

A Humanidade está correndo pelas ruas e se depara com um filósofozinho:
-Bom Dia, Humanidade! Como vai?
-Com as pernas, panaca!
-Ah, sim! E como você está?
-Estou péssima!
-Sim, eu posso sentir sua dor!
-Pode? Como é possível você sentir minha dor?
-Oras, por que sou humano, faço parte de você!
-Quem te disse essa asneira, posso saber?
-Oras, todos! “Eu posso sentir as dores da humanidade” e coisas deste tipo... Sabe?
-(sorrindo sarcasticamente) Estou por dentro deste tipo de assunto!
-Você gosta de filosofia?
-Se eu gosto? Eu adoro! Aliás, devo tudo aos filósofos. Que seria eu, a Humanidade, se não fossem todos os filósofos? Diga!
-Não sei, diga-me você, estou começando a ficar confuso.
-Isso é normal quando se está diante de um universal.
-Um o quê?
-Um universal, seu burro! Humanidade, Amor, Sociedade... São todos ‘universais’.
-Ah, sim, claro! Entendi! São conceitos universais que unificam as partes semelhantes etc. Certo?
-De certa forma, sim!
-Me diga, Humanidade, você existe mesmo ou é apenas um conceito utilizado para que nós possamos obter conhecimento?
-Olha, eu estou fazendo caminhada agora... E essa pergunta tem sido discutida há muito tempo, talvez outra hora eu te responda. Por agora preciso cuidar de minha saúde.
-Tudo bem... Eu já estava meio decepcionado mesmo!
-Como assim? Decepcionado por qual motivo?
-Decepcionado com a Humanidade, com você. O caminho que você esta tomando, para onde você está indo, Humanidade? É deplorável o que está acontecendo com você! Guerras, fome, preconceito, ódio! O que você tem?
-Eu estou indo para a academia. Antes, porém, eu gosto de fazer uma caminhada para chegar lá aquecida. E que papo é esse de guerra, fome, morte? Eu não fiz nada!
-Como não? Você não ouviu nos noticiários? “A Humanidade está perdida!”; ou os pregadores: “A Humanidade está indo de mal a pior!” ...
-Nossa, que absurdo! Difamação! Falso testemunho! Eu não estou perdida coisíssima nenhuma! E não estou indo de mal a pior! Veja como eu sou saudável, forte e bem cuidada!
-Estranho, sua aparência é agradável mesmo!
-Pois, então! Vou jogar vocês todos “no pau”, vou processar por difamação e vou ganhar às vossas custas... Isso é perda por danos morais, viu?
-Fique calma, Humanidade! Não precisa se estressar! (...) Espera aí! Você estudou direito ou coisa assim?
-Oh! Como pode duvidar de minha inteligência!? Se eu sou “a” Humanidade, eu tenho conhecimento total d”a” humanidade, não é?
-Seria incoerente o contrário... Desculpe!
-Tudo bem, está desculpado!
-Bom, eu não vou mais te incomodar, você já tem problemas demais, não?
-Claro! Tenho que buscar minha filha na escola, fazer o almoço pro marido, lavar roupa. Sabe como é, né?
-Não! Você tem marido, filha? Lava, passa e cozinha?
-Cara, na boa... Você está começando a ser desagradável! O que você quer saber mais? Só falta você me perguntar qual minha idade!
-Sim, como não? Qual sua idade!?

A Humanidade enfezou-se, pegou uma arma e matou o humano questionador! Afinal... o que é a parte diante do todo?

(Ah, sim, só para que as pessoas que lerem este texto interpretem-no corretamente: eu tentei fazer uma ironia com a questão dos universais... um dos 'problemas' filosóficos mais antigos, que só perde para o dos dualismos: movimento-inércia; bem-mal;vômito-fezes...)

sábado, 7 de agosto de 2010

Curtas reflexões sobre o tédio

06.08.2010
12h56m

Algumas horas de sono são suficientes para destruir todo o ânimo existente, e como é interessante o modo como nossas emoções se transformam quando comemos alimentos gordurosos, bebemos ou fumamos. Todo o corpo se modifica. Não quero dizer que se deve manter uma vida saudável sempre, o mal é bom e o bom é mal... Não há muito sentido em manter saudável um corpo que tem por destino a putrefação. Mas também não existe motivo para não se cuidar enquanto houver vida. Cada qual sabe bem o que faz consigo.
Dentro de mim agora se pode ouvir um barulho de violência digestiva e uma linha melódica hipnótica que está me deixando nauseado. É paz! Mas não é uma paz como todos estão acostumados a entender, é um sentimento que beira niilismo, mas que não é totalmente nadificante; uma sensação de onda: quando ela vem traz coisas do mar e leva coisas da areia e tudo é dialético!
O sol está bem forte hoje, irritantemente claro e o frio está arrogantemente grande. Mas talvez seja eu o irritado e o arrogante aqui. Talvez!
Eu fico tão transtornado com o fato de não poder conseguir dormir como pessoas normais... É tão monótono ser diferente! Por outro lado, é tão ridículo ser normal...
Hoje eu consegui experimentar e entender no âmago o que é desejar o nada, o não-ser, as coisas que não se almejam, pois eu quero o nada, quero Hipnos, irmão gêmeo de Tânatos! Luto por adquirir o esquecimento, quero longe de mim a memória e a lembrança. Ser um homo sapiens cansa, tudo o que você faz é pensar, ter sapiência, conhecer, descobrir, duvidar, responder e perguntar novamente. O movimento é intenso na roda da vida, e apesar de ser movimento é um movimento de rotação, de dançar ao redor de si mesmo, de girar feito carrossel, em torno de si mesmo... O que, no fundo, não deixa de ser uma estaticidade absurda, uma inércia completa e idiota. Uma perfeita tragicomédia!
Felicidade, alegria, paz, amor... Quem precisa disso quando se tem o tédio? E, no fim, felicidade demais, alegria demais, paz demais, amor demais são todas as criaturas geradas e geradoras do tédio!
Isso! Exatamente! Concordai entre vós! Realmente, o desejo, o sonho, o objetivo... Lutar por um objetivo nos retira do tédio! E vós ainda acreditais que é São Pedro quem envia as chuvas? Desejar sempre é tédio certeiro, conquistar é apenas um passo para se entediar. De resto, todo o resto é tédio, monotonia e morbidez apática!
Tudo é movimento, disse Heráclito! Hoje eu estou vendo de forma diferente: Tudo é tédio, até mesmo o movimento!

domingo, 25 de julho de 2010

Tendências...



Cheguei a uma conclusão. E apesar de estar em um mundo de tantas incertezas foram estas incertezas mesmo que me levaram a tal conclusão:

Tudo tende à destruição e ao caos.

Mesmo um feto, depois de se transformar em uma bela criança humana... Logo nasce e já está fadada a morrer.
Pode ser daqui a 70 anos ou um pouco mais, depois de quinze minutos ou antes mesmo de sair do ventre de sua mãe.

Lance uma pedra para qualquer lado que você quiser e certamente ela irá se chocar a algum vidro de janela. Cave um buraco e você mesmo cairá nele, construa uma ponte... o rio a destruirá.

Estamos todos jogados na existência, todos nós viajamos num percurso altamente perigoso do qual nunca se sobrevive.

Não, hoje não quero escrever para otimistas, pois sinceramente, nesta minha conclusão não há espaço para otimismo.

Pensando bem, talvez haja algo de belo, de otimismo não.

Assim como é bela uma tempestade, apesar de catastrófica; assim como é magnífico um tornado, meteoros, vulcões e toda espécie de fenômenos violentos da natureza... São coisas tão belas e muito pouco otimistas.

Algum moralista diz: “Mas a tempestade de ventos carregam sementes que irão germinar novas plantas; os vulcões foram responsáveis pela formação do nosso planeta; tudo o que ocorre tem um propósito.”

E eu concordo de modo diverso: “Sim, há propósito em todas estas coisas: a autodestruição, o caos e a morte!”

quarta-feira, 7 de julho de 2010

TANTO FAZ!

Saudações, terráquios!

Cada vez mais eu me convenço de que: tanto faz!

Deus existe ou não? Eu sou irracionalista, pessimista ou existencialista?
Você é evangélico, católico ou pagão?
Gosta de música clássica, rock, contemporânea ou funk?
Para cima ou para baixo? Azul ou vermelho?

TANTO FAZ! Dá tudo na mesma merda!

Eu nasço, eu vivo, eu morro!
Todos estão fadados a este tédio!

O que resta a cada um é fazer o que tem que ser feito... E aí tenho que concordar em gênero, número e grau com um dos poucos escritores da bíblia que leio e releio sempre:

"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol." Eclesiastes 2: 1-11


Eu, sinceramente, não acredito na Bíblia como se ela fosse um livro sagrado onde um Ser Poderoso pudesse se revelar (e essa é uma opinião minha, respeito o direito de cada um a terem suas próprias crenças), mas, depois de ter lido ela inteira por três vezes, e por sempre reler algumas coisas (assim como releio sempre que posso o livro Anticristo, de Friederich Nietzsche!), tenho que reconhecer que o livro de Eclesiastes é de uma sabedoria imensa!

A única coisa extramamente repulsiva que eu encontro neste belo livro é este ódio sacerdotal contra a vida (próprio de pessoas que vivem nos becos escuros)!
Concordamos todos com você, Salomão: "A vida não faz sentido algum, tudo é vaidade e aflição de espírito! Mas nem por isso a vida deixa de ser bela e digna de ser experimentada."

A vida passa a ser mais degustável ainda quanto menor é nossa expectativa de vida. Quanto mais próximos da morte, mais valor damos a ela. Quanto maior a futilidade da vida, quanto maior sua fugacidade, sua transitoriedade, maior é sua intensidade, mais bela fica!

E se não houver nada depois da morte (o que eu acho bem possível...), este é um motivo ainda maior para valorizar a vida, ao contrário do que os niilistas (Dostoievsky, infelizmente, também é um deles)dizem por aí!

Apesar do TANTO FAZ! Eu continuo gostando de viver esta vida, esta existência de TANTO FAZ, porque TANTO FAZ é um leque imenso de possibilidades de TANTOS FAZERES!