terça-feira, 22 de março de 2011

Cultura, Aculturação e Padrões culturais!

De acordo com o senso comum, cultura está relacionada a bons estudos, nobreza ou conhecimento sofisticado. Este tipo de pensamento não é de todo equivocado, se pensarmos como pensam as classes sociais.

Cheguei à conclusão, por meio de meus estudos de outros pensadores e autores, conversando sobre o assunto com amigos e conhecidos e refletindo sozinho sobre estas questões, que cultura é mesmo esse movimento próprio do ser humano, é esta relação dialética existente entre o homem e a natureza. A natureza modifica o homem e o homem modifica a natureza, e esse processo é contínuo. Todas as expressões humanas são, portanto, cultura humana.

Entretanto, se considerarmos que as classes mais baixas são tratadas feito animais ou quaisquer outra coisas não-humanas, poderemos concluir, desta forma, que cultura é mesmo coisa de “gente grande”. Quer dizer, a massa, o “Zé povinho” está correto em pensar que “cultura é coisa para gente nobre”.


Cultura, porém, é um destes conceitos que foram se desmembrando cada vez mais da realidade concreta para se universalizar e tornar-se amplo demais para ser definido com tão poucas palavras. A partir da universalização da palavra cultura, fica difícil defini-la, assim como outros conceitos vazios (de tão cheios que são) como, por exemplo, amor, humanidade, beleza ou amizade. Um antropólogo dirá que cultura é uma coisa, um filósofo talvez diga outra e nós podemos discordar de ambos, concordar com ambos ou preferir ir contra ambos... Ou poderíamos suspender juízo e ignorar ambos!


Fato é que, cultura é determinada pela localização geográfica, pelo idioma, pelas tradições, pelo clima, pelos alimentos, pelos modos de produção de cada conclomerado humano e, principalmente, pelas representações simbólicas particulares de cada sociedade. Existem outros fatores determinantes de uma cultura, mas estas são as mais importantes.

Eu olho uma cultura e vejo que, destes fatores, três são os mais significativos, sem os quais a cultura pode ser drasticamente modificada ou destruida: Idioma, representações simbólicas e o modo de produção vigente.


Até uns séculos atrás, as diferenças culturais eram bem mais numerosas, bem mais complexas do que hoje. O que alguns chamam globalização, eu prefiro nomear como aculturação.

A globalização é um fenômeno essencialmente determinista, dominador e castrante, pois impõe certos padrões que estavam anteriormente relacionados apenas a uma cultura, mas que agora deverá ser seguida por todas as demais.
Poderíamos dizer que esse padrão é estadunidense, americanizado, capitalista e tudo o mais, porém, prefiro dizer que o padrão reflete os ideais das grandes corporações, das empresas multinacionais e das classes média e alta da sociedade.

O idioma inglês traz consigo todas as nuances culturais de quem utiliza esta forma de linguagem. Já disseram que o idioma é a característica fundamental de uma cultura, para destruir uma cultura, destrua seu idioma! Foi o que os gregos fizeram, indiretamente, com a magnífica ajuda de Alexandre, o Grande, que propagou o idioma grego, o pensamento e a filosofia grega por todo seu imenso império.

Foi o que Roma fez com todas as suas colônias, destruindo toda e qualquer forma de idioma existente, propagando o latim.
Foi o que os portugueses fizeram com os índios brasileiros, quando extinguiram o tupi-guarani... Alguém pode citar características fundantes da cultura indígena brasieleira? Provavelmente apenas os antropólogos, e com muita dificuldade! Justamente porque o idioma tupi simplesmente foi reduzido a nada, fomos aportuguesados, aculturados, colonizados pela língua portuguesa. Não temos identidade própria, o Brasil é uma grande prostituta das nações!
Foi o que fizeram conosco por meio do idioma inglês, esse "idioma universal" da nossa época.

Qual não é o nosso espanto quando vimos bares, boates, hotéis e vários estabelecimentos comerciais com nomes e citações no idioma inglês. Às vezes, o cara não sabe escrever seu próprio nome, mas coloca uma palavra em inglês no seu pequeno negócio...

As representações simbólicas estão entrelaçadas ao idioma, porque as imagens simbólicas nada mais são do que palavras em formas mentais. Imagem é palavra e o contrário é verdadeiro.
Logo que um idioma se torna dominante as representações simbólicas próprias desta cultura se cristalizam, passam a ser propriedades dos aculturados.
Daí que nossos ideiais de heroismo, liberdade, competitividade, divisão social, educação e política estejam tão atrelados aos da cultura e idioma inglês (mais precisamente, o americano!)

Os modos de produção são determinados por todos estes fatores mais um: aquele que já conhecemos tão bem: a economia capitalista. Mas sobre isso não estou afim de falar agora. Basta que saibamos que a confluência destes três fatores, atualmente, são a causa de que as diferenças culturais sejam destruídas em favor de uma outra cultura, a global e universalizante. Daí que as diferenças culturais, que seriam fonte de sabedoria e riquezas para todos, se tornem nadificadas e subjugadas as padrão estabelecido.

Eu, particularmente, preferiria outro padrão de cultura! Mas seria "politicamente incorreto" eu defender a cultura e o padrão de minha preferência... Então, que cada um chegue às suas próprias conclusões!

3 comentários:

  1. '...Não temos identidade própria, o Brasil é uma grande prostituta das nações!...'

    Não tem como não parar pra refletir.
    Sempre cresço lendo seus textos Daniel!

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  2. obrigado, nay! sempre fico feliz quando vc comenta no meu blog, kkkk!

    bjão

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  3. Brasil, sua puta em verde e amarelo.
    Exatamente. Concluo o meu pensamento cultuando as suas palavras que tem sido para mim de grande importância. Sem mela-mela. Tenho aprendido e assim, tornando o meu estado critico mais apurado. Ou não. O fato é que nos enlatamos junto com o que o mundo tem nos dado de resto. Lavagem aos brasileiros e sua descendência. É o pecado original invadindo a nossa sacralmente existência do lado de cá e fronteira adentro.

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