quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Postagem n° 100 -Minha desolação, minha angústia, minha guerra... minha vida!

"Comemorando" minha centésima postagem nesse blog, mais de 13.280 visitas, quero agradecer a todos os meus leitores, todos os que fizeram comentários, todos os que leram os textos que eu escrevi. E pra celebrar o 100° texto, eis aqui mais uma pérola minha, nascida e embebida no sangue de meus próprios sofrimentos (que são responsáveis por todo o meu desenvolvimento):

De que matéria é feita o artista, senão da angústia de sentir a inexistência de fundamento do real?
De que forma surge um guerreiro, senão desta vontade de querer criar um sentido para o mundo concreto, de melhorar a vida humana, de torná-la mais bela?
Ambos, o guerreiro e o artista, são uma mesma moeda.

Mas quem pode dizer do guerreiro que ele seja sempre forte? De fato, é porque ele enxerga seu destino de fracasso, sua própria morte, é que pode ousar ir para a guerra, ou no caso do artista criar sua arte, pois contempla que ele nada mais pode fazer, que está de mãos atadas, de que está jogado em sua própria solidão.
É daqui também que surge a alma de um herói ao estilo grego! Ele sabe que seu final será extremamente trágico, mas aceita seu destino, não foge dele, enfrenta-o até o fim, até que se derrame a sua última gota de sangue.

Hoje eu estou desolado pela minha própria solidão, mas que é isso senão um prenúncio da minha maior guerra, que é isso senão o vislumbre da criação da minha mais bela obra de arte, da música que será apenas minha, posto que foi criada durante o processo de minha solidão mais grave?

by Daniel Alabarce on Wednesday, December 14, 2011 at 9:53pm

5 comentários:

  1. Parafraseando Schopenhauer, em seu livro O Mundo como vontade e representação:

    " A verdade pela qual a felicidade é de natureza negativa e não positiva, não é uma calma, um contentamento durável e pode, quando muito, libertar-nos dum sofrimento ou duma necessidade, logo seguidos de novos afãs ou de languores, de aspirações vazias e de aborrecimento; esta verdade, repito, é confirmada ainda pela arte e, sobretudo, pela poesia, espelho fiel da essência do mundo e da vida. Com efeito, qualquer composição épica ou dramática não pode ter por sujeitos senão lutas, esforços, batalhas, dirigidos para a conquista da felicidade, e nunca a felicidade mesma, durável e perfeita. Conduz o seu herói ao fim, através de mil dificuldades e mil perigos; apenas atingido o objetivo, apressa-se a fazer descerem as cortinas. Porquanto dali para diante só lhe restaria mostrar que a meta gloriosa em que o herói acreditava encontrar a felicidade, outra coisa não fez mais que iludi-lo e como, tendo-a atingido, não se encontra melhor que dantes..."

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  2. Também não é parecida a forma como encerram os contos de fadas?

    "E eles viveram felizes para sempre!" PONTO! O que vem depois deste felizes para sempre senão o príncipe metido a besta pedindo cerveja pra mulher enquanto assiste os gladiadores no canal Roma TV5, ou apreciando um bom empalamento na manhã de domingo?

    Ou os dias estressantes de tpm da cinderela, que acordou com o cu ao avesso!?

    Ou a sogra da donzela enchendo o saco do sapo, que agora é gente, dizendo que não gosta do hálito dele e que por mais que escove os dentes, sua filha ainda continuará beijando alguém que comeu mosquitos outrora!?

    foda né?

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  3. Ei.. dani! Pra que servem as formalidades??
    Pra que serve as cerimonias de celebração disso ou daquilo??
    São essas solenidades que fazem o casal que se ama ser "casado"? A criança "nascida"? O estudante de arte um "artista formado"?
    Acho q não né? O reconhecimento não faz parte da vida de artista XD e num é verdade?? Desde o começo temos que nos contentar com somente um reconhecimento: os aplausos depois da arte executada (sinceros ou não...).
    Formalidades são legais e dão animo, mas temos que seguir sem esperar por elas porque essa é a sina do artista.
    E quanto menos esperamos, mais recebemos! ;D

    Bjo grande!
    De outra artista que vive sem reconhecimentos =D

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  4. muito obrigado, lita! De verdade! bjão!

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  5. Texto muito bom, é exatamente desse jeito que penso. A vida é caótica como um guerra, é trágica e violenta.
    O homem precisa lutar contra sua própria tragédia para alcançar algo realmente produtivo, é preciso chafurdar na lama para ser um herói.

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