domingo, 29 de novembro de 2015

Da tragédia do silêncio como dynamus da Vontade

Posso calar minha voz
Meu coração e corpo
Mas nunca minha mente

Como fogo, consome
Como rio, deságua
Como vento, dissipa
Como Terra, pesa!

Posso calar minha voz
E até mesmo meus desejos
Mas nunca a Vontade

Como fogo, aquece
Como rio, transborda
Como vento, sussura
Como Terra, seduz

Como calar as forças
Que, inpensáveis, borbulham
Nas intemperies do tempo?
Como calar tal Força
Que, incomenssurável, ascende
Às alturas de violenta liberdade?

Violenta e dolorosa luta
das forças cósmicas
Do paradoxo em carne
Do oposto embate
E eterna seducão
Que secretamente habita
O âmago de tudo quanto é oceânico?

Não há como calar o silêncio
Este vago som de vazio
Que de todos os vazios
É o mais poderoso
Mais que o vento
Mais que o fogo
Mais que a água
Mais que o barro
Este sepulcral e mórbido silêncio
Cuja razão jamais se poderá achar
Posto que, calada, vela, distante,
Por todos os que a buscam,
Sem nunca, porém, se revelar!

O archè dos filósofos
A obstinada corrida por explicação
A inspiração sôfrega dos músicos
A dor lancinante dos poetas
A lágrima que dilacera em dúvida...
A Arte de que padecemos
E sem a qual morremos!

Oh eterno mistério do Não-Ser!
Por que Nada és,
Apenas Nada podemos encontrar..


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